Two Worlds Collide
21 Cap. XXI — Finn, don't go away
Notas iniciais
Mudando de assunto... Alguém aí viu o episódio novo? O que acharam?
— Posso te perguntar uma coisa? — disse Rachel num sussurro para Quinn durante a primeira aula da manhã de sexta-feira.
Quinn balançou a cabeça afirmativamente, seus olhos postos na professora.
— Por que não fomos com o Finn ontem?
A loira engoliu em seco. Depois de conseguir uma carona com Sam, imaginava que Rachel iria lhe perguntar isso. Estava pensando em uma desculpa convincente, mas talvez se a contasse, Rachel não fosse confiar nela como antes. Seria como se a estivesse traindo, e tudo o que menos precisava naquele momento era perder sua confiança.
— Finn está afim de você — murmurou Quinn, evitando os olhos de Rachel e desenhando algo numa folha. — De novo.
— Ah — fez Rachel, corando fortemente. Não imaginava que Quinn fosse tão ciumenta. — Eu... ahm...
— Eu falei para ele que deixasse você ser feliz — interrompeu a Fabray. — Ele não me respondeu.
Seguiu-se um silêncio constrangedor. Quinn continuou a desenhar algo que Rachel não conseguiu decifrar o que era, ainda evitando contato visual. Rachel, por outro lado, tomava as anotações da aula lentamente, custando a prestar atenção no que a professora dizia.
Estava chocada. Isso explicava a grande vontade de Finn de ficar perto dela, assim como a distância que ele mantinha de Quinn nos últimos dias e o tom rancoroso que usavam quando, inconvenientemente, tinham de se falar. Não fazia idéia do que um simples acompanhante falso de baile e uma confirmação de namoro poderiam fazer com um garoto.
Teria de resolver as coisas com Finn. Estava feliz com Quinn, será que ele poderia entender que o esqueceu? Provavelmente não, mas tinha que tentar. Finn e ela lideravam o Glee, tinham que ter uma boa relação. E se perdessem as Nacionais por causa do ciúme dele? E se não conseguissem escrever uma boa música simplesmente por que ele estava ocupado odiando Rachel? O clube colocaria a culpa nela, Rachel. Quinn entenderia se fosse conversar com ele durante o almoço, não entenderia?
— Eu vou falar com Finn — disse Rachel determinada. — Vou resolver tudo com ele.
— Rachel... — sussurrou Quinn, sem saber direito o que dizer, então apenas assentiu com a cabeça. — Obrigada.
Rachel havia mandado uma mensagem para Finn avisando-o para estar no auditório na hora do almoço. Como a aula de álgebra terminara mais cedo, desceu primeiro ao auditório e tocava lentamente a melodia de She Will Be Loved quando ouviu passos atrás dela.
— É cedo ainda, Finn, o que está...
Mas ela parou de falar, pois não era Finn que encarava, e sim Jesse.
Seu coração bateu mais forte, lembrando-se de quando cantaram pela última vez ali, há pouco mais de uma semana. Contudo, aquele sentimento era apenas uma lembrança: era de Quinn agora.
— Olá, Rachel — cumprimentou Jesse, educado como sempre. — Queria conversar com você sobre as audições. Você ganhou, é óbvio.
Rachel esqueceu que ele era um idiota e que estava com raiva dele para pular nos seus braços para um abraço. O momento durou o bastante para que ela se recordasse da frase de Santana: “Está armado.”
— Jesse... — Rachel o afastou um pouco. — Eu ganhei por que ainda gosta de mim?
— Parece tão óbvio assim? — perguntou ele, fingindo dúvida. — Me importo com você, mais do que a Fabray, se me permite dizer.
— Não... Quinn se importa comigo. Muito. — A garota respirou fundo. — Ela que deveria ganhar. Foi ótima em sua apresentação.
— Não Rachel, você ganhou, fique feliz!
Rachel sorriu tristemente. Não aceitaria aquilo, não podia aceitar aquilo... Poderia ter acertado a maior nota da sua vida, mas Quinn e sua atitude roqueira arrasaram também. Santana e sua adoração por Amy Winehouse, então? Perfeita. Kurt com Gypsy e Mercedes com Aretha? Inabaláveis. Pela primeira vez na vida pensava no grupo antes de si, era estranho, mas não era nada errado.
— Jesse, eu não posso — decidiu Rachel. — Peça desculpas ao Mr. Schue por mim, por favor.
Jesse assentiu um pouco desconfortável e revoltado.
— Ah, e estou com Quinn — lembrou a garota. — Indisponível por um bom tempo. Mas eu nunca agradeci você por ter ido comigo ao baile. Foi mal Finn ter te dado um soco.
Foi a vez de Jesse sorrir triste. Contudo, seu semblante mudou drasticamente ao olhar por cima do ombro de Rachel e ver Finn com a expressão de total repreensão.
— Rachel. Queria me ver — disse Finn, naquele jeito ciumento de sempre. A garota virou-se para ele.
— Claro. — Ela deu um beijo na bochecha de Jesse. — Tudo está bem entre nós, não é?
— Sim. Respeito sua orientação, e Quinn é a melhor escolha para você — terminou Jesse, olhando fixamente Finn. — Se precisar de mim, me ligue.
Ele saiu pelas coxias, e Rachel esperou seus passos sumirem completamente para virar-se novamente para Finn.
— O que foi? — perguntou o garoto.
— Quinn me disse que está gostando de mim, é verdade?
Timidamente, Finn concordou.
— Estava tudo bem, Rachel, juro. Mas então veio o baile e Quinn me pediu para bater no Jesse por ela, e enquanto eu ia para casa fui percebendo... Eu te amo, Rachel, sempre amei, e não admito que você consiga ser feliz sem mim. Parece errado.
— Finn, amar é deixar a pessoa que ama ser feliz, mesmo que para isso custe sua própria felicidade — contrapôs Rachel, sentindo as lágrimas começarem a cair. — Você me ensinou isso muito bem quando ficou com Quinn.
— Viu?! — exclamou ele alterado. — Quinn lhe fez mal também! Ela te maltratou a vida inteira, por que a escolheu?
— De uma forma estranha, o fato de Quinn ter pisado em mim por todos esses anos apenas me ajudou a crescer — admitiu Rachel. — Como nas Regionais. Posso ter escrito Get It Right sozinha, mas foi por causa dela que escrevi uma música, nos seus termos, tocante.
Finn franziu a testa, o rosto ficando vermelho e a respiração ofegante. Rachel deu um passo para trás, assustada. O garoto parecia estar fora de si.
— Não, Rachel — ele disse; os olhos vermelhos. — Ainda não acabou entre a gente... Você não pode ser lésbica, não pode ser...
Rachel engoliu em seco quando Finn avançou em passos mortíferos em sua direção. Fechou os olhos com medo, mas antes de sentir uma bofetada ou um beijo forçado, ouviu uma voz a chamar e puxá-la para si. Não importava quem era: se estivesse protegida de um Finn assassino já seria ótimo.
— Finn, você tá doente. — Rachel entendeu que estava abraçada a Quinn ao ouvir sua voz rouca perto do seu ouvido. — Rachel não é sua propriedade. Em que década você vive?
— Não é isso...
— É exatamente isso, cara. Demorou a entender o que Kurt era, e para aceitar levou mais tempo ainda. Acho que seu maior trauma com o fato de estarmos juntas é por que somos nós. Não parece real para você, parece?
Rachel continuava de olhos fechados, agarrada a Quinn como se isso fosse lhe custar a vida. Ouviu Finn suspirar pesadamente, mas a loura não se abalou diante do enfraquecimento do garoto.
— Se Rachel estivesse feliz com Jesse ou Puck — continuou Quinn — tenho certeza de que estaria conformado. Não aceitaria, é claro, mas não ficaria tão em cima dela como está agora. Finn, você pode me odiar agora, mas olha o que você fez com ela! Eu pedi para você ontem deixá-la feliz, entretanto, você fez exatamente o contrário hoje.
A voz de Quinn estava carregada de pesar. Também chorava. Também sentia por Finn ser um idiota. Não queria perder Rachel tampouco, mas aceitaria se a garota dissesse que estava bem com outro. Por que não se importava se ela, Quinn, estava feliz ou não. O que importava era que Rachel estivesse feliz. Isso ela podia chamar tranquilamente de amor, não podia?
— S-sinto muito — disse Finn, e Rachel pôde sentir toda a dor que ele sentia naquele momento por aquelas simples palavras, de significado tão grande.
Finalmente, então, abriu os olhos.
Finn chorava. Não como os garotos da sua idade raramente faziam, mas sim compulsivamente. Quinn engoliu em seco, começando a se arrepender de suas palavras. Apertou Rachel mais forte junto ao peito, encarando Finn ainda com a mesma determinação de antes. No entanto, antes que Rachel corresse para ele ou falasse algo, Finn saiu do auditório, deixando Rachel, Quinn e um tal de arrependimento para trás.
— Quem deveria ganhar Mr. Schue? — perguntou Kurt num tom acusatório.
— Ninguém — respondeu Jesse amargurado antes do professor. — Rachel desistiu.
— Sabia que tava armado — tornou Santana, revirando os olhos.
— Ei, ela desistiu, beleza? — falou Quinn, abraçando uma Rachel quieta. — Pelo bem do time.
Quinn se arrependeu de suas palavras no instante em que as falara, pois Rachel enfiou o rosto mais fundo em seu peito e ela a sentiu soluçar. Finn não aparecera na sala do coral, e Quinn não o vira nas outras aulas. Quando perguntara a Kurt onde ele poderia estar, o garoto apenas deu de ombros, dizendo que não tinha idéia.
Estava preocupada se Finn iria para Nova York: precisavam dele para as Nacionais. E se jogassem a culpa por terem perdido Finn nela? Não, não agüentaria vê-los mal, tinha que falar com ele.
— Somos um time — disse Mr. Schuester. — Vamos fazer o que nos trouxeram aqui. Músicas originais cantadas pelo grupo todo. Desculpe Jesse, mas é o nosso jeito.
Jesse apenas deu de ombros, fitou Rachel nos braços de Quinn tristemente e, sem dizer nada, saiu da sala. Will virou-se para Quinn.
— Eu pediria para Finn, mas ele não está aqui... Podem escrever nosso dueto? Uma de vocês cantará com ele, perdoem-me por isso, mas os juízes são tradicionais e não...
— Entendemos Mr. Schue — disse Quinn.
Ela engoliu em seco. A próxima missão: convencer Finn a ficar no Glee e ir para Nova York com eles.
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