Um Amor, Dois Corações e Mil Confusões.
13 Really Don't Care
Notas iniciais
Really Don’t Care (Demi Lovato)
(Realmente Não Me Importo)
But even if the stars and moon collide
I never want you back into my life
You can take your words and all your lies
Oh oh oh I really don't care
Mas mesmo se as estrelas e a lua colidirem
Nunca vou querer você de volta na minha vida
Você pode pegar suas palavras e todas as suas mentiras
Oh oh oh, eu realmente não me importo
BECKETT
Finalmente folga, ou quase. Como teria dois dias inteiros em casa, ela decidiu fazer uma faxina geral. O apartamento estava um horror, como passava muito tempo no Loft com o Castle, só vinha para casa para pegar algumas peças de roupa ou documentos que precisaria.
— Minha nossa! Sei que nunca fui uma grande dona de casa mas, dessa vez eu exagerei na bagunça. Adeus, fim de semana. – como teria que arrumar tudo, resolveu que mexeria em algumas caixas velhas, talvez fosse a hora de jogar algumas coisas fora.
Já fazia horas que estava ali e, não tinha progredido muito na arrumação. Esse era o problema em remexer nas caixas antigas, elas continham lembranças e, sempre se perde muito tempo relembrando o passado.
Estava tão entretida olhando antigas fotografias que, por pouco, não quebrou o nariz de Castle, quando ele depositou um beijo em seu pescoço.
— Oh Meu Deus, Castle!! Quer me matar de susto? – já não sabia se estava assustada com a chegada de Castle ou, por ele estar olhando fixamente para as minhas caixas.
— Eu chamei mas, você não me respondeu e.... como a porta estava aberta, eu entrei. O que são essas caixas? – oh, não! Era exatamente isso que não queria, Castle remexendo nas minhas coisas e fazendo perguntas.
— Não é nada. Eu só ia jogar algumas coisas fora, eu faço isso depois. Então, como foi sua reunião? Produtiva? – tentei mudar de assunto mas, acho que não deu certo, porque ele já tinha se abaixado e pegado algumas fotos.
— A reunião foi o de sempre. Essas são as caixas do seu passado excêntrico? – ele estava olhando uma foto em que estou fantasiada de Gene Simmons do Kiss.
— Isso é particular, Castle. – puxei a foto de sua mão mas, seus olhos brilhavam como uma criança numa loja de brinquedos e, para minha infelicidade, ele pegou logo a única caixa que não deveria nem imaginar que existia.
— Uau! O que temos aqui? Lembranças dos seus ex-namorados. – revirei os olhos e tirei a caixa das suas mãos.
— Castle, amor. – estava tentando não perder a paciência com ele. — Eu te conheço e sei que sua curiosidade acabou de atingir o ápice da escala mas, como eu já disse, são coisas particulares.
— Ok, não vou mexer em mais nada. Mas, nós vamos nos casar em pouco tempo e, não seria melhor, se nós resolvêssemos todas as pendências do passado. – ele fez aquela carinha de cachorro pidão.
— O que você quer é remexer nas minhas coisas e, eu não quero brigar com você por causa disso. – balancei a caixa para ele e, me sentei ao seu lado no sofá.
— Não confia em mim? Não posso jurar que não ficarei com ciúmes mas, você pode me beliscar se eu passar dos limites. E, já que me conhece tão bem, sabe que eu não vou esquecer que essa caixa existe, pelo resto das nossas vidas. – coloquei as duas mãos no rosto, eu sabia que ele iria me atormentar para sempre.
— Tudo bem. Vamos fazer assim, vou abrir a caixa e, responderei tudo o que quiser, por isso, tome cuidado com as perguntas e, se passar dos limites, eu fecharei a caixa e, não falaremos mais nela. Combinado? – espero não me arrepender disso.
— Combinado. – ele pegou a caixa e colocou no colo novamente, de novo, parecia um menino no parque de diversões.
A caixa tinha várias fotos e objetos dentro, cuidadosamente, ele pegou o primeiro item.
— Uma pulseira de contas com as iniciais ‘K & M’, parece fofo. Primeiro namorado? – tomara que as deduções dele não sejam tão corretas como essa.
— Michael, nós estudamos juntos na quinta série e ele tinha uma quedinha por mim. Foi uma gracinha ele ter feito isso para mim. Ainda usava aparelho na época, algumas crianças riam de mim e, toda manhã, ele me esperava com alguma lembrancinha, geralmente um chocolate ou uma flor. A pulseira foi uma das únicas coisas que eu podia guardar. – ele então recolocou a pulseira na caixa. — O que está fazendo? Pensei que jogaríamos as coisas da caixa fora?
— É uma boa lembrança, vale a pena guardar. – ele sorriu para mim. — agora o que mais temos, uh! – ele pegou um cartão com uma rosa seca dentro. — Acho que desse eu não vou gostar.
— Anthony... Foi meu primeiro beijo. – ele fez uma careta.
— Sabia que eu não ia gostar. – mas também guardou na caixa. — Ele pode ter sido o primeiro mas, eu serei o último. – se aproximou e me deu um selinho.
Após algum tempo separando lembranças da minha adolescência e juventude, ele pegou uma foto tirada no Rockefeller Center. Eu estava sentada no gelo após uma queda e Will Sorenson, ria enquanto tentava me levantar. Um rapaz com uma Polaroid, tirava fotos ao redor da pista de patinação e, depois vendia para os fotografados.
— Você está linda nessa foto, pena que ele está junto. – eu peguei a foto da mão dele, tinha sido um bom momento. — Você gostava dele?
— Essa é a pergunta? Tem certeza? – ele pensou um pouco e assentiu. — Sim, eu gostava dele. Nos divertimos juntos, ele me ajudou com o meu luto, por um momento, ele sabia mais de mim, do que eu mesma, mas...
— Mas, o quê?
— Ele foi embora, tinha outras prioridades e, nenhuma delas me incluíam. Quando tivemos aquele caso da Ângela Candela, ele me pediu outra chance. Eu recusei, ele já tinha perdido a chance dele, anos atrás. – ainda olhava a foto, então, simplesmente a rasguei. Tivemos momentos bons mas, no final, algumas lembranças que ficaram, não valiam a pena irem para a caixa.
— Vejamos, ah! Tom Demming. Não gostava dele, era bonito demais. – eu ri da expressão dele. — Vocês terminaram naquele verão que fui para os Hamptons, não é?
— Na verdade... Não. – devo ter feito uma cara de confissão, porque ele ficou intrigado. — Eu terminei com ele, no dia que você viajou.
— Sério! Você nunca me disse nada.
— Eu não disse, porque eu terminei com ele, por sua causa. – era melhor confessar logo de uma vez.
— Como assim?
— Ele é um cara bacana e tudo o mais mas, quando você disse que queria um tempo e, que iria embora eu... eu não queria que fosse. Foi aí que eu descobri que o que eu sentia por você, estava além do profissional. Eu terminei com o Demming, porque... naquele dia, eu ia aceitar o seu convite. Mas, quando a Gina apareceu, meu mundo desmoronou e, você não ligou mais. – ele estava boquiaberto, talvez em choque.
— Isso é sério? – assenti. — Então, quer dizer que... Você devia ter me falado. Eu nunca trocaria você pela Gina, só fiz isso porque você estava com o Demming e...., eu queria que fosse feliz, mesmo que não fosse comigo. – ele estava tão culpado.
— Não se culpe, meu amor. Eu sei que eu sempre fui complicada, não tinha como você saber. Estamos juntos agora, isso é o que importa. – ele inspirou fundo e me passou a foto do Tom. Olhei mais um pouco e, depois rasguei em quatro partes, colocando na pilha dos rejeitados.
— E finalmente, o Dr. Vamos Salvar o Mundo. – Josh estava abraçado comigo, estávamos encostados na moto dele.
— Castle! Não precisa ser infantil também. – ele cruzou os braços e fez bico. Sim, ele era infantil.
— Ok, se você já gostava de mim, por que ficou com o Dr. Super-Homem? – com cara de indignado, deu um peteleco na foto.
— Não é óbvio, você estava com a Gina e, eu queria que fosse feliz. – fiz uma cara de obviedade. — E mesmo quando terminou, o Josh sempre foi muito bom comigo, não era justo terminar com ele assim. Você sempre foi mulherengo e, ainda tinha medo de me entregar. Estava com ele, porque eu tinha certeza, que não havia risco de me apaixonar. – ele estava sério.
— Mas, você terminou com ele quando levou o tiro. – seus olhos azuis não perdiam nenhuma expressão minha.
— Terminei ainda no hospital. Até aquele dia, não tinha certeza se você sentia por mim, o mesmo que eu sentia por você. Então, você disse que me amava. Eu pirei, não sabia como lidar com aquela situação e, tinha que ser justa com o Josh, ele não tinha mais espaço na minha vida. – quando ele parou para pensar, eu sabia o que viria.
— E você mentiu para mim. Por um ano. – a tristeza era visível e, isso me doeu.
— Eu sei, me perdoe. Eu precisava me curar, não só do tiro mas, de tudo. Meu medo de envolvimento, de perda e de me entregar ao desconhecido. Amar você, como eu amo, ainda é um mistério para mim. Mas, você me ensinou a confiar, a me entregar e a abraçar esse sentimento tão forte e desconhecido, o amor. – seus olhos brilhavam novamente. Eu ia pegar a foto da mão dele para rasga-la mas, ele a puxou de volta.
— Se me der as honras, terei o imenso prazer de fazer isso. Ele até podia ser o genro que toda mãe gostaria de ter mas, o Dr. Sempre me dava nos nervos. Posso? – com um sorriso, lhe dei permissão. E ele rasgou a fotografia em pedaços tão pequenos quanto foi possível.
— Então, Sr. Richard Castle. Está satisfeito? – me ajeitei em seu colo, abraçando o seu pescoço.
— Estou mas, só porque eu nunca vou parar dentro dessa caixa. Você é minha agora e para sempre. – o beijei de forma longa e profunda.
— Pode ter certeza disso e, sabe por que? – balançou a cabeça em negativa. — Porque o seu lugar não é dentro daquela caixa e sim, dentro do meu coração e, uma vez ali dentro, nunca mais poderá sair. – ele se levantou, comigo ainda em seu colo e começou a ir para o quarto.
— Eu sinto te informar, Detetive. Mas, acho que não irá terminar sua faxina hoje. – chegamos no quarto e ele me deitou delicadamente, se posicionando em cima de mim.
— Faxina? Eu já nem pensava mais nisso desde que você chegou. Posso sugestionar coisas muito mais agradáveis para fazermos agora.
— É? Como o quê? – ele fazia uma trilha de beijos em meu pescoço.
— Se eu te contar, perde a graça. Melhor eu te mostrar. – e desabotoando sua camisa, tinha certeza de que ele é, foi e sempre será, o único homem capaz de me fazer feliz. E, todos os outros que passaram na minha vida, eu realmente não me importo com nenhum deles.
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