(dois meses depois)

Nestes meses que se passaram, não faltaram momentos incríveis com Billy. Estávamos muito apaixonados. Saímos juntos, com os amigos, às vezes ficávamos em casa vendo filmes e às vezes íamos a festas com a família e amigos. Estava tudo perfeito. Billy era o melhor namorado do mundo. Ele me paparicava. Isso o fazia rir muito, por que eu ficava sem jeito às vezes.

Sasha é claro, perguntava de tudo, até se nós já havíamos feito aquilo. Para a vergonha de J e a minha também. Não queria entrar em tantos detalhes assim, por mais que ela fosse minha amiga. Mas a verdade que nada aconteceu. Billy me disse que esperaria que eu estivesse pronta. Amava mais ele por isso.

— Mamãe! – chamei por ela assim que estava na sala. Ela estava amamentando Carly.

— Sim filha?

— Estou indo na casa da Sá. Vou passar o dia lá hoje.

— E o Billy?

— Avisei para ele que iria passar o dia com a minha amiga. ela disse que eu havia lhe abandonado.

Mamãe riu.

— Esta bem filha, vá com cuidado.

— Até mais!

Assim que peguei meu Jipe, fui em direção a casa de Sasha. Chegando lá, ela já estava me esperando.

— Amiga! Quanto tempo! – disse ela me abraçando.

Comecei a rir.

— Nos nós vimos ontem na escola Sá!

— Nos vimos pouco. Amigas que começam a namorar é uma droga! – disse ela bufando.

— Mas eu estou aqui não estou?

— Sim – disse ela fazendo cara de carente.

— Então?

— Vai dormir aqui hoje?

— Não amiga. Vou passar o dia com você, pois amanhã como é domingo é o dia de almoçar na casa da sogra.

Sasha deu de ombros.

— Tudo bem...você vai me abandonar.

A abracei.

— Nunca! – disse tentando lhe fazer cócegas.

— Pare!

Me afastei rindo. Ela estava se segurando para não rir. Subimos para o quarto de Sasha que estava cheio de filmes em cima da cama e muitas porcarias para comer.

— Vamos começar então! – disse Sasha colocando o primeiro filme.

Nos sentamos no chão rodeadas de comidas que não faziam nada bem a saúde, mas um dia só não iria fazer mal.

Enquanto passavam os trailers, me virei para minha amiga.

— Sá, posso lhe fazer uma pergunta?

— Pode. – disse ela comendo um chocolate.

Pensei bem na pergunta.

— Bem...humm...o que você acha do J?

Ela me olhou atentamente.

— Como assim?

— O que você acha dele? – fiz essa pergunta por que J nunca teria coragem de fazer a ela. Ele era apaixonado por ela, mas tinha verginha de falar.

— Ele é legal!

— Só isso?

— Ele é inteligente.

— O que mais?

— Mais nada.

Peguei o controle remoto e deu pausa no filme.

— Amiga, você nunca desconfiou de nada?

Sasha olhou para o pacote de chocolate em suas mãos.

— Que...que ele gosta de mim?

Fiquei pasma. Ela nunca parecia desconfiar de nada. Será que eu havia mesmo me distanciado dela assim depois de ter começado a namorar?

— Você descobriu?

— Comecei a desconfiar.

— Quando?

— Há um mês.

— E porque não me disse nada?

Ela bufou.

— Você estava ocupada com o Deus grego loiro.

Me senti a pior amiga.

— Me desculpa Sá. Não foi minha intenção.

Ela deu de ombros.

— Não lhe culpo. Se eu namorasse um cara como o Billy, também nem veria o que estivesse bem na frente do meu nariz.

Ri com o seu comentário.

— Me desculpa mesmo.

— Tudo bem.

Me sentei mais perto dela.

— Então... o que você sente pelo J?

— Ainda nada.

— Sério?

— Sim...bem, foi depois que você começou a namorar sabe? Às vezes ficávamos só ele e eu. Ele me via para baixo e tentava me animar. Então teve um dia que ele iria me dizer algo, ele estava tão perto que quando eu me virei para ouvi-lo, ele ficou sem jeito e não falou. De repente me dei conta.

— Ele gosta mesmo de você amiga.

— Sim.

— Ele é um bom garoto.

— Sim, eu sei. Só ele mesmo que me aguenta...não sei o que ele viu em mim?

Comecei a rir.

— O amor às vezes não faz sentido mesmo!

— É mesmo!

— Espero que você dê uma chance para ele. Ele tem medo que você o ignore.

— Do jeito que eu sou louca às vezes, era capaz de eu ter lhe dado um chute no traseiro se ele me dissesse isso. Iria achar que estava me zoando.

Ri mais.

— Acho que comecei a prestar mais atenção nele depois que você mal ficava com a gente.

— Então isso teve um lado bom.

Sasha me olhou fazendo uma careta engraçada.

— Não mesmo! Ainda quero meus dias de amiga!

Comecei e rir e dei um abraço nela. Acho que precisávamos desse tempo juntas mesmo.

Fizemos uma maratona de filmes românticos e clichês por mais de três horas. Demos uma pausa para ir ao banheiro. Sasha foi a primeira. Me levantei um pouco para me alongar. Meu celular tocou. Assim que o peguei, vi que o mesmo numero que me ligava a um mês, mas nunca falavam nada.

— Alô? – disse ao atender. Silencio. – Por favor, pare de brincadeira! – desliguei.

— Era o Billy? – disse Sasha ao voltar para o quarto.

— Não! Na verdade eu não sei. Esse numero anda me ligando, mas nunca dizem nada.

— Mande plantar batata!

Ri.

—Não vou me esquecer disso.

Voltamos aos nossos filmes. Foram mais três horas. Olhei no relógio e vi que já era passado das onze da noite.

— Preciso ir Sá, já esta ficando tarde!

— Tudo bem! – disse ela se levantando.

— Mas vamos marcar mais maratonas e saídas juntar, ok?

— Ok. – ela me deu um abraço.

Assim que sai, fui em direção ao meu carro. Antes de ligar o carro liguei para a casa e avisei que já estava indo. Depois liguei para Billy.

— E então, como foi o dia com a Sasha?— disse Billy assim que atendeu ao telefone.

Sorri.

— Foi legal! Precisávamos desse tempo de amigas.

— O que fizeram?

— Olhamos filmes e comemos besteiras.

Ouvi que ele riu.

— Então foi bom.

— Foi sim!

— Já esta voltando para a casa?

— Sim.

— Esta bem meu amor. Até amanhã.

— Até! Te amo.

Ele riu.

— Também.

Assim que desliguei, liguei o carro e fui em direção a minha casa. O tempo começou a fechar e alguns pingos bateram em minha janela. A casa de Sasha era longe da minha, era no máximo meia hora. A casa dela era do outro lado da cidade. Passei pelo centro da cidade e alguns lugares já haviam fechado as portas. Poucas pessoas estavam na rua.

Peguei o caminho de sempre, mas naquele momento algo estava estranho. Havia um carro parado no meio da rua. Ele estava meio de lado e com o capô aberto. Provavelmente alguém estava com problemas. A rua era só de uma mão. Então eu teria que voltar e ir por um outro lado. Me aproximei no carro parado e vi que tinha alguém curvado olhando o carro. Dava pena ver a cena, pois a chuva estava mais forte. Parei o carro e buzinei para ver se a pessoa me percebesse ali. Ela pareceu não ouvir. Baixei o vidro e chamei, mas a pessoa ainda não ouviu. Desliguei o carro e coloquei meu casaco com capuz. Sai do carro debaixo daquela chuva. Iria ver se a pessoa precisasse de ajuda.

— Olá! Você precisa de ajuda? Posso ligar para um guincho para lhe ajudar. Conheço algumas pessoas que...

De repente a pessoa saiu de traz do capô. A rua estava iluminada e eu o vi. Me senti dormente e em choque. Não poderia ser.

Ele se aproximou de mim.

— Oi meu bem? Não vai dar um abraço no papai?

Todas as lembranças vieram a minha mente. Comecei a tremer muito. Minha crise de ansiedade que eu tanto lutei para me livrar parecia ter vindo em dobro. Dei um passo para trás pronta para correr. Me virei e sai em disparado em direção ao meu carro, mas de repente senti que puxaram meu capuz com meu cabelo. Gritei em choque.

— Não vire as costas enquanto eu estiver falando com você! – disse ele com raiva no meu ouvido.

— P-Por favor!

— Cale a boca! – ele me virou para que ficássemos frente a frente. Ele apertava meus braços com força.

— Não me machuque! – disse em pânico.

— Você é patética! – disse ele com desdém – Esperei todos esses anos por esse momento. Hannah,Hannah... o que eu vou fazer com você?

— Por favor...

— Fique quieta! – ele me deu um tapa tão forte no rosto que pareceu que minha cabeça deu a volta inteira no corpo. Comecei a chorar.

— Por favor...por favor... – disse um pouco tonta.

Desta vez eu senti algo mais forte na minha cabeça e de repente a escuridão.