Tão fora da terra

15 Capítulo 15- Volta pra mim... Boa lembrança.


Notas iniciais
E cá estamos hehe, promessa é dívida, três capítulos de uma vez. Esse é mais romântico eu acho, tem um lemon se não me engano.

Milo não sabia como falar aquilo. Mesmo por que ele não acreditava que Liko fosse Hefesto. Era impossível, ele iria sentir alguma coisa diferente, não aquela aura ingênua. E Camus, ele que era tão mais atencioso, com certeza iria notar algo.

Camus o encarava com olhos desconfiados.

–Milo, não me esconda mais nada. O que está acontecendo? Você está agindo estranho já tem um tempo, mais estranho do que o normal...

–Camus, é difícil pra mim ter que te contar...

–O que?

Camus encarava Milo. Milo sabia que ele não iria acreditar. O que ele não esperava é que Camus reagisse como reagiu.

–Camus... A Afrodite, a própria deusa da paixão, fez contato comigo agora a pouco na minha casa. Ela disse que Hefesto enganou a todos, nos separou para nos enfraquecer, e está aqui no santuário. Vai nos matar, pois sabe que queremos impedir que ele chegue ao limbinus, em nome de Atena.

–Como é? Como você não me disse uma coisa dessas antes Milo?

–Camus... se eu te disser algo, prometa que vai ao menos tentar acreditar em mim?

–Sim, prometo... mas o que é?

–Você consegue acreditar que eu nunca seria capaz de fazer algo pra te magoar? Te machucar?

Camus hesitou. Encarou os olhos azuis de Milo. Esqueceu-se de respirar por um instante.

–Eu... eu... sim, eu prometo, eu acredito em você.

–Que bom!- Milo exibia uma expressão triste- Por que o que eu vou te contar vai doer.

–Milo, mas o que...

Milo se virou. Cabeça baixa, um sussurro...

–... é Hefesto.

–Hum? O que você disse Milo? Eu não ouvi...

Milo inspirou fundo.

–Camus, Liko é Hefesto.

– — — — — -

Aioria caminhava devagar, mas dessa vez não era para acompanhar os passos lentos de Dohko. Estava pensando em tudo que o velho ancião dissera. Tinham uma única chance para achar, retirar, esconder ou destruir o limbinus, e então tentar deter a vingança de Hefesto. Tudo dependia dele.

Saga era o mais velho dos guerreiros, seguido por Aioros com um ano de diferença apenas. Aioria, Shaka, Mu, Milo, Camus e Aldebaram tinham a mesma idade, Afrodite era dois anos mais velho, Shura e MM três.

(N.A: Os cavaleiros na época que a história se passa, eram pouco mais que crianças, então não tem sentido colocar idades aqui. Qualquer fã sabe que todos são novinhos ainda, tirando Saga e Aioros que eram quase trintões. Pensem comigo: Se os cavaleiros de bronze tem 13, 14 e 15 anos nas doze casas, e nessa época que estamos vendo agora, faltavam três anos ainda para Atena -que tem a idade do Seiya e do Shun- reencarnar, isso quer dizer que o Aioria teria que ter sete anos, e isso não casa com a nossa história. Como só vi esse erro agora, então coloquem todos com idades a partir de dezoito anos, e ignorem algumas diferenças matemáticas e com a história original ok? Esse é o universo Saint Seiya, as coisas não podem ter sentido completo, senão não tem graça.* NÃO APOIO NEM INCENTIVO PEDOFILIA, NEM NADA DO TIPO.* Por isso todo mundo aqui tem mais de dezoito a partir de agora, ok? Inclusive nossos amados cavaleiros de bronze.Uma vez esclarecido esse problema, com a Consciência limpa, continuemos. Amo vocês  ).

Aioria não sabia como, e nem se, iria conseguir corresponder às expectativas do mestre e dos outros. Vinha treinando com Aioros há algum tempo, mas só havia conseguido manipular a “Cápsula do poder”, e ainda precisava ajustar algumas coisas, conseguia perceber falhas em seu golpe. Aioros era um mestre severo e dedicado, e mesmo sendo seu irmão ele não pegava leve. Aioria sabia que havia melhorado muito, mas havia muito mais ainda a fazer para chegar pelo menos ao nível de um cavaleiro sério, quanto mais para o nível de um cavaleiro que já era lendário desde que vestiu a armadura pela primeira vez; seu irmão.

A comparação era inevitável. Aioria queria pelo menos chegar próximo do irmão, isso bastava para ele. Agora, como forma de despertar seu poder numa missão de vida ou morte, ele fora enviado direto para o ninho da serpente.

Tudo ou nada.

Tudo ou morte.

O silêncio foi quebrado pelo mestre ancião.

–Aioria.

–Sim mestre?

–Aioria, quero que você apenas se lembre que tudo depende do seu cosmo. Concentre-se em expandi-lo, concentre-se cada vez mais no seu interior, e não no que está fora. Você me entendeu rapaz?

–Sim mestre.

–Pois bem. Quando você estiver concentrado totalmente, você estará pronto, e o leão em você irá soltar o rugido de um novo golpe. Então, apenas confie em si. Você me entendeu rapaz?

–Sim, eu entendo.

–Bom... Só mais uma pergunta, estamos quase chegando já.

–Sim?

–Você me entendeu rapaz?

Aioria estava irritado por ouvir aquilo mais uma vez.

–Sim, mestre. Eu entendi.

–Bom. Olhe, estamos chegando.

Ao se virarem a sua direita, atravessaram uma ponte. No final de uma floresta, ou no meio, era difícil saber, erguia-se um castelo grande por entre as árvores. Ao lado dele, uma coluna enorme e sombria também estava em pé. Era de lá que vinha o cosmo maligno dos servos de Hades.

–É ali, mestre?

–Exatamente. Mas antes de chegarmos lá, já teremos alguns problemas. Acha que dá conta rapaz? Ou prefere que voltemos depois, com mais ajuda?

–Se houvesse chance de voltar depois, eu não seria enviado para cá sozinho mestre. Vamos.

O velho sorriu. Aioria era mesmo discípulo de Aioros, como Shion havia dito. Régulus e Sísifo reencarnados como irmãos... Lembrou-se da época que era um jovem, teimoso, impaciente, impetuoso... e como era bom, ter vida toda pela frente, ter seus irmãos de guerra, e ter ele...

Shion...

Não podia lembrar-se do cavaleiro de Áries sem sorrir. Seu jeito de balançar a cabeça, e deixar os cabelos loiros se agitarem, seu sorriso gentil, e seu abraço... há, seu abraço...

– — -

Shion havia chegado a Jamiel. Era fácil se locomover usando os selos de Atena que abriam portais que encurtavam o tempo e espaço, mas mesmo assim era uma viagem cansativa do ponto de teleporte até a torre da encosta, local de treinamento dos jamilianos.

Pensou que não estava mais conseguindo agir como antes. Não tinha o misopethamenos que os deuses concediam a alguns mortais ou semideuses. A sua raça demorava, mas envelhecia. Mas mesmo duzentos anos eram muito, até para um jamiliano. Percebeu que era hora de escolher alguém para sucedê-lo, e permanecer nas sombras, apenas instruindo o próximo mestre. E quem sabe, quando seu sucessor estivesse pronto, ele não poderia terminar seus dias ao lado de Dohko.

Enquanto caminhava, lembrou-se de alguns dias de sua juventude, quando batalharam na última guerra santa.

A maior dor de toda a sua vida foi aquele dia, num embate contra Hades/Alone, quando teve que se teletransportar e deixar Dohko para trás, em uma luta solitária e suicida. Seu coração ficou em frangalhos. Seu companheiro, amigo, parceiro, amante, se sacrificando para salvá-lo com os outros...

Os dias que se sucederam foram negros e vazios. Nada parecia muito interessante, e na verdade, tudo o que queria era por um fim aquela guerra, vingar seu amigo, e morrer em paz, quem sabe assim se juntar a Dohko no além...

Foi em uma noite, enquanto esperava notícias de Sísifo no campo de batalha com os outros cavaleiros, que voltou a viver. Estava em um casebre nos arredores do santuário. A noite era fria, e o céu estava cheio de estrelas. Tentou localizar Libra, mas tudo que conseguiu ver foi Dragão. Seu golpe, baseado nos dragões... Lágrimas subiram a seus olhos mais uma vez, mas agora estava sozinho, podia deixá-las correr livremente.

Sua armadura estava ao lado da cama, usava uma túnica simples, e sandálias. Precisava descansar ao máximo quando podia, pois quando voltasse ao campo de batalha, podia ser a última vez, e deveria estar cheio de energia.

Pelo cosmo, sentiu que Yuzuhira e Yato estavam dando seu máximo. Sua discípula era tão jovem, e tão madura... Havia sofrido tanto, e ainda assim, continuava seguindo em frente.

Deveria se irar no exemplo dela.

Apoiado na janela ficou pensando em Dohko. Não soube quanto tempo passou, até ver vindo em sua direção um homem encapuzado. Possuía um cosmo estranho, familiar, mas diferente, era difícil dizer. Shion assumiu que era algum peregrino perdido, achou que se ficasse quieto, ele passaria reto. Mas qual não foi sua surpresa alguns minutos depois...

O encapuzado ficou na frente da casa por alguns minutos, apenas quieto. Shion olhava para o céu, queria lembrar em paz daquele que tinha seu coração, mas aquela figura estranha o incomodava. Quando encarou o estranho, este, como que sabendo o que viria, começou a caminhar devagar em sua direção.

–Olá forasteiro. Posso ajudar em alguma coisa?

–Boa noite. Queria saber onde fica o santuário de Atena.

Shion achou estranho alguém perguntar pelo santuário. Será que era um inimigo?

–Por que quer saber do santuário?

–Perdi algo lá que preciso recuperar.

Shion estranhou mais a situação. Sua armadura veio se movendo lentamente até ele.

–Perdeu algo no santuário de Atena?

–Sim.

–E o que seria?

O encapuzado parecia sorrir por baixo da capa.

–É difícil explicar... só preciso saber como chegar lá.

–Para chegar lá, você teria que enfrentar os cavaleiros de Atena. Sabe disso, não sabe? E explicar seus motivos, e o que você tanto deseja lá.

–Não temo nenhum inimigo. Só preciso recuperar algo que perdi, e não posso ficar longe disso. Não mais.

Shion iria vestir a armadura em breve. Seus sentidos estavam em alerta.

–Diga-me estranho: quem é você? Por que eu deveria deixá-lo continuar?

–Me responda uma pergunta antes, cavaleiro de Áries: até onde você iria por algo que lhe fosse caro?

Shion hesitou com a calma do estranho, e por ele saber quem ele era. O encapuzado continuava sorrindo por baixo da capa.

–Ora, até o fim. Morreria por isso. Fosse o que fosse.

–Morreria por alguém?

Shion suspirou. Por que estava dando corda para um estranho?

–Morro todos os dias. Sim, morreria. Por Atena. Pelos meus amigos. Por...

O encapuzado continuava em sua frente.

–Por quem Shion?

–Oras, não interessa. Quem é você? Diga logo, o que quer?

A capa caiu. Ele não aguentava mais se esconder. A expressão chocada de Shion fez gargalhadas subirem por sua barriga.

Dohko.

–Preciso ir ao santuário encontrar o amor da minha vida. O homem pelo qual eu enfrentei o deus da morte, e voltei pra ficar perto.

Shion estava pasmo. Era Dohko que estava ali, na sua frente, vivo. E agora rindo.

O som da sua risada. Seus cabelos na altura dos ombros, seu sorriso bondoso, zombeteiro. Usava uma túnica igual a sua.

–Dohko?

–Sim, sou eu. Não vai nem me dar um abraço? Olha onde eu fui e de onde voltei por sua causa...

Dohko sorria. Shion pulou a janela e se aproximou devagar, incrédulo. Ele vira Dohko enfrentando Hades, pedindo que ele se afastasse com Tenma e os outros. Foi a coisa mais difícil de fazer em toda a sua vida, deixar seu amante para morrer... Quando parou a sua frente, estendeu a mão devagar, relutante em tocá-lo. Seria uma miragem? Uma ilusão? Algum espectro brincando com seus sentimentos?

Impaciente já, Dohko o puxou para um abraço, e o enlaçou em seu corpo. Seus cabelos loiros ainda exalavam aquele cheiro fresco de água, sua pele tinha o mesmo calor. Shion estava em choque. Quando conseguiu tornar a si, encarou o libriano, e sentiu que chorava copiosamente.

–Dohko... me diz que é verdade...que você...

–Estou vivo Shion. Voltei. Para você. Por você.

Shion sorria e chorava. Dohko o encarava, sentindo que finalmente estava mesmo vivo. Secou um filete de água do olho direito de Shion com as costas dos dedos.

–Não faça isso mais na minha frente. Não suporto te ver chorando.

Shion se lançou em seus braços, chorando, soluçando. Dohko se entregou ao abraço, confortando o amante, apertando, passando a mão em suas costas.

–Estou aqui... shhhh... tá tudo bem...

–Você tinha... você... eu pensei...

–Olha, agora não importa mais... estou vivo... a fumaça da ilha Canon, ela me reviveu...com uma ajudinha de Aspros e Defteros, claro... mas estou aqui, vivo. E só pensava em te ver... ficar com você... te falar mais uma vez... sabe...

Shion colou sua boca na de Dohko. Um beijo aflito, desesperado, que foi correspondido com intensidade, paixão, febre.

Quando pararam pra tomar fôlego, Shion o olhou e, tomando-o pela mão, o conduziu para dentro da cabana. Antes de fechar a porta já o beijava novamente. Nada mais importava. Com pressa, tiraram as túnicas. Era o mesmo calor, o mesmo corpo.

–É você mesmo...

–Claro que sou...e seu, só seu, todo seu.

–Dohko, eu...

–Cala a boca Shion. Me beija.

Rolaram na cama. O beijo era cada vez melhor. Shion se levantou, e deixou as calças rolarem para o chão. Puxou as de Dohko com um movimento rápido.

Agora sim, pele com pele, um sentia o desejo do outro. Era quente, era familiar, era seguro, era bom, era tudo... tudo que interessava, tudo que importava. Shion beijava o pescoço de Dohko, e ia descendo devagar. Mordiscou o mamilo esquerdo, Dohko arqueou o corpo e gritou. Ali iria gritar, não havia ninguém por perto que os incomodasse. Shion sorriu, e foi descendo até chegar a sua ereção. Céus, como estava duro. Não hesitou em engolir de uma vez o membro do libriano, que soltou um longo suspiro. Engasgou, mas logo pegou o ritmo cadenciado que o outro tanto gostava, e se acostumou. Aquilo o deixava melado, ele se masturbava com força, ainda achando que era um sonho. Dohko o segurava pela cabeça, e comandava o ritmo de vai e vem. Quando sentiu que ia gozar, puxou a cabeça de Shion e não deixou que ele continuasse.

–O que foi?

–Eu sei como isso acaba- disse dando as costas para o outro na cama- mas hoje quero fazer diferente. Me ajuda com isso.

O libriano afastou as pernas, e com uma das mãos, afastou uma das nádegas. Estava piscando, e Shion ficou meio confuso com aquela visão.

–Dohko, você quer...?

–Me lambe Shion, anda.

Ainda meio incrédulo, o ariano começou a beijar a bunda do parceiro, e não conseguiu aguentar muito tempo, pois o outro gemia. Em um movimento rápido, forçou a cabeça de Shion a se encaixar bem no meio de sua bunda. Automaticamente, o ariano começou a lamber: para cima, para baixo, de um lado, para outro. Dohko gemia de uma forma hiper sensual, que deixava Shion cada vez mais melado. Não aguentando mais, Dohko disse:

–Shion, eu quero você... Dessa vez dentro de mim...

O libriano se virou, e levantou as pernas. Shion, meio pasmo, o beijou, e começou a se encaixar devagar. Estava tão melado, e Dohko tão lubrificado, que se esquecera de alargar o parceiro com um dedo ou dois. Quando a cabeça entrou, Dohko soltou um gemido que Shion não sabia se era de dor ou de prazer.

–Está tudo bem?Quer que eu pare?

Dohko o beijou com mais avidez.

–Só vai mais devagar. Mas não para.

–Tem certeza?

–Eu quero que você continue. Só mais devagar... por favor...e não para de me beijar...

Shion penetrava lentamente como o outro pedira. Cada vez que colocava mais um pouco, parava, esperava, beijava, e recuava, então colocava mais um pouco outra vez. Cada vez mais fundo... Dohko sentia que o outro o preenchia... doeu um pouco, ardeu até...mas depois, afinal, era ele, tudo pareceu se normalizar...ele se sentia sendo preenchido. Shion era todo carinho, estava preocupado, mas percebia que estava adorando. Quando sentiu que Shion estava todo dentro dele, se encararam por alguns segundos.

–Tudo bem?

–Entrou tudo?

–Estou todo em você!

–Eu te amo Shion!

Shion sorriu.

–Oh, Dohko... eu também te amo... sempre...

Aquele foi o beijo mais apaixonado que alguma vez eles trocaram. Foi Dohko que começou a se mover, e então entraram em um ritmo alucinante. Era tudo pele, cheiro, calor, amor. Alguns minutos depois, Shion disse:

–Vou sair... posso?

–Por que?

–Não vou aguentar muito mais tempo... você está me deixando louco...

Dohko cruzou as pernas nas costas de Shion. O encarou envergonhado.

–Você sempre me deixa gozar em você... quero poder fazer o mesmo... vem...

Shion não aguentou mais. Enquanto beijava o amante, derramou sua semente de forma generosa dentro do parceiro, que ao sentir o outro se esvaindo, enquanto seu sexo roçava na barriga do ariano, gozou sem ser preciso se tocar. Relaxaram um nos braços do outro. Shion fez menção de se retirar, e Dohko o abraçou.

–Fica enquanto der... quero te sentir dentro de mim, sentir que estamos ligados...

–... que estamos vivos...eu também quero me sentir assim!

–Te amo!

–Eu também...

Em outro canto do mundo, Dohko tinha essa mesma lembrança. Só voltou ao presente com a voz de Aioria.

–Mestre, sinto um cosmo agressivo se aproximando.

Dohko se concentrou. Hora de começar a batalhar.

– — — — — -

–Que absurdo é esse Milo?

–Camus, eu sei que é difícil, mas é o que foi dito. Liko é Hefesto. Afrodite vai dar um jeito de colocar os outros aqui, juntos nós temos mais chance, e parece que um plano foi formado. Temos que mantê-lo aqui até...

–Até que os outros venham assassiná-lo?

–Eu não sei bem, Camus, mas... você tem que...

–Entender que querem matar uma criança por que acham que ele é Hefesto? Milo, você está me achando com cara de idiota? Você não sentiu, ele não tem cosmo nenhum, como ele poderia ser um deus? Um olimpiano jamais esconderia sua presença ou divindade dessa forma, é impossível, nós saberíamos, e...

–Camus, Camus, olha pra mim!- O aquariano se agitava de um lado para outro- Eu entendo como você deve estar se sentindo, mas o que nós podemos fazer? Nossa missão é proteger a terra. Temos que deter Hefesto.

–Eu conheço esse papo Milo. Vão querer matar o Liko. Eu preciso tirá-lo daqui. Agora.

–Camus, não, escuta, acho que não vão matá-lo, não podem, lembra? O mestre falou que temos que entregá-lo ao Olimpo...

–E que não deveríamos hesitar em matá-lo caso ele despertasse. Eu não vou permitir que façam nada ao Liko, Milo. Nunca.

–Camus, ele não é quem você pensa... ele...

–Milo, chega! Eu teria sentido se ele fosse Hefesto. Eu não sou idiota. Idiota é quem acredita nisso. Eu vou tirar o Liko daqui. E agora. Não vou deixar ninguém encostar um dedo no Liko.

–E vai pra onde Camus? Acha que os outros não vão ser obrigados a ir atrás de você? A ir atrás do Hefesto? Você vai ser expulso da ordem dos cavaleiros, Camus. E ainda corre o risco de morrer. Por quê?

–Milo...você não entenderia... acho que pouca gente entenderia... mas não importa, eu não vou deixar ninguém tocar numa criança inocente. Isso sim seria ir contra nossa missão de proteger a paz na terra em nome de Atena. Ela jamais apoiaria a morte de um inocente.

Camus se virou e foi saindo.

–Camus, onde você vai?

–Tirar o Liko daqui.

–Camus, por favor, não...

–Milo, se você é meu amigo, não tente me impedir.

Os dois se encaravam. Milo sentiu a tensão crescendo. Percebeu no olhar de Camus que ele não iria mudar de ideia. Mas ele tinha que fazer alguma coisa. Qualquer coisa. Não podia deixar Camus ser acusado de traição, correr o risco de vê-lo morto ou afastado. E não podia deixar Hefesto sair do Santuário.

O que fazer?

Afrodite resolveu intervir mais uma vez!

– — — — — -

O cosmo agressivo que se aproximava não era mais estranho do que a presença ao redor da floresta.

–Aioria concentre-se no inimigo. Eu vou tentar localizar nosso destino.

O mestre assumiu posição de meditação. Aioria achou aquilo estranho, mas decidiu obedecer sem questionar. Alguns minutos, e um garoto de uns dez anos apareceu. Possuía cabelos claros, curtos, e era o dono do cosmo agressivo.

–O que você quer aqui?

–Garoto, você está perdido?

–Não tente conversar. Eu sei que você é inimigo. Quer matar minha senhora, não é? Um bebê, e você quer fazer mal a ela?

O garoto emanava um cosmo estranho, agressivo, e maléfico. Aioria sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Teria que lutar com um garotinho? Esses eram os espectros de Hades?

–Suma daqui!

Um lampejo negro nos olhos do garoto, e várias pedras foram atiradas na direção de Aioria. Ele se afastou um pouco para evitar que algumas atingissem o mestre ancião, e disparou alguns golpes de luz que pulverizaram as pedras. O garotinho pareceu não se perturbar com aquilo. Outro lampejo, um som estranho, e algumas árvores foram arremessadas em cima de Aioria. Outros golpes de luz, e elas viraram tocos incendiados.

–Não vai embora? Então vou ter que te matar.

–Garoto, eu só quero uma coisa, e não é matar sua senhora.

–O que é então?

Uma sombra de dúvida passou pelos olhos do garoto.

–Tirar uma pedra amaldiçoada daquela torre. Só isso.

–Uma pedra... a pedra da morte?

–Pedra da morte?

–É, a pedra que fica na torre. Ela mata tudo que encosta nela. É uma coisa parecida com ouro, mas é estranha, quando você olha, parece que tem um brilho vermelho. Todo bicho que se aproxima morre, a terra em volta é seca... tem algumas caveiras lá também de gente que tentou pegar aquilo. Pra que você quer aquilo?

–Não tenho como explicar bem, mas se eu for resumir, eu tenho que tirar ela daqui pra evitar que todo mundo que está aqui morra em breve.

”E na terra também.”- Pensou Aioria.

O garotinho o encarava com olhos estranhos.

–Isso pode matar todo mundo?

–Até sua senhora.

O garotinho pareceu considerar. Olhou para o lado, e parecia estar escutando alguém que falava com ele ao seu ouvido, mas Aioria não via ninguém.

O rapazinho se virou, sacudindo a cabeça vigorosamente.

–Certo. Eu te levo até lá. Mas como você vai pegar aquilo sem morrer?

–Eu...

Agora Aioria fora pego. Esperando que o mestre ancião tivesse alguma resposta, procurou o ancião, que continuava em posição de meditação.

–Mestre...?

O garotinho foi caminhando na direção de Dohko. Parou a um metro da frente do ancião.

–Espere, não faça nada com ele.

–Meu mestre disse que eu tenho que falar com o velho. Eu não, ele através de mim na verdade.

–Quem é seu mestre garoto?-Aioria estava perdendo a paciência com aquele papo.

–Mestre Hypnos.

– — — — -

–Cavaleiro de Aquário, fique onde está!

Milo era quem falava, mas sua voz era diferente. Havia algo como se uma mulher estivesse falando com ele ao mesmo tempo, duas vozes juntas. Camus deu um passo atrás.

–Quem... quem... Milo, o que...?

–Vocês sempre reagem do mesmo jeito é? Meu nome é Afrodite, cavaleiro. A deusa do amor.

–Afrodite? A deusa? Mas como...?

–Nos últimos dias tive que usar um número sem conta de corpos humanos pra me comunicar com vocês, cavaleiros. Isso está me cansando. Vamos ao que importa.

–O que você...

–Quero que você não tente fugir com o garoto. Ele é Hefesto, e você sabe para que veio e o que ele planeja. Vai arriscar o mundo que sua deusa favorita tanto deseja proteger pra proteger alguém que nem é real?

–Ele... ele não pode ser Hefesto... tem que ter alguma coisa errada... ele é uma criança só... é impossível...

Os olhos de Milo lampejaram de forma perigosa, com uma sombra rósea neles.

–Está querendo dizer que eu, uma deusa, estou cometendo um erro, mortal? Você não sabe nada.

Camus sentiu perigo naquela frase.

–Não é isso, é só que... eu não acredito que esse garoto é Hefesto. Não pode ser.

Milo levantou seu indicador. Sua agulha escarlate cresceu.

–Bom, se você não ficar aqui por bem, então vai ser por mal. Mas eu não posso deixar passar a oportunidade de impedir meu marido. O que vai ser cavaleiro? Vai me ajudar ou não?

Camus estava pasmo. Se ficasse, teria que lutar. Se fugisse... mas o que importava era defender Liko.

–Perdão, deusa do amor. Mas eu vou embora com o garoto.

A agulha escarlate foi disparada. Camus sentiu a ferroada do escorpião na sua coxa direita. A dor era lancinante.

Dessa vez foi a voz de Milo que falou:

–Camus, por favor. Eu não consigo controlar meu corpo, ela está me usando. Fuja enquanto pode, ou fique, mas não a enfrente, ela é uma deusa e...

Outra agulha foi disparada, na coxa esquerda dessa vez. Camus caiu de joelhos. Agora a voz voltou a ser dupla.

–Oras, esse hospedeiro que eu arrumei é forte, conseguiu repelir meu controle por vontade própria. Isso não é fácil. Mas ainda assim ele não pode me segurar muito mais tempo. Cavaleiro, vai me ajudar, ou vou ter que matá-lo?

Camus sentiu tontura. O golpe de Milo era muito pior do que parecia. Ainda mais sendo disparado por uma deusa dentro dele.

–Eu não vou deixar tocarem no Liko.

Camus elevou seu cosmo. O “Pó de diamante” foi disparado.

Milo repeliu o golpe com a unha escarlate.

–Agora quem está aqui é uma deusa, mortal. Você sabe o que espera alguém que se rebela contra os deuses não? Morte.

Camus tinha que pensar rápido.

–Então é hora de morrer.

Notas finais
E até semana que vem/ Um beijo enorme e mais uma vez agradeço a companhia. Podem falar comigo, não mordo hehe