Um Amor Shinobi
29 Conflitos
Notas iniciais
[...]
– Hinata entrou aqui?
Encontrou um pedaço de papel, e nele encontrava-se um recado na caligrafia impecável da Hyuuga. Mas o rapaz franziu o cenho com o que encontrou ali, pois a mensagem era muito vaga e deixou-o com um pressentimento ruim:
Me desculpe.
Eu te amo.
– Hinata
–
Naruto franziu o cenho, intrigado. "Hinata não é do tipo que faz essas coisas." Os dois estavam juntos a pouco tempo, mas já era o suficiente para saberem exatamente o que um faria ou não em determinadas situações.
O rapaz vestiu-se e comeu rapidamente um pote de rámen instantâneo (Que valia como seu café-da-manhã e almoço) e partiu de casa, decidido a procurar a Hyuuga. Uma sensação ruim começava a formar-se. Naruto começava a pensar que estava ficando paranoico, mas depois de quase ter perdido Hinata, sentia medo de que isso acontecesse novamente.
O loiro andava com certa tensão nas ruas, mas sabia mascarar muito bem — passou a vida toda mascarando os sentimentos negativos. Por onde Naruto passava as pessoas sorriam e cumprimentavam-no, as crianças pediam para brincar com ele e esse tipo de coisa. Ele até aprendeu a acostumar-se com isso; passaram-se três meses desde que Naruto salvara todo o mundo e as pessoas queriam deixar bem clara a sua gratidão.
Naruto caminhava tranquilamente até a mansão Hyuuga, tentando passar despercebido — já que o namoro dos dois ainda não era conhecido, ele planejava entrar pela janela do quarto de Hinata. Foi quando percebeu uma movimentação estranha na casa.
Naruto avistou Hyuuga Hiashi, e com ele haviam dois ANBUs contando-lhe algo que parecia desagradável. A expressão do mais velho não era das melhores. Depois de algumas palavras ditas, os três partiram para fora da mansão. Naruto estranhou aquilo e começou a segui-los à distância.
O loiro logo percebeu que os dois ANBUs escoltavam Hiashi para o prédio do governo. "O que a Obaa-chan quer com o tio?", ele pensou. Os três adentraram no prédio, e Naruto seguiu-os, até que foi impedido quando os homens entraram na sala da Hokage, fechando a porta.
– Kusso! — O loiro reclamou e encostou-se na porta, numa tentativa fracassada de escutar o que se passava lá dentro.
– Naruto? O que faz aqui? — O rapaz virou-se no susto e se deparou com Sakura, que carregava uma pilha de documentos.
O Uzumaki sorriu e coçou a parte de trás da cabeça, tentando disfarçar.
– Er, nada, eu só estava...
– Quem está aí dentro? — Ela perguntou, observando pela fechadura da porta. — Hiashi-san? Você seguiu o pai da Hinata até aqui?
– Olha, não foi bem isso...
– Pra falar a verdade, ando meio desconfiada.
A frase de Sakura calou-o e encheu-o de curiosidade.
– Como assim?
Sakura encostou-se na parede, de testa franzida.
– Hoje de manhã esbarrei com a Hinata, e ela estava bastante estranha... Como se houvesse chorado muito, parecia meio furtiva... Como eu tinha que ir pro hospital, não consegui ver aonde ela foi, mas tinha pressa. Você percebeu alguma mudança no comportamento da Hinata?
Naruto encostou-se na parede ao lado de Sakura e suspirou.
– Sim, ela mudou muito... Parece que anda com medo de algo o tempo todo. Kurama me disse que pode ser por causa do Akuma, mas Hinata se recusa a contar pra mim. — Ele passou a mão nos cabelos. — Estou preocupado.
– Hinata consegue mesmo mexer com você, hein. — Ela disse fitando-o, e este corou. — Mas, enfim, isso pode ser suspeito... A movimentação dos ANBUs também me pareceu estranha hoje, sem contar que Shizune saiu em missão, o que é muito raro, por isso estou ocupando o lugar dela só por hoje.
– Você acha que a Hinat...
Não terminou de falar, pois as portas da sala da Hokage foram abertas com violência, e de lá saiu um Hiashi completamente furioso. O homem fitou Naruto com a expressão estranha por alguns instantes, mas logo retirou-se a passos pesados.
– Naruto? — Tsunade chamou-o de dentro da sala. — O que quer aqui?
Sakura entrou na sala carregando a pilha de documentos, o que sugeria claramente para que ele entrasse também. O loiro ficou de pé, sem jeito.
– Hm, na verdade, nem eu sei... — Ele disse, fazendo Tsunade e Sakura revirarem os olhos quase ao mesmo tempo (o que era um pouquinho assustador).
– Eu sei o que veio fazer aqui. Quer saber sobre a conversa com Hiashi, não é? — Tsunade disse, fitando-o duramente.
A vergonha sumiu da face do rapaz, sendo substituída por interesse.
– Então, é algo sério?
Tsunade cruzou os dedos sob a mesa.
– Sim, é. Acabei de contar a Hiashi que mandei Hinata em uma missão para retirar o Akuma de dentro dela. Ela foi a algumas horas.
Naruto pareceu ter perdido o ar dos pulmões.
– O quê disse? Quer dizer que mandou-a para fazer o que o demônio mais quer? Você ficou louca?!
– Mais respeito comigo, moleque! — Tsunade elevou o tom de voz, irritando-se. — Para sua informação, a própria Hinata veio até mim em busca de soluções. Nunca a vi tão angustiada antes, e foi a única solução plausível que encontrei. E, antes que comece a gritar, eu mesma mandei para que ela não avisasse ninguém sobre a missão!
"O pedido de desculpas... Droga." Naruto começou a andar de um lado para o outro, tentando acalmar os ânimos.
– Pra onde ela foi? — Ele perguntou, controlando a voz.
– Você não precisa saber. — Naruto parou e encarou-a, Tsunade devolveu o mesmo olhar duro. — Essa missão é altamente sigilosa, nem mesmo os Kages da Aliança foram informados sobre ela. Se você se meter, todo o mundo ninja vai saber. Fique fora disso, Naruto.
O rapaz apoiou as duas mãos na mesa, assustando Tsunade com o movimento brusco, fitou-a nos olhos com semblante feroz.
– Não me diga pra ficar fora disso. — Sua voz era baixa e ameaçadora. — Você não sabe pelo que eu passei pra tê-la de volta, e não vou deixar que ninguém a tire de mim de novo. Nem mesmo você. A Hinata é minha, e ninguém vai me fazer ficar longe dela.
Naruto virou-se e saiu da sala, fechando a porta com violência — e deixando Tsunade e Sakura pasmas. As duas nunca viram o loiro falar naquele tom anteriormente. Tsunade ficara ainda mais pasma, pois não sabia do relacionamento de Naruto e Hinata; desconfiava, mas não tinha certeza.
– Ele vai se meter na missão, não vai? — Tsunade murmurou, sem olhar a Haruno.
– Vai. — Sakura disse. — Com toda certeza ele vai.
Tsunade suspirou pesadamente.
– Bom, pelo menos, ele vai sair da vila sem ser visto e não levantará suspeitas, já que acha que eu não iria permitir. — Virou-se na cadeira para Sakura. — Dê as informações a ele, mas sem deixá-lo saber que fui eu quem ordenei. Não há maneira de tentar pará-lo, mesmo...
***
Já passava das oito da noite.
Sakura já havia deixado Naruto informado sobre o lugar para onde Hinata fora enviada e todas as outras informações necessárias. O loiro obviamente pediu sua ajuda — e ela obviamente aceitou ajudá-lo. Depois de ver como Naruto ficara quando soube da partida de Hinata a fez ver o quanto a Hyuuga era importante em sua vida, ela não poderia simplesmente ignorar o amigo.
Estava em seu quarto, organizando suas armas para partir de madrugada junto com o Uzumaki. Estava intrigada pelo fato de não ter visto Sasuke nenhuma vez aquele dia.
Foi só pensar no Uchiha que Sakura sentiu alguém segurá-la pela cintura por trás e pousar os lábios em seu pescoço, causando-lhe calafrios.
– Sentiu minha falta? — Ele perguntou bem perto de sua orelha, a voz estranhamente divertida (Já que ele sabia muito bem o que Sakura sentia ante ao seu toque).
– P-Por que não me procurou hoje? — Ela perguntou, tentando manter a voz calma.
– Eu tenho coisas pra fazer, Sakura. A maldita Hokage continua me botando em missões. — Sasuke virou Sakura pela cintura para que eles ficassem frente a frente, colando seus corpos. Os olhos negros do rapaz focaram-se nos lábios da Haruno. — Mas não quero falar nisso... Ou melhor, não quero falar.
O Uchiha tomou os lábios de Sakura num beijo ardente. A Haruno colocou a mão em seus cabelos pretos, segurando-os com força, enquanto Sasuke passava sua mão por toda a extensão do corpo da garota. O moreno mordeu o lábio inferior de Sakura, fazendo-a estremecer.
Os dois separaram-se por um momento, ambos ofegantes. Sasuke abriu os olhos e deparou-se com os equipamentos ninja em cima da cama de Sakura, e seu olhar tornou-se diferente.
– Vai a alguma missão? — Ele perguntou.
Sakura achava terrível e incrível ao mesmo tempo o fato de ele se recompor e mudar de assunto tão rapidamente enquanto ela ficava minutos tentando recuperar-se de um simples beijo. Desvencilhou-se do Uchiha e virou-se, voltando a organizar os armamentos.
– Uh... Sim. Vou partir essa madrugada.
– Vai aonde?
A Haruno começava a estranhar esse interesse repentino.
– Naruto está indo atrás de Hinata para o País das Fontes Termais, e eu irei acompanhá-lo... Tsunade não quer que ele vá, por isso vamos partir escondidos. — Resolveu omitir a parte de que a Hokage permitira a partida do Uzumaki.
Sasuke entrou no campo de visão de Sakura, e viu-o de braços cruzados e a expressão dura.
– Você não vai.
Sakura parou imediatamente o que estava fazendo e fitou-o.
– Como é?
– É isso que você ouviu. Você não vai pra lá com Naruto. — A voz do Uchiha parecia extremamente autoritária. Sakura continuava a fitá-lo, incrédula.
– E por que eu não deveria ir? Sei muito bem o que estou fazendo.
– Não me importo. Naruto que cuide dos problemas dele. Pare de querer se meter nessas histórias, ou vai acabar morrendo pelas mãos do Akuma ou outro demônio qualquer. Você não vai e ponto final.
Sakura foi inflamada pela raiva.
– Quem você pensa que é pra dizer o que eu devo ou não fazer? Por acaso eu sou sua propriedade particular?!
O Uchiha continuou fitando-a, inalterado.
– É melhor fazer o que estou mandando.
Agora, ela ficara realmente irritada.
– Mandando?! E desde quando você manda em alguém? Naruto é meu melhor amigo e precisa da minha ajuda, e eu vou ajudá-lo! Você não tem nada a ver com isso! Não sou sua submissa ou qualquer merda do tipo! E quer saber?! Saia da minha casa agora! Eu tenho mais o que fazer do que escutar seus desaforos!
Sasuke continuou ali parado, mas mesmo sem ter movido um músculo, Sakura sabia que ele estava perturbado com sua explosão.
– Está esperando o quê?! Saia! — Ela disse, apontando para a saída.
Sasuke lentamente dirigiu-se até a janela, lançando-lhe um olhar frio; logo depois retirou-se do apartamento. "À merda o Sasuke! Não vou deixá-lo me tratar como sua submissa!"
***
Já passava das três horas da manhã quando Naruto e Sakura encontraram-se na entrada de Konoha. Não havia ninguém nos arredores; partir seria extremamente fácil.
Os dois vestiam seus mantos, pois fazia muito frio. A lua lançava um brilho macabro sob a vila, deixando o Uzumaki com uma sensação ainda pior.
– A viagem vai demorar pelo menos três dias, se não tivermos imprevistos. — Sakura disse. — Nós podemos alcançá-los no meio do caminho, se tivermos sorte.
Naruto assentiu.
– Não vamos nos atrasar. Temos que alcançar Hinata o mais rápido possível.
Os dois começaram a mover-se, mas pararam ao escutar uma voz:
– Aonde pensam que vão?
Ambos viraram-se e se depararam com Sasuke de pé a alguns metros de distância. O moreno tinha a postura normal de sempre, mas o olhar estava mais frio que o normal. Sakura já ia começar a brigar, pensando que ele viera impedi-la, mas Naruto disse:
– Você vem com a gente?
Foi aí que a Haruno percebeu que Sasuke estava equipado e com seu manto preto por sob o corpo.
– Mas é claro que vou. — Ele aproximou-se. — Vocês vão acabar se matando sem a minha ajuda. — "Não acredito nisso..." Sakura pensou, mas manteve-se calada.
– Tudo bem então, não temos tempo a perder! — Naruto disse, animando-se.
Enquanto Naruto sentia-se feliz por ter seus melhores amigos acompanhando-o, Sasuke e Sakura trocaram olhares assassinos, mas ele obviamente não percebeu.
E enfim os três partiram na calada da noite em busca de Hinata.
De novo.
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