Um Amor Shinobi
7 Deixando O Passado Para Trás
Notas iniciais
Sasuke saiu do Centro de Inteligência de Konoha e foi andando sem rumo. Ele já se sentia enferrujado depois de ter passado tanto tempo naquela cama de hospital, por isso resolveu esticar as pernas.
O Uchiha ainda estava sem camiseta e usando aquela calça preta de hospital, mas não se importava. Já passava das nove na manhã e as pessoas ainda estavam meio atordoadas com o que acontecera, tentando reparar os estragos causados pela invasão. As ruas estavam cheias das estranhas criaturas, todas mortas e mutiladas (graças ao ataque de fúria do Naruto), e os moradores começavam a limpar as vias.
Por onde ele passava, as pessoas paravam para olhá-lo e depois viravam para comentar. Ele podia escutar os sussurros á sua volta fazendo comentários estranhos e até maldosos. Era óbvio que as pessoas ainda não confiavam nele.
Foda-se.
Sasuke resolveu ficar longe dos olhos humanos e continuou seu passeio pulando pelos telhados. A vila estava completamente diferente de como fora na época que ele morou lá, mas um lugar continuava intacto.
Sasuke parou na frente da entrada do Distrito Uchiha. Chegava a ser irônico aquele ser o único lugar que sobreviveu ao Shinra Tensei do Pain. O lugar ficava tão afastado que a destruição não o alcançou. A fita de isolamento continuava ali, velha e desgasta pelo tempo.
– Pensei que tinham demolido esse lugar — Sasuke comentou pra si mesmo.
Tomou coragem e entrou.
O lugar parecia uma cidade fantasma. Todas as casas fediam a mofo e estavam infestadas de cupins, alguns ratos podiam ser vistos correndo pelas ruas. Sasuke lembrava-se de como antigamente o Distrito era iluminado, limpo e belo. Podia lembrar claramente de cada morador e cada amigo que ali vivia. Ele quase podia escutar a voz das pessoas que uma vez viveram ali.
Parou na casa principal, seu antigo lar.
Ele não sabia se deveria entrar. Aquele lugar só trazia lembranças horríveis. Só fazia ele se lembrar do quanto seu irmão sofreu. Ele balançou a cabeça negativamente. "Eu não deveria ter vindo aqui", pensou.
Antes que pudesse virar e sair, percebeu a presença de alguém. Ele revirou os olhos.
– O quê está fazendo aqui, Suigetsu? — Ele disse, sem se virar.
O garoto de cabelos azuis apareceu, acompanhado de Juugo. Os dois ainda vestiam seus mantos pretos. Suigetsu carregava sua grande espada Kubikiribōchō nas costas.
– E aí, Sasuke. Usar roupa de vez em quando é bom. — Suigetsu falou e olhou em volta. — Era aqui que você morava? Que lugar podre.
O garoto ficou congelado quando Sasuke lançou-lhe um olhar nada amigável por causa do seu comentário.
– Juugo, Suigetsu, o quê estão fazendo aqui? — ele perguntou.
– Como "o que estamos fazendo aqui"? Você vira o bonzão de novo e esquece da gente? — Suigetsu reclamou.
– Eu disse pra vocês que depois que eu cumprisse meu objetivo, estariam livres pra fazer o que quisessem. — Sasuke disse. — Onde está a Karin?
– Ela tava presa aqui em Konoha. Eu achei que depois que ela saiu da cadeia ia fugir, mas voltou pra cá. — Suigetsu disse, sem entender. — Parece que ela quer mesmo viver nessa vila esquisita...
Sasuke não estava nem um pouco interessado no que a Karin queria fazer ou não, apesar de ele sentir uma pontada de culpa por ter quase a assassinado.
– Sasuke, você sabe que eu irei te seguir para onde for, por isso, eu vou me entregar e ser preso como a Karin se for necessário. — Juugo disse.
Suigetsu parecia não acreditar no que ouviu.
– Q-q-quê?! Você tá ficando louco?! Quer ser preso?!
Suigetsu ficou reclamando com Juugo, enquanto Sasuke deu uma última olhada no lugar. "Tenho que parar de me prender ao passado."
– Façam como quiserem. — Sasuke disse, "voando" pra fora dali.
– E-ei! Espera aí, seu... — Suigetsu não conseguiu terminar de falar. Sasuke já estava muito longe. — Aargh! Eu odeio esse jeito metido dele!
Sasuke andou e andou, quando enfim sentou-se perto das estátuas dos Hokages, onde podia observar toda a vila. Apesar do que acontecera de manhã, ela ainda parecia aquele lugar calmo e pacífico que ele viveu na infância. Estar de volta a Konoha era muito estranho.
Mas o que mais o impressionava era que, mesmo ele tendo se tornado um nukenin, mesmo tendo cometido tantos crimes, mesmo tendo feito tudo o que fez, ainda haviam pessoas esperando por ele ali. Mesmo Sasuke tendo feito seus amigos sofrerem, eles nunca cogitaram desistir dele. Ele mesmo pensava que se alguém de repente sumisse de sua vida, ele não ia esperar por esse alguém.
"Com certeza são pessoas melhores que eu."
Agora, pesando bem, a maioria das pessoas dali não haviam mudado quase nada. Naruto, mesmo sendo bem mais forte agora, ainda tinha aquela personalidade irritante de crianção. Kakashi estava exatamente o mesmo, tanto em personalidade quanto em aparência — o homem parecia não ter envelhecido um dia sequer.
A única pessoa que havia mudado bastante para Sasuke foi a Sakura.
Ela, com certeza, não era mais a menininha fraca e chorona de antigamente. Sasuke ficara realmente impressionado com a determinação da garota, tanto na batalha final quanto hoje, quando ela foi a primeira a bolar um ataque contra a Quimera — um ataque corpo-a-corpo, sem sequer usar ninjutsu.
Sasuke ainda lembrava-se do olhar determinado de Sakura durante a luta contra o Juubi. Ela agora possuía um brilho no olhar diferente, algo que não possuía antes. E, principalmente, Sakura não estava mais correndo atrás dele como costumava fazer.
Ele achava que Sakura iria ficar perto dele o tempo todo, dizer que o amava ou qualquer outra coisa do gênero — mas ela não o fez. Mesmo depois que a guerra acabou, ele esperava que Sakura fosse atrás dele, mas ela não foi. Ele realmente chegou a pensar que Sakura não gostava mais dele.
Sasuke nunca admitiria isso em voz alta, mas ficou um pouco triste quando pensou isso.
As dúvidas dele só acabaram quando ele estava internado no hospital. Sasuke estava dormindo e, quando acordou e percebeu que Sakura estava no quarto, ele fingiu estar dormindo só pra saber o que ela ia fazer. Ficou um pouco decepcionado quando ela começou a tratar de um ferimento no seu braço, mas então, ela passou a mão no rosto dele delicadamente, fazendo carinho. Aí o Naruto apareceu e logo depois o Kakashi — e ele jamais admitiria isso em voz alta também, mas ficou com raiva por eles terem chegado bem naquela hora.
Sasuke decidiu que era hora de voltar ao hospital e vestir alguma coisa decente. Foi entrar pelo lado de fora, mas parou quando viu Sakura e Shizune dentro de um dos quartos, junto com mais um enfermeiro que ajudava um paciente a sair do quarto. Sakura ainda usava o uniforme de médica e tinha os cabelos presos. Ele ficou observando do lado de fora, em cima de uma árvore.
Sakura sentou-se numa cadeira enquanto que Shizune ficou de pé, observando uma prancheta.
– Essa invasão deixou todo mundo alvoroçado. Aqueles bichos fizeram um estrago grande... mas bem, parece que metade dos shinobis que estavam gravemente feridos já estão recebendo alta, por isso já podemos atender todos os outros pacientes dentro de leitos adequados... Não é mesmo, Sakura? — Shizune disse, mas a garota estava dormindo sentada na cadeira. — Sakura!
Sakura acordou no susto e logo ficou de pé.
– Hein? Quê? O que aconteceu? — ela perguntou, alarmada.
Shizune suspirou.
– Sakura, você deveria ir pra casa descansar. Já vai fazer uns dois dias que você não dorme...
– Quê? De jeito nenhum! Eu estou totalmente bem! — Sakura pegou a prancheta das mãos de Shizune. — Passa isso pra cá! Não temos tempo pra ficar conversando. Vamos trabalhar! — ela disse, com a voz autoritária.
Sasuke, que ainda observava tudo de longe, deu um pequeno sorriso divertido ao ver aquela cena cômica.
***
A Mizukage acabava de chegar á Konoha.
Já passava das seis da tarde. Tsunade mandou chamá-la com urgência, mesmo que a viagem demorasse bastante. Mei não se opôs a ir, já que agora as Cinco Grandes Nações estavam unidas.
A Mizukage entrou no prédio do governo. Shizune, que saiu do hospital para trabalhar com Tsunade, guiou-a junto de seus dois guardas. Eles então entraram na sala de Tsunade. A Hokage observava a vila pelas grandes janelas, com ar pensativo.
– Tsunade-hime. — a Mizukage disse.
– Mizukage-sama, ainda bem que chegou. — Tsunade disse, fazendo sinal para que Mei se sentasse.
– Mas é claro. Mandou me chamar com tanta urgência que eu vim o mais rápido que pude. Mas, enfim, o que houve?
A Hokage sentou-se.
– Konoha foi atacada durante a manhã por um homem. Ele sequestrou uma de nossas shinobis, Hyuuga Hinata. Segundo o que fui informada, esse homem provavelmente está mexendo com um tipo de espírito muito antigo e perigoso.
– Entendo... mas por que me chamou aqui?
Shizune passou uma folha de papel para as mãos de Tsunade.
– Pedi para que as testemunhas fizessem um retrato-falado do homem e depois fiz uma busca em nossos arquivos. Acontece que ele é extremamente parecido com um criminoso de Kirigakure. Essa pessoa lhe é familiar?
Mei pegou a folha de papel e observou-a, então suspirou.
– Sim, eu conheço. Este homem é um criminoso Rank-S. Seu nome é Takahashi Katsuo. Costumava ser o líder da ANBU de Kirigakure, quando por algum motivo desconhecido se voltou contra a vila e planejou um ataque.
– Um ataque? Nunca fui informada disso. — Tsunade comentou.
– Nunca foi informada porque nós não deixamos que a informação vazasse. Isso foi antes de eu me tornar a Mizukage. Mas, enfim, o ataque dele falhou e Katsuo fugiu. Depois disso, colocamos centenas de shinobis á procura dele, mas o desgraçado nunca foi encontrado. — Mei fechou os olhos, como se estivesse tendo uma lembrança ruim. — Eu me encontrei com Katsuo certa vez, e ele... estava muito poderoso. Mais poderoso que eu. Ele usou ninjutsus que eu nunca havia visto antes, e suas reservas de chakra tornaram-se grandes demais. Mas, Hokage-sama, conte-me sobre esse espírito.
Tsunade explicou tudo para Mei, que ficou espantada.
– Akuma? Ele existe mesmo?
– Já ouviu falar disso? — Tsunade perguntou, surpresa.
– Sim... ele está presente em muitas lendas do nosso país. Mas eu achava que era tudo apenas história pra causar medo em criança. Não esperava que fosse real.
– Entendo... mas voltando ao assunto, Mizukage. Esse homem sequestrou Hyuuga Hinata e temos uma ideia do que ele pretende fazer, e se o fizer, talvez seja um problema ainda maior do que Madara foi. Sei que acabamos de sair de uma guerra, mas não podemos descansar agora.
– Concordo plenamente, temos que agir. Tem algo em mente? — Mei disse.
– Eu vou planejar uma missão no resgate de Hyuuga Hinata. Se ela for trazida de volta, metade dos nossos problemas terão sido resolvidos. Você sabe, ela é membro de um clã muito poderoso. Os Hyuuga estão impacientes. Também mandei meu melhor ninja estrategista começar a trabalhar em possíveis locais onde esse tal de Katsuo possa estar.
– Tenho vários arquivos de investigações sobre o Katsuo. Talvez ele esteja em algum dos esconderijos que dizem os arquivos.
– Ótimo! Já é um bom começo! — Tsunade disse. — Shizune! Mande chamar o Shikamaru!
Shizune saiu ás pressas e voltou ao lado de Shikamaru. A Mizukage chamou um de seus acompanhantes, que logo saiu da sala para mandar uma mensagem á Kirigakure, para trazer esses arquivos. Os papéis chegaram em pouco mais de uma hora, e Shikamaru logo fez suas suposições.
– Já temos o suficiente para começar a missão de resgate, imagino. Shikamaru disse.
Ino irrompeu para dentro da sala, acompanhada de alguns jounins do Centro de Inteligência. Fez uma breve reverência e disse:
– Tsunade-sama, tenho boas notícias. Consegui rastrear os vestígios de chakra que o invasor deixou aqui, e eles apontam para o País da Chuva.
Shikamaru logo pegou os documentos e começou a reanalizá-los.
– Nos arquivos aqui diz que em antigas investigações, já encontraram o Katsuo num esconderijo no País da Chuva. Devemos mandar todo o nosso pessoal pra lá! — ele disse.
– Excelente! Já podemos começar a missão com o que temos. — Tsunade disse, e todos concordaram. — Shizune! Mande chamar todos os chuunin e jounin aqui e agora!
– Eh, Tsunade-sama... e quanto ao Naruto e o Sasuke? Você sabe, eles ainda são genins apesar de tudo... — Shizune disse.
– Mande chamá-los também! Vá! — depois que Shizune saiu da sala, Tsunade disse, dirigindo-se á Mei: — Mizukage, é melhor não envolvermos as outras nações nisso.
– Por que? — Mei perguntou.
– Porque isso é um problema exclusivamente de Konohagakure e Kirigakure. Se as coisas ficarem realmente sérias, nós contatamos os outros kages.
– Tem razão. — Mei respondeu.
***
Já passava das nove da noite. Todos os chuunins e jounins capacitados estavam na cobertura do prédio do governo. A Hokage deu as informações necessárias a eles, inclusive disse que os shinobis de Kirigakure iriam participar da busca.
– Iremos nos dividir em trios, já que muitos shinobis ainda estão incapacitados para a missão. — Shikamaru disse. Ele foi ditando todos os trios, quando disse: — Décimo sétimo trio: Haruno Sakura, Uchiha Sasuke e Uzumaki Naruto.
Os shinobis em volta começaram a comentar esse trio. Não era surpresa pra ninguém que eles estariam juntos, mas depois da performance deles durante a guerra, as pessoas já começavam a chamá-los de "Nova Geração de Sannins".
Shikamaru terminou de ditar os trios e Tsunade disse:
– Partiremos amanhã ás cinco da manhã. Estejam preparados. E lembre-se que não podemos falhar nessa missão, pois, se falharmos, teremos graves problemas.
Não vou falhar de jeito nenhum, Naruto pensou. Pela Hinata.
– Estão dispensados! — Tsunade disse, e todos gritaram juntos um "Hai!"
Antes que Sasuke pudesse sair, ouviu alguém chamá-lo.
– Sasuke. — era Sakura. Ela aproximou-se dele. — Você não pode ir á uma missão sem carregar o símbolo de Konoha.
A garota estendeu-lhe uma bandana de pano preto para ele. Sasuke ficou um pouco hesitante. "Eu mereço mesmo ter isso de novo?" ele pensou. Mas percebeu que todos estavam prestando atenção nele, com expectativa.
Sasuke ofereceu um sorriso pequeno (que era mais do que qualquer um poderia querer), e pegou a bandana da mão de Sakura. Naruto e ela meio que prenderam a respiração quando o Uchiha amarrou a bandana na testa, assim como todos os outros amigos deles. Porque aquilo simbolizava o que todos ainda não conseguiam acreditar.
Sasuke estava, enfim, de volta ao seu lar.
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