Um Amor Complicado.
27 Capítulo 26 - ...
Notas iniciais
Capítulo 26
POV Zoro
Minha cama não é confortável como a dele. Sinto que está faltando alguma coisa.
Fazia tanto tempo que não voltava para o meu apartamento, que me sinto um estranho aqui.
Sem dormir, sem sono e mesmo assim, com os olhos pesados, decido por me sentar na poltrona da sacada, a fim de sentir um pouco do vento da noite com meu café quente e meu cobertor.
— Ohayo, Zoro. – ouço, e quase pulo na poltrona. Olho para a sacada ao lado e vejo Robin, em pé.
— Quer me matar de susto!? – pergunto, sentindo meu coração acelerado. – Nossa.
Só então percebo que seu robe é transparente o suficiente para eu poder ver suas roupas íntimas.
— Desculpe. Eu é que estou surpresa. O que está fazendo aqui? – pergunta, sorrindo.
— Como assim? Aqui é a minha casa, Robin. – falo, confuso.
— Discordo. – responde. – Você pode ter vivido aqui durante muito tempo, mas aqui já não é mais seu lar.
Suspiro, sabendo que ela está absolutamente correta.
— E você? O que está fazendo aqui? – pergunto.
— A Nami-chan precisava de um ombro amigo para chorar um pouco. – explica.
— Ah, entendi. – respondo-a. – Bom, eu vou voltar para dentro. Se quer um conselho, não é saudável ficar nesse frio vestida só com calcinha e sutiã.
— Obrigada pelo conselho, sensei. – ironiza, rindo de mim. Eu sorrio de volta e entro para o quarto, fechando as portas da sacada.
Deito-me na minha cama, desajeitado e desconfortável. As lembranças da noite em que conheci Yukimura assolam minha mente.
Mas que merda eu fiz? Por que tomei a decisão de esconder isso do Sanji? Ele é muito mais racional do que eu, talvez tenha uma solução para isso. Não tem como eu arranjar tanto dinheiro em pouco tempo.
Suspiro e fecho os olhos.
Puta merda. Ele deve estar furioso comigo. Eu não falo com ele faz quase dois dias. Que babaca.
Então, ouço a campainha.
Estranho. Não chamei ninguém.
— É a Nami? Se for, pode voltar porque eu não quero visita! – grito, levantando-me devagar. Ando até a porta e suspiro, massageando minhas têmporas.
Droga, ela vai querer me encher o saco de novo...
— Nami, por que você não... – começo, abrindo a porta. Sou interrompido ao avistar meus lindos olhos azuis, agora meio inchados e avermelhados. – Ero-Cook?
Minha surpresa é tanta que só sinto o tapa em meu rosto depois que ele já está ardendo bastante.
— O quê? – murmuro, desnorteado, com a mão na bochecha. – Por que você me bateu?
— Você tem ideia do quanto eu te procurei!? – grita, empurrando meu peito para entrar. Cedo o caminho e ele passa por mim. Ainda sem entender, fecho a porta. – Me responde!
Sua exaltação não é de raiva, mas sim, de desespero. Seus olhos começam a marejar.
— Você tem ideia da preocupação que eu passei de madrugada e o dia inteiro? – pergunta. Vejo uma lágrima escorrer por seu rosto e sinto como se meu coração se quebrasse em mil pedacinhos.
— Ero-Cook... – murmuro, andando devagar até ele. – Não é possível... Eu te fiz chorar?
Antes de ele me responder, abraço seu corpo junto ao meu, segurando-o por alguns segundos.
— Você... Achei que você tivesse se perdido, morto, sei lá... Pensei em tantas coisas ruins... – sussurra, segurando-se em mim com força. – Eu não conseguia te encontrar em lugar nenhum... Quase fui na polícia...
— Por que não ligou para o saguão do prédio? O porteiro sempre atende. – respondo, tentando tranquiliza-lo.
— Eu liguei! – responde. – Liguei para o porteiro, para a Nami-san, Luffy, Ace, Mihawk, Law, Franky, Brook, Chopper, Tashigi-chan... Até para o seu treinador da natação, mas ninguém tinha visto você!
Sua voz afetada me deixa triste comigo mesmo. Sinto-me um lixo por tê-lo preocupado.
— Me desculpe. – peço, abraçando-o ainda mais. – Eu não fiz contato com ninguém. Só vi a Robin, e isso foi há uns dois minutos. Perdão.
Ele suspira e me solta.
— Não. – responde. – Antes, eu... Acho que tenho algo a te dizer. Sobre antes de ontem, lá no restaurante. Eu sei que ficou bravo, mas eu juro que estou tentando mudar, evoluir e aceitar o que...
— Sanji, espera. – peço, confuso. – Você tem uma mania terrível de sair atropelando as palavras. Do que está falando? Eu não fiquei bravo com você!
— É claro que ficou! – exclama. – Você mal olhou para mim depois daquilo, e... No clube, você... Estava irritado.
Não. Ele pensou que eu estava nervoso com ele?
— Não, Ero-Cook. – nego, sorrindo um pouco. – No restaurante, eu fiquei nervoso porque bati minha perna na parede. Fiquei irritado por estar sem treinamento, basicamente. E também, por ter que soltar sua mão.
— Então, era sobre isso que...
— E lá no clube... – continuo, interrompendo-o. – Eu estava irritado porque não sei racionalizar quando estou sob pressão.
Ele franze o cenho, obviamente confuso. Eu coro por estar admitindo, para mim mesmo, que ele é mais inteligente do que eu.
— Como assim? Por que estaria irritado com uma coisa dessas? – pergunta.
— Bom... Antes de tudo, quero que você escute o que eu tenho a dizer, antes de... Querer me bater. – falo. Ele se irrita.
— Zoro, do que está falando? Você fez algo com que eu deva me preocupar? – pergunta. Eu suspiro e seguro suas mãos com as minhas.
— Não. Eu só... Te amo, okay? – pergunto, honestamente, com medo de sua reação.
Ele cora, assente e desvia os olhos, apertando minhas mãos de volta.
— Seja lá o que tenha feito, vou escutar.
Diante de suas palavras, eu respiro fundo, tomando coragem.
— Bem, você lembra da noite do casamento, né? Do estacionamento... – falo. Ele cora de vergonha.
— Lembro. – responde. – Dentro do carro.
Ele sorri um pouco com as lembranças, o que me deixa feliz.
— Então... Lembra que eu disse que ninguém nos veria? – pergunto. Ele assente, provavelmente já antecipando as notícias. – Eu estava enganado.
Ele fica em silêncio, olhando para o chão.
— Sanji?
— Alguém nos viu? – pergunta.
— S-Sim. – gaguejo. – O Yukimura. E ele tem fotos.
— Ele te disse?
— Sim... E eu as vi. São lindas, se me permite dizer. – solto, arrependendo-me amargamente logo em seguida. – E ele... Ele disse que se eu não pagar vinte e cinco milhões de ienes, ele vai colocar as fotos na mídia e revelar nossa vida pessoal para o mundo inteiro.
Ainda olhando para o chão, ele não diz nada.
— Eu não sei o que fazer, Ero-Cook. Sei que a culpa disso tudo é minha, e que se eu não tivesse pedido nada ali, naquela hora, não estaríamos nessa situação. Por isso, me desculpe. – peço, segurando suas mãos mais forte. – Eu não tenho todo esse dinheiro, então...
— Você quer pagar?
— Bom, hã... Honestamente, eu não me importo que a mídia descubra sobre nós dois, mas você se importa, é por isso que eu... Não quero, mas devo pagar. – respondo.
Sanji levanta o rosto, e eu me surpreendo. Em seus olhos, eu vejo raiva. Na verdade, é como se eu pudesse ver sua alma, queimando de ódio.
— Ero-Cook? – pergunto.
— Cale a boca. – manda. Ele agarra minha mão e me puxa para fora do apartamento. – Vamos.
— Vamos aonde? – pergunto, extremamente confuso. – Ero-Cook!?
— Cale a boca! – manda novamente. O elevador chega ao nosso andar e nós entramos. Sanji aperta o botão do subsolo e, quando chegamos ao piso, ele me puxa novamente, até meu carro.
Ah, é. A chave do meu carro está com ele.
Entramos no carro e ele o liga.
— Onde nós vamos? – pergunto. Ele não responde. – Ero-Cook!
— Nós vamos a um lugar muito interessante. – responde, fazendo minha espinha gelar. – Vou fazer uma coisa legal.
Ah, meu Deus. Chegou minha hora.
Engulo em seco e me enrolo mais ao meu cobertor.
Ele sai da garagem e aperta o botão do fechamento automático do portão. Logo em seguida, estamos na avenida.
— Sanji, o que vai fazer? – pergunto. – É sério. Eu estou só de cueca.
— Por que caralhos você está só de cueca!? – exclama, irritado.
— O quê!? Na minha casa eu gosto de me sentir confortável, okay!?
— De cueca!?
— Agradeça por eu não ter ficado pelado, hoje. – respondo, abraçando-me mais ao meu cobertor.
— Marimo. – xinga.
Eu somente suspiro, esperando seu destino chegar.
... E me surpreendo novamente ao ver que chegamos ao clube.
— Sanji, o quê...
— Shh. Venha. – manda.
Confiando nele, apenas dou de ombros.
Passo direito pelo Armário, chegando à recepção.
— Zoro-san! – exclama Sakurazaki. – Konbanwa... Cobertor?
— Ah, sim. Ele estava descansando e eu o trouxe sem aviso. – explica Sanji. – Sakurazaki, será que pode chamar o Yukimura para mim? Diga que eu o espero perto do palco principal.
— Certo.
Sanji agradece e sobe as escadas, comigo em seu encalço. Chegamos ao clube e avisto vários clientes, já com seus devidos anfitriões. Algumas pessoas dançando e outras no bar, além dos hosts livres.
Confuso com a situação, seguro Sanji pelo braço.
— Ero-Cook, o que está querendo fazer? – pergunto. Ele me olha com o mesmo ódio de antes. Solto-o no mesmo momento. Seu olhar me deixa acabado. Sinto-me ainda mais desprezível.
— Só veja.
Eu assinto e, involuntariamente, tento esquentar meus pés esfregando-os. O chão está incrivelmente frio.
— Zoro-san? – pergunta alguém.
— Ah... Oi, Ren. – respondo.
— Está descalço? – pergunta, olhando para meus pés nus. – E com um cobertor?
— Não era para eu estar aqui. – explico.
— Sanji-san!! – chama uma voz desconhecida. Yukimura vem sorrindo, tão inocente que eu seria capaz de acreditar, se não soubesse nada sobre seu caráter. – Me chamou?
Incapaz de ter qualquer reação, espero para ver qualquer coisa que o Sanji esteja disposto a fazer.
Yukimura chega mas, ao invés de iniciar uma conversa, Sanji começa a encará-lo com o mesmo olhar que dirigia a mim.
Eles ficam assim por alguns segundos.
— Uau, que olhar, Sanji-san...
— Chantagem, Yukimura? – pergunta, sua voz baixa e ameaçadora o suficiente para me arrepiar. É a primeira vez que o vejo assim.
Yukimura olha para mim, e seu olhar e sorriso inocentes se transformam em irônicos.
— Zoro-senpai... Achei que fosse mais confiável. – diz ele, cuspindo escárnio.
— Não dirija suas palavras a ele, projeto de serpente.
Yukimura sorri ironicamente e leva seu rosto bem próximo ao de Sanji.
— É isso o que acha de mim... Ero-Cook-chan? – pergunta, baixo. Sanji abaixa a cabeça e, novamente, olha para o chão. – Ou prefere “Exibicionista-kun”?
Ele pronuncia essas palavras ao mesmo tempo em que sinto meus músculos queimarem de desejo de espancá-lo.
Sanji olha para seu rosto. Suas pupilas se dilatam, e apenas vejo Yukimura levando um chute no queixo, caindo em seguida. Ren solta um arquejo e segura em meu braço, enquanto todos os outros clientes voltam sua atenção para nós.
Ele sobe no corpo de Yukimura, pisando em seu peito, com uma postura absolutamente superior. Com as mãos nos bolsos, Sanji põe a ponta do sapato em sua bochecha.
— Eu tenho um conselho para você, novato. – diz ele. Por causa do silêncio do lugar, sua voz soa mais alta. – Nunca, jamais, em hipótese alguma... Me chame de Ero-Cook. Você não tem nenhum direito.
— Zoro-san, temos que... – sussurra Ren, mas eu o detenho.
— Shh. Eu quero ver isso. – sussurro de volta, ansioso pela treta.
— Você ouviu direito? Escutou bem o que eu disse? – pergunta Sanji.
— Você só deixa te chamar assim quem faz sexo com você? – provoca Yukimura.
— Como é?
— O Zoro te chama assim. – responde Yukimura, provocando novamente. – E se quiser que eu não fale mais sobre isso, saia de cima de mim. Agora.
Sanji hesita, suspira e sai de cima, esperando-o levantar.
— Então? Temos um acordo? – pergunta o chantagista. Sanji sorri perversamente.
— Acordo? – pergunta. Ele está tão ameaçador que até os pelos da minha nuca ficam arrepiados. – Eu não vou te pagar porra nenhuma.
— Tem certeza? Se não pagarem, eu vou fazer o mundo inteiro saber que...
— Então divulgue! – grita Sanji, finalmente estourando. – Mostre ao mundo inteiro essas fotos, e ganhe bastante dinheiro com elas, seu desgraçado! Eu não me importo!
— Não se importa? – pergunta Yukimura. – Então porque me chutou!?
Pergunta errada, caro novato. Pergunta errada.
— Você fez o Zoro se culpar e desaparecer por 36 horas. É por isso que eu te bati. – diz ele, dando de ombros. Uau, Sanji... Você está se tornando meu ídolo...
— Não se importa de o mundo saber que vocês dois se...
— NÃO, IMBECIL! SE QUER SABER, EU GOSTARIA DE VOLTAR A SER CEGO SÓ PARA NÃO VER ESSA SUA CARA!
— Ero-Cook, o que está fazendo? Ele vai colocar as fotos na mídia e todo mundo vai descobrir sobre... – começo, mas ele me interrompe.
— Foda-se o mundo, Marimo! – grita, irritado e impaciente. Seu rosto corado me faz perceber que está quase chorando. – Eu não me importo de todos saberem que nós dois estamos juntos faz meses!
Assusto-me. A comoção no clube é total. Não consigo tirar meus olhos dos seus.
— Eu... Não ligo. Não me importo que pensem que eu sou gay. Não me importo que me associem à você. Não me importo que saibam que sou seu namorado. Eu assumo que antes eu me importava muito, mas... Agora, eu não ligo.
Sem palavras, apenas espero-o continuar.
— Por que eu devo ter medo de assumir isso, se você não tem? Por que eu devo esconder? Nós não estamos fazendo nada errado! Só estamos concretizando o que achamos certo! – diz, dando um passo em minha direção. Ren me solta e até me dá um empurrão na direção dele, já que eu estou surpreso demais para ter qualquer reação.
— O que vocês dois pensam que estão fazendo? – pergunta Yukimura.
— Eu sinto vergonha, mas por mim, não pelo nosso relacionamento. Você sabe, Zoro. Eu mudei. Não quero que os outros pensem que eu sou alguém que não sou. Que se fodam. – fala. Sinto meus olhos arderem e minha garganta se fechar. Mais perto de mim, ele abaixa vários tons na voz. – Porque eu te amo, Baka-Marimo.
Sorrio, mais feliz do que nunca. Sanji acaba com o espaço entre nós e, para mais uma surpresa, toma meus lábios de maneira possessiva. Coro de vergonha por mim e por ele, mas isso dura... Uns dois segundos.
Livro minhas mãos do cobertor para segurar sua cintura, trazendo-o para mais junto de mim. Quero sentir seu calor, seu corpo, seu beijo, sua pele, seus cabelos... Preciso disso.
Sanji me abraça de volta. Sinto-o chupar meu lábio inferior e eu o correspondo, já sentindo um gosto salgado proveniente de lágrimas. Ao sentir sua língua, sei que se continuar, vai dar merda.
— Ero-Cook... Você é a melhor pessoa do mundo. – sussurro, abraçando-o a fim de sentir o cheiro de eu cabelo. – Eu te amo.
— Eu? Pense um pouco, Marimo. – sussurra de volta.
De repente, ouço alguém batendo palmas. É Ren, chorando e sorrindo. Não demora muito e todos se juntam a ele.
— Vocês são lindos! UHUU! – grita ele, até pulando um pouco.
— Certo... Agora eu estou com vergonha. – confesso. Sanji sorri junto comigo e me dá um selinho.
— Percebeu que todos estão vendo você de cueca? – pergunta.
— E você acha que estou me importando? No momento, só quero ficar abraçado com você. – falo.
Olho para trás de Sanji e vejo Yukimura, de queixo caído e olhos esbugalhados.
— Yukimura? – pergunto. Solto Sanji por um momento e vou até ele. – Você não terá seu dinheiro.
Ele me olha, ainda sem reação.
— Mas terá um presente. – continuo. Sorrio e beijo meus dedos da mão direita. – Durma bem.
Com toda a força do meu braço direito, bato eu sua bochecha esquerda. Ele cai já desmaiado.
Ren vem até nós e se ajoelha ao lado dele.
— Yukimura-kun... Quem nasceu para ser serpente, nunca vai ser anaconda. Lide com isso, querido. – diz ele, fazendo-me rir.
— Ren, saia de perto dele. Yukimura não é uma boa pessoa. – fala Asami, puxando Ren devagar para cima, deixando-o de pé. Minhas sobrancelhas se juntam em meu óbvio estranhamento.
— Asami? De onde você apareceu? – pergunto, ainda com Sanji grudado em meu corpo.
— Fui chamado, óbvio. O Sanji aparece para brigar, você aparece para assistir e ainda... De cueca? Como assim? – pergunta. Eu coro um pouco.
— Bom, é... Digamos que isso seja um pequeno imprevisto.
Ele suspira.
— Seja lá o que estavam fazendo antes... Continuem. Parece que vocês viraram a atração principal de hoje. – fala ele, sorrindo. – E por favor, alguém recolha esse saco de imundície daqui antes que eu o jogue no lixo.
— Sempre gosto dos seus adjetivos, chefe! – elogia Ren, sorrindo.
— E Ren, venha comigo até a minha sala. Eu tenho algo a tratar com você.
Apenas vejo Ren assentindo e os dois tomam rumo ao corredor da administração.
Dois homens começam a recolher Yukimura.
— Ah, espera! – peço, soltando Sanji. – Preciso checar uma coisa.
Abaixo-me e enfio as mãos nos bolsos dele, procurando pelo celular quebrado. Pego-o e abro-o, tirando dali o cartão de memória.
— Pronto, podem levar.
— O que é isso? – pergunta Sanji.
— O cartão com as nossas fotos. – respondo.
— Mas isso adianta? Quer dizer, você disse que ele tem cópias.
— Ah, sim. Eu vou dar um jeito nisso. Venha comigo. – falo, segurando sua mão novamente.
— Zoro-san, espera! – pede Sakurazaki. Vejo que ele segura meu cobertor. – Para não ficar doente.
— Obrigado.
Cubro-me e abraço os ombros do Ero-Cook, levando-o comigo até meu destino.
Subo com ele até o corredor do vestiário e passo por todas as salas, para então chegar à outra escada que dá acesso à sala do chefe. Por um milagre, não há segurança hoje.
— O que pretende fazer? –pergunta Sanji.
— Vou pedir o endereço do Yukimura para tratar desse probleminha. – sem bater, abro a porta da sala. – Afinal, é a maneira mais fá...cil.
Sobre a mesa do escritório, o que vejo me surpreende. Asami e Ren não percebem nossa presença e continuam com seus movimentos e beijos. Claramente podemos ouvir gemidos, sons de sexo e de alguma forma... Sentir a tensão do momento.
Sanji aperta meu braço e, quando o olho, fico surpreso ao ver seu rosto enrubescido. Ele descaradamente fita Ren, que tem uma incrível habilidade de fazer qualquer um querer devorá-lo.
— Zoro? – sussurra. – Acho que eu agora entendo porque você beijou o Ren aquele dia.
— Ei. – sussurro de volta, fazendo-o voltar a atenção para mim. – Ele é bom, mas você é muito melhor e mais gostoso.
Ele me olha e suspira, tentando tirar os olhos da forma esbelta de Ren.
— Hm...
— Quer continuar assistindo? – pergunto, brincando. Ele cora e nega.
— Acho que eles querem privacidade.
Sorrio e fecho a porta com cuidado, para não atrapalhá-los.
— Engraçado, por que... Eu também quero. Acho que posso tratar do endereço amanhã.
Sanji olha para mim e se irrita.
— O quê? Agora? – pergunta, inclinado a me rejeitar.
— Não. Aqui nós não teríamos privacidade. – falo. – Vamos até seu apartamento.
Ele hesita, mas sorri um pouco e assente.
— Okay. – responde, passando um braço por minhas costas. – Eu deveria confessar que ficar naquele apartamento sozinho é muito ruim?
Diante de sua pergunta, eu sorrio.
— Só se você quiser. – respondo.
— Hm... Pensando bem, você não merece ouvir algo assim, tão bonito. – brinca. – No momento, está merecendo uma punição por ter me deixado tão preocupado.
Apenas suspiro e sorrio um pouco, continuando a andar até o vestiário, onde tem a saída mais próxima.
Minutos depois...
Sanji novamente estaciona meu carro em sua vaga no estacionamento, desligando-o.
— Está com frio? – pergunta, vendo-me segurar o cobertor com mais força.
— É... Um pouco. – confesso, lutando para não bater os dentes. – Deve estar uns dez abaixo de zero, sei lá.
— Vamos subir, antes que você fique doente.
Saímos do carro e vamos em direção ao elevador, que não demora muito para descer.
— Você precisa devolver a roupa que eu peguei emprestada. – lembro. – Do seu amigo cozinheiro.
— Ah, não se preocupe. Ele não está com pressa. – responde, entrando no elevador.
A porta se fecha e Sanji digita uma senha para então apertar o botão do andar.
— O que é isso? — pergunto, confuso.
— Um meio de irmos direto para a cobertura. – responde. – Legal, né?
— É... Mas não acho que tem mais alguém querendo pegar o elevador essa hora.
— Melhor ainda.
Eu o olho e suspiro, lembrando-me do clube. Abro os braços.
— Vem aqui. – peço. Ele aceita meu abraço e eu também o envolvo com o cobertor, sentindo sua roupa bem gelada.
— Está se arrepiando?
— Sua roupa está fria. – explico. – Mas não vou te soltar até chegarmos lá em cima.
— Quanto exagero, Zoro.
— Não é exagero. Só que o que aconteceu hoje... Eu não esperava. – explico. – Sinceramente.
Sanji fita meus olhos intensamente e dá um mínimo sorriso, beijando-me logo em seguida. Ele abraça meu tronco mais apertado.
— Sinto muito, Mister Marimo. Não sou previsível. — responde.
— Eu sei. É uma das coisas que me hipnotizam. – falo, segurando seu queixo para mais um beijo.
Sinto sua língua, tímida e calmamente. Minhas mãos coçam de vontade de acariciar sua pele, mas infelizmente ele está com roupas demais.
Porém, eu estou num estado completamente diferente, e logo sinto as mãos geladas do Ero-Cook em minha barriga. Meu corpo se arrepia inteiro.
— Mm... – suspiro, chupando seu lábio inferior. – Isso é bom.
Ele passa as mãos para as minhas costas e beija meu maxilar, passando para meu pescoço e ombro. Mais uma vez me arrepio com a temperatura fria de seus lábios.
— É bom, não é? – murmura. – No pescoço?
— Hm... Sim... – respondo, ainda sentindo a diferença de temperatura da minha pele para a sua.
— É assim que eu me sinto quando você beija meu pescoço. – fala.
— Então eu sou muito bom. – concluo, provocando-o. – Porque eu estou tendo sensações interessantes.
— Engraçadinho. – responde.
— Não, é sério. – respondo, segurando seu pulso. Levo sua mão até minha cueca, pousando sua mão sobre minha ereção, ainda pela metade. – Olha.
Ele sente e chega a corar um pouco.
— Zoro... – murmura.
Seus olhos novamente se fixam nos meus e facilmente percebo suas pupilas levemente dilatadas.
— Você também, certo? – pergunto, segurando sua nuca.
Neste momento, a campainha do elevador soa e as portas se abrem.
— Venha. – chamo. Saímos com pressa, e no mesmo momento em que entramos no apartamento, abraço seu corpo e aperto-o contra a porta, deixando cair meu cobertor.
Seguro sua coxa ao lado do meu corpo e aperto sua perna, subindo minha mão até sua bunda. Sanji sorri minimamente, corado, e contribui para a diminuição do espaço entre nós, beijando-me.
Com pressa, quase arrebento os botões de seu casaco e de sua camisa. Ele tira seu cachecol e o joga para o lado, assim como o casaco e a camisa. Assim que vejo-o sem camisa, suspiro e contemplo sua pele linda e lisa mais uma vez, tocando-o com a mão.
— Sua cama está livre? – pergunto. Ele assente. – Vamos.
Sanji toma a frente e eu o sigo até o quarto. Entramos e eu fecho a porta.
Ele começa a tirar os sapatos e as meias.
Já sentindo meu corpo completamente quente, seguro seu braço sem muita delicadeza e empurro-o para a cama, onde ele cai deitado.
— Zoro, o que você... — começa. Eu sorrio ao vê-lo confuso desse jeito.
Ele se surpreende ao me ver subir na cama e, ao invés de abrir suas pernas, sentar sobre seu abdômen. Sanji descaradamente fita minha cueca e, com um misto de desejo e admiração, sobe sua mão de minha barriga até meu peito.
— Hoje é seu dia, Ero-Cook. – falo, sorrindo maliciosamente. – Você fez por merecer.
— Está dizendo que...
— Sim... – murmuro, inclinando-me um pouco para frente. – E eu espero que seja muito, muito gostoso.
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