Bruna narrando ...

Abri meus olhos lentamente e vi que estava em meu quarto. Me sentei na cama, esfreguei meus olhos e levantei, na mesma hora minha cabeça girou e me sentei novamente.
Permaneci ali por mais alguns minutos e depois levantei-me, fui ao banheiro, lavei meu rosto, me olhei no espelho e meus olhos estavam terrivelmente inchados.
—Droga! -Reclamei-
Sequei meu rosto, voltei ao quarto, calcei meus chinelos e fui para a cozinha onde Lívia e Leandro estavam. Ao notarem minha presença vieram correndo até mim, e Leandro me abraçou fortemente.
—Pequena como você está? -Ele perguntou me soltando-
—Estou um pouco tonta e com dores na cabeça, mas bem -Falei forçando um sorriso-
—Vamos ao cinema com a gente? -Lívia perguntou-
—Não estou muito afim Li, mas se divirtam -Pisquei-
—Tem certeza pequena? Vai ser bom para você se distrair um pouco -Leandro argumentou-
—Tenho sim Le, deixa para a próxima. Vou tomar minha água e voltar a dormir -Falei mostrando meu copo-
—Ok né -Ele concordou sabendo que não adiantaria argumentar-
—Mas qualquer coisa você me liga Bu
—Pode deixar loira -Concordei e ri com toda preocupação dos dois-
—Vamos então Li? Só estávamos esperando ela acordar -Leandro falou-
—Uhum, vamos sim
—Tchau pequena -Leandro se despediu me dando um beijo na testa-
—Tchau Le
—Beijo amiga -Lívia falou e saiu arrastando o Leandro até a porta-
—Beijo -Respondi rindo-
Eles saíram e eu terminei de tomar minha água, lavei o copo e quando estava voltando para o quarto a campainha tocou.
—Pelo jeito esqueceram a chave -Ri e fui abrir a porta-
—Mas vocês são esque...
Não consegui completar a frase, pois uma raiva enorme subiu pelo meu corpo. Minha voz não saía e a vontade de bater naquela pessoa à minha frente era incontrolável.
—O que você esta fazendo aqui? -Perguntei alterando a voz-
—Podemos conversar?
—Não -Gritei- Some da minha vida João, não quero te ver nunca mais -Falei tentando fechar a porta, mas ele segurou.
—Bu por favor, preciso te explicar tudo
—Explicar o que? Que eu fui um brinquedinho para você? Que eu era a bobinha que substituía a Débora nos momentos de solidão? Me poupe de suas desculpas João
—Não é nada disso Bruna, me deixa explicar o porque de ter feito tudo isso
—Eu não quero ouvir nada João, me deixa por favor. Já estou sofrendo o suficiente, me deixa em paz -Gritei a última frase-
Lágrimas surgiram em meus olhos e me controlava o máximo possível para que elas não caíssem na sua frente.
—Bru...
—Vai embora por favor -Implorei sem forças para falar-
Ele virou as costas e se foi. O vi se afastar e meu coração pedia para não deixa-lo ir, mas eu não podia segui-lo.
Antes de entrar no elevador João ainda me encarou com olhar de súplica, mas desviei meus olhos e fechei a porta me escorando na mesma. Minhas pernas estavam bambas. Fui deslizando sobre a porta calmamente até me sentar ao chão, apoiando minha cabeça em minhas pernas e as lágrimas que tanto segurei, caíram descontroladamente.
Permaneci ali por mais um tempo até me acalmar. Depois sequei minhas lágrimas e fui para o quarto onde não demorei a adormecer.
João narrando ...

Quando me livrei da Débora a única coisa que me vinha na cabeça era procurar a Bruna. Não importava o quão difícil seria pra ela me ouvir, mas eu precisava explicar tudo.
Fui para o apartamento dela e vi que a Lívia e Leandro estavam saindo, me escondi atrás de uma pilastra para que não me vissem, pois com certeza já sabiam do ocorrido e se me vissem não me deixariam entrar, e quando saíram subi.
Parado a frente da porta de seu apartamento, respirei fundo e falei para mim mesmo três vezes:

—Vamos João, você consegue, você a ama!

Levei minha mão a campainha e apertei, logo ouvi o barulho da chave rodando. A porta se abriu e eu a vi, tão frágil, tão vulnerável. Seus olhos estavam vermelhos, sua pele branca num tom rosado e a expressão de tristeza em seu rosto era visivelmente notável.

Sou um idiota -Pensei.

Pedi para conversarmos, mas ela não quis me ouvir, depois de muito insistência acabei desistindo. Fui para casa da minha mãe, eu precisava do Dan, por mais que ele fosse mais novo, e até um pouco irresponsável, era ele quem conseguia fazer com que eu me sentisse melhor.
—Boa noite -Falei com Sônia e minha mãe que estavam sentadas na sala assistindo televisão-
—Boa noite João -Sônia respondeu sorridente-
Dei um beijo nas duas e me sentei no sofá, ao lado da cadeira da minha mãe.
—O Daniel ta ai? -Perguntei colocando minhas chaves sobre a mesa ao lado do sofá-
—Esta sim, trancado no quarto como sempre
—Ok -Concordei me levantando e fui em direção ao quarto-
Bati e logo ele perguntou quem era.
—Sou eu, João -Respondi-
Logo a porta se abriu e eu entrei.
—Fala maninho -Disse se sentando na cama-
—Ei Dan -Falei me sentando ao seu lado-
—O que aconteceu? Essa cara não me engana
—A Bruna descobriu tudo
—O que? Não acredito! Ela deve estar arrasada vey
—Você se preocupa só com ela?
—Foi mal, mas eu te avisei João. Era impossível manter essa mentira por muito tempo, mas como ela descobriu?
—Lembra que a Débora me chamou para ficar no lugar do pai dela na revista?
—Uhum
—Então, hoje fui para conhecer tudo por lá e a Débora cismou de me apresentar para todos os funcionários, ela reuniu todos em uma sala e por fim, a Bruna trabalha lá
—Caramba! Que doideira!
—Pois é, agora não sei o que faço. Já fui na casa dela e ela não quer me ouvir
—Deixa a poeira abaixar um pouco mano, ela esta nervosa e confusa agora
—Ela não vai me perdoa Dan, não sei o que fazer. Eu a amo demais, mas eu não posso largar a Débora, o que vai ser da nossa mãe sem a ajuda dela?
—Eu sei que é difícil, mas a gente vai dar um jeito. Vou arrumar um trabalho, você vai procurando algo e enquanto não arrumamos continua com a Débora, ok? Depois que nós dois estivermos fixos você larga dela e volta com a Bruna
—Mas até lá não vou suportar ficar longe dela
—Se contente em só vê-la na revista,tenta pelo menos explicar tudo e ficarem amigos
—Amigos?
—É o melhor por enquanto João, não tem como você ficar com as duas
—A vida é muito injusta comigo, não tenho pai, minha mãe sofre por uma doença totalmente estúpida e não posso ter a mulher que eu amo ao meu lado. Irônico não?
—Tudo vai dar certo mano
—Não aguento mais escutar isso Daniel, não aguento mais acreditar nisso sendo que é tudo mentira, a quantos anos me falam isso? E quando realmente aconteceu? Nunca!
—Desabafa brother! Coloca isso ai tudo para fora -Falou colocando a mão em meu peito-
E com isso acabei desabando em lágrimas, doía tanto ver a mulher que eu amo pensando que sou um cafajeste, que eu não a amo, sendo que é tudo ao contrário.
Chorei, chorei, chorei bastante, depois peguei minhas chaves, me despedi da minha mãe que se preocupou ao ver meus olhos vermelhos e inchados, mas menti que era sono e fui para casa.
Tomei um banho, deixei que aquela água quentinha caísse em minha nuca. Aquilo me acalmava. Depois de relaxado sai e coloquei uma bermuda de dormir.
Ao sair do banheiro vi que a luz da lua invadia o quarto deixando tudo bem iluminado. Fui me aproximando da janela e me sentei na poltrona que ficava ali perto.
Observei o céu e a lua que estava linda, na hora Bruna me veio na cabeça. Cada momento vivido por nós dois, cada beijo, cada toque, e pode até parecer loucura, mas comecei conversar com a lua.