TwoLifes

1 Capitulo I: A chave para a perfeição.


Notas iniciais
Primeiro capitulo! hahahaha Estou um pouco nervosa, não sei se irão gostar. D: Espero que gostem, né. Bem, deixe-me explicar:Vida diurna é a vida real e vida noturna é a vida no jogo/rede social. Eu chamo o jogo de rede social porque eu jogo RPG's no facebook e eu me inspirei nesse lance deles, eles meio que vivem uma segunda vida pelo facebook.Eu não peguei nenhuma história real ou fictícia como inspiração.Meu irmão achou muito parecido com SAO, mas digamos que ele não é a unica história com jogos realistas.Espero que gostem! Comentem e relatem o que não curtiu, onde eu deveria melhorar e etc!

“No dia 27 de outubro do ano de 2178, há vinte anos, fora lançado a melhor rede social já inventada – e a mais usada. TwoLifes é uma junção de jogos com gráficos realistas e uma rede social antiga, conhecida por várias pessoas criarem um “fake” e interpretarem como se estivessem vivenciando suas cenas inventadas. Os criadores de TwoLifes trouxeram muito mais do que gráficos realistas: Com estudos avançados conseguiram criar um equipamento onde o usuário poderá sentir as sensações do seu personagem em tempo real, como se realmente estivesse vivenciando tudo aquilo. Um grande avanço na tecnologia.

Desde aquela época as pessoas se sentem mais realizadas podendo ser o que quiserem em TwoLifes. O jogo é muito simples, as regras são basicamente as mesmas que a nossa vida real, mas a vida em TwoLifes é muito mais fácil já que todos são literalmente perfeitos. ‘É como se eu vivesse em um livro’, um usuário comenta, ‘Eu posso ter super-poderes, posso treinar luta até chegar à perfeição, posso fazer tudo. ’.

Os psicólogos, que antes eram extremamente contra, dizem que o jogo se tornou algo comum nos dias de hoje, que todos precisam de uma vida noturna. ‘Eu mesma tenho uma conta e me faz muitíssimo bem’, nossa psicóloga Marty Smith relata sua vida em TwoLifes, ‘Eu saio com amigos do mundo inteiro, mas claro que não os conheço na minha vida diurna. Eu as separo muito bem’.

‘Doze horas para o dia, para os trabalhos e a convivência diurna, doze horas para a noite, para a diversão e a perfeição’, comenta outra usuária. ‘Eu sou detetive em TwoLifes, uma das famosas!’,

E hoje, como faz vinte anos desde seu lançamento, daremos seus caros equipamentos para mil pessoas que ainda não tiveram oportunidade de compra-los. Isso ocorrerá na praça central, no festival TwoLifes.”

Termino de ler o jornal e sinto meu coração pulsando mais rápido com a adrenalina. Eu finalmente poderia entrar nessa rede social tão cara! O equipamento para sono e as configurações sensoriais e de internet custam praticamente sete salários inteirinhos meus! Não podia pagar por aquilo, pois estava na faculdade e tinha o aluguel de casa.

– Mãe, estou indo para o festival! – grito após engolir todo o café da manhã e corro para a porta colocando o casaco e abrindo-a com força.

Todos os meus amigos possuem uma conta em TwoLifes, todos. Em primeiro lugar me sentia constrangida por não ter condições para comprar e em segundo lugar ficava fascinada com as histórias que eles contavam. Mary, minha melhor amiga, já foi casada três vezes na vida noturna e já fugiu da policia após assaltar um banco! Jane, outra amiga, entrou pro FBI e tem relações amorosas todos os dias com o seu parceiro de trabalho. Minha vida diurna é terrível! Eu nunca namorei e odeio minha aparência, tipo, eu tenho um cabelo escorrido e oleoso que chega até a cintura por isso o amarro em um coque grotesco no meio da cabeça e prendo a franja com um grampo colorido. Meus óculos são quadrado e preciso deles mesmo usando lente de contado! Pelo menos eu já tirei o aparelho, isso ajudou muito na minha aparência.

Corri desesperada até a praça e somente quando cheguei em meu destino comecei a sentir muito calor e o suor nojento nas minhas costas.

– Hey, Stephany! – Mary avista-me e começa a acenar loucamente para que eu a veja. Sinto-me um pouco constrangida com tanto alvoroço e me aproximo de Mary com passos rápidos.

– Chega de tanto escândalo, Mary. – digo rindo baixo.

– Nossa, tadinha da Phany, ficou com vergonha da amiga! – Mary grita e começa a rir – Está com vergonha de mim, Phany? Com vergonha da sua melhor amiga? – Ela começa a gritar e todos nos olham confusos.

– Cala a boca, Mary! – Tento tampar sua boca, mas ela simplesmente tira minha mão rindo e continua a gritar.

– Quer uma ajudinha ai, Stephany? – June aparece com dois copos de refrigerante e entrega um para Mary, isso me acalmou um pouco, não seria somente eu a passar vergonha – Deixe a menina em paz, sua louca – Ela ri e bebe um pouco do copo que ficou com ela – Quer um gole, Stephany?

– Não! Muito obrigada. – recuso gentilmente, mas na verdade estava louca por algo gelado para beber.

– Você está toda soada, deve estar morrendo de sede! Tome um gole, vai... Ou tem nojo? – June sorri maliciosamente e eu me ruborizo, espero não ter entendido o que eu acho que entendi.

– Tudo bem. – Pego o copo desconfiada e o encaro antes de tomar um bom gole, sinto o frescor se espalhar, mas era pouco para mim – Acho que vou tirar esse maldito casaco!

– Ora, temos um gênio entre nós – Mary revira os olhos e segura o copo que estava comigo para que eu possa tirar o casaco.

– Obrigad... – Sou interrompida por uma musica alta que começa a soar do palco, todos se viram assustados e logo começam a gritar animados, o presidente de TwoLifes, que não mudara de rosto e nome no jogo, estava ali para a abertura do festival.

– Como todos devem saber hoje terá um incrível sorteio de mil aparelhos! – Sorrio ao ouvi-lo e aperto o casaco contra o corpo respirando com dificuldade, eu queria muito ganhar um, apenas um – E para isso vocês devem ter comprado o ticket do sorteio, não é? Bem, nós...

– O que?! Ticket? Que ticket? – Me viro para June e Mary que começam a rir de mim.

– Como você pensava que seria o sorteio, Phany? Enrolariam os nomes de todos os habitantes da terra em pequenos pedaços de papeis e depois sorteariam? – Mary pergunta com sua ironia irritante.

Como eu fui burra! Eu ao menos fui consultar como funcionava o sorteio e agora não há mais tempo.

– E se ainda não tem um ticket concorra a um nos diversos brinquedos espalhados por nossa praça! – O presidente termina seu discurso e eu levanto a cabeça rapidamente. Uma luz invade a minha mente e toda a esperança volta a raiar em mim.

– Ouviram isso? – Pergunto dando alguns pulinhos de felicidade, não podia sentir vergonha naquela hora, o sentimento de esperança havia me dominado por completo.

– Então vamos nos divertir, talvez até consigamos um ticket para você, Phany – June sugere me olhando com um sorriso divertido e acena com a cabeça para prosseguirmos na praça.

Começamos a andar e eu sugiro para que paremos no primeiro brinquedo, eu queria tentar em todos para conseguir ganhar o ticket.

– Stephany, se você tentar em todos será mais fácil usar o dinheiro que gastaria nos brinquedos para comprar um aparelho logo – Mary revira os olhos e me puxa – Vamos em brinquedos divertidos!

– Olá, madames – Derek, um amigo de June, aparece e beija nossa mão – Como está sendo a vida diurna de vocês?

– Dere... – June diz com uma voz manhosa – Espero que não se atrase para o trabalho amanhã!

Eu e Mary nos olhamos pasmas e encaramos Derek dos pés a cabeça. Ele era realmente muito magro, tinha espinhas e um cabelo cortado pela mãe. Dentes tortos e um pouco amarelados e andava curvado como um corcunda.

– Não brinca. – Me viro para June que me repreende pelo olhar.

– Até mais, Jen – Ele dá um beijo demorado nas mãos dela e vai embora.

– E aquele papo de não conhecer as pessoas da vida noturna na vida diurna e vise e versa? –Mary solta com raiva – Eu não sei quem você é na vida noturna! Isso é injusto!

– E ele é estranho. – murmuro olhando para ele, que já estava distante.

– Você também é. – June rebate com raiva e se vira para Mary – Nós transamos, Mary. Eu queria conhecer ele para transar com ele na vida diurna também, mas... – Ela olha para onde ele foi e volta seu olhar rapidamente balançando a cabeça – Não.

O seu comentário sobre mim bastou para que eu bufasse e fosse embora enquanto elas estavam discutindo, tentei me afastar bastante até estar segura que elas não me seguiriam mais. Olhei para os brinquedos a minha volta e vi um castelo gigante e aterrorizante com uma placa enorme escrito “Não grite se puder”. Como sempre fui boa em não gritar, entrei no brinquedo crente que sairia vitoriosa.

Logo após pagar entrei em uma pequena sala onde havia mais três pessoas, um casal e um menino alto e bonito. Tentei não encara-los muito, mas era difícil já que o casal fazia muito barulho se beijando e o menino era realmente muito bonito.

A porta se abriu em um baque e de lá saiu um homem todo vestido de preto, me assustei e apertei o casaco contra o corpo. A menina gritou. Olhei incrédula para o lado.

– Bem-vin... – Uma voz rouca começava a falar antes do grito – Mas já? – O homem perguntou tão incrédulo quanto eu e fez um aceno para a porta – Pode ir, filha.

A menina saiu bufando e dizendo que tinha pagado caro para entrar, seu namorado a acompanhou cabisbaixo, estava na cara que ele não receberia os abraços no escuro que esperava quando ela tomasse um susto. Reviro os olhos depois que eles fecham a porta e me viro para o homem.

– Continuando. – Ele diz com uma voz normal – Bem-vindos ao inferno! – As luzes se apagam e logo uma luz fraquinha sai de alguns dizeres em vermelho, parecia sangue e as palavras eram em uma língua que eu não conhecia – O objetivo desse jogo é passar por todo o brinquedo sem gritar, o vencedor, ou seja, o que chegar sem gritar, ganhara um ticket premium para o sorteio. Tendo mais chances de ganhar!

Eu quase grito um “Yeah!”, mas penso se não perderia como aquela garota e então me controlo. Isso era realmente ótimo, além de passar no escuro com um gato daqueles eu ainda ganharia de premio mais chances que os outros para ganhar um equipamento para o TwoLifes.

– E se ambos não gritarem? – O menino perguntou e eu me virei atordoada. Sua voz era um tanto famíliar, mas eu não sabia de onde eu conhecia.

– Bem... Então ganhara quem chegar primeiro! – O homem respondeu e um sorriso transpassou o rosto do menino. Senti um arrepio em toda a espinha quando o menino entrou em posição de largada.

Imitei o mesmo e ele me olhou displicente.

– Eu sou Robert, ou melhor, Rob, o gamer. Prazer. – Ele sorri e eu arregalo os olhos.

Rob, o gamer! Ele é o menino mais famoso dessa cidade! Nunca perdeu nenhum jogo, nunca. Reza a lenda que ele é o mais poderoso em TwoLife. Eu talvez pudesse explicar para ele que não tinha condições de comprar o jogo e que queria muito, muito isso.

– Se preparem então! – O homem diz mais animado – Um, dois, três! – É dada a largada e eu saio correndo como uma louca para a porta que o homem saiu, corro mais do que já corri em toda a minha vida e tento não pensar em Rob. Só percebo que estou totalmente no escuro quando se passa alguns segundos. Eu tento parar, mas meu pé entra em um buraco e logo o meu corpo todo, eu começo a cair e o grito tenta com toda a força sair, mas eu tampo a boca e o seguro. Estou caindo e caindo, com certeza se chegar ao chão morrerei.

– Stephany! – A voz de meu pai parece desesperada – Stephany, me salve desse inferno! – Ele urra e eu sinto tanto medo que gemo e começo a chorar e soluçar.

O chão chega e eu pouso como se fosse uma pena. O que seria aquilo? Levanto-me do chão e começo a ouvir passos ao meu redor, mas não eram passos de humanos. Tento enxergar alguma coisa e cerro os olhos, rapidamente um rosto aparece na frente do meu rosto. Um rosto horrível e inexplicável. O grito vai sair, vai sair. Eu mordo minha mão e saio correndo dali até bater em uma parede, volto para trás e bato em outra parede. Balanço os braços e sinto que estou cercada por quatro paredes que começam a se fechar. Eu iria morrer ali? Que tipo de brinquedo é esse?

– Algo deu errado! O brinquedo está fora de controle! Todos para fora! – Ouço uma voz desconhecida e começo a me desesperar.

– Não! – Grito e começo a bater nas paredes – Alguém me ajuda! Socorro!

E a luz aparece novamente. Estou na sala de inicio deitada no chão, provavelmente apagaram nós dois e colocaram um aparelho de gráfico realista, por isso não senti nada na queda.

Balanço a cabeça com dificuldade por ela estar muito pesada, como se estivesse acordado agora de um pesadelo e tiro os óculos do jogo. Olho para o lado e vejo Robert deitado mais jeitoso do que eu. Provavelmente ele sabe que é um jogo.

O homem vestido de negro diz que eu posso sair e eu saio desanimada, eu não ganhei o ticket Premium. Mas o que me deixa mais desanimada e triste é ver que o sol já estava para se por, todos os meus amigos foram jogar TwoLife e eu estava sem tempo para mais jogos. Fui até a praça e o sorteio começou a rolar, havia um pouco mais de mil pessoas, o que me deixou furiosa. Eu teria tantas chances desse jeito. Sentei-me em um lugar afastado e ouvia os nomes dos ganhadores seguidos por gritos de vitória.

Uma menina passou por mim com o aparelho em mãos, ela estava sorridente e segurava a mão de seu pai. Estava falando tanto. Não consegui ouvir o que, mas provavelmente era sobre como será incrível jogar TwoLife. Abraço minhas pernas enterrando o rosto nas mesmas e acabo pegando no sono.

– Ei, garota! – Sou acordada com sacudidas violentas.

– O que?! Que foi? – Olho em direção a voz e vejo Rob com uma cara de tédio.

– Pega isso. – Ele joga em meus joelhos os equipamentos – Eu já tenho uns quatro desses em casa.

– Você só pode estar brincando! – Minha alegria era tão imensa que sinto lagrimas começarem a rolar. Aperto a caixa contra meu corpo e começo a me balançar – Obrigada! Muito Obrigada mesmo!

– Só não quebra. – Ele diz friamente e me olha por alguns longos segundos. Fico envergonhada e abaixo a cabeça – Eu tentei te avisar antes que era apenas uma ilusão, mas você apagou muito rápido – Ele ri e eu bufo baixo – Tente me encontrar em TwoLife, eu sempre costumo passear pelo parque dos pássaros.

– Não é uma informação um pouco vaga já que você deve ter outra aparência e nome? – Pergunto levantando as sobrancelhas.

– Eu não mudei nada em mim. – ele diz friamente e sorri – Pessoas como você mudam de aparência. – ele sai andando e eu reviro os olhos.

Só agora posso perceber que não há mais ninguém no parque e tudo está quieto demais. Todos devem estar dormindo, todos devem estar em suas vidas noturnas.

Pego a caixa e a levanto sorrindo, era a minha chave a perfeição.

Notas finais
XD Espero que tenham gostado! Comentem ai, pessoal! Quero saber o que vocês acharam :D