Um Amor, Dois Corações e Mil Confusões.
17 Say Something
Notas iniciais
Say Something (The Great Big World & Christina Aguilera)
(Diga Alguma Coisa)
Say something I'm giving up on you
I'll be the one if you want me to
Anywhere I would've followed you
Say something I'm giving up on you
Diga alguma coisa, estou desistindo de você
Eu serei o escolhido
Eu teria te seguido para qualquer lugar
Diga alguma coisa, estou desistindo de você
CASTLE
Minha mãe estava certa, não podia mais seguir a Beckett, não depois dela ter mentido para mim. Pensei que poderia lidar com isso, que ela fingiu não se lembrar da minha declaração quando foi baleada e, eu fingiria que estava tudo bem, mas eu não consigo mais. Este será o último caso em que eu seguirei a Detetive Beckett.
Estava radiante com minha decisão, como se um peso tivesse sido tirado das minhas costas, esperava que esse caso fosse especial, era o último, afinal. Mas, depois de conversar com o chefe da vítima, pareceu ser apenas um caso de brigas entre colegas de trabalho. Meu último caso e, terminaria com uma prisão simples em apenas cinco minutos de investigação. Ainda não estava preparado para dizer adeus.
Eu senti que ela percebeu minhas intenções quando me despedi discretamente do Perlmutter mas, depois de tudo o que aconteceu, ela não me dava motivos para continuar, tinha que encontrar outro caminho, daqui para a frente.
Ao interrogarmos o suspeito, Charlie Colleman, eis que surge a identidade do verdadeiro assassino, nada mais, nada menos, do que um zumbi. Agora sim, vou me despedir disso tudo, com chave de ouro. Saímos, Beckett e eu, em busca desse zumbi assassino, que é uma redundância, já que todo zumbi é assassino, enfim. Essa proximidade, me fez pensar que, já que é meu último caso, posso tentar induzi-la a me dar algumas respostas, não que isso vá mudar alguma coisa mas, eu realmente preciso de respostas.
Infelizmente, descobrimos que o nosso zumbi, é na verdade, Kyle Jennings, um humano de carne e osso e, o encontramos morto mas, aparentemente não está mais. Este caso está se tornando o melhor de todos, principalmente pela cara que a Beckett fez quando o morto, não tão morto assim, se levantou da mesa de autópsia.
No hospital, após o interrogatório, ele disse não se lembrar de nada. Típico, usar a mentira da amnésia, eu não caio mais nessa. E nessa hora, me veio a ideia de conseguir algumas respostas dela. Ela me devia isso.
— Quando acontece alguma coisa marcante, as pessoas se lembram. – olhava dentro dos seus olhos para me fazer entender.
— Talvez, seja muito para ele lidar. Talvez, ele ainda não consiga encarar isso. – ela entendeu e, tentava me responder. Fingimos se tratar do caso, talvez para que não ficasse estranho.
— E acha que um dia ele irá conseguir? – prendi a respiração por um segundo, não sabia que essa resposta era tão importante.
— Espero que sim. Se estiver seguro. – ela não se sentia segura mas, segura de quê? Para assumir que gostava de mim ou, admitir que não gostava? Mas, antes que eu pudesse fazer outra pergunta, Perlmutter apareceu e nos interrompeu.
Pelos exames de sangue e, as conclusões de Perlmutter, Kyle não era o nosso assassino. Ele era mas, não foi conscientemente, ele estava drogado com um tipo de droga que zumbifica o usuário, deixando-o totalmente influenciável. Teríamos que encontrar o mandante.
Não foi difícil descobrir quem foi, o traficante da escopolamina (droga zumbi), era o adversário amoroso de nossa vítima, Tom Williams. Mas, não tínhamos prova contra ele, seu álibi foi confirmado e, seus argumentos eram sólidos. Detesto quando os suspeitos são advogados ou, estudantes, nesse caso.
Beckett já não tinha mais ideias mas, eu tinha uma não usual, bem louca na verdade e, fiquei feliz dela ter aceitado a sugestão sem resistência, será que era uma forma de pedir desculpas? O importante é que conseguimos a confissão do assassino e, ainda pude me divertir um pouco com a fantasia de zumbi.
Chegou a hora, fim de caso. Ainda com a fantasia, informamos ao Kyle que ele teria as acusações contra ele, retiradas. Mas, mesmo que não tenha feito de forma consciente, ele tinha matado um homem e, vê-lo arrasado com o que aconteceu, só desabafei com a Beckett. Seria nossa última conversa.
— Como alguém consegue deixar algo assim para trás? – não conseguia olhar para ela. — Ele precisará de terapia.
— Ela ajuda. – levantei o olhar, estava curioso. — No começo não conseguirá encarar isso. Precisará de tudo o que ele tem... só para pôr um pé na frente do outro e enfrentar o dia. – se eu tinha entendido direito, ela está fazendo terapia já faz quase um ano, não tinha ideia do quanto estava machucada.
— Não sabia que estava indo a um terapeuta? – ela nunca me disse nada.
— Sim... Eu não queria dar nenhuma desculpa. Só queria... Seguir em frente e fazer o meu trabalho. Mas acho que já estou quase onde eu quero estar. – será que foi por isso que mentiu para mim? Porque estava com medo?
— E onde seria? – estava balançado com as suas palavras, ela finalmente está falando o que anseio durante todo este ano.
— Um lugar onde posso finalmente aceitar tudo o que aconteceu naquele dia... Tudo. – tudo? Era isso mesmo? Ela estava me pedindo um mais um tempo?
— Acho... Que entendo.
— E aquele muro do qual falei, acho que ele está desmoronando. – e eu, desmoronei com minha decisão de deixá-la.
— Gostaria de estar lá, quando ele cair. – era tudo o que eu queria.
— Gostaria que você estivesse lá. – e ela sorriu, sorriu com os olhos e, em muito tempo, senti meu coração bater novamente.
— Mas, sem a maquiagem de zumbi.
— Eu não sei, acho que a maquiagem de zumbi combina com você, Castle. – ali estava a mulher que eu amava, que ria das minhas piadas.
— Eu a faço ficar boa.
— Amanhã? – me perguntou ainda em dúvida.
— Amanhã. – me rendi, nos dando uma segunda chance.
Ela saiu e, eu tinha que pensar sobre essa conversa. Estava pronto para deixa-la, tinha desistido de suas mentiras e, agora, o sentimento de continuar esse caminho, querer segui-la para onde for e, quem sabe um dia, conseguir entrar em seu coração e poder amá-la, acalenta o meu peito.
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