Um Amor Complicado.
21 Capítulo 21 - Pelo menos algo dá certo.
Notas iniciais
Capítulo 21
Corro para fora. Da calçada, vejo Zoro deitado no asfalto. É como se o tempo tivesse parado. Uma angústia paira em meu peito, e sinto como se tivesse uma bola de ping-pong na minha garganta.
É como se meu cérebro se recusasse a acreditar.
Ando rapidamente até ele e me ajoelho ao seu lado.
– Zoro? – pergunto. Algumas lágrimas ameaçam cair por meu rosto.
Sem sua resposta, começo a murmurar coisas desconexas, como “você não pode morrer, fique vivo, fique comigo, não vá para a luz branca, não morra, por favor, viva”.
– Meu Deus! O Zoro! Robin, chame uma ambulância! – grita Chopper. Ele corre em minha direção, em seu Heavy Point.
Sem saber o que fazer, coloco o ouvido no peito de Zoro. Ouço seu coração, um som molhado e falhado.
Passo minha mão por baixo de sua cabeça, e assusto-me ao sentir algo melado e quente escorrer por meu braço. Apoio sua cabeça em meu colo e ponho a mão limpa em seu rosto.
– Sanji, preciso de ajuda. – fala Chopper, concentrado. Eu não percebi, mas ele rasgou a roupa de Zoro, expondo seu tronco. – Zoro não está respirando.
– C-Como? – pergunto. – E o que eu faço?
– Respiração boca a boca. – fala, passando os dedos pelas laterais de seu tronco.
Assinto e tampo a boca de Zoro com a minha, fechando seu nariz.
– Uma. Duas. Três. Três costelas quebradas. – murmura Chopper. A essa altura, estamos rodeados de pessoas. – Seu tórax está esmagado.
Sinto que o ar começa a entrar, e Zoro aspira um pouco, para logo tossir com força.
– Ótimo. Cadê a ambulância? Preciso leva-lo para o hospital imediatamente. – fala. – Com certeza seu pulmão foi perfurado por uma costela. A bacia está deslocada, também.
– Chopper, a cabeça dele está sangrando muito. – falo, desesperado. Minha voz treme pelo choro. – O que eu faço? Pelo amor de Deus, salve-o.
Ele me olha.
– Não se mexa nem um centímetro. A única coisa que podíamos fazer, você fez. Agora, acalme-se.
– Acalmar? Como? Cadê a porra da ambulância!? – grito, à beira da loucura. Olho ao meu redor, para o bando de pessoas curiosas. – CHAMEM UMA AMBULÂNCIA!
Neste momento, Robin vem correndo e se ajoelha ao meu lado.
– Eu chamei a ambulância e os bombeiros. – fala. Seus olhos encontram meu colo e minha calça molhada. – Meu Deus!
Da parte de trás da cabeça de Zoro escorre cada vez mais sangue. Não parece ter quebrado o osso, mas o corte foi bem fundo.
O que eu faço? Não quero perde-lo. Ele não pode morrer. Não sei o que fazer. Ele não merece nada disso.
O único que merece qualquer coisa assim sou eu.
Como se voltasse no tempo, lembro-me de nossa última conversa.
“- Está desistindo de mim? – pergunto, quase derramando meu choro.
– Sim, estou desistindo de você e do seu amor. – declara. – Agora você pode se considerar um homem realmente livre.”
Volto a realidade novamente, e sinto como se as minhas costelas tivessem perfurado meu coração, pulmão, estômago, fígado... Tudo.
Abaixo minha cabeça até poder beijar seu queixo. Seguro seu cabelo gentilmente, acariciando sua testa. Vejo minhas lágrimas de desespero caindo em seu rosto sereno.
– Zoro, por favor... – suplico, num sussurro. Ele nem ao menos se mexe. – Zoro, não... Não morra. Por favor, Deus, não o leve agora. Por favor, não o leve. Não é hora. Ele não merece. Não desista, Zoro.
Como se uma bolha se instalasse à nossa volta, o mundo fica em silêncio. Não ouço as pessoas conversando, o barulho de buzinas... Nada. Só o som de minha respiração.
Segurando seu queixo com as pontas dos dedos, beijo seus lábios levemente, passando para suas bochechas, pálpebras e testa.
A culpa que me rodeia nunca foi tão pesada e forte. Tudo o que aconteceu foi por minha causa. Ele está morrendo por minha causa. Fecho os olhos e recorro à minha última centelha de fé.
Se Zoro viver, eu prometo que entrego minha vida insignificante em suas mãos. Não é nem de perto tão merecida e maravilhosa como a dele, mas pode levar. Eu não ligo. Eu só quero que... Ele viva. Por favor, por favor, por favor.
Deus não me responde.
Alguns instantes depois, ouço o som das sirenes. A ambulância chega, com o carro do Resgate logo atrás. Vários enfermeiros vêm correndo e trazem uma maca, com outros vários instrumentos.
– Finalmente! – exclama Chopper, irritado e preocupado.
– Senhor, precisamos fazer os primeiros socorros. Por favor, nos dê espaço. – pede um dos enfermeiros.
Um deles tira Zoro do meu colo.
– Não, espera! Eu quero ficar! – protesto.
– Senhor, precisamos de espaço. Pelo bem do seu amigo, por favor, mantenha distância.
Olho para Chopper, que assente.
Saio dali e vou para a calçada, procurando um pouco de apoio. De lá, vejo os bombeiros do resgate tirarem o motorista de dentro do caminhão.
No meio da rua, os enfermeiros trabalham em conjunto para colocar Zoro sobre a maca. Eles têm trabalho, pois Zoro está muito machucado.
Quando finalmente conseguem, Chopper me chama e eu corro em sua direção.
– Você vai para o hospital? – pergunta.
– Claro. – respondo.
Eles colocam Zoro dentro da ambulância e me deixam entrar, junto com um médico e um enfermeiro. Chopper volta à sua forma normal e se senta ao meu lado, já alcançando o balão de oxigênio e posicionando-o no rosto do Zoro. A ambulância começa a andar, com a sirene ativada.
– Quando chegarmos ao hospital, preciso de uma sala de cirurgia urgente. Uma costela perfurou o pulmão e o esterno afundou um pouco, quase esmagando o coração. – diz ele, ao enfermeiro. — Pode ligar para a emergência do hospital mais perto?
O homem assente.
– Doutor, bombeie aqui. Preciso medir os batimentos. – pede Chopper. Ele puxa um estetoscópio de baixo do banco e coloca-o nas orelhas, encostando a outra ponta do peito de Zoro.
– Como está? – pergunto, tentando engolir meu desespero.
Ele fecha os olhos e conta mentalmente.
– Está firme. As batidas são fracas, mas não vacilam. – responde. – Externamente, Zoro está perfeito. O problema é por dentro. Pelo que parece, o caminhão não passou por cima dele. Mas o impacto...
– Eu sei. Eu vi tudo. – falo. – O para-choque bateu nele, e ele sumiu embaixo do caminhão. Mas não acho que tenho sido esmagado por uma roda ou algo assim.
Chopper assente e suspira.
– Sanji, eu sei que é horrível, mas preciso de você comigo. – diz ele, tocando minha perna com a pata. – Não chore, senão eu vou chorar também.
Sorrio fracamente.
– Pode deixar. Cuide do Zoro direitinho. – falo. Em seguida, volto meus olhos para ele. – E quanto ao corte da cabeça?
– Nós fizemos um curativo , mas precisa de pontos. Foi um corte feio. – responde. Chopper me olha novamente. – É difícil acreditar, mas ele vai ficar bem. Tenho certeza.
– Esse desgraçado é forte até assim. Se fosse eu, tinha morrido na hora. – falo. – E ainda salvou uma moça.
– É... Mas ninguém é invencível. Infelizmente. – diz o médico que bombeia o oxigênio. – Ele está perdendo bastante sangue.
– Zoro é AB. – fala Chopper. – Ele pode receber até meio litro de sangue A, B ou O. O ideal é que o Franky estivesse aqui, aí eu poderia transferir mais, mas...
– Pode usar o meu sangue. – comento. Ele me olha, triste.
– Não posso, Sanji. Você está magro demais, voltou a fumar e sua diabetes também aumentou. – responde. – Me desculpe, mas não posso arriscar ainda mais a vida dele. E nem a sua.
Nunca me senti tão impotente. Como sou ridículo.
– Eu entendo. – murmuro, baixando a cabeça e encostando a testa nas minhas mãos ainda sujas de sangue. – Droga.
– No hospital nós temos reservas de sangue AB, Doutor Chopper. Vai durar pouco, mas é o suficiente para tirarmos mais do doador. – diz o enfermeiro.
– Vou ligar para o Franky. – aviso. Pego o celular no bolso da calça, e observo enquanto as pequenas patas de Chopper continuam conectando máquinas no corpo de Zoro, para medir batimentos e coisas assim.
– Sanji! – exclama Franky, ao me atender. – Para qual hospital vocês vão?
– Eu também não sei. Nós estamos indo para o mais próximo possível. Acho que o Law deve saber. – falo. – Você precisa vir rápido. O Zoro está precisando.
– Super entendo! – responde. – Eu já doei bastante sangue para ele uma vez. Irei o mais rápido que puder, pode confiar!
Não respondo, desligando a chamada e voltando o celular para o meu bolso.
– Chegamos. – anuncia o médico. O motorista estaciona e desce, junto com um enfermeiro que estava no carona.
Chopper desce após as portas serem abertas, e eu saio em seguida. Os dois enfermeiros, mais o médico e o motorista ajudam a tirar a maca de dentro da ambulância. Zoro está totalmente imobilizado, por isso nem se mexe.
– Vamos, rápido. A sala de cirurgia está pronta? – pergunta Chopper.
A partir deste momento, tudo acontece mais rápido.
Mais alguns membros da equipe médica saem de dentro do hospital, pela porta emergência. Com pressa, eles empurram a maca para dentro, entrando na ala hospitalar.
– Doutor Chopper, a sala está pronta. – avisa um deles. Então, se dirige para mim. – Você é o acompanhante?
– Sou. – respondo.
– Peço para que fique do lado de fora da sala. – fala, rápido. – Qualquer fatalidade, você será o primeiro a saber. Tudo bem?
Suas palavras são como um tapa, mas eu assinto.
Eles levam Zoro até um corredor extenso e largo e entram na segunda sala. Essa tem portas diferentes, parecem de metal.
– Sanji, eu vou entrar. Fique aqui fora e espere, okay? Vou fazer de tudo para tirar o Zoro dessa situação. Eu prometo. – assegura Chopper. Eu sorrio.
– Eu confio em você, Doutor. Sei que vai conseguir. – respondo. Ele segura o choro e dá um pulo, abraçando-me pelo pescoço.
– Ele não vai morrer, certo? Não vou deixar! – resmunga, fungando.
– Não, não vai.
Ele me solta e, dando um último aceno de cabeça, entra na sala.
Este é o Chopper. Profissional quando vai exercer sua profissão, mas sensível emocionalmente.
Suspiro e sento-me na cadeira, apoiando os cotovelos nas pernas.
Em menos de meia hora, Zoro conversou comigo, me beijou e instantes depois, foi cruelmente atropelado. As imagens do momento ficam repetindo na minha cabeça, o tempo inteiro.
O momento em que ele salvou a mulher e, por falta de tempo, não conseguiu correr e foi atingido na altura da barriga pelo caminhão. Na hora, não vi mais nada.
Na verdade, pensei que tinha voltado a ser cego.
Tudo ficara branco, e eu senti um vazio horrível. Como se tivessem retirado minha alma do meu corpo. Me senti uma carcaça de carne e ossos.
No dia seguinte...
Agora no quarto, Zoro repousa sobre a cama. Sua cirurgia foi muito cansativa para os médicos, que ficaram quase sete horas colocando seus ossos no lugar, tentando não perfurar qualquer órgão.
Fui informado de que Zoro estava com uma forte hemorragia interna, causada pela costela que lhe perfurou o pulmão e o rompimento do apêndice, que foi retirado. O trabalho exigido pra conter todo o sangramento foi difícil. Além disso, o esterno foi afastado do coração, que era esmagado, mesmo que pouquíssimo, pelo osso. Por fim, a bacia foi colocada no lugar.
Graças à cirurgia, Zoro ganhou duas novas cicatrizes no tórax: uma do lado direito das costas, onde a costela perfurou o pulmão; e outra do lado esquerdo, só que na frente. Essas, ao contrário da transpassada em seu tronco, foram feitas a laser.
Seu tronco está praticamente imobilizado pelas ataduras, para que ele não se mexa e sinta dor, apesar de receber medicação na veia. Na parte de trás de sua cabeça também há um curativo por cima das suturas.
Em seus braços, vários arranhões causados pelo impacto. Porém, seu rosto continua intacto: nada de arranhões ou hematomas. Perfeito como sempre.
Em minha poltrona de acompanhante, remexo-me novamente. Franky, como prometido, doou o sangue necessário.
Diante de toda a recuperação de Zoro, não consigo deixar de me sentir aliviado. Graças ao Chopper, ele está bem.
– Sanji-kun, eu trouxe um copo de água para você. – diz Robin-chan, entrando no quarto.
Eu agradeço e bebo a água, só então me dando conta da sede em que me encontrava.
Ela observa Zoro com um sorriso amigável no rosto. Seus olhos estão inchados e vermelhos por causa do choro e da preocupação.
– É incrível, não é? – pergunta, de repente. Volto minha atenção para ela novamente. – Nem parece que uma carreta passou por cima dele.
– Robin-chan, você é ótima com as palavras. – falo, com um toque de humor. Ela sorri.
– Eu sei. Obrigada. – responde. – Bom, eu não queria dize isso, mas... Sanji-kun, você está com o aspecto muito parecido com o de um zumbi. Está tão pálido, que parece verde. Não sente fome?
– Não, eu estou bem. – respondo, mentindo descaradamente.
Na verdade, estou sem comer desde o almoço de ontem, antes de ir para a casa do Luffy.
– Não pode ser verdade. – responde ela. – Porque não vai até o restaurante do hospital e come algo? Pelo menos um sanduíche.
– Não sei...
– Depois, você volta e toma um banho aqui no banheiro do quarto. É particular, afinal. Dentro do armário tem alguns kits, iguais aqueles de motel. Sabonete, shampoo, condicionador e até pente. Acho que tem até uma amostra de desodorante.
Penso em sua proposta. Eu juro que estou morrendo de fome, mas quero estar aqui quando ele acordar. Quero ser a primeira pessoa a entrar em sua visão, como da primeira vez que enxerguei algo em minha vida.
– Talvez seja melhor, mesmo. Não quero ficar fedendo por tanto tempo. Me sinto um mendigo. – brinco. Ela ri um pouco, e eu me levanto.
– Ele está tão dopado que vai demorar bastante para acordar, não se preocupe. – diz ela, se sentando onde antes eu estava.
Eu coro, envergonhado por ela ter adivinhado meus pensamentos tão facilmente.
– Eu não estava pensando nisso. – minto, desviando o olhar. Ela ri.
– Sim, sei. Vai logo, Zombie-kun. – fala. Eu sorrio com o apelido e saio do quarto, refletindo friamente à situação.
O único fato concreto que encontro é que a culpa de todo o acontecido foi minha. Se eu não tivesse ficado tanto tempo sem comer, minha barriga não teria roncado e, consequentemente, ele não teria saído para me comprar algo.
Porém, se ele não tivesse saído, aquela mulher estaria morta agora. Qualquer pessoa normal morreria num atropelamento deste porte.
Andando pelo corredor em busca do elevador, vejo o casal de antes sentado em um dos bancos da sala de espera, junto com Luffy, Nami-san, Law, Franky e Brook. Chopper está na emergência do hospital, trabalhando.
Ao chegar perto do casal, pigarreio. O homem me olha, mas a mulher permanece distraída.
– Vocês são o casal de ontem. – afirmo. O homem se levanta e estende a mão, para um aperto. Correspondo-lhe.
– Sim. Eu sinto muito pelo seu amigo. Se minha noiva não tivesse parado para arrumar o tênis, nada disso teria acontecido. – fala, sincero. Eu nego.
– Não foi culpa dela. Vocês não têm que se preocupar. – respondo.
– Só um minuto, vou dizer isso a ela. – fala, e isso me confunde.
Ele se abaixa até a altura dos olhos da moça e começa a fazer gestos, a linguagem de libras. Então é isso. Por isso que ela não ouviu o caminhão vindo. É surda.
Aquilo me causa um calor no peito, e contra minha própria vontade, sinto dó dela. Afinal, fui cego a minha vida inteira. Sinto certa condescendência.
Ao terminar, ela sorri, triste. Então, começa outros gestos.
– Ela está te agradecendo, mas disse que a culpa é toda dela e que tem o dever de ajudar em algo. – diz o homem, traduzindo. Eu suspiro.
– Bom, tem uma maneira de se redimir.
– Como? – pergunta ele.
Eu me ajoelho e olho para o rosto da linda moça. Ela tem traços simples, mas é harmoniosa como uma boneca.
– Quando ele acordar, demonstre que você está extremamente agradecida por estar sã e salva. Isso o deixaria muito feliz. Pensará que valeu a pena ter passado por tudo, pois praticamente devolveu a vida a uma moça linda e gentil como você. – explico. Seu namorado traduz tudo e, por fim, ela sorri e beija meu rosto, quase chorando.
Levanto-me.
– Obrigado, cara. Você não sabe o quanto sou agradecido. Valeu mesmo. – diz ele.
– Não é nada. Bom... Agora eu preciso fazer uma coisa. Até mais.
Pouco tempo depois, chego ao restaurante e peço algo leve. O garçom me traz uma omelete e um copo de suco.
A cada garfada, minha fome vai crescendo. É como se um monstro dentro do meu estômago despertasse.
Enquanto finalmente me alimento, lembro-me de uma das últimas conversas que tive com Ren.
Certo dia, percebi que ele estava incomodado com algo. Ao lhe perguntar, ele respondeu secamente.
Flashback on
– Sim, estou incomodado, Sanji-san. – responde Ren. – Estou incomodado com o quanto você é sortudo, e não reconhece.
– Hã? Como assim? – pergunto, confuso.
– Estou falando do Zoro-san. O amor dele por você é tão forte que... Sei lá, é como se pudéssemos sentir como ondas de calor. Eu nunca vi nada assim. – confessa, ressentido. – Só que, infelizmente, esse sentimento não é correspondido, não é mesmo? Ele te ama. E só.
Neste momento, uma raiva explode em mim.
– Por que caralhos as pessoas resolveram se meter na minha vida agora? – pergunto, irritado. – Eu sei muito bem que o que eu fiz foi uma puta idiotice, não preciso que ninguém fique me lembrando o tempo inteiro. Isso não diz respeito à sua vida, Ren. Fique fora.
Ele me olha.
– É aí que você se engana, Sanji-san. Eu estou apaixonado pelo Zoro-san, e acho uma crueldade esse amor não correspondido que ele tem por você.
No mesmo instante, engulo em seco.
– Ele sabe? – pergunto.
Ren não responde e se vira, saindo de perto de mim.
Flashback off
Desde então, venho pensando que os dois estão juntos, e nutri este pensamento até ontem, quando Zoro me abraçou e me beijou.
Ele jamais trairia alguém, e eu percebi isso tarde demais. Ele não me beijaria se estivesse com Ren.
Termino minha refeição rapidamente e corro para o quarto.
POV Zoro
De repente e em meio ao meu sono profundo, sinto uma dor muito incômoda na região do peito. A minha consciência volta aos poucos, mas não abro os olhos.
A única coisa de que me lembro é de ter jogado uma mulher nos braços de outro homem e, depois disso, lembro-me da dor da batida em meu corpo. Será que eu morri? É bom possível, já que uma carreta gigantesca passou em cima de mim. Sempre muito sortudo, Zoro. Você é um cagado mesmo. Puta que pariu.
Meus sentidos começam a voltar aos poucos, e o primeiro que reaparece é a audição, mas e como se eu estivesse dentro d’água. Os sons estão distantes, e não consigo distingui-los.
Aos poucos, vou me adaptando. Sei que estou deitado, mas não sinto nada do meu corpo. A parte de trás da minha cabeça lateja bastante, mas só.
Então, abro os olhos. A primeira coisa que enxergo é o teto, e logo em seguida percebo alguém sentado ao meu lado, na poltrona. Acordo, e a primeira pessoa que vejo é o Ero-Cook. Não poderia estar mais feliz.
Ao respirar fundo, sinto meu peito apertado por bandagens firmes. Por conta disso, tusso.
Neste momento, Sanji acorda de seu cochilo leve com um susto. Ele me vê e não diz nada.
– Oi. – murmuro, sorrindo minimamente. Minha voz está mais rouca que o normal. – Eu pensei que estava mal, mas... Nossa, você está parecendo um vampiro. Vai começar a chupar meu sangue quando?
Do nada, um sorriso mais do que radiante cobre seu rosto. Ele ri e ao mesmo tempo começa a derramar algumas lágrimas.
– Zoro. – suspira, levantando-se e vindo até mim. – Graças a Deus...
Então, seu sorriso desaparece e ele começa a chorar de verdade.
– Sanji? O que foi? – pergunto. Flexiono o abdômen para sentar, mas me arrependo ao sentir uma dor horrível subir até meu peito. – Droga. O que é isso?
– Shh. – pede. Ele toca meu braço e abaixa o rosto até encostar os lábios na minha testa.
– O quê...
– Estou tão feliz... – sussurra, ainda com os lábios próximas à minha pele. – Você está vivo.
Espera. Não, não. Eu devo ter morrido, mesmo. Estou no Paraíso, cara! DEUS EXISTE, PORRA!
Sanji toma distância do meu rosto, mas puxa sua poltrona para ficar colada na cama. Ao se sentar, percebo seu rosto corado. Ele sustenta um olhar de pura felicidade e admiração.
– O Chopper deve estar vindo. Ele vai te explicar tudo o que aconteceu. – fala, limpando as lágrimas. – Foi... Complicado.
– Não, isso pode esperar. – respondo. Estendo minha mão para segurar a dele. – Eu quero saber porque você está chorando assim.
Olho bem para seu rosto, e ele volta a chorar descontroladamente. Percebo seus olhos pesados, olheiras bem roxas e rosto fundo, além da palidez.
– Eu... Estive tão desesperado essas horas, Zoro. Você não acordava nunca, e eu comecei a sentir o peso da culpa cada vez maior, e... Eu não sei. Só queria ser capaz de ajudar em algo, mas meu sangue não é limpo o suficiente para circular em você...
Diante de suas palavras, as minhas desaparecem. Apenas abro os braços e, contrariando todas as limitações impostas ao meu corpo, abraço-o junto ao meu peito, sentindo seu cheiro, sua pele e seu calor.
– Guarde seu sangue para você, Ero-Cook. – peço. – Que bom que eu não morri.
Ele não responde, apenas faz um movimento cúmplice com a cabeça.
– Se eu morresse, não conseguiria fazer as pazes com você. Eu nunca descansaria em paz. – confesso. Contra a minha vontade, solto-o por sentir uma pontada por baixo da bandagem.
– Você quebrou três costelas. Uma delas perfurou seu pulmão, mas agora está tudo certo. – diz ele, explicando o motivo da minha dor. – Você também deslocou sua bacia, e o osso do seu peito afundou um pouco na hora do impacto.
Três costelas quebradas? Caramba, preciso beber mais leite.
– E agora você tem uma cicatriz perto da nuca. – informa. Levo minha mão até meu pescoço e sinto um curativo pouco acima da nuca, onde começa o cabelo.
Repentinamente, lembro-me de algo.
– E a moça? A da faixa? Ela está bem? – pergunto, preocupado. Sanji sorri um pouco e vai até a porta do quarto, abrindo-a. Ele chama alguém.
Espero pacientemente e, poucos segundos depois, entra no quarto o casal do atropelamento.
Ótimo apelido. “Casal do atropelamento”.
– Sanji, me ajuda a sentar... – peço, levantando um braço. Ele assente e, usando um controle, faz com que o colchão se dobre um pouco para frente, fazendo-me sentar de maneira confortável. – Obrigado.
Olho para o rosto da moça, agora ao meu lado. Ela faz um esforço imenso para não chorar. Seus olhos estão bem inchados.
– Então você é a moça do farol. – falo. – Pelo jeito, meu esforço valeu a pena.
Seu namorado começa a gesticular em libras para ela, o que não me surpreende, já que percebi sua deficiência auditiva no momento em que não ouviu a buzina do caminhão vindo em sua direção.
A moça sorri e alcança um bloco de notas e uma caneta na mesinha ao lado da cama. Quando termina, me entrega. Leio tudo silenciosamente, admirado por sua letra ser tão bonita e, estranhamente, feminina.
“Muito obrigada por tudo o que fez. Eu honestamente não tenho palavras suficientes para expressar a gratidão que sinto por ter minha vida intacta, e isso devido ao seu sacrifício. Muito obrigada, mesmo. Roronoa Zoro, você foi um herói para mim muito melhor do que o Super-Homem jamais seria capaz de ser. Obrigada por ter me salvado.”
Ao terminar seu bilhete, olho para ela e sorrio. Com sua permissão silenciosa, seguro sua mão e gentilmente beijo as costas da mesma. Aprendi com o Mestre Sanji. Aparentemente, mulheres adoram essas gentilezas.
– Apesar de eu ter saído um pouco arranhado, não me arrependi nem por um momento do que fiz. Pelo contrário. Agora que te conheço, a certeza de ter feito algo certo é ainda maior. – falo. Ela não aguenta e desaba em lágrimas. Às suas costas, Sanji solta um soluço e eu chego a me preocupar, mas contenho meu desejo de abraça-lo.
Engolindo um pouco o choro, ela pega novamente o bloco de papel e escreve.
“Posso te abraçar?”
Eu sorrio novamente. Viro-me na cama e coloco as pernas para fora da mesma, com o cobertor hospitalar ainda cobrindo metade do meu corpo quase nu.
Abro os braços e recebo seu corpo magro e frágil, tomando cuidado para não quebra-la sem querer. Com muito cuidado e carinho, ela passa as mãos por minhas costas. Apesar disso, sinto uma pontada de dor.
Quando a solto, olho seu namorado. Incrivelmente, ele também chora.
– Cara, Deus sabe o quanto estou grato pelo que você fez. – fala. Meio sem jeito e com medo de me machucar, ele passa um braço por meu pescoço, dando-me um abraço simples, mas significativo. – Valeu mesmo.
– Quê isso. Não fiz mais que minha obrigação. – respondo, corando um pouco ao vê-lo abraçar a namorada. – Como já disse, não me arrependo.
– Desculpa. Eu sei que é ridículo eu estar emocionado deste jeito, mas... O que posso fazer? Ela é minha outra metade. Eu a amo tanto que não consigo imaginar um mundo sem este sorriso. – declara, beijando a testa de sua amada. – Já sentiu algo parecido?
Sinto um nó se formando em minha garganta com a cena. Droga, Zoro. Não seja uma maldita mariquinha. Engole esse choro, já.
Meus olhos correm até Sanji involuntariamente, e surpreendo-me ao vê-lo me olhando de volta. Seus olhos ainda estão vermelhos, mas detecto sentimentos conturbados por trás deles.
– Sim. Já senti. – assumo. O peso e a tristeza por não ser correspondido voltam ao meu peito, causando uma dor ainda maior do que a das costelas. – Eu já encontrei minha outra metade.
– Essa pessoa é definitivamente muito sortuda.
Eu sorrio fracamente para o homem. Só com isso, ele já entende o que se passa.
– Ah. Foi mal. – fala. – Eu sinto muito. Que pena que você não é correspondido.
Eu assinto.
– Não sinta pena de mim. Isso é normal. Acontece muito com... Garotas de 16 anos. – brinco. Ele ri e beija o rosto da namorada.
– Quer um conselho? – pergunta. Diante de meu silêncio, ele prossegue. – Continua tentando. Se você sabe que é a pessoa certa para você... Uma hora ela vai perceber que você também é a pessoa certa para ela. É só questão de tempo.
Neste momento, olho para Sanji. Nossos olhos se encontram novamente, e ele cora de vergonha. Um sorriso de divertimento cresce em meu rosto.
– Será que eu devo insistir? – pergunto, ainda olhando-o. Sanji desvia o rosto.
– Eu acho que deve. Só não saia por aí entrando na frente de caminhões para salvar qualquer um, certo? – pede, sorrindo. Sorrio de volta e aperto sua mão estendida. – Eu preciso ir. Nós temos uma consulta com o Otorrinolaringologista.
– Certo. Obrigado pela consideração. – falo. – Normalmente pessoas fogem, e vocês vieram me ver. Estou grato.
– Prometemos te visitar quando der. Aqui, uma bala. – diz ele. Eu assinto e vejo os dois saírem do quarto. A moça sai acenando para mim, sorrindo. Acabo rindo do presente repentino e coloco a bala na boca, mastigando-a e engolindo.
Suspiro com força, e me arrependo amargamente. A dor de minhas costelas é tão forte que, por alguns momentos, me deixa agonizando. Sem poder fazer muito, Sanji apenas aperta o botão da enfermeira e apoia meu peito, para eu não me curvar para frente.
– Haa... – gemo, sentando respirar aos poucos.
– Zoro, deita um pouco. – aconselha ele. Eu assinto e, com a mão no meio das minhas costas, Sanji me ajuda a deitar, prevenindo a contração de meus músculos abdominais.
Estou ofegante, e agora o Ero-Cook limpa o suor de minha testa e pescoço com um lenço.
Enquanto ele me seca, observo seu rosto. Por fim, levanto minha mão e seguro seu rosto, sentindo sua barba já crescendo além do cavanhaque.
– Acho que... Preciso adoecer mais vezes. – falo. Ele retorna meu olhar. – Estou gostando de ter você cuidando de mim desse jeito.
Um rubor se espalha em seu rosto rapidamente, mas ao invés de se irritar, ele põe a mão sobre a minha, em seu rosto.
Então, a maior surpresa da minha vida acontece.
Seu olhar tão límpido e azul não me transmite os sentimentos de sempre. Eles brilham como nunca antes, e sorriem ao mesmo tempo que seus lábios. Algo que só acontece comigo quando penso nele e no quanto o amo.
Paixão.
Admiração.
Saudades.
Desejo.
– Acho melhor você se acostumar, então. – murmura, chegando perto do meu rosto. – Porque agora é a minha vez de cuidar de você, Roronoa Zoro.
Gentilmente ele beija a palma da minha mão e a coloca sobre minha barriga.
Sorrio abertamente com seu gesto, mas ele não vê. Meu coração bate forte em meu peito.
– Ero-Cook. – chamo, quando ele se vira para esperar a enfermeira na porta.
– Hm?
– Me beija. Agora. – suplico. Ele cora bastante, surpreso.
– Zoro, estamos em um hospital... – argumenta.
– Só um. Eu juro que só preciso de um beijo. Se você me beijar agora, pode esquecer essa história de cuidar de mim e ir viver sua vida em paz, sem nenhum rastro meu.
Ele franze o cenho, sério. Logo depois, relaxa a expressão e me apresenta um sorriso triste. Sanji segura minha mão e se senta na poltrona novamente.
– Se te beijar significa não poder te ver nunca mais... Desculpa. Prefiro passar vontade. – confessa.
Ele realmente... Caralho, eu não estava errado.
Levo sua mão até meus lábios e mordo a ponta de seu dedo médio. No mesmo instante, as pupilas de Sanji quase cobrem suas íris.
– Desconsidere o que eu disse agora mesmo. – falo, puxando seu corpo para cima do meu. Seguro sua nuca com força e tomo sua boca, puxando seu lábio inferior com os dentes, soltando quase um rosnado quando ele geme em resposta e chupa meu lábio superior.
Com a força dos braços, coloco-o sobre mim na cama, com uma perna em cada lado do meu corpo. Ele segura meu pescoço com uma mão, puxando meu cabelo com a outra.
Agarro sua camisa e o puxo para ainda mais perto, adentrando com minha língua em sua boca. Ele estremece e se arrepia quando nossas línguas se tocam, recuando-a em seguida para chupar meus lábios demoradamente.
Sanji me segura de maneira possessiva, como se quisesse que nossos corpos se fundissem.
Solto sua boca e desço para seu maxilar e pescoço, mordiscando-o com certa força. Ele começa a pressionar seu sexo em meu abdômen, e já quase estourando por dentro, abro sua camisa com tanta força que os botões voam para o quarto inteiro.
Colo sua barriga em meu peito, abraçando sua cintura e apalpando sua pele. Chupo várias partes de seu corpo, querendo absorver seu gosto novamente. Quando chego em seu mamilo, chupo-o e dou uma mordida leve.
Em resposta, Sanji aperta meus cabelos com mais força e se segura em meu ombro, quase cedendo seu controle. Ouço um gemido preso em sua garganta, e vejo-o apertar as pálpebras com força e abrir a boca num perfeito “O”, num gemido silencioso. Sanji inclina a cabeça para trás, liberando a linha de sua garganta, que eu prontamente lambo.
Seu corpo está sensível como nunca antes.
Beijo seu queixo e sua boca, chupando-a com força.
– Nn... – geme, baixo e de olhos fechados.
– Quero marcar você inteiro. – rosno, mordendo seu pescoço.
– Desde que não seja no pescoço... – começa, mas é interrompido por minha mão em seu pau. – Eu não ligo... Ah...
Mordo seu peito com força, deixando a marca de todos os meus dentes frontais. Em seguida, chupo o mesmo ponto, deixando o lugar completamente avermelhado.
Ao invés de reclamar, Sanji segura meu ombro com mais força e morde o lábio inferior.
– Zoro, tem alguém vindo... – sussurra, chupando o lóbulo da minha orelha direita.
Rapidamente a névoa da excitação que cobre meu cérebro se dissipa pelo medo de qualquer pessoa vê-lo corado e excitado deste jeito. Não posso deixar. Só eu posso ter essa visão.
Ele sai de cima de mim abotoando sua calça, que fica com um volume bem considerável na parte da frente. Ele me vê o encarando e cora, enquanto eu seguro uma risada.
– C-Como... O que eu faço? Eu não tenho roupa... – fala, referindo-se à camisa que acabo de estragar.
Tento pensar rápido e faço a única coisa que vem em minha cabeça.
Tiro o cobertor hospitalar de cima de mim e jogo em sua direção. Ele pega por reflexo e se enrola, já se abaixando para pegar os botões visíveis.
Só de cueca e completamente duro, tenho a brilhante ideia de colocar um livro de autoajuda aberto sobre minha ereção, tampando-a completamente.
A porta do quarto se abre e por ela entra um Chopper completamente assustado.
– O que aconteceu? – pergunta, correndo até a poltrona.
– Calma, Chopper. – peço, pigarreando. – Eu de repente senti uma dor muito forte na costela, e o Ero-Cook se assustou. Foi só isso.
– Ah, graças a Deus. – murmura, colocando a pata sobre o próprio coração. Ele então olha para as minhas ataduras. – Como se sente?
– Bem, eu acho. Fora as pontadas ao flexionar qualquer músculo do tronco, tudo bem. – falo, piscando em seguida. Ele sorri, cúmplice.
– Isso é normal, já que você está com três costelas fraturadas. – fala, suspirando. – Vamos cortar as ataduras? Preciso ver como estão as cicatrizes.
– Certo.
Ele abre a primeira gaveta do criado-mudo e pega uma tesoura grande.
– Sanji, está com frio? – pergunta Chopper, curioso por Sanji estar enrolado no cobertor. Ele assente, inseguro. – E o Zoro está suando de calor. Como vocês são estranhos.
– É. Vai entender. – respondo, segurando um riso.
Ele corta as ataduras, liberando meu tórax do aperto desconfortável. Vejo meu peito, e a primeira coisa que percebo é um grande hematoma ao lado do curativo da costela esquerda. É completamente roxo, mas mais avermelhado no meio. Está ainda um pouco inchado, e pelo que posso concluir, está bem em cima da costela quebrada.
Do lado direito, onde há outra costela quebrada, não está tão roxo e nem tão inchado, mas dói tanto quanto. Claro que minha estatística de dor é baseada no hematoma, porque os ossos doem tanto que não consigo classificar.
– Uau. Isso está horrível. – observa Chopper.
– Acho que percebi, Doutor. – brinco. Num movimento ousado, ele encosta sua pata gelada no hematoma esquerdo.
– Dói?
– Dói, mas é suportável. Por sua pata ser gelada, alivia um pouco. Agora que estou sem ataduras, é como se meu peito queimasse.
– Certo. Eu preciso que você se sente. – fala. Eu assinto e olho para Sanji, que entende a mensagem e suavemente apoia minhas costas, para que eu não tenha que flexionar o abdômen.
Quando me sento, Chopper pula na cama e olha minhas costas.
– Por aqui está tudo bem. Na verdade, melhor do que na frente. – fala, voltando para a poltrona. – Pode deitar de novo.
Deito-me com ajuda de Chopper desta vez.
– Zoro, o que você acha? — pergunta ele. – Acha que consegue repousar em casa? Ou prefere ficar aqui?
– Eu consigo. – falo, convicto.
– Tem certeza? Você não poderá fazer nenhuma atividade física durante três semanas. – fala.
– Hã... Defina “atividade física”. – peço. Sanji cora e ri de mim. – Que foi? Só quero saber sobre minhas limitações, porra.
– Você não pode treinar, correr... Muito menos nadar. Nada que exija muito do seu corpo. – respondo.
– Sexo? – pergunto.
– Desde que você não tenha que se esforçar muito, está liberado.
Comemoro por dentro, sorrindo completamente por fora.
– Então se a outra pessoa estiver por cima...
– Melhor ainda, assim você não se movimentará com tanta força. — responde. Olho para Sanji, que agora está muito corado. Acabo rindo de sua reação.
– Ótimo. Bom saber. Quando posso ir pra casa? – pergunto.
– Daqui algumas horas. – responde, piscando amigavelmente.
Sorrio em resposta, aliviado por poder voltar para casa. Pensando bem, o que eu teria que fazer aqui que não poderia fazer em casa? Nada. Quer dizer, em casa eu posso fazer sexo.
Depois de algumas radiografias do tórax, bacia e cabeça, Chopper instrui a mim e Sanji sobre fazer compressas frias. Então, ele assina minha alta.
Para eu ir embora, Chopper faz um curativo diferente. Ele passa a faixa da atadura várias vezes sobre os curativos das cicatrizes, apertando minhas costelas com firmeza. Em seguida passa a faixa pelo meu ombro, acobertando e apertando um pouco mais meu lado direito.
Mesmo conseguindo ficar em pé, ele me obriga a me sentar numa cadeira de rodas. Agora já vestido com uma simples camiseta branca e minha calça de moletom preta, é muito mais confortável me mover. Querendo ou não, meus músculos situados ao redor da bacia se lesionaram com seu deslocamento.
Robin e Nami ajudam Sanji a arrumar minhas coisas, colocando-as dentro de uma mala cor de rosa que não é minha.
Quando saímos do quarto, Robin arrasta a mala pelo chão do hospital, enquanto Sanji conduz a mim em minha cadeira de rodas até a saída.
Lá, todos estão à minha espera: Luffy, Law, Franky, Brook, Usopp, Tashigi e até mesmo pessoas que eu não via há muitos meses.
– Zoro, você saiu! – exclama Luffy, animado como sempre. Olho para cima, e atrás dele vejo o céu da noite bastante estrelado.
– Zoro-san, que bom que melhorou! Veja, estou até chorando de felicidade! – exclama Brook. P Apesar de eu ser só ossos... YOHOHOHOHO!
– Aniki!* – gritam meus dois parceiros. Os dois choram desesperadamente, como sempre fazem quando acontece algo comigo.
– Yosaku, Johnny. – suspiro, sorrindo por vê-los. – Quanto tempo.
– Soubemos que você tinha sofrido um acidente, e viemos correndo! – exclama Johnny, ajoelhando ao lado da cadeira.
– Ei, calma. – falo.
– Aniki, você pode continuar lutando, né? – pergunta Yosaku.
– Mas é claro que eu posso? Vocês realmente pensaram que eu ia sofrer sequelas só por ser atropelado por uma carreta de quase duas toneladas? – brinco. Eles riem. – É óbvio que não.
– É exatamente por você ser tão resistente que eu estou deixando você ir pra casa, Zoro. – diz Chopper, no ombro de Franky. – Se fosse qualquer outra pessoa, ficaria internada por pelo menos três dias.
– É. Mas eu não sou qualquer pessoa. – falo, completamente convencido.
Sinto uma dor forte no nervo do pescoço.
– Ei! Isso dói! – grito, automaticamente. – Ero-Cook, por que você me beliscou!?
– Não seja tão metido, Baka-Marimo! – responde, irritado. – Você quase morreu, imbecil.
Um sorriso cresce em meu rosto. A irritação causada por ele acende meu corpo inteiro, arrepiando-me de vontade de prendê-lo contra a parede e maltratá-lo de várias maneiras interessantes.
Surpreendo-me ao sentir o tecido de minha cueca começar a apertar.
Eu amo quando ele me provoca.
Não respondo seu comentário.
– Bom, eu quero ir para casa. – falo. Apesar de estar excitado, a saudade da minha cama e conforto da minha casa é maior.
– Certo. Vamos passar na casa do Luffy para pegar o seu carro. – diz Sanji.
– Você vai dirigir? – pergunto, incrédulo.
– Zoro, passamos três meses longe um do outro. Eu tive que aprender na marra. – fala, sorrindo.
– Tem carta?
– Pelo meu RG eu ainda sou deficiente visual. Acha mesmo que eu tenho carta? – pergunta, e eu solto uma gargalhada, me arrependendo em seguida.
– Ai. – sussurro.
– Zoro, não se preocupa. A gente já levou várias roupas suas para lá, além de seus outros pertences. – diz Usopp. – Ah, não esquecemos suas katanas.
– Bem, obrigado... – começo, mas algo na frase me confunde. – Espera. “Lá”? Onde é “lá”?
– Você vai ficar na minha casa até se curar, Zoro. – responde Sanji.
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