Um Amor, Dois Corações e Mil Confusões.
14 Oceano
Notas iniciais
Oceano (Djavan)
Assim
Que o dia amanheceu
Lá no mar alto da paixão
Dava pra ver o tempo ruir
Cadê você? Que solidão!
Esquecera de mim
Vem me fazer feliz
Porque eu te amo
Você deságua em mim
E eu oceano
Esqueço que amar
É quase uma dor
Só sei
Viver
Se for
Por você
CASTLE
Ele observava os primeiros raios de sol surgirem no mar, estava em sua varanda nos Hamptons, com uma caneca de café fumegante nas mãos. Olhou novamente para o café, exalava um aroma conhecido e que, inevitavelmente, lembrava ela.
O dia amanheceu completamente, dando as águas um tom esverdeado, assim como os olhos dela. Sacudiu a cabeça, como se quisesse que todos os pensamentos saíssem dali, com a força centrífuga. Não funcionou, como já era esperado. Ele tinha partido, ficado longe, para esquecê-la e deixar que fosse feliz. Ela estava com o Demming agora, e ele, por incrível que pareça, estava com a Gina.
Passaram-se dois meses, dois meses de saudades, do seu sorriso, da sua beleza e inteligência e, até do seu olhar triste, de quando ficava perdida em pensamentos e, não percebia que ele estava olhando. Sentia falta até de quando ela brigava com ele, fingindo estar brava sem realmente estar.
O livro estava quase terminado, logo teria que voltar para Nova York, para todos os lugares que lembravam ela. Será que Kate já tinha se esquecido dele? Será que ela estava feliz? Por mais que doesse em seu peito, esperava que sim. Ele a amava, como jamais iria amar mais ninguém e, o que mais desejava, era que fosse feliz, mesmo que longe dele.
Tinha que tomar outro rumo em sua vida, o mundo não parou quando ele a perdeu, as ondas continuavam indo e vindo sem parar, para provar a ele a verdade, que ela nunca viria para seus braços, que ela não o ama, como ele a ama, que teria que aprender a conviver com a dor e viver na solidão.
— Droga, Kate! Por que você não sai do meu pensamento, do meu coração. Eu já não sei o que estou fazendo da minha vida, parece que eu só sei viver, se for por você. – e, antes que pudesse continuar a se lamentar pelas suas dores, sentiu um par de braços o envolverem num abraço.
— Falando sozinho, Richard. Quando me levantei e não vi você na cama, achei que tinha acontecido um milagre. – ela recostou a cabeça em minhas costas.
— Como? – ainda estava envolto nos pensamentos anteriores.
— Você acordando cedo? Pensei até que tinha tido uma ideia no meio da noite e ido escrever. Já que sempre fica perdido em pensamentos e quase não se dedica ao livro. – porque o livro foi inspirado nela, só por isso.
— Eu ia fazer isso, só decidi tomar um café antes e, Gina, não me apresse, se me sentir pressionado, não consigo escrever nada. – ela tinha razão, tinha que terminar o livro, havia mais dois meses para isso.
— Como quiser. – puxou meu rosto com apenas uma das mãos e me deu um beijo estalado. — Vou aproveitar o sol e ir para a praia, assim deixarei você trabalhar em paz.
Ela se retirou e ele passou mais alguns minutos olhando para o oceano esverdeado, como os olhos dela.
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