Tão fora da terra

22 Capítulo 21- Enfim...


Notas iniciais
Não chorem... ainda...

–Então meu filho, causando problemas mais uma vez?

Hefesto, ainda no corpo de criança, soltava palavrões nada infantis.

–Cala a boca seu hipócrita. Você não sabe nada, você é um...

Zeus se controlou ainda por algum tempo, mas Hera estava imperturbavelmente impaciente.

–Querido, você queria nos matar?

–O que você acha?

–Eu avisei- Disse uma Afrodite muito mais tranquila.

–Avisou o que sua vagabunda?

–Olhe a língua- Hera disse- Isso é modo de tratar sua esposa?

–Não, realmente não... eu deveria fazer como você, quem sabe, aguentar meus chifres calado não?

Zeus deixou o controle de lado.

–Agora chega! Eu quero a adaga que você fez, e vai ficar um bom tempo de castigo!!!

–Não está comigo.

Afrodite interviu:

–Foi devolvida ao local de sua origem, está na torre dos servos de Hades. Eu mesma a coloquei lá, embaixo do minério maldito. Acho melhor assim.

–Fez bem, Afrodite- disse Hera, ofendida pelas últimas palavras do ferreiro.

–Bem, pronto para receber seu castigo?

Hefesto arregalou os olhos.

–O que vai fazer comigo... pai...?

–Hum- Zeus sorriu, zombeteiramente- Imagine...

Afrodite pediu licença.

–Tenho uma dívida com os cavaleiros de Atena, com licença.

–Logo eu pagarei a minha. Tem nossa licença. Vamos Hera.

Afrodite suspirou, enquanto Zeus e Hera se afastavam com Hefesto. Sorriu, e enviou uma mensagem a Ares. Finalmente podia dar uns amassos em paz com o deus da guerra.

Mas antes, pagar os cavaleiros..

– — — — — — — — — — -

Ainda estava tudo muito quieto. Aioria foi o primeiro a despertar. Não havia mais nenhum cosmo opressor.

Conseguiram. Acabara finalmente a ameaça de Hefesto.

Tentou sentir o cosmo dos outros cavaleiros. Todos estavam ali.

Levantou-se e foi caminhando devagar. Pensou em procurar Aioros primeiro, mas provavelmente ele e Saga deveriam querer se encontrar, assim como os outros casais.

Uma vez que ele não tinha um parceiro, era melhor se encontrar com os outros dois que também não tinham um.

Assumido.

Antes de se perguntar se iria atrás de Mu ou Shaka primeiro, encontrou com o virginiano desmaiado próximo a uma pedra.

Shaka, seu...

A lembrança veio, tão forte como a primeira noite dos dois juntos.

– — — — — — — — -

Logo após o incidente com Liko, naquele pequeno espaço de tempo em sossego, Aioria estava indo para sua casa quando passou na mansão de Virgem. Shaka estava olhando pela janela. Aioria se assustou ao ver o loiro com os olhos abertos.

–Shaka? Está tudo bem?

O indiano se assustou com o toque repentino do grego em seu ombro.

–Aioria... sim, tudo bem... como vai você?

–Cansado. Aconteceu alguma coisa?

–Por que pergunta?

–Está com os olhos abertos.

–Oh... bem, só descansando um pouco eu acho. Preciso olhar mais para fora de mim um pouco.

Aioria se sentou em uma almofada.

–Por quê? Cansado do que tem visto?

Shaka se sentou a seu lado.

–Cansado de ver, e não agir.

Aioria fez cara de bobo.

–Desculpa, não to entendendo.

Shaka suspirou.

–Aioria, você já se sentiu apaixonado?

O leonino pensou um pouco:

–Sim.

–E fez algo em relação ao que sentia?

–Fiz burrada.

–Fez? O que?

–Fiquei quieto. Pensei em não falar nada, pra não assustar a pessoa, mas não aconteceu nada, e eu achei melhor ficar quieto.

–E o que aconteceu?

–Nada.

–E você não ficou com ela?

–Não.

–Por quê?

–Não sei... medo talvez...

–De que?

–De... sei lá, que papo estranho... por que isso afinal?

Shaka ficou um pouco quieto. Depois se virou e encarou Aioria profundamente. Os olhos azuis do virginiano pareciam queimar os castanhos de Aioria.

–Estou apaixonado.

Aioria hesitou um instante.

–Poxa, que... uau... quer dizer... parabéns...

Shaka ainda estava quieto.

–E quem é?

Shaka nada disse. Desviou o olhar, suspirou e ficou encarando o espaço a sua frente. Aioria não entendeu sua reação.

–Ei, o que foi?

–Nada.

–Então me fala, quem é? Eu conheço?

–Sim.

Shaka continuava calado.

–Fala Shaka.

–Me responde primeiro, por quem você se apaixonou e ficou quieto?

O leonino ficou vermelho.

–Você não conhece.

–Ou você acha que eu não conheço?

–Como assim?

–Você se apaixonou pelo Mu?

–Como você...?

–Tem coisas que são meio óbvias, Aioria. Por que será que você quer tanto passar seu tempo com ele?

–Achei que estava disfarçando bem...

–Talvez pros outros. Não pra mim.

–Como você...?

–Percebi isso? Olhando vocês, observando as coisas ditas sem palavras...

–Por quê?

Shaka ficou quieto mais uma vez. Aioria teve um lampejo então.

–É Mu também? Você também está interessado nele?

–Também.

Aioria sentiu raiva percorrer seu corpo. Como se fosse uma onda de energia.

–Desde quando?

–Desde que me apaixonei por você também.

Aquilo sim pegou Aioria de surpresa. O grego ficou com a boca aberta alguns instantes, sem saber o que dizer, ou como agir.

–Por... mim...

–É, por você- Shaka estava impaciente agora- Será possível que você não percebeu?

Aioria quem ficou quieto dessa vez.

–Eu sinto vontade de fazer coisas com você... que eu não sei se sinto com outras pessoas...

–O mesmo que com Mu?

Shaka voltou a encará-lo.

–Não, definitivamente, não.

Aioria se remexeu, um tanto desconfortável...

–O que então? O que você tem vontade de fazer comigo...

Shaka nem esperou a frase terminar, e se jogou em cima de Aioria, colando a boca nele. O leonino ficou sem ar, e acabou engasgando.

–Vai com calma...

Shaka ficou encarando Aioria, até ele conseguir ar o suficiente. Mas não saiu de cima dele.

–Shaka, espera, eu não sei...

Shaka beijava o pescoço de Aioria enquanto falava, entre um beijo e outro:

–Não diga que você não me deseja, por que eu sei que deseja.

–Eu desejo, sim, eu sei, só que...

–Não tem “só”, nem nada. Eu te quero, você me quer, para de pensar um pouco, e trata de agir.

Aioria não esperou uma segunda ordem. Se virando, ficou por cima do virginiano, que tirou a camiseta cinza do outro dourado, e depois tirou a sua própria roupa.

Aioria pensava em Mu, mas agora, ali, era Shaka quem ele queria. Aquilo era loucura, com certeza... Shaka, porém, queria algo que não era bem do estilo de Aioria.

E logo ele mostrou o que era.

Continuaram se beijando, Shaka pediu pra Aioria ir descendo devagar...

–Você quer que eu...

–Sim!

–Eu nunca fiz isso, sabe...

–Sexo oral? Nunca fez oral, Aioria?

–Em, bem, hum, em nunca chupei... entendeu?

Shaka sorriu.

–Vou ser seu primeiro? Por que isso me deixou com mais vontade.

Shaka afastou as pernas. Deixou que Aioria visse bem o que o esperava. Aioria encarou por alguns instantes, e se recostou em uma almofada.

–Não sei não, Shaka.

Shaka se masturbava lentamente...

–Não sabe o que?

–Eu... e se eu não gostar?

–Shaka o beijou, gentilmente.

–Se não gostar, não fazemos, simples.

Aioria ficou ruborizado.

–Já disse que não sei fazer.

–Tudo se aprende. Vou deitar aqui, e deixar você provar. Duvido que não vá gostar.

–Metido a besta.

Aioria pegou no pênis do indiano, e começou a masturbar. Olhava, olhava, e não sabia bem o que fazer. E se o gosto fosse ruim? E se estivesse sujo? Não estava, Shaka parecia ter acabado de sair do banho... Mas o que fazer?

Abriu a boca, e foi colocando... devagar... lá pela metade, parou. O membro de Shaka pulsava em sua boca. Era muito quente. Tirou, e voltou a engolir. Saia alguma coisa, um meladinho da ponta. Passou a língua.

Não era ruim... hum... bem...

Shaka estava de olhos fechados. Aioria ficou subindo e descendo a cabeça lentamente, até que Shaka colocou a mão em sua cabeça para forçar a ir mais rápido. Aioria não gostou.

–Tira a mão.

–Por quê?

–Não quero que faça isso, não gosto. Parece que está me usando, sei lá. Para.

Shaka olhou para Aioria um pouco. Sorriu maliciosamente.

–Se eu não puder encostar em você, não dá pra te ensinar. Então paramos por aqui.

–Hum? Como?

Aioria estava excitado. Se parasse ali, aquilo ia terminar em uma punheta irritada.

Shaka, sabendo que estava mexendo com o leonino, se levantou e foi pegar uma calça.

–Se você não quer fazer, tudo bem, mas se quiser, vai ter que ser do meu jeito, pelo menos no começo. Até você aprender direitinho... então, nas próximas vezes, não preciso te ensinar, só praticar.

Aioria olhou para o lado. Estava ficando vermelho. Não era do seu jeito se sujeitar, isso de ter que praticamente ser comandado era algo fora do seu estilo. Ainda mais, bem, na cama, com outro cara...

Queria continuar, por que queria acabar com aquele tesão que fazia doer suas pernas. Mas daquele jeito...

–Tá bom, que seja, vamos continuar.

Shaka sorriu.

–Mas tem que ser do meu jeito. Vai fazer tudo que eu mandar?

Shaka disse a palavra proibida.

–Mandar? Ninguém me manda fazer nada Shaka.

Aioria detestava ser mandado. Fora Aioros, e o mestre, não obedecia ninguém. Nem gostava de obedecer os outros dois, mas como eram mais velhos e mais fortes... não tinha jeito. Mas aquilo era demais, que se danasse, ia bater uma, mas não ia se submeter a Shaka.

Na cama, não.

Shaka, percebendo que se forçasse ia perder a oportunidade, resolveu agir com sagacidade.

–Desculpa, eu quis dizer... vai fazer tudo que eu falar? Vai seguir minhas or...

Aioria o encarava.

–Minhas orientações?

Aioria bufou.

–Isso ninguém nunca vai saber, certo?

Shaka parou um instante. Algum controle ele tinha que exercer, senão não teria graça.

Largou a calça que estava na mão no chão, foi caminhando até o grego, o prensou contra a parede e alisava sua ereção por cima da calça. Aioria gemia.

–Só vai saber quem tiver que saber. Pode ser ninguém, ou pode ser alguém que eu queira.

Apertou com mais força o pênis de Aioria.

–Entendeu? Temos um acordo?

O movimento de vai e vem por cima da calça fazia Aioria querer mais.

–Não ouvi uma resposta...

Shaka beijou o pescoço de Aioria, e apertou um mamilo. O leonino gemeu rouco...

–Há... temos sim... vamos logo...

Shaka sorriu.

–Muito bem. Tire sua roupa então.

Aioria tirou a camiseta em um puxão. Shaka se sentou em uma almofada, as pernas abertas, o pênis duro, e disse:

–Mais devagar. Tira o que restou com calma. Quero ver seu corpo.

Aioria ia reclamar, mas ficou quieto. Puxou o cinto lentamente, e o jogou de lado. Agachou, tirou as sandálias, e abriu o botão da calça.

–Espera. Vira de costas pra mim, quero ver sua bunda.

–Shaka!!!!

–Por favor...?

Aquele por favor, acompanhado da cara de tesão do indiano, e do masturbar lento em que ele se encontrava desarmaram Aioria totalmente. Ele se virou, e foi abaixando lentamente a calça cinza. Um pouco de cada vez, e quando ficou totalmente nu, Shaka achou que iria gozar apenas em ver aquela bunda perfeita, dura, as pernas torneadas, morenas de sol... A boca de Shaka chegou a salivar.

–Está bom assim?

–Ótimo... por favor, venha até aqui e se ajoelhe.

Aioria foi até a frente de Shaka e se ajoelhou, achando que ia continuar a chupá-lo. Mas...

–Vire-se. Pode ficar de quatro.

–Quer que eu fique com a bunda na sua cara?

–Isso.

Shaka se ajoelhou, e começou a passar a mão na bunda de Aioria. Devagar no começo, sentindo a dureza dos músculos, a maciez da pele, uma penugem dourada cobria a bunda do leonino. Afastou as nádegas, e enxergou aquele buraquinho perfeito, rosado...

Virgem...

Não pensou, apenas agiu. Mordiscou de leve um pouco a bunda de Aioria, que percebendo o que viria em seguida já ia se afastando.

–Não mesmo, você não quer me lamber aí, quer?

Shaka pegou o pênis do leonino, que era grosso, e também comprido, com uma cabeça grande, vermelha, e lambeu a cabeça devagar.

–Vai ficar quietinho e me deixar te ensinar?

–Há... há...

–Vou entender esse gemido como um sim.

Continuou a masturbar o grego, mas enfiou a língua lá... onde Aioria sentiu um calor estranho, um arrepio coluna acima, e tudo ficar zonzo por um tempo. E Shaka passou a lambê-lo, devagar, circulando o ânus do outro com a língua. Aquilo era bom, para os dois... Pois Shaka estava preparando terreno, e Aioria estava descobrindo um prazer novo.

Shaka parou, desceu para as bolas do leonino, que eram pequenas, mas peludas. Enquanto fazia um oito com a língua, aproveitou o buraquinho melado e colocou a ponta do dedo.

Para sua surpresa, Aioria não reclamou, e o dedo foi entrando até estar todo no leonino, sem que esse reclamasse.

–Está tudo bem?

–Há... sim...

–Já havia colocado o dedo aqui antes Aioria?

O leonino não tinha condições de pensar direito, quiçá de responder.

–Algumas vezes... continua, por favor, to quase...

Shaka parou.

–Levanta.

–Por quê? O que foi?

–Vamos mudar de posição, só isso.

Shaka se deitou, e mandou Aioria ficar de quatro em cima dele mais uma vez.

–Quer fazer um 69? Eu queria....

–Quase isso. Agora, você vai me chupar do jeitinho que estava fazendo, enquanto isso eu vou... brincar um pouquinho com você... certo?

–Tá bom...

Shaka estava bem mais melado, mas Aioria não reclamou, pelo contrário. Dessa vez Shaka gemia mais rouco, mas fundo, e passou a mão de leve pelos cabelos do leonino. A certa altura, começou a empurrar levemente a cabeça do parceiro contra seu pênis, e então agarrou seus cabelos e puxou de volta devagar. Agora Shaka estava comandando, e Aioria até que estava gostando.

Quando percebeu que o leonino estava rendido, Shaka voltou ao seu banho de língua. Enquanto Aioria sugava seu pau, ainda que meio desajeitadamente, Shaka sugava seu anus, e colocou mais um dedo, fazendo movimentos leves de vai e vem. Aioria ficava cada vez mais melado.

–Quando for gozar, me avisa.

–Shaka... há... tá perto...

–Muito perto?

–Bastante.

–Então...

Shaka se levantou e pediu que Aioria se deitasse. Ergueu suas pernas, e começou a beijar o pé do leonino, que sentiu cócegas.

–Gosta?

–Faz cócegas...

Shaka, em cima de Aioria, o beijou, as duas ereções se roçando. Beijaram-se com os olhos abertos por algum tempo, até que Shaka cuspiu na mão e melou a entrada de Aioria.

–Já?

–Já. Não consigo esperar.

Aioria ficou vermelho mais uma vez.

–Não sei se eu...

Shaka não esperou para ouvir reclamação. Encostou a cabeça, e forçou entrada.

–Arghhhhhh... Sha... arghhhhhhhhhhhhh

Aioria estava sentindo muita dor. Shaka parou, só a cabeça pra dentro do corpo do leonino. Seu pênis não era muito grosso, mas era comprido.

–Dói?

–Tira isso agora.

–Aioria... desculpa... mas não vou tirar não...

–Vai sim, isso é...

Shaka começou a beijá-lo. Aioria o agarrou pela nuca, e foi relaxando devagar. Shaka fingia recuar, e entrava cada vez um pouco mais. Aioria foi se perdendo nos olhos do indiano, e quando viram, estavam totalmente conectados.

Quente. Macio. Molhado.

–Tô achando que vou derreter.

–Aioria... eu...

Começaram um vai e vem lento. Estava quente, suavam, o suor se misturando aos beijos, aos apertões, as sensações. Aioria gozou gritando sem mal encostar no próprio pênis, e Shaka, percebendo que o gozo estava a caminho, tirou o pênis fora.

Aioria ainda estava meio desnorteado, quando Shaka disse:

–Abre a boca.

–O que?Por...?

–Abre a boca Aioria, quero gozar.

Sem esperar, Shaka enterrou o pênis na boca do grego, e três ou quatro estocadas depois gozou, deixando tudo ir pela boca do leonino, que engasgou e cuspiu logo depois.

Shaka se deitou em uma almofada. Puxou Aioria pra um abraço, mas ele estava mal humorado.

–Que foi?

–Você gozou na minha boca.

–E gostei muito.

–Eu.. eu... devia...

Shaka sorriu para Aioria.

–Deitar aqui comigo e tomar fôlego. Nós apenas começamos...

Aioria estava se sentindo meio culpado por causa do que sentia por Mu, mas fora tudo tão gostoso...

Shaka, percebendo a inquietação do leonino, o abraçou forte, e beijou seu pescoço.

–Eu queira ficar assim com você há tanto tempo... foi um sonho isso pra mim...

Aioria colocou sua mão por cima da de Shaka.

–Bem... foi bom... apesar de... enfim...

–Eu quero mais...

–Mais devagar dessa vez.

Shaka puxou Aioria pra cima dele.

–Você controla dessa vez.

E dando um tapa na bunda do leonino, sorriu de forma travessa.

–O ritmo...

– — — — — — -

–Acorda, vamos!

Shaka ainda estava meio inconsciente. Demorou um pouco ao recobrar seus sentidos. Via o rosto de Aioria ora embaçado, ora em foco.

–Aioria... Mu...

–Eu sei, mas ele deve estar bem, senti o cosmo dos outros por perto. Consegue se levantar?

–Ainda estou meio tonto... pode ir, depois eu alcanço você...

–Não. Vamos esperar um pouco. Aí vamos juntos.

Aioria colocou Shaka em seu colo, e afagou seus cabelos, devagar, ternamente. O virginiano queria ficar ali, perdido nos carinhos do leonino, mas eles deviam voltar logo ao santuário. E tinham que encontrar Mu, os dois estavam preocupados com o ariano.

Após alguns instantes, Saga e Aioros apareceram, Aioros apoiado no ombro de Saga.

–Ei, tudo bem com vocês?

–Tudo. Aioros machucou-se, mas espero que não seja nada sério. Algum sinal dos outros?

–Por enquanto não.

–Vamos esperar aqui, ou vamos procura-los?

Um clarão surgiu próximo a colina.

–Ei, que bom que estão a salvo- o capacete amarelo de Shion surgira no portal de espaço-tempo- Afrodite realmente dissera a verdade. Vamos indo?

–Temos que encontrar os outros, mestre- disse Saga.

–Deixe isso comigo, meu rapaz. Vão, aproveitem esse portal, e me esperem no salão principal.

Os quatro atravessaram o deslocamento no espaço, e se viram no santuário. Algum tempo depois, suficiente para Shaka se recompor, e Aioros descobrir que havia machucado o ombro, os outros dourados foram aparecendo.

Primeiro foi Mu, que assim que viu Aioria e Shaka, esqueceu-se de seu autocontrole, e pulou em cima dos dois os abraçando.

Depois, MM e Afrodite, junto com Shura e Aldebaram. Milo e Camus chegaram por último, Milo desmaiado nos braços de Camus. Então, Shion voltou e lacrou o portal.

O mestre desabou em seu assento, e olhou para os cavaleiros a sua frente, carinhosamente.

–Conseguiram, guerreiros. Meus parabéns, a ameaça de Hefesto teve um fim graças a vocês, e podemos esperar o regresso de Atena em paz.

A sensação de alívio era geral, assim como o cansaço.

–Afrodite disse que gostaria de recompensá-los, e em breve deverá aparecer por aqui.

Saga foi quem falou primeiro.

–Mestre, conseguimos nos livrar de Hefesto, mas e a adaga que mata deuses? Onde ela está? Sumiu com ele?

–Não, Saga. Afrodite a devolveu a torre de Hades, onde pode ficar segura até a troca da vigia, aí será com Hera. Era um artefato realmente perigoso, ninguém gostaria que caísse em mãos erradas, certo?

–Sim- Saga estava sério, mas ao olhar para Aioros, sorriu- Melhor que seja assim.

–Estão todos bem?

Salvo alguns machucados, eventualmente uma torção ou algo quebrado, tudo certo. Apenas era estranho Milo ainda estar desmaiado.

–Acho que ela chegou- disse Mu.

Pétalas entraram no salão, e formaram um arco no ar. A bela mulher, que tinha todos os olhos, todos os cabelos, todas as peles do mundo, em sua totalidade de beleza apareceu diante deles. Dessa vez todos ficaram magnetizados por sua aparência.

Uma voz bela, suave ecoou pelo salão.

–Guerreiros, eu devo agradecer muito a vocês por tudo. O Olimpo está salvo, por hora, e vocês merecem meu respeito. Como forma de agradecimento, concederei um pedido a cada um de vocês. Qualquer coisa, que estiver ao alcance de uma deusa, vocês podem pedir, e com certeza eu lhes entregarei.

–Pensem com carinho nesse pedido, é uma chance rara. — disse Shion.

Os dourados se olharam.

Aioros foi o primeiro a falar:

–Podemos fazer nossos pedidos mais tarde, se não for ofender nossa deusa?

Afrodite o olhou com ternura.

–Sagitário, você sabe ser um verdadeiro cavalheiro em matéria de educação e gentileza. Claro que podem. Como disse seu mestre, pensem com carinho. Para me chamarem, creio que resta ainda em suas armaduras alguma resto da pétala que lhes dei. Beijem-na e eu ouvirei suas petições. Vocês têm a minha bênção. Boa sorte.

As pétalas caíram. O silêncio estava no ar.

–Bem, vão descansar meus rapazes. Agora, só irei chamá-los nas próximas duas semanas em caso de extrema necessidade. Vocês merecem um pouco de paz, vão.

–Mestre- Camus disse- Milo não acordou ainda. Parece meio febril.

Shion se aproximou. Encostou na testa do escorpiano.

–Afrodite, poderia fazer uma de suas infusões para Milo? Parece que ele bateu a cabeça, está muito fraco. Não vejo sinal de sangue, mas parece que ele perdeu muito.

Afrodite se aproximou, Mu também. Foi Aioria quem desvendou o mistério.

–Ele usou o sangue dele para atacar Hefesto, as agulhas disparadas continham sangue, ele achou que isso fortaleceria o golpe. Normalmente isso não afetaria muito ele, mas como estava com o poder da deusa da paixão, foi consumido muito mais sangue que o normal. Ele vai precisar de cuidados.

–Deixe-o aqui então- disse Shion- eu farei isso.

–Como sabe disso Aioria?

–Ele me contou que havia lido em algum lugar sobre um cavaleiro que usava o sangue em seus golpes para deixá-los mais perigosos. Estava praticando isso, mas não andava se saindo muito bem.

Camus encarou Milo, e depois se virou pra Shion:

–Mestre, se não for pedir muito...

Todos olharam para Camus.

–Eu cuido dele.

Shion sorriu.

–Acho que ele ficará muito feliz com isso.

Afrodite e Aldebaram se ofereceram para ajudar. Os dourados foram indo para suas respectivas casas.

Shion saiu e encarou o céu. Agora talvez, pudesse finalmente executar seus planos de descanso.

–Logo poderei estar com você... Dohko...

– — — — — — — — -

Faltavam apenas três horas. A chama de Sagitário se apagara, e os cavaleiros de bronze estavam passando pelo interior da casa de Capricórnio.

Shura os observava de um corredor no andar de cima. Não iria manchar o solo sagrado da casa de Capricórnio, com cavaleiros de bronze rebeldes. Em nome de Atena, iria puni-los.

– — — — -

Aldebaram estava com Mu, quando sentiu uma forte pressão no peito.

–O que foi, meu amigo?

–Mu, senti algo ruim. Uma estranha pressão, como se um desastre estivesse para acontecer.

Mu se calou. Olhou pra as casas acima e suspirou.

–Já está acontecendo, Aldebaram. Pense que já perdemos muitos companheiros.

–Mu... essa batalha... você sabia que essa Atena é verdadeira desde quando?

Mu se calou.

–Por causa de Atena, de uma forma ou de outra, Aioros, Shaka, Saga, MM... todos morreram... e não sabemos o que nos aguarda. Temos que aguardar, e tentar acreditar que a verdade virá a tona.

Aldebaram estava com os olhos fechados.

–Tenho medo.

Mu colocou a mão em seu ombro.

–Eu também. Mas vamos esperar, certo?

Aldebaram olhou para cima. Pelo cosmo, conversou com Shura.

“Cuidado. Por favor”

“Não se preocupe, grandão! Daqui a pouco estaremos juntos de novo.”

“Eu te amo!”

”E eu mais!”

– — — — — — -

Os cavaleiros de bronze passaram por Capricórnio sem maiores problemas. Já estavam se afastando, quando o solo tremeu, e uma rachadura partiu o chão.

–Cuidado, pulem!!!

Shiryu gritou e empurrou os outros cavaleiros. Shun caíra, mas foi retirado do buraco formado no chão, graças a Seiya. Quando perceberam, viram que Shiryu ficara para trás.

–Shiryu!!!!!!- Shun chamara- O Shiryu ficou na casa de Capricórnio.

Um cosmo opressivo apareceu. O cavaleiro de Capricórnio, Shura, apareceu, com um sorrisinho zombeteiro no rosto.

–Pediu que seus amigos pulassem mas você não o fez. Ficou com medo de pular por causa das rachaduras que eu fiz?

–Se eu também tivesse pulado, todos nós seríamos mandados para o inferno por causa do seu segundo ataque.

–Há, impressionante. Pra deixar que seus amigos escapassem você preferiu ficar aqui? Mas vai se arrepender rapaz.

Shiryu sentiu seu sangue ferver.

Shun e Seiya queriam ajudar, e chamaram por Shiryu. Hyoga hesitou um pouco, virou as costas e disse:

–Vamos embora daqui.

Os outros o olharam perplexos.

–Shiryu decidiu ficar em Capricórnio arriscando a própria vida. Se ficarmos aqui o esforço dele terá sido em vão.

Seiya segurou as lágrimas.

–Você tem razão. Vamos embora.

–Vamos- Shun concordou.

Saíram correndo. Hyoga não se virou, Shun olhou uma última vez.

Seiya olhou fixamente para Shiryu enquanto os outros prosseguiam.

“ Shiryu, não lhe darei adeus. Eu sei que o verei mais tarde.”

Shiryu respondeu pelo cosmo.

“Logo mais estaremos juntos Seiya.”

O Pégaso de afastou, sentindo seu coração cortado em pedaços.

Shura começou a batalha.

–Saiba que eu odeio fracos que fazem promessas que não podem cumprir.

A “Excalibur” foi disparada.

Notas finais
Espero que estejam gostando!