Um Amor Complicado.

9 Capítulo 9 - Quase.


Notas iniciais
Konnichiwa! Tudo bem com vocês? Sim, eu sei que demorei para caramba dessa vez. Peço perdão! Mas o capítulo ficou tão bonitinho que... Sei lá, eu gostei =3 uheeuheuehe Hoje eu estou muito convencida, só acho u.ú KKK' Bom, vou agradecê-los!! Raquel Ohara, Irial kun, Monkey D Amanda, Lillyan Thais, Roronoa Aninha, Mya Albarn, PaumDoLaw (gostei do novo nome, é quase um trocadilho, kkkk), Sogequeen, Tamy, FoxxyLady, JkUchiha e Liza Swan, obrigada pelos reviews! São todos lindos e eu amei cada um deles! Estou apaixonada! kkkkkkkk E nalissa e Sanny Chan, sejam bem vindas! A Naka-chan (vulgo eu) está muito feliz por todos os comentário do capítulo anterior! Uhu! >w< O capítulo, como eu disse, ficou mais fofo do que qualquer outra coisa. Aproveitem! Boa leitura!

Capítulo 9

POV Sanji

Passou-se uma semana desde que cheguei à Alemanha, e meus dias não têm sido nada além de exames preparatórios para a cirurgia, comer e dormir. Além disso, Chopper me prende todos os dias, para aplicar a insulina e pingar o colírio nos meus olhos.

Há alguns dias conheci o neurocirurgião que vai me operar junto com Chopper e o Dr. Klaus, um homem com voz arrastada, já de idade. Chopper mencionou que ele tem seus 56 anos, o que me tranquilizou bastante, por causa da experiência no ramo.

E, dentro do quarto de hotel, estou estirado na cama, fazendo absolutamente tudo o que Chopper me pediu para fazer. Ou seja, merda nenhuma.

Ah, sim! Claro. – ouço. Fico mais atento, e percebo ser a rena, falando com alguém pelo telefone. – Eu vou explicar para ele. Acabei de chegar ao hotel.

Explicar o quê?

Ouço suas patas batendo no chão ao passarem pela sala e virem para o quarto.

– Também vou informa-lo sobre isso. Obrigado, Dr. Klaus! – agradece ele, feliz. Sento-me na cama e toco meus olhos, sentindo os tampões perfeitamente firmes.

– Me informar sobre o que? – pergunto, curioso.

– Sua cirurgia foi marcada, Sanji! – exclama, alegre e se sentando na cama. – Isso não é ótimo!?

– Claro. – respondo. – Será mais ótimo ainda se eu sair vivo dela.

– Você está sendo pessimista demais. – observa ele. – Relaxa. Você está em boas mãos.

– É só que... Foi tudo tão repentino. – respondo, suspirando. – Tanto quanto a minha morte também pode ser.

Ele toca minha mão.

– Tem uma coisa que preciso te explicar. – fala, e diante de meu silêncio, continua. – Nós vamos ter alguns problemas quanto à sua má cicatrização. Querendo ou não, o seu diabetes e num nível completamente diferente de qualquer outro.

– Sim, eu sei. E vão me cortar aonde? – pergunto.

– Em várias partes. – responde. – Primeiro, na cabeça. Precisamos abrir seu rosto, um pouco a frente das orelhas.

Ele toca a parte que será aberta, perto das minhas costeletas.

– Então, nós vamos fazer o contorno do seu rosto, pela parte da frente. – continua. – Depois, tudo será puxado para baixo.

– E depois vão quebrar meu crânio?

– Exato. Precisamos “mexer” no seu cérebro, afinal. – responde, e eu assinto. – Nós não vamos cortar seu cérebro, fica tranquilo.

– Como se eu pudesse ficar tranquilo. Vocês vão quebrar minha cabeça. – comento, e ele ri um pouco.

– Vai dar certo, Sanji. Estou confiante.

– Eu também. – respondo, segurando sua pata. – Chopper, me faça viver.

– Sim.

POV Zoro

Já estamos neste hotel há seis dias.

Quando desembarcamos na Inglaterra, aconteceu algo inacreditável: Nami se perdeu. Sim, dessa vez não fui eu. Foi ela, e me levou junto.

– Eu ainda não acredito que você não tem o número de celular dele. – diz Nami. – Estamos procurando-o no nada.

– Eu sei, mas não posso fazer nada. Ele tem meu número, mas nunca peguei o dele. – suspiro, sentindo o cheiro de mofo do quarto. – A gente não pode mesmo ir para a Alemanha?

Vidrada numa lista de hotéis de Munique, Nami quase não me dá atenção.

– Não. Se formos, vamos ficar igual estamos agora.

Então, meu celular treme no travesseiro. Atendo sem nem me certificar do número.

– Oi.

– Roronoa, onde você se meteu? – ouço, dando um pulo. Nami se espanta.

– Mihawk!? – grito. – É você?

Claro. Quem mais seria? – pergunta de volta. – Porque eu só consegui falar com você agora? Estou tentando há dias.

– Eu não estou no Japão. – conto. – Vim para a Inglaterra, te encontrar.

Você veio para cá? – pergunto, surpreso. – Por quê?

– Motivos pessoais. – respondo, envergonhado. – Só me diga onde você está.

Bom, a minha casa fica em Londres. – responde. – Na rua...

– Não, espera. Fala o endereço para a Nami.

Passo o celular, e ela começa a anotar o endereço num papel.

– Certo. Obrigada, Mihawk. – agradece ela. – Estamos surpreendentemente perto. Estaremos aí em vinte minutos.

Ao desligar o telefone, ela me encara, feliz.

– Finalmente vou dormir numa cama decente. – exclama, já guardando suas coisas.

– Finalmente vou dormir longe de você. – respondo, sem pensar. Claro, levo um bom cascudo. Dormir na mesma cama que a Nami não é legal. Ela se mexe muito, fala enquanto dorme, e ainda por cima é espaçosa.

– Vamos, vamos. Temos que ir. – fala, já abrindo a porta. Pego todas as minhas coisas e enfio na mala de qualquer jeito, saindo do quarto. – Adeus, mofo e cheiro de suor!

Leva exatos vinte minutos para chegarmos na mansão, de carro. Mihawk nos espera no portão.

– Mas o que... – murmuro, saindo do veículo.

Admiro a casa. Há um jardim enorme, com cercas vivas em volta. A mansão, que mais parece um palácio, parece aqueles casarões antigos que aparecem em filmes. Na verdade, não duvido que seja isso mesmo. Deve ser a residência mais bonita da Europa.

– Porque diabos a sua casa tem uma escadaria? – pergunto. – E para quê tantas janelas?

Antes de tudo, ele aperta a minha mão, cumprimentando-me.

– Esta casa foi construída há muitas gerações, Roronoa. Naquela época, era sinal de riqueza ter várias escadas, jardins e até mesmo pilares, como você pode ver.

– Ainda é sinal de riqueza. – interrompe Nami, e Mihawk tem um arrepio.

– Você. – resmunga, com uma expressão de completo desgosto. – Nem tente arrombar meu cofre.

– Fica calmo. – responde ela, sorrindo. – Estou aqui só para aproveitar as suas instalações.

Ele nos leva até a parte de dentro da casa. Nós passamos pela sala de estar (ridiculamente grande), e paramos na sala de jantar, onde ele tira nossas malas e nos oferece chá.

– Então, a que devo a visita de vocês? – pergunta ele, sentando-se junto a nós.

– Preciso ir para a Alemanha. – revelo.

– Então porque veio para cá? – pergunta o óbvio.

– A Nami quis economizar o dinheiro da boa hospedagem. – respondo. – Como ela se perdeu, acabamos num hotel velho, caindo aos pedaços.

– Foi sem querer! – defende-se, sorrindo.

– Eu posso hospedar vocês por, no máximo, dez dias. – fala, ignorando-a. – É quando minhas férias acabam.

– É mais do que o suficiente. – respondo. – Mas preciso ir para a Alemanha.

– Eu pensei que poderíamos alugar uma lancha ou algo do tipo... – resmunga Nami, e eu suspiro.

– Lancha? Para quê? – pergunta ele.

– Para chegarmos à costa da Holanda. Depois, pagaríamos um táxi para irmos até a Alemanha. – responde.

Ao ouvir isso, Mihawk começa a rir. Assusto-me.

– Não é possível... – murmura, voltando ao normal. – Vocês planejavam fazer tudo isso?

– Sim. Algum problema? – pergunta ela. Estou completamente confuso.

– O problema é que a Navegadora esqueceu de analisar os mapas políticos da Europa. – fala, pigarreando. Em uma busca rápida, ele encontra um mapa, no iPad.

– E daí? – pergunta ela.

– Está vendo essas linhas vermelhas? – pergunta ele, e nós assentimos. – São linhas de metrô.

Levo uns cinco segundos para assimilar a proposta.

– Puta que pariu! – exclamo. – Como eu não pensei nisso antes? Posso pegar a porra do metrô!

– Exatamente. Se você entrar no metrô aqui em Londres, estará em Berlim em... Vinte horas? – pergunta-se. – É, por aí. Levando em conta que o metrô daqui é muito rápido, lógico.

– Não, eu não vou para Berlim. Vou para Munique. – informo.

– Então a gente pode arredondar para um dia. Afinal, Munique é no sul, mais perto da Áustria.

– Ótimo. Um dia está ótimo. – falo.

– Não é melhor um voo de emergência? – pergunta, e Nami nega.

– Sem chances. Os aeroportos da Alemanha estão temporariamente parados, por causa da chuva de verão. – responde Nami.

– E porque eu deveria acreditar em você? – pergunta ele.

– Porque eu tenho doutorado em Meteorologia, meu bem. Consigo sentir o cheiro da chuva daqui. – responde ela, sorrindo. Mihawk se cala, resmungando.

– Bom, eu vou indo. Quanto é a passagem? – pergunto.

– Leve uns quinhentos euros. A passagem deve ser muito mais barata do que isso, mas você vai ter que fazer várias baldeações. – comenta ele, e eu assinto. – Você também tem que comer.

– Nami, me dê o dinheiro. – peço, e ela me entrega o dinheiro convertido dos yenes.

– Zoro, tome cuidado. Não hesite em pedir informações. – pede. – Siga o que as placas dizem. E acima de tudo: não se perca.

– Sim, senhora. – falo.

– Eu te levo até a estação principal de Londres. – oferece Mihawk. – Prometo que vou trazer seu carro em segurança. E Nami, não estrague minha casa.

Pego minha mala e dirijo-me à saída.

– Aye, Sir! E Zoro, Itterasshai*! – grita ela, quando já estou na escadaria da mansão.

– Ittekimasu*! – respondo.

Então, dou início a mais uma viagem.

POV Sanji

Não consigo ficar quieto. Não posso ficar quieto.

Zoro não sai da minha mente, e eu me sinto infinitamente culpado por não ter falado com ele. Eu sou adulto. Eu deveria ter coragem de enfrenta-lo e dizer o que precisasse. Não. Você é um covarde de merda. Seu bosta.

Mas como eu poderia? Com todo aquele jeito de me tratar bem e fazer eu me sentir especial... Eu não conseguiria. Não gostaria de senti-lo distante. Que gênio, Sanji. Não quer senti-lo distante e vai para a Alemanha. Parabéns.

Por algum motivo, nossa última noite também não sai da minha mente. Sim, eu sei que isso é infinitamente gay, mas não me importo. Foda-se o pensamento da sociedade. O fato que me assusta é que eu não desgostei daquilo.

Foi extremamente dolorido? Foi.

Eu senti como se uma batata-doce estivesse sendo enfiada no meu rabo? Sim.

Mas... Também foi bom. Não, “bom” é um eufemismo. Foi mais prazeroso do que qualquer transa que já tive. E eu estou assustado com isso, por que... Ele é o único homem que já me fez sentir deste jeito.

Normalmente os homens me odeiam, por todas as mulheres gostarem de mim. Claro que este ódio é mútuo, já que eu também não gosto de homens. Mas com o Zoro é diferente. Ele não se importa se eu sou homem, mal educado, arrogante, ignorante ou cego. Para ele, eu sou simplesmente uma pessoa. É o primeiro ser humano que me tratou como um igual. Todos os que me conhecem logo começam a me tratar diferente, só porque sou deficiente visual. E isso sempre me irritou.

Ele não. Além de não se importar, ainda lutou comigo e me ajudou com as seringas e todo o resto.

Aquele filho da puta. Fazendo-me pensar nele tanto assim. Que raiva.

E aquela voz... Desgraçado. Mil vezes desgraçado. Por que ele tem que ter um cheiro tão bom? Porque ele tem que ser tão carinhoso? Por que ele tem que ser tão confiável? Porque ele me disse que está apaixonado? Qual o seu problema, Zoro? Seu idiota...Porque você me excita tanto? Você é a droga de um homem, seu porra...

Ouço o celular do Chopper tocando, e como sei que ele está no banho, saio correndo para atender. Deslizo o dedo na tela e coloco-o no ouvido.

– Sim? – pergunto, e ouço vários sons. É como se o outro lado da ligação estivesse num lugar com muitas pessoas.

– Alô? Chopper? – ouço, junto com um apito de metrô.

– Quem é? O Chopper está tomando banho, não pode atender no momento... – falo, mais alto.

Alguns instantes se passam, sem resposta.

– Tem alguém aí? – pergunto, suspirando de tédio.

– Sanji. – ouço. Meu corpo inteiro se arrepia ao reconhecer a voz rouca. – É você.

Um nó se forma em minha garganta. Não sei se quero rir, chorar, ficar triste ou com raiva.

Por causa da mistura de emoções, não sai nada da minha boca. A ligação fica envolta em uma tensão quase palpável, e parece que um está esperando o outro dizer algo.

– Não vai me deixar ouvir sua voz? – ele diz. Ao contrário do que eu pensei, sua voz está cheia de... Carinho. – Sanji... Por favor... Por que você se foi sem me falar nada?

Ouço sua súplica e, depois de muitos anos, meus olhos se enchem de lágrimas, que encharcam os tampões. Tento engolir o choro o máximo que posso, e abro a boca.

– Se você não quiser falar, tudo bem. Eu entendo. – interrompe ele, e parece sentir dor. – Só... Diga para o Chopper me retornar a ligação o mais rápido possível.

Responda ele, seu babaca. Responda-o.

– Eu... Não, esquece. – começa novamente. – Espero que esteja bem. Estou feliz que esteja vivo.

Então, a ligação termina. Deixo o celular em cima da mesa e tiro os tampões, secando meus olhos.

Estou espantado. Não achei que estava sentindo tanto a sua falta, até ouvir sua voz. Merda.

Que ridículo. Por que eu não disse nada?

Volto para o quarto e ligo a televisão, num programa aleatório. Não posso assistir mesmo. Deito-me de bruços, com o rosto no travesseiro. O cheiro de amaciante invade meu nariz.

Eu quero enxergar tudo o que ele diz ser tão fantástico e bonito. Quero conhecer as cores e aprender a ler, a escrever normalmente. Quero poder andar por locais desconhecidos sem ter que usar uma bengala. Quero poder me olhar no espelho e falar com as pessoas, reconhece-las pela aparência.

Eu... Quero vê-lo.

Aquele: “Estou feliz que esteja vivo” me derrubou totalmente. Eu já não estava muito resistente quanto à situação, e ao ouvir esta frase... Senti-me a pior espécie de homem. Sim, porque um homem de verdade, encara as coisas de frente. Um homem de verdade não foge.

Ouço a maçaneta da porta do banheiro.

– Sanji, está tudo bem com você? – pergunta ele, e eu apenas aceno com a cabeça. – Tem certeza?

Não.

– Tenho. – minto. Depois de alguns instantes, ele sobe na cama.

– Assim você não vai conseguir respirar. – avisa, rindo um pouco.

Suspiro e viro-me para cima, encostando a parte de trás da cabeça no travesseiro macio.

– O quê!? – pergunta-se, encostando sua pata gelada em minha bochecha. – Sanji, seus olhos estão vermelhos e inchados. Isso é conjuntivite? Ou...

Suspiro novamente, colocando a mão na testa.

– Você andou chorando? – pergunta, e eu sinto uma preocupação fraternal em seu tom de voz.

– Não aconteceu nada. – respondo, virando-me de costas pra ele. Porém, ele me vira de volta.

– Aconteceu sim. Você não chora por nada. – ressalta. – Você confia a sua vida a mim, mas não pode me contar o que houve?

Merda. Ele é bom em argumentos.

– O Zoro ligou no seu celular.

– Zoro!? – exclama, já pulando da cama e indo em direção ao celular. Ele se esqueceu totalmente do motivo da conversa. – Que legal! Você atendeu para mim?

– Sim. Ele pediu para você ligar de volta.

– Arigatou, Sanji! Vou fazer isso agora mesmo! – diz ele, feliz.

O celular do Chopper é algo completamente estranho. Tem touch screen, mas também tem um teclado de números que desliza para baixo quando você quer usar. É um modelo mais antigo de celular, mas é perfeito para ele, afinal o touch screen capta o calor dos nossos dedos, e as patinhas do Chopper são geralmente frias.

– Zoro! – exclama ele, feliz da vida. – Tudo bem!?

Alguns segundos de silêncio se seguem, mas eu consigo ouvir os barulhos vindos de celular.

– Você fez o quê!? – grita a rena, e eu me sento na cama, espantado. – Como assim? Está maluco!? Por quê?

Mais alguns segundos de silêncio. Surpreendentemente, Chopper se acalma.

– Sim. Entendi. – responde. – Mas está tudo bem?

Novamente, uma pausa.

– Certo. Te passo um e-mail com as informações. – ouço. Em seguida, um riso. – Zoro, você é o máximo.

Então, a ligação se encerra.

– O que ele queria? – pergunto, curioso.

– Ele queria saber se você estava bem. – responde, rapidamente. – Ele está muito preocupado, Sanji.

– E você vai mandar e-mail para quê? – pergunto novamente.

– Vou enviar o dia da sua cirurgia e o resumo do que descobrimos sobre os procedimentos. – fala ele. – Eu posso?

Simplesmente dou de ombros.

– Claro. – respondo. – Vai falar que vocês vão arrancar meu rosto e grudar de novo?

– Eu já te expliquei, Sanji. Não é assim. – corrige, e eu suspiro.

– Mas é quase.

– Eu não mencionei que nós vamos fazer um transplante de córnea, também. – fala, e eu me assusto.

– Vão arrancar meu olho fora!? Você estão malucos!? – exclamo, levantando-me da cama rapidamente. Seguro-o pelos ombros.– Não!

Não, isso eu não posso. Prefiro ficar cego.

“- Seus olhos absolutamente não são estranhos. E “normais” seria um insulto, no seu caso. Não consigo parar de observá-los.”. Não posso deixar essa lembrança ir para o lixo.

– Calma, Sanji. Eu não vou tirar o seus olhos. Não tem como eu fazer um transplante de olhos. – fala ele, tentando me tranquilizar. – A córnea é a gelatina que fica na parte da frente do globo ocular. Vai te ajudar a enxergar, depois da recuperação.

– Ah. – resmungo, aliviado. – Graças a Deus.

– Por que ficou tão desesperado? Não é normal, vindo de você. – observa, rindo.

Sinto meu rosto esquentar.

– Eu só quero poder enxergar com meus próprios olhos, poxa. – murmuro, numa mentira muito ruim.

– Isso é bom. Há um tempo você não se importava com nada disso. – ressalta. – Você começou a mudar de opinião quando chegou ao hospital com um ataque epilético. Lembra? Quando o Zoro te levou, junto com a Nami.

– Lembro. Faz umas duas semanas. – comento, contando mentalmente os dias.

– É. – concorda. – Mas você não acha isso uma incrível evolução?

– Como assim?

– Desde que eu te conheço, você nunca se importou com visão ou coisa parecida. Só queria tratar a diabetes. E então, de repente, você quer conhecer o mundo? – pergunta-se. — Fiquei assustado quando ouvi isso pela primeira vez. Afinal, você tem quanto? 22 anos? É muito tempo com um pensamento empacado.

– Tem razão. – assumo. – Eu deveria ter sido menos ignorante.

– O importante é que você mudou seus pensamentos. Eu não sei quando nem como, mas sei que o Zoro teve um papel fundamental nisso tudo. – continua. Chopper, você já foi menos esperto. – Quando encontra-lo novamente, agradeça-o propriamente.

Sorrio, impressionado com sua habilidade de parecer um pai.

– Sim, Doutor Chopper. – concordo. – Obrigado.

Ele começa a fazer a “dancinha do elogio”.

POV Zoro

Olho no celular. Quase onze horas da noite.

Acabo de chegar à estação principal de Munique, e honestamente, demorou mais do que eu pensava. Saí de Londres à tarde, um pouco depois do almoço, ontem. Demorou mais de um dia, afinal.

Tudo bem que eu peguei a direção errada algumas vezes, mas isso não vem ao caso.

Procuro pelo endereço do hotel novamente no celular, e coloco no Google Maps. O aplicativo me dá quarenta minutos andando.

Olho para a avenida e vejo uma fila de táxi imensa. Ótimo, não tenho como pegar um táxi. Também não vou me atrever a pegar um ônibus. Ah, foda-se. Vou correndo mesmo.

Coloco no GPS do celular e enfio o fone dos ouvidos, ouvindo as instruções da mulher que me guia.

Olho no celular novamente, quando chego ao saguão do hotel. O edifício é monstruosamente bonito, e parece muito caro.

Ofegando, coloco as mãos nos joelhos. Corri tanto que não consigo nem ficar de pé direito.

– Com licença... – falo, chamando o porteiro. O Senhor vem me atender. – O Senhor fala a minha língua?

Sorry... I don’t understand.*– responde, e eu suspiro.

Merda. É lógico que ele não fala japonês. E eu estou cansado demais para ficar enrolando minha língua para falar inglês.

Faço alguns gestos para pedir um papel e uma caneta, e quando ele me entrega, escrevo: “Room 901”. Devolvo e ele, ao invés de me anunciar, me entrega um cartão para passar direto na catraca.

Sorrio, agradecido. Acho que ele pensou que estou hospedado. Bom, que seja.

Passo pela catraca e chamo o elevador. Quando chega, aperto o botão com o número “9”, depois de passar o cartão novamente.

Certo. Estou suado, não tomo banho faz quase dois dias, estou morrendo de fome e com sono. Ainda por cima, são duas horas da manhã. O caminho que era para ter sido feito em vinte minutos, eu fiz em três horas. Fantástico, Zoro.

Saio do elevador e entro no corredor, procurando a porta do 901. Uma ansiedade repentina toma conta de mim.

Até que enfim.

Notas finais
*Ittekimasu! - "Estou saindo!" *Itterasshai! - "Volte em segurança!" *Sorry... I don't understand. - "Desculpa... Eu não entendo." _____________________________________________________________________________ Então, curtiram? No próximo capítulo, teremos o reencontro! *u* Estou gostando muito de escrever essa fanfic, graças à vocês. Obrigada, queridas e queridos leitores! E LEITORES FANTASMAS, VENHAM DAR O AR DE SUA GRAÇA! DEIXEM-ME CONHECÊ-LOS E AGRADECÊ-LOS! *--------* Qualquer pergunta: ask.fm/NakayamaKaori Obrigada por ter lido até aqui! Beijos e até o próximo capítulo! XD *3*