Ultima esperança
9 08
Depois de ter tacado o meu celular para longe e ter deixado Sara sem nenhuma resposta — tadinha da menina, provavelmente vai achar que falou alguma merda — eu não lembro mais nada de nada que aconteceu.
Apenas a hora que acordei.
Estava caída no chão do quarto, com a minha camisa velha que servia para dormir, — a qual era três vezes o meu tamanho — , embaixo, estava sem a minha calça, apenas com a roupa de baixo. Como sempre ficava depois de beber, parecia que um trator havia passado por cima de mim. Meu rosto estava colado ao chão e eu não tinha a menor força de levantá-lo.
E nem queria, para ser sincera.
De barriga para baixo e com o rosto virado, a visão que eu tinha era de um quarto mil vezes mais bagunçado que antes, garrafas de cerveja espalhadas para todos os cantos e fotos, muitas fotos no chão, ao meu lado. Eram de mim e Clara, obviamente. Me sentia a escória da humanidade, a bosta viva ali junto com aquele lixão que eu estava.
Queria ficar ali para sempre, mas hoje era segunda, tinha um plano para terminar.
Com muito custo, muito mesmo, eu conseguir me erguer. Ainda me encontrava meio tonta, tive que segurar na cama para não cair ao chão.
E a visão de cima foi bem pior. Conforme eu havia esbarrado nos móveis, que eram atolados de coisa em cima, elas foram caindo e aumentando mais a bagunça, até meu lençol e edredom de cama estavam no chão. As fotos, de fato, eram de mim e Clara, com muita dificuldade catei cada uma delas. Meu quarto poderia estar destruído, mas as fotos que eu tinha com ela, as únicas lembranças físicas, tinham que estar guardadas como ouro. Eu precisava aprender a me controlar um pouco enquanto estava bêbada.
Se isso fosse possível.
Guardei as fotos na gaveta e olhei para o relógio, só para constatar o que era mais óbvio. Estava praticamente atrasada para aula e, naquele dia, isso não poderia acontecer. Teria que sair cedo para terminar o que tinha que fazer com o vídeo antes que qualquer professor entrasse naquela sala de áudio, até porque pelos meus cálculos, hoje teria aula de história e ela passaria algum vídeo.
E, ahá, ao invés do vídeo falando sobre a segunda guerra mundial, seria da terceira guerra mundial, ou melhor, do Nico caindo de cueca na piscina, bêbado.
Mais rápido do que nunca para ir ao colégio, coloquei o vídeo que Sara havia me mandado por e-mail no pen-drive, troquei de roupa, fiz mais algumas coisinhas e desci para a cozinha, não poderia sair sem pelo menos beber três garrafas de água, a sensação de ter comido dois quilos de areia ainda era muito forte.
Nem dando tempo de minha mãe falar alguma coisa, ela ainda estava arrumando a mesa do café, sai correndo para o colégio.
Apesar de querer que Nico soubesse que fui eu — apesar de ser impossível ele não saber — não queria que mais ninguém da direção desconfiasse que fui eu que coloquei o vídeo no DVD, ao invés do vídeo certo, da aula. Aquilo poderia resultar em uma suspensão e a última coisa que queria era meu pai falando no meu ouvido sobre isso.
Dei um suspiro aliviada quando entrei na sala e ainda não havia ninguém. O colégio na verdade estava ainda meio vazio, só algumas pessoas nerds que chegavam cedo para estudar. Entrei em silêncio dentro da sala e fechei a porta. Muito simples: deixar tudo ligado, como a professora era meio pateta, acharia que já haviam preparado tudo para ela e quando desse play e ligasse a TV, o show começaria.
Nem passava pela minha cabeça como Nico reagiria aquilo tudo, mas coisa boa não seria.
Quando todo plano estava pronto, da mesma forma que entrei, sai em silêncio da sala e no momento que fiquei em uma distância favorável, sai correndo para entrada do colégio. Me escondi em algum lugar esperando alguns minutos passarem para, como costume, chegar atrasada para aula. Minha cabeça ainda latejava um pouco e me sentia um pouco lerda em relação a tudo, mas não tinha costume de controlar o que faria um dia antes.
Dado alguns minutos após o sinal tocar, sai andando para a sala, a bomba já poderia ter sido estourada ou estava prestes, não sabia qual opção era melhor.
Mas nada havia acontecido, a professora de história estava um pouco atrasada. Logo, veria o circo pegar fogo na hora. Assim que entrei naquela sala, os olhares caíram pesadamente sobre mim da turminha de Nico, inclusive ele que parecia me secar. Sentei em minha carteira como se nada estivesse acontecendo e esperei. Pude sentir igualmente os olhares de Sara sobre mim, poderia estar preocupada ou curiosa sobre como reagiria à tudo aquilo, mas fingi não perceber. Não poderia um segundo sequer aparentar que eu e ela tivemos alguma relação, por que qualquer um ali poderia ligar os pontinhos e sobraria para ela.
Como eu havia prometido, nada aconteceria com Sara, nada mesmo. Cansei de afetar todas as pessoas que tenha algum contato comigo.
E enfim, a professora entrou na sala, sorridente, mal sabia o reboliço que a esperava.
– Bom dia, meninos! Espero que não estejam com tanta ressaca ainda da festa de sexta. O pessoal da limpeza teve um trabalhão para limpar a parte da piscina — ela comentou inocentemente.
– Eles são pagos para isso, não é mesmo professora?! — um garoto gritou do meio daquela turminha.
– Ainda mais sobre a piscina. — eu murmurei comigo mesma lembrando do acontecido.
– Então, como vocês já sabem, a aula vai ser sobre a segunda guerra mundial. — ela então se voltou para a TV e o DVD que já continha meu pen-drive — Olha, já deixaram tudo ligado para mim, até o pen-drive da direção... Nunca o vi lá, mas deve ser esse, não é?!
Ah, que merda! Eu sou realmente uma trouxa. Era para eu ter gravado em um DVD ou ter pego algum pen-drive da direção, agora é obvio que vão me descobrir.
Quer saber? Que se dane também, vamos ver no que vai dar. Meu pai, provavelmente, vai reclamar bastante, mas um tempo longe desse hospício não seria ruim.
Sara voltou a olhar para mim novamente, quando vi que a professora ligaria a televisão, dei uma piscada para ela mostrando que o plano terminaria ali. Ela voltou a olhar para frente rindo e eu voltei para o grande momento.
Na hora que ela deu o play foi o grande susto.
Houve uma grande pausa em todo o cenário. Só podia escutar o som das pessoas rindo e de Nico se debatendo na piscina no vídeo. Em seguida, tudo passou em um piscar de olhos, Nico pulou em cima de mim, mas os outros alunos o seguraram, e eu, no reflexo, sai da cadeira rapidamente. Seu rosto estava vermelho de raiva, seus cabelos castanhos de tamanho médio viraram uma bagunça só e Nico chegava a babar tentando se soltar daquelas pessoas enquanto gritava e me matava por pensamento.
E eu fiquei rindo, apesar de ter levado um susto da reação dele, aquilo no final era mais cômico que um filme de comédia.
– Eu vou te matar, Ramona! Eu vou te matar! Me solta! — Nico gritava. Era preciso quatro pessoas para o conter a sua raiva.
– Pode vir, mas antes, é melhor trocar aquela cueca de coração né? — eu disse o provocando em meio a risadas.
Logo a professora apareceu no meio daquilo tudo tentando intervir.
– Mas que bagunça é essa?! Ramona, você tem alguma coisa haver com isso?
– Nada, professora. Esse garoto que é maluco, fica bêbado na festa e depois fica culpando os outros pelo seu vexame. — eu disse, não olhando para a professora, e sim para Nico, para aumentar mais a sua raiva.
As veias em sua testas estavam tão salientes que poderia supor que Nico explodiria ali mesmo.
– Professora, a Ramona tem dedo nisso sim. — uma menina apareceu do nada falando.
Como não tinha uma boa reputação naquela escola, precisava de apenas uma gota para "o caldo entornar".
– Ramona, direto para a direção, agora! — foi a ordem da professora.
Mas antes de sair da sala, mandei um beijo para Nico e sai rindo.
De fato, não estava medindo as consequências do meu ato, aquilo havia sido mais do que imaginei. O provoquei mais do que havia pensado. E sinceramente, não me arrependia de nada.
Logo eu estava sentada na cadeira acolchoada — nem tanto assim — do diretor. Ele era um gordinho sem cabelo, mas com um enorme bigode negro, o estresse havia deixado marcas em seu rosto. Cláudio, como se chamava, não tinha menos que cinquenta anos, mas aparentava ter bem mais. Raramente as pessoas conseguiam encontrá-lo rindo, eu não teria essa sorte, é claro.
– E novamente você está aqui, não é mesmo, Ramona Torres? — ele falou sério, olhando bem nos meus olhos, como sempre falando meu sobrenome junto, mania sua. Estava sentado de uma forma que os botões de sua camisa não soltassem por conta da sua gordura.
– Fazer o que, sou quase visitante VIP. — eu disse rindo, fingindo que nada havia acontecido.
Mas parei logo quando percebi que Cláudio não entraria no meu jogo.
– Vou ser rápido e direto, foi você que colocou aquele vídeo no DVD e atrapalhou toda a aula?
– Por quê eu faria isso? — perguntei me fazendo de desentendida.
– É muito óbvio, vindo de uma aluna que nunca chega na hora certa das aulas e tem as piores notas. Fora que não vem vestida com o uniforme decentemente.
– Essa coisa de gravata já saiu da moda, diretor. Fica a dica ai.
– Eu não estou de brincadeira, Ramona Torres. — parecia quase impossível, mas ele aparentava estar mais impaciente enquanto eu dava minhas respostas nada aceitáveis.
– Diretor, aquilo foi só um vídeo inofensivo. O que é isso perto de uma festa regado a bebida alcoólica e drogas para menores? — eu disse sem nenhum rodeio.
– Não tem cabimento o que está me dizendo.
– Ah, não tem mesmo, diretor? — cheguei mais perto para continuar falando — Talvez se não fosse desse jeito, você não teria um aluno de sua instituição bêbado caído na piscina. Consequências dos atos alheios, né?!
– Ramona Torres, eu não aceito calúnias sobre a minha instituição! — no final, ele já estava falando gritando, pois acabei tocando na ferida daquele colégio hipócrita como ele.
– Se é para começar a punir gente que faz algo de errado, é melhor começar do início.
Cláudio me daria mais uma resposta, mas foi interrompido pela sua secretária. Quando olhei para trás, ela estava com meu pen-drive na mão.
Hora da "senhorita Ramona Torres" pegar uma bela suspensão por ser vingar de um pseudo-traficante.
Ele se levantou de sua poltrona, a qual pareceu subir dois metros sem aquele elefante, e começou a cochichar com a sua secretária.
Segundos depois, voltou a se sentar em minha frente e deu a minha sentença.
Jogando o pen-drive para mim, sobre a mesa, Cláudio perguntou:
– Ramona Torres, esse pen-drive é seu?
– Talvez sim, talvez não. O que acha?
– Seu, é claro.
– Pode ser de qualquer um daquela sala, querido diretor.
Ele entrelaçou os dedos parecendo pensativo. Na verdade, ele só estava fazendo toda aquela investigação para nada. Se ele realmente fosse procurar o "verdadeiro" culpado, não faria eu perder meu tempo sentada ali.
– Não faça nosso colégio de idiota, você deveria estar honrada por estudar aqui.
– Nossa, realmente. Honradíssima...
– Ramona Torres, você está suspensa das aulas durante duas semanas.
Ergui minhas sobrancelhas mostrando uma falsa surpresa.
– Como pode provar que fui eu?
– Aquela aluna te entregou, e sem dúvidas esse pen-drive é seu.
– Mas não tem nada meu aí. Que idiotice!
– Ramona Torres, eu peço um mínimo de respeito. De fato, isso só merecia uma advertência, mas você já tem demais na sua conta. Pode pegar seu material, logo contatarei seus pais para os deixar a par de tudo.
Bem, isso eu não estava esperando. Desde quando aquele balofo se dá o trabalho de ir "contatar" os pais dos alunos quando acontece alguma besteira?
– Como é?! — perguntei abismada.
Ele se voltou para o computador, fingindo que eu não estava mais ali, como se o assunto tivesse acabado e me respondeu.
– É isso mesmo. Como você diz, nós precisamos punir os alunos que vão contra as regras. Estou começando. Até mais, senhorita Ramona Torres.
Levantei da cadeira, o que estava sentindo ali era nojo de tanta hipocrisia. Se aquilo tivesse dedo de Nico, poderia concluir que ele tinha mais poder do que eu imaginava e que era um grande babaca.
– Fala sério, não mereço isso. — murmurei saindo da sala.
A secretária, que havia entregado o pen-drive para o diretor, me seguiu com o olhar parecendo rir. Não disse, mas ela não ia muito com a minha cara, até por que não tinha tanto dinheiro assim. Tinha gente interesseira até trabalhando nessa escola.
Quando cheguei na sala, a professora já havia voltado a dar a aula, logo que entrei, todos se calaram, inclusive ela. Não havia nada o que falar, todos me olhavam curiosos sobre o que poderia ter acontecido na direção, mas um olhar era mais forte, Nico me secava com um ar vitorioso enquanto eu ia até a minha carteira pegar a minha mochila. Me virando para ir embora, Sara me encarava, espero que ela não esteja se sentindo culpada pela minha suspensão. Até porque, não teria motivo para sentir isso, fui eu quem decidiu tudo aquilo, agora estava arcando com as minhas atitudes. Para ela, o importante é que agora sua barra estava limpa, se alguém sofreria alguma coisa, seria eu.
Antes de sair da sala, dei um joinha com a mão para a professora, ela nem ao menos esboçou alguma reação, ainda aparentava estar brava com a minha presença. Enfim sai daqueles olhares fuzilantes.
Por um lado, senti alívio de ficar longe de tudo aquilo. Era tudo o que eu queria.
Sumir de tudo e todos, desaparecer no mapa.
Bem, ainda não cheguei nessa fase, mas só de saber que não teria que olhar para cara daquele pessoal todos os dias, já me causava uma grande tranquilidade.
Mas como pensei, só por um lado. Ainda teria que aguentar minha família falando no meu ouvido. Uma pontinha de esperança brotava em mim sobre Cláudio esquecer de falar com eles. Só que tinha certeza que não esqueceria esse caso. Esse diretor queria me ferrar, com toda certeza.
Poderia ter aproveitado a chance que já estava ferrada e mandá-lo fazer uma dieta antes que explodisse, mas acho que depois disso não levaria suspensão, e sim uma expulsão. Ou como dizem, seria "convidada a me retirar desse renomado colégio, a qual eu deveria me sentir honrada por poder frequentar".
Conversa fiada.
Antes de sair, consegui pegar alguns sanduíches no refeitório e uma garrafa de água, já que não pretendia voltar para casa tão cedo. Queria adiar um pouquinho a minha sentença de morte que estava por vir.
Então fui para o pequeno parque da cidade, que como a maioria dos lugares públicos — a qual eram poucos — davam para o rio local. Sentei no gramado parecendo uma aluna perdida e fiquei observando as pessoas que estavam ali. Apesar de ser horário de aula, tinha crianças brincando junto com suas famílias, adolescentes que haviam fugidos do colégio estavam conversando ou paquerando, velhos jogando xadrez nas mesas... Todos pareciam alegres e despreocupados com responsabilidades e essas coisas. Não que não tivessem responsabilidades ou preocupações, mas elas não pareciam atormentá-los vinte e quatro horas.
Sentia inveja.
De viver tranquila, sorrir sentindo realmente essa felicidade. Eu sorria, não poderia mentir, ainda mais quando estava perto de Rodrigo, porém, ainda assim, não era a mesma coisa. Às vezes, parecia mais que eu estava tentando me enganar, provar para mim mesma que estava tudo bem, que sou a pessoa mais feliz do mundo.
E no final das contas não era verdade.
Não tinha mais a minha melhor amiga e meus pais pareciam querer me enxotar como um saco de lixo. Principalmente o meu pai que me tratava quase como uma máquina que daria dinheiro. Ou deveria dar.
Não entendo exatamente o que aconteceu. Vivíamos tão bem, será que foi por minha culpa? Ou eles simplesmente cansaram de mim? Não duvidaria da segunda opção, tanto que ainda me assustava por Rodrigo também ainda não ter me enxotado. Não queria admitir, mas me doía muito a frieza da minha família sobre mim. Meu pai só sabe falar "Ramona, você precisa estudar para ganhar dinheiro", "Ramona, você vai ser uma ninguém na vida se não estudar para ganhar dinheiro". Fora as vezes que me diminuía, me comparando a qualquer tipo de pessoa, provando o quanto ela era melhor que eu. Já minha mãe, sua imparcialidade sobre a forma como meu pai me tratava me magoava profundamente. Ela não dizia nada, e quando dizia, era só sobre "Ramona, você precisa se arrumar que nem uma menina decente".
Quando foi que minha vida virou de cabeça para baixo e eu não percebi?
Ou eu sempre estive nessa situação?
Em meio aos meus pensamentos, escutei meu celular tocar. Uma mensagem havia chegado. Qual foi minha surpresa quando vi que era Sara.
Na mensagem dizia, em meio a emojis fofinhos e essas coisas.
[ Ramona, espero que não fique brava comigo, desculpa por ontem, no seu aniversário, acho que eu falei muita besteira TT-TT E você me disse para não mandar mais mensagem, prometo que essa vai ser a última... Eu acho.
Mas enfim, eu fiquei muito preocupada com você, pelo jeito acabou sendo suspensa ): Vi Nico conversando com a professora, talvez seja culpa dele. Espero que consiga voltar a estudar logo e obrigada por tudo, você continua sendo incrível >.
Ontem você me disse que não queria nenhum presente e nem nada disso, mas não aguentei, deixei um presente na sua mochila enquanto você estava fora. Fique tranquila, ninguém viu. Fui eu mesma que fiz, não tem nada demais, mas espero que goste >///
Parabéns Ramona, e desculpa de novo T-T D: ]
Não devia, mas acabei ficando um pouco feliz pela preocupação dela sobre mim, levando em conta quantas vezes eu havia falado que não podíamos ser amigas, qualquer pessoa normal já teria largado de mão. Peguei a minha mochila e a abri para ver o que era.
E ali estava o presente.
Uma pequena boneca de pano, que acho que era eu? Tinha cabelos negros curtos e uma roupa meio... Desarrumada.
A última coisa que eu pensava ganhar na vida era uma boneca de pano. Passou pela minha cabeça jogar fora, mas pensei duas vezes.
Ela mesmo tinha feito aquilo, tinha um valor sentimental, talvez.
Coloquei na mochila de novo e a abracei deitando naquela grama. O sol vinha me aquecendo e batendo aquele sono de leve, tinha me esquecido até dos sanduíches que havia pego e da água.
Sem perceber, acabei dormindo rapidamente. Quando acordei, havia passado quase duas horas. Meu celular vibrava novamente e quando olhei, eram várias ligações da minha mãe.
Bem, ela não costumava ligar para saber como eu estava, a não ser que eu tenha feito alguma besteira e ela soubesse.
E eu tinha feito.
Era hora de ver a reação da minha família.
E não foi mesmo que aquele balofo avisou da minha suspensão?!
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