Um Amor Quase Impossível

16 Descobrindo a farsa part. 2


—Que roupa mais cafona essa da Débora, parece que esta indo dormir -Paloma disse baixo-
Rindo de seu comentário terminei de amarrar o tênis e levantei.
—Larga de ser implicante garota -Falei rindo e olhei para frente.
Lá estava o João, o meu João.
Ele era namorado da Débora? Não pode ser. E eu? Não existo? Sou a outra? E o amor que dizia sentir?
—Espero que respeitem o novo patrão de vocês -Débora disse enquanto sorria-
Meus olhos se encheram d'água e meu coração parecia estar sendo esmagado, uma dor insuportável invadiu meu peito e não conseguia pensar em mais nada que não fosse sair dali.
Sem pensar em mais nada saí correndo e acabei esbarrando em uma cadeira, o que chamou a atenção de todos que me olharam, sem dar importância segui para o banheiro.
Quando entrei as lágrimas tomaram conta do meu rosto, não conseguia controlar a dor e raiva que estava sentindo. Fechei a porta e me escorei na mesma tentando encontrar um pouco de equilíbrio, minhas pernas estavam bambas e a qualquer momento sentia que iria cair.
—Por quê? Por que fez isso comigo João? -Perguntei em voz alta-
Como já era o esperado alguém bateu na porta, mas não mexi um músculo se quer para abri-la. Eu não conseguia.
—Amiga, abre a porta. Por favor -Paloma pediu em desespero-
—Me deixe quieta Pami -Pedi-
—Não, eu não vou te deixar. Abre por favor -Insistiu-
Secando minhas lágrimas, me levantei. Abri a porta e Paloma entrou em disparada.
—Não fique assim amiga -Ela disse me abraçando fortemente-
—Por que Pami? Por que logo comigo?
—Não sei amiga, mas conversa com ele primeiro
—Conversar? Para que? Para ele dizer que não passei de uma diversão? Como sou idiota, eu me entreguei para ele, e para mim foi tão especial -Falei encarando o chão-
—Eu nem sei o que te falar amor, fui eu quem te aconselhou a fazer isso. Estou me sentindo culpada agora
—Você não tem culpa Paloma, eu que fui uma idiota
—Vem, lava esse rosto e vamos sair daqui
Me olhei no espelho e me assustei. Minha maquiagem estava borrada, meu rosto bem vermelho e o cabelo um tanto bagunçado. Abri a torneira, parei minhas mãos e as enchi d'água e joguei em meu rosto retirando toda aquela maquiagem, ajeitei como pude o cabelo e passei a mão na roupa tentando ajeita-la.
—Vamos? -Paloma perguntou estendendo sua mão para que eu a segurasse-
Apenas assenti positivamente com a cabeça e segurei sua mão. Saímos do banheiro e voltamos para a nossa sala. Estava tudo normal, todos os funcionários já haviam voltado aos seus afazeres. Fernanda estava sentada e ao me ver me encarou, evitando perguntas me sentei rapidamente e ignorei qualquer olhar.
Abaixei minha cabeça e a apoiei na mesa, estava a sentindo pesada, parecia querer explodir!
—Quer que eu peça para você ir embora? -Paloma perguntou abaixando-se ao meu lado-
—Não -Levantei a cabeça e sequei as lágrimas- Estou bem
—Vai amiga, vai ser melhor pra você. Você não esta em condições de continuar trabalhando hoje
—Não Paloma, eu vou continuar aqui
—Ok, qualquer coisa me fala -Concordei com a cabeça e ela foi para a sua mesa.
Coloquei um vídeo de uma matéria que eu tinha que fazer para um artigo e tentei me concentrar ao máximo naquilo, mas estava tão difícil.

João narrando ...

—Fala Débora -Falei ao atender o celular que tocou assim que sai da casa da Bruna-
—Já esta pronto?
—Não, vou só colocar uma roupa rapidinho e já vou
—Ok, vou ficar te esperando aqui em casa
—Ok, daqui a pouco estou ai

Fui para casa ''correndo'', joguei uma água rapidinho e coloquei uma roupa mais formal, afinal era meu primeiro dia de trabalho né.
Peguei a chave do carro e desci para o estacionamento, entrei no carro e fui para Débora.

— Oi -Ela disse ao atender o celular-
—Já estou aqui embaixo
—Já estou descendo

Não demorou muito e Débora apareceu.
—Bom dia meu amor -Falou me dando um selinho-
—Bom dia!
—Preparado para assumir a empresa?
—Ainda não sei se quero isso Débora -Respondi pensando na Bruna-
—Não quer porquê? -Ela me olhou sem entender-
—Débora, eu não quero continuar te enganando, é melhor te contar toda a verdade
—Você esta me assustando. O que aconteceu?
Respirei fundo e contei.
—Eu estou gostando de outra pessoa e não quero continuar enganando você e nem ela, acho melhor a gente terminar.
—Então você está me traindo? -Falou alterada-
—Desculpa Débora, mas eu me apaixonei por ela e você sabe que nunca gostei de você
Ela ficou em silêncio.
—É melhor eu te levar na revista e voltar para casa -Concluí e dei partida em direção a revista-
—Não, você vai assumir a revista
—Â? Como assim? A gente não vai continuar Débora, não tem sentido eu tomar esse cargo
—Vamos continuar namorando sim
—Eu já falei que não vou continuar com você, eu quero a Bruna
—Bruna? Então é esse o nome da vagabunda?
—Não fala assim dela -Falei dando um soco no volante-
—E a sua mãe? Como vai continuar pagando o tratamento dela? Que eu saiba você não tem a menor condição de pagar tudo que ela precisa -Débora perguntou irônica-
—Não sei, eu me viro
—Você sabe que é muito caro João, nunca conseguirá pagar. Vai deixar sua mãe morrer por uma mulher qualquer?
—Ela não é uma qualquer Débora, meça suas palavras para falar dela
—Tanto faz João, a vida da sua mãe é mais importante que qualquer outra coisa. Você sabe que posso pagar tudo para ela, todo conforto. Tem certeza que vai tirar isso dela? Se você terminar comigo não vou continuar te ajudando
Suas últimos palavras me causaram um grande impacto, e por mais que eu não quisesse admitir ela estava certa. O silêncio tomou conta do ambiente, então dei partida, indo em direção a revista.
Ao chegarmos estacionei em frente e antes de sair ela me encarou.
—Vai continuar com ela ou preferir a vida da sua mãe?
Fechei meus olhos e respirei fundo.-Eu vou continuar com você
—Ótima escolha -Débora sorriu e saiu do carro sorrindo-
—E agora como vou falar com a Bruna? Eu a amo tanto, mas não posso arriscar a vida da minha mãe -pensei e sai do carro, indo atrás da Débora-
—Mande todos os funcionários irem para sala de reunião, quero falar com todos daqui da revista -Ela ordenou um dos funcionários da recepção-
Paramos conversando com um dos sócios e depois fomos para a sala de reunião que parecia estar cheia. Ela entrou e eu fiquei do lado de fora tomando coragem para entrar.Até que ouvi sua voz me chamar. Respirei fundo e entrei.
—Espero que respeitem o patrão de vocês -Ela riu me deixando mais nervoso-
De repente um barulho ecoou no fundo da sala e quando me toquei vi que era a Bruna.
—Droga! -Resmunguei baixo e dei um passo para frente com a intenção de ir atrás dela-
—Aonde você vai? -Débora sussurrou segurando em meu braço-
—Preciso ir atrás dela
—Ah! Então é ela? Fica aqui e depois você acaba com essa palhaçada
Contrariado, voltei e continuei parado ao seu lado sem tirar a Bruna do pensamento.

Música: https://www.youtube.com/watch?v=pgqDURxuZo0

Bruna narrando...

Sai da revista no horário de sempre e no caminho quando passei pela sorveteria me lembrei de quando nos conhecemos. Senti um aperto em meu peito e uma lágrima caiu sobre meu rosto, mas como eu não queria chorar, então a limpei e continuei meu trajeto.
Quando cheguei em casa Lívia e Leandro estavam abraçados no sofá.
—Oi -Falei por educação e passei direto para o meu quarto-
Quando coloquei meus pés naquele quarto a dor aumentou e tudo vivido por nós dois, ali, na noite passada veio a tona em minha cabeça.
Me joguei na cama, peguei uma almofada e me agarrei a ela. Minhas lágrimas caiam descontrolavelmente e a raiva que me consumia era tão grande, mas não o suficiente para me fazer odiá-lo, e como eu queria odiá-lo!
Todos os nossos momentos juntos, nosso primeiro beijo, nosso dia na praia, tudo veio em minha cabeça, cada palavra carinhosa, cada ''eu te amo'', eu não conseguia acreditar que tudo aquilo para ela foi mentira.

Lívia narrando ....

Como hoje tive folga o Leandro resolveu passar a tarde aqui em casa. Estávamos sentados na sala assistindo um programa qualquer na televisão, até que a Bruna entrou em casa, olhamos para ela e ela falou apenas um ''oi'' desanimado, o que deixou estampado que algo havia acontecido.
—Será que aconteceu algo? -Leandro perguntou-
—Tenho certeza que sim, ela não é assim. Vou ir falar com ela -Falei levantando-
—Ok, eu vou na padaria comprar nosso lanche
—Ta bom -Concordei e lhe dei um selinho-

[…]

—Posso entrar? -Perguntei batendo na porta-
—Entra -Ela respondeu desanimada-
Entrei e ela estava sentada na cama abraçada a uma almofada e aquilo me pareceu estranho.
—O que aconteceu minha linda? -Perguntei me sentando ao seu lado e coloquei uma mecha do seu cabelo atrás de sua orelha-
—Era tudo mentira Li -Ela respondeu soltando a almofada e me abraçou, um abraço tão forte que me assustei-
—Se acalma amiga! -Falei passando minha mão em seu rosto- Me explica, o que esta acontecendo?
Ela me soltou e se ajeitou na cama desabando em lágrimas.
—Ele só estava brincando comigo Li. Na verdade ele vai ser meu patrão agora
—Como assim seu patrão? -Perguntei confusa-
—Ele é o namorado da Débora
—Eu não acredito nisso -Falei surpresa-
—Eu fui tão tola e idiota Lívia
—Não, você não é nada disso. Ele que é um otário, não sabe a mulher incrível que ele está perdendo Bu -A afastei e olhei em seus olhos-
—Esta doendo tanto amiga -Ela sussurrou colocando sua mão sobre seu peito-
—Vai passar pequena -Falei lhe puxando e a aconchegando em meus braços-
—Cheguei -Leandro disse abrindo a porta-
—Já estou indo Le, vai pondo a mesa -Pedi baixo pois a Bru havia acabado de adormecer-
Com cuidado a ajeitei na cama e fui para a cozinha onde o Leandro me esperava sentado a mesa.
—O que aconteceu? Ela esta bem? -Perguntou preocupado.
—Não, ela não está nem um pouco bem -Respondi me juntando a ele na mesa-
—E o que aconteceu?
—O João, acredita que ele é o famoso namorado da Débora?
—O que? Eu não acredito que aquele cafajestes estava enganando a minha pequena
—Nem eu estou acreditando nisso
—Eu vou pegar ele na porrada! -Leandro falou se levantando raivosamente.
—Para Leandro! Não vai adiantar nada você fazer isso -Falei me levantando e o segurando-
—Ele a usou Lívia -Falou com nojo- Aquele otário vai pagar caro por isso
—Eu também estou revoltada com essa situação, mas bater nele não vai ajudar em nada -Falei na tentativa de acalma-lo.
—Missão difícil! -Pensei.
—Eu não vou atrás dele, por respeito a vocês duas, mas reze muito para ele não aparecer na minha frente Lívia
—Vamos deixar isso de lado e nós preocupar com ela, ok? -Falei e lhe dei um selinho-
—Ok -Concordou se sentando novamente.
—O que trouxe para lancharmos? -Perguntei mexendo nas bolsas de plásticos que ele havia trazido.
—Comprei pão, queijo, presunto e aquele patê que você adora. Está bom para a senhorita?
—Está ótimo -Respondi empolgada-

Débora narrando ...

De manhã João passou em minha casa e fomos para a revista. Assim que entrei em seu carro ele veio logo com um papo de não saber se queria assumir a empresa, dizendo que gostava de outra pessoa e tal.
Eu, claramente fiz minhas chantagens, não iria deixa-lo assim tão facilmente. Como já esperado, ele cedeu e junto a mim entrou na revista.
Pedi que avisassem da reunião a todos os funcionários e me encaminhei para a sala. Ao entrar anunciei a novidade e minutos depois um barulho ecoou no fim da sala, o que chamou a atenção de todos ali presente.
Ao direcionar meus olhos vi que era aquela funcionariazinha preferida do meu pai, a Bruna.
—Menina tosca -Resmunguei baixo para que ninguém me ouvisse-
João deu um passo a frente e notei que iria sair da sala, mais que depressa o segurei pelo braço e perguntei o que iria fazer.
—Preciso ir atrás dela
— Então era aquela a tal Bruna por quem ele está apaixonado? -Pensei-
Se prepare Bruninha, isso não vai durar por muito tempo! -Falei para mim mesma enquanto João falava algumas palavras para os funcionários-
Não vou deixa-los em paz enquanto não desistirem desse namorico sem noção. O João é meu, só meu.