Um Amor Shinobi
30 Crueldade
Notas iniciais
[...]
Enquanto Naruto sentia-se feliz por ter seus melhores amigos acompanhando-o, Sasuke e Sakura trocaram olhares assassinos, mas ele obviamente não percebeu.
E enfim os três partiram na calada da noite em busca de Hinata.
De novo.
–
Hinata observava a paisagem da copa de uma enorme árvore.
A floresta estendia-se por quilômetros e quilômetros além da vista humana. Uma chuva gelada encharcava o rosto da garota, que observava o céu encoberto pelas espessas nuvens de tempestade. Seu corpo encontrava-se coberto pelo manto branco com a faixa vermelha característico dos shinobis de Konoha. Hinata suspirou, absorvendo o cheiro de terra molhada; "Como será que estão as coisas em Konoha?"
– Hinata, precisamos continuar a viagem! — A voz da mulher chamou, e Hinata saltou para o solo.
No chão encontrava-se um grupo de oito ANBUs e Shizune, a única pessoa conhecida que viera acompanhá-la para proporcionar-lhe um pouco de tranquilidade. Shizune utilizava o típico uniforme jounin por baixo de seu manto, e os ANBUs usavam os uniformes habituais também por sobre os seus mantos. Por baixo da cobertura das árvores tudo parecia ficar ainda mais escuro.
– Encontrou algo suspeito com o Byakugan, Hinata-sama? — Um dos ANBUs perguntou, que aliás era uma mulher de longos cabelos roxos.
– Não, está tudo normal. — Ela disse, sem emoção.
– Então, podemos continuar. — Shizune disse, logo o esquadrão voltou a pular por sob as árvores em direção ao País das Fontes Termais.
Já faziam doze horas desde que o grupo deixou Konoha em direção ao país, fazendo algumas pequenas pausas durante o trajeto. Hinata sentia-se desanimada e tensa e não dissera nada além do necessário durante toda a viagem. O fato de ter saído da vila sem ninguém ser informado ainda a incomodava bastante, mas não havia mais o que fazer quanto a isso.
Hinata sentia o nervosismo se aprofundar quanto mais se aproximavam do destino. Sabia que se algo desse errado durante o Fuuin ou a análise seria o fim — Akuma escaparia da prisão e se reergueria, o mundo seria literalmente engolido pelo caos. Não era do feitio de Hinata pensar esse tipo de coisa, mas agora arrependia-se de não ter matado ela mesma o maldito Takahashi. Pelo menos isso iria amenizar um pouco seu sofrimento.
Sem contar o fato de que Hinata sentia constantemente uma estranha sensação de perigo. Seu Byakugan continuara ativado durante todo o percurso e ela não vira nada suspeito, mas isso não diminuía a sensação ruim.
Os ninjas continuavam saltando pelas árvores em formação; Shizune e mais dois ANBUs na linha de frente, Hinata no centro sendo colocada na posição mais segura, outros dois ANBUs em seus flancos e os três restantes cuidavam da retaguarda. Os sete ANBUs eram ninjas sensitivos, por isso seria extremamente fácil descobrir alguma movimentação suspeita por perto.
Nem mesmo isso a tranquilizava.
O grupo parou novamente, sem desfazer a formação, enquanto Shizune trocava palavras com Águia e Falcão (codinomes para dois membros ANBU, a mulher de cabelo roxo e um homem de cabelos pretos, já que ninguém sabia seus verdadeiros nomes) referente à direção que deveriam tomar. Hinata ficou parada observando o nada, sem querer estar ali.
Shizune segurava um pergaminho enquanto discutia calmamente com os outros dois ANBUs, enquanto o restante continuou em silêncio. Uma brisa fria acariciou o rosto de Hinata, fazendo seus cabelos balançarem junto ao vento e as folhas das árvores farfalharem em coro. Aquela paisagem era tranquilizadora e quieta.
Quieta até demais.
Hinata sentiu uma perturbação na paisagem, virando a cabeça na direção já com o Byakugan ativado. Era impressão sua, ou havia notado uma leve mudança na direção do vento, como se alguém houvesse bloqueado-o? Porém, quando mirou o local, o Byakugan nada detectou.
– Está tudo bem, Hinata-sama? — Um dos ANBU perguntou. Ela logo percebeu que todos prestaram atenção na sua posição brusca.
Hinata não respondeu, continuou procurando qualquer coisa que fosse com o Byakugan, e novamente não viu nada suspeito. "Deve ter sido só minha imaginação..."
– Sim... está. — Ela enfim disse, ainda de testa franzida. Shizune, Águia e Falcão entreolharam-se, preocupados. Logo depois voltaram a saltar por entre as árvores, seguindo a direção certa.
Continuaram saltando até que Hinata novamente sentiu algo estranho. "Não é paranoia minha... realmente tem algo nos seguindo!"
Mas, antes que pudesse parar e avisar aos outros, o chão tremeu e uma criatura gigante emergiu do solo diretamente na direção de Hinata. A Hyuuga conseguiu habilmente desviar pulando para outra árvore á esquerda, mas o resto do grupo que não percebera a aproximação da criatura não tiveram tanta sorte — cada um foi jogado violentamente para direções diferentes, deixando a garota cara a cara com o bicho. Hinata levantou o rosto na direção da criatura e engoliu em seco.
A coisa tinha a parte superior do corpo no formato de um humano, com braços que continham garras absurdamente grandes. Os olhos do bicho tinham uma cor verde brilhante e sua boca com as presas enormes que pingavam um líquido que poderia ser baba ou veneno, além de ter um cabelo longo e seboso preto como se fosse lodo; os seios da criatura deixavam claro que deveria ser uma fêmea. O tom da pele era de um verde nauseante. Aonde deveriam estar as pernas do bicho ficava uma enorme cauda de serpente, as escamas brilhantes de cor também verde. A cauda da criatura balançava violentamente, criando um som de chicote ao estalar no ar.
A cobra/mulher lançou um olhar de escárnio para Hinata, a boca tomou uma forma estranha que deveria ser um sorriso.
– Eu sou Shiori, a deusa-demônio, serva de Akuma-sama... E vim tirá-lo dessa prisão desprezível na qual ele se encontra. — A coisa disse, numa voz reptiliana que tinha um tom feminino. — Entregue-se por vontade própria, Hyuuga Hinata, e terá uma morte rápida e sem dor.
Hinata recuperou-se do susto e entrou em posição.
– Vou ter que recusar sua oferta! — Ela gritou, e sua audácia pareceu ter irritado a deusa-demônio.
Shiori retesou-se como uma naja pronta para dar o bote, pondo suas presas e garras para fora, e saltou na direção de Hinata no que deveria ter sido mortal. Porém, antes que a coisa pudesse ter encontrado Hinata, recebeu uma rajada de fogo — um ANBU pulou na frente de Hinata numa velocidade incrível e jogou seu Katon na direção da demônio.
– Hinata-sama, fuja daqui. Continue seguindo a direção do nosso destino — O ANBU disse, sem se virar.
– O-O quê?! Não posso fazer isso. Tenho que lutar também! — Hinata protestou.
Falcão (a mulher de cabelo roxo) e Shizune posicionaram-se ao lado de Hinata.
– Nossa missão é protegê-la a todo custo e levá-la ao seu destino. Isso é extremamente importante, não podemos falhar — Falcão disse.
– M-mas...
– Vamos, Hinata! — Shizune disse, puxando-a pelo braço.
Shiori recuperou-se da rajada de fogo, sua pele queimada num estado nojento, porém já se auto-regenerando.
– Não se metam, pestes!– Ela disse, saltando na direção dos ANBUs enquanto Hinata observava, sendo arrastada por Shizune pelo braço.
– Me solte! — A Hyuuga gritou, tentando soltar-se de Shizune enquanto corriam em alta velocidade.
– Eles sabem o que fazem, Hinata! Devemos continuar até que você esteja em segurança! — Shizune falou.
– Não! Não posso deixar! Shiori veio até aqui me capturar, eles não podem sofrer as consequências por minha causa!
– Hinata, esper...
Hinata usou sua força e conseguiu desvencilhar-se de Shizune, correndo na direção contrária. A morena tentou pegá-la de volta, mas Hinata fora muito mais rápida.
A garota voltou ao local onde Shiori e os ANBUs lutavam, e percebeu claramente a desvantagem dos shinobis contra a demônio. A Hyuuga evocou rapidamente os Jūho Sōshiken, fazendo com que os dois leões azuis de chakra surgissem em seus punhos, e realizou os golpes em Shiori que foi pega desprevenida. A criatura voou vários metros para trás, destruindo uma série de árvores.
Hinata viu Shiori levantar-se do meio dos destroços de uma árvore. Limpou um filete de sangue preto de demônio que escorria de sua boca e seus lábios distorceram-se em um sorriso macabro.
– É só isso que você tem? Que decepcionante. Eu achava que a hospedeira de Akuma-sama deveria ser no mínimo desafiadora.
Hinata inflamou-se de raiva. Ela costumava ser calma e gentil na maioria do tempo, mas ultimamente andava tão perturbada que parecia outra pessoa — uma pessoa mais irritada e violenta. Ver Hinata genuinamente irritada era algo realmente raro.
Shiori posicionou-se, pronta para pular na direção da garota; Hinata posicionou-se, os punhos colados ao lado do corpo, ainda com os Jūho Sōshiken ativados, pronta para atacar. As duas saltaram ao mesmo tempo, chocando-se no ar e fazendo um estrondo que ecoou por vários quilômetros.
Shiori tinha a vantagem de tamanho pela sua enorme cauda e força, mas Hinata era mais ágil. A demônio tentou enrolá-la com sua cauda de serpente, mas Hinata conseguiu desvencilhar-se e desferiu um soco em sua face, fazendo-a se chocar no chão violentamente, rachando o solo duro e molhado a sua volta. Hinata foi ao chão pondo-se de pé, ainda em posição de ataque.
Mas Shiori também tinha mais uma vantagem: a mulher era um demônio, por isso regenerava-se numa velocidade absurda.
A serpente meio-humana recuperou-se e surgiu atrás de Hinata antes que esta pudesse impedir, chocando sua enorme cauda na garota e fazendo com que ela voasse vários metros, destruindo árvores no trajeto. Shiori rastejou rapidamente, elevou-se do chão e caiu sob Hinata, desferindo um soco tão forte em seu abdome que o chão rachou-se e fez a Hyuuga cuspir sangue. A garota quase não conseguia se mexer depois do golpe violento.
Shiori já adiantou-se, exibindo um sorriso grotesco de vitória. Pegou Hinata pelo pescoço, elevando-a do chão, enquanto a garota tentava não ser enforcada com as mãos fracas. Os ANBUs apareceram, lançando kunais, shurikens e alguns jutsus consideravelmente poderosos na direção da demônio, mas todos estes pararam no ar como se houvesse uma barreira; Shiori balançou sua cauda feito um chicote, e todos os shinobis voaram para trás.
– Que vergonhoso... Por um segundo, pensei que você seria um bom desafio. Eu estava enganada. – Shiori abriu a palma da mão, os cinco dedos brilhando com chakra e aproximando-se do abdome de Hinata. — Agora, vou retirar Akuma de dentro de você... É uma pena, Hyuuga. Eu pretendia te matar sem dor, mas você me fez mudar de ideia.
Hinata arregalou os olhos, o rosto ficando vermelho pela falta de ar e as mãos escorregando ante o membro escorregadio da demônio. Shiori lançava um sorriso de escárnio, como se gostasse de ver a garota tentar se debater como uma cobra faria ao ir abocanhar sua presa. A mão da mulher-serpente já estava a alguns centímetros do abdome de Hinata, pronta para desfazer o selo.
Foi nesse segundo que, como se houvesse sofrido o impacto de uma explosão, Shiori foi jogada para trás com violência. A demônio levantou-se confusa.
Hinata caiu no chão, levantou-se cambaleante, massageando o pescoço. O corpo da Hyuuga estava completamente envolto pelo chakra azul-marinho de Akuma, como se ela estivesse pegando fogo a gás. A garota recuperou-se e lançou um olhar furioso para Shiori, que tentava levantar-se. O forte poder que emanava de Hinata fazia um calafrio subir pela espinha de quem o presenciasse. Apesar de ser o poder controlado de Akuma, ainda era um poder de caos, e isso ainda causava um forte impacto intimidador em quem fosse atingido.
Shiori estreitou os olhos, logo depois formando uma expressão furiosa.
– Como ousa aproveitar-se do poder de meu senhor?! Isso é uma audácia!
Hinata fechou os punhos, os olhos perolados brilhando de fúria. Uma coisa era fato: o chakra de Akuma sobre a garota a mudava psicologicamente. Ela acabava tornando-se mais agressiva que o normal, mesmo estando controlado. Era por esse motivo que Hinata não havia usado este poder durante esses três meses. Só havia evocado-o pois aquela fora uma situação de vida ou morte.
– Audácia é o que vou fazer agora, Shiori. Prepare-se para morrer.– Até mesmo a voz da garota parecia alterada, num tom mais sério e de escárnio. Era quase impossível pensar que Hinata diria esse tipo de coisa em seu estado normal.
A demônio se levantou, preparando-se para atacar, mas em seu íntimo ela tremia de medo. Shiori retesou-se e pulou para dar o bote, e aquele foi um salto para a morte. Hinata simplesmente levantou as mãos na direção da mulher-serpente, e mãos de chakra surgiram do chão, exatamente iguais às mãos assassinas que ela usara em Uzushiogakure para massacrar os shinobis, porém estas tinham cor azul-marinho. As mãos envolveram todo o corpo da demônio, apertando-a.
O terrível som do grito de dor de Shiori e de carne sendo dilacerada foi ouvido por quilômetros floresta adentro.
Depois tudo ficou em silêncio. Os ANBU chegaram ao local onde Hinata encontrava-se e prenderam a respiração com o que viram. Shizune pôs a mão na boca para não vomitar. O chão e árvores ao redor estavam cheios de sangue preto de demônio e partes dilaceradas do corpo da mulher-serpente. Aquele cheiro era nauseante.
Mas o que chocou a todos não foi aquilo.
Hinata ainda encontrava-se com o corpo envolto pelo chakra de Akuma. A garota tinha um sorriso no rosto, mas não era o sorriso meigo e gentil que ela sempre exibia. Era um sorriso cruel... quase psicopata. O corpo estava manchado de sangue preto, e ela segurava algo na altura da face.
Hinata sorria pelo fato de estar segurando a cabeça decepada de Shiori.
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