Um Amor Para Recordar
7 06. Uma Grande Surpresa — Parte I
Notas iniciais
Um sorriso formou-se em seus lábios.
— Lily? O que está fazendo aqui? — Disse com sua voz encantadora de sempre, o que fez a garota querer ouvi-la ainda mais.
Mas seria possível que ele estivesse em todos os lugares de sua vida? Lily já estava começando a achar aquilo tudo muito estranho, não era normal.
— O que será que se faz em uma livraria? — Respondeu-lhe de maneira rude, não queria ser gentil com ele.
— Ahn... Desculpe, eu... Acho melhor ir embora. A gente se vê — disse depositando o livro da garota em suas mãos, se levantando e andando em direção à porta.
Mas Lily não queria que ele se fosse. Se o chamasse, ele pensaria que ela queria alguma coisa, mas se não chamasse, só o veria de novo na Academia de Artes Modernas — ou em seus sonhos.
— ESPERA!
Quando percebeu que tinha gritado tão desesperadamente, a garota se recompôs e tentou fingir que não estava ficando louca. Jason deu um sorriso antes de se virar, logo indo em direção à Lily. Enquanto ele caminhava, ela tentava pensar em algum motivo pelo qual gritara o nome dele.
— Pois não?
— É... Ahn... — Ela gaguejava, percorrendo o olhar por todo o estabelecimento enquanto pensava. — Ah! Eu me esqueci de te perguntar aonde vamos nos encontrar para fazer aquele trabalho que o sr. Lemon passou — disse tentando parecer inocente.
— Que eu saiba você não se esqueceu, não. Combinamos de nos encontrar na Praça de Londres, lembra?
E tinham mesmo. Neste momento, Lily estava paralisada. O que diria agora?
— Ah! É mesmo. Eu tinha me esquecido disso — ela forçou uma risadinha para não parecer tão ridícula. — Então... Praça de Londres, certo?
— Certo. Amanhã — ele completou, sorrindo torto.
— Isso — ela sorriu também, olhando, pela primeira vez, em seus olhos.
Por alguns segundos, Lily ficou apenas encarando seus olhos. Era como se sua cabeça gritasse “Desvie o olhar! Desvie!”, mas ela não conseguia, ela não queria. Quando percebeu, Jason já estava há centímetros dela. Repentinamente, ela fechou os olhos, na esperança de que ele fosse beijá-la, mas quando os abriu de novo, segundos depois, ele estava estendendo seu livro. Lily fez uma cara de desentendida.
— Você deixou cair — ele explicou, entregando-lhe o livro. — Já vou indo, nos vemos amanhã.
— É... A-Amanhã.
Lily ainda estava confusa. O que fora aquilo tudo? O que estava acontecendo com ela? Definitivamente, tinha que fugir disso. E o mais rápido possível.
Fechou o livro, triste consigo mesma por ter de parar de ler. Já deitada na cama, Lily enrolou-se nas cobertas quentinhas que lhe protegiam do frio ar-condicionado e tentou dormir, mas assim que fechou os olhos, aquele quadro veio à sua cabeça. Aquele maldito quadro. Por que Jason tinha que tê-la pintado tão magnificamente? Agora, por conta disso, aquela pintura não saía de sua cabeça, assim como o pintor dela.
[▪▪▪]
Logo no amanhecer, Lily levantou-se, fazendo sua higiene matinal e tomando banho. Vestiu-se com um shorts jeans escuro, uma blusa da banda Nirvana — sua banda preferida —, uma meia-calça roxa escura e seu All Star preto de cano-longo. Resolveu, milagrosamente, deixar os cabelos exageradamente lisos soltos. Olhou-se no espelho do banheiro, como sempre fazia depois de se arrumar e pensou: “viu? Eu nunca vou estar bonita o suficiente”.
Descendo as escadas, Lily viu sua mãe assistindo a mais uma reprise da série Two And A Half Men, coisa que amava.
— Oh meu Deus! O Alan é demais! — Ela ria do personagem da série, quase não percebendo o mundo em sua volta.
Lily sentou-se na mesa do café da manhã enquanto Darcy, a empregada, servia-lhe com torradas, panquecas com mel e suco de laranja. Seu pai lia o jornal da manhã enquanto Darcy lhe servia com café e ovos com bacon, seu café da manhã de sempre. Lily comeu as três panquecas apressadamente, bebeu o suco todo e pegou as quatro torradas na mão, se levantando, depositando um beijo na testa do pai e indo em direção à mãe.
— Mamãe, já estou indo — disse, porém a mulher nem sequer lhe ouvira. — Mamãe! — Ela se pôs na frente da imensa televisão, fazendo sua mãe acordar do “vício”.
— Ah, Lily! Era a minha cena favorita! — Ela choramingou, irritada. — O que você quer?
— Te avisar que já estou indo.
— Ora, indo aonde? — A mãe indagou, ainda pensando na cena que perdera.
— Eu já te disse! Vou encontrar meu amigo pra fazer aquele trabalho de artes.
A mãe pareceu pensar por um instante, colocando o dedo indicador no queixo para se concentrar.
— Ah, sim. Mas não demore muito. Amanhã temos igreja.
— É claro, mamãe.
Dizendo isto, a garota deu-lhe um beijo na bochecha e saiu da frente da televisão, vendo um sorriso alegre da mãe por isso. Andou até a porta de casa e desapareceu por ela.
[▪▪▪]
Lily já estava começando a cogitar a possibilidade de voltar pra casa.
Passara-se duas horas desde que chegara à Praça de Londres e não tivera nenhum sinal de Jason. O pior de tudo era que ela tinha deixado o celular em casa, assim não podia ligar para ele. Olhou novamente para o relógio em seu pulso, bufando e revirando os olhos pela milésima vez. Decidiu que não iria esperar mais. Não importava o que o sr. Lemon fosse achar, ela estava pronta para acabar com Jason na segunda-feira quando tivesse que explicar o porquê de não ter feito o trabalho.
Levantou-se do banco totalmente irritada, andou até a rua e fez um sinal para o táxi parar, logo dando o endereço para o taxista e abrindo a porta do carro para entrar. E assim que pisou o primeiro pé no automóvel, quase teve um ataque cardíaco quando ouviu:
— LILY JACKSON!
A garota virou-se na mesma hora, logo avistando o garoto mais atrasado que já conhecera na vida. Bufou, novamente, dizendo um “esquece” ao taxista e bateu a porta do carro. Andou até Jason, que sorria.
— Pensei que fosse embora — ele disse parecendo aliviado. Lily estava ficando cada vez mais enraivada.
— E ia! — Disse mais ignorante impossível. — Garoto, você me deixou esperando por duas horas! Duas!
Jason tinha uma expressão de surpresa, como se tivesse levado um tapa depois de salvar um gatinho de uma árvore.
— Ah, me desculpe, é que minha mãe passou mal e eu tive que levá-la ao hospital. Não sei se já disse isso, mas ela tem câncer.
Lily quase deu um tapa em si mesma. Como pudera ser tão idiota daquela forma? Se tivesse ao menos imaginado o motivo dele ter se atrasado, nem tocaria nesse assunto com ele.
— Oh, Deus! Eu não sabia... Desculpa.
— Tudo bem, sei que não foi sua intenção. Então, podemos ir?
— Podemos.
E foram. Jason andava lentamente, indo pelos lugares mais estranhos, enquanto Lily queira correr e chegar logo onde quer que estivessem indo. Quando finalmente o garoto parou, estavam em frente a uma casa com aparência antiga, daqueles tipos usados nos anos 60 ou anteriores. Lily estava confusa, mas o seguiu.
— Então é aqui que vamos ficar? — Ela disse, observando atentamente a casa.
— Ah, não — ele pareceu acordar de um transe. — Vamos para outro lugar. Me siga.
Jason caminhou para trás da casa, onde tinha um cercado de madeira que protegia um imenso galpão cinza velho. Ele adentrou o local, sendo seguido por Lily. Estava tudo escuro, por isso a garota não pôde descrever o que tinha no galpão, mas parecia ser algo esquisito, já que o cheiro era forte.
— Será que você pode acender as...
Quando Lily estava prestes a terminar a frase, Jason acendeu as luzes, fazendo com que a garota percorresse o olhar por todo o galpão e a sua visão não poderia estar mais maravilhada. Foi tão bonito que ela teve uma vontade imensa de chorar, era magnífico. Definitivamente, nunca vira algo tão encantador.
Não era apenas um galpão velho. Era um galpão velho cheio de obras de artes.
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