Two Worlds Collide
20 Cap. XX — Funeral
Notas iniciais
— Oi, gente! — cumprimentou Finn animado, o que Quinn chamaria de comportamento errado quando eles na verdade iam a um cerimonial.
Ele desceu de sua camionete e abraçou Rachel calorosamente. Quando se virou para Quinn, no entanto, apenas deu-lhe um aperto de mão receoso. A garota sabia que ele tinha medo dela, e por isso mantinha-se um passo atrás quando lhe dirigia a palavra. Era até bom, para falar a verdade. Quinn poderia manter Finn afastado por um tempo.
— Vamos? — perguntou ele, ainda com aquele tom horrivelmente entusiasmado. — Kurt disse que iria começar pontualmente, e sabem como ele é.
— Mas tem gente que não percebe, é incrível — alfinetou Quinn, os olhos faiscando na direção de Finn. O garoto engoliu em seco e caminhou logo para o carro.
— Rachel, está quieta — chamou Quinn, parando para olhar a namorada. — Tudo bem?
— Sim, é só... — Rachel respirou fundo e seus olhos se encheram de lágrimas. Quinn apertou o braço dela de leve, demonstrando apoio. — É tudo tão frágil, não acha? Jean estava bem até a semana passada, olha só o que lhe aconteceu... Nós também temos essa fraqueza, só estou com medo de...
Rachel não chegou a completar a frase, pois as lágrimas não deixaram. Quinn, assustada com a reação da namorada, puxou ela para um abraço, enquanto Finn buzinava para que fossem logo.
— Vai ficar tudo bem, beleza? — consolou Quinn, limpando o rosto de Rachel delicadamente. — Estou aqui; seus pais estão; o Glee está... Estamos todos do seu lado, Rach, nada vai acontecer. Eu não vou deixar.
Rachel sorriu lacrimosa, dando um selinho em Quinn e a puxando para entrarem no carro.
Quinn tinha que admitir, Finn tinha feito um bom trabalho com o funeral. Ao redor do caixão, havia cogumelos brilhantes de isopor, grama sintética e tudo mais que poderia lembrar a primeira versão de A Fantástica Fábrica de Chocolate. Ao lado, um espaço onde o Glee cantaria Pure Imagination, música favorita de Jean, junto com um televisor mostrando imagens dela com a irmã.
Coach Sylvester ainda não tinha chegado. Quinn sentou-se ao lado de Rachel, junto com Finn e Sam, na primeira fileira. Do outro lado estavam Kurt e o resto do Glee.
A casa foi enchendo aos poucos. Rachel não conseguia controlar suas lágrimas, e a namorada a acolhia num abraço de lado. Finn conversava com Sam aos sussurros, mas seus olhos sempre arranjavam um jeito de acompanhar os movimentos de Rachel.
Quando Sue entrou, ao lado de Mr. Schue, Finn e Kurt levantaram-se imediatamente e explicaram sua idéia para o cerimonial de Jean. A treinadora parecia sem palavras e apenas assentia com a cabeça. Ela sentou-se ao lado de Sam, Will sempre a acompanhando, e esperou pelo pastor dar abertura ao funeral.
— Bem vindos ao funeral mais incomum que já participei — começou o pastor. — O que faz sentido, pois Jean foi a pessoa mais incomum com quem tive o prazer de passar cada domingo, nos últimos trinta anos. Acho que Sue, irmã de Jean, gostaria de dizer algumas palavras.
Coach Sylvester levantou-se ao fim da fala do pastor. Quinn, que convivera tanto tempo com uma Sue maligna e cruel, não ficou impressionada com a falta de emoção no rosto da antiga treinadora. Contudo, assim como ela, sabia que aquela mulher forte por fora na verdade estava destruída por dentro.
Sue respirou fundo, olhou para o caixão da irmã e começou.
— Sinto falta da minha irmã. Toda noite, às dez horas, mais ou menos, ela costumava me ligar, e quando eu perguntava o porquê... — a treinadora controlava o choro, mas parecia que estava perdendo a batalha — Ela dizia que o corpo dela havia mandado... Que queria escutar minha voz.
Sue sucumbiu às lágrimas. Rachel jamais imaginara que um dia veria a treinadora tão vulnerável, e só de pensar que ela amara uma pessoa na vida a fazia acompanhá-la no choro. Enquanto Quinn apertava sua mão com força, Mr. Schue levantou-se para ajudar a treinadora. Ele apertou seu ombro e pediu para ler. Sue apenas concordou; seu choro estando compulsivo.
Quinn absorveu só algumas coisas. Algo sobre amar alguém e esta pessoa ser parte de você, ser ligada a ela por um elo que você pode sempre sentir. Então ela, Quinn, que estava sendo a garota forte para Rachel, não agüentou e sentiu as lágrimas quentes em seu rosto, por que tudo o que Sue escrevera se aplicava tanto a ela quando o assunto era Rachel Berry. Tudo o que sentira pelos outros garotos que namorara jamais chegaria aos pés do que sentia por Rachel. Era profundo, forte, e Quinn sabia que não acabaria tão cedo.
Assim que Will terminou e Sue finalmente conseguiu controlar suas lágrimas, o Glee levantou e se aprumou no local destinado a eles para cantarem. Quinn teve de ser apoiada por Rachel para seguir os outros, e ver si mesma tão frágil, atacada por palavras tão fortes a pegou de surpresa. Não reparara até agora no quanto sentia por Rachel. Observando Finn de longe, percebeu que não poderia desistir do que sentia tão fácil.
Teria de conversar com ele, decidiu.
— Rachel ainda está no banheiro — disse Quinn ao abrir a porta da camionete de Finn e entrando rapidamente —, então teremos um tempo só para nós. O que você quer Finn?
— O que? — fez o garoto ingenuamente, virando-se para Quinn.
— Não se faça de bobo. Eu sei que você está afim da Rachel de novo. Por que vocês, homens, só dão valor depois que perdem? — exclamou ela, furiosa. — Rachel é minha namorada.
— As coisas que Sue estava falando lá dentro... — Finn disse, tentando se explicar — Eu sinto aquilo por Rachel, você não.
Quinn sentiu uma onde de raiva percorrer por todo seu corpo e, sem perceber, empurrou Finn contra a porta do carro. Ele a encarou, aterrorizado.
— Ficou louca?! — gritou.
— Você não sabe o que eu sinto... — sussurrou Quinn, a voz tremendo — o que sinto pela Rachel... é mais do que já senti por você, Puck ou Sam. Você simplesmente não sabe o quanto ela me faz bem... Não sabe...
Quinn chorava. Não tinha idéia de como ou quando começara, apenas sentia as lágrimas quentes nas bochechas novamente. Finn não tinha direito nenhum de lhe dizer que não tinha sentimentos. Talvez fosse mais complicado para ela explicar ou demonstrar o que sentia, mas isso não dizia que não os tinha. Muito pelo contrário: às vezes, tinha a impressão que sentia mais que os outros.
— Rachel esqueceu você — disse Quinn. — Talvez você deva fazer o mesmo.
— Rachel não é lésbica — contrapôs Finn, obviamente desprovido de bons argumentos.
— Finn, você é o rei das lésbicas! Eu, Rachel, Santana... Em algum lugar na sua vida passada você foi gay, não é possível. Acho que...
Mas Quinn ficou em silêncio ao ver Rachel sair do local acompanhada de Tina e Mercedes. Ela abriu a porta da camionete de Finn, o encarando.
— Finn, eu sei que você a ama, mas me deixe ter meu momento de felicidade, por favor. — Os olhos verdes de Quinn cintilavam por causa das lágrimas. — Deixe-a ser feliz também.
Finn não disse nada. Quinn tomou o silêncio dele como um sim e saiu do carro, trombando com Rachel no meio do caminho.
— O que houve? — indagou Rachel, enquanto Quinn ofegava e a abraçava. — Tudo bem?
— É... Tudo — balbuciou Quinn, soluçando. — Não vamos mais com Finn.
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