Um Amor Shinobi
26 Insuportável
Notas iniciais
[...]
– Você.– o moreno disse.
– Q-quê? Eu o quê? — Ela perguntou, o rosto ruborizado.
– Respondi a sua pergunta. Eu quero você.
– Sasuk...
Sakura não terminou de falar.
Antes que ela percebesse, os lábios do moreno calaram os dela.
–
O mundo pareceu ter parado de girar.
"Sasuke está me beijando...?!"
O moreno agarrou Sakura sem nenhum pudor. Com uma das mãos segurou sua cintura, colando seus corpos, e a outra pegou nos cabelos da garota, puxando-os — e ficou satisfeito quando a garota lutou para que seus lábios não se desgrudassem. Ele não era nem um pouco delicado; seu beijo era feroz e violento. Colocou Sakura contra a parede e pegou uma de suas pernas, pondo-a contra o próprio corpo e passando a mão descaradamente por toda a extensão da coxa de Sakura.
O Uchiha soltou-a, deixando uma Sakura ofegante e completamente confusa, enquanto ele agia como se aquilo fosse a coisa mais normal do mundo. O olhar de Sasuke sob si a fez ficar ainda mais corada do que já estava. O moreno deu um sorriso de canto malicioso, satisfeito com as reações da Haruno.
– Espero que tenha entendido. — Sasuke disse, no seu tom habitual, antes de pular pela janela do hospital e desaparecer.
Sakura continuou paralisada contra a parede, o coração batendo num ritmo descompassado. "O que foi isso...?" Escutou o barulho da porta do quarto, e Shizune adentrou.
– Sakura, o que você está fazendo aí parada? Precisamos de ajuda lá em baixo... — a morena estreitou os olhos, percebendo que Sakura estava despenteada, corada e seus lábios estavam avermelhados. — O que aconteceu aqui?
A garota ajeitou os cabelos e arrumou seu jaleco.
– N-nada... não aconteceu nada. — a Haruno disse, passando por Shizune a passos apressados, sem querer que a mulher desconfiasse (o que já era meio impossível).
"Espero que tenha entendido."
"Não, eu não entendi!"
***
A luz do sol entrava pela janela do apartamento, tocando o rosto de Hinata.
A garota suspirou. Essa era a primeira noite em meses que ela não tivera nenhum pesadelo, um sono tranquilo. Abriu os olhos, e assim que sua visão entrou em foco, avistou ele... Naruto.
O rapaz dormia tranquilamente ao seu lado, os cabelos loiros bagunçados, a expressão serena. Hinata ficou vários minutos admirando-o como se fosse uma obra de arte, poderia ficar a vida toda fazendo isso. Era estranhamente tranquilizador vê-lo dormir; fazia com que ela esquecesse seus problemas — e não eram poucos. Depois de um tempo, o loiro espreguiçou-se e abriu os olhos, que encontraram-se com os de Hinata.
– Bom dia, Naruto-kun. — ela murmurou.
– Bom dia. — ele disse, colocando uma mecha de cabelo azul que cobria o rosto de Hinata atrás de sua orelha. — Uh... que horas são? Ainda é muito cedo pra você estar acordada.
– Eu sou acostumada a acordar a essa hora... — Hinata arregalou os olhos. — Espera, que horas são? — Ela olhou para além de Naruto, onde ficava um despertador, e viu que já eram quase seis da manhã. Sentou-se rapidamente na cama, cobrindo o corpo com o lençol. — Naruto-kun, já é muito tarde! Eu preciso voltar pra casa!
O Uzumaki virou-se para olhar o despertador, sonolento. Bocejou e disse:
– Como assim, tarde? Ainda nem são seis horas... — Naruto envolveu o pescoço de Hinata, fazendo com que ela tombasse na cama novamente, logo depois abraçou-a apertado. — Fica aqui mais um pouco...
Hinata engoliu em seco. Ela realmente queria ficar, mas teria sérios problemas se não voltasse para a mansão dos Hyuuga.
– Naruto-kun — Ela começou, educadamente. -, ninguém me viu sair de casa ontem a noite... eles vão ficar preocupados se não me encontrarem. Não quero causar problemas pra ninguém... nem pra você.
Hinata não pôde ver o rosto de Naruto já que ela tinha sua face contra o peito do rapaz, mas já imaginava a cara de insatisfação que ele deveria ter feito. O fato era que ninguém sabia sobre o namoro dos dois — a não ser Sakura -, por isso eles não podiam ficar juntos em público e Hinata não podia passar a noite na casa de Naruto. Ela mesma havia pedido por isso, já estava com problemas demais e, apesar de todos verem Naruto como um herói, Hinata sabia que seu pai não aprovaria o namoro dos dois, por ser muito moralista.
O loiro suspirou, derrotado.
– Tá, você venceu... mas, é sério Hinata, isso já está ficando meio chato.
Hinata sentiu-se triste. Ela queria assumir o namoro logo, mas já estava com problemas suficientemente ruins, não tinha condições mentais para ter que enfrentar o pai — principalmente agora que o homem parecia culpar a filha por todas as desgraças do clã.
– Me desculpe. — ela sussurrou.
Naruto levantou o rosto de Hinata para si, e ele estava com o seu bom e velho sorriso no rosto.
– Tudo bem Hinata, não tem importância... Vamos, você tem que ir... infelizmente...
Naruto beijou a testa da Hyuuga, levantou-se, pôs sua calça e dirigiu-se até o banheiro. Hinata sentou-se na cama, cobrindo o corpo com o lençol. Analisou suas roupas jogadas no chão — todas ainda muito molhadas.
– Eh... Naruto-kun... tenho um pequeno problema... — ela murmurou.
– Uh? — O loiro apareceu novamente, com uma escova de dentes na boca. Hinata levantou seu casaco completamente encharcado. — Pega uma blusa minha.
– Não acho que vá caber em mim.
– É só pra você voltar pra casa. Tá na segunda gaveta. — Ele disse, voltando ao banheiro.
Hinata puxou a gaveta e retirou a primeira camiseta que viu, pondo-a sobre o corpo rapidamente. A camiseta ficara enorme e não cobria nem metade de suas coxas. "É só até em casa... provavelmente não vou encontrar ninguém no caminho."
– Você poderia se vestir assim todos os dias. — Hinata foi surpreendida por Naruto, que olhava descaradamente para suas pernas encostado na parede, fazendo-a corar (apesar de Hinata agora ser bem mais solta com Naruto, ela ainda era bastante tímida — principalmente com relação a ele). — Pra falar a verdade, não... porque todos iam olhar pra você. Não gosto de pensar nisso.
O loiro aproximou-se de Hinata e levantou-a pela cintura, fazendo com que a mesma ficasse na mesma altura que ele. Hinata enlaçou o pescoço de Naruto, selando seus lábios nos dele.
– Você precisa mesmo ir? — ele perguntou, depois que seus lábios separaram-se.
– Sim... me desculpe...
– Não se desculpe, Hinata... eu já disse que não tem importância.
Hinata fitou os profundos olhos azuis de Naruto e de repente encheu-se de tristeza. "Droga... São tantos problemas... Eu queria poder te contar...!"
Naruto percebeu a expressão de Hinata e acabou ficando ainda mais preocupado. Ele sabia que a Hyuuga tinha algo importante para lhe contar, mas não podia. Era como se ela gritasse socorro silenciosamente. O rapaz colocou-a no chão novamente, não queria soltá-la, mas se ela precisava ir, nada podia fazer.
Hinata voltou-se para o lado da cama. A única peça de suas roupas que estava relativamente seca era sua calça, e dava para ser usada. Naruto levou-a até a porta, mas quando esta foi aberta, um vento gelado chicoteou os rostos de ambos.
– Tá muito frio... toma, use isto. — Naruto retirou seu casaco laranja que estava pendurado e ofereceu para Hinata.
– Tem certeza? Não quero roubar seu guarda-roupas todo...
Naruto riu.
– Pare de pensar que está me incomodando, Hinata... está muito frio pra você andar por aí sem blusa, anda, pega logo.
A Hyuuga pegou o casaco e vestiu-o. A peça ficou enorme, de forma que suas mãos ficaram completamente cobertas e a gola cobria sua boca.
– Depois eu devolvo pra você... não tem graça, Naruto-kun. — ela disse, ao perceber que o loiro estava segurando a risada.
– Mas eu não tô querendo rir... aliás, você ficou bem sexy usando isso...
Hinata riu.
– Seu baka... Bom, tenho que ir... — eles despediram-se e Hinata enfim partiu para casa.
A garota fez de tudo para que as poucas pessoas que circulavam nas ruas não a vissem. O forte nevoeiro que cobria Konoha devido à tempestade da noite anterior facilitou isto. Hinata entrou no Distrito Hyuuga silenciosamente, sabia que as pessoas deveriam estar acordando agora, mas ninguém costumava começar suas atividades matinais ás seis horas.
Quando estava quase em seu destino, assustou-se ao ouvir alguém chamar seu nome:
– Hinata-sama.
Virou-se e encontrou com seu primo Neji, que tinha a expressão impassível. A Hyuuga corou.
– Neji-niisan... eu... eu...
– Não precisa dizer nada. — ele começou, levantando sua mão. — Eu já percebi.
– M-mas, espere, isso não significa nada... — ela disse, segurando na barra do casaco de Naruto.
– Sim, isso significa. Hinata-sama, eu não sou burro... já estou sabendo do namoro de vocês faz tempo. Não desaprovo o seu relacionamento, e mesmo se desaprovasse, não tenho nada a ver com sua vida pessoal... mas você deve saber o que Hiashi-sama iria pensar. E mais... eu acho que não ia pegar muito bem se algum morador de Konoha te visse neste estado. "A filha do líder do clã Hyuuga usando as roupas de Uzumaki Naruto". Só estou tentando dizer pra que seja mais precavida da próxima vez.
Hinata engoliu em seco.
– Significa que você não vai falar nada...? — ela perguntou, tímida.
– Mas é claro que não vou... agora ande, vá pra casa antes que alguém te veja. — ele disse, com um leve sorriso de canto.
Hinata fez uma breve reverência.
– Arigatou, Neji-niisan. — e correu para a mansão principal.
Entrou pela janela de seu quarto silenciosamente. Suspirou, aliviada.
Seu alívio passou quando ela sentiu uma forma fria segurá-la por trás, pondo a mão em sua boca para que ela não fizesse barulho.
– Você já nos irritou o suficiente, Hinata. – a voz da pessoa (ou melhor, da coisa) falou. — Está debochando de nosso poder. Parece que já não sofreu o suficiente, não é? Acho que já avisamos que estávamos apenas brincando com você por todo esse tempo. Mas já cansamos de brincar. As coisas vão ficar realmente sérias daqui pra a frente... prepare-se para o pior.
A coisa fria que segurava-a desapareceu como se fosse névoa, jogando Hinata no chão. As pernas da garota estavam bambas, o coração batia descompassadamente, e lágrimas já escorriam pelo seu rosto.
– Eu não aguento mais isso... não aguento... — ela encolheu-se no chão, abraçando suas pernas. — O que eu fiz pra merecer... Maldito Katsuo! Eu não aguento mais!
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