Um Amor Shinobi
25 Amor Impossível
Notas iniciais
[...]
Kurama bufou.
– Pare de ser idiota e analise os fatos, Naruto. É óbvio que a menina confia em você... talvez seja possível que ela não possa te contar por estar sob algum tipo de pressão. Não a pressione. Hora ou outra, Hinata vai acabar confessando o que quer que seja.
– Isso não me tranquiliza.
– Não estou dizendo isso pra te tranquilizar. Na verdade, é bem preocupante que um demônio tão poderoso esteja preso dentro dela. É melhor ficar esperto sobre isso.
Naruto bufou.
– Será possível que nunca vamos conseguir ter um pouco de paz?!
– Provavelmente... nunca.
–
Três messes depois
–
"Isso é apenas uma amostra do que podemos fazer; toda vez que cogitar em contar para alguém, faremos algo ainda pior. Vamos transformar sua vida num inferno, Hinata, a não ser que resolva se entregar... se não, vamos deixar que a insanidade a possua."
A vida de Hinata tornara-se, literalmente, um inferno. Tudo pareceu ter virado de ponta cabeça.
Tudo começou com os pesadelos. Todas as noites, Hinata tinha os piores pesadelos possíveis, e o pior de tudo era que ela não conseguia acordar por si mesma. Na maioria das vezes, era despertada por sua irmã Hanabi, que vinha em seu quarto ao ouvir os gritos de Hinata.
Quem dera houvesse sido apenas os pesadelos. Logo, coisas piores começaram a acontecer.
Konoha acabou entrando num tipo de crise financeira. As guerras nos países pequenos continuaram a acontecer, cada vez piores. As catástrofes naturais continuaram acontecendo: terremotos, tornados, tsunamis, até mesmo vulcões adormecidos entravam em erupção.
Não bastasse isso tudo, em um pequeno período de tempo, vários Hyuuga começaram a falecer por diversas maneiras, a maioria delas sem explicação. Hanabi acabou pegando uma doença séria, por isso foi impedida de participar do Chuunin Shiken; a garota acabou caindo em depressão por causa disso.
O mundo pareceu ter perdido a cor.
E ela fazia de tudo para esconder isso de Naruto. Quando ele perguntava se ela estava bem, Hinata negava e sorria falsamente. Mas ele não era burro; estava vendo como a Hyuuga parecia tão perturbada, triste e havia emagrecido repentinamente. O rapaz estava muito preocupado com ela, mas Kurama sempre dizia:
– Não a pressione... talvez algo ainda pior aconteça se você o fizer.
– É fácil pra você falar! — Naruto respondia. — Não tem como eu ficar quieto... olha só pro estado da Hinata, eu preciso saber o que está acontecendo com ela! Já faz três meses, Kurama!
– Estou te avisando, talvez a Hyuuga esteja sendo impedida de te contar a verdade... quando a questão é o Akuma, é melhor não arriscar.
Mas mesmo assim, Naruto não conseguia ficar tranquilo com aquilo. "Não há coisa pior do que ver uma pessoa importante sofrendo e você não poder fazer nada para ajudá-la!"
Já era noite.
O céu estava coberto por nuvens de tempestade, e eventuais relâmpagos distantes. Hinata estava deitada em sua cama, fazendo de tudo para não dormir — não aguentava mais os pesadelos. Faziam quase 72 horas que ela não dormia.
Era simplesmente impossível não enlouquecer no estado em que ela se encontrava. Para onde ela olhava, coisa horríveis estavam acontecendo. O clã Hyuuga estava arrasado pelas mortes sem explicação; o pai de Hinata andava estranho demais, como se culpasse a filha por isso.
De repente, Hinata escutou uma voz, a mesma voz que vinha falar com ela todas as noites:
"E é culpa sua sim. Culpa sua por ainda manter Akuma dentro de você. Basta se entregar, Hinata... entregue-se e tudo ficará bem.",
A garota sentou-se na cama num pulo, pôs as mãos na cabeça. Estava ofegante. Ela podia sentir a presença da coisa em seu quarto.
– Por que vocês não me deixam em paz?! Por que?!- Ela disse, elevando o tom de voz. Lágrimas quentes já escorriam por seu rosto. Ela sabia que não era muito seguro falar com um demônio, mas não aguentava mais.
"Nós te deixaremos em paz... se você resolver se entregar. Entregue-se para nós; liberte o Akuma de sua alma e voltará a ter sua antiga vida."
– Você acha que eu sou idiota...? Se retirarem o Akuma de mim, eu vou morrer. É isso que acontece com um Jinchuuriki.
"Cada dia que passa, as coisas vão se tornar piores. Estamos só brincando com você, mas estamos começando a perder a paciência também. Talvez nós comecemos a mexer com a pessoa que você mais ama... o que acha?"
Hinata paralisou e levantou a cabeça.
– O quê você quer dizer com isso...?
A resposta foi apenas uma risada macabra.
Não.
A Hyuuga colocou rapidamente seu casaco e saiu do quarto. Foi até o quarto de Hanabi, e encontrou a garota dormindo; depois foi até o quarto do pai, que também descansava. Não pode ser...
Naruto.
Hinata correu para fora da mansão. Toda Konoha já deveria estar dormindo, e a tempestade começava a cair, Hinata ficara ensopada. Mas isso não importava. "Se alguma coisa acontecer com Naruto-kun por minha causa... Eu nunca vou me perdoar!"
Chegou á toda na frente do apartamento do loiro, e bateu na porta sem hesitar.
– Naruto-kun, você está aí? — Ela perguntou, bateu na porta com o punho fechado, usando mais força.
O desespero tomou conta quando ninguém abriu a porta. Ela bateu na porta mais vezes, e ninguém atendeu. "Eles não podem ter feito algo com o Naruto-kun! Não pode ser..."
Foi quando escutou a fechadura da porta sendo destrancada e esta abriu. Naruto estava ali, usando roupa de dormir, os olhos inchados. Quando viu Hinata naquele estado — encharcada, descalça e com uma cara de desespero -, arregalou os olhos.
– Hinata? O quê aconteceu...
O desespero passou, mas ela começou a chorar irracionalmente. Abraçou Naruto, que abraçou-a de volta, sem entender nada.
– Eu não aguento mais... não aguento mais isso...! — Ela conseguiu dizer por entre os soluços.
Naruto pegou o queixo de Hinata com o polegar e o indicador, fazendo ela olhá-lo.
– O quê você não aguenta mais, Hinata? Por que você não fala pra mim?
Hinata desviou o olhar.
– Não posso... Me desculpe...
Naruto fechou os olhos e suspirou. "No fim das contas, Kurama tinha razão...". Quando Hinata viu a expressão de Naruto, pensou que ele estava irritado com ela, por isso começou a afastar-se, mas o loiro não deixou — segurou-a pelo braço e arrancou-lhe um beijo.
– Eu não vou deixar você voltar assim. — Ele disse, depois que seus lábios separaram-se.
– M-mas... Naruto-kun...
– Não importa. — Naruto interrompeu-a. — Não importa o que vai acontecer. Você não está bem, e eu estou preocupado faz tempo. Você não precisa me contar nada se não quiser... ou não puder. Apenas fique aqui.
Hinata ficou corada com o que ele disse. Ela sabia muito bem o que aconteceria se resolvesse ficar. Mas a garota não aguentava mais todas as noites de perturbação e medo, tantas coisas ruins acontecendo a sua volta... ela precisava de alguém. Precisava do Naruto.
Hinata assentiu, o que fez um sorriso brilhar no rosto do loiro. Apenas ver o sorriso dele já fazia seu coração doer menos. Naruto pegou-a no colo, e Hinata riu pela primeira vez naquele dia. O rapaz levou-a para dentro do apartamento, e a partir dali nada mais importava para os dois.
***
Sakura estava deitada em sua cama.
Chovia forte, e ela não conseguia dormir por causa dos trovões que a assustavam a todo momento. Os fortes ventos faziam uma barulho estranho ao chocar-se com a vidraça da varanda do quarto.
Mas não era bem por isso que Sakura não conseguia dormir. Era por causa daquele cheiro... o cheiro do Sasuke.
O cheiro dele estava em tudo na casa, e Sakura não conseguia entender por quê. Ela havia devolvido a capa para o Uchiha já fazia bastante tempo, por isso era intrigante. Até mesmo a cama tinha o cheiro dele. Era como se Sasuke houvesse entrado no apartamento e se deitado nela também.
"Isso é impossível, ele nunca veio aqui..."
Sakura já começava a pensar que ficara louca, porque sentia constantemente a presença de alguém por perto — principalmente quando estava sozinha. Pensou na possibilidade de ter alguém seguindo-a, mas esta foi descartada rapidamente. Não havia motivo para alguém segui-la.
O que novamente a fazia pensar em Sasuke. Os dois agora encontravam-se bastante, pois, apesar de Tsunade ter feito com que ele não cumprisse pena na cadeia, era obrigado a participar de diversas missões, e Sakura participava da maioria delas. Ela havia percebido que o olhar do Uchiha sob si mudara bastante, de um jeito que Sakura não entendia muito bem, por isso ignorava completamente. Sasuke sempre fora bem difícil de entender, até mesmo quanto á coisas insignificantes.
"Não faz sentido em querer entender Sasuke... é simplesmente impossível compreender o que se passa na cabeça dele."
Sakura suspirou e mudou de posição na cama. O maldito Uchiha não saía de sua cabeça á tempos. Na verdade, ele nunca saíra de sua mente, mas agora estava quase absurdo — ela lembrava de Sasuke a todo instante, por qualquer motivo. "Eu deveria parar. Deveria esquecê-lo e seguir em frente."
Mas não é assim tão fácil esquecer um amor, mesmo um não-correspondido.
Um amor que sempre foi impossível, na mente de Sakura. Quando eram crianças, ela até pensava na possibilidade de que de alguma forma mágica ele passaria a amá-la, mas as coisas mudaram. Os dois eram completamente diferentes, de mundos diferentes.
Sasuke era membro de um clã famoso, um rapaz belo como a noite, que na maioria das vezes desprezava as pessoas á sua volta — mas mesmo assim acabava cativando-as. O olhar do Uchiha era carregado de mistério, o que fazia com que as pessoas desejassem desvendar tais mistérios. Isso tudo era destruído por sua frieza e indiferença, seu egoísmo, sua apatia.
Já Sakura era completamente diferente. Não vinha de uma família famosa ou poderosa, considerava-se feia (apenas ela pensava isso), e não conseguia desprezar as pessoas, por causa disso tornara-se médica, para ajudar os outros. Era muito simpática e sorridente, comunicava-se facilmente com as pessoas e muito altruísta — sempre pondo a vontade dos outros à frente da sua.
Os dois eram o completo oposto do outro. Como a noite e o dia; o fogo e a água; o céu e a terra; Yin e Yang. Como poderia surgir amor de coisas tão diferentes? Simplesmente impossível.
Mas então, ela lembrou-se de algo que sua avó costumava falar:
"Yin e Yang são completamente diferentes, mas um não vive sem o outro... pois os dois se completam."
Ela balançou a cabeça, afastando tais pensamentos. "Pare de ser criança, Sakura. Isso é impossível." Os olhos ficaram pesados, e ela enfim foi enlaçada pelo sono.
***
Sasuke observava a Haruno dormir.
Por quê? Bem, nem ele sabia. Quando o assunto envolvia Sakura, sempre acontecia uma "pane" no cérebro do Uchiha e ele acabava cometendo coisas meio absurdas, do tipo invadir o apartamento dela e passar quase todas as noites lá.
O moreno não entendia qual era o prazer em ver Sakura dormir. Talvez fosse o seu rosto sereno que o acalmasse. Ele já chegou a inclusive deitar-se ao seu lado, já que a rosada não acordava de jeito nenhum (ele poderia jogar um tijolo no chão que a garota não acordava); mas parou de fazer isso pois tinha uma vontade absurda de tocá-la, o que poderia pôr tudo a perder.
E, puta merda, já faziam três meses que Sasuke convivia com ela, lançava olhares sugestivos e Sakura não correspondia. "Não é possível que ela seja tão burra assim." O moreno já estava perdendo a paciência; era óbvio que Sakura ainda sentia algo por ele, ela não conseguia esconder isso (na verdade, Sakura era como um livro aberto, sempre dava pra perceber o que ela pensava ou não).
Mas a questão é que ele estava cansado de ser "sutil" (o conceito de sutileza de Sasuke era um pouco invertido), não aguentava mais esperar por Sakura. "No final eu sempre tenho que fazer tudo."
Suspirou.
– Droga, Sakura... você sempre complica minha vida. — Ele disse. Aproximou-se da cama, queria afagar seu rosto, mas deteve-se e saiu da casa, mesmo debaixo de chuva.
***
Sakura levantou-se antes de toda Konoha, praticamente: ás quatro horas da manhã. O Sol nem havia surgido ainda, mas ela tinha que começar seu plantão no hospital. Levantou-se, sonolenta, havia dormido muito mal aquela noite. Tomou um banho quente, engoliu o café da manhã, trocou-se e partiu para o hospital.
A movimentação no hospital estava mínima, e não havia quase ninguém para ser atendido. Uma manhã realmente entediante.
– Sakura, o paciente do 107 vai receber alta agora, com a sua autorização. — Uma das enfermeiras disse, e Sakura assentiu.
A Haruno subiu até o andar, onde um shinobi que havia sido gravemente ferido estava prestes a receber alta. A garota e mais alguns enfermeiros ajudaram-no a se aprontar, até que eles foram embora, deixando-a sozinha no quarto.
Sakura aproximou-se da janela, sonolenta. O céu começava a iluminar-se pela luz do sol, deixando-o num tom meio roseado. Um vento gelado acariciou o rosto da garota.
– Sakura.
A rosada tomou um susto ao ouvir alguém chamar seu nome. Virou-se e encontrou Sasuke sentado na cama do quarto, como quem não queria nada.
– S-Sasuke-kun, o quê está fazendo aqui? Você me assustou — Ela disse, sem entender o porquê dele estar ali.
O moreno fitou-a com aqueles olhos negros com tanta intensidade que a garota corou, mesmo sem querer.
– Eu vim vê-la. — Ele disse simplesmente.
Sakura engoliu em seco.
– Hein? O que você quer? — Ela perguntou, sem saber que rumo aquela conversa ia tomar.
Sasuke levantou-se da cama e se aproximou de Sakura a passos tranquilos. O coração da Haruno tomou um ritmo estranhamente acelerado. O Uchiha chegou tão perto que ela teve que levantar a cabeça para olhar seu rosto.
– Você.– o moreno disse.
– Q-quê? Eu o quê? — Ela perguntou, o rosto ruborizado.
– Respondi a sua pergunta. Eu quero você.
– Sasuk...
Sakura não terminou de falar.
Antes que ela percebesse, os lábios do moreno calaram os dela.
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