Notas iniciais
Oláaaa amores... Tudo bem com vocês??? Quanto tempo, né? Sabemos que estamos sumidas, mas foi impossível parar para escrever e postar um novo capítulo antes. Desculpe pelo sumiço. Tentaremos fazer o possível para postar a fic com mais regularidade. Esperamos que compense o capítulo, está cheio de emoções e revelações. Capítulo dedicado as nossas fiéis leitoras, mas em especial a Pinky e dáletesilva pelas lindas recomendações que nos deixaram. Obrigada, nós amamos cada palavra! Vamos ao que interessa? Bora a leitura??? OBS: não deixem de curtir a page da fic no facebook. Basta procurar pelo nome da fic "Two lives a Destination" e curtir! Simples assim!

CAPÍTULO 46

O silêncio naquele momento era tão perturbador quanto reconfortante, as diversas emoções eram conflitantes. As mentes estavam longe o suficiente para divagar sobre tudo o que tinha ocorrido naquele dia enquanto a paisagem passava bem diante de seus olhos sem ser realmente percebida.

No som tocava uma música qualquer de melodia calma, o volume estava baixo. Porém ambos os passageiros não prestavam atenção na bela letra da canção.

— Nessie, chegamos. — Jacob avisou assim que desligou o motor do veículo blindado, já dentro da garagem de sua mansão.

— Ah, sim! Não tinha percebido que tínhamos chegado. — justificou-se pela notória distração após observa o ambiente em que estava. — Você vai jantar em casa? — questionou assim que se viram já fora do automóvel.

— Claro, não pretendo mais sair de casa por hoje.

— Então nos vemos na hora do jantar. — sem mais explicações à loira deixou a garagem em silêncio e seguiu para dentro da mansão. Sua cabeça chegava a doer de tantas coisas em que estava pensando.

Jacob nada disse, somente concordou com um maneio de cabeça. A sua própria mente também fervilhava com tudo que havia acontecido naquele dia.

O moreno recostou-se sobre o capô de um de seus carros estacionados e ficou ali perdido em seus próprios pensamentos. Havia muito sobre o que pensar.

Incontáveis minutos se passaram, mas Jacob só se moveu da posição que permanecia quando a musculatura da perna queimou e o frio do outono o incomodou. Começava a anoitecer.

Ele e a esposa tinham passado todo aquele dia no hospital com a filha prematura. Foram muitas emoções em tão pouco tempo.

O moreno sorriu de forma ampla ao sentir o coração acelerar quando a maravilhosa lembrança de pegar a filha pela primeira vez em seus braços — depois de sofridos dois meses — lhe invadiu a mente. Até o cheirinho único do frágil corpinho ainda estava impregnado naquela doce lembrança. No entanto, Jacob também sentiu o coração contrair dolorosamente ao recordar-se da esposa chorando torrencialmente por não conseguir ter a mesma coragem para pegar a filha nos próprios braços.

Somente a ideia de ter a minúscula bebê em seu colo apavorou tanto a amish, que Renesmee teve uma síncope devido a uma queda abrupta em sua pressão. O estado emocional da loira estava em colapso. Ela não estava preparada para tantas emoções fortes em um único dia.

O pequeno susto de se vê impotente enquanto a esposa perdia toda a cor da face e força do corpo apavorou o moreno. Ele sabia o quanto Renesmee sofria pela limitação emocional. Afinal, o que ela mais desejava era ter a filha a salvo nos próprios braços.

O moreno soltou um suspiro lamentando a situação.

Quando Jacob deixou a garagem e seguiu para dentro da mansão, ele estava certo que precisava fazer algo, intervir naquela situação. Porém ele ainda não fazia ideia do que fazer. Há semanas vinha lidando com a esposa como se caminhasse sobre ovos. Sua relação com ela agora era como se caminhasse por um campo minado; a qualquer momento tudo poderia explodir e ficar bem pior.

(***)

A loira caminhava descalça em direção a confortável poltrona que tinha em seu quarto, estava vestindo apenas uma camisola de algodão rosa com botões de pérola na frente. Havia acabado de sair do banho, os longos cabelos platinados ainda estavam úmidos. Tinha conseguido dormir por algum curto tempo, mas que foi o suficiente para a sua cabeça parar de latejar e as ideias mais claras começar a invadir como uma enxurrada. Ainda não estava certa sobre a decisão que deveria de tomar, mas algo já começava a esboçar em sua mente.

Como de costume naquele horário Renesmee ligou a bomba extratora de leite e acoplou em um dos seios, eles já latejavam de forma desconfortável. Após alguns minutos retirando o leite dos dois seios, tudo que a amish conseguiu foi encher dois frascos pequenos, sendo que um estava somente um pouco acima da metade. Antes ela conseguia encher facilmente até quatro frascos a cada coleta.

Silenciosamente Renesmee deixou lágrimas escorrerem pela face. Ultimamente ela vinha chorando por praticamente tudo. Sua vida que antes era perfeita — aos seus olhos— havia se tornado dolorosamente triste, seu casamento em crise tinha a maior parcela de culpa.

Talvez Leah tenha razão em tudo que falou hoje mais cedo. Pensou a amish.

Desde que toda carga oculta sobre a verdadeira situação de seu casamento foi revelada, Renesmee havia entrado em um estado depressivo. Tal fato foi imprescindível para uma regressão em sua já instável saúde.

Renesmee estava certa que precisava tomar uma decisão, fazer uma escolha. Mas ainda não sabia ao certo o que fazer, entretanto tinha uma vaga ideia por onde começar.

Após guardar os frascos com o seu leite materno no pequeno frigobar que tinha sido colocado em seu quarto, ela seguiu para o closet na intenção de se vestir para o jantar. Branquinha latiu para chamar a atenção da dona quando ela parou bem diante do enorme espelho.

— A mamãe te negligenciou hoje, né? — Ergueu a cachorrinha no colo e beijou a barriguinha rosada. — Desculpa, mas a mamãe está com a cabeça cheia de problemas. — Acomodou a cadelinha no colo e começou a afagar a cabecinha peluda. Branquinha chegou a fechar os olhinhos com o gostoso carinho.

A loira penteava os longos cabelos após terminar de se vestir. Tinha colocado um vestido simples na cor azul petróleo de manga comprida com meia calça grossa cinza mesclada e uma sapatilha preta.

— Vamos descer para jantar, filhotinha. — Renesmee atiçou a cadelinha que olhava fixo para ela. Imediatamente as orelhinhas ergueram-se e o rabinho começou a balançar freneticamente.

Quando Renesmee chegou à sala de jantar Jacob já estava sentado em seu lugar na mesa, mexendo no celular. Ele respondia alguns e-mails.

— Boa noite. — Renesmee disse educadamente, já sentando em seu próprio lugar de costume. Ela puxou a cadeira ao seu lado e pôs a cachorrinha sentada no assento acolchoado.

— Boa noite, Nessie. — Ergueu rapidamente o olhar da tela do iPhone para vislumbrar a esposa. Ela sempre era bela de se admirar. — Já estou terminando de responder a um e-mail de negócio. — Justificou-se.

— Não tenha pressa. — Renesmee limitou-se em responder.

Barquinha ao escutar a voz do dono pulou a cadeira e saiu correndo em sua direção.

— Oi, bola de pêlos. — Jacob saudou a cachorrinha que latia de forma eufórica e estridente aos seus pés. — Já falo com você também.

Em menos de cinco minutos Jacob já havia terminado de resolver os assuntos profissionais e dividia a sua atenção para a cachorrinha e a esposa.

Após terem uma breve conversa sobre assuntos banais o jantar foi servido e o casal comeu no mais absoluto silêncio. Renesmee estava ainda mais calada do que de costume, esse fato chamou atenção do moreno. Ela parecia distante, além de comer muito pouco.

Jacob estava começando a se preocupar com o fato, mas não sabia o que falar por hora. Renesmee agora tinha o poder de deixá-lo inseguro, coisa que jamais acontecia antes.

— Jacob, nós podemos conversar? — Renesmee perguntou assim que largou o garfo de sobremesa.

Ela tinha reparado que Jacob já bebia o vinho que sempre deixava por último. Ele não era amante de doces, então finalizava a refeição com uma bebida.

— Claro. — concordou desconfiado. Renesmee mantinha uma expressão indecifrável. — Prefere que seja aqui mesmo, no escritório, na sala, no quarto... — Disse dando as diversas opções. Ele acreditava que teria ideia de que tipo de conversa seria só pelo lugar que a esposa escolhesse.

— Pode ser na sala de televisão. — limitou-se ao responder.

Jacob franziu a sobrancelha, uma pequena ruga se formou no meio delas. Era impossível deduzir se a conversa que teriam seria positiva ou negativa aos seus olhos. Isso incomodou o moreno.

— Nós não podemos mais continuar desse jeito. — Renesmee falou assim que colocou a cachorrinha deitada em uma das almofadas e de sentar-se no enorme e confortável sofá que havia no luxuoso cômodo. — Eu passei toda à tarde de hoje refletindo muito sobre tudo que vem nos acontecendo até agora, porém que pesou mesmo na minha decisão foi a conversa que a Leah teve hoje conosco.

— Está se referindo exatamente a quê? — Jacob estava aparentemente calmo ao falar, ele usava a cautela para pronunciar a pergunta. Ele controlava bem a emoção que sentia no momento.

— Estou me referindo a essa desavença que tivemos. Sobre as suas mentiras que me causaram feridas profundas, mas acima de tudo estou falando sobre o bem estar da nossa filha. — Renesmee olhava fixo para a profundeza negra dos olhos do esposo. Ela parecia impenetrável aos olhos dele. — Tudo isso está me fazendo muito mal. E agora esse mal está afetando diretamente a nossa filha. Não posso mais suportar essa situação, isso está acabando comigo. — A voz, antes firme, agora estava embargada pelo choro eminente.

Jacob viu a fortaleza que antes Renesmee se mantinha protegida desmoronar-se bem diante de seus olhos, assim como um castelo de areia se desfaz ao vento. Ela abaixou toda a guarda que mantinha erguida por semanas. Ele se repudiou por saber que era o culpado por tudo que estava acontecendo, mas aproveitou o momento de fraqueza dela para se reaproximar.

— Vem aqui. — Jacob puxou a esposa para os seus braços fortes. Dessa vez Renesmee não demonstrou resistência. — Me deixa cuidar de você, da nossa filha... Deixe-me cuidar da nossa família.

Renesmee afundou o rosto na curva do pescoço forte e perfumado do marido. Ela inalou aquele cheiro inebriante, naquele momento ele estava lhe proporcionando calma. Ela deixou o choro preso na garganta sair livre.

Jacob ficou em silêncio enquanto sua amada chorava em seus braços. Por hora, somente aquilo já estava lhe fazendo bem. Ele fazia círculos de carinho com as mãos nas costas delicadas e acariciava as madeixas perfumadas da loira. Como ele sentia falta daquele simples contato.

— Não aguento mais viver assim. Eu não consigo dormir direito, tenho sonhos ruins. A comida está sempre amarga, embrulha o meu estômago, não da vontade de comer. A única coisa que me faz ter forças para levantar todos os dias da cama é por nossa filhinha. Ela precisa tanto da gente.

— Por que você não veio conversar comigo antes? — Jacob disse nervoso. Ele não era ignorante a ponto de descartar uma possível de depressão pós-parto na esposa. — Isso tudo é muito sério, Nessie. — o tom ficou mais moderado quando ele sentiu o choro dela aumentar— Eu vou cuidar de você, meu amor. — segurou o delicado rosto vermelho pelo choro entre as enormes mãos. Ele só conseguiu enxergar ali medo, insegurança e tristeza.

— Eu preciso de você. — A loira confessou sincera. — Nós precisamos de você.

— Eu sei que errei muito, mas nunca duvide que te ame acima de tudo. Fui um babaca porque não estava preparado para receber o seu amor tão puro. Eu nem sou digno dele, mas também sei que sou bastante egoísta a ponto de não permitir ficar longe. — Jacob selou os lábios com paixão. O toque era casto, porém intenso.

Renesmee não relutou. Ela já estava sem forças naquela luta árdua para manter-se longe dele. Sabia que era fraca, que era emocional e fisicamente dependente dele. Jacob era como o seu alicerce. Era ele que a mantinha de pé. Longe dele Renesmee sentia-se desmoronar cada vez mais em um abismo sombrio de tristeza e vazio.

— Vamos recomeçar sem mentiras? Vamos ser um casal novamente? Precisamos um do outro. Nossa filha precisa de nós juntos acima de tudo. — Jacob demostrava determinação ao pronunciar cada palavra.

— Sim. — Renesmee concordou, já cansada pela luta solitária.

— Isso significa o meu perdão? — Jacob perguntou cauteloso. Talvez a pergunta fosse precipitada demais, porém ele arriscou. Ele sempre arriscaria tudo por ela.

Assim com Renesmee era dependente dele, Jacob sentia-se de alguma forma também dependente dela. Ela sempre seria frágil e precisaria de sua proteção. Já ele sentia necessidade de sempre protegê-la, aquilo o fazia sentir-se mais forte e determinado. Um completava o outro de forma única e peculiar.

O moreno naquele momento compreendeu que foi exatamente por isso que antes jamais tinha se envolvido emocionalmente com qualquer uma das amantes que um dia teve.

Todas sempre foram audaciosas, impetuosas, seguras de si. Era sempre um jogo de cão e gato. Sem tréguas e sem sentimentos, só a emoção do jogo e a atração física, que sempre acabava passando em algum momento. Já com Renesmee sempre foi diferente desde o início. Ela sempre foi frágil e dependente, o que aflorava o lado superprotetor que sempre teve enraizado em seu íntimo. Jacob tinha uma devoção quase que sagrada por ela. E agora se mostrava o mesmo pela filha igualmente frágil.

Poderia perecer até um pouco doentio para quem os analisasse, mas quem tem o direito de julgar os motivos que levam um casal a se relacionar? Todos sempre buscam em seu parceiro um equilíbrio para si mesmo, passando assim a se sentir completo em todos os aspectos.

— Não, Jacob. — Renesmee cortou qualquer esperança que ele tinha em vê as coisas voltarem completamente ao normal. — Significa que eu preciso de você ao meu lado pelo o bem da nossa filha. Estou fazendo isso pela Valentina, pelo amor imensurável que sinto por ela. — Explicou sendo sincera os motivos da reaproximação. — Eu sinto falta dos seus abraços e carinhos, não vou mentir, mas ainda não me imagino tento nada além. — lançou um olhar significativo para o marido. Ela tinha as bochechas ainda mais coradas. Jacob não precisava de uma explicação para entender o significado das palavras dela. — A verdade é que eu te perdoei desde o dia em que me contou tudo, mas meu coração ainda sangra pelo que foi revelado. Eu não sei se um dia vou esquecer essa magoa que tenho dentro de mim. Eu nunca precisei passar por algo que necessitasse do meu perdão e da minha superação.

Jacob calou-se mediante a sincera confissão da esposa. Ali ela deixava claro que talvez nunca pudesse voltar a ser como era antes, que talvez as feridas jamais desaparecessem por completo. E mesmo quando sarassem, sempre haveria uma cicatriz para lembrá-la que nunca mais nada seria como antes. Ele merecia isso, Jacob sabia.

— Então só me permita fazer o que eu sei de melhor; que é te amar e te proteger, te fazer sentir segura novamente em meus braços. Deixaremos que o tempo se encarregue do resto.

Jacob, novamente selou os lábios no dela com paixão, mas Renesmee não cedeu passagem para língua exigente dele. Somente permitiu o roçar de lábios, apertando mais o abraço no tronco forte.

O moreno lamentou por ser renegado, porém compreendia que com Renesmee a cautela era necessária.

— Vem, vamos dormir. — Jacob chamou assim que soltou os lábios rosados. — Hoje foi um dia longo e cheio de emoções. Precisa descansar, pois amanhã teremos que estar cedo no hospital.

Jacob não esperou por uma resposta de Renesmee. De forma hábil ele passou os braços pelas costas e pernas da esposa e a ergueu sem qualquer esforço. Renesmee lhe parecia ainda mais leve e frágil. Suspirou resignado.

— Jake, ainda não me sinto pronta para... — Renesmee começou a dizer em voz baixa.

— Eu sei. Nós só iremos dormir juntos e abraçados. — Cortou o que a amish falava. — Não vou dizer que não será torturante te ter ao meu lado e não poder toca-la, mas irei me controlar por você. Só farei o que você quiser ou necessitar, e o que você necessita agora é uma boa noite de sono. — o moreno beijou o topo dos cabelos platinado com ternura.

Jacob sentia-se feliz somente por tê-la novamente nos braços e ao fato dela já começar ceder minimamente a ele, afinal até seu apelido ela voltou a pronunciar.

Renesmee mantinha a cabeça repousada sobre o peito musculoso do marido enquanto ele a carregava no colo. Ela ouvia atentamente ao som incomparável do pulsar vigoroso que era o coração dele. Aquilo a acalmava de modo único e incomparável, seus olhos já começavam a pesar. O sono chegava como uma nevoa reconfortante. Ela mergulhou naquela gostosa sensação.

TLAD

Barbara estava animada. Na cozinha, ela preparava um delicioso café da manhã para receber a sua amiga.

Até que a morena já havia se acostumado com a vida de “casada”. Seth lhe proporcionava bons momentos e a paixão não diminuíra. Eles ainda obtinham o mesmo fogo comparado a de um casal de namorados, porém ninguém precisava ir embora no dia seguinte.

Um som parecendo sinos soou através da porta, fazendo com que a morena sorrisse. Sua amiga havia chegado bem em tempo de ela retirar os pães de queijo do forno. Eles estavam crocantes por fora e bem roliços e macios por dentro, do jeito que Jenniffer gostava.

— Seth, poderia abrir a porta, por favor? — Pediu animada.

O moreno não era adepto a acordar cedo, e a contra gosto foi resmungando até a porta.

Assim que abriu, Jenniffer sequer perdeu seu tempo em cumprimentá-lo com formalidade. O cheiro de pão de queijo atraiu a loira diretamente para a cozinha.

— Bom dia, Seth! — Limitou-se em dizer enquanto passava apressada.

— Inferno, Seth. Sua mulher irá deixar a minha loira uma rolha de poço se continuar entupindo-a com comidas brasileiras. — Retrucou Embry ao entrar no luxuoso apartamento do primo.

— Não seja tão modesto, primo, ela já está uma rolha de poço! — Caçoou Seth, dando uma deliciosa gargalhada pela expressão enfurecida de Embry. — Ei, é brincadeira, cara. Eu preciso começar de algum lugar para melhorar o meu humor. Odeio acordar cedo após uma noite longa e dura! — Sorriu malicioso.

— Argh, me poupe desses detalhes, cacete! — Embry sustentava uma careta.

— Oh, meu Deus! — Um grito agudo e desesperado chamou a atenção dos rapazes na sala.

Com extrema agilidade e destreza, os dois já estavam na cozinha e olhavam assustados para as brasileiras.

Jenniffer tinha lágrimas nos olhos. Uma mão estava em sua boca e a outra repousava delicadamente sobre o visível inchaço de seu estômago, enquanto Barbara sorria alegremente para a loira.

— Que porra de grito foi esse? Você está bem? O bebê está bem? Está com dor? Pelo amor de Deus, Baby, o que houve? — Embry tagarelava sem parar amparando a namorada pelos braços e examinando minuciosamente seu corpo com olhos arregalados.

— Olha! — Apontou para a mesa ampla, coberta por uma delicada toalha em renda. — Tudo isso é pra mim, quer dizer, para nós. — Alisou o ventre, com os olhos completamente marejados de emoção.

Embry continuava sem entender. Aos seus olhos, não havia nada demais em um café da manhã recheado de bobagens.

— Você gritou por isso? Por sua amiga te entupir de besteiras?

— Não são besteiras! — Disse rude. — É um café da manhã brasileiro. Pães de queijo com doce de leite, tapioca, bolo, pãozinho...

— Eu juro que eu tentei fazer o guaranaçaí para você, amiga, mas é impossível achar algo semelhante ao gosto. Aqui não tem Açaí, mas tem granola, mel e iogurte. — Barbara completou seu cardápio com maior orgulho.

Seth apenas olhava a cena das duas amigas em um olhar cúmplice. No fundo, o moreno ficou satisfeito em ver a mãe de seu afilhado feliz, afinal, Barbara o fez rodar praticamente a cidade inteira atrás de todos os ingredientes que ela precisava.

Embry levou os braços ao ar e olhando para cima.

— Esses hormônios irão acabar com a minha sanidade!

— Não sabia que já você teve sanidade algum dia. — a morena entortou os lábios em claro sinal de sarcasmo. — Ah, pare de resmungar feito um ogro do pântano e se tiver bons modos, retire a cadeira para a mãe do seu filho se sentar à mesa. — Barbara não perdia a oportunidade de alfinetar o seu futuro compadre.

Seth foi em direção da namorada beijando os lábios rapidamente.

Os quatro sentaram-se e desfrutaram do desjejum. Jenniffer foi a única a comer um pouco de cada coisa, estava se sentindo satisfeita.

— Não sei se posso andar depois disso tudo. — Brincou Jenniffer.

— Eu te levo no colo, Baby. — Embry a puxou para um beijo, porém a loira virou o rosto. — O que foi?

— Oras, o que foi? Você quer mesmo que eu diga? — Seu tom de voz era indiferente. Embry apenas assentiu. — Babi, você acredita que ele não me deixou vir andando até aqui? Quer ficar no pé vinte e quatro horas por dia. Está me enlouquecendo!

Barbara e Seth riram pela expressão envergonhada de Embry, aquele tipo de atitude não combinava com o moreno.

— Porra! Você está grávida de um filho meu, ficou internada naquele maldito hospital, estou apenas sendo cauteloso. Que mal há nisso?

— Corta essa, Embry. Tá começando a falar como marica, cara. A Jenny está bem, deixe-a respirar. Nós moramos em prédios vizinhos. — Disse Seth levantando-se da mesa.

— Viu, até mesmo o Seth acha que você está exagerando. — A loira deu de ombros.

— Vá se foder, Seth. Quando for a tua mulher e teu filho, você vem falar comigo sobre virar marica!

Imediatamente Barbara congelou no lugar, Seth se encolheu e Jenniffer sentia seu coração chutar contra as costelas. Ela queria matar o namorado naquele momento, porém não era necessário, o semblante de Embry mudou assim que percebeu o que havia dito. Ele sabia que Barbara não podia ter filhos e consequentemente Seth, por optar a amá-la, não seria pai.

Seth voltou a sentar e pegou a mão da namorada. Ela levantou os olhos e sorriu.

— Você com essa sua estupidez, sequer é capaz de prestar atenção nas merdas que fala. Idiota! — Jenniffer vociferou com a voz fria.

— Desculpa eu...

— Tudo bem. — Interrompeu a morena. — Ao menos irá deixar ela comigo por hoje, não é? Combinamos de comprar algumas coisas para o bebê e uma roupa para a cerimônia de conclusão da pós-graduação da Jenny. — Barbara soltou a mão do namorado e começou a juntar os pratos e talheres. Detestava aquele tipo de atitude. Ela nunca tolerou o sentimento de pena. — Ou... Vocês poderiam vir com a gente e podíamos almoçar em um restaurante legal. — Sugeriu.

— Minha gostosa, eu adoraria passar o dia com você, mas nós temos reunião. — Seth levantou e abraçou a namorada.

— Compras eu tô fora! Dessa vez você ganhou, Baby. Toma. — Tirou da carteira um cartão Platinum e entregou para a loira. — É sem limites. Você sabe a senha, compre o que quiser.

Jenniffer não pôde esconder o sorriso. Estava ansiosa para começar a fazer o enxoval do seu bebê.

Após os rapazes saírem, Barbara se arrumou e as duas amigas saíram às compras pelas ruas de Nova York.

TLAD

O céu cinzento anunciava uma manhã mais fria do que costumava ser em um dia típico de outono, o vento era gélido e cortante. Mas dentro da bela mansão a baixa temperatura não era sentida, o aquecedor deixava o ambiente aquecido e agradável.

— Nessie, vá pegar ao menos um casaco mais quente. Hoje o dia está muito frio para você sair assim. — Jacob disse assim que viu a esposa aparecer no topo da escada. Ela usava apenas um vestido fino de manga comprida, meia calça e botas.

— Tudo bem. — A loira concordou prontamente. Tinha visto pela janela do quarto as folhas que ainda restavam nas árvores balançarem com ímpeto. — Volto em um minuto.

— Não precisa correr. — Gritou sorrindo ao vê a esposa correr novamente para longe da escadaria, indo em direção onde ficavam as suítes da mansão.

Jacob já estava pronto e esperava Renesmee terminar de se arrumar para irem ao hospital visitar a filha que ainda seguia internada e sem previsão de alta.

Dez dias haviam se passado desde que Jacob segurou a filha prematura pela primeira vez no colo. Também tinha se passado dez dias desde que tiveram a conversa que foi decisiva para eles.

Renesmee havia permitido a reaproximação. Jacob já até havia voltado a dormir na suíte do casal, porém eles ainda não tinham voltado a ter relações sexuais. A loira ainda se mantinha fechada para esse tipo de contato. Entretanto Jacob seguiu paciente e compreensivo, visto que a simples reaproximação deles tinha surtido efeitos extremamente positivo não só para Renesmee como para própria Valentina.

Assim que a amish voltou a dormir e se alimentar melhor, foi uma questão de apenas dois dias para a tristeza desaparecer e produção de leite voltar ao normal. Agora ela sempre sorria ao tirar vários frascos de leite por dia. Valentina voltava a ganhar lentamente cada grama que tanto necessitava.

Jacob compreendia que tudo era uma questão de tempo, pois agora até algumas carícias mais íntimas Renesmee se permitia. Era doloroso para o moreno controlar seu corpo exigente. Às vezes o seu membro doía na necessidade por contato, mas ele sempre se controlava para não pressionava a esposa além do próprio limite dela.

— Assim está melhor? — Renesmee chamou atenção para si. Ela estava novamente no topo da escada, porém agora usava um Sobretudo preto de lã e um pashmina da Burberry no pescoço fino.

— Está perfeita. Ainda mais linda do que já é. — Jacob olhou da cabeça aos pés, admirando a beleza da esposa. — Pegou um par de luvas? Realmente está bem frio lá fora. — Perguntou preocupado. Ele mesmo estava bem agasalhado com jaqueta e luvas de couro preto.

Renesmee era magra e delicada, sempre sentia muito frio devido ao corpo mignon.

— Está aqui. — Retirou da bolsa a luva de pelica e sacudiu no ar enquanto descia sorridente a escada. A loira estava ansiosa para revê a filha e levar todo o leite que havia conseguido retirar no dia anterior. — Você pegou a bolsa térmica com o leite?

— Claro. — Jacob prontamente respondeu mostrando a bolsa que eles usavam para transportar o leite recolhido. — Agora vamos que já estamos em cima da hora, não quero pegar a hora do rush.

O casal saiu apresado da mansão, eles tinham acordado mais tarde que de costume naquela manhã.

Valentina tinha uma rigorosa planilha médica com todos os seus tratamentos e procedimentos a serem realizados no dia, um deles era a técnica canguru que ela sempre fazia com o pai. Renesmee ainda não havia tido coragem para pegar a filha no colo. Ela sofria muito por isso.

O caminho até o hospital foi rápido, Jacob havia cortado caminho por algumas ruas menos movimentadas.

Obedecendo sempre todo o criterioso protocolo de assepsia, o casal se lavava e se trocava, vestindo um avental descartável para poderem entrar na UTI Neonatal.

— Bom dia, papais. — Cumprimentou sorridente uma jovem enfermeira da UTI assim que recebeu o casal. — Tem uma princesinha esperando por vocês.

— Estamos loucos de saudades dela. — Renesmee disse animada. Sempre as visitas à filha era a hora mais aguardada do dia. Eles tinham autorização para entrar por uma hora, duas vezes ao dia. — Foi tudo bem essa noite?

— Perfeitamente! Ela se comportou como a princesinha que é — a jovem enfermeira sorriu ao responder. — Não, senhor Black, nós não faremos a técnica do canguru agora. A Doutora Cooper e Clearwater me pediu para comunicá-las assim que vocês chegassem. — Interviu a enfermeira ao vê o moreno abrir o roupão como de costume para receber a filha no peito.

— Aconteceu algo? — Jacob parou subitamente o que fazia e perguntou preocupado.

— Sim, porém a notícia é ótima. — A jovem enfermeira antecipou-se em dizer, ao vê a fisionomia dos pais da pequena Valentina ganhar um ar de preocupação. — Só um instante que elas já devem está chegando. Mas olhem, Valentina já tem visita. — Apontou para a vidraça.

Quil estava sorridente do outro lado do vidro, ele babava pela pequenina afilhada. Era incrível como uma garotinha, um pouco maior que o tamanho de um palmo, já tinha os homens mais perigosos dos Estados Unidos bem diante de suas minúsculas mãozinhas.

— É o dindo, minha filha. — Renesmee disse com a voz meiga assim que se posicionou ao lado da incubadora em que estava a filha. — Ele veio te ver. — A bebezinha permanecia parada, aparentemente ela dormia.

Quil sorriu e dei um “olá” através da vidraça. Ele já estava ali há alguns minutos.

— Como vão os meus amores? — Leah cantarolou baixinho assim que entrou na UTI. Ela vinha junto com a médica neonatal responsável pelo tratamento da pequena Valentina.

— Estamos bem, porém preocupados. — Jacob quem respondeu. — Fui tirar a avental como de costume para que pudessem por a Chaveirinho no meu peito e a enfermeira me impediu. O que está acontecendo? — Foi direto no questionamento. Ele não gostava de rodeios quando se tratava de informações sobre a saúde da filha.

— Calma, Jake. — Leah sorriu com a cara que o primo fazia. Ela sabia que além de preocupado, Jacob também estava irritado. — É por que agora nós passaremos para uma nova fase no tratamento. Courteney irá explicar melhor. — A morena tocou o ombro rígido do primo com objetivo de tranquiliza-lo.

Jacob não contestou, porém mantinha a expressão desconfiada. Renesmee tinha os olhos levemente arregalados e fitava as médicas com ansiedade.

— Senhora Black, primeiramente gostaria de lhe parabenizar pelo seu empenho em trazer leite não só para atender as necessidades da sua filha, como também para muitos bebês cujas mães não conseguem produzir o próprio leite. — A médica sorriu para jovem amish. Renesmee sentiu o peito encher-se de orgulho. Jacob sorriu igualmente orgulho para pequena esposa. — Agora eu gostaria de lhe apresentar a Dr. Martins. Ela é a excelente psicóloga que integra a nossa equipe. — Courtney apresentou a mulher de óculos que sorria para o casal.

Jacob ameaçou dizer algo, porém o gesto que Leah fez com a cabeça fez o moreno recuar na pergunta.

— Olá Renesmee. Posso lhe chamar assim? — a mulher de sorriso simpático e aparentando está na casa dos quarenta anos perguntou.

— Sim, não tem problemas. — Renesmee respondeu igualmente amistosa, porém ansiosa para compreender o que realmente acontecia.

— Sabe Renesmee — A psicóloga voltou a falar. — A minha participação na equipe multidisciplinar na neonatologia está mais relacionado ao tratamento com os pais que com os bebês. Ser pais de um bebê prematuro é um desafio muito difícil, gera uma enorme carga emocional. — suspirou para selecionar as melhores palavras. — Cada dia que se passa é mais um dia de uma dura vitória conquistada. Vemos bebês que antes achávamos que não fosse capaz de sobreviver fora do útero materno, crescer e ganhar peso lentamente. Medos, receios, desafios... Entre uma enorme infinidade de sentimentos são o que os pais terão que superar para conseguir passar por essa fase difícil. — A mulher segurou as mãos tremulas da loira. — Não precisa temer, querida, olha como a sua filhinha está a cada dia melhor. — Todos olharam para incubadora onde a bebê dormia indiferente ao que acontecia a seu redor. Quil do lado de fora parecia angustiado, ele não ouvia a conversa, a conexão com o interfone da sala estava desligada. — Estou aqui exatamente por que a Dr. Courtney me procurou. Ela me confidenciou o seu pequeno medo em segurar a sua bebê no colo.

Renesmee puxou subitamente suas mãos que a psicóloga segurava amigavelmente, os olhos azuis estavam arregalados em pavor.

— Calma, Nessie, confie na doutora Martins. Estamos todos aqui para ajudá-la. — Leah tentou acalmar Renesmee. Mas a loira pareceu não ouvir, ela tremia e tinha a respiração acelerada.

— Nessie, fica calma, não precisa ficar com medo. — Jacob também foi ao auxilio da esposa, ela parecia que entraria em colapso nervoso a qualquer momento.

— Renesmee, eu sei que tem seus receios, mas hoje chegou o dia que sei que você sempre sonhou com ele. — Courtney, como médica chefe do caso, retomou a frente da situação. —Sei que sempre desejo amamentar sua filha. E acredito que pelos costumes em que foi criada, que tudo isso seja diferente para você, mas agora tudo vai começar a entrar em um nível de normalidade. — a simpática médica sentou na poltrona que permanecia vazia ao lado da amish. Todos os outros seguiam calados. — Ontem após a visita de vocês terminar, Valentina foi submetida a uma série de exames e neles constatamos — maravilhados — que todo o sistema digestivo dela já se encontra maduro para começar a se alimentar sem ajuda da sonda. Sua filha agora está pronta para mamar diretamente de você.

Uma série de emoções foi facilmente vistas transpassar pelas feições da jovem mãe. Renesmee tinha o fascínio e o medo duelando no olhar.

— Por isso estou aqui, Renesmee. Eu vim ajudá-la a superar o medo de segurar sua filha no colo. Olha, ela está só aguardando você ficar pronta para vir para seu colo se alimentar. — A psicóloga falou de forma terna ao escutar a bebê resmungar um chorinho fraco.

Jacob olhou maravilhado para filha. Enfim ela parecia melhorar cada dia mais. Somente agora que ele tinha reparado que a fina sonda que servia para alimentar a filha não estava mais presa em seu minúsculo narizinho.

— Nessie, olha que notícia maravilhosa. A nossa pequena Valentina está crescendo e ficando boa a cada dia.

— E seu eu machucá-la? E se eu deixá-la cair? Se eu apertá-la demais por medo de que caia? Se eu segurar errado e tirar um desses tubinhos tão importantes para mantê-la viva? E se... — Os olhos azuis já estavam mareados, a voz embargada e o pranto prestes a descer quando a loira sentiu um dedo calar seus lábios.

—Shhhh, Nessie. — Jacob tinha a voz incrivelmente calma. Ele agachou para ficar no campo de visão da esposa. — Eu tenho certeza que você jamais permitirá que algo de ruim aconteça a nossa filha. Você é capaz de a própria vida por ela, não é mesmo?

—Sim! — A voz embargada saiu fraca, mas segura.

— Então o que você esta esperando? A nossa filha esta ansiosa em ir para o seu colo. — Jacob sorriu passado confiança a amada.

— Toda a equipe estará aqui para auxiliá-la. Não temas, pois nada ira acontecer a sua preciosa filha. — Dr. Martins, a psicóloga, incentivou a jovem e inexperiente mãe.

Renesmee sentiu o coração pulsar forte no peito, as mãos suavam e tremia ao mesmo tempo, porém o aceno positivo saiu em um gesto vigoroso. Estava na hora de ter a filha nos braços, dar de mamar a ela. Uma emoção jamais sentida antes dominou intensamente o íntimo da amish.

— Ótimo! — Leah bateu palmas, entusiasmada. — Vamos pegar essa garotinha, ela já me parece bem irritada. — o sorriu ampliou ao escutar o chorinho aumentar na mesma proporção que os bracinhos e perninhas moviam-se impacientes. — Já sabemos que essa garotinha é tão resmungona e impaciente quanto o pai. — Todos gargalharam com a brincadeira da morena.

— Porra, ela é a minha filha. Não poderia parecer com o Lancarter. — Jacob sustentava um sorriso irônico para a prima.

— Gentil como sempre. — Leah rebateu.

— Vamos parar com essa troca de gentileza. — Courtney disse em tom de divertimento para os primos. — Renesmee, toda a equipe estará o tempo todo te auxiliando, não precisa temer absolutamente nada. Em primeiro lugar nós vamos precisa que abra o roupão. — Assim que a médica informou o primeiro passo a loira imediatamente arregalou os olhos azuis. — Não se preocupe, Renesmee, como já expliquei toda essa equipe está aqui somente para ajudá-la. Nada acontecerá a pequena Valentina.

— Não é isso... — A loira tinha as bochechas tingidas de vermelho quando começou a falar. — É que eu estou sem nada por baixo do roupão. Eu vim de vestido hoje. — justificou-se muito acanhada.

— Você veio sem sutiã para o hospital? — Jacob elevou inconscientemente a voz ao fazer a pergunta. O moreno tinha a expressão fechada.

— É que ele estava me machucando nas laterais. — Renesmee começou a explicar o motivo da falta da peça íntima para o marido enciumado. — Além da região está um pouco sensível. Coloquei somente os protetores, o vestido justo segurou.

— Pelo amor de Deus, Jake! Isso não é hora de ter ciúmes descabidos. — Leah reprendeu o primo, mas a feição séria logo deu lugar a gargalhada. — Vem Nessie, não tem problemas, a equipe só tem mulher e todas são profissionais. De homem mesmo só o Jake, mas esse está cansado de saber como são os seus seios. Arrisco em dizer que ele sabe descrever melhor o gosto do leite na fonte que a própria Valentina. — Leah não conseguiu deixar a piada maliciosa passar.

Enquanto Jacob permanecia sério, mas com um sorriso brincando nos lábios, Renesmee abaixou a cabeça envergonhada, a face alva tinha se tornado da cor de um tomate maduro.

Todos da equipe tentavam se manter sérios mediante a piada familiar, porém todos que conheciam a Doutora Clearwater sabiam do seu senso de humor ácido e malicioso.

— Tem o Quil. — A voz da amish era apenas um sussurro.

Somente depois que foi mencionado que todos olharam para a vitrine e constataram que o moreno permanecia sério diante da vidraça. Quil tentava entender o que acontecia já que o áudio não estava ligado e ele não sábia do teor da conversa que já acontecia há alguns minutos.

— O problema é o Quil? — Leah perguntou já com um sorriso malicioso nos lábios, mas decidiu engolir a piada maldosa que estava prestes a soltar. — Pode deixar que eu irei falar com ele. Também vou pedir para descerem a persiana, assim você terá privacidade para amamentar.

— Avisa ao Quil que posso arrancar os olhos dele caso insista em ficar. — Jacob ditou sério, o ciúme ainda influenciando.

As enfermeiras ajeitavam a bebezinha enquanto posicionavam Renesmee na poltrona próxima. Jacob foi orientado a ficar a princípio atrás do encosto, assim teria uma boa visão e não atrapalharia a equipe que estava pronta para auxiliar no procedimento.

Renesmee só relaxou quando viu o cunhado se afastar com Leah. As persianas foram abaixas e agora o ambiente encontrava-se parcialmente privativo.

— Pronta, Renesmee? — Courtney perguntou animada para a loira que já estava despida da cintura para cima. Os dois seios pequenos e cheios estavam expostos, e mesmo Renesmee morrendo de vergonha se controlava pela filha.

Doutora Martins seguia ao lado da amish dizendo palavras tranquilizadoras e de incentivo.

— Oh meu Deus! — Foi tudo que a loira conseguiu dizer quando sentiu o minúsculo corpinho ser depositado entre seus seios.

— Pode tocar a sua filha. — Courtney disse enquanto as duas enfermeiras ajeitavam alguns dos fios que ainda estavam presos a bebê.

Renesmee não tinha palavras para conseguir pronunciar naquele momento, a voz havia falhado. Com as mãos tremular tocou o frágil dorso nu da bebezinha, a sensação era indescritível. Nem em seus melhores sonhos a amish poderia imaginar o que sentiria naquele momento. Era a melhor sensação que já tinha experimentado na vida, e ela tinha certeza que nem se vivesse por mais mil anos algo superaria a emoção daquele momento.

Renesmee alisou tão delicadamente as costas da filha que a pequena estremeceu em reflexo. A loira congelou na mesma hora.

— Eu a machuquei? — perguntou em desespero para a enfermeira que a auxiliava.

— Não, Senhora. Ela apenas sentiu cócegas com o toque. — A jovem enfermeira sorriu na intenção de tranquilizar a jovem mamãe de primeira viagem.

— Ela é tão pequenininha, leve e quentinha. Tem um cheirinho tão maravilhoso. — Renesmee comentou para ninguém em especial.

— Ela é perfeita, Nessie. — Jacob falou com orgulho.

Ele estava emocionado ao ver a esposa segurando a filha pela primeira vez em quase dois meses e meio.

— Relaxe, Renesmee, pode respirar. — A médica neonatal brincou na intenção de descontrair a postura rígida da loira. — Vamos tentar agora a amamentação? Valentina já esta inquieta. Ela fica um tanto quanto brava quando esta com fome. — Courtney sorriu após a confidência.

Em nenhum momento a psicóloga parou de conversar com a loira, sempre a tranquilizando.

Em uma clara demonstração em como Deus é perfeito e sublime em tudo que faz a pequenina bebê prematura envolveu com perfeição a aréola do seio materno e sugou em busca do seu alimento, assim que foi posicionada pelas enfermeiras. Os movimentos eram delicados e sutis, a bebezinha ainda não tinha muita força nas musculaturas responsáveis pela sucção, mas o leite descia deleitosamente por sua garganta.

Renesmee sentiu uma emoção dentro de si crescer em um nível inimaginável, seu coração batia com força. Era um amor indescritível e desconhecido até naquele momento. Lágrimas de emoção e felicidade desciam sem serem sentidas pelo belo rosto, o sorriso amplo estava pregado na face serena.

Naquele momento a amish soube que em toda a sua vida, ela viveu somente para ter aquele momento.

— Nessie, amor... — Jacob chamou com a voz embargada pela emoção. Renesmee só se deu conta novamente da presença de outras pessoas na sala naquele momento. Antes tudo parecia ter sumindo, só havia ela e a filha. — Ela é perfeita, não é? Vocês são perfeitas! — O orgulhoso pai acarinhava o minúsculo pezinho.

— Perfeita! — Renesmee segurava com tanto melindre a sua preciosa filha nos braços. Valentina mamava com determinação.

O casal ficou preso numa espécie de bolha particular por alguns minutos, curtindo o tão almejado momento em família. A equipe observava de perto o que acontecia, prontos para dar algum suporte caso fosse necessário.

— Olha, Nessie! — Jacob chamou a atenção da loira que beijava a mãozinha e os bracinhos da filha que ainda mamava. —Já está crescendo os cabelinhos dela. — Era a primeira vez que ele acarinhava a cabecinha da filha sem a touquinha. Ela havia caído. — Olha, Nessie, ela terá os cabelos loirinhos como o seu. Ela será uma miniatura sua, meu amor. Eu não poderia esta mais feliz. Eu já sonhava algum tempo com uma menininha de cabelos loirinhos correndo, mas não conseguia ver seu rostinho. Não imaginei que seria a nossa Valentina. — Revelou emocionado.

— Eu queria que ela tivesse a cor dos seus cabelos, são tão lindos. — Confessou à loira.

— Doutora Courtney, esse será mesmo o cabelinho dela ou ainda vai mudar? — Jacob perguntou ansioso para a médica. — Será que terá os olhos da Nessie também?

— Provavelmente não mudará por agora. Talvez quando for maior escureça um pouco. — A médica sorriu amplamente para o homem a sua frente. — Mas posso dizer que você sabia bem o que queria ao fazer a sua filha, por que eu já seu a cor dos olhos dela e posso garantir que ela tem os traços mais marcantes da mãe. Os cabelinhos da Valentina serão loirinhos e os olhos são azuis! Porém esse queixinho não nega de quem puxou. — Apontou para o furinho que estava aparente mesmo a face da bebê estando grudada aos seios da mãe. Era igual ao furo que Jacob tinha no queixo. — Ela é linda e perfeita, além de ser uma guerreira bem valente.

— Eu não mereço tanto! — Jacob transbordava de alegria. Sua filha era como uma pequeníssima copia de sua amada, exatamente da forma que ele sempre desejou intimamente desde que soube que seria pai de uma menininha.

Jacob ali teve a certeza que sua filha o teria nas mãos. Pois olhar para o fruto do seu amor com a mulher que ama, tendo seus mesmos traços, era como o seu céu e inferno particular. Valentina já o mantinha totalmente preso entre os seus minúsculos dedinhos.

— Eu amo tanto você minha loirinha. — O moreno tocou suavemente com os lábios a cabecinha aparentemente carequinha, mas que ao toque já se podia sentir a suave penugem loirinha. — Eu te amo minha loira. — Jacob agora selava de forma casta os lábios ao da loira que ainda amamentava fascinada sua frágil criança.

— Também amo tanto vocês. Obrigada por me dar o melhor presente do mundo. — Renesmee tocou com o polegar a bochechinha que ainda sugava com determinação o seu seio. A sensação de amamentar era um pouco incomoda, mas imensuravelmente gratificante.

Bem diante de seus olhos eles presenciavam o verdadeiro milagre Deus e toda a sua perfeição. Valentina era o milagre pessoal deles!

Mesmo de forma lenta tudo parecia se encaixar novamente. A vida do casal poderia ser comparada a um complexo e belo quebra-cabeça: difícil de resolver, mas que quando completo era lindo de se admirar.

Aos poucos a tempestade passava e ao longe o sol começava a apontar no horizonte. Não se pode desfrutar de um arco-íris sem passar antes por uma tempestade.

Jacob e Renesmee esperavam ansiosos para o momento em que poderiam enfim alcançar o seu arco-íris particular.

Valentina seguia sem previsão de alta, mas a melhora era notória a cada dia. Aos poucos a pequena guerreira Black vencia as dificuldades impostas já desde o nascimento traumático e prematuro. A Pequena valente crescia e vencia os desafios da vida cercada de amor dos pais e da família. A pequenina garotinha vinha ao mundo para mudar e ensinar toda uma família!

TLAD

A bela médica observava o moreno andar impaciente de um lado para o outro em seu consultório sem dizer uma única palavra. Ela o conhecia bem demais para saber que algo muito sério estava afligindo-o, caso contrário ele não transpareceria tamanho desespero.

— Quil, pelo amor de Deus, sente-se. Você já está me deixando tonta, parece uma barata bêbada de inseticida. — Leah pressionou os dedos nas têmporas e massageou, sua cabeça começava a doer. — Você disse que precisava conversar comigo, porém já faz mais de vinte minutos que você só anda nesse silêncio perturbador de um lado para outro da minha sala. Assim vai acabar abrindo um buraco no chão, e definitivamente eu gosto muito desse piso que colocaram. — A morena sorriu na intenção de descontrair, porém a tentativa foi falha, o moreno ainda permanecia sério. — Agora você realmente está me assustando, Quil. Fala logo, o que está acontecendo contigo? Qual é o problema? Você está doente? Pode se abrir comigo, primo. — A médica já estava nervosa, sabia que algo muito grave ocorria com o primo.

Quil caminhou — ainda em silêncio —, até a cadeira e deixou o peso do próprio corpo desabar sobre ela. Ele mantinha a cabeça baixa, os cotovelos estavam apoiando sobre os joelhos e a cabeça enterrada nas mãos. De forma nervosa e compulsiva ele passava as mãos pelos cabelos raspados.

— Eu estou com problemas. — Quil murmurou ainda sem olhar para prima.

— Pelo amor de Deus, Quil, isso eu já deduzi. Eu quero saber o que esta te afligindo e em que posso te ajudar, meu primo. — Leah havia levantado e caminhado até o moreno, tocando o seu ombro e apertando na intenção de lhe passar conforto e confiança.

— Eu acho que a Claire tem problemas! — Ergueu os olhos e fitou a prima com intensidade. Ele estava devastado, Leah percebeu.

— Como assim, que tipo de problemas? — A morena puxou a cadeira e sentou do lado do primo. Ela estava preocupada com a notícia que acabara de receber.

— Eu jamais imaginei que um dia estaria preocupado com isso, na verdade, jamais imaginei que um dia iria desejar verdadeiramente isso. — Quil mais uma vez alisou os cabelos extremamente curtos, que lhe conferia uma aparência até um pouco sinistra. — Mas desde que os gêmeos nasceram eu percebi que adoro crianças, pelo menos as da nossa família. E quando a Nessie engravidou e eu vi o desespero que o Jake ficou, só consegui imaginar que ele estava sendo um baita do idiota, que eu iria adorar se fosse com a Claire. — O moreno se calou por uns segundos. Leah nada disse, apenas apertou o joelho direito do primo na intenção de demostrar que estava ao seu lado ouvindo e apoiando. Quil era o tipo de homem que dificilmente se abria sobre os próprios problemas, dificilmente pedia ajuda a alguém. Era difícil para ele está naquela situação. — O problema é que a Claire simplesmente não engravida.

— Quil, a Claire é jovem e saudável, engravidar é só uma questão de tempo. Para umas é rápido, para outras demora um pouco mais. — Leah disse tranquilamente. — Logo ela engravida.

— Lee, não é normal. — Quil balançou negativamente a cabeça de forma insistente. — Nós transamos toda hora, todo dia... Várias vezes por dia. Eu acabo me cobrando isso e acabo cobrando ela também. Eu estou machucando a mulher que eu amo de diversas formas.

— Você está forçando Claire a transar com você? Você está transando com ela à força? — Leah perguntou em um misto de desespero e revolta.

— Claro que não! Jamais forçaria Claire a isso. Já fiz no passado e me arrependo amargamente por isso. — Quil respondeu incomodado, mas ao mesmo tempo se sentindo ofendido com a pergunta da prima. — Só que ela sabe do meu desejo de ser pai e ela mesma deseja muito ser mãe, então quando estamos juntos não fazemos outra coisa, senão trepar. Ela é toda pequena e eu sou muito grande para ela. — Olhou sugestivo para a prima. Leah não precisava de maiores informações para entender sobre o que ele se referia. Conhecia a fama do primo por causa de algumas amigas que ficaram com ele. — Você sabe bem que transar repetidamente acaba ficando sensível, mas ela não me nega mesmo assim. O prazer juntou-se com a obrigação em concebermos um filho.

— Quil, transar toda hora não é a solução. Ansiedade também não ajuda em nada. — Leah adotou a postura de médica. — Vocês precisam relaxar e se curtirem sem ter como o único objetivo ter um filho. Quando menos esperar ela estará grávida. — Afirmou à morena. — O que aconteceu com a Nessie não é comum. Nem eu sei explicar como Renesmee, com a saúde tão frágil, conseguiu engravidar tão rápido. Jake esqueceu uma única semana de trocar o adesivo e pah... Valentina no forninho! — Leah e Quil sorriram juntos com a piada. — Mas em compensação, a Rachel demorou, se não me engano, mais de seis meses para engravidar. Quando menos esperava veio logo gêmeos! Ela fala que o meu irmão é bom no que faz! — Agora somente Leah sorria, Quil havia fechado a cara. Ele morria de ciúmes da irmã mais velha até hoje.

— Me poupe dos comentários sobre o desempenho sexual do louco do seu irmão. Se eu não o considerasse como primo, teria matado quando descobri que ele estava dormindo com a minha irmã.

— Deixa de graça, Quil, a Rachel nunca foi uma virgem inocente. Ninguém da nossa família algum dia teve algo de inocente. Eu nunca fui santa e Rachel muito menos. Você sabe muito bem que só sossegamos quando achamos quem queríamos como parceiros ao nosso lado. A história do Paul e da Rachel é antiga, eles lutaram muito para reprimir o sentimento com medo da reação da família. — Leah se calou ao perceber que falava demais.

Ela era a única da família que sabia que Rachel havia perdido a virgindade com Paul ainda na adolescência e não com o primeiro namorado do colegial. Leah e Rachel tiveram diversos parceiros antes de decidirem casar, mas a verdade oculta era que Paul havia sido o primeiro e último com quem a morena havia dormido. Esse era o grande segredo que as primas guardaram de forma cumplice.

— O que você quer dizer com isso? — Quil indagou desconfiado.

— Nada em especial. — Desconversou a médica. — Só estou dizendo que tudo tem o momento certo para acontecer. Em breve você entrará para o time dos trocadores de fraldas. Se até o despirocado das ideias do Embry foi capaz... A família Black está ganhando a competição de procriar rapidamente. — Leah tentava descontrair o clima, mas estava difícil fazer Quil relaxar.

— Lee, já faz mais de seis meses que não nos prevenimos e transamos todos os dias. Tem algo fora do normal. — insistiu Quil ao confidenciar, após breve momento de silêncio. — Pouco antes de nos casarmos já não estávamos nos prevenimos.

Leah permaneceu por alguns minutos em silêncio pensando. Realmente não era normal em alguém tão jovem demorar tanto para engravidar. Claire tinha completado há pouco tempo dezenove anos, ela era muito jovem.

— Quil, realmente o que acabou de me confidenciar fez pensar que talvez — ressaltou a palavra —, possa haver algum probleminha. Já fiz alguns exames de sangue básicos na Claire e tudo sempre esteve bem, ela é bem saudável. Mas vou pedir para você levar ela lá no meu consultório particular para que possamos fazer exames mais específicos, quero estudar a fundo o que está acontecendo. Também vou querer um espermograma seu, vamos investigar por todos os lados.

— Você sabe que eu não tenho problemas. — Rebateu ofendido pela insinuação da prima.

— Deixa de ser machista. Você não sabe se pode ser algo contigo, nunca engravidou alguém antes para ter essa certeza.

— Não se trata de ser machista. — O moreno replicou. — Porém sabemos que eu era para ter sido pai. Ou esqueceu-se da Jully? — Passou a mão de forma nervosa pelo rosto. — Foi ela que quis abortar a criança. Na época nós éramos muito jovens, eu deixei toda a decisão nas mãos dela. Se tivesse a cabeça que tenho hoje não teria permitido. — Segredou a prima.

Quil referia-se a primeira namorada do colegial com quem perdeu a virgindade. Na época, jovens e inconsequentes, ela acabou engravidando e no fim a menina decidiu abortar. Ela depois do ocorrido acabou se mudando de New York e eles perderam o contato.

— Nossa, tinha me esquecido completamente desse fato! — Leah passou as mãos pelos cabelos e suspirou. — Foi um crime o que ela fez. Jully sabia que tínhamos condições financeiras para arcar com todos os custos e criar a crianças. Se ela não tivesse abortado quantos anos teria o seu filho? Uns dez? — Perguntou em dúvida a morena.

— Éramos muito jovens. Ela ficou apavorada e eu também. Os pais dela iriam matá-la e os meus provavelmente me capar. — Quil sorriu, mas esse não chegou aos olhos. — Se ela não tivesse feito o aborto à criança teria uns quinze ou dezesseis anos, não lembro exatamente. Estou com trinta e acho que tínhamos uns quatorze ou quinze anos na época.

— Nossa Quil, você teria um filho quase da idade da sua mulher hoje. — Leah gargalhou da careta que o primo fez. — Provavelmente seria amiga dela se tivesse sido uma menina ou até uma ex-namorada se tivesse sido um menino.

— Não gosto de tocar nesse assunto. Claire nem sonha com isso e não vejo motivos para contar. Até porque, como você bem lembrou, ela ainda deveria de usar fraldinhas de pano e touquinha amish quando tudo aconteceu. — Disse irônico para prima.

— Tudo bem. Concordo em deixar esse assunto enterrado, acho ninguém se lembra deste fato mesmo. Sem contar que não podemos trazer a criança de volta. Você teria sido um péssimo pai de qualquer forma. — Leah sorriu por fim. Quil a acompanhou com uma careta na face.

— Entende agora a minha preocupação? — Quil falou após uns minutos refletindo. — Claire é jovem, deveria de está esbanjando hormônio e fertilidade.

— Calma, não sabemos se há algum problema ainda. Eu acredito que não, mas de qualquer forma vamos investigar. Leve a Claire ainda essa semana ao meu consultório e já iniciaremos alguns exames. Ligue para minha secretária, vou te enviar o telefone pelo WhatsApp. — Leah pegou o Iphone e repassou o contato para o primo. — Fica calmo que vai dar tudo certo. Enquanto isso vá babar a sua afilhada, ela hoje vai começar a mamar diretamente na Nessie. O sistema digestivo dela já esta todo maduro. A nossa princesinha está crescendo e ficando forte, acho que se continuar assim em um mês e meio ela sai do hospital. Mas não comenta nada com ninguém para não gerar expectativa.

— Que notícia maravilhosa. — Era a primeira vez do dia que o moreno sorriu de verdade, seus olhos brilhavam. — Não acredito que perdi a minha princesa mamando pela primeira vez. — Quil lamentou. — Se soubesse teria pedido para conversar com você mais tarde com você.

— Na verdade eu fui falar com você e incentivei nossa conversa exatamente por isso. A Nessie estava sem sutiã e teria que ficar exposta. Ela ficou com vergonha de você e Jake com ciúmes. Você sabe como os homens da nossa família são possessivos, né?

— Sim, somos realmente muito ciumentos e possessivos. Sempre achei que fosse o Jake o mais ciumento de todos, mas o Embry está se mostrando um verdadeiro psicopata. E a mulher dele tem sangue latino, não abaixa a cabeça. — Quil sorriu debochado. — Ele ainda não teve coragem de dizer que tem cinco seguranças na cola dela. Fora todos aqueles rastreadores que ele colocou no celular e notebook dela.

— Vocês são doentes. Você e Jake sempre foram uns obcecados malucos, os meus irmãos psicopatas, mas Embry beira a possessão obsessiva. Ele é doido de pedra, mas Jenny não abaixa a cabeça para ele. Os dois se amam, mas não confessam um para outro. Eles vivem como cão e gata. Tenho pena é do nosso sobrinho. — a morena sorria ao balançar a cabeça em sinal de lamento. — Está ai outro que fez filho em um final de semana! — Leah gargalhou levando consigo o primo. — Quil, fica tranquilo que tudo tem um jeito, nós vamos resolver o que tiver que ser resolvido. Tudo dará certo. — abraçou o primo em sinal de conforto e passando confiança com o ato de afeto familiar.

Quil não sabia explicar como, mas o desespero e angustia haviam amenizado. Ele ainda carregava a aflição no peito, porém agora tudo parecia mais claro. Seja lá o que tivesse acontecendo, tudo teria um jeito. Pensou confiante o moreno.

TLAD

As duas amigas caminhavam pelas luxuosas ruas frias da grande Manhattan, as mãos estavam repletas de sacolas de grifes. Os pés latejavam, mas o entusiasmo de uma delas parecia não cessar.

— Jenny, eu realmente te amo amiga, mas eu não aguento mais andar. Essas sacolas estão me matando, não sei como você não está cansada. — A morena gemeu e reclamou, com as mãos lotadas de sacolas.

As brasileiras passaram boa parte da manhã e início da tarde fazendo compras. O cartão que Embry deu na mão da namorada a enlouqueceu ainda mais pelas compras. Já a morena tinha o próprio cartão que o namorado havia dado, mas ela não estava tão entusiasmada como a amiga grávida.

Boa parte do que haviam comprado eram de lojas de bebê e gestante, a loira queria ter certeza de manter o bom visual na gravidez.

— Pare de reclamar. A grávida sou eu, e estou cheia de energia. Ainda nem fomos ver o seu vestido. Será presente. — Sorriu animada para a amiga mostrando o pequeno cartão.

— Embry vai te matar! — Barbara balançou a cabeça pela empolgação da amiga.

— Sem limites, Baby. Minha palavra predileta do dia. Vem, vamos tomar um café e prometo que depois será somente o seu vestido. Assim voltaremos pra casa e você poderá descansar. Abusei demais de você hoje.

— Ah, você acha? — Gargalhou Barbara concordando.

As brasileiras seguiram para uma luxuosa e renomada cafeteria que se encontrava logo na esquina. Barbara não queria de modo algum deixar a amiga carregar peso, por isso estava tão exausta. Pedia internamente que após o café ela deixasse de lado a história do vestido e fossem embora.

O lugar era muito sofisticado. Digno de ser pago com o cartão Platinum que a loira apresentou durante todo o dia com orgulho e satisfação.

As duas acomodaram-se em uma mesa ao fundo e fizeram seus pedidos. Barbara agradecia internamente pelo o momento de pausa.

— Vocês já escolheram os nomes? — Indagou a morena.

Jenniffer sorriu. Era plenamente satisfatório para ela quando o assunto era o seu já amado e adorado filho.

— Eu tenho um nome em mente, mas ainda não conversei com o Embry sobre isso. Sabe, ainda é estranho o fato de estar grávida, porém estou muito feliz em descobrir como será chegar até o fim.

— Fico muito feliz por você. Eu também estou muito feliz ao lado do Seth, ele me faz bem. Sabe, é muito bom degustar dessa sensação de felicidade. Pensei que jamais iríamos senti-la novamente. – A voz da morena soou esperançosa. Ela abaixou os olhos e lembrou-se de uma época infeliz do passado delas. Quase toda uma vida em lágrimas e agora... Elas podiam sorrir novamente, dessa vez um sorriso verdadeiro.

— Ei. – Chamou Jenny.

Barbara levantou a cabeça com um enorme sorriso nos lábios, mas assim que seus olhos focaram-se atrás de Jenny, o seu sangue gelou, o corpo imediatamente ficou rígido sobre a cadeira. Ela iria matar aquele ogro do pântano sem coração.

A morena não conseguiu disfarçar o olhar de indignação e raiva.

— Babi, o que houve?

— Éeer... Vamos embora? Não estou me sentindo bem. — Mentiu tentando disfarçar o que seus olhos estavam vendo. Embry e uma bela ruiva conversando animadamente próximo ao balcão do café.

— Que papo furado é esse? Te conheço o suficientemente bem e odeio quando mente pra mim. Desembu... — Jenniffer perdeu a fala quando se virou para trás, para onde os olhos da amiga encaravam com tanta fúria. — Que porra é aquela? — Alterou a voz batendo a palma da mão sobre a mesa. O tom de voz alto o suficiente para duas senhoras olharem com espanto para a jovem grávida.

Barbara segurou a mão da amiga. A garçonete no mesmo instante trouxe os pedidos das jovens.

— A senhorita está bem? Deseja mais alguma coisa?

— Oh, sim. Desejo que uma bomba caia nesse maldito lugar!

A garçonete arregalou os olhos.

— Ela está brincando. Hormônios de grávida. Isso é tudo, obrigada.

Jenniffer estava levantando da mesa, ela iria acabar com aquela cena, mas Barbara a conteve.

— Tá louca? Fica calma, Jenny, pense no bebê. Talvez não seja nada demais. Eles só estão conversando, devem ser amigos de longa data.

Jenniffer a contra gosto sentou-se novamente bufando de ódio. Ela estava certa que teria umas bolas na frigideira para o jantar naquela noite.

— Vamos ficar observando, mas eu juro que não irei aguentar muito e... — Perdeu a fala. As palavras ficaram entaladas quando Jenniffer avistou Seth. — Embry até pode estar somente conversando, o que eu não acredito nenhum pouco, mas Seth já passou desse estágio e me parece bem animado. — ironizou e apontou para o lado oposto.

Assim que os olhos de Barbara caíram sobre a mão alva que acariciava levemente o ombro, bíceps e peito do namorado, perdeu todo o alto controle que lhe restava.

— Que porra deu nesses filhos de uma puta? — Disse entre os dentes pegando o seu cappuccino sobre a mesa.

— Ah, agora vai valer o show. — Sibilou Jenny, levantando-se também.

Barbara caminhou com passos firmes até o namorado. Ele não notou sua presença, estava totalmente ocupado desfrutando dos toques da loira a sua frente.

A morena não pensou duas vezes ao abrir o copo da sua bebida fervendo e jogar sobre a mão que repousava no peito do namorado.

— Espero que assim o clima fique ainda mais quente. — Berrou ao jogar a bebida.

Jenny levou as mãos à boca. Seth e sua acompanhante saltaram pelo choque e pelo ardor da queimação. Foi quando ele a viu. Sequer a queimação lhe incomodava, no entanto. O que estava lhe incomodando eram os olhos raivosos e decepcionados da namorada.

— Que isso sua vadia, ficou louca? — A loira gritou. — Seth! — Chamou com a voz esganiçada. Ela sacudia a mão e assoprava a região afetada, estava muito vermelha.

— Vadia? Eu que sou a vadia? É assim que você me descreve Seth, como sua vadia?

— Não, claro que não! Babi não é nada disso...

— Não é mesmo! Nada disso que estou pensando e sim do que eu vi.

— Oh Garçonete, traz mais dois cappuccinos fervendo, que hoje iremos queimar alguns cretinos e escaldar algumas galinhas! — Jenniffer gritou alto o suficiente para chamar a atenção de Embry, que rapidamente se livrou da sua acompanhante e correu para onde todo o alvoroço estava formado.

— Que merda é essa aqui? — Inquiriu aturdido.

— Seu ogro filho da puta, cretino! Eu te odeio. Você é como ele... Todos vocês são! — Jenny berrava e batia no peito do namorado, os olhos cheios de lágrimas. Ela amaldiçoando seus hormônios. Não era pra demonstrar o tanto que Embry a afetava.

Embry segurou os pulsos da namorada e olhou-a nos olhos.

— Para, cacete. Baby, você tomou café? Porra, você não pode tomar essa merda que te deixa...

— Tire as suas mãos imundas de ogro de cima dela. Como tem a audácia de repreendê-la? Ela não estava em uma conversa animada com nenhum café. SOLTA. ELA. EMBRY! — Barbara gritou com toda a força de seus pulmões, dizendo cada palavra pausadamente.

— Me larga seu covarde. Traidor... — Choramingou a loira.

— Babi, por favor. Gata, vamos conversar. — Implorou Seth.

— Sai daqui! — Barbara apontou para a loira que ainda estava ao lado do namorado assoprando a mão. — Sai. Logo. Daqui. Porra! Ou eu juro que eu vou acabar com essa sua cara de vadia barata!

— Seth, nos vemos depois. — Teve a coragem de dizer e mandar um beijo. Nitidamente desafiando a morena.

— Ah, sua piranha! — Vociferou Barbara, no mesmo instante rodou em seus calcanhares, a tempo suficiente para enroscar a mãos nos cabelos platinados e os puxar com força.

A loira deu um grito agudo, mas foi silenciada pelo tapa estridente que Barbara deu em seu rosto.

— Lá no meu país, é assim que se resolve com as vadias. Sua piranha, manda beijo pro macho de quem tem dona leva na cara. Vadia, safada. — E outra bofetada. E mais uma e outra.

— Para, Babi. Você vai matar a garota. — Seth segurou a namorada pela cintura.

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— Me solta! — Gritou. — Sua cadela é assim que sua cara fica quando mexe com brasileiras. Cadê a sua puta, Embry? Que eu irei dar a ela o mesmo tempero do Brasil. Me solta Seth!

Barbara se debatia, estava fora de si. Os seguranças do local vieram para conter a situação levando a loira com o lábio sangrando para fora.

— Irei chamar a polícia se não saírem. — Um dos seguranças alertou.

— Não se preocupe, já estamos saindo. — Jenny disse dando um tranco em seu braço e se livrando do aperto de Embry. — Eu te dei a porra de uma chance, mesmo você tendo desconfiado da minha integridade eu te dei uma chance, Embry. Mas olha você, quanta moral... Pena não saber aproveitar as oportunidades, e pode ter certeza, não haverá segunda chance.

— Baby, Jenny eu...

— Não! — A loira ergueu a mão. — Eu não quero ouvir. Eu só... Aí! — Gemeu levando a mão ao ventre.

Embry e Barbara se aproximaram dela rapidamente.

— Jenny?

Os olhos que antes estavam marejados, agora estavam transbordando. Entretanto era um choro de felicidade. Ela havia sentido pela primeira vez seu filho chutar. Difícil descrever, um sentimento agridoce, levando em consideração a ocasião do momento.

— Ele... Ele me chutou. — Sussurrou para a amiga e levando a mão dela até o ventre. Barbara sentiu uma mínima ondulação sob sua palma e se emocionou por igual.

Embry se aproximou fascinado com a mão estendida, queria sentir o filho.

— Não! — Freou Jenny. — Não me toque, Embry. Isso aqui não te pertence mais. Vamos embora, amiga.

— Babi, eu levo vocês pra casa. Morena, me deixa falar com você. Deixe-me explicar esse mal entendido.

Seth estava até mesmo com a voz embargada. Embry mantinha a cabeça baixa.

— Você queria uma conversa, Seth? Pois bem. Essa aqui é minha última palavra. Acabou. Tô fora! Chega! Estamos saindo da vida de vocês assim como entramos.

— Ah, mas não está mesmo. — Embry gemeu desgostoso, referindo-se a sua namorada, mas não iria fazer nada por hora. Ele iria atrás dela quando estivesse mais calma e a levaria para casa.

— Você não tá falando sério, Babi. — Seth passava as mãos nervosamente pelos curtos cabelos.

— Fique com ela. Afinal, ela poderá te dar uma penca de filhos. Talvez o que Embry disse hoje cedo despertou em você o bom senso de que eu não posso ter isso aqui. — Acariciou o ventre da amiga.

— Ah, pelo amor de Deus! Que porra de besteira é essa? Eu te amo, caralho!

— Aham, eu vi o seu amor. E advinha? Não preciso dele. Adeus, Seth.

— Jenny...

— Embry, não! Já deu.

Os seguranças escoltaram as brasileiras para fora do estabelecimento e ainda chamou um Táxi. Embry e Seth pagaram uma boa multa e foram liberados. Eles não estavam nem ai pra valor de multa. Haviam pisado na bola e estavam em uma baita encrenca.

Embry, magoado demais por não poder sentir seu filho mexer.

Seth, procurando motivos de o porquê ele estava tão próximo de Lana. Será que se elas não tivessem descoberto ele iria chegar a transar com a loira? Não. Definitivamente ele amava Barbara, mas estava destruído por dentro. Ela estava muito mais do que ferida.

— Cara, por que doí? Isso incomoda, porra! — Seth falou dentro do carro. Eles estavam seguindo para o apartamento das brasileiras.

— Porque somos dois fodidos que ferraram tudo. Dói porque a porcaria do amor é assim. — Retrucou Embry. — Quem é a porra do marica agora?

— Cala essa boca e dirigi. Caralho! — Seth enrugou o rosto e olhou para fora. Ele era um marica sim. Um marica que faria de tudo para ter a sua mulher de volta.

Notas finais
E ai amore... Alguém vivo ou respirando??? Foram muitas emoções e revelações, né??? Jake e Nessie começando a se entenderem pelo bem da Valentina. E pelo deles também Em falar em Valentina, alguém surpreso com a loirinha? Já sabemos que a cor dos olhos e dos cabelos são iguais aos da mãe, mas além do queixo o que mais ela vai puxar do pai? Alguém arrisca um palpite???? E Quil todo preocupado e fazendo altas revelações. Quem poderia imaginar que a nova geração The Wolf era para ter começado muito antes dos gêmeos de Rachel e Paul! Mas infelizmente não foi assim! : / E como sempre Seth e Embry fazendo uma enorme burrada! Comentem muuuuuito. Queremos recomendações e pelo menos cinquenta comentários para postarmos o capítulo (que já esta pronto) na semana santa! Bora recomendar e comentar para ganhar capítulo de páscoa. Senão só em abril! XoXo Jenny e Báah!!!!