Notas iniciais
Essa original surgiu por causa de uma noite sem dormir... Então para compensar vou publicar esse cap, quero saber se ficou bom.. hehe

“As correntes da morte levam todas às sete almas, sempre sete,
Nada a mais...
Nada a menos...
Ela não descansará até ter levado sete, quem são esses não importa, ela se alimenta de sentimento.
Mas só dos mais cruéis, sanguinários e destruidores: Amor e ódio!
Seu plano nunca falha, todos que se envolvem morrem, e resta, às pessoas de fora, o castigo de tentar entender o que aconteceu.
Um restará... Apenas aquele que fizer o sacrifício.
Esse poderá ter uma longa vida, mas jamais será o mesmo...
Afinal terá um preço... ”

— Acha que isso pode ser real? – Ela pegou o livro da minha mão antes que eu pudesse acabar de ler.
— Não diga bobagens Jessica, é só uma ameaça sem sentido. – Resmunguei olhando para o papel pequeno e azul que recebemos mais cedo:


"Yuri,
Ariel,
Lauren,
Lincy,
Vincy,
Adivinha os próximos da lista? "


— Mas tudo parece tão real e tem esse livro. – Seus olhos âmbar passeavam preocupados pelas capas dos livros, o que me fez suspirar, eu peguei o livro e o lancei na reta do meu armário, ele caiu e se misturou a minha incontável bagunça.
— Não passa de uma daquelas histórias em que todos morrem no fim, é apenas mais um clichê estúpido. – Resmunguei e ela se levantou, “ótimo Luc, você é mesmo o cara”.
— Só estou dizendo que deveríamos contar a alguém. – Jessie insistiu e eu caminhei até ela, que me encarou como se suplicasse em silêncio. — Algumas pessoas, essas pessoas, esses nomes, eles já desapareceram, então... Podemos dizer aos outros, talvez isso... Eu não sei.
— Contar? E o que vamos dizer? Que um maluco ameaçou nos sequestrar e ainda mandou um livro de terror junto? Fala sério, você está criando caso á toa.
— Ok. Que seja! Vou indo, tenho dentista e é uma das raras vezes em que meu pai me deixa faltar aula. – Ela sorriu, eu a beijei rapidamente e me joguei de novo na cama.
— Tudo bem, eu acho... Até amanhã linda
— Por que nunca diz que me ama? — Jéssica perguntou ao chegar a porta, eu sorri um pouco sem jeito.
— Não sejamos precipitados. – Tentei parecer casual, mas isso só piorou tudo.
— Tá... Fui. Até mais Luc. – Assim ela saiu com um andar despreocupado, os cabelos castanhos presos no alto balançavam de um lado ao outro, uma clara decepção, eu sou mesmo um babaca.

~ # ~
“ O sacrifício dará a quem o realizar a possibilidade de nascer novamente, com isso poderei finalmente recomeçar como um novo eu, serei feliz e viverei muito. Por isso estou disposto a pagar o preço, pelo que entendi dos antigos escritos, o sacrifício deve estar ciente de seu dever a cumprir nessa ida sem volta, e tem que estar cheio dos sentimentos mais cruéis, amor & ódio.
Então eu observei cada um de vocês, cada adolescente, me aproximei sem que notassem e passei a conhecer suas vidas- ”
— O túmulo das sete almas? Desde quando gosta de ler? E ainda livros de mistério? — Não sei o que é pior, ter um amigo, ou ter um amigo que fecha o livro na sua cara enquanto está lendo, apenas para saber do que se trata.
— Sei lá eu só... – Pensando bem, o pior é um amigo que vasculha suas coisas, no caso paginas do livro, até encontrar o que não deve.
— O que é isso? – Ele perguntou pegando o papel azul e o lendo, ao terminar pude ver como seus olhos se arregalaram, ele podia ser tudo, menos a pessoa mais corajosa do mundo, em compensação sua curiosidade...
Maldita hora que eu fui deixar aquela coisa lá.
— Não é nada. Serio... – Pensei em enrolar, dizer algo como uma desculpa idiota, mas com Charles me olhando nos olhos com aquela cara de ponto de interrogação e o silencio da sala de aula que nos obrigava a sussurrar ficou impossível.
— É? Anda fala.
— É algo que veio com o livro... Jessie recebeu o mesmo, mas isso não deve ser nada. É só um obcecado pelo sumiço desses ai e resolveu dar um trote.
— Aliás, cadê ela? Ontem de ontem faltou para ir ao dentista, e desde então nada dela.
— Não sei, não consigo falar com ela, me preocupa, mas ela deve estar passando por algo na família.
— Irado. Onde você parou?
— Fala sério, você tem que revisar seu conceito de irado. Aqui. – Apontei qualquer parte aleatória do livro e ele leu em silencio.
— Olha isso: “Na abandonada fábrica de carros descobri que o destino estava a fim de sorrir para mim, eu finalmente havia encontrado, o antigo lugar em que as seitas eram realizadas”. Não tem uma fábrica dessas por aqui?
— Sei lá. – Murmurei olhando para frente, na tentativa de ignorar a existência dele pela milésima vez, e pra variar eu falhei, ele apenas prosseguiu na leitura insana.
— “Lá os copos dos sacrifícios eram amarrados e jogados dentro de um lugar sagrado em que tudo aconteceria bem no meio, é onde esse lugar se encontra, é aqui que irei conseguir que meu precioso descanse em paz”. – Charles parou de ler e olhou para o teto, no mesmo instante eu já sabia o que viria a seguir.
Ele riu, parecia não saber mais como se respirava, todos olharam para nós, inclusive o professor, eu quis enfiar minha cabeça em um buraco, mas Charles apenas continuou rindo sem parar.
— Algum problema? — O professor estava visivelmente irritado, mas mesmo assim Charles não pretendia parar de dar seu show.
— Ah! Preciso... De... Ar. – Meu amigo se levantou e caminhou até a porta rindo, ele saiu entre tropeços e notei que todos continham sorrisos debochados, aquilo me incomodou, mas não posso fazer nada se Charles não sabe ser normal.
— Sr. Romany? – O professor me chamou e comecei a me alto xingar mentalmente por existir e ser tão retraído, a coisa que mais odiava era chamar atenção. — Por que não nos mostra como você e seu amigo estavam prestando atenção na aula e vem concluir essa questão?
— Cla... Claro senhor. – Me levantei sentindo que caminhava para a forca e peguei o giz na mesa tentando não tremer tanto, sentia os olhares voltados a mim, sentia mais sorrisos irónicos, olhei para o quadro e me senti ainda mais inútil.
Em frente ao quadro cheguei a me iludir que aquela expressão de matemática monstruosa seria meu único problema, mas descobri que estava terrivelmente errado quando o diretor entrou na sala, em um tom de evidente dor contida e as mãos um pouco trêmulas, disse o que eu jamais consegui esquecer:
— A aluna Jéssica Saits. – Ele engoliu em seco. —Minha filha. E colega de classe de vocês... Desapareceu a dos dias atrás! — Os sons dos cochichos aumentaram no mesmo instante e senti meu coração gelar, o diretor aumentou o tom de voz. — Antes não passava de suspeitas, mas agora é um fato, ela é a sexta só nesse mês, peço novamente que tenham cuidado pelas ruas, temos um criminoso solto por ai.

Notas finais
E ai?