Notas iniciais
Eu estava, em um dia desses jogando xadrez de uma maneira que eu gosto de chamar de jogo espelhado, ou seja, eu contra eu, foi então que tive a ideia da fic e deixei um pouco as outras de lado para construir essa, o que eu estou gostando muito de fazer porque esse personagem é inspirado em mim mesmo (sim, sou muito estranho) Tirando a nacionalidade somos iguaizinhos (sim, isso mesmo) tanto no físico quanto psicológico O primeiro é bem curto assim mesmo, os próximos pretendo fazer maiores ok? AproveitemPs:Boa Leitura a todos

A vida é como um jogo de xadrez, basta mover as peças certas para o lugar certo, e assim continuar continuamente, mas como fazer isso? Simples, basta você atribuir peças às pessoas, dependendo de suas funções, ações ou personalidades

Pessoas facilmente manipuladas são peões, são pessoas que possuem um potêncial enorme, porém, são aplacadas pelos bispos, pessoas orgulhosas que olham para eles mesmos, apenas acham que essa mentalidade afeta muito mais as pessoas do que elas realmente imaginam...Ou não querem imaginar, já para a torre existem várias pessoas que se encaixam na descrição, em geral, aqueles que abusam da força para explorar outras pessoas

Esses dias em que estou nesta escola, fiquei pensando em vários tipos de coisas, tanto na aula de história quanto na de português, duas matéria tão...Inúteis, e, pra variar, temos que experimentar, todo o dia, o desgosto de ter que aturar as professoras

É todo o dia a mesma coisa, vir para a escola e ir para casa, ignorado, todo dia, todo o tempo, talvez eu não seja uma pessoa tão popular, não me encaixo nem mesmo na descrição das pessoas que são ignoradas por serem pervertidas, eu simplesmente sou ignorado por ser ignorado, não que eu me importe, muito, mas, situações assim criam feridas, feridas difíceis de curar e cicatrizar, porém, me contento em saber, que quando eu sair desta escola, nunca mais, provavelmente, verei essas pessoas

Me contentei com a ideia de trabalhar com internet, em casa, trancado, apenas saindo para comprar mantimentos, preferia ficar a vida inteira jogando video games

Ah, uma coisa que esqueci de mencionar, ou talvez não tenha tido vontade de dizer, sou apaixonado por video-games, da maioria deles RPG`s e jogos de plataforma, não gosto muito de falar, tenho por volta de 1,80, cabelos negros, olhos castanho escuro, rosto sem expressão alguma, sério na maioria das vezes, não como um emo, nada contra, adoro preto, mas o semblante deprimido não me cai bem

Gosto de ler, muito mesmo, mas, meu “hoobie” é atribuir peças de xadrez às pessoas, não é algo muito gentil de se fazer, mas é o que eu sei fazer melhor, ou quase, é uma maneira de “ler as pessoas”

Nunca fui muito gentil, ou verdadeiro, nunca tive alguém para ter um motivo de ser assim, apenas nunca tive ninguém para dizer que era meu real amigo, meus pais faleceram, em um incêndio que consumiu completamente minha antiga casa quando eu tinha quatro anos, nem me lembro muito deles, apenas alguns olhares, cor dos olhos, cabelos, mas rosto ou voz...nada, minha mãe tinha olhos azuis, tão belos quanto o céu do verão, meu pai tinha cabelos escuros, como uma noite de outono sem estrelas, eu herdei as características físicas do meu pai, enquanto tinha a personalidade da minha mãe, pelo menos é o que meu tios dizem

Eu estudo em uma escola pública, não é lá essas coisas, mas dá pro gasto, pelo menos isso, ao menos, não tenho muitos amigos, só converso com uma única pessoa, minha melhor amiga, seu nome é Sagenohara Akeno, ou simplesmente Akeno-chan, ficamos em partes separadas da sala, o que torna tudo o que eu faço mais demorado, até certo ponto

Geralmente fico de cabeça baixa, apenas escutando o movimento, pensando em coisas aleatórias, xadrez por exemplo, é algo aparentemente simples, com regras “faceis”

Xadrez é como jogo da velha, mas isso só se você compreender todas as 131072 combinações possíveis no tabuleiro, geralmente, o primeiro a fazer um movimento é o vencedor, na maioria das vezes,

Xadrez é um jogo robusto de paciência e astúcia, tanto quanto um jogo de estratégia e prudência, você sempre deve estar, no mínimo, dois passos a frente do adversário, é assim que eu cresci, assim que eu fui criado, foi assim que cheguei onde estou, e foi assim que conheci a Akeno-chan

[...]

Eu estava pensando em entrar em um campeonato de xadrez, à algum tempo já, foi quando ela se colocou ao meu lado, olhando para o mesmo cartaz que eu, logo em seguida me perguntou

–Você pretende entrar? -

Foi a primeira vez que eu escutei a voz dela, que foi como a música mais robusta e refinada para meus ouvidos, quando me virei, me deparei com seus olhos verdes, tão brilhantes quanto esmeraldas, o cabelo, caído em cascata, se bagunçando um pouco pelo caminho, deixando algumas pontas balançadas, liso, brilhantes, rebatendo a luz do sol em ondas escarlates de brilho, a pele quase branca, delicada e provavelmente macia, o sorriso que contornava seus lábios, terminando em um desenho de beleza indescritível

Naquele dia, ela vestia uma camisa social branca de mangas longas, meia-calça negra por de baixo da saia da mesma cor, sapatos vermelhos, e uma pequena fita arroxeada presa no seu cabelo, criando uma mecha

Essa foi a visão que fez, pela primeira vez, meu coração bater mais forte, foi como se o tempo tivesse parado ao meu redor, enquanto ela me olhava, com um olhar doce

Eu não havia percebido, naquele momento, que a havia encarado demais, e ela começava a ficar vermelha

–Er...Você poderia…-

Disse ela, com o rosto vermelho, eu avermelhei um pouco também e desviei o olhar, voltando a olhar para o cartaz que informava sobre o campeonato de xadrez, que ocorreria dali uma semana

–Pretende participar?- Perguntou ela, olhando para o cartaz

–Ainda não sei…-

Falei em baixo som, começando a andar na direção contrária dela, senti seu olhar sobre mim, duvidoso, quase esperançoso, como se estivesse esperando uma resposta a mais de meus lábios

–Por que? Medo de perder?-

Perguntou-me ela, como se fosse uma provocação, mesmo sabendo que ela poderia querer “me incentivar”, parecia que eu havia “simpatizado” com ela, pelo menos aparentemente, eu sorri levemente, quase como se estivesse tirando sarro de sua sarcástica pergunta

–Não, tenho medo de ganhar- Disse, senti seu olhar, certeiro e aparentemente zombeteiro, se transformar em um olhar de dúvida enquanto eu, vagarosamente, caminhava, logo senti passos apressados me alcançarem os ouvidos, virando meus olhos, vendo-a ali

–Muito prazer, meu nome é Sagenohara Akeno-...

[...]

Desde então ficamos “amigos”, de vez em quando ela vem conversar comigo, mais raras ainda as vezes em que eu inicio uma conversa, eu não gosto de puxar muito assunto com as pessoas , gosto de ficar sozinho na maioria do tempo

Minha casa não é muito longe da escola, por volta de um quilômetro ou dois, nunca fui muito bom com distância, mas de toda maneira dá um bom tempo de caminhada, Akane e eu moramos na mesma direção, então ficamos mais tempo juntos do que realmente deveríamos, quem vê poder facilmente nos confundir com um “casal”

Minha rotina diária se resume a ficar em casa, dormindo, jogando xadrez, ou simplesmente dormir, já ouvi algumas pessoas dizerem que eu tenho uma expressão dura, isso é devido eu ter puxado mais características da minha mãe, que era russa, e as vezes bebia, muito, então eu poderia facilmente ceder à essa “parte”

Quando eu encontro algum bêbado na rua, ou em qualquer lugar, inconscientemente me lembro de minha mãe quando ela parava de tomar o remédio para depressão, tão frágil que mal conseguia andar sem cambalear, nem que fosse um pouco, ainda lembro do hálito de álcool, dos olhos inchados, rosto um pouco vermelho, voz embargada de cerveja, os sentidos desestimulados, fracos, nessas horas eu costumava ficar longe dela, não me sentia bem perto dela nesse estado, sem poder fazer nada

Essa é uma das poucas lembranças que tenho dela, meu pai era um típico trabalhador, era empresário, trabalhava em uma grande empresa, na necessidade, vivo de uma poupança do meu pai, que não é pequena, ele nunca gostou de me deixar na mão, pelo que quer que fosse, isso também é uma das únicas lembranças que tenho dele

A partir disso, vivi solitário, por muito tempo, talvez tempo demais, apesar de que, não foi assim tão inconclusivo, aprendi várias coisas, observei diversas outras, e com isso veio a experiência assistida

Quer um exemplo? Amor, é sempre um bom exemplo, para quase qualquer coisa, sempre observei os casos amorosos na escola, aqueles que parecem mais interessantes são aqueles que menos tempo duram, não duravam nem mesmo cinco meses, isso é pra provar o quanto o ser humano é hipócrita e medíocre, falando de amor pra cá e pra lá sem ao menos conseguir amar realmente

Eu nunca me apaixonei, talvez por não ter motivos o suficiente para realizar tal proeza, ou, talvez, porque esse sentimento deve ser recíproco, de ambos os lados, e nunca me importei pra falar a verdade, o amor, em alguns aspectos, te torna fraco, fraco demais

Agora, neste exato momento, eu fitava o teto branco da minha casa, já havia acabado uma implementação do próximo trabalho, estava adiantado, e incrivelmente entediado, resolvi sair da cama, ir pra fora, dar uma volta, vesti uma calça-jeans, escura, beirando o preto, camisa social vermelha vinho e simplesmente tranquei tudo, depois sai de casa, não é como se eu estranhasse tudo, apenas esse “tudo” que estava um pouco diferente do habitual

O tempo estava fechado, ameaçando chover, não que eu me importe, muito, mas esse tempo fechado impede que o sol se mostre, e é isso o que eu gosto, sem sol, ou muito dele, as vezes é bom, mas esse “bom” faz eu me sentir estranho, até pra mim

Nunca gostei do sol, o que acabou acarretando na minha “palidez”, eu seria como um personagem de anime que eu estava assistindo esses dias, se não me o nome dele era “Death Note”, não que eu goste de anime, mas também não posso dizer que não gosto

Parei um pouco antes da esquina para verificar o movimento, foi nesse momento, nesse único momento em que desviei meu olhar do chão para frente, que eu vi ela, mesmo que por acaso, talvez fossemos destinados a ficar nos encontrando assim, seja na escola ou na rua, ou em qualquer outro lugar, quando nossos olhos se encontraram e um sorriso brotou em seus lábios, senti meu coração bater mais forte em meu peito, nem mesmo percebi que o sinaleiro

.fechou, foi só no momento em que ela me cutucou que eu voltei a mim

–Você está bem Dimi?- Perguntou ela, sempre se preocupou demais comigo

O passado da Akeno é relativamente simples, a mãe morreu por causa de um câncer agressivo que desenvolveu durante a vida, o pai sempre estava trabalhando e nunca teve tempo para ela, que, naquele tempo, vivia conversando na internet com uma pessoa, que ela insiste em dizer que não se lembra quem era, mas sabia que ele se dizia chamar “Dimi”, como temos, provavelmente, as quatro primeiras letras do nosso nome iguais Akeno devidiu me “chamar” assim

Akeno foi sozinha até o segundo ano do ensino médio, foi ai que nos conhecemos, mas creio que lembrar disso não fará muito bem, lembranças de mais por um dia me incomodam de uma maneira que não sei explicar

De toda maneira, o sinal voltou a fechar e eu comecei a andar

–Você vem?- Perguntei, provavelmente já sabendo a resposta, logo ouvi seus passos apressado me alcançarem facilmente

–Aonde vamos?- Perguntou ela, com certa felicidade na voz, eu me limitei a libertar um pequeno sorriso de meus lábios

–Apenas me acompanhe — Disse enquanto andava, se você quer caçar, cace, pegue um cachorro, uma espingarada, monte armadilhas e vá, mas se quer pegar uma raposa, o esquema é totalmente diferente

Se quiser pegar uma raposa

Deixe-a curiosa

E, tão previsível quanto achei que seria, ela começou a me seguir, no mesmo ritmo de meus passo, acelerando apenas para atravessar a rua, cujo sinaleiro estava quase fechando

O céu fechou um pouco mais, com um pouco de sorte, acabaríamos antes que começasse a chover, fomos em direção ao arque, um local ao r livre, com mesas com apoios, próprias para xadrez, onde os idosos da cidade se reuniam para desafiar uns aos outros para uma partida amistosa e conversar sobre as novidades, ou simplesmente jogar tempo fora quando este existia

Paramos em frente a uma árvore, cm um cartaz um pouco velho e desgastado, ficando até mesmo amarela por causa das várias mudanças de clima, que acabou degradando um pouco o papel, fiquei um certo tempo observando o cartaz,ela fazia o mesmo, foi então que se pronunciou

–O que tem de especial nesse cartaz?- Questionou ela, me tirando do meu “transe” temporário

–Foi observando um desses cartazes que eu conheci você...Lembra?- Disse a ela, quastionando-a, ela se surpreendeu um pouco, logo depois esboçou um pequeno e sincero sorriso, ela se lembrava, mas não com tanta frequência

Ela olhou para o céu, seu sorriso se alargou um pouco mais, iria chover, Akeno-chan sempre adorou a chuva, gostava dela, primeiro uma gosta, depois três, dez, trinta, sessenta, centenas e logo milhares e milhares de gotas vindas do céu, como se este chorasse, se chorava de alegria ou de tristeza era nós quem decidiamos

E, falando na chuva, esta não tardou em se cair sobre nós com velocidade, Akeno-chan pegou minha mão e começou a correr, me levando junto com ela consequêntemente, eu a olhava enquanto corríamos, com a face séria, enquanto ela sorria e ria enquanto corria, essa era uma das maiores alegria dela, correr na chuva

Eu sentia o calor de sua mão, de seu toque, sua pele era tão delicada e macia, a pele branca em contraste com a chuva a tornava ainda mais bela e admirável, senti meu rosto esquentar um pouco, logo comecei a correr um pouco mais, mesmo sempre querendo poupar energia ao máximo, tomei a dianteira, agora era eu quem a levava, viramos a esquina logo depois da rua que antes havíamos acabado de atravessar, corremos um pouco mais e chegamos em minha casa, rapidamente abri o portão e a coloquei para dentro da sacada, conseguindo sair da chuva

–Foi divertido!- Disse ela com um sorriso quase infantil no rosto, eu a invejava por ser assim, sempre feliz, ela não tinha dificuldades em mostrar suas emoções, mostrava quem realmente era pra para quem quisesse ver

–Entra, pode usar o meu chuveiro — Disse enquanto destrancava a porta, ela prontamente negou, mas sei que ela iria ceder, logo entrei e peguei uma toalha e algumas das minhas roupas

–A direita no corredor, segunda porta- Disse entregando a ela a toalha e as roupas, ela parecia ainda negar a minha oferta

–Eu vou depois, o frio não me incomoda tanto assim, pode ir, Akeno — Disse um pouco sério demais, era sempre assim, se eu a chamasse pelo nome ela não conseguia evitar de fazer o que eu havia pedido, ela fez um muxoxo fofo e foi andando a passos rápidos para o banheiro

–Se você tentar espiar eu vou te matar Dimi- Disse ela, enquanto eu ouvia o bater da porta

–Mulheres…- Disse, com o rosto um pouco vermelho pelas palavra dela, somente Akeno-chan me envergonhava assim

Algum tempo depois, nos encontrávamos novamente na sacada, observando a chuva, ela estava sentada na escada, eu me encontrava deitado do lado dela, ela estava usando uma roupa minha emprestado, uma bermuda que lhe passava os joelho, assim como a camisa de manga curta, que ultrapassava um pouco seus cotovelos, eu era maior que ela e, consequentemente, havia ficado grande nela, de acordo com ela, apenas as roupas “superficiais” haviam molhado, as roupas íntimas ficaram intactas e secas, assim a fazendo ficar mais confortável

–É bonito não é?- Ela puxou conversa, em um assunto qualquer, isso geralmente acontecia quando não tínhamos assunto, minha resposta foi um grunhido fraco, o que ela provavelmente entendeu como um sim, logo senti algo tocar minha mão, abri os olhos e ví seus cabelos vermelhos sobre ela, Akeno havia deitado ao meu lado, olhando o teto, com aquele mesmo sorriso bobo em seus lábios, que, no momento em que ela virou seu rosto em direção ao meu, se tornaram tão convidativos que me arrepiei

Por que tanto me olhas ”Seta” ?- Dizia ela, com um outro apelido dado a mim por ela, algo mais carinhoso e histórico, existem várias lendas sobre xadrez e sobre sua criação.

Uma das lendas diz:” O jogo de xadrez foi inventado na Índia. Quando o rei Cheram o conheceu ficou maravilhado do engenhoso que era esse jogo e da múltipla variedade de posições que nele são possíveis.

Ao se inteirar que o inventor era um de seus súditos, o rei manou chamá-lo com o objetivo de recompensá-lo pessoalmente por seu acertado invento. O inventor, de nome Seta, apresentou-se ante o soberano, vestindo-se com muita modéstia, e que vivia graças aos meios que lhe proporcionavan seus discípulos

Seta, quero te recompensar dignamente pelo engenhoso jogo que inventaste, disse o rei. O sábio agradeceu, mas não aceitou a generosidade.

–Sou rico o bastante para cumprir qualquer desejo teu. Diz-me recompensa que desejas e eu te satisfarei — Seta continuou calado. — Não sejas tímido, expressa teu desejo, não vacilarei em nada para satisfazê-lo — Finalmente, Seta se colocou a falar

–Grande é a tua magnanimidade, ó soberano, porém concede-me um curto prazo para meditar sobre a resposta, e amanhã, depois de árduas reflexões comunicarei ao senhor a petição.-

Quando ao dia seguinte Seta se apresentou de novo ante o trono, deixou o rei maravilhado por sua petição sem precedentes.

–Soberano -Disse Seta -Manda que me entreguem um grão de trigo pela primeira casa do tabuleiro de xadrez.-

– Um simples grão de trigo? — contesto admirado o rei.

– Sim, soberano, e pela segunda casa ordene que me entreguem dois grãos, pela terceira quatro grãos, pela quarta oito, pela quinta dezesseis, pela sexta trinta e dois etc-

–Basta- o rei interrompeu irritado -Receberás o trigo correspondente às 64 casas do Tabuleiro de acordo com teu desejo, a cada casinha receberás uma dupla quantidade que pediste, porém deverás saber que tua petição é indigna de minha generosidade, ao me pedir tão mísera recompensa menosprezas irreverentemente minha benevolência. Em verdade, como sábio que és deverias ter dado maior prova de respeito ante a bondade de teu soberano. Sai daqui, meus servos te darão esse saco de trigo que solicitaste-

Os matemáticos da corte trabalharam intensamente para calcular a recompensa de Seta, que ficou esperando na porta do palácio real. Somente ao amanhecer do outro dia o matemático chefe da corte solicitou audiência para apresentar ao rei um informe muito importante

–Ó rei, calculamos escrupulosamente a quantidade de grãos que Seta deseja receber. Resulta uma cifra astronômica, absurdamente gigantesca-

– Seja qual for sua magnitude…- interrompeu com altivez o rei — Meus graneiros não empobrecerão meus depósitos, prometi dar a recompensa a Seta e portanto eu a entregarei. — Disse com convicção

–Soberano, agora não depende de tua vontade o cumprir semelhante desejo, em todos os teus graneiros não existe a quantidade de trigo que exige Seta. Tampouco existe nos graneiros de todo o reino, até mesmo os graneiros do mundo são insuficientes. Se desejas entregar sem falta a recompensa prometida, ordena que todos os reinos da terra se convertam em lavouras, manda secar mares e oceanos, ordena fundir os gelos e as neves que cobrem os distantes desertos do norte, que todo o espaço seja totalmente semeado e se ordene entregar toda a colheita obtida a Seta. Somente então receberá sua recompensa- Disse o matemático chefe da corte, surpreendendo o rei

–Diz-me qual é essa cifra tão monstruosa de grãos- Disse o rei, reflexionando espantado.

–Ó soberano, são dezoito quintilhões, quatrocentos e quarenta e seis quatrilhões, setecentos e setenta e quatro trilhões, setenta e três bilhões, setecentos e nove milhões, cinquenta e um mil e seicentos e quinze18.446.744.073.709.051.615). Ou seja, é o mesmo que 2 elevado à potência 64…A recompensa do Inventor do Xadrez deverá ocupar um volume aproximado de 12.000 Km3. Se o graneiro tivesse 4 metros de altura e 10 de largura, seu comprimento teria que ter 300.000.000 de quilômetros, ou seja, o dobro da distância que separa a terra do sol”

Akeno-chan diz que eu lembro Teta, o criador do xadrez na lenda da criação de tal magnifico jogo, não digo que ela está errada, mas também não está tão certa assim

Ela é quase uma especialista em história, geografia, espanhol, inglês, excelente em música e arte

–Nada de mais, Mi Lady Maria Antonieta — Disse em comparação com outra figura histórica, A jovem austríaca de pele clara e claros olhos profundos que roubou o coração do povo francês. Conhecida por tais virtudes femininas como caridade e habilidade musical, ou seja, havia muita semelhança entre a personalidade, de acordo com os relatos escritos sobre a rainha

Ambos rimos, porém, Akeno sorriu mais, largamente, seu típico sorriso

–Você é bobo Dimi -Disse ela enquanto sorria, e esse mesmo sorriso fazia meu coração acelerar, eu fechei meus olhos, sorrindo um pouco mais, a presença dela aquietava minha mente, acalmava e anestesiava totalmente meu corpo, o simples fato de eu pensar nela, em seus olhos esmeraldas e seus cabelos de fogo me traziam calma, e felizmente, ou infelizmente, começo a desconfiar do que esse sentimento possa ser

Eu abri novamente meus olhos, e ela ainda me olhava, porém, dessa vez, com o rosto um pouco vermelho, seu sorriso diminuiu um pouco, se tornando uma coisa doce, um sorriso casual
Não era segredo nenhum que eu invejava ela, ela era simples, não fazia birra por qualquer coisa, tinha o pleno domínio de seus sentimentos, sabia esconde-los bem quando necessário, e sabia mostra-los com clareza sem se passar por idiota, sabe como se misturar com as pessoas, tem talento de sobra em muitas coisas, não ea uma completa inútil…

Ela, subitamente, se colocou entre meus braços procurando o calor do meu corpo, o corpo com a pela um pouco fria dela foi logo se aquecendo, e eu também, era incrível como contato corporal era efetivo contra o frio, agora sei como um pinguim se sente no “abraço em familia”

–Dimi..- Disse ela, de olhos fechados, antes de abri-los e olhar para mim, senti um pequeno arrepio percorrer todo o meu corpo, enquanto que o som da chuva se tornava um pouco mais forte, e o vento um pouco mais gélido

–Você é quente…- Disse ela, fechando os olhos e se aninhando um pouco mais ao meu corpo, senti meu rosto esquentar um pouco, mas ele logo se esfriou quando meu olhar se dirigiu às montanhas, em Saporo a vista é sempre bela, seja dia, seja noite, esteja sol, esteja chuva, ou até mesmo neve, eu me sinto privilegiado por nascer e crescer em um lugar assim, onde a vista é sempre bela e deslumbrante

Me virei, olhando para Akeno, que havia dormido quase que em cima de mim, de maneira gentil e cuidadosa, eu me levantei, a peguei em meus braços e a levei para minha cama, logo em seguida fiquei ali, por um tempo, parado, observando seu rosto, sereno, tão calma e quieta que me dava inveja de tão serena

Eu a invejo, completamente, toda ela, ela sempre foi tão simpática comigo como nenhuma outra foi, falava bem em público, tinha ótimas notas em tudo, era considerada a melhor da classe, e a mais bonita também

Sim, eu a invejo por completo

Foi então que eu ouvi um sussurro, bem baixo, quase que abafado pelo barulho as gotas de chuva, era a voz suave de Akeno, que sussurrava e enchia meus ouvidos

–Não Vá…- Disse ela, logo em seguida sorrindo, eu podia inveja-la por completo, porém, ela era tão previsível quanto eu soltar uma bola de borracha e dizer que ela iria quicar no chão e voltar, eu esbocei um pequeno sorriso, bocejando logo em seguida, fechei a porta da sacada e voltei para o quarto

Não que a casa fosse grande, mas era o suficiente, tinha quarto, cozinha, banheiro, lavanderia, sala de estar e um sótão, um de cada, ainda não entendia, se eu morava sozinho, por que ter uma cama de casal? Apesar de que, veio bem a calhar

Eu voltei a observa-la, ela abriu um pouco o olho direito, me olhando com uma expressão sonolenta, a chuva a deixava tanto feliz quanto com sono, cuidadosamente eu me deitei ao seu lado, encarando o teto branco do meu quarto, e pensar que eu apenas queria dar uma volta

Minha visão foi, aos poucos, cedendo à escuridão, meus corpo relaxou de uma maneira brusca, e, logo o sono me abraçou por completo, mas não antes de sentir a pele macia e o toque feminino e cuidadoso da mão de Akeno por sobre a minha, não pude nem mesmo sentir meu rosto esquentar, por já havia adormecido.

Notas finais
Bem, digam o que acharam do Dimi, e não, este não é o nome completo dele,o nome dele será revelado apenas mais para frente, é um nome diferente, sim, concordo, seu sobrenome um pouco mais Vocês acham mesmo Xadrez um jogo sem aplicação na vida real?...Pense De novo...