Um Amor Quase Impossível
9 Lembranças
Que noite incrível!
Cada segundo que passo ao lado da Bruna é perfeito, ela me faz tão bem que esqueço de todos os meus problemas. Fazia tempo que não nos víamos, então a chamei para ir ao cinema. Mesmo não gostando do filme escolhido me diverti como nunca, mas confesso ter direcionado minha atenção totalmente à ela. Seu sorriso divertido a cada cena me fazia ter certeza que eu estava realmente apaixonado.
Após lancharmos no shopping a deixei em casa e fui para o apartamento da minha mãe. Passei no quarto do meu irmão primeiro para contar o meu dia, mas ele já estava dormindo, então, fui no de minha mãe e ela fazia o mesmo. Dei-lhe um beijo na testa e sai na ponta dos pés para não acorda-la.
Já em meu quarto, me deitei na cama e me pus a pensar no meu dia, mais precisamente na Bruna e involuntariamente uma lágrima caiu dos meus olhos molhando o travesseiro. Eu não podia engana-la como estava fazendo, eu estava lhe pondo o papel de amante e ela não merece tal rótulo, mas também tem a Débora, por mais que eu não a ame não é certo o que estou fazendo, ainda mais porque foi ela quem me estendeu a mão quando mais precisei, por interesse ou não, ela ajudou.
–Meu Deus! O que faço da vida? -Perguntei.
No outro dia...
Acordei às 11h com uma dor de cabeça infernal, estava sem ânimo para nada. Como não tinha trabalho hoje, fiquei deitado no sofá assistindo desenho, estava passando Tom e Jerry. Nossa Minha infância foi assistir esse desenho. Que nostalgia!
Ouvi meu celular apitar e peguei o aparelho na mesinha de cabeceira. Olhei no ecrã e era um SMS da Bruna.
''Bom dia meu amor!
Ao ler um sorriso automático se formou em meu rosto.
''Bom dia minha linda!
Respondi ela e voltei a prestar atenção no desenho, só que agora mais feliz.
Bruna narrando...
Acordei feliz e morrendo de vontade de ver o João de novo, mas não podia, tinha que trabalhar. Affs!
Levantei, joguei uma água no corpo, coloquei roupa, fiz uma maquiagem bem leve com tons da cor da pele e fui tomar café. Lívia estava sentada no sofá assistindo TV.
–Já acordada? -Perguntei colocando minha bolsa sobre o sofá.
–É, eu não dormi muito bem
–Por quê? -Perguntei pegando a manteiga na geladeira.
–Tive pesadelos a noite toda
–Entendi, aproveita agora e tira um cochilo -Falei me sentando a mesa.
–Não dá, tenho que ir pra agência daqui a pouco -Ela respondeu e revirou os olhos.
–Hum... -Resmunguei dando uma mordida em meu pão.
Em silêncio terminei meu café, escovei meus dentes e fui para a revista. Quando cheguei Paloma e Fernanda já estavam lá.
–Bom dia meninas! -Falei me sentando em minha mesa.
–Bom dia minha flor! -Paloma respondeu sorrindo.
–Bom dia! -Fernanda falou emburrada como sempre.
Passei a manhã editando matérias e às 11 já não aguentando mais não falar com ele, mandei um SMS. Ele logo respondeu, me deixando mais animada. Mas como nem tudo é perfeito Débora chegou passando direto para sua sala sem dar bom dia a ninguém.
–Nojenta -Sussurrei.
Não contei para vocês, mas desde que o seu Fernando faleceu, Débora tomou o seu lugar na empresa, para a nossa infelicidade. Ela não gosta de mim, isso eu já havia percebido desde a primeira vez que esbarrei nela por aqui, mas não dou bola, a única coisa que me deixa preocupada é ela querer me demitir, e o pior a empresa falir. Ela não leva o menor jeito para administrar, tudo ela joga para cima de mim e dos outro funcionários. Espero que ela arranje alguém para assumir a presidência logo antes que isso aqui vá para o espaço.
Na hora do almoço fui com a Pami almoçar em um restaurante aqui perto da revista. Entramos e nos sentamos em uma mesa no centro do salão e logo um garçom nos atendeu.
–Amiga vou ligar para o João e já volto -Falei levantando-me e indo para fora do estabelecimento.
–Ok
[…]
–Oi amor -Ele falou ao atendeu.
–Oi -Respondi empolgada. Tudo bem?
–Não, estou morrendo de dor de cabeça -Respondeu com a voz desanimada.
–Queria estar ai cuidando de ti
–Não seria uma má ideia. Por que não vem?
–Tenho que trabalhar mor, estou no horário de almoço
–Ah! Poxa
–Mas podemos nos ver a noite?
– Aham -Concordei.
–Então ta, até mais tarde meu amor
–Até. Beijos
[...]
–Nossa! Que sorriso enorme em -Paloma disse rindo quando voltei e sentei ao seu lado.
–Eu o amo -Suspirei -Ela riu da minha cara e deu um leve tapa em minha testa me fazendo rir.
Não demorou muito e nosso pedido chegou, comemos e depois voltamos para a revista. Ainda tínhamos muito o que fazer. Que preguiça!
João narrando...
Depois que a Bruna me ligou ouvi um barulho no quarto do meu irmão e fui ver o que era.
–Dan posso entrar?
–Não -Ele respondeu e parecia estar com raiva.
–Eu não acredito que você esta fazendo isso aqui dentro de casa Daniel -Falei alterado pois já sabia o que ele fazia toda vez q ele estava desse jeito.
–Eu não estou fazendo nada vey, me deixa em paz -Gritou.
–Abre essa porta agora Daniel
Escutei ele bufar lá dentro, mas em segundos abriu.
–O que você quer? -Resmungou voltando e se sentando na cama.
–Você esta chapado né?
–E o que te interessa isso?
–Cara, eu sou seu irmão me preocupo com você
–Não me interessa suas preocupações, agora sai daqui -Gritou apontando para a porta.
–Você não toma jeito mesmo né, acha que vida gira em torno de você. Acorda para a vida Daniel
Você não percebe que está acabando com a sua vida?
–Você disse certo MINHA vida, não te interessa o que faço ou o que deixo de fazer. Entendeu?
–Interessa sim, enquanto você morar aqui e ficar sobre minha responsabilidade
–Não seja por isso, eu posso sumir
–Se toca Daniel! Só quero te ajudar.
–Eu não quero a sua ajuda
Ignorei seu comentário e lhe abracei.
Vem, vamos dar uma volta -Ele respirou fundo e concordou com a cabeça.
–Vai tomar um banho, te espero na sala
Sai do quarto e fui para o quarto que era meu, entrei no banho, depois de arrumado fui para sala espera-lo. Não demorou muito e ele apareceu. Sua aparência estava bem melhor.
–Vamos? -Perguntei e ele respondeu sim balançando a cabeça.
Peguei a chave do carro sobre a rack e descemos.
–Onde vamos? -Ele perguntou olhando para frente.
–Topa almoçar naquele restaurante que sempre íamos com a mamãe?
–Topo
Entramos no carro e fomos. Era um pouco longe, mas de carro chegamos rapidinho. Ao entrarmos, várias lembranças me vieram a cabeça, era tudo tão bom antes de tudo isso acontecer, antes da doença da minha mãe e da fuga de meu pai.
Nos sentamos na mesa onde costumávamos a sentar. Sim, estava tudo exatamente como antes, apenas a pintura parecia estar renovada.
–Por que resolveu vir aqui? -Ele perguntou quebrando o silêncio.
–Senti falta dos momentos que passamos aqui. Você lembra?
–Eu era bem pequeno, lembro vagamente de alguns momentos. Mas lembro perfeitamente de um aniversário seu que comemoramos aqui. Lembra? -Ele perguntou sorrindo.
–Como esquecer -Sorri lembrando.
–Naquela época tudo era tão bom -Ele falou olhando para baixo.
–É verdade, tudo mudou tão de repente
Ficamos em silêncio, e isso me fazia mal, resolvi então desviar o assunto de rumo.
–Como está na escola?
–Bem
–Ano que vem estará no terceiro ano em, já é um homem -Sorri.
–Pois é -Ele respondeu sem graça.
–E esta pensando em fazer o que na faculdade?
–Medicina
–Nossa que legal! Mas por quê?
–Quero poder ajudar mais a nossa mãe e além disso quero ajudar mais pessoas como ela.
–Fico orgulhoso em ouvir isso -Falei e ele sorriu.
–E você e a Débora?
–Estamos bem -Falei triste.
–Você não parece feliz
–É, eu não estou
–Por quê?
–Eu não a amo, estou apaixonado por outra mulher
–O que? — Ele disse surpreso.
–Eu estou apaixonado por uma garota que conheci outro dia na sorveteria
–Mas você esta ficando com essa garota? -Ele perguntou e envergonhado balancei a cabeça em sinal positivo.
–Mas você não pode ficar com as duas João
–Eu sei, mas não sei o que fazer. Eu amo a Bruna, não quero ficar longe dela, mas ao mesmo tempo tem a Débora que esta do meu lado a tanto tempo. Não seria certo da minha parte deixa-la assim.
–Eu te entendo
–Eu tenho que me separar da Débora, mas não sei como
–Explica o que esta acontecendo, ela vai entender. Ela sempre soube que você não a ama
–E você acha que ela vai aceitar assim tão fácil?
–Claro que vai. Acima de tudo ela é sua amiga
–É, tem razão
Nosso pedido chegou e enquanto almoçávamos conversamos sobre ele, entre a conversa o fiz prometer que pararia com as drogas e se dedicaria mais aos estudos. Depois de dar uma volta pelo quarteirão fomos para casa.
–Oi -Falei entrando no quarto da minha mãe.
–Oi -Sônia disse sorrindo.
–Como ela esta?
– Bem. Esta um pouco agitada, mas bem
Vou ir para casa, mas mais tarde estarei de volta
–Ok
Dei um beijo em minha mãe e sai do quarto. Peguei meu celular e mandei um SMS para a Bruna, falei que iria na casa dela ás 20h, ela respondeu com um ''OK'' e guardei o celular no bolso da calça.
Decido liguei para a Débora, precisava terminar logo com ela, não queria mais enrolar a Bruna.
[...]
–Oi amor
–Oi Débora. Esta bem?
–Estou sim. E você?
–Estou bem, tem como nos vermos agora?
Tem sim, aonde nos encontramos?
–Pode ser na praça?
–Pode
–Até daqui a pouco então
–Ok, beijo te amo
–Beijo
[...]
Escutar ela dizer te amo foi difícil, não queria machuca-la mais, por isso não vou mais ficar a enrolando desse jeito. Caminhando fui para a Praça pensando em como falaria para ela.
Porra! Que difícil!
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