Notas iniciais
Bem, não peço perdão pela demora, as vezes precisamos dar prioridade à coisas mais importantes, mesmo não querendo, quando trabalharem, vão entender. Capítulo dois postado Boa leitura.

Eu abri meus olhos, me deparando com o seu rosto sonolento, eu o acariciei, fazendo-a sorrir levemente, em seguida ela abriu seus olhos, em seguida corando, estávamos tão próximos que nossos narizes se encostavam um no outro, qualquer movimento brusco e o que veria a seguir poderia acarretar uma série de acontecimentos, não que eu não goste desta ideia, mas sim gostaria, mas sempre que algo assim surge, alguma coisa me impede de continuar, como se fosse uma barreira invisível, que não me deixasse me aproximar da Akeno.

Suas pupilas se comprimiram um pouco, ficando menores, suas bochechas adquiriram um tom rosado, ela levou sua mão em direção a minha, a colocando em cima da mesma, eu podia sentir o calor de seu corpo, de sua mão, até mesmo tinha a sensação de estar sentindo e ouvindo as batidas frenéticas e loucas de seu coração.
Por fora eu estava impressionado, por dentro, apavorado, o que eu fazia agora? Por que sentia essas sensações e arrepios estranhos? Eu não entendia, será que eu havia focado doente? Com o passar dos anos, isso foi aumentando, ficando maior, mais forte, mais frequente, chegava a ficar tonto, por que?
Ela virou um pouco o rosto, ameaçando avançar.

Em um movimento brusco, me virei na cama, ficando por cima da mesma, ela se surpreendeu, ficando ainda mais vermelha, eu a encarava, curioso.
Eu estava com medo, temeroso, era como se o meu corpo tivesse adquirido vida própria, em uma ação impensada e imprudente, eu nem se quer havia percebido, tinha voltado de meus pensamentos com o som da voz dela.

–A mesma curiosidade que pode pegar a raposa, pode pegar o gato também, não é?- Cochichou ela, com surpresa na voz e no olhar, eu a vi desviar um pouco seu olhar de mim, quando voltou a me encarar, seus olhos brilharam ainda mais, tão lindos como jóias que brilham no escuro, eu segurei sua mão o mais gentilmente possível, e fui, aos poucos, me aproximando dela, seus lábios, vermelhos e finos, se tornaram tão convidativos para minha mente que já não aguentava mais.

Conheço esta garota já tem anos, mas essa é a primeira vez que fico assim, que sinto algo tão forte a ponto de não me controlar, do meu auto controle sumir tão rápido quanto equações sendo apagadas por um apagador de um quadro negro, eu sentia medo do que eu poderia fazer sem perceber ou querer, e das consequências que isso geraria.

Uma vez, me disseram que isso era amor.

Mesmo que ela nunca tenha demonstrado, anteriormente, que esse sentimento se quer pudesse ser possível entre nós dois, ainda não entendo o amor, pra mim, amor é um defeito no cérebro, um simples embaralhamento de informações que acaba prejudicando o funcionamento e o fluxo cerebral, mas, para definir melhor isso, seria melhor ter um entendimento poético sobre o assunto, e eu não tenho essa mentalidade.

Isso é melhor para Akeno.

Mesmo assim, acho que entendo um pouco desse amor que tanto falam, eu aproximei meus lábios dos dela, vi seu olhar surpreso por meus atos, ela fechou seus olhos, enquanto seu rosto se tornava ainda mais vermelho, eu também fechei meus olhos, aspirando um pouco mais do perfume de seu corpo, foi quando eu escutei um grito, alto e fini, irritante aos meus ouvidos.

–Pervertido! — Disse...Gritou uma voz feminina, olhamos, ambos nós, para a porta do meu quarto, vendo ali uma garota, também ruiva, de olhos vermelhos, com o rosto completamente vermelho, com uma expressão indignada na face, ela vestia uma camisa de mangas longas branca, saia preta, meia calça da mesma cor, sapatos vermelhos, o cabelo longo e rubro, assim como a Akeno, solto, balançando ao vento era de se esperar que também fosse ruiva, ela era dois anos mais nova do que Akeno, e era um pouco mais intrometida e muito mais irritante.

–Akane? — Perguntou Akeno, tudo aquilo me daria uma dor de cabeça, sai de cima de Akeno e me sentei na beirada da cama, pensando.

–Eu estava te procurando, até encontrar um bilhete escrito estou na cada do Dimi, volto mais tarde, fiquei preocupada pois estava demorando demais. e quando chego encontro este pervertido- Apontou para mim — Te agarrando!- Vociferou ela, quase como uma ameaça, suspirei fracamente, enquanto o rosto de Akeno se avermelhava um pouco mais.

Eu me levantei da cama, indo até a porta, encarando a pequena intrusa, eu a olhei, perguntando com o olhar como entrou?

–B-Bem...- Ela entendeu — A-A porta estava destrancada- Disse ela, enquanto desviava do meu olhar, quando ela desviou o olhar eu rapidamente fechei a porta e a tranquei lá fora.

–Dessa vez não esqueci- Disse, com um olhar maligno e um sorriso sarcástico, enquanto ouvia as batidas na porta e seus gritos, pedindo, mandando, exigindo que eu abrisse a porta.

–O que acha ruiva? Devo abrir? — Perguntei, vendo seu rosto avermelhar um pouco.

–Sim, deve — Como o dito, abri a porta, fazendo Akane cair no chão, desajeitada.

–Isso foi maldade — Disse ela, acariciando a cabeça, eu me abaixei, a olhando, acariciando sua cabeça, enquanto ela me olhava.

–Essa é sua punição por ter entrado sem avisar, fique até a chuva parar, depois vá embora — Ela estapeou minha mão, tirando-a de sua cabeça, enquanto rapidamente se levantava, murmurando algo como pervertido ou idiota.

Ela foi para fora, para a varanda, olhar a chuva, ou tentar, estava com as mão nervosas, se acalmou mais assim que sua irmã chegou, ela parecia desconfortável na minha presença.

–O que houve? Por que toda essa preocupação? Parecia desesperada, sabia onde eu estava — Comentou ela, explicando a situação, chegando a parecer um pouco irritada por sua irmã menor ter interrompido o que eu havia começado, e não, não me arrependia nem um pouco, ela me olhou irritada, em seguida encarou a irmã.

–Porque eu sabia que ele tentaria te agarrar, como já o vi fazer antes, esse esse Monstro!- Disse ela, apontando para mim acusatóriamente, ela não aprendia.

–Acalme-se criança

–Eu não sou uma criança! — Gritou ela em protesto, com a voz exaltadamente alta, fazendo me sentir um certo desconforto, junto de um pequeno zumbido no ouvido.

–Então pare de agir como uma! — Exautei-me, com o tom de voz mais alto, com autoridade, ela se calou no mesmo momento, senti o olhar de Akeno sobre mim, ela parecia surpresa, ela raramente me viu levantar a voz para alguém.

–Akeno fez o que deveria fazer, avisando-lhe, você não tem o direito de ser intrometida e, ainda por cima, mal gradecida, ela lhe avisou porque se preocupa com você, se você se incomoda com o fato de ela estar comigo diga logo, sabe que nunca faria nada para magoa-la ou machuca-la, porque ela é importante pra mim, então pare de reclamar e de se revoltar com tudo e todos — Disse, parando um pouco para tomar fôlego, ela me olhava, com olhos marejados, quase chorando, ela parecia relutante em falar alguma coisa

–...Sabe, eu gostaria que você confiasse mais nela, por mais que ela seja apenas dois anos mais velha do que você, tenha absoluta certeza, quando ela não está contigo, ela está comigo, e quando ela está comigo, eu esqueço completamente deste mundo, porque ela se torna meu mundo — Disse sem perceber, enquanto que, apenas agora, ouvia passos vindos do portão, enquanto que as luzes do farol, ainda ligadas, foram desligadas apenas com um aperto de botão, uma Zündapp KS750, completamente preta, completamente linda, com uma trouxa relativamente grande na traseira, no local do passageiro, envolto com um tecido grosso que eu não sabia identificar, mas sabia que tudo, seja lá o que houvesse ali dentro, estava bem seco e protegido da chuva.

–Parece que alguém andou lendo o meu livro — Disse ele, enquanto se aproximava, sem se importar com a chuva, ele nunca, nunca fazia nada apressadamente, não importando o quão urgente fosse ou o quão desesperado ele estivesse.

Ele me encarou, com um sorriso aconchegante, os olhos, enegrecidamente azuis, beirando o negro, brilharam em satisfação e em surpresa, os cabelos, caídos, molhados com a chuva, o chapéu, estilo russo, com a bordas parecendo o que alguns chamavam de orelhas de cachorro cobrindo as orelhas, com um estofado branco ao seu redor, que mantinha as orelhas quentes, com o resto do couro sendo negro.

Ele usava uma camisa branca de manga curta, por cima desta uma camisa preta de manga longa, de tecido grosso, couro, a típica jaqueta de motoqueiro, esta sendo de couro fino, quase da espessura de uma camisa normal, luvas, cujos dedos eram expostos, óculos de aviador, quadrados, que cobriam toda a região dos olhos, com o vidro sendo azul, ele o levantou, revelando seus olhos, mais claros do que se pensava que eram por de trás dos óculos, os deixando na touca, acima da aba.

Por cima da segunda camisa, que estava com o zíper fechado, um sobretudo marrom-claro, de couro, aberto, que era preso por botões, calças escuras, feitas de couro, um cinto marrom escuro, com a fivela prateada, preso nela alguns bolsos, como aqueles porta-granadas da segunda guerra mundias, calçava botas escuras, também de couro,, ele estendeu a mão, oferecendo-a a mim, eu a apertei, e, tão imprevisível quanto ele era, me puxou para um abraço apertado, ele sentiu suas roupas molharem um pouco, mas retribuiu o abraço, apreciando-o, aproveitando-o, fazendo mais de um ano que não o via.

–Que bom que suas namoradas cuidaram bem de você — Disse ele, com o tom divertido na voz, uma das ruivas corou, ficando mais vermelha do que o próprio cabelo, já a outra, criou uma expressão raivosa.

–Eu jamais namoraria essa coisa! — Gritou ela, apontando para mim, já recuperada do momento anterior, eu suspirei, senti o olhar de Akeno sobre mim, eu a olhei, ela avermelhou mais e desviou o olhar, senti ele sorrir.

–Uma é tão suave e amena quanto os raios da lua, a outra é tão agressiva e agitada quanto o calor do verão, como podem ser tão parecidas, mas tão diferentes? — Akeno o olhou, com os olhos brilhando, quase mais vermelha, nunca vi tanto vermelho em um dia, Akane, alterou sua expressão para uma de surpresa, ela se encolheu, parecendo envergonhada.

–Imagino que até mesmo o nome de vocês seja tão parecidos, quanto diferentes, estou certo? — Disse ele, olhando para as duas, Akane foi para perto da irmã mais velha, que ficaram olhando-o

–É falta de educação querer saber o nome de alguém sem se apresentar antes — Comentou Akeno, com um tom de voz mais duro e repreenssivo.

–Oh, que descortês de minha parte — Ele se curou levemente, colocando o braço direito a frente do corpo, como aquelas apresentações antigas de sua pessoa — Eu sou Kavya — Apresentou-se, logo em seguida endireitou-se, olhando para as duas.

–Eu sou Sagenohara Akeno, e essa é ,minha irmã mais nova, Sagenohara Akane — Cumprimentaram-no curvando-se um pouco, a mais nova o olhava, com curiosidade e dúvida.

–É sobre o meu nome não é pequena?- Perguntou ele, ela confirmou com a cabeça, as pessoas estranhavam nossos nomes regularmente, isso quando elas os sabiam.

–Meu nove, Kavya, em russo, significa poema, por isso gosto tanto de arte, já o de meu querido irmão mais novo, significa terra, terra quer dizer base, por base, se você pesquisar, saberá que tudo se firmou na matemática, esta sendo como base para o mundo, por isso o Dimi é como é, um gênio em todas as formas de matemática — Explicou ele, sob meu olhar sério, na qual eu fazia questão de lhe avisar que estava passando dos limites.

–Nós somos uma meia moeda de uma meia verdade, se eu sou razão, ele é emoção -Disse, esclarecendo ainda mais as coisas, as deixando fácil de se entenderem.

–Aqui, pra vocês — Falou ele enquanto pegava algo em seus porta-granada, tirando um bloco de anotações, com alguns rascunhos.

–Essas são algumas anotações minhas, estava guardando para um próximo livro, mas arte, qualquer ela que seja, é tão ilimitada quanto os raios do sol, posso criar novos sempre que eu quiser — Disse ele, enquanto entregava o bloco de notas para Akane, fazendo questão de tocar suas mãos, ela corou, enquanto guardava o bloco de notas.

–Muito obrigado, estou honrada em receber um presente assim — Agradeceu ela, se curvando um pouco, vi surpresa nos olhos de sua irmã, mas esta tratou de esconde-la e sorrir.

–Bem, precisamos ir, desculpe pelo incômodo- Disse Akeno, enquanto me olhava, sorrindo.

–Até mais Dimi — Disse ela, se despedindo com um sorriso encantador, antes de Akane ir, eu a chamei a atenção.

–Akane, sei que fui duro, e peço perdão, mas não menospreze sua irmã, além de ela se cuidar, ela têm a mim, sempre teve, e sempre cuidei dela, e, se permitir, eu gostaria de cuidar de você também — Disse, sorrindo, ela pareceu surpresa, e murmurou um obrigado, logo ela saiu, a chuva parou, elas moravam perto, então não havia necessidade de um guarda-chuva, Kavya me olhava, com um sorriso no rosto.

–Está começando a ficar popular com as garotas hein — Disse ele, com o costumeiro tom brincalhão, que não aprovava muito.

–Vem, vamos entrar, eu fiz chá, pode deixar que eu guardo a moto, e depois faço uma revisão, eu a construí, então ninguém melhor para revisa-la

[...]

Eu olhava as estrelas no telescópio, marcando algumas posições de estrelas em uma folha, enquanto podia ouvir o som das teclas mecânicas da máquina de escrever do meu irmão no seu quarto, ao lado do meu, sei que pode ser antiquado, mas ele adora, em pleno século 21, a era da tecnologia, computadores e comandos de voz, ele tinha penas caligráficas, pranchetas, caixa de música, máquinas de escrever, chegou até mesmo a fazer um curso de datilografia, o engraçado, é que ele trabalhava com informática, com um lance de design, e ganhava um bom dinheiro, que usou para escrever o seus livros.

Seu hobbie é ser escritor, ele é um autor conceituado e até mesmo premiado, um ano e meio mais velho do que eu, exatamente, ele já ganhou vários prêmios, entre eles o prêmio de escritor mais jovem e de poesia mais brilhante.

Ele é uma pessoa incrível, com uma mentalidade poética genial, mas, como qualquer um, que valoriza tudo o que conquista, eu também valorizo as minhas, não são tão chamativas quanto os do Kavya, por mas que eu tenha o prêmio de gênio, jovem Einstein e ter uma vaga garantida na universidade de Princenton, Harvard e Oxford , sendo nesta ultima como professor, imagina, um garoto de dezessete anos, dando aulas pra alguém de vinte, vinte e cindo anos, complicado né ?

Fui até seu quarto, ao lado do meu, ele me olhou, tirou seus óculos finos, quadrados, levemente curvos, assim como estava com os cabelos soltos, sem aquele elástico que prendia o seu cabelo em um rabo de cavalo, ele se virou, girando a cabeça, tirando também o lápis da orelha.

–Em quê posso lhe ser útil irmão?- Perguntou-me ele, com um sorrisinho convencido, aposto que ele sabia que eu iria até ele, com perguntas e dúvidas quanto a coisas que eu não entendo, ele me perguntava sobre matemática, eu lhe perguntava sobre sentimentos.

–O que é amor e paixão no seu conceito? — Perguntei-lhe, curioso, enquanto sentava em sua cama, seu quarto consistia em uma escrivaninha, uma mesa para projetos, um guarda-roupas pequeno, uma cama de casal, na escrivaninha havia a máquina de escrever preta, de um lado um notebook pequeno, do tamanho de um antebraço de um adulto, do outro, vários cadernos empilheirados, e ao lados destes, um pote com tinta, e uma pena, realmente meu irmão era muito conservador.

–Aquela frase que você disse pra ela, quando ela está comigo, eu esqueço completamente deste mundo, porque ela se torna meu mundo, essa frase define amor, o que é o amor, você me pergunta, eu te respondo, o amor é você não apenas querer aquela pessoa em especial bem, mas sim, fazer de tudo para que ela esteja bem, claro,você querer o bem é quase uma virtude, mas-

–Seja direto, você perdeu doze segundos com informação desnecessária- Interrompi-o, chamado sua atenção, ele riu, desconcertado.

–Ok ok, você está apaixonado, isso é óbvio, por isso você está tão confuso, sua matemática não entende o sentimento, você é muito mecânico, tente se soltar um pouco perto dela, sorria de vez em quando, quando estiver com ela — Ele sorriu, voltando-se para sua máquina de escrever, enquanto falava.

–Você ainda está tentando entender as emoções, elas não devem ser entendida, devem ser sentidas — Disse ele, enquanto digitava, tentando me explicar.

–Sério, as vezes não entendo nada do que você diz — Minha voz saiu tediosa, ele riu de volta.

–Algum dia vai entender — Disse ele, enquanto jogava um livro em minhas mãos.

–Esse é novo, aproveite que amanhã é sábado e vai ler um pouco — Ele voltou a escrever, enquanto tirava a folha e revisava.

–Não, tenho compromisso amanhã — Em seguida me levantei, enquanto sentia o olhar dele sobre mim e um sorriso brincalhão quase rasgar seu rosto ao meio.

–É maninho, você começa a viver de verdade a partir de agora-

A propósito, meu irmão é um bispo branco

[...]

Eu abri meus olhos, em seguida a janela, não me importava em sair do calor de minha cama, ali fora estava tão quente quanto, o sol brilhava forte, o vento soprava fraco, as nuvens estavam brilhantes, um típico dia de inicio de verão.

Tomei uma ducha fria e rapidamente me vesti, uma camisa preta, com um casaco marrom de couro fino, semelhante ao sobretudo de Kavya, calças escuras, sapatos da mesma cor, dei uma ajeitada no cabelo, me olhando no espelho, quando me virei, vi meu irmão na porta, sorrindo.

–Deixa eu te ajudar com isso — Ele se aproximou, ajeitando meu cabelo, bagunçando-o um pouco, jogando-o para trás, ajeitou a gola do meu casaco, em seguida me olhou.

–Sei que está nervoso, vai sair em um encontro não é? -

Senti meu rosto esquentar um pouco, desviei o olhar, olhando o tempo, vendo que já havia esfriado um pouco, por mais que fosse um início de verão.

–Uma dica, de coração, quando você sentir que é a hora, segure a mão dela, as garotas gostam e se sentem bem, mas vá devagar, ela, provavelmente, estará tão nervosa quanto você — Disse ele, como se fosse um perito no assunto, levei em consideração apenas a ultima parte e logo saí, pegando minha carteira e meu celular, olhei no relógio, que marcava nove horas em ponto, cedo demais, o horário marcado era nove e meia, em uma praça aqui por perto, então decidi dar uma volta.

[...]

Andava pelas ruas, observando o movimento, os vários pés ao lado dos meus, passando e pisando no chão, alguns mais leves, outros mais pesados, parei no sinaleiro, que havia abrido segundos depois, em seguida atravessei a rua.

Vi um gato preto de olhos azuis em cima de um muro, ele olhou em minha direção e miou, fiquei olhando-o por alguns minutos, até sentir algo cutucar minha bochecha, me virei, e, em seguida, senti meu coração bater mais forte.

Ela me olhava divertidamente, um pouco vermelha, usava uma camisa branca com detalhes em vermelho, calça jeans escura, botas negras de cano alto, e um casaco preto, os cabelos, presos em um rabo de cavalo, esvoaçando com o vento, que soprava fraco.
Ela me abraçou, senti meu coração quase sair pela boca, mas, mesmo assim retribui, sinto a pele macia dela, o cheiro de morango que emanava de seus cabelos, o perfume adocicado no vento.
Abraçava sua cintura com a leveza de um movimento simples, com alegria maior do que aquela que geralmente sinto ao dizer, com toda a certeza de vitória, "xeque-mate".
Ela levantou o rosto, me olhando, ela ficou vermelha e, lentamente se afastou de mim, senti falta do calor de seu corpo, mas logo disfarcei.
Ela me olhou, curiosa.

–O que faz aqui tão cedo? — Ela perguntou, provavelmente já sabendo a resposta.

– Acordei cedo demais, então decidi dar uma volta, aparentemente aconteceu o mesmo com você — Constatei ao vê-la vermelha de vergonha.

–É-é... Vem, vamos lá — ela segurou meu pulso, me puxando para ao lado dela, em seguida nos colocamos a andar.
Andamos até a praça, onde haviam vários bancos de madeira, nos sentamos em um deles e ficamos olhando o horizonte.
Os prédio, altos o suficiente para tocarem as nuvens, a luz do sol, quente, o vento fresco, pessoas passando uma após a outra rapidamente.

–Sobre ontem... -Comecei-... Desculpe se fui muito duro com sua irmã, desculpe se te aborrecido, te chateei ou te magoeei de alguma maneira, eu só...-

Senti seu dedo indicador em meus lábios, me impedindo de continuar a falar.

–Não se preocupe com isso, o passado é passado, só me deixe aproveitar um pouco o "meu mundo"- ela falou, se aproximando de mim, senti meu rosto esquentar, ela se aninhou em meu braço, se confortando ali, enquanto escorava a cabeça em meu pescoço.
Ficava pensando se era a hora certa de se fazer aquilo que Kavya havia me dito.
Lentamente movi minha mão para cima da dela, com toda a leveza que eu tinha, tentando fazer ela não perceber, bem devagar, entrelacei nossos dedos em um gesto gentil, acariciei a bochecha dela com minha mão esquerda, em seguida fui até o seu elástico, o soltando, fazendo seus cabelos descerem como uma cachoeira vermelha.

–Você fica mais bonita de cabelo solto- Completei e a vi corar e desviar o olhar enquanto ajeitava o cabelo.
Na nossa frente, passaram alguns cachorros, brincando junto com algumas crianças, em seguida uma voz foi ouvida, grave e assustadora.

–O que pensa que está fazendo?

Senti um arrepio subir e descer minha espinha rapidamente, em seguida um puxão, que quase fez Akeno cair do banco.
A garota em questão tinha longos e belos cabelos azuis, olhos da mesma cor, cílios longos, dona de uma tonalidade de cabelos e olhos azul gelo, tão bonitos quanto o azul do mar.
Vestia uma camisa branca com detalhes em azul, uma jaqueta de couro branca e fina, calças claras, botas negras de cano alto e um cinco da mesma cor.

–Ele é minha propriedade — Senti um braço passar pelo meu pescoço, me apertando contra seus peitos, a empurrei de leve, mas o suficiente para separa-la de mim.

–Estava com saudades gatinho meu — Ela me encarou, com um sorriso que logo pude identificar como malicioso, ela lambeu os lábios, em seguida os mordeu de leve.

–Estava se aquecendo para mim? Não precisava, eu mesma prefiro fazer isso — Ela ameaçou se aproximar de mim, recuei, indo para o lado de Akeno, segurando sua mão

–Você ainda leva a sério o que aconteceu? Já disse, foi um acidente, não tive qualquer intenção de me jogar no banheiro feminino e cair em cima de você, foi meu irmão quem me empurrou — Tentei argumentar algo, sem sucesso aparente.

–E onde ele está para confirmar a história? Nunca o vi nem sei se ele se quer existe, só sei que, quando abri os olhos, você estava com as mãos perigosamente perto de um lugar constrangedor, eu teria te pegado ali mesmo, mas você foi mais rápido e correu de meus braços — Ela foi convincente tenho que admitir, chegou a fazer Akeno corar fortemente.
Ela tentou ir embora, porém segurei sua mão um pouco mais forte, então ela ficou

–Escute aqui, eu realmente não conheço nem mesmo seu sobrenome, não sei nem mesmo sua idade, só porque acha que sabe alguma coisa que eu não sei não é motivo para se intrometer na vida dos outros, além do mais... — tirei um bloco de notas de um dos meus bolsos e uma caneta do outro, anotando um numero nele -... Esse é o número do meu irmão Kavya, fale com ele sobre tudo isso e me deixe em paz, se não se importa, tenho algo importante a fazer agora.

Dei um leve puxão em Akeno, a fazendo me acompanhar, enquanto apertava um pouco mais sua mão, por mais que eu estivesse irritado, o simples tocar de sua pele me acalmava a tal ponto de me fazer suspirar.

–Quem era aquela garota? — Questionou-me ela, eu a olhei longamente por alguns instantes

–E eu que queria ter uma manhã de paz apenas com você — Disse, frustrado, enquanto a via avermelhar um pouco, como uma pessoa consegue ficar vermelha tantas vezes?

–Ela faz parte de um assunto que não quero comentar agora, eu quero "aproveitar meu mundo". — Vi ela corar, de novo e, em seguida, sorrir docemente, enquanto ela apertava ainda mais os dedos ao redor dos meus, mal sabia eu que um "maluco" nos espiava com um bloco de notas e uma caneta em mãos.

Fomos até uma sorveteria, bem longe da praça, onde eu sabia que ela não poderia nos encontrar, dentre todas as escolhas lógicas, ela não viria por aqui, nem passaria certo, só no final desse dia eu descobriria o quanto eu estava certo.

Akeno pediu um sundae de morango, por minha conta, já que eu insisti, pelo menos uma das dicas do meu irmão que eu decidi seguir por voto de confiança, eu peguei uma casquinha de creme simples.

–Adoro sorvete — Comentou ela com a colher ainda na boca, de olhos fechados, apreciando o sabor, ela olhou pro céu por alguns segundos, me deixando um pouco curioso, eu a acompanhei no olhar, ficando claramente um pouco interessado.

–Será que podemos tocar as nuvens? — Perguntei a ela, ela me olhou e sorriu, senti meu coração acelerar rapidamente enquanto via seus lábios se abrirem

–Tocar as nuvens é como tentar alcançar seus sonhos, basta esticar o braço e entrelaçar seus dedos com os sonhos que você quer realizar, e nunca mais solta-los — Ela disse, comigo olhando em seus olhos, senti meus olhos lacrimejarem um pouco, controlei a respiração e levei minha mão até a dela.
Ela não desviou seu olhar em momento algum, quando alcancei sua não direita, senti ela entrelaçar seus dedos nos meus.

... nunca mais soltar... — Sussurrei mais pra mim mesmo do que para qualquer outro, eu jamais vou entender o amor, jamais vou entender o que sinto pela Akeno, mas estava disposto a fazer tudo para mantê-la sorrindo assim.
Eu acariciei seu rosto com a minha mão direita, ela me olhou, com seus olhos vermelhos, as bochechas um pouco coradas, algumas franjas caindo por sua testa.

Deuses, como ela era linda.

Eu não quis mais perder tempo, não queria mais, não conseguia mais, não PODIA mais, aquilo me rasgava por dentro, como se eu estivesse no meio de uma chuva de vidro.

Ficar longe dela era muitos pior.

Longe dela eu não pensava direito, tudo parecia distorcido, sem noção, maluco, mas, quando estou com ela, sinto-me quente, sinto-me vivo, respirando, sinto as batidas fortes e descompassadas do meu coração.

Era como se tudo fizesse sentido outra vez.
Eu olhei o movimento ao nosso redor várias pessoas passavam, falando ou olhando o céu, ocupadas demais para prestarem atenção umas nas outras, olhando sempre para celulares ou relógios em seus pulsos.
Eu suspirei, olhando-a, ela me observava, me encarava, com ternura, então me arrisquei, no jogo mais doentio que eu conhecia, no mais caótico jogo de palavras que fazia meu cérebro parecer fritar, tentei criar uma poesia.
Demorei cerca de cinco minutos para montar uma única frase na minha cabeça, e mais cinco para criar coragem de dizê-la, céus, como era complicado

–Uma vez...Conheci uma raposa, que me ensinou que o essencial é invisível aos olhos, e que deve ser buscado com o coração. — Ela pareceu surpresa, estupefata, perplexa, surpreendida de tantas formas que parecia que tinha ficado muda.
Vi seus lábios se abrirem, e, nesse meio tempo, me perguntei qual seria o gosto deles, será que tinham gosto de morango? Senti necesside de avançar sobre aqueles lábios escarlates naquele mesmo momento e sanar minhas dúvidas e curiosidades.
Me controlei ao ponto de vê-la sorrir meigamente, com o rosto um pouco vermelho, enquanto se encolhia um pouco e desviava o olhar do meu.

–Uma vez, conheci um gato, que sussurrava palavras gentis, ele me ensinou que nem toda a beleza do mundo está na arte. — Ela "rebateu", menos de quarenta segundos depois de mim.

–Pra você é fácil — Comentei baixinho desviando o olhar, ela deu uma risada gostosa, enquanto que eu, com aquele mesmo rosto sério, sem expressões e quase mecânico, exibi um pequenino sorriso.
Céus, como eu queria beija-la, ali mesmo, sentir o toque quente e macio de seus lábios escarlates, a suavidade de sua pele, queria senti-la ainda mais... É isso o que chamam de amor?
Será que meu cérebro sofreu algum dano? Será que não fui prejudicado? Todas essas sensações, esses... "arrepios", um seguido do outro, e surgiam a cada sorriso dela.

Raios, por que que ela tem que ser tão linda?

E vi o sol surgir no horizonte, por detrás das nuvens um pouco espessas de chuva, ou de mal tempo.

–Que bom que o sol resolveu sair, está um pouco frio — Comentou ela, enquanto esfregava um pouco os braços.

–Não existe frio, existe ausência de calor. — Corrigi, ouvi um risinho por parte dela, assim que ela terminou seu sundae, nos levantamos e nos colocamos a andar, lentamente.
Estávamos próximos, muito próximos, tão próximos que, eu uma esticada de meus dedos da não esquerda, poderia enlaçar sua não , e, em seguida, entrelaçar nossos dedos.

Pensei em fazê-lo, porém, algo me impediu, como se fosse uma barreira invisível, que me impedia de me aproximar mais dela, olhei-a com o canto do olho, sem conseguir mexer meu braço esquerdo.

Eu sabia, o " amor" danificou meu cérebro, provavelmente confundiu meu corpo.

Mas não o suficiente para não escutar passos, pelo menos três pares deles, o som continuava o mesmo, a mesma distância, sempre, quando paravamos, por qualquer motivo que fosse, os passos paravam junto, os passos produziam o som de algo metálico, como pulseiras e correntes, as pessoas na rua haviam diminuído, o seu que deixou o som dos passos em ainda maior evidência, pelo tipo de som que o passo em si produzia, não queriam ser notados, pelo menos não rapidamente, pareciam esperar a hora certa, apertei um pouco a mão de Akeno, que estava entrelaçada junto da minha, ela me olhou, virando seu olhar.
Movi minha não direita para minha frente, usando linguagem de sinais, pedi para que ela se separasse de mim na próxima entrada, que era um beco, provavelmente sem saída, e chamasse a polícia.
Ela me respondeu positivamente com a cabeça, quando chegamos perto do beco, nos despedimos, ela me deu um beijo na bochecha e saiu correndo.
Entrei no beco, sendo rapidamente seguido pelos passos, me virei lentamente, como determinei, três pessoas, um era alto, magro, cabelo comprido e loiro, arrepiado, olhar mal encarado, alguns dentes tortos, olhos castanhos, alguns piercings, assim como os outros dois, um piercing ou dois no nariz e alguns nas orelhas ou sobrancelhas.
O outro era baixinho e mais gordo, tinha sardas no rosto inteiro, olhos negros, assim como o cabelo, que foi raspado baixo, já mais um ao seu lado, era um pouco mais alto e mais magro, cabelos curtos e negros, assim como os olhos, todos usavam couro preto, correntes que usavam como cintos, assim como pulseiras e correntes e outros adornos metálicos, que brilhavam, e me incomodavam bastante.

-Você está de olho na garota do chefe não é? Ele nos mandou resolver isso. — Disse o mais alto deles, com uma voz grossa, parecia irritado por estar ali.

–Pode ser do jeito fácil, você se afasta e deixa o chefe fazer o que ele quer... — Começou o mais baixinho e gordo, com a voz um pouco cansada, ele parecia suar, usar couro no sol não era uma boa ideia.

–... Ou do jeito difícil, nós te afastamos. — Disse outro deles, estralando os dedos das mãos.

–Falar com vocês seria como jogar xadrez apenas com peças brancas, com ambos os jogadores tendo apenas peões — Eu disse de propósito, quantos mais confusos e desorientados melhor.

–Ora, se você quer jogar um jogo, deve saber identificar qual é o adversário e qual é o aliado, por que acham que as peças de xadrez tem que as cores diferentes? — eles se entre olharam, confusos, um deles coçou a cabeça.

–Tudo tem uma hierarquia, uma regra a ser seguida, uma linha que deve continuar reta, um barreira que não deve ser passada- Fiz o possível, sem esforço algum, para a minha voz sair fria, eles se arrepiaram, eu me aproximei, lentamente.

–Acham mesmo que podem simplesmente invadir o castelo do rei e mata-lo..?... -Me aproximei mais um pouco, evitando ao máxima piscar, olhando cada um deles.

–Acham mesmo que podem simplesmente passar pela MINHA rainha e toma-la para aqueles que nem mesmo sabem o nome...? -Deixei minha voz em um tom venenoso, ríspido, mais grave, o que pareceu surtir efeito.

–A partir de agora, eu não vou estar jogando por prazer, eu vou estar jogando pra jogar, pra matar, pra ganhar, levem essa mensagem ao "chefe" de vocês...- Eu não queria lutar, não desse jeito, não naquele lugar, queria intimidar, avisar, fazê-lo a recuar, ganhar tempo.

–Eu defenderei minha rainha, e todo o resto, e estarei disposto a fazer o necessário para isso... O tempo de vocês acabou... — Eu estava a frente deles, eles suavam, enquanto me olhavam, Fechei meus olhos lentamente, sentindo-os arder.

–O que quer... — ele não terminou, pois a sirene foi mais alta do que sua voz.

–Xeque-mate... — em seguida veio um soco em minha direção, me abaixei, o empurrando, os outros dois vieram para cima de mim, me empurrando para longe, fazendo-me rolar no chão.

–Parados!- O grito foi alto, fazendo os três olharam ambos os policiais na entrada do beco, apontando armas em sua direção, na única entrada e saída do beco, eles, sem escolha, levantaram as não, enquanto eu me reerguia, limpando a roupa.

[...]

Eu olhava os três sendo levados até a viatura, algemados, iriam presos por formação de quadrilha e intimidação, disseram que eu não tinha com o que me preocupar.
Eu olhei a cabeleireira ruiva em meus braços, abraçada a mim, os braços em volta de minha cintura, o cheiro de morango me rodeando, os pequeno soluços que vinham dela.

–Eu... Fiquei com medo — Disse ela, com a voz embargada de choro, abaixei minha cabeça, apoiando-a em seus ombros.

–Eles queriam tirar a minha rainha... -Disse eu, sem sabem como conseguia falar nessa situação. -... Jamais irão te tirar de mim — Não entendi mais nada, tê-la tão perto de mim me fazia mal, e ao mesmo tempo bem.
Ela me olhou, encostando nossos narizes.

–Não vão tirar de mim aquilo que me é mais precioso... — E, com uma velocidade e insolência que eu não sabia que tinha, avancei, colando meus lábios aos dela.

Eu sabia, os lábios dela tem gosto de morango...

Notas finais
Bem, está aí, dúvidas me mandem MP, por favor Até a próxima
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.