Túmulo das sete almas ~Hiatus~
2 Capitulo 2
Notas iniciais
Eu apenas corri...
Não podia mais controlar minha pernas, então corri para fora da sala, sem sequer dizer nada, eu apenas corri até o pátio exterior que estava vazio, então pude lembrar-me de como se respira.
— Luc? Luc! – Charles me chamava de longe, pude ouvir seus passos se aproximando, ele corria e acelerou no momento em que cai de joelhos e as primeiras lágrimas surgiram. Suas mãos tocaram meu ombro e ele se ajoelhou a minha frente. — Luc? O que houve? Saiu correndo desse jeito por quê?
— Ela... – Tentei falar, mas minha respiração começou a falhar, e meu coração acelerar.
— Ela o que? Fala meu filho, já está me deixando nervoso.
— Eu... Minha culpa... – Transbordando em lágrimas, minha mente não parecia querer funcionar, minha visão começou a ficar turva e comecei a tremer.
— Ai cara se acalma, por favor. – Charles pediu desesperado e se levantou, ouvi outros passos, e vozes. — Diretor ele está apavorado.
— Tudo bem eu cuido disso. – O homem garantiu e me ajudou a levantar.
— Mas... – Meu amigo protestou e foi puxado para longe pelo professor. — Me solta, me solta. – Foi tudo o que ouvi antes de finalmente apagar.
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Quando abri os olhos à luz quase me cegou.
— Ai. – Resmunguei pondo o braço em frente ao rosto.
Com bastante esforço consegui me levantar e abri os olhos, estava enfermaria da escola, olhei para o lado, Charles estava jogado numa cadeira, com a cabeça apoiada na cama, dormindo. Dei um peteleco na cabeça dele, que apenas abriu um olho.
— Que? – Perguntou sonolento.
— Acorda.
— Não. – E dizendo isso ele voltou a seu sono da beleza, suspirei e comecei a empurra-lo.
— Charles! Anda logo acorda! Anda!
Ele se levantou com um salto e ergueu as mãos como um bandido que se rendeu.
— Ah! Não fui eu! Ué... – Não pude deixar de sorrir e ele me encarou confuso e depois sorriu. — Você parece melhor. – Comentou se sentando na cama.
— Dependendo da sua definição de melhor...
— O professor me falou sobre o que aconteceu, é trágico eu sei, mas bem, não esperava aquela reação da sua parte, nem sabia que você gostava tanto assim da Jessie.
— Mas é claro que eu gosto. Só que... – Respirei fundo e lancei um olhar à porta, o professor conversava com um homem alto, forte e bem vestido, cabelo meio grisalho e sério, eu engoli seco. — Por que meu pai está aqui?
Charles coçou a cabeça e sorriu sem jeito.
— O professor o chamou... Ele ficou preocupado com você, eu disse que era melhor ligar pra sua mãe, ele até tentou, mas ela não atendia, então, teve que ser seu pai mesmo.
— Ótimo, perfeito, nada que piorasse ainda mais meu dia. – Reclamei, começando a me levantar. — Cadê minha mochila?
— Ali, mas aonde vai?
— Fugir é claro. Não quero saber de falação hoje, minha cabeça já está a mil. – Resmunguei pegando minhas coisas e indo na direção da janela.
— Ah, mas sozinho você não vai.
— Que seja, tenho muita coisa pra te contar mesmo.
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— Perai, explica isso direito. – Ele pediu pela milésima vez enquanto mordiscava o sanduíche, foi ideia dele virmos ao restaurante, e como não estava a fim de contestar nada acabei aceitando.
— Caramba Charles você é lerdo, eu já disse, um dia estávamos na sala da detenção por termos chegado atrasados, eu, Jessie, Ariel, Yuri, Vincy, aquele pequeno, Lincy e Lauren, eu até estranhei, porque alguns ali não eram do tipo que se atrasavam, eu só sei que o zelador apareceu e entregou a todos uma encomenda, todos a abrimos na hora, nesse dia recebemos esse livro, um dia depois Lincy sumiu.
— Espera, mas por que todos chegaram atrasados? Por que receberam o mesmo livro? Eu não entendo.
— Não sei. – Uma mulher apareceu com um carrinho de bebe e uma menininha pequena e se sentou a mesa ao lado, perto de mais na minha opinião, Então decidi falar mais baixo.
— Depois os outros também foram sumindo, um a cada semana, e cada vez que um sumia chegava um bilhete com o nome e alguns recortes de jornal, ou de algum caderno.
— Estranho...
— Sim, mas não levamos a sério. Até que recebemos aquele que você viu. Jessie ficou assustada e pediu para contarmos a alguém inúmeras vezes, mas eu fui contra. Isso gerou muitas brigas entre nós e agora ela também sumiu e não posso negar que acabei ficando um pouco assustado também.
— Um pouco?
— Ah! Qual foi... De qualquer modo é isso o que aconteceu. – Conclui sentindo um grande alívio, Jessie tinha razão, contar a alguém deixava todo o peso do problema mais leve, Charles terminou de comer e me olhou aflito.
— O que vai fazer agora?
— Eu não sei! Tudo está confuso... – Admiti sem animo.
— Tudo bem, eu vou te ajudar, só não faça nenhuma loucura... Ei, aquele não é o carro do seu pai? Ou... Aquele é o seu pai. – Imediatamente eu olhei para trás, pensei em fugir, tarde demais, ele havia me visto e agora andava na minha direção. — Acho bom eu ir. Até mais, me liga.
— Tudo bem, até. – Nos despedimos e ele saiu correndo.
Meu pai parou na minha frente e me segurou pelo braço, me forçando a levantar. — Está me machucando.
A mulher ao nosso lado nos encarava com um misto de raiva e indignação.
— Mais cuidado ai. – Ela resmungou. — Não vai querer que o menino perca o braço por sua causa vai?
Meu pai apenas a encarou e saiu me puxando para fora.
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