Notas iniciais
Ei pessoal, nem demoramos dessa vez hein... Quem ai está com os nervos a flor da pele esperando por esse capítulo? Pois bem... Estamos ansiosas também esperando pelos comentários... Ah, rapidinho aqui. Fizemos um grupo no WhatsApp para leitoras de TLAD e está bombando, tem brincadeiras, spoiler, interatividade, está muito legal, então quem quiser entrar sintam-se a vontade e podem enviar os números no pv se preferirem. Capítulo super dedicado a queria leitora Josyh Leitteh. Obrigada pela lindíssima recomendação, amamos cada palavra! Bora de capítulo? Já estamos pensando no próximo ^^

TWO LIVES A DESTINATION

O trabalho da noite tinha sido exaustivo e tentar ignorar o estômago reclamando estava ficando cada vez mais difícil. Então Embry seguiu para a enorme cozinha do casarão e olhou todos os armários e a dispensa, não encontrando nada que o agradasse, apenas mantimentos. Já na geladeira, nada satisfazia o moreno. Tudo se resumia em congelados de refeições preparados pela cozinheira que fazia comida para os homens que trabalhavam ali.

Nada de pizza, sorvete, biscoito, lasanha congelada, presunto ou queijo para fazer sanduíche... Tudo havia acabado, afinal, o casarão estava com a guarda triplicada naquela noite.

Embry sentia-se faminto e queria comer algo, mas não comida propriamente.

Na mesma hora, um grupo de quatro dos seus homens entraram na cozinha para procurar o mesmo que ele.

— Desistam, não tem porra nenhuma aqui — Embry falou mau humorado. — Amanhã vão ter que repor a geladeira. Detonaram tudo.

— Porra, tô morrendo de fome — comentou um dos homens.

— Nem me fala — retrucou Embry. — Vou lá na loja de conveniência do posto comprar algo.

— Pô, patrão, se me autorizar sair por vinte minutos eu busco um cachorro-quente de responsa — Diego quem disse. O rapaz porto-riquenho falou cheio de gíria de rua e sotaque latino carregado.

Ele trabalhava já há mais de cinco anos para os The Wolfs. Era um homem de confiança e Embry mesmo se amarrava no rapaz.

— Você está na guarda hoje? — Quis saber Embry.

— Não, chefe. Hoje tô na entrega. Chegamos tem um hora e vamos fazer as próximas entradas só mais tarde.

— Então pode avisar que liberei vocês para fazerem um serviço. — Embry abriu a carteira e pegou uma nota de cem. — Toma, traz uns quinze cachorros-quentes. Eu mesmo como uns quatro. — Sorriu.

— Pô, patrão, o negócio é furioso. Caprichado mesmo, bem grande — comentou Diego rindo.

— Porra, é tão bom assim? Onde fica? Não tem porra nenhuma aqui perto. — Embry estava curioso.

— Não fica tão perto, mas sei um caminho que dá para ir rápido. Em vinte minutos, no máximo meia hora, tô de volta.

— Caralho, agora fiquei curioso. — Embry ponderou por um segundo. — Porra, vou com vocês.

— Então bora, chefe, que vou te levar para comer o melhor cachorro-quente da sua vida.

Embry sem pensar duas vezes seguiu os homens, entrando no banco de trás do carro de Diego.

TLAD

A estreita estrada escura e de terra batida levaria a um bairro de imigrantes latinos, lá ficava a tal barraca de cachorro-quente, que segundo Diego, era a melhor.

De repente, Diego freou de forma brusca o carro e tentou engatar a ré, mas muitos tiros vindos de várias direções começaram a atingir o veículo, não dando chance de uma reação.

Embry não viu nem de onde surgiram os carros, mas sacou a arma e começou a atirar também. Porém ele não estava compreendendo porque a visão estava turma e a mão na arma parecia não obedecer.

Vozes soavam ao fundo, mas ele não entendia o que se era falando.

— Mata esse filho da puta. E o resto que estiver com ele vai junto para aprender a lição. — ordenou uma voz masculina.

Embry sentiu o corpo ser arrancado do carro e jogado não chão, ele deduziu.

Ouviu uma longa rajada de tiros. Ele sabia que ali a sua vida tinha chegado ao fim. Embry não queria morrer. Não sem ao menos conhecer o filho e segurá-lo ao menos uma única vez no colo, foi tudo que pensou antes de um clarão cegar seus olhos.

— Puta que pariu! Chefe! — gritou um homem. — Esse não é um dos Black?

— Caralho! Caralho! O que esse maluco estava fazendo no carro desse filho da puta? — gritou a voz masculina em nítido desespero.

— O que faremos, Chefe? Vamos deixar ele aqui mesmo e meter o pé! — sugeriu apavorado.

— Puta merda! Você ficou maluco? Já colocamos um alvo em nossas cabeças, deixar ele aqui para morrer é assinar nossas sentenças de morte. Ele não pode morrer — ditou taxativo. — Peguem ele e o coloquem no carro — ordenou o chefe. — Vejam como ele está e quantos tiros ele levou. Não o deixem morrer. E vocês terminem isso aqui e limpem tudo — falou para outro grupo.

Embry pouco compreendeu o que estava acontecendo, mas sentiu uma dor insuportável antes de tudo se apagar por completo.

— Chefe, ele apagou, mas ainda está respirando. Contamos seis tiros, três só na região do abdômen — falou o homem.

— Façam pressão nessa porra! Não deixem que ele morra. O que Embry Black estava fazendo no carro desse desgraçado? Tudo para foder ainda mais com a minha vida. Vamos, vamos, mete o pé nessa porra. Vamos direto para o casarão deles — gritou o chefe da quadrilha.

TLAD

Emmett estava concentrado em contabilizar e colocar na planilha cada arma que estava entrado no depósito. Tudo era meticulosamente calculado e organizado de uma forma quase sistemática.

Paul, que apesar de ser sempre tão brincalhão quanto Emmett, era tão ou mais organizado do que ele no assunto.

Ambos supervisionavam o descarregamento das caixas enquanto catalogavam as peças. No entanto, a concentração do Emmett foi interrompida pelo celular que vibrava de forma insistente no bolso traseiro da calça.

Emmett se deu por vencido e largou o iPad sobre uma caixa qualquer e pegou o celular no bolso traseiro do jeans. Quando avistou o nome achou estranho a ligação naquele horário. Por um segundo ponderou se deveria de atender naquele momento ou se retornava mais tarde.

— Gingers, fala rápido que estou ocupado. — Emmett acabou decidindo por atender a ligação. — O quê? Você está louco? Como assim acidente? — começou a gritar, atraindo a atenção de todos que estavam ali. Paul parou o que fazia e se aproximou dele. — Como assim? Mas ele está vivo? Caralho, espera! — interrompeu a ligação e se virou para Paul. — Liga para o Lancarter e mande-o vir imediatamente para cá. É para sair de onde estiver e vir imediatamente — praticamente gritou com Paul.

Mesmo sem entender o que estava acontecendo, mas compreendendo ser bem grave, Paul se afastou um pouco dali, pois Emmett gritava enquanto falava, e ligou para Lancarter.

O médico atendeu ao terceiro toque. Estava em casa e tinha acabado de acordar, teria plantão para começar em duas horas.

Mesmo Paul não sabendo explicar o que estava acontecendo, pediu para que Lancarter viesse o mais rápido possível, pois sabia que era algo muito grave mesmo.

— ... Apenas tragam ele para cá o mais rápido possível. — Foi tudo que Paul conseguiu escutar antes de Emmett desliga a ligação.

— O que está acontecendo, Emmett? — questionou Paul.

Todos ali pareciam já saber o que estava acontecendo, pois estavam com os rostos tensos.

Emmett passou a mão no rosto em nítido desespero. Como iria controlar aquela situação delicada? — pensou nervoso.

— Um incidente envolvendo alguns dos nossos. — Emmett começou a tentar explicar. — Eu não sei como ele foi tão imprudente. Ele estava no lugar errado, na hora errada. — Emmett tinha a voz embargada. Parecia mais refletir sobre algo do que explicar a situação para Paul.

De alguma forma Paul sabia que algo muito errado estava acontecendo, ele sentiu um arrepio passar pela espinha.

— Quem? — foi tudo que conseguiu perguntar. Paul sentia que era sério.

Ninguém mais estava no porão, só ele e Emmett. Todos tinham saído de forma sorrateira.

— O Embry — Emmett falou levando as mãos a cabeça em completo desespero.

— Que porra você está falando? — Paul voou para o colarinho da camisa de Emmett.

Emmett era um pouco maior e mais forte que Paul, mas no momento de ódio fez com que essa diferença parecesse sumir.

— Embry saiu no carro do Diego Villaz. Só que Diego fez uma merda fodida e assinou sua sentença de morte. Hoje foi o acerto de contas. Emboscaram o carro dele, só que Embry estava lá. Entrou de bucha. Quando foram executar o Diego e os demais que estavam no carro com ele, identificaram o Embry. Na mesma hora eles largaram tudo para socorrê-lo. Estão trazendo ele para cá, devem estar chegando a qualquer momento.

Paul não esperou Emmett falar mais nada, saiu correndo em direção ao pátio. No casarão estava uma confusão, provavelmente a notícia já tinha se espalhado.

Emmett lembrou que teria que avisar Jacob e Quil. Quando sacou o celular para ligar, Jasper apareceu bem em sua frente, aparentemente assustado.

— É verdade?

— Sim. Tenta ligar para o Jacob que vou ligar para o Quil — foi tudo que Emmett falou.

Eles tentavam ligar para os dois irmãos enquanto caminhavam em passos apressados para o pátio.

Emmett teve êxito primeiro, mas passou o telefone para Jasper assim que viu os portões serem abertos para o carro desconhecido.

De dentro do veículo dois homens ensanguentados desciam apressados do SUV preto e retiravam o corpo aparentemente sem vida de lá.

Emmett não foi rápido o bastante para deter a fúria de Paul, que vou para cima do homem que tinha acabado de descer do carona.

Paul socava com tanta força o rosto do homem que seria capaz de matá-lo ali mesmo. Foi preciso oito homens para separar a briga e conter a fúria do moreno.

— Saiam já daqui — ordenou Emmett antes que a confusão ficasse pior. Eles já tinham deixado Embry na maca, que alguém do grupo para o pátio. Alguns homens The Wolf já carregavam a maca para a área designada como hospital do grupo. — Saiam da cidade e só retornem quando as coisas esfriarem.

— Eu vou matar você, Gingers! — Paul gritava enlouquecido, ele tentava a todo custo se soltar.

Com ajuda de seus homens, Gingers foi erguido do chão e deixou o pátio do casarão sem olhar para trás. O rosto do homem estava quase que desfigurado.

— Seu filho da puta, por que deixou ele ir? — Paul esbravejou para Emmett

— Podem soltar ele — Emmett ordenou e assim dizerem. Paul voou para cima dele, mas não o atacou. — Eu o deixei ir porque temos que agradecer o fato do Gingers estar na hora da execução ou não reconheceriam o Embry e a tragédia seria pior. Você sabe que o Gingers é nosso maior receptor de drogar em NY. E mesmo que não existam muitas leis no mundo do crime, temos algumas poucas que devem que ser respeitadas. O desgraçados do Diego estava comendo a nova mulher do Gingers. Diego levou uma surra de aviso na primeira vez, porém não contente, ele seduziu e tirou a virgindade da filha do Gingers. A garota acabou de completar quatorze anos. — Emmett terminou de contar a história que o Gingers tinha contado ao telefone. — Embry estava no lugar errado e na hora errada.

Paul deixou o corpo ir ao chão, estava sem forças. Aquilo era mais do que justificável e perdoável. Embry apenas entrou de bucha, assim como os outros que não tiveram a mesma sorte e perderam a vida por causa das inconsequências de um.

Assim que Emmett terminou de contar a história para Paul o carro de Lancarter entrou no pátio. O médico não perdeu tempo em querer saber da história, apenas correu para o hospital dali quando soube quem era a vítima.

— Paul, vamos entrar. Você precisa ver as suas mãos. — Jasper sugeriu assim que voltou lá de dentro. Tinha ajudado a carregar a maca que levou Embry para o hospital.

Paul caminhou no automático, estava arrasado.

Na verdade, o clima de tristeza estava estampado na cara de todos ali. Embry era divertido e carismático, todos o adoravam.

TLAD

Já era meio da manhã e todos aguardam tensos o efeito da anestesia passar e Embry acordar. Lancarter tinha terminado a operação há pouco mais de duas horas.

Jacob e Quil estavam arrasados, chegaram até a derramar algumas lágrimas pelo caçula. Paul não estava nenhum pouco diferente dos primos. Ele tinha as mãos enfaixadas, pois tinha esfolado de tanto socar a cara do Gingers.

Ainda era de madrugada quando Jacob e Quil chegaram ao casarão e foram colocados a par do que estava acontecendo. Depois da previsível explosão dos dois e da grande confusão e quebraria que eles causaram, Emmett e Jasper conseguiram acalmá-los e explicar a complicada situação.

Quil queria exterminar mesmo assim o grupo de Gingers, mas Jacob por um segundo usou a lógica e pensou na filha e na esposa para concluir que faria o mesmo ou até pior. O mundo do crime tinha poucas leis, mas mexer com mulher casada ou filha de bandido era sentença se morte. Não que isso não acontecia, mas sempre era de forma bem feita e discreta. Provavelmente Diego escancarou tudo e espalhou a afronta.

O fato era que Embry estava no lugar errado e na hora errada. Para começo de conversa ele foi totalmente imprudente em sair em um carro não blindado. Ele sabia que era uma regra de segurança que jamais deveria de ser negligenciada.

— Ele está acordando. — Lancarter veio comunicar. — E está chamando pela namorada.

O médico estava exausto. A cirurgia foi difícil, mas por sorte, os tiros não tinham atingido nenhum órgão vital, só secundários. Além do fato do caçula dos irmãos Black ser bem forte e resistente.

— Vamos vê-lo. — Jacob pulou da cadeira. Os demais acompanharam.

Assim que entraram na ampla sala que Embry encontrava-se deitado em uma cama hospitalar, conectado a várias fios, o coração dos dois irmãos mais velhos apertaram de forma dolorosa.

A imagem do homem grande e sorridente deu lugar à figura de um rapaz fraco e pálido. Embry parecia um menino frágil deitado naquela cama hospitalar.

— O que você aprontou moleque? — Quil foi o primeiro a dizer algo. Ele passou a mão, com incrível ternura, pela cabeça do irmão caçula. Eles nunca formam de trocar carinho e afetos, mas se amavam imensamente, isso era incontestável. — Olha a merda que fez!

— Baby... Baby! Jenny — chamou repetidamente com a voz fraca. Embry não conseguia permanecer de olhos abertos, eles se fechavam automaticamente. — Baby!

— Ela está bem e em segurança. — Jacob segurou a mão do irmão e falou próximo ao seu ouvido.

— Jenny! — Embry não parava de repetir.

— Acho melhor trazê-la aqui, para ele ficar mais calmo. — Paul quem disse. Ele só queria fazer tudo o que o primo quisesse, pouco se importava com as consequências. — Ele não pode ficar agitado dessa forma.

Embry seguia chamando a namorada. Era nítido que estava agitado e pouco consciente.

Jacob e Quil se entreolharam. Não era uma decisão fácil de tomar pelo simples fato que a brasileira não podia se estressar ou ficar nervosa que passava mal. E agora que a gravidez estava avançada era tudo mais complicado.

— O que devemos fazer? — Quil e Jacob olharam para Lancarter. Ele era o médico ali.

— Eu não sei. — Ethan Lancarter disse sincero. — Ela é paciente da Lee, não tenho muito conhecimento médico sobre o tal problema dela e a gravidade. Mas Embry não pode ficar agitado assim. Posso sedá-lo mais um pouco, mas não é o que eu gostaria. Quero que ele acorde e comece a mostrar como está se recuperando.

— Vamos buscá-la. Mais cedo ou tarde ela precisará saber. Já são dez horas da manhã e ela logo dará falta dele — explicou Paul. Ele insistia em atender ao pedido do mais novo.

— Também acho. — Concordaram Jasper e Emmett.

— Deixa que eu vou buscá-la. Fique com ele, eu volto o mais rápido possível — Quil falou após olhar para o irmão debilitado, que não parava de chamar pela namorada grávida e depois para Jacob que prontamente concordou.

— Tenho que avisar a Rachel. — Paul falou para ninguém em especial. — Temos que avisar a todos.

— Emmett, ligue para o Sam e explique o que aconteceu — Jacob ordenou. — Já a Rachel nós avisamos mais tarde, Paul. Apenas envie uma mensagem dizendo que tivemos problemas com o carregamento e que você não irá voltar tão cedo para casa. Isso vai enlouquecer se ela chegar agora aqui. Já basta que teremos de lidar com uma grávida problemática.

Por fim, Paul se deu por vencido. Jacob tinha total razão. O foco agora era em atender Embry bem e cuidar da mulher e filho dele.

TLAD

Quil havia pensado em muitos jeitos de dar a notícia, mas chegou à conclusão que todas as formas seriam uma péssima opção. Sem um plano formado em mente e só seguindo o instinto de ir até o apartamento do irmão e falar com a cunhada, assim fez.

Ele não teve problemas com o porteiro, o mesmo conhecia o moreno e libertou a entrada sem interfonar para a cobertura. Por ser um prédio de alto luxo não havia muitos apartamentos em cada andar, a cobertura de Embry mesmo era a única do andar, então o porteiro conhecia bem seus moradores e os parentes que frequentavam mais assiduamente o prédio.

Quil respirou fundo antes de entrar no apartamento do irmão, tinha pegado as chaves nas coisas dele.

Era meio da manhã de sábado, sabia que Jenniffer estaria em casa naquele horário, mas constatou que a loira não estava na enorme sala. Seu palpite era cozinha ou quarto, optou olhar primeiro na cozinha, pois ficava mais próximo.

Jenniffer seguia dormindo de forma serena aquela manhã. Tinha ido dormir muito tarde na noite anterior. Estava com a cabeça fervilhando e acabou tentado assistir a um filme para relaxar, por fim se distraiu tanto que emendou três filmes seguidos, para só então ir dormir perto do amanhecer. E isso nada do namorado voltar para casa.

— Thor! O que foi meu filho? — O latido insistente do cachorro acordou a brasileira. O pitbull olhava para porta fechada e latia. — Volta para cama com a mamãe. Deve ser o idiota do seu pai. Quero nem ver! — Revirou os olhos verdes. — Vem, volta aqui! — deu o comando e deu tapinhas no colchão.

O cachorro obediente atendeu o comando da dona, mas não deitou relaxado.

— Vem aqui, seu grandão teimoso. — Jenniffer agarrou e abraçou o cão, voltado a deitar e fechar os olhos. — Você é tão teimoso quanto ele — disse por fim.

Porém mesmo abraçado a ele, a grávida notou o cão tenso. De repente, Thor começou a rosnar muito, mesmo que não tenha saído da posição que lhe foi imposta.

— Vê se não faça barulho, queremos dormir — a brasileira falou ainda de olhos fechados ao escutar a porta abrir. — Thor, o que está acontecendo com você? — perguntou ao cachorro após sentir que ele queria se soltar do abraço.

— Jenny, sou eu, Quil! — o moreno avisou.

— O QUÊ? — a grávida gritou e abriu os olhos para constatar que era verdade. Quil Black, seu cunhado, estava dentro do quarto dela. — Thor, junto! — imediatamente deu o comando para o cão não avançar em Quil. — O que está fazendo aqui? — a loira levantou relativamente rápido e acendeu a luz do abajur. Thor, já sabendo quem era, relaxou apenas um pouco. — Você está louco? O que está fazendo aqui no meu quarto? E com uma arma apontada para o meu cachorro! Abaixa isso, seu idiota! Se Embry chegar agora vai achar que temos um caso. Sabe que ele é ciumento e doido, vai jogar na minha cara a dúvida da paternidade do nosso filho, de novo! Ele vai ficar...

— Jenniffer! — Quil teve que chamar para interrompê-la. A loira desatou a falar sem ao menos respirar.

— Não me interrompa! — A brasileira olhou feio para o cunhado. — Você usou drogas ilícitas? Bebeu uísque estragado? Como ousa vir até o meu quarto? Sabe que vai arrumar problemas para mim. Embry pode chegar a qualquer momento e não vai ser racional. Eu não consigo ser racional para imaginar o que faz aqui, quem dirá o Embry vendo essa cena. Ele vai querer...

— Ele não vai chegar! — foi tudo o que Quil conseguiu dizer para a loira parar de falar.

— Hã, como? — Piscou aturdida antes de arregalar os grandes olhos verdes, pareciam que iriam salta da órbita ocular. — O que você está dizendo? — Jenniffer deu alguns passos para trás, apoiou a mão no criado mudo e sentou de volta na cama. Por um segundo as pernas pareciam que iram fraquejar e ceder.

Quil quis se chutar por ser tão estúpido. Deu a notícia da pior forma. Agora a cunhada estava pálida e visivelmente em choque.

— Jenny, fica calma. Precisamos conversar. — Tentou se aproximar da loira, mas o cão se pôs na frente dela e começou a rosnar novamente. — Manda esse cachorro parar e deixar eu me aproximar de você — pediu Quil, ainda apontando a arma para o cão. Jenniffer obedeceu sem ao menos pensar sobre o que fazia. — O Embry agora está bem. Está se recuperando de uma cirurgia, mas está muito agitado, só chama por você. Vim aqui para te buscar, para levar você até ele.

— O que aconteceu com ele? — Pelos olhos cor de esmeradas desciam lágrimas silenciosas. A mão alisava de forma sistemática o redondo e saliente ventre.

— Ele estava na hora e no lugar errado. Foi atingido em uma emboscada preparada como vingança pessoal para um dos nossos. Embry não tinha nada a ver com isso, mas infelizmente sofreu por estar onde não devia — resumiu Quil. — Vamos agora, conto os detalhes no caminho. — Ele não se preocupou de inventar uma desculpa, já que a brasileira sabia da vida dupla do namorado.

— Então vamos. — A grávida levantou novamente e catou a bolsa que estava jogada na poltrona que tinha ali no quarto. Mesmo pálida e tremendo Jenniffer surpreendeu o cunhado com a força e coragem. — Vamos logo!

— Jenny, você não pode sair assim. — Quil se compadeceu. Era notório que ela sentia-se amedrontada e perdida, mas tentava se fazer de forte na frente dele.

Foi só então que a brasileira parou para pensar no que o cunhado acabou de falar. Ela se auto-avaliou e percebeu então que ainda vestia a camisola vermelha curta e transparente que usou na noite anterior para o namorado.

A verdade era que aquela peça foi comprada antes da gravidez, quando seu corpo tinha proporções bem menores. Agora a renda não escondia a calcinha transparente devido à barriga que elevava o seu tecido e o bojo mal continha os seios mais cheios pela gestação.

Jenniffer aprendeu, com os longos anos de exposição forçada, a não ter mais vergonha da própria nudez, mas naquele momento ela se sentia terrivelmente constrangida.

Quil não tinha apelo sexual algum pela cunhada. Claro que ignorar o fato que ela era linda e possuía um belo corpo, mesmo grávida, era impossível. Porém o seu corpo não reagia... não sentia um pingo de excitação. Era como se estivesse olhando a irmã ou prima nua, pois o que a brasileira vestia era o mesmo que nada.

Quil puxou da cama um lençol e envolveu no corpo da cunhada para fazê-la se sentir mais a vontade, pois era nítido que não estava.

— Desculpa por isso! — foi tudo que a loira conseguiu falar, ela olhava para o chão.

— Você não tem que se desculpar por nada. Está em sua casa e deve sentir-se confortável. Sou eu quem não deveria de estar aqui, mas mediante aos recentes fatos, foi inevitável — disse o moreno.

— Me dê apenas dez minutos para me trocar. Não consigo ser tão rápida com essa barriga — justificou após levar a mão na grande barriga, agora coberta pelo lençol.

— Vou ficar na sala aguardado. Por favor, só não demora muito, pois ele está muito agitado perguntando por você. — Quil explicou antes de deixar o quarto.

Jenniffer correu para escovar os dentes e jogar uma ducha rápida no corpo, indo em seguida para o closet para se arrumar.

Em exatos dez minutos ela aparecia na sala já pronta. Vestia meia-calça grossa preta, botas sem salto e um vestido de manga longa justo, azul com preto e branco. Foi a roupa que usou para trabalhar no dia anterior. Não estava com cabeça para pensar em algo para vestir, já que cada vez estava ficando mais difícil encontrar uma roupa. Nos braços trazia a bolsa e um sobretudo preto.

— Estou pronta — avisou ao cunhado. Quil tinha acabado de desligar uma ligação que tinha feito para Jacob explicando tudo. — No carro eu penteio — a loira justiçou ao vê o moreno olhar para o cabelo preso em um coque terrível.

— Então vamos. — Quil posicionou a mão nas costas da cunhada e a guiou para a saída.

TLAD

Quando Quil chegou ao casarão com a cunhada brasileira, todos pareciam respirar aliviados em vê-la. Embry não havia parado de chamar por ela, isso quando estava parcialmente lúcido. Lancarter administrou uma leve medição para dor que ajudava também a relaxar, com isso o paciente muitas vezes dormia.

Jenniffer estava nervosa, o estômago reclamava, mas ela controlava a respiração. Ela definitivamente não sabia o que iria encontrar. Quil poderia ter dado uma desculpa para esconder a real gravidade.

— Jenny, como está se sentido? — Jacob foi o primeiro a cumprimentar a cunhada. — Como Quil me falou que estava só esperando você se trocar para trazê-la, imagine que não tenha comido nada. Mandei preparar uma refeição para você. Gostaria de comer agora?

A menção sobre comida fez o estômago da grávida se revirar. Ela queria vomitar só de pensar em comida naquela hora. Seu bebê estava agitado e mexendo muito. Ela arquejou com um chute mais forte dele.

— Esta tudo bem? — Quil e Jacob a ampararam, cada um de um lado. Todos olhavam preocupados. — Jenniffer, nos reponda, por favor — pediram com desespero.

Ela se detestava por estaar tão fragilizada com a gravidez. Atrair a atenção daquele monte de homens enormes era tão estranho. Eles pareciam assustados, diante dela.

— O bebê chutou forte demais, só isso. — Começou a alisar a barriga na intenção de fazer o filho de acalmar. Com certeza ele estava absorvendo todas essas emoções. — Mas estou bem. Não quero comer nada agora. Só quero vê o meu... Embry! — Jenniffer se sentiu intimidada em rotular sua relação, mas tudo que conseguiu dizer na hora foi o nome dele. Eles viviam como marido e mulher. Embry colocou um anel em seu dedo simbolizando um compromisso, mas jamais rotularam o que eram. — Me levem até ele! — Ergueu a cabeça e se fez de forte novamente.

— Tem certeza que quer vê-lo primeiro? — Paul quem questionou.

O jeito dúbio fez o estômago da loira se contorcer, mas ela tentou fingir ser inabalável. Talvez não tenha tido tanto sucesso já que todos pareceram ponderar.

— Por aqui. — Quil cedeu primeiro, por fim.

Era a primeira vez que ela entrava naquela mansão. Era enorme e luxuosa, apesar de parecer meio rústica. A estrutura era impressionante e fez Jenniffer refletir no quanto poder eles tinham.

— Pronta? — perguntou Jacob após eles atravessarem algo que lembrava uma enfermaria hospitalar. — Ele está aí dentro, Lancarter estava examinando ele.

Jenniffer não respondeu o cunhado, seu corpo era atraído para abrir a porta verde claríssima e encontrar o que estivesse ali dentro.

Quando ela finalmente entrou no amplo quarto, que lembrava uma espécie de CTI, sentiu o coração apertar e o estômago dar um nó com uma fúria incrível, mas ela não deixou-se vencer pelo desconforto.

— Embry! — chamou pelo frágil corpo debilitado. Ele parecia estar dormindo um sono nada tranquilo. — Meu amor, sou eu. Sua Jenny. — Ela pegou a mão fria e pálida que não estava ligada a agulhas e fios e segurou entre as suas, depositando um beijo ali. — Você precisa ficar bom logo. Olha, o nosso garotão está preocupado com o pai. Ele está agitado. — Aproximou a barriga grande da cama e colocou a enorme mão sobre ela. O bebê mexia forte. — Você precisa voltar para gente, nós precisamos de você. Eu tive tanto medo de confessar meus sentimentos e me machucar mais uma vez... mas que tola eu fui em nunca dizer o quanto eu te amo. Você é um ótimo criminoso, sabe? Roubou o meu coração sem eu ao menos perceber. — Sorriu entre a torrente de lágrimas. — Apenas volte para nós.

Jenniffer virou para procurar alguma espécie de balde, lixeira ou qualquer coisa em que pudesse vomitar. Não aguentava mais segurar, a ânsia fazia seu estômago doer ainda mais. Foi somente então que notou que os cunhados e Lancarter ainda permaneciam ali parados, provavelmente preocupados que ela passasse mal.

A grávida não teve tempo de refletir sobre a vergonha que sentia, precisava achar algo para despejar o conteúdo do estômago vazio.

A brasileira não soube como aconteceu tão rápido, mas quando percebeu já recebia um balde de metal nas mãos. Ela não teve tempo de pensar em quanto humilhante era aquela situação, só precisava por o bolo que queimava seu interior para fora.

— Jenniffer, olha para mim. — Lancarter chamou. — Vou ter que te botar no soro. Sua pressão caiu e você está sem comer nada, vai ficar desidratada.

— Não! Já passou — tentou argumentar a grávida. Ela só se deu conta que estava sentada em uma cadeira quando tentou se mover. Nem imaginava como foi parar sentada. Uma mão segurava seus longos cabelos loiros.

Jenniffer percebeu ali o que Embry sempre dizia sobre um cuidar do outro na família dele. Eles estavam cuidando dela para ele. Isso encheu o seu coração. Ela não sabia o que era ser cuidada há anos. Ninguém se importava com ela, a não ser a melhor amiga, Barbara. Elas se agarraram uma na outra para se salvarem, do que provavelmente seria um fim precoce.

— Me deixem ficar aqui com ele. Eu já estou bem. Passou... Me desculpem por isso — pediu envergonhada.

— Você não precisa pedir desculpas por nada — antecipou-se em responder Jacob. — Nós quem temos que nos desculpar por trazê-la aqui. Sabemos do seu problema e como ele se manifesta, mas Embry estava muito agitado perguntado por você. Fomos inconsequentes em trazê-la.

— Eu teria que saber de qualquer jeito — replicou a loira. — Só me deixem perto dele.

— Jenny, não podemos. — Lancarter como médico, quem respondeu. — Embry jamais nos perdoaria se algo acontecesse a você ou ao bebê. Está claro que não está bem e...

— Baby... — a voz fraca e rouca chamou. Todos voltaram à atenção novamente para a cama. — Jenny! — Embry tinha aberto os olhos, mas a visão parecia ainda desfocada. — É você, Baby?

— Sou, Baby. — Jenniffer ignorou as mãos que tentava mantê-la sentada e foi para próximo do leito. — Olha quem está chutando para você. — Ela pôs novamente a mão livre dele sobre a barriga.

Embry sorriu de forma mínima, estava sentindo de dor.

— Algum momento esse moleque tinha que mexer de boa vontade para o pai dele. — Embry disse um pouco mais consciente.

— É. Não sei quem ele puxou sendo tão teimoso. — A brasileira revirou os olhos.

— Fiquem a-aqui — pediu o enfermo inconsciente dos acontecimentos anteriores. — Eu achei que fosse morrer e deixar você passar por tudo sozinha. Por jamais poder conhecer e pegar meu moleque no colo. Todos os meus pensamentos eram somente em vocês — confessou, mesmo demorando para conseguir falar.

— Que susto você nos deu — falou Quil

— Eu juro que depois que você se recuperar eu vou enchê-lo de porrada, Embry! — Jacob disse ainda nervoso.

— O que aconteceu? — quis saber o caçula, sua voz era baixa.

Os irmãos começaram a relatar o incidente para ele. Enquanto eles falavam, Lancarter colocou a gestante sentada em uma confortável poltrona ao lado da cama e pôs a loira no soro.

— Filho da puta do Diego — xingou Embry. — Em pensar que eu me amarrava naquele cara. — Suspirou. — Seis tiros? Três só no abdômen. Com perfuração de baço e fígado. E os outros? Aí, meu Deus! Eu não estou sentido as minhas pernas direito! — elevou a voz.

— Sem drama, Embry. Isso não faz seu tipo. — Lancarter revidou os olhos. Todos também olhavam para o médico, surpresos. — Nenhum tiro passou nem perto da sua coluna. Seus movimentos estão totalmente salvos.

— Mas por que estou sentindo as minhas coxas dormentes? — Embry questionou desconfiado.

Lancarter riu. Riu não, gargalhou. Todos esperavam por uma resposta do médico.

— Porque um tiro pegou de raspão na região do seu quadril. Os estilhaços da bala também atingiram suas partes íntimas. — Ethan voltou a gargalhar. — Você me deve a vida por isso!

— MAS QUE PORRA? — Embry praticamente gritou com o pouco de força que conseguiu, mas se arrependeu por isso. Uma dor agulha lhe dominou. — Eu fiquei impotente? Meu Deus, era preferível a morte! — disse mais baixo, porém não menos desesperado.

— Não fala besteira! — Jenniffer repreendeu o namorado, mas logo em seguida sorriu travessa. — Ao menos temos um filho a caminho para provar que um dia você foi viril.

Todos caíram na gargalhada, menos é claro, Embry, que estava desesperado com a possibilidade de impotência sexual.

— Embry, nada foi afetado de forma permanente. Tudo continuará como antes, só esperar a cicatrização, para com isso — conclui Lancarter.

— Tem certeza? Nada foi perdido? Cada centímetro está no lugar? — Embry não parecia muito convencido.

— Sua minhoquinha permanece inteira — afirmou Ethan aos risos.

Jacob e Quil gargalharam.

— Cara, eu tenho é uma anaconda. — Sorriu se vangloriando. — Né, Baby? Você sabe muito bem o tamanho avantajado do meu destróier!

— Pelo amor de Deus, Embry! — Jenniffer foi pega de surpresa pela exposição. Os caras olhavam para ela em divertimento, estava com a face vermelha. — Dorme um pouco.

— Mas é verdade — insistiu ele. — Em um fim de semana acabei contigo e fiz o nosso moleque. Meu destróier é poderoso!

— Lancarter, por favor, põe ele para dormir. Dá um sedativo a ele, já voltou a ser o mesmo sem noção de sempre.

Todos gargalhavam enquanto Embry insistia em defender a reputação de sua virilidade. Tais gargalhadas atraíram os demais. Paul, Emmett e Jasper entraram para reforçar as brincadeiras sobre a virilidade do enfermo, mas a verdade era que todos estavam aliviados em saber que Embry estava se recuperando.

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Quando a notícia do incidente que aconteceu com Embry se espalhou pela família, foi uma tremenda confusão. Rachel bateu em Paul por mentir para ela. Leah discutiu feio com Lancarter por omitir o fato. Renesmee e Claire choraram por achar que Embry iria morrer. Rosalie se revoltou pelo ato irresponsável do mais novo e Alice apenas lamentou de forma sincera a quase tragédia.

Já os demais que estava viajando ficaram chocados e começaram a agilizar tudo para poderem voltar o mais rápido possível para Nova Iorque.

Porém uma nova complicação fez o moreno ter que voltar no dia seguinte para mesa de cirurgia. Embry começou com uma hemorragia e teve que voltar às pressas para o centro cirúrgico. Isso gerou tensão e desespero.

O casarão nem de longe era mais um lugar calmo e organizado. Jenniffer se recusava sair do lado do namorado, assim como Rachel e Leah. Rose e Alice também iam diariamente para lá na intenção de dar apoio e ajudar, mais necessidades femininas, já que o local era cercado somente por homens. Só existia uma única cozinheira, que trabalhava durante o dia, mas essa era já era uma senhora, avó de um dos homens que trabalhava para os The Wolfs.

Fazia três dias que Embry sofrera o atentado e apenas um dia desde a última cirurgia. Ele passava mais tempo dormindo do que acordado, as mediações o deixavam bem prostrado.

Jacob e Quil proibiram as esposas de visitarem Embry, deram uma desculpa qualquer, uma vez que elas não sabiam da vida criminosa que eles levavam. Como eles justificariam Embry estar em um casarão sinistro em vez de um hospital? Não tinha uma explicação que não necessitasse dizer a verdade.

— Cadê ele? — Para surpresa de todos, Seth apareceu esbaforido na ala hospitalar do casarão. Ele era seguido pela namorada, Barbara. — Cadê o meu primo? — gritou com todos.

Seth e Embry, por serem os caçulas da família, cresceram juntos e eram quase que inseparáveis. Onde um estava poderia ter certeza que o outro estava junto, mas o olhar que Seth sustentava demonstrava remorso e culpa por não estar com o primo quando ele mais precisou.

— Seth, calma! — Quil tentou argumentar

— Calma é o caralho! — retrucou Seth.

— Olha como fala! — Leah ergueu da cadeira e repreendeu seriamente o irmão caçula. Ela e Rachel eram as únicas que nenhum dos The Wolfs respondia. Eles as respeitavam como se fossem as mães. — Pare de gritar como um louco. Por mais que possa não parecer, isso é um ambiente hospitalar.

Seth mesmo se sentido contrariado, permaneceu calado.

— Está mais calmo? — Leah perguntou nitidamente desafiando o irmão. — Então vamos conversar. Venha, sente aqui. — Leah voltou a se sentar e apontou a cadeira vazia ao seu lado.

— Por favor, Leah! — Seth revirou os olhos.

— Você via sentar aqui e vai escutar o que eu vou falar.

Barbara prendeu o riso. O namorado, sempre tão másculo e rude, estava sendo tratado como um menininho turrão. E por incrível que pudesse parecer, ele obedecia.

Seth sentou!

— Você já sabe de tudo o que aconteceu. Não houve nenhuma alteração do quadro desde ontem. Sei que está ansioso para vê-lo e entendo que tem um vínculo muito forte com nosso primo. Sei que vocês são quase como gêmeos, apesar de não serem e você até ser mais velho que Embry por meses. — Leah secou a lágrima solitária que Seth deixou escapar. — Não foi culpa sua e você sabe que não poderia ter evitado, no máximo que poderia ter acontecido é que agora nós teríamos dois ao invés de um na cama. — Leah sabia exatamente o que estava se passando pela cabeça do irmão. — Embry está bem debilitado, mas está se recuperando. Ele tem motivos de sobra para isso. A Jenny está lá com ele e sempre fala do bebê, isso renova as formas dele. Embry é forte. Agora ele está dormindo porque estava com dor e administramos um analgésico mais forte, isso o apagou.

— Eu só preciso ver com os meus olhos que ele está... — Seth não precisou terminar a frase para todos entenderem o que ele queria dizer.

— Sim. Você pode entrar lá, mas saiba que vai encontrar ele mais pálido e abatido, bem debilitado. Isso é normal. Ele perdeu muito sangue. Jake e Quil tiveram que doar sangue ontem, nosso estoque tinha acabado — concluiu Leah. — Só espere um pouco, pois Rachel está lá dentro com a Jenny dando um banho no leito nele.

Seth apenas assentiu com a cabeça.

— Amor, não fica assim. Logo Embry irá se recuperar, eu tenho certeza. — Babi se aproximou e sentou no lugar que antes estava sendo ocupado por Leah. Ela alisou o cabelo do namorado. — Sabe como é aquele ditado "vaso ruim não quebra fácil". — Sorriu amável pela brincadeira.

Seth olhou sério para a namorada. Barbara sentiu-se até desconfortável com o olhar.

— Então deve ser por isso que você conseguiu sobreviver a tudo que já lhe aconteceu. — Seth rebateu ríspido. Ele não pensou ao falar, apenas atacou quando se sentiu acuado. Um mecanismo de defesa.

Barbara ficou sem palavras devido à surpresa do ataque.

— Seth, se quiser pode entrar. — Leah falou assim que voltou do quarto do primo. Ela tinha ido verificar se já tinham terminado o banho.

Sem esperar por nada, Seth deixou a namorada sozinha. Barbara sentiu-se perplexa.

— Babi, preciso que você me ajude a convencer a Jenny ir para casa. — Leah sem saber o que tinha acontecido correu para pedir ajuda a cunhada. — Ela está aqui há três dias. Não come direito, não dorme bem, não está confortável... Ela precisa ir pelo menos ter uma noite de sono de qualidade, já está mais abatida e me preocupa o bebê... — Leah pontuava cada motivo que fazia ficar preocupada.

— Não precisa dizer mais nada. — Babi cortou de forma educada. — Apenas traga ela aqui que eu converso com ela! Diga que preciso vê-la.

Leah imediatamente foi fazer o que a cunhada dizia. A brasileira grávida era teimosa e não ouvia ninguém, todos já estavam preocupados com ela, porém ela ignorava todos que tentavam convencê-la de ir para casa descansar. Jacob e Quil até pensaram em levá-la a força, mas Leah não achou prudente.

— É sério isso? — Barbara disse em português assim que avistou a amiga. Ela estava um caco. Como todos estavam olhando para o diálogo das duas, Barbara optou pelo idioma de origem já que só ela duas eram fluentes. Kim e Jared compreendiam um pouco, mas não iriam entender todas as palavras. — Que porra você pensa está fazendo? E nem me olhe com essa cara, você está errada. Em primeiro lugar vem o seu filho. Ele é inocente nisso tudo e depende exclusivamente de você para viver. Onde estava com a cabeça ao contrariar todos? Você tem uma gravidez delicada, sabe disso. Porém está ignorando tudo...

— Ele é o pai do meu filho! — Jenniffer contestou contrariada.

— Eu sei disso muito bem. Não estou contestado você ficar ao lado dele, mas tudo é uma questão de equilíbrio. Você está grávida! Olha pra você! Está pálida, abatida, nitidamente exausta... Seu cabelo está sem brilho e suas olheiras estão fundas. Se Embry tivesse consciência do que está fazendo consigo mesma e com o filho de vocês, ele seria o primeiro a chutar o seu traseiro. Pegue a sua bolsa e vamos para casa comigo. Vou preparar uma refeição descente para você. E Você vai tomar um banho demorado e vai dormir sem o celular por perto — ditou a quase ordem.

— Eu não posso deixá-lo. Se acontecer algo com ele e eu não estiver presente não me perdoarei jamais — retrucou a loira

— E se acontecer algo a você ou ao bebê ninguém irá te perdoar, nem você própria — replicou a morena. — Vamos para casa. Nada irá acontecer com ele. Sabemos que o pior já passou e agora é uma questão de tempo para ele se recuperar. — Barbara abraçou a amiga. — Estamos todos preocupados com você e o bebê. Quantas vezes já vomitou? Quantas vezes sua pressão abaixou? Você não é de ferro! — Barbara secou as lágrimas que desciam pelos olhos verdes. — Eu não vou amolecer com você, não vai me fazer mudar de ideia. Vai lá se despedir dele e explicar que você e o bebê precisam descansar, que amanhã vocês voltam. Vá, agora — ordenou a morena já afastando a loira para ir despedir-se do namorado.

Quando todos viram a loira dando as costas e voltando para o quarto, lamentaram. Eles não haviam entendido nada do diálogo em português, mas parecia não ter surtido efeito.

— Ela não escutou nem você? — Rachel correu para falar com Barbara.

— Claro que escutou. — Babi sustentava um sorriso vitorioso nos lábios cheios. — Foi só buscar a bolsa e se despedir dele. Quem vai passar a noite aqui com ele? Preciso ter informações dele, sei que ela dará crises e vou precisar ligar para alguém.

— Quase todos nós ficaremos por aqui — foi Quil quem respondeu. Estava sentindo-se aliviado por finalmente alguém conseguir convencer a cunhada a ir para casa descansar. — Jacob e Rachel são os únicos que alternam por causa dos bebês. De resto, ficamos.

— Ok. Então posso ligar para você Quil?

— Com certeza. Só a mantenha na cama deitada por uma noite. Ela passou muito mal no dia que ele teve que voltar para o centro cirúrgico. Ficou muito abatida, nos preocupamos com ela e o bebê. — Quil prontamente concordou.

— Pode deixar — afirmou Babi.

— Eu vou com vocês. Aproveito a administração um calmante leve sem ela saber ou ela não vai ter uma noite tranquila de sono. Ela vai ficar preocupada — disse Leah.

Quando Jenniffer voltou a deixar o quarto, uns vinte minutos depois, trazia consigo sua bolsa, para o alívio de todos.

— Vamos? — Jenniffer falou um pouco contrariada. Ela não queria ir, mas sabia que Barbara tinha total razão. Embry mesmo quando ficou consciente incentivou ela ir para casa descansar. — Já expliquei a ele que volto amanhã.

— Então vamos. — Leah pegou a bolsa começou a caminhar em direção a saída. Jenniffer olhou desconfiada, mas Barbara ignorou.

— Tchau para todos. Cuidem dele por mim. — Se despediu a loira brasileira antes de deixar a ala hospitalar.

Jacob foi atrás. Ele queria uma escolta para elas. Não deixaria sairem sozinhas.

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Definitivamente Barbara e Leah já não sabiam mais o que fazer. Primeiro Jenniffer quis ir para o próprio apartamento vê como estava Thor, já que o cachorro tinha ficado todos esses dias sozinho. Quil era o único que entrava na cobertura do casal para por comida e água para o pitbull. Porém quando chegou ao apartamento a loira desatinou a chorar. Eram muitas lembranças!

Então Barbara achou melhor irem para a cobertura que ela dividia com Seth. No entanto, mais uma vez Jenniffer se mostrava inquieta e chorosa. A verdade era que depois da fortaleza que ela demonstrou nos momentos mais difíceis,agora parecia ter desmoronar.

— Não chora, Jenny! — Barbara e Leah tentavam consolar a grávida que estava dentro da banheira. Elas tinham preparado um banho para tentar fazer a loira relaxar.

— Embry vai ficar bem — Leah afirmou. — Ele é forte, logo vai está totalmente recuperado.

— Eu sei! — disse a loira entre as lágrimas.

— Então por que está chorando? — perguntou Babi preocupada.

— Eu não sei! — soluçou a grávida. — Eu só não consigo parar.

— Tudo bem, então só pare quando achar que está pronta para parar. — Leah acariciou os fios molhados. Ela entendia que os hormônios alterados pela gravidez estavam falando mais alto agora.

— Vamos fazer o seguinte. Eu vou deixar o seu pijama separado ali encima da pia e vou emprestar um meu para Leah. Vou sair para comprar coisas gostosas para comermos e assim fazemos uma reunião de pijama. Vamos assistir a alguma série até dormimos! Que tal? — Barbara falou animada.

A verdade era que ela estava profundamente magoada com o namorado e preocupada com a amiga, mas tentava não demonstrar.

— Achei a ideia ótima! — Leah comentou animada. — Hoje eu libero você para comer guloseimas. — Brincou com a grávida na banheira.

Jenniffer soluçou em um misto de choro e riso. Leah compadeceu-se. Ela como médica sabia que as emoções na gravidez eram como carrinho de montanha russa desgovernado.

Já havia passado uma hora desde que Barbara saiu e ainda não tinha voltado. Leah e Jenniffer começaram a ficar preocupadas, mas quando pensaram em ligar para um dos rapazes, já que Barbara não atendia o celular, um barulho na porta chamou a atenção delas.

As duas puderam constatar que realmente era Barbara que chegava, mas estranharam o fato dela estar trazendo uma caixa de microondas e várias outras bolsas de restaurantes encima da caixa maior. Era notória a dificuldade que ela fazia para equilibrar tudo.

— Babi, por que você não me falou que o seu microondas havia dado problemas? Tem uma loja de venda online que se pagar uma taxa de entrega VIP eles entregam em até 4 horas o produto, se for aqui em Manhattan. — Leah correu para ajudar a cunhada.

— Por que não é nada disso do que vocês estão pensado. — Barbara sorriu de forma ampla. — Vocês não imaginam o que me aconteceu! — Barbara praticamente pulava de alegria quando colocou a caixa de microondas no chão.

Leah que tinha pegado as sacolas dos restaurantes colocou sobre a mesa de centro tudo.

— O que lhe aconteceu? — Jenniffer ergueu lentamente o corpo pesado do tapete, estava curiosa.

— Isso! — Barbara enfiou a mão dentro da caixa e tirou de lá uma bolinha de pêlos caramelo claro. — Filhotes! — Soltou um gritinho.

— Aí, meu Deus! — Leah e Jenniffer gritaram juntas.

Elas correram para caixa, na verdade, Jenniffer andou o mais de pressa que conseguiu.

— Onde você comprou essas fofuras? — Leah perguntou encantada com os filhotes. Eram quatro no total, fora Pandora que ela não sabia explicar como foi parar na caixa.

— Pan, Pan da dinda! — a grávida caçou a gata pelada. Ela usava uma coleira dourada com um laço de brilhantes.

— Eu fui andando para comprar nossas guloseimas, mas quando percebi já estava perto da veterinária da Pandora. Então decidi buscá-la, já que havíamos achado melhor deixar ela hospedada com a veterinária enquanto viajávamos. — Barbara começou a narrativa enquanto brincavam com os filhotinhos. — Quando estava saindo da veterinária lembrei que ali perto também ficava um excelente restaurante italiano. Decidi comprar comida lá, afinal, não quero que o meu afilhado só coma besteiras. — Sorriu para amiga brasileira. — Quando sai do restaurante com as bolsas de comida e a Pandora no colo me enrolei toda. Tive que parar para ajeitar as sacolas melhor e acabei entrando no beco ao lado do restaurante porque vi umas caixas, pensei em apoiar tudo lá para me organizar. Foi então que escutei um chorinho de filhote e curiosa comecei a procurar e encontrei a caixa com essas fofuras. — Pegou um dos filhotes e deu um beijo no focinho. — Olhei para todos os lados, mas o beco estava deserto. A rua está muito fria, eles iriam morrer se ficassem lá — justificou Babi. — Então tentei colocar Pandora na caixa, eles fizeram amizade na mesma hora. Dai fechei a parte de cima da caixa, já que tem esses buracos da alça para eles respirem e empilhei as sacolas de comida e entrei no primeiro táxi que vi. Agora aqui estamos nós! — finalizou a narrativa.

— Ah, sendo assim, eu posso adotar um dos filhote!— Leah disse animada.

— Não — respondeu rapidamente. Nem pensa, são todos meus! — Barbara cortou séria a cunhada. — Cada focinho desses me pertence! São todos meus! — Pegou os quatro filhotes no colo.

— Só queria ajudar a achar um lar para os filhotinhos. — Leah rebateu fazendo bico.

— Eu sei, e agradeço. — Babi beijou cada filhote. — Mas eles já têm um lar feliz. Pandora precisa de irmãos ou vai crescer muito mimada.

Jenniffer pela primeira vez soltou uma gargalhada verdadeira naquela noite. Barbara e Leah ficaram felizes por esse fato.

Agora com os filhotes a garantia de momentos agradáveis era uma realidade. Jenniffer sorria mesmo que de forma contida. Pandora tinha cismado de dormir encima da barriga da grávida.

As horas passaram rápidas. Elas jantaram comida italiana, comeram sorvete e rosquinhas. Ao ser questionada porque tinha comprado tão poucas rosquinha, Barbara justificou que os filhotes estavam chorando de fome e as rosquinhas era tudo de mais molhinho que ela tinha em mãos para dar para eles comerem. Claro que Leah gargalhou e a grávida já não achou tão engraçado assim dar sua rosquinhas favoritas para cachorros, mas aceitou por fim. Logo a tarde se transformou em noite e Jenniffer já bocejava.

— Acho melhor dormir — sugeriu Leah, após perceber que a grávida cochilava.

— Venham que vou mostrar os quartos de hóspedes para cada uma. — Barbara chamou. — Essa noite vou dormir com a cama cheia! — Apontou para os filhotes e Pandora que dormiam todos juntos no sofá.

Após Barbara instalar Jenniffer e Leah, cada uma em um quarto de hóspedes, e ligar para Quil a pedido de Jenniffer, ela própria se recolheu para o quarto após buscar os animaizinhos.

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Seth tinha passado a noite toda zelando o primo. Embry teve uma noite tranquila, apesar de ter pedido remédio para dor. Depois de medicado, ele dormiu a noite toda.

Mal tinha acabado de amanhecer o dia quando Jacob chegou para trocar com ele. Naquela noite, ele tinha ido dormir com a esposa e filha, mas saiu de casa logo após Valentina acordar próximo às cinco da manhã para mamar. Quil, após a ligação de Barbara, também tinha decidido ir dormir em casa com a esposa naquela noite e ficou de voltar para o casarão mais tarde.

Agora dentro do carro, no caminho de volta para casa, Seth pensava sobre o que tinha falando para a namorada. Ele saiba que estava encrencado apenas pelo fato de Barbara ter ido embora sem ao menos mandar avisá-lo!

Quando chegou ao apartamento notou a mesa de centro bagunçada com sacolas de restaurantes. Imaginou que Jenniffer estivesse dormido ali em algum dos quartos de hóspedes.

O moreno seguiu direto para o quarto que dividia com a namorada. Tinha a intenção de entrar em silêncio e tomar um banho, depois deitaria na cama e dormiria até tarde.

Quando entrou no quarto escuro devido acortina fechada, tentou caminhar sorrateiro até a suíte, mas um latidinho o fez estancar no lugar. Mais uma vez veio o latido fino. Seth coçou a cabeça em confusão.

Gato mia, porra! — pensou.

Mais uma vez o latido.

Então Seth acendeu a luz, sem mais se importar em ser discreto.

— Que porra é essa Babi? — perguntou assustado ao ver a cama cheia de filhotes de cachorro

— O quê? — Barbara perguntou grogue de sono.

— Que cachorrada é essa na nossa cama? — Apontou para cada filhote. Agora todos estavam de pé, abando os rabinhos e latindo alegres.

— Apague a luz! — Barbara coçou os olhos. Mas Seth mantinha-se sério, esperando uma resposta. — O que você acha? Filhotes de cachorrinho!

— Isso eu já percebi. — Seth revirou os olhos. — Quero saber o que esses filhotes estão fazendo na nossa cama?

De repente, Seth viu um bolo se mover por baixo do edredom, já imagina outro cachorrinho, mas quem saiu de lá de dentro foi a gatinha pelada usando um suéter rosa bebê.

— Ah, você está aqui, Pan! — Seth foi até cama e pegou a gatinha. — Venha, não se misture com esses sacos de pulga.

— Não fale assim dos meus mais novos filhos! — repreendeu a brasileira.

— O que? Só pode ser brincadeira. Está louca? Quero esses bichos fora do apartamento o mais rápido possível — ditou sério.

Barbara fechou a cara e começou a catar os filhotes na cama.

— O que está fazendo? — Seth perguntou curioso ao vê-la colando o roupão e os chinelos.

— O que você pediu — falou enfiando os filhotes em uma bolsa de viagem que ainda estava jogada na poltrona do quarto deles. — Estou indo embora com os meus filhotes. E pode me passar a Pandora, porque ela também é minha.

— Deixa de besteira. — Seth apertou pandora nos braços. — É para você encontrar algum lar para esses cachorros, não jogá-los fora.

— Eu não estava indo jogá-los fora, estava realmente indo embora de casa. Eu já achei um lar para esses filhotes e é comigo. Se você não aceita eles eu vou também.

— Para de falar bobagem!

— Estou falando muito sério, Seth. — Barbara tinha o nariz empinado em sinal de desafio. — Então, como vai ser? Eles ficam ou nós vamos?

— Eles podem ficar — ditou a contra gosto já caminhado para o banheiro e levando Pandora com ele.

Barbara sorriu em vitória, apagou a luz e voltou a deitar na cama com os filhotes.

Nem dez minutos havia se passado quando Seth foi deitar na cama após ter tomado banho.

— O que pensa que está fazendo? — Barbara perguntou quando Seth puxou o edredom para deitar

— Ué, vou dormir — Seth respondeu confuso pela pergunta.

— Sim, isso eu já sei. Mas não aqui!

— Como assim? Você só pode estar de sacanagem comigo.

— Você acha que eu estaria de sacanagem com você a essa hora da manhã? — ditou seria a morena. — Vá dormir no seu escritório ou no sofá da sala, ele é bem confortável. Os quartos de hóspedes estão sendo usados e eu ainda não esqueci as palavras que você disse para mim ontem. Só vou pensar em relevar isso, pois sei o quanto Embry é importante para você e que você estava nervoso. A situação é mesmo séria. Mas hoje ainda estou com raiva e não quero você perto de mim. Assim como a bebida, a raiva nos deixam sinceros, sei o que pensa sobre mim agora. Mas tanto faz, foda-se apenas saia e pague a luz do abajur! — Barbara deu a conversa como encerrada e virou para o outro lado.

Seth bufou, mas não contrariou a namorada, sabia que ela estaria com raiva do que ele disse e que seu ato teria consequências! Seria melhor mesmo ele dormir no escritório que tinha ali na cobertura, lá o sofá era confortável e teria que bastar por hora.

O moreno apagou a luz do abajur, como ela pediu, mas levou Pandora para dormir com ele. Não a deixaria naquele harém de pulgas.

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Três semanas haviam se passado e as coisas haviam melhorado de forma significativa, tanto que Rachel viu motivos suficientes para fazer um belo e tradicional almoço de domingo em sua casa para comemorar.

Valentina estava totalmente adaptada ao lar e crescia de forma lenta, porém satisfatória. Os gêmeos já estavam ficando de pé e ensaiavam alguns passinhos, em breve completariam um aninho. Renesmee voltou a apresentar o quadro anêmico, mas já estava em tratamento e apresentava significativas melhoras. Jenniffer estava com a barriga cada vez maior e o bebê estava enorme, isso porque ainda tinha pelo menos mais uns dois meses de gestação.

Mesmo poucos sabendo do problema, Quil e Claire estavam mais confiantes com relação a próxima tentativa, a média decidiu por implantar três óvulos na próxima vez.

Seth já havia aceitado os filhotes, mas com a condição de serem logo castrados. Na consulta, o veterinário constatou que os filhotes eram puros, da raça Spitz Alemão, mais conhecido como Lulu da Pomerania. Isso surpreendeu a todos, já que era uma raça cara e bastante cobiçada. Barbara jamais entendeu como simplesmente achou os filhotes abandonados em um beco no inverno, mas preferiu acreditar que foi um presente de Deus para ela. Seth ainda não havia conseguido voltar para o seu quarto, Barbara só conversava com ele com relação aos seus bichos. Era mais uma relação de pais separados que mantinham assuntos em comum pelos filhos.

Mas o fato mais relevante da semana era a voltar de Embry para casa. Ele passou vários dias internado na unidade hospitalar do casarão para se recuperar. E mesmo que ainda não tivesse totalmente restabelecido, já não era mais dependente de nenhuma máquina hospitalar.

— Ah, o meu garotinho chegou. — Rachel estendeu os braços para receber Embry. Ela tinha lágrimas nos olhos. O caçula havia perdido quase cinco quilos. Estava bem abatido, mas não tinha mais a aparência de doente. — Como é bom vê-lo andando aqui fora. — Começou a encher o rosto dele de beijos

— Menos Rachel. — Sorriu o caçula. — Eu sei que sou gostoso, mas já sou comprometido, isso seria incesto — Brincou Embry.

Todos já tinham chegado e esperavam apenas por ele e a namorada.

Rachel não conseguia largar o irmão. Teve tanto medo de perder o seu caçula. Embry foi o que ela mais cuidou, já que a diferença de idade era maior comparado a dos outros. Ela amava todos igualmente, não havia um preferido. Cada um tinha as suas características e peculiaridades. Ela como irmã mais velha sempre teve um instinto protetor muito forte por eles.

— Deixe-me ver como está esse moleque. — Quil, o segundo mais velho dos irmãos Black, puxou o caçula dos braços da irmã. — Continua parecendo que foi trocado na maternidade, mas seguimos te amando.

Todos gargalharam. A verdade era que dos quatro irmãos Black, Embry foi o único que puxou mais a mãe que os traços de origem indígena do pai. Embry, ainda que moreno, tinha a pela mais clara comparado aos outros e os olhos castanhos ao invés de negros. Mas ainda sim muito parecido com os irmãos.

— Isso porque o pai não tava muito inspirado no dia, por isso que não veio bonitão como nós. — Agora era vez de Jacob puxa o irmão para o abraço. Ele ainda não acreditava na sorte que Embry teve ao sair vivo do atentado.

Embry foi passado de abraço em abraço até se vê cumprimentado por todos. Era quase um oásis tê-lo ali com eles, vivo e recuperado.

Como de costume, Rachel serviu primeiro os drinques e aperitivos no salão de jogos. Para somente depois mandar servir o almoço.

Embry, naquele domingo, estava sendo tão mimado como as crianças. Todos se divertiam no ambiente familiar

As mulheres brincavam com os bebês e conversavam, já os homens alternavam entre a mesa de sinuca e a mesa de carta.

— Oh, Embry! — Paul falou alto da mesa de sinuca. Embry estava jogando poker. Todos pararam para prestar atenção, já que a voz do moreno ecoou pelo salão. — Então, me conta aí. Você já conseguiu ter uma ereção desde o incidente ou essa minhoquinha agora é só artigo decorativo?

Emmett foi o primeiro a explodir na gargalhada, sendo seguido pelos demais.

Até a maioria das mulheres riram, só Renesmee e Claire que piscavam aturdias e Jenniffer que tinha o rosto vermelho. Ela sabia que iria sobrar para ela.

— Vai se foder, Paul! — Embry retrucou irritado. — Tá muito interessando em saber como anda o meu pau. Aí! — reclamou após levar um tapa na cabeça de Jacob.

— Olha as mulheres! — repreendeu Jacob

— Ah, me poupe, Jacob. Todas aqui sabem muito bem o que é um pau. A única que não sabe é a Chaveirinho, mas essa ainda vai demorar uns cinquenta anos para descobrir — rebateu o caçula.

— Olha lá o cara, enrolando para responder, Paul. — Emmett reforçou a brincadeira que estavam fazendo com o mais novo.

— Já falei que minha anaconda está em perfeitas condições. Não é, Baby?

— Pelo amor de Deus, Embry, não começa! — Jenniffer estava vermelha e se encolhia no sofá.

Os caras começaram a gargalhar de novo.

— Pô, Baby, fala logo a verdade ou vão achar que meu destróier afundou de vez. — Embry choramigou.

A grávida enfiou as mãos no rosto. Todos olhavam para ela num misto de divertimento e curiosidade. Embry não parava de insistir para ela defendê-lo.

— Tá bom, você quer que eu fale, vou falar! — A brasileira tirou a mão do rosto e levantou do sofá, olhou enfezada para os rapazes que riam e depois para Embry que permanecia cheio de expectativas. — O Embry Black realmente tem uma anaconda enorme. Eu a primeira vez que vi quase pulei no mar e vim a nado, isso porque eu não fazia sexo há mais de três anos e seria como se perdesse a virgindade de novo com aquela coisa enorme e grossa. E sim, ele não só teve uma ereção como várias desde que voltou para casa, há menos de uma semana. Eu estou grávida e não consigo dar conta do recado. Ele fica em casa o dia todo e só quer sexo. Eu estou exausta porque passei essa noite toda fazendo sexo. Eu estou assada! Os bicos dos meus seios estão cortados e estou uma bola e nem de longe tenho o mesmo fôlego de antes! — A loira falou tudo em um só fôlego. Eram os hormônios da gravidez falando por ela. — Pronto, satisfeito?

Quando a grávida voltou a olhar ao redor da sala, todos estavam em silêncio e de bocas e olhos abertos. Ninguém esperava aquela explosão.

Do nada Emmett e Paul caíram em uma gargalhada estrondosa. Jenniffer se sentiu tão envergonhada pela revelação sem pensar, que os olhos pinicaram e ela não conseguiu prender o choro.

Os dois homens pararam de rir imediatamente quando perceberam a gravidade da situação. A brasileira chorava sentida mesmo. Ela começou a caminhar em direção a saída da sala.

— Baby! — Embry levantou preocupado e assustado pela mudança tão súbita de humor. Era a primeira vez que ela ia do um extremo ao outro então poucos segundos.

— Deixa comigo. — Leah correu para se adiantar. Ela conversaria com a brasileira.

— Mas... — Embry tentou argumentar, mas Jacob segurou o ombro dele.

— Cara, relaxa, essas mudanças tão repentinas fazem parte da gravidez — afirmou Lancarter para tentar tranquilizar o mais novo. — Leah vai conversar com ela e vai explicar tudo. Logo ela estará rindo disso.

— Viu o que você fez com as suas brincadeiras sem limite? — agora era Rachel quem acusava o marido.

— Rach, eu só brinquei. Jamais imaginaria que a coisa fosse ficar tão séria. Eu não pensei que ela fosse contar a história da vida do pau do Embry — Paul tentava se explicar.

Todos ficaram em silêncio por um minuto.

— Pelo menos agora sabemos que o Embry realmente tem um destróier! — Emmett sorriu enviesado com o comentário.

As mulheres não riram, mas os homens sim.

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Quando o almoço foi anunciado o clima agradável havia voltado ao normal.

Como Lancarter tinha falado, Jenniffer voltou como se nada tivesse acontecido e sentou-sena mesa sorridente. Leah havia conversado com ela e por fim as duas acabaram rindo da situação.

O clima familiar era agradável e harmônico. Todos comiam satisfeitos a deliciosa seleção de pratos que Rachel havia escolhido com esmero.

Os gêmeos dormiam em seu quarto e Valentina estava lá com os primos. A babá olhava por eles.

— Eu gostaria de um minuto da atenção de vocês. — Como já era tradição, Rachel ergueu-se da cadeira e chamou a atenção para sim no momento das sobremesas. Duas empregadas começaram a distribuir taças de cristais cheias com champanhe a todos à mesa,até a grávida. — Hoje é um dia muito especial para essa família. Hoje será um dia para agradecer. Agradecer por nossas vidas, nossos lares, nossos cônjuges, nossos filhos, nossos irmãos e primos, cunhadas e cunhados... Hoje simplesmente é um dia de agradecer! — A morena sorriu e olhou para cada uma da mesa. — Me sinto muito honrada por ser vista como a matriarca da família. Amo a cada um aqui de um jeito único e especial. Desde os meus irmãos, sangue do meu sangue, os meus primos e prima, que sempre foram muito mais que isso. Sempre fomos todos como grandes irmãos. Unidos sempre... As perdas irreparáveis só nos tornaram ainda mais unidos. — Rachel respirou fundo, não entraria em detalhes, pois nem todos que estavam na mesa conhecia os detalhes a fundo. — Amo cada um que foi chegando e conquistando o seu espaço no nosso núcleo familiar e em nossos corações. Vocês vieram para destruir muros e quebrar protocolos. — Rachel olhou agora em especial para cada esposa dos primos e irmãos, além de Lancarter. Mas demorou mais em Renesmee e Claire, elas haviam movido montanhas de lugar. — Amo de verdade aqueles que mesmo sem o vínculo sanguíneo, sempre foi da família. Porque família não escolhermos, mas amigos sim. Vocês são verdadeiros presentes de Deus. — Ela olhou agora para Emmett e Rose, depois para Jasper e Alice. — O amor nos faz mais fortes. O amor nos leva mais longe... Sem o amor por algo não somos nada. — Rachel sorriu mais uma vez. — Por isso hoje quero agradecer ao amor dessa família e a união. Mas em especial a graça de hoje podermos nos reunir sem perdas, inteiros. Isso é a maior dádiva. — A morena secou uma lágrima e respirou fundo para continuar. — Há quase um mês nós quase perdemos o nosso caçula. Foi um milagre de Deus ele se salvar. Por isso eu afirmo que hoje temos muito o que agradecer. — Rachel secou mais uma lágrima. Algumas das mulheres já choravam, Jenniffer era uma delas. — Lembro como se fosse hoje quando os nossos pais nos reuniram à mesa e nos contaram que em breve ganharíamos mais um irmãozinho. Eu não pensava que fosse ganhar mais algum irmão, já que o Quil e o Jacob vieram um atrás do outro. Para mim, em minha cabeça de criança, não fazia muito sentido. Então eu comecei a pedir que fosse uma menina. — Rachel riu para o irmão caçula. — Já estava cheia de irmãos e primos levados, que sequestravam e torturavam minhas bonecas e as da Lee. — Leah sorriu pela lembrança. — Então quando papai nos levou até a maternidade e eu descobri que tinha ganhado mais um irmão, eu fiquei triste. Mas então mamãe perguntou se eu queria segurar aquele pacotinho azul. Eu disse que sim. Não tenho lembranças se fiz o mesmo com o Jake ou o Quil. Então papai me colocou sentada em uma poltrona e pegou o embrulhinho da mamãe e botou em meu colo. Foi aí que eu me apaixonei. Embry era tão gordinho e cabeludo, muito cabeludo mesmo. Ele tinha os olhos abertos e me olhava sem piscar. Eu realmente me apaixonei por aquele bebezinho. — Rachel lançou um beijo para o caçula. — Ele era o meu boneco, mamãe sempre me deixava ajudá-la. Daí os anos foram passando e aquele bebezinho se transformou em um diabinho terrível, mas eu só sabia amá-lo ainda mais. Então veio a adolescência e eu realmente morri de ciúmes em vê-lo trocar a minha companhia por de uma garota qualquer. Há você deu trabalho, garoto! — todos sorriram. — Eu vi você entrar e sair da faculdade, se formar com louvor sem quase nunca pegar um livro. Como é inteligente, sempre foi. Eu vi você nascer, cresce e se tornar esse homem único. Especial. Eu me orgulho muito de você. Todos nós. — Rachel levou um copo de água aos lábios e bebeu um gole antes de continuar. — Eu vi você se apaixonar, juro que achei que isso jamais fosse acontecer. — Sorriu para a cunhada grávida. — Mas confesso que quase morri do coração quando soube que iria ser pai. Meu bebê iria ter um bebê! — Todos riram novamente. Paul e Emmett, como sempre, mais alto que os demais. — Vi aquele menino brincalhão, que quase nunca levava nada a sério, se tornar homem de família. Vi ele lutar com unhas e dentes pela vida do filho e da mãe também. — Embry levou a mão para baixo da mesa, segurou e apertou a mão da namorada. — Mas então por uma fatalidade do destino eu quase vi o meu garotinho ir embora. Foi um dos dias mais tristes da minha vida, poucas vezes passei por uma situação tão trágica. Eu estava dilacera. Eu não aceitaria lhe perder, não o meu caçulinha. Eu pedi tanto para você se recuperar e voltar a sorrir desse jeito único. — Rachel colhia as lágrimas que agora não conseguia mais conter. — Então hoje eu estou aqui agradecendo principalmente por ter o privilégio de poder ver mais uma vez você sorrir para mim. — Rachel ergueu a taça. — Um brinde à vida do meu irmão Embry Black!

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Todos brindaram a saúde do mais novo. Embry levantou da mesa e foi até a irmã, a abraçando apertado e erguendo-a do chão.

— Eu te amo tanto — ele sussurrou no ouvido dela.

Rachel chorou mais ainda. Embry não era um homem de falar o que não sentia. Ou era verdade ou ele preferia se calar. Rache sabia disso.

— Bem, eu não tenho o dom da palavra como a Rach, mas preciso falar algo sobre a minha experiência. Relaxem, vou ser breve! — Embry sentiu-se impelido a falar. — Eu nunca pensei sobre como eu iria morrer, e é bem verdade que continuo não pensando. Mas eu me vi bem próximo a morte, de verdade. E olha que não é a primeira vez que levo um tiro. — Embry sorriu de verdade com a piada. Renesmee e Claire arregalaram os olhos com a informação. Jacob e Quil pensaram que estava na hora de Embry levar mais dois tiros na bunda. — Eu me senti impotente na hora. A verdade é que eu não tava prestando atenção, eu não vi nada até escutar os tiros. Eu tentei pegar a minha arma para me defender, minha adrenalina devia de estr lá no alto porque eu não senti um único tiro me atingir, mas percebi que algo estava muito errado quando a minha mão não obedecia mais e minha visão estava turva. Parecia que tentava enxergar através de uma fumaça densa. Eu me vi realmente impotente, esperando a morte, mas de alguma forma eu não estava acreditando nela de verdade. Então escute muitas vozes falando ao mesmo tempo. Também escutei mais tiros... Foi então que uma dor alucinante tomou conta do meu corpo e percebi que estava sendo arrastado para fora do carro. Ali eu já tinha certeza que não iria sobreviver. Ali eu pensei que era à hora da minha morte, mesmo ainda parecendo incrédulo. O meu corpo doía muito. Então escutei mais vozes e tiros. E eu só consegui pensar em uma única coisa. "Eu não quero morrer". "Eu quero ao menos segurar o meu filho no colo uma única vez". Então eu fui salvo por me reconhecerem e saberem que eu não tinha nada a ver com aquilo. Eu estava no lugar e na hora errada. — Embry olhou para todos e meio que se desculpou com Jacob e Quil, pois suas esposas não sabiam da vida criminosa que levavam. — O que eu quero dizer com isso tudo é que não ocorreu um filme de toda a minha vida em segundos, não havia sensação de paz e não pensei em nada além do meu filho. — Embry suspirou e voltou a se sentar ao lado da namorada. — Ao contrário da minha irmã que só falou qualidades a meu respeito, até achei o discurso longo demais, eu não tenho tantas qualidades assim. Porém eu vou falar dos meus erros. — Ele sorriu. — Vou fazer um resumo dos piores ou sairemos daqui aos meus noventa anos. — Riu da própria piada. Muitos o acompanháramos. — Eu nunca pensei muito nas consequências da vida. Cresci tendo uma vida confortável, com pais amorosos, irmãos carinhosos e tios e primos como segundos pais e irmãos. Seth e eu como caçulas, aprontávamos todas e sempre alguém passavam a mão em nossas cabeças. Entrar em uma das melhoras faculdades do país não foi difícil, e afirmo que não foi por causa do dinheiro, mas sim porque eu iria fazer o que amava. Não precisava estudar, simplesmente a matéria entrava na cabeça sem esforço. Eu nunca precisei lutar e me esforçar por nada, nunca pensei nas consequências... Mas um dia tudo iria mudar. Foi quando o meu caminho cruzou com uma certa estrangeira. — Olhou para a namorada e sorriu. — Eu fiquei louco. Eu a queria de qualquer forma, e achei que teria fácil, como sempre foi. Tudo que eu desejava eu tinha, por que seria diferente? Mas foi aí que as coisas se complicaram. Com ela não seria fácil, eu teria que usar toda a minha atenção e inteligência. Porém ainda assim para mim não passava de apenas uma conquista, só mais uma. Ainda que difícil, era só questão de tempo até conseguir e passar para outra. Só que sem eu perceber acabei gastando tanto tempo em conseguir tal conquista, que ela começou a fazer parte de mim. — Apertou a mão da namorada, Jenniffer estava séria. — Foi então que a oportunidade surgiu e mais uma vez fui inconsequente. Eu não pensei nas consequências, mas naquele dia tudo iria mudar. Pois seria a primeira vez que eu teria que lidar com as consequências dos meus atos. Naquele episódio eu gerei uma vida. Vida essa que agora eu sou responsável até morrer. — Embry colocou a mão sobre a barriga estufada da namorada. — Eu errei tanto. Magoei tanto a única mulher que não merece mais derramar uma única lágrima por causa de um homem burro. Uma mulher que consegue ser tão linda por dentro como é por fora. A mulher que fui presenteado para carregar o meu filho. — Limpou as lágrimas que banhavam o rosto da brasileira. — Então eu me desesperei em me ver tão perto da morte pelo simples fato que eu não poderia partir e deixa você sozinha para cuidar do nosso filho. A maior consequência de um ato irresponsável se tornou o meu maior acerto. Eu não poderia partir sem ao menos olhar uma única vez para ele. Eu não estava pronto para isso. — Embry encerrou o discurso com um beijo casto nos lábios da grávida e um afago no ventre que carregava o filho.

Todos bateram palmas e brindaram mais uma vez a saúde do caçula e o bebê que logo chegaria.

Mais breves discursos foram feitos para brindar a saúde do caçula. Quando os discursos terminaram. Embry pediu mais uma vez para dar uma breve palavra.

— Sei que já falei demais, mas juro que será rápido — prometeu. — Mediante a tudo que me aconteceu de ruim e de bom nesse ano, gostaria de comemorar o meu aniversário de forma diferente. Pensei muito sobre o assunto e gostaria que fossemos todos passar uma ou duas semana em nossa casa em Aspen. Quero passar um tempo com toda a minha família antes da chegada do meu moleque. Como é mais ou menos daqui a dois meses, já no final do inverno, dará tempo para nós planejarmos bem.

Todos gostaram da ideia de passarem um tempo de qualidade juntos. Só o lugar que gerou conflito, Jacob temia levar Valentina para um lugar tão frio, mas por fim todos concordaram.

A casa era enorme e muito bem aquecida, já existiam roupas de bebê especiais para esse tipo de clima, além do fato de Valentina até lá já estaria com seis meses e com as vacinas bem adiantadas.

A casa de Aspen era linda e ficava em um lugar com uma das mais belas vistas, mesmo que um pouco isolado. Sem sombra de dúvidas seria uma viagem memorável para todos!

Talvez não para Barbara, uma vez que ela pediu licença e se retirou da mesa, caminhando para fora da ampla sala de jantar. Ninguém ali entendeu o que aquilo significava, mas o olhar derrotado de Seth deixou bem claro que ele estava ainda em sérios apuros.

Notas finais
Sabemos, o coração quase parou né não? EMBRY VAI MORREEEEER hahahaha A Jenny foi má hahaha. E o que são aqueles filhotes gente? Essa fic fica cada dia mais cheia de surpresas... Ansiosas pelos comentários... Perceberam como o capítulo não demorou dessa vez? Isso porque recebemos vários comentários e recomendação! Isso nos deixa "vomitando arco íris"! Então para o próximo capítulo não demorar e só comentarem e recomendarem bastante! O poder está nas mãos de vocês! Hahahha Beijinhos e nos vemos no próximo... ATÉ ASPEN! Uma aventura congelante hahahaha.