Two Lives: A Destination
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Notas iniciais

TWO LIVES: A DESTINATION
O silêncio era aterrorizante, a sensação era como se todo o universo houvesse se tornado estático em apenas uma fração de segundo, até o ar pareceu ficar escasso naquele momento de tortura agonizante. Um suspense atingia a atmosfera que envolvia ao casal.
Jacob só percebeu que prendia a respiração, quando o ar em seus pulmões tornou-se completamente ralo. Com força, ele puxou uma lufada de ar. O oxigênio que entrou em seus pulmões permitiu que seu coração dobrasse o trabalho, o bombear passou a ser vigoroso.
— Nessie, por favor, fale alguma coisa. Fale, amor! — suplicou o moreno já em total desespero. Jacob jamais tinha visto aquele olhar na esposa, não sabia decifrá-lo. Isso estava levando ao completo pânico.
Mais silêncio... Nada era dito!
Renesmee parecia distante. Tinha um olhar vago... Sem vida!
— Nessie! — Jacob tentou mais uma vez chamar a sua atenção, sentado ao seu lado e segurando em sua mão com sutileza e cautela. O Toque quente pareceu tê-la despertado do aparente transe.
Renesmee virou o rosto e olhou lentamente para a grande mão morena que envolvia a sua tão pequena e alva. O toque que ela sempre amou, naquele momento, não lhe causava absolutamente nenhuma sensação. Nada!
— O que você quer que eu diga? — a loira falou sem emoção, recolhendo a mão que o esposo segurava. Ela parecia um corpo se alma, algo sem vida. — Fale Jacob, o que você quer que eu diga? — repetiu lentamente cada palavra. A voz estava calma, mas ainda sem emoção explícita, o que assustou o moreno. Não só pela frieza congelante de como as palavras foram ditas, mas também porque Renesmee nunca usava seu nome de batismo para chamá-lo. Para ela sempre foi simplesmente Jake!
— Me perdoa, Nessie. Pelo amor de Deus, me perdoa! — Jacob engoliu todo o orgulho que carregou por anos. Ele não estava ligando para o quanto teria que implorar, a única coisa que importava era o perdão da mulher amada. Ele já tinha os olhos vermelhos, mesmo ainda não tendo derramando uma única lágrima. — Eu fui um babaca idiota. Um verdadeiro monstro imbecil. Eu te amo mais do que tudo nessa vida, não posso vive sem ter o seu perdão. — ajoelhou na frente de sua amada. Não havia vergonha, somente o desejo de ter verdadeiramente o perdão por todas as falhas graves que fez até ali. — Por favor, me perdoe!
— Não! — Renesmee foi seca ao falar. Jacob arregalou os olhos pela reação inédita da esposa. Ela sempre foi tão passiva. — Ao menos uma vez, Jacob. — ela ergueu, trêmula, o dedo indicador para alto, bem diante da face do marido. — Apenas uma única vez na vida não seja egoísta, não pense só em você. Tenha o devido respeito pela a minha dor. — ela levou as duas mãos ao peito, bem encima do coração. Os olhos estavam fechados e a cabeça balançava negativamente. — Não venha me pedir por algo que você sabe que sou capaz de fazer de forma tão fácil e gratuita. — engoliu o choro que ameaçava desabar. Renesmee não sabia o que era, mas junto com a vontade de chorar também vinha uma sensação ruim, algo que ela desconhecia. Talvez fosse raiva. Ela não gostou de saber que carregava consigo aquele terrível sentimento. Porém estava certa que não se permitira derramar uma única lágrima diante dele. — Porque ao contrário de você, Jacob, EU sei o que é amar. EU sei o significado, em toda a sua magnitude, desse sentimento lindo e supremo. — sorriu de forma vazia. Não tinha mais aquele brilho encantador no olhar.
— Nessie... — Jacob tentou buscar novamente a mão da esposa, mas ela recolheu antes dele alcançá-la.
— Não me interrompa. Deixe-me falar. — estendeu a mão aberta na direção do moreno, ela nem ao menos lhe dirigiu o olhar. — Eu amo e respeito todo e qualquer ser humano. Fui ensinada desde criança a amar sem restrições. Eu amei você. Eu amei a sua família... Eu deixei a minha família, a minha comunidade, o meu povo, a minha religião, a minha crença... Eu deixei absolutamente tudo para trás por você! — a voz estava embargada, mas ela se manteve firme. Após puxar o ar com força, Renesmee continuou. — Você não sabe o que é o amor. Você não sabe o que é isso. Hoje eu nem sei o que o amor significa para você. — ergueu o corpo e ficou de costa para ele. Renesmee não conseguia mais encará-lo. — Eu tenho pena por você não saber o que é o amor. Por não saber identificar o que sempre lhe dei sem restrições. EU ME ENTREGUEI DE TODAS AS FORMAS POSSÍVEIS A VOCÊ! — elevou o tom. A Amish não gritava, mas impôs a voz de forma firme e mais audível. — Eu te dei algo puro e verdadeiro, mas você não soube dar valor. Você precisou de provações para reconhecer o que sentia, ou o que diz sentir. — passou as mãos pelos fios platinados, colocando-os atrás da orelha. Ela ainda se mantinha de costa para ele.
— Nessie, eu sempre te falei que eu era um homem ruim, que não sabia amar. Com relação a isso, eu nunca te enganei. — ergueu o corpo e se pôs de pé, atrás da esposa. Ele não a tocava, mas se mantinha bem próximo a ela. Era como um imã, uma necessidade de tê-la junto a si. — Sempre falei que não merecia o seu amor, que você era pura demais para mim. — fechou os olhos e puxou o ar com força. — Você me ensinou o que é o amor. Me ensinou o que eu nem sabia que era capaz. Eu amo você e nossa filha mais que a mim mesmo. Jamais pensaria duas vezes se tivesse que dar a minha vida para salvar a de vocês duas. Eu só sabia amar a minha família porque era natural, como respirar, mas hoje eu amo você e a Valentina até mais que eles. Eu cortaria cada membro do meu corpo se isso pudesse trazer qualquer mínimo bem estar para vocês. — Jacob sentiu os olhos queimarem e não mais se conteve, deixando uma lágrima solitária e silenciosa escapar, que desceu por sua face. — Vamos superar essa dificuldade juntos. Construímos uma família. Valentina precisa de nós dois juntos. Ela precisa de você. EU preciso de você!
Renesmee se manteve de costa por mais algum tempo, também chorava em silêncio. Ela amava-o com toda a sua alma, mas ainda não se sentia pronta para ficar bem ao lado dele. Agora, a dor e o amor que sentia por ele caminhavam juntos, lado a lado de mãos dada. Ela sabia que não conseguiria ser uma esposa incompleta, não saberia ser uma metade. Sabia que iria perdoá-lo, que o amava demais para isso, entretanto, também sabia que precisava de um tempo pra si. Era com um animal ferido que se recolhia em uma caverna para lamber as suas feridas e curá-las. Iria perdoá-lo, seu coração gritava isso, mas não agora. Não antes de se curar.
— Eu posso perdoá-lo. Eu vou perdoá-lo, sei que vou, mas não agora. Não estou pronta para seguir em frente sem dor ou a mágoa. — Renesmee discretamente levou a mão direita ao rosto para limpar as lágrimas que escorriam quentes. A voz era trêmula devido ao choro contido. Ela ainda não conseguia encará-lo. — Eu posso superar essa dor, essa dificuldade... Mas e você, Jacob. Será que você pode seguir carregando essa culpa? — questionou o marido. Jacob estava calado e reflexivo com as palavras dela. Ele sabia que não conseguiria viver sem culpa, não tão cedo. — No dia em que você tiver verdadeiramente essa resposta, com certeza eu lhe darei o seu perdão. Até lá, respeite a minha dor e o meu sofrimento por ter sido enganada pelo homem que amo com todas as minhas forças sem restrições.
A loira começou a caminhar, sem olhar para trás, em direção à saída do escritório. Jacob ainda estava estático, os músculos estavam travados. Ele estava em choque por todas as palavras ditas pela esposa. Renesmee mostrou-se muito mais sábia do que ele sempre acreditou que fosse.
— E eu nunca duvidei do seu amor por mim. Sei que não me amava quando nós nos casamos, eu sentia isso, porém meu amor por você me cegava e me fazia acreditar. Porque também, eu sempre soube que você levava algo grandioso dentro de você, mesmo por trás de toda aquela sombra que sempre carregou. — Renesmee havia parado diante da porta, as mãos tocavam a maçaneta, mas ela ainda sentia necessidade de dizer algo a mais antes de sair. — Sei que hoje você me ama, não duvido disso. O que você não sabe é se entregar ao amor. Espero que tudo isso lhe ensine, que faça com que você se torne alguém melhor. Sinto-me triste por saber que você só é capaz de se aprender mediante a dor. — abriu a porta e deixou o cômodo de vez.
Jacob piscou algumas vezes antes de conseguir se mover, as palavras de Renesmee ecoavam em sua cabeça e refletiam dor diretamente, sem piedade em seu coração. Ela estava deixando-o? — Ele se questionou. — Não poderia permitir que ela partisse. Iria reconquistá-la a cada dia, a cada gesto e carinho. Iria aprender amá-la de forma plena e a conviver sem culpa pelo o que havia feito. Jacob sabia que só teria o perdão dela, quando seus esforços fossem por amor e não por culpa.
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Quando Renesmee deixou o escritório do marido, sentia-se despedaçada, parecia que
carregava entre as suas mãos, os milhares de cacos de seu coração. Queria chorar, gritar,
isolar-se do mundo... Mas também tinha vontade de viver, superar a dor e as
dificuldades. Em sua mente, só a imagem da pequenina bebezinha — ligada a intermináveis fios — vinha em sua cabeça. Valentina era a prova do amor dela com o marido, era um pedaço dela somado a ele, era a eterna ligação deles.
— Nessie! — Claire correu para abraçar a amiga assim que a viu entrar desorientada na sala principal da mansão. — Vem, nós vamos cuidar de você.
— Nessie, como você está? Quer ficar na minha casa por um tempo? — Rachel também foi confortar a cunhada.
— Vocês sabiam de tudo? — Renesmee empurrou sutilmente à amiga e a cunhada de seus braços. Ela olhava entristecida em direção as duas.
— Não! Só descobrimos tudo no dia em que a Valentina nasceu. — confessou Rachel. — Eu me sinto envergonha pela atitude da minha família com você. Nós vamos contornar isso. Jacob vai regularizar o casamento, vocês vão superar tudo.
— Não tem o que perdoar. — Claire proferiu com raiva. Ela sempre foi explosiva, mesmo tendo recebido a mesma educação que a amiga. — Ele mentiu, enganou, iludiu... Jacob é um homem perverso.
— Eu quero ficar só! — ditou segura. A voz estava nitidamente triste, porém firme. Ela não queria conversar, explicar... Só queria se isolar e refletir na dor e nos fatos. — Não quero conversar agora, nada com ninguém. Não quero sair, não quero ter que explicar a minha situação com meu marido, do meu casamento falso ou não... Eu preciso entender tudo isso, pensar, refletir... Acima de tudo, a minha prioridade agora é a minha filha.
— Nessie, me perdoa por meus irmãos e primos. — Rachel mais uma vez implorou a cunhada, ela estava envergonhada por eles. — O que você precisar de mim, seja a hora que for, não hesite em me ligar. Estarei aqui no que precisar. Sabe que a tenho como uma irmã. — abraçou confortando a loira.
— Obrigada, Rachel.
— Você não está pensando em perdoá-lo assim tão facilmente, né? Ele tem que aprender a lição da vida. — Claire disse indignada. Ela não aceitava a ideia de Renesmee ser tão pacifica com os fatos.
— Agora não, Claire. Já falei que não quero discutir sobre o meu casamento agora. — Renesmee cortou a amiga.
— Mas... — tentou contestar, mas Rachel tocou o ombro de Claire e a olhou intensamente.
— Ela precisa de um tempo, sozinha. De verdade. Isso inclui até mesmo a gente. — a morena concluiu assim que viu que a cunhada iria contestar.
Rachel entendia perfeitamente o sentimento de reclusão de Renesmee. Ela, no começo do casamento, teve vários desentendimentos com o Paul, o que ocasionou uma breve e temporária separação. Na época, também sentiu a necessidade de se isolar de tudo e todos. Eram muitas informações para Renesmee assimilar em tão pouco tempo. Mas uma coisa a morena estava certa, o tempo curava qualquer dor.
— Eu sempre vou estar aqui para te proteger. — Claire tinha os olhos marejados e a voz embargada. — Eu te amo acima de tudo, não quero vê-la sofrer, isso dói em mim. — abraçou com força a irmã de alma, ela tentava passar todo seu conforto naquele abraço.
— Eu também te amo, muito. A sua dor também é a minha dor. Mas eu preciso crescer e ser forte, assim como você é. Sempre vou querê-la ao meu lado, não sei viver sem você, mas agora, eu preciso ficar sozinha. — Renesmee confessou abraçada a amiga.
— Você vai ficar bem? — perguntou Claire entre as lágrimas. — Vou ligar todos os dias, quando quiser me atender, vou saber que estará pronta. Se cuida. Vou embora com o coração partido. — confessou Claire.
Rachel entrelaçou um braço ao de Claire, puxando-a em direção à saída. A loira no começo relutou, mas mesmo na base do choro, ela partiu da mansão.
Jacob havia escutado uma parte da conversa da esposa com a irmã e a cunhada, mas não estava com ânimo para confrontá-las. Iria ser grosso e até estupido. Sendo assim, ele decidiu ficar ouvindo do corredor, deixando para se aproximar da esposa assim que ela estivesse sozinha.
— Nessie! — segurou o braço da loira assim que ela pôs o primeiro pé no degrau da escada que lhe causou o fatídico acidente. — Você não está pensando em sair de casa, certo? — questionou duvidoso.
— Não! — Renesmee limitou em dizer, mas Jacob ainda não parecia satisfeito com a resposta breve. Ele ainda segurava o braço da loira e a olhava nos olhos. — De onde eu venho, casamento é sagrado. — Puxou delicadamente o braço do aperto firme do marido. Ele não estava machucando-a, só a mantinha parada no lugar.
— Então você quer que eu saia do nosso quarto? Não tirarei você do seu conforto ou forçarei um convívio enquanto não se sente pronta.
— Você é livre pra fazer o que quiser. Afinal, você sempre fez mesmo! — Renesmee abaixou para pegar a cachorrinha que estava deitada no degrau de mármore e voltou a subir as escadas sem olhar para trás.
Jacob não a seguiu dessa vez. Cada gesto deixava bem claro o que Renesmee queria: Um tempo longe dele.
O moreno deixou o peso de o próprio corpo desabar no degrau frio. Seu mundo veio abaixo, estava difícil se manter erguido.
Sentado no degrau, com os cotovelos apoiados no joelho e a cabeça enterrada nas mãos, Jacob ficou ali por incontáveis minutos refletindo sobre os próprios erros e o que precisaria fazer para reconquistar o amor da sua vida.
TLAD
Os olhos azuis estavam inchados, o semblante triste e desolado de Claire, partia o coração de Rachel. Ela sabia o quanto forte era a ligação das duas Amish e o quanto o lado protetor de Claire, naquele momento sentia-se abalado por não poder estar ao lado da amiga.
Rachel viu a culpa se estabelecer dentro de Claire, era o que mais estava lhe matando. Claire se sentia culpada por obrigar Jacob a falar.
Dentro do carro, a tensão e tristeza de Claire, provocou um silêncio desconfortável, doloroso.
— Não se sinta assim, Claire. Eu sei o que você está pensando. — Rachel chamou a atenção da loira, que lhe olhou com os olhos pesarosos, o queixo tremia. Ela iria chorar, não estava conseguindo mais segurar.
— Eu não devia ter forçado ele a contar, eu fiquei com tanta raiva, tantos sentimentos ruins se apoderaram de mim, porque eu sabia que ela ficaria justamente mal, mas não imaginei ver tanta frieza em seus olhos. Eu deveria ter esperado, deveria ter esperado a Valentina sair do hospital e...
— Não! — Rachel a interrompeu — Você fez o que era certo, Claire. Jacob a enganou, não só ela, mas como todos nós. Não se sinta culpada por querer o bem da Renesmee ou fazer Jacob pagar pelos os seus erros. Essa história viria a tona de qualquer forma, cedo ou tarde e foi melhor agora. Eles precisam se estruturar.
Claire baixou seus olhos, mirando as mãos que se remexiam sem seu colo freneticamente.
— Eu não suporto vê-la sofre. — murmurou envergonhada.
— E nem eu. Ver meu irmão tão derrotado do jeito que ele está nos últimos dias, desde o acidente, o nascimento e toda a complicação que acarretou até descobrirmos toda essa farsa, está me matando por dentro. Eu sei que ele merece isso, ele tem que passar por isso, porém, me envergonha e me dói ao mesmo tempo. Só que isso não significa que a Nessie não precise de você Claire, ela só precisa de um tempo, porque é a vida dela, os sentimentos dela. Assim como o Jacob irá precisar da família ao lado dele. — deu uma lufada. — Fique tranquila, tudo irá se resolver. O tempo cura tudo.
Claire assentiu e nada disse, apenas enxugou as lágrimas que desciam da sua face de forma silenciosa.
— Tem certeza que quer ir pra sua casa? Sei que todos nós estamos passando por uma fase complicada e que Quil é um pé no saco, mas se quiser ficar em casa um por um tempo, não tem problema. Não quero me preocupar com você também.
— Eu quero ir pra casa. Eu também preciso ficar só, mas agradeço de coração por tudo Rachel. — Claire esboçou um mínimo sorriso, tentando passar tranquilidade pra cunhada.
A Amish sabia que de nada seria fácil ficar com Quil no mesmo lugar, não depois de eles ainda estarem abalados, devido toda a repercussão das mentiras. Mas ela também precisava ficar no aconchego e conforto do seu lar.
O silêncio predominou por todo o percurso, até Rachel parar o carro em frente ao prédio da cunhada.
— Claire, qualquer coisa você pode me ligar, tudo bem?
— Obrigada. — limitou-se em dizer e acenou, descendo rapidamente do luxuoso veículo.
Claire adentrou ao lobby do prédio, cabeça baixa, olhos vermelhos. Seu corpo reagia ao automático. Suspirou fundo quando chegou ao seu apartamento, o som da televisão denunciava que Quil estava em casa. O fato foi constatado, assim que ela entrou na sala e viu o marido encostado no amplo sofá, sem camisa, apenas usando uma bermuda jeans, assistindo tranquilamente algum programa na televisão.
A loira passou por ele a passos rápidos, indo diretamente para a cozinha. Ela não o olhou. O corpo de Quil se enrijeceu por notar minimamente que a esposa esteve chorando. Sua face estava vermelha e os olhos inchados.
Na cozinha, Claire jogou sua bolsa sobre a bancada e pegou um copo com água, indo para o quarto, onde ela estava dormindo desde toda a descoberta.
Quil a seguiu. Ele queria saber o que havia acontecido, e aquele silêncio e indiferença estava matando-o por dentro a cada maldito minuto. Assim que chegou a porta do quarto, seus olhos foram diretamente para Claire, ela estava sentada sobre a cama com a cabeça baixa, as mãos paralelas ao seu corpo apertavam com força o lenços entre os dedos. Ela chorava. Um choro contido e silencioso. Fazendo o peito de Quil doer a cada lágrima que escorria pela tez alva.
Ele se aproximou com cautela, ela estava vulnerável e ele não queria ser causador se acaso ela explodisse de vez. Sentou-se ao seu lado, Claire não demonstrou nenhuma reação, ela estava apática ao seu redor. Quil ousou em segurar a sua mãos, mas a loira sequer moveu um dedo do aperto ao lençol.
— Hã... Ér... O que aconteceu? — o moreno perguntou delicadamente. Ele estava questionando a si próprio o motivo de tanta cautela, todavia que ele não possuía de um autocontrole favorável.
As lágrimas de Claire se tornaram mais abundantes diante da pergunta do marido. Ela sentia tanta raiva dele, mas ao mesmo tempo queria tanto estar em seus braços.
— Se não quiser conversar eu entendo... Mas é que... — coçou a nuca em nervosismo — Porra, gatinha o que aconteceu? Está me matando vê-la assim, alguém fez alguma coisa pra você? Te machucou, ou sei lá, o que tá havendo? — as palavras saíram de forma apressada e do mais jeito Quil de ser.
Claire forçava a falar, mas sabia que se o fizesse, não ia conseguir parar de chorar. Ela não olhava para o marido, ela só direcionou seus olhos para ele, quando Quil segurou em seu queixo e levantou sua cabeça em direção a ele.
— Gatinha, por favor. Eu tô vendo que você tá mal, me deixa te ajudar.
O queixo tremendo se rompeu em um sussurro seguido por um soluço alto.
— É tudo minha culpa. Agora ela me afastou e ela está sofrendo tanto, que tá doendo em mim.
Quil se surpreendeu quando os pequenos e finos braços de Claire envolveram seu corpo. Ela pulou em cima dele, como se ele fosse a boia que iria salva-lhe do náufrago. Não pode deixar de sentir o seu ego inflar com o ato. Ela sempre precisaria dele, mesmo depois de qualquer briga e ele, sempre estaria ali para ela.
Claire chorava com o rosto enterrado no pescoço do moreno, enquanto ele afagava carinhosamente os fios platinados sobre as costas dela. Com gentileza, Quil a levantou em seus braços e sentou-se no meio da cama, escorando as suas costas na cabeceira e posicionando Claire, ao seu lado. Ela não parava de chorar e soluçar, mas preferiu esperar até que ela estivesse em condições de falar. Porque nada ele entendia sobre ela ser culpada de alguma coisa.
Naquele momento percebeu que por mais orgulho que a jovem Amish tinha, por mais força que ela sempre demonstrou ter, ela também era frágil e ficava vulnerável demais. Entretanto, ele nunca a viu daquele jeito.
Minutos incontáveis se passaram até que o choro ficou contido e os soluços se tornaram mais escassos.
— Consegue falar agora? — pronunciou ao pé do ouvido da loira, com toda a calma possível. Ela assentiu e se soltou dos braços do marido. Quil sentiu falta daquele contato, por dias ele não havia tocado. Era um grande passo para uma reconciliação e ele não podia desperdiçar.
Claire enxugou o rosto molhado e buscou o copo com água que havia pegado assim que entrou no apartamento, sorvendo um pouco do líquido, que refrescou a garganta seca. Quil a puxou novamente para os seus braços, aninhando-a com carinho.
— Então? — ele incentivou.
— A Nessie. — disse por fim, e pigarreou limpando a garganta antes de continuar. Ela estava com a cabeça apoiada no peito desnudo do moreno. — Jacob contou tudo pra ela.
— Contou? — a voz de Quil soou um pouco alta e desesperada. Afinal, ele tinha apreço pela cunhada e pelo estado de Claire, ele deduziu como havia sido.
— Ela está tão magoada... Tão fria. — fungou — Ela foi tão fria comigo... Me afastou. Seus olhos não tinham mais brilho, sua alma estava tão longe. Até mesmo o seu abraço me atingiu como uma pedra enorme de gelo envolta do meu corpo. Ela não me quis por perto... Disse que tinha q ficar sozinha, não quis conversar, não me quis com ela...
— Ei. — Quil a interrompeu. As palavras começaram a fluir de forma agonizante por entre os lábios de Claire. — Não é sua culpa, gatinha.
— É sim! Eu obriguei o seu irmão a contar tudo, eu deveria ter esperado, Quil. A Nessie já estava sofrendo demais com tudo o que está acontecendo com a Valentina, eu deveria ter esperado. Mas a minha raiva era tanta, que eu não pensei que isso prejudicaria tudo. Ela precisa do Jacob, ela precisa de MIM!
Quil não sabia como reagir, ele só tinha em mente que não poderia perder a oportunidade de fazer Claire se sentir bem e voltar a ter a sua vida junto a esposa.
— Claire olhe pra mim. — pediu e ela atendeu, levantando o corpo lentamente. — Jacob precisava fazer isso, todos estamos sofrendo com o que está acontecendo. Mas não se sinta culpada, você se preocupa com ela, tem um sentimento muito forte entre vocês duas, assim como entre a eu e meus irmãos. Você fez tudo pensando no bem estar dela.
— Mas ela não me deixou ajudá-la.
Claire contou tudo nos mínimos detalhes para Quil. Desde a hora em que chegou a casa da amiga, até a hora que saiu de lá. Com a imagem de uma Renesmee totalmente acabada e magoada.
— Gatinha, eles são um casal. Eles precisam desse tempo, para eles refletirem sobre o relacionamento deles. Existe muita coisa em jogo, mas isso não signifique que ela não precise de você. Ela precisa, só que no momento os dois precisam se encontrar e se entenderem. — Claire arregalou os olhos, pela suavidade das palavras e o conforto que elas trouxeram a ela. Até mesmo Quil não entendia como conseguiu ser tão natural e sensível. Estava se tornando um marica. Entretanto rapidamente entendeu que o sentimento que tem por Claire é capaz de fazer qualquer coisa com ele, mesmo involuntariamente. Sentiu-se bem com aquilo.
— Eu a perdi não é? Ela não é mais tão dependente. Eu vi nos olhos dela Quil, ela tinha determinação em meio a dor. Estava oca!
Quil sorriu pela fragilidade da sua amada. O único ponto mais abalável em Claire, chamava-se Renesmee.
— Não diga isso, ela sempre vai precisar de você. Talvez essa determinação que tanto viu nos olhos dela, seja para tudo ficar melhor. Ela precisa amadurecer os sentimentos, ao fatos. Ela deve estar confusa, apenas precisa se encontrar, como já disse a você. Porra! Da onde está vindo essa melosidade toda? — ele pensou. Era toda a falta que sentia por Claire, ele tinha a necessidade e obrigação de fazê-la ficar bem. — Ela tem uma família agora gatinha, mas não significa que você não faça parte dela.
Claire ficou em silêncio, refletindo o que Quil tinha dito a ela. Sabia que ele tinha razão, Renesmee tinha uma família e ninguém melhor do que para decidir o que será bom ou não para eles.
— Podemos ter uma família também... Quer dizer... — o moreno sorriu, estava nervoso, mas quando notou já havia entrado no assunto. — Somos uma família, você e eu, mas... Podíamos ter... Você sabe.
— Um filho? — completou Claire, atônita e viu o sorriso nervoso do marido se alargar, enquanto assentia.
— Podemos tentar. Veja, você seria uma mãe maravilhosa, nosso bebê crescerá juntamente com a Valentina, você pode ter a sua própria família, Claire. Basta você querer.
Um bebê... Um bebezinho para ser cuidado e amado. Como a Valentina! Fruto do amor do homem que mentiu, que a enganou, que a fez sofrer diversas vezes e que compactuou com um plano maquiavélico, trazendo dor e sofrimento para a sua amiga, sua irmã! Mas também, um homem que pode ser sensível, que pode amar, a sua maneira, mas pode. E ele a ama. Mesmo quando ela o deixou para dormir em outro quarto, mesmo com toda a frieza, ele estava ali, fazendo ela se sentir bem quando os sentimentos perversos queriam dominar todo o seu ser.
Claire sorriu, espantando para longe todo a dor que estava sentindo. Renesmee não a quer fora da sua vida, ela apenas tem uma vida diferente agora e só cabe e ela saber o que fazer.
— Um filho... — a loira sussurrou com ternura, deixando um sorriso tímido surgir em seus lábios.
— Gosto quando sorri assim. — Quil beijou suavemente os lábios rosados. — Deus, eu já não aguentava mais tudo isso. — confessou por não ter sido rejeitado. — Isso significa perdão.
— O que? — Claire resmungou quando ele se levantou e pegou o pequeno corpo no colo.
— Um bebê, um filho, uma família... Eu quero tudo com você, gatinha. Tudo! Toda hora a todo o momento. A gente vai ser feliz e eu não vou mais fazer merda. — explicou saindo do quarto de hospedes.
— Quil, para onde você está me levando?
— Para o nosso quarto, nossa cama! Vamos fazer selar as pazes, vamos fazer um bebê!
Claire sorriu, agora com mais vontade. Ele fazia bem a ela em todas as formas. Não era o momento mais apropriado para o que o marido tinha em mente. Mas estava feliz por estar novamente nos braços do seu amor, sentindo-se sempre protegida. Ele a amava e lhe daria uma família.
TLAD
As respirações ainda estavam ofegantes, o desgaste físico era inegável. O suor banhava os corpos exaustos e saciados, o ato havia sido intenso.
O silêncio que se estabeleceu não era incômodo, mas sim reconfortante. Cada minuto foi tão intensamente vivido, que palavras não precisavam ser ditas, tudo tinha sido incrivelmente sentido.
— Baby! — o moreno chamou pela mulher que ainda estava montada sobre o seu corpo. Ela estava totalmente relaxada e satisfeita. — Você esgotou meu estoque de energia. Anda gulosa demais... Gosto disso! — Embry malicioso.
— Você que já foi mais viril, Baby! — Jenniffer devolveu de forma sarcástica a provocação. — Não está aguentando nada. Tá fraquinho! — ela ainda ofegava ao falar.
— Não me provoca, Baby! Posso acabar facilmente com você. — apertou com firmeza as nádegas da loira e esfregou o membro já semiereto no sexo quente da brasileira. Ela ainda estava deitada por cima de seu colo. — Mas definitivamente preciso de algo pra comer. Estou faminto. — em um movimento rápido Embry inverteu a posição, agora ficando por cima da namorada, mas sem soltar seu peso sobre ela. Com ímpeto tomou os lábios rosados, beijando com desejo a boca dela. — Se prepare que quando eu voltar, eu irei acabar com você. Não vai conseguir nem lembrar o próprio nome, só o meu! — ergueu-se rápido, pegando a cueca boxer do chão e vestindo, deixando desejosa a loira em sua cama.
— Vou cobrar a promessa! — Jenniffer mordeu os lábios e sorriu sensualmente para o amado. Ela tornava-se ainda mais fogosa quando grávida.
— Quer algo pra comer? — Embry perguntou atencioso. Mesmo com as constates provocações que trocava com a brasileira, ele cuidava dela e do filho que crescia ainda no ventre.
— Não. Só você mesmo! — provocou, deitando de bruços e empinado o corpo. — Essa noite eu estou insaciável. Eu é que vou acabar com você! — Jenniffer alisou o colchão em um claro convite.
— Pode deixar que eu vou cobrar! — disse antes de deixar o enorme quarto.
Embry deixou a suíte sorrindo. Ele, definitivamente, estava adorando a gravidez da namorada. Ela estava um vulcão em erupção!
— Essa mulher ainda acaba com todo o sangue do meu corpo! — disse sozinho enquanto andava pelo enorme corredor do segundo andar da cobertura. O sorriso estava pregado na face máscula. — Até que seria uma morte prazerosa.
Embry acendeu as luzes assim que chegou a cozinha, indo direto vasculhar os armários e geladeira. Em poucos minutos uma pilha de comida estava disposta sobre a bancada da cozinha. Ele sentou no banco alto e começou a devora tudo o que tinha escolhido.
Ele sempre teve um apetite incrivelmente grande, principalmente após uma intensa atividade física.
Embry decorou bolinhos, biscoitos recheados, metade de uma pizza requentada, refrigerante... Com certeza comer era um dos seus prazeres favoritos, claro que não mais que sexo, mas ele achava que sempre os dois estavam ligados.
— Mudei de ideia. — Jenniffer entrou na cozinha sendo acompanhava por Thor. O cachorro logo deitou no chão e fechou os olhos.
Embry, que comia em silêncio, olhou na direção da namorada. Ele segurava um enorme sanduíche feito com queijos e frios.
— Quer que eu prepare um sanduíche pra você, Baby?
— Na verdade. — sentou ao lado do moreno e deu uma mordida no sanduíche dele. — Eu queria outra coisa. — disse de boca cheia.
— E o que seria? A dispensa e a geladeira estão abastecidas, tem tudo o que você gosta. — responde solicito, voltando a abocanhar o pão que tinha em mãos.
— Na verdade... Eu acredito que não tenha o que eu quero comer. — Jenniffer agora pegou a lata de refrigerante e levou aos lábios, sorvendo com prazer o líquido gelado. Ela olhava de esguelha para o namorado.
—Jenny, impossível não ter o que você quer. — Embry respondeu calmante após engolir. — Compramos tudo o que você queria essa semana. Saímos do mercado parecendo que íamos acabar com a fome na Etiópia. — sorriu com a própria piada.
— Engraçadinho! — Jennifer cutucou as costelas do moreno, arrancando-lhe um gemido fingido de dor. — Eu estou com desejo. — gemeu.
— Baby, não começa. — Embry balançou a cabeça negativamente. — Isso é frescura. Você não vai me tirar de casa a essa hora da madrugada para comprar algo bizarro.
— Tudo bem! — a loira desceu do banco, furiosa. — Eu saio para buscar o que MEU filho quer comer. — começou a caminhar pisando duro na direção em a saída da cozinha.
Thor ergueu a cabeça para olhar o que estava acontecendo, mas logo voltou a deitar.
— Hei! — Embry deixou o sanduíche pela metade sobre o prato e foi atrás da namorada. Sabia que era muito provável que ela saísse pra comprar a tal coisa que estava com desejo de comer, naquela hora da madrugada. — Não fica assim. Amanhã de manhã eu compro. Vamos voltar de onde paramos. — agarrou a loira, já segurando em sua bunda e apertando.
— Me solta! — disse chorosa, tentando se desvencilhar dos braços fortes. — Você só pensa em sexo. — acusou. — Não liga para as minhas necessidades nem as do seu filho.
— Baby! — Embry abraçou ainda mais a namorada. Já havia sido orientado sobre a inconstância emocional de uma mulher grávida. Suspirou vencido. — Eu estava brincado. Basta me falar que eu vou atrás do que está com vontade de comer, se não temos em casa. — brincou por fim.
— Jura? — a brasileira fungou. Os olhos dela brilharam com a afirmativa do moreno. — Eu e o seu filho estamos com desejo de comer pão de queijo com doce de leite e tapioca com chocolate e morango! — Jenny ficou com a boca salivando só de falar.
— Você quer o que? — Embry tinha a cara retorcida ao perguntar. Definitivamente nunca tinha ouvido falar naquilo que a gestante em seus braços queria comer. Olha que ele era proprietário de um dos restaurantes mais famosos de nova Iorque.
— São comidas brasileiras, seu bobinho! — sorriu ao explicar. O moreno mantinha a careta engraçada. — Acho que tem uma delicatéssen na sétima avenida, só não lembro exatamente em que altura. Geralmente era a Babi que comprava essas coisas. — contou a loira sem mais detalhes.
— Ok! — Embry respirou fundo, não fazia ideia de como iria encontra a tal loja na imensa sétima avenida. — Só escreve o nome dessas coisas, acho que não sei nem pronunciar isso.
— Tudo bem! — Jenniffer correu entusiasmada para pegar o bloco e a caneta que ficava na outra babada da enorme cozinha. — Mas acho que está na hora de aprender algumas coisas em português. Sou brasileira e nosso filho será bilíngue, pelo menos.
— Também estou achando. — concordou sem contestar. — Gostaria muito de saber exatamente o que você grita em português quando goza. — o sorrio malicioso estava novamente estampado na face de Embry.
Jenniffer ergueu a cabeça e olhou surpresa para o namorado, aquele era um fato desconhecido para ela. Sempre ficava tão absorta nas sensações, quem nem prestava atenção para o que seus lábios diziam.
Duas horas haviam se passado desde que o moreno tinha deixado à cobertura e vagava com seu carro blindado pelas ruas de Nova Iorque a procura das iguarias que a namorada grávida desejava comer.
Embry já estava ficando estressado, pois não encontrava de jeito algum as tais comidas. Já tinha feito até uma busca pela internet e nada.
Voltar para casa de mãos abanando estava fora de cogitação. Jenniffer só ficaria ainda mais estressada ou chorosa, isso definitivamente ele não queria.
— Caralho! — socou o volante após entrar no carro. Era a vigésima loja que tinha ido e nada de encontrar os quitutes. — É isso que dá engravidar uma brasileira! Agora como vou achar essa porra? —resmungou consigo mesmo.
Embry ficou parado pensando por algum tempo. O sol começava a nascer fraco no horizonte, e ele ainda não fazia ideia de como achar as comidas brasileiras. De repente uma ideia lhe pareceu ideal. Sorrindo, ele girou a chave na ignição e acelerou o carro pela rua quase deserta.
Embry ignorou a hora da manhã e sem culpa, repousou o dedo pesado na campainha. Tinha acesso livre na portaria, não precisou se identificar previamente.
— O que foi, porra? — Seth abriu a porta de forma brusca depois de ter constatado quem violentava a campainha de sua cobertura. — Não tem amor à vida não, caralho? O que está fazendo há essa hora na minha porta, Embry? Vai comer tua mulher!
— Bem que eu gostaria! — Embry sem ser convidado, entrou na ampla sala da cobertura do primo. — Atrapalho algo? — questionou irônico, já sentando no confortável sofá cinza.
— Espero que o meu pau duro te responda. — replicou sem humor, sacudindo o membro rijo dentro da boxer. — O que tu quer a essa hora? Fala logo, Caralho!
— Que mau humor! — Embry debochou da irritabilidade do primo. — Eu preciso da tua mulher.
— Eu também! — apontou a arma que trazia consigo na direção do moreno sentado e totalmente esparramado no sofá. — Agora saía! — ditou ríspido.
— Cara, abaixa essa porra! Estou falando sério. É pra Jenn... — Embry não terminou de falar, pois pela sala entrava a morena só de camisola transparente e toda descabelada.
— Amor, o que está acontecido aqui? — Barbara questionou desconfiada. — Aconteceu algo com a Jenny?
— Pelo amor de Deus, Babi! Vai por uma roupa decente. Senão, vou ficar na dúvida se atiro em você ou no Embry.
—Ok, foi mau! — somente depois que o namorado havia falado, foi que Barbara se atentou ao traje que vestia. Embry havia desviado o olhar da morena seminua. — Já volto! — a morena deixou a sala às pressas, não arriscaria testar o ciúme de Seth naquela hora da manhã. Principalmente depois de ter sido interrompido.
Quando Barbara — já devidamente vestida — voltou para sala, os dois morenos estavam sentados no mesmo sofá conversando animadamente. Logo Seth informou o motivo da visita desesperada do primo naquela hora da manhã. Claro, que ele fez muitas piadas em cada relato da noite frustrante de Embry em busca de quitutes brasileiros na grande Manhattan.
— Ok! Vamos lá comprar o que a minha amiga e o meu afilhado estão com desejo de comer. — Bárbara ergueu-se do sofá já puxando o namorado pela mão. — E vê se presta atenção no caminho pra não precisar mais solicitar a minha ajuda na madrugada. Estava muito mais interessante a cama do meu namorado! — sorriu maliciosa. Seth piscou com o mesmo sorriso estampado na face. Embry somente revirou os olhos. — Porque não será a primeira vez que ela vai querer comida brasileira. Ela adora e sente falta disso. Tô fazendo por eles, não por você! Por mim você poderia pegar um avião até o Brasil só para comprar o que ela está desejando comer!
Embry sentiu a língua coçar, mas não respondeu à altura as provocações da futura comadre. Ele precisava dela para achar as tais comidas brasileiras!
Já era dia consolidado quando os três voltaram para cobertura onda a gestante estava repleto dos quitutes que ela tanto queria. O cheiro era bom, isso os americanos não podiam negar.
— Baby! — Embry levava sorridente um embrulho nas mãos, ele procurava pela loira por toda a cobertura. — Ela deve está no quarto.
— Espera que eu vou com você! Tem muita comida aqui pra ela comer sozinha. — Barbara adiantou em seguir o moreno, também queria comer os quitutes.
— Opa! Falaram em comida, eu também vou. — Seth também seguiu rumo à suíte que o casal agora dividia.
— Deixe-me ver se minha mulher está vestida adequadamente. Não quero você vendo o meu patrimônio privado. — disse Embry enciumado, segurando a porta antes de abrir.
— Para de palhaçada. Metade do mundo já viu a Jenny seminua. Todo carnaval ela desfilava peladinha, como veio ao mundo. — Barbara provocou o homem a sua frente só pra lhe causar mais ciúmes.
Embry mais uma vez não respondeu, só murmurou uns xingamentos.
— Baby... Jenny! Trouxe as coisas brasileiras pra você comer! — cantarolou, enquanto entrava o quarto.
— Sai! Eu não quero mais! — gritou estridente, a voz estava chorosa. — Eu estou parecendo a Rasputia do filme Norbet! A minha calça não fecha mais! — agora o choro tinha desabado torrencialmente.
A loira estava sentada no chão do closet. Ela usava um sutiã preto — marcando os seios ainda mais fartos pela gestação — e uma calça jeans que estava longe de fechar em seu corpo.
— Pelo amor de Deus! Você vai comer isso! — Embry estava revoltado. — Eu rodei a porra da cidade inteira pra encontrar essas comidas, empatei a foda do Seth, fiquei horas esperando isso tudo ficar pronto... Agora você irá comer! — o tom de ordem estava explícito na voz do moreno.
— Não vou! — um soluço escapo dos lábios rosados da brasileira. — Não quero ser a nova estrela do filme da baleia Free Willy! Não quero ser uma diva de baleia. — o rosto já estava banhado de lágrimas.
— Não fala assim com ela, seu troglodita energúmeno. — Barbara abaixou correndo para consolar a amiga. — Jenny, você está linda! Sua barriga nunca esteve tão bonita. Você está ainda mais gostosa. Se eu fosse homem te pegava de jeito. — brincou por fim.
— Não estou parecendo a Rasputia ou a vovózona? Você não está falando isso só pra me agradar?
— Nunca faria isso, você sabe. — limpou as lágrimas teimosas que desciam pelo rosto da amiga. — Ela não está ainda mais gostosa, Seth?
Seth arregalou os olhos com a pergunta da namora. Imediatamente Embry olhou raivoso para o primo. O moreno estava entre a cruz e a espada. Já se sentia bastante desconfortável por ver a loira de apenas sutiã, não que lhe despertasse algum tipo de desejo, ao contrário, era uma questão de respeito. No entanto, ele estava olhando pra ela com os mesmos olhos que olha para Leah. Olhos de irmão para irmão, apenas natural.
— Éreeeh... Sim! Está ainda mais gostosa, Jenny . Eu juro que se não fosse fissurado na minha morena e se você não fosse à mulher do meu primo, eu iria te achar realmente muito gostosa... Tipo... Assim, grávida.
Cada um dos três olhou de forma diferente para Seth. Jenny confusa com a escolha peculiar de palavras, Embry com ciúmes e Barbara incrédula. Todos ainda tentavam descobrir se era um elogio ou não!
— Baby, você está gostosa pra caralho. Fico louco pelo seu corpo, pelas novas formas. Nunca vou deixar de te desejar, pelo contrário, cada vez desejo mais. — beijou brevemente os lábios da namorada grávida e emocionalmente inconstante. — Tô louco pra te vê com aquele barrigão. Acho lindo. É um fetiche. — confessou mordendo o lóbulo da orelha dela.
Jenny superou de excitação. O outro casal ignorou a cena.
— Sendo assim, me dá o meu lanche. — Jenniffer puxou o saco de comida das mãos do namorado. Não havia mais sinal de choro. — E nem venha me pedir nada, a grávida aqui sou eu! Tô comendo por dois. É tudo meu! — adiantou-se ao perceber que iriam pedir seu lanche, abrindo o saco e atacando desesperadamente o pão de queijo.
Os três ficaram chocados com a mudança repentina de humor.
Embry chegou à conclusão que até o fim da gravidez, durante os meses que ainda restavam, ele estaria louco. Barbara somente riu, pois não estava acreditado que amiga poderia ter se tornado ainda mais bipolar do que já era. Seth já agradecia a Deus por jamais ter que passar pela gravidez de uma brasileira.
— Até que ela está com uma barriguinha lindinha. — Seth disse no ouvido da namorada, assim que viu a grávida ergue-se do chão com a ajuda do primo. — Está parecendo a Glória de Madagascar! — sorriu por fim.
Barbara ficou séria, ela jamais poderia ficar com uma barriguinha lindinha para o Seth alisar, mas logo forçou a risada perante a brincadeira do namorado. Se Jenniffer ouvisse aquilo, ele corria sério risco de perder a cabeça ou afogar-se em lágrimas. E o namorado morreria de remorso por lhe causar, mesmo que sem intensão, um desconforto com o monetário.
TLAD
A extensa mesa estava disposta com um farto café da manhã, Jacob lia o jornal enquanto sorvia um pouco de cappuccino na xícara. Havia acordado há algumas horas, mas antes de descer para o dejejum optou por ficar um longo tempo refletindo na cama.
Um mês tinha se passado desde que toda a verdade envolvendo o seu casamento com a Amish havia sido revelado. Desde então, o seu casamento não era mais o mesmo.
Renesmee havia se fechado em uma bolha própria, não permitindo aproximação de ninguém, principalmente, a dele. Os breves diálogos que trocavam eram sempre referentes ao vínculo indissolúvel que tinham: Valentina!
A pequena bebezinha lutava a cada dia pela vida. Eram altos e baixos, melhoras e pioras, mas a pequena Valentina seguia firme e obstinada na luta pela vida. Sua evolução havia ficado mais lenta desde que os pais haviam brigado, parecia que ela sentia o que acontecia em seu lar.
Renesmee dedicava cada hora de seu dia à filha, mesmo que suas visitas fossem limitadas pela barreira intransponível do vidro da UTI neonatal. Seu corpo podia estar longe, mas seu coração estava junto ao da sua pequenina.
Já Jacob dividia o seu dia entre longas visitas a filha, seus negócios e a própria esposa. Ele tentava de todas as formas que sabia, reconquistar a confiança de sua amada. Tudo ainda estava muito difícil, mas ao menos, Renesmee já permitia uma mínima aproximação. Diálogos breves eram trocados.
— Oi Lee! Aconteceu alguma coisa? — Jacob atendeu prontamente a ligação da prima. Ela não costumava ligar tão cedo para ele.
— Não, Jacob, está tudo bem. — tranquilizou a morena do outro lado da linha. — A que horas que você pretende vir ao hospital? Preciso que venha com a Renesmee agora pela manhã. Quero conversar com vocês e também dar uma notícia boa. — adiantou em dizer a média. Sabia que o primo era extremamente preocupado e superprotetor em relação à filha.
— Boa notícia? — disse animado. — Valentina vai receber alta? — Jacob perguntou com esperança renovada.
— Não, Jake. Isso ainda vai demorar. Ela só tem dois meses de vida, ainda é cedo para a gravidade que foi o nascimento dela. Ela foi o que chamamos de prematuro extremo. Geralmente nesses casos, o bebê não sai com menos de noventas dias de nascido. — esclareceu Leah. — Mas venha assim que possível, estou aguardado vocês.
— Tudo bem. — concordou Jacob. — Vou falar com a Nessie. Acredito que ela ainda esteja dormindo.
— Ok! — suspirou a morena. — Espero que tudo se acerte logo entre vocês. Até mais, Jake!
Jacob ficou por alguns minutos refletindo sobre qual seria a boa notícia que a prima teria para contar, e também o que ela queria conversar com eles. Porém não chegou a nenhuma conclusão. Ele não era nem um pouco criativo para essas coisas de adivinhações.
Desistindo de tenta imaginar o que Leah segredava, Jacob deixou a mesa de refeições. Ele iria ao quarto que um dia dividiu com Renesmee para acordá-la.
O moreno não bateu na porta, simplesmente abriu e entrou.
No centro da enorme cama ele avistou o corpo pequeno, encolhido em posição fetal. Ela parecia-lhe ainda mais frágil e menor. Isso rasgou o seu coração já ferido, a culpa lhe corroía a alma.
— Nessie! — sentou na beira da cama e chamou pela esposa, alisando os cabelos platinados. Ele reparou o rosto inchado e ainda vermelho. Ela havia chorado. Ele sabia. — Amor, acorda. — tocou a face com carinho. Ele sentia tanta falta daquilo. — Amor! — beijou a cabeça perfumada. Que saudade ele estava de sentir aquele cheiro único de baunilha... Cheiro de Renesmee!
— Jake? — perguntou confusa e ainda sonolenta. Ela tinha passado a madrugada em claro chorando pela filha no hospital e pelo marido que a enganou. Tinha pegado no sono há pouco tempo. — Aconteceu alguma coisa? — indagou preocupada. Jacob não entrava ali há tempos.
— A Leah acabou de me ligar. Ela pediu que nós dois irmos hoje cedo para o hospital. — esclareceu o moreno. Renesmee levantou subitamente da cama. — Calma, Nessie! Ela disse que só quer conversar, que tem uma boa notícia para nos dar. — ele a tranquilizou.
Foi inevitável para Jacob olhar o corpo da esposa coberto pela fina camisola de seda. Os seios dela estavam um pouco à amostra. O corpo dele queimou de desejo e saudade.
Renesmee havia emagrecido, estava um pouco mais magra do que quando engravidou. Isso preocupava o moreno, porém os exames dela estavam dentro do aceitável.
— Boa notícia? — inquiriu um pouco desconfiada. Renesmee notou o olhar de cobiça do marido, mas ignorou a resposta ardente que seu corpo demonstrava. Ela rapidamente ajeitou a camisola e cruzou os braços sobre o peito. — Vou tomar um banho rápido e me trocar. Já desço para irmos ao hospital.
— Não antes de você tomar o café da manhã. Sabe que você precisa, ainda está tirando leite. — replicou Jacob de forma atenciosa.
Renesmee anuiu e seguiu direto para o banheiro da suíte, não mais trocando uma única palavra com Jacob. O moreno entendeu o recado, deixando o antigo quarto e seguindo direto para o que agora dormia. Ele também precisava trocar de roupa.
Quando Renesmee chegou à sala de jantar, Jacob já estava sentado à mesa. Ele iria acabar de tomar o dejejum, só havia tomado uma xícara de cappuccino.
O habitual silêncio predominou durante a breve refeição. O casal só falava o estritamente essencial e indispensável. Não por vontade de Jacob, que sempre tentava puxar o máximo de assunto, mas por escolha de Renesmee.
Quarenta minutos após Renesmee ter acordado, o casal deixava a mansão no carro de Jacob. Eles estavam ansiosos para chegar rápido ao hospital, queriam descobrir a tal notícia boa que Leah tinha para lhes contar.
Ao longo do caminho eles conversaram um pouco, sempre trocando amenidades ou especulações encima da boa notícia que receberiam.
— Por aqui. A Dr. Clearwater já foi avisada. Ela os aguarda. — uma recepcionista do hospital indicava o caminho ao casal. — Aqui! — abriu uma porta que dava acesso a uma espaçosa sala. O casal prontamente entrou.
— Bom dia, meus amores. — Leah foi cumprimentar alegremente o casal. — Sentem-se. Precisamos conversar.
— Está tudo bem com a Valentina, Lee? — Renesmee questionou receosa.
— Com ela está tudo bem. — amenizou a médica. — Hoje nós vamos conversar sobre você, Nessie.
— O que tem de errado com a Nessie? — rapidamente Jacob perguntou. Imediatamente ele ficou preocupado com a frágil esposa. Sua vida era cercada por mulheres frágeis com um cristal. — Fale logo, Lee!
— Calma, Jake. Vamos conversar sem alarde, não há motivos para isso. — Leah prontamente assegurou.
— Eu estou doente novamente? — Renesmee perguntou com calma, não demostrava nervosismo. Diferente de Jacob, que já beirava ao desespero.
— Não exatamente, Nessie. — Leah olhou de forma intensa da Amish para o primo. O assunto era muito delicado, ela mesma vinha tentando adiar aquela conversa o máximo possível. — Sei que vocês estão passando por uma fase muito difícil no casamento de vocês. Ainda tem o fato da Valentina ainda estar internada. Sei que eu não deveria de estar me metendo nesse assunto, que isso é particular de vocês. Mas agora ele está afetando diretamente o tratamento da Valentina e a sua saúde também, Nessie.
— Como assim? Não estou entendendo. — disse com angustia a Amish.
— Por favor, Leah, explique-se melhor. — Jacob ajeitou a postura na cadeira, ficando rígido na cadeira. Ele estava nervoso, mas tentava disfarçar.
— Renesmee, a sua tristeza é visível. O seu estado emocional está muito abalado. — com cautela a morena começou a abordar o delicado assunto. — Isso tem afetado diretamente a sua saúde. Você estava bem até um mês atrás, porém os exames de sangue que fizemos essa semana já apontaram uma pequena anemia. Não é nada alarmante, mas mediante ao seu histórico, devemos ter todo o cuidado possível.
— Eu prometo me cuidar melhor. Não posso ficar doente agora, a minha filhinha precisa de mim. — desabafou a Amish.
— Eu vou cuidar pessoalmente para que ela passe a se alimentar melhor. — prontamente Jacob afirmou a promessa.
— Como vocês irão cuidar um do outro se nem ao menos se falam direito? — Leah foi direto ao ponto em que queria abordar. — Sei que o que aconteceu foi muito sério, mas vocês se amam, qualquer um enxerga isso. Vocês precisam superar essa dificuldade pelo o bem da Valentina. — suavizou o tom. — Nessie, tudo é passado diretamente para o leite materno. Isso parece incrível, mas é verdade. — sorriu complacente para loira. — Porém com tudo o que você tem passado, a sua produção e qualidade do leite caíram muito. No primeiro mês de vida a Valentina ganhou quinhentas gramas, isso fez com que ela praticamente dobrasse de peso. Só que agora, mais um mês depois, ela só ganhou duzentas gramas. Antes seu leite era doado para outros bebês que precisavam, porém hoje ele está sendo somente suficiente para alimentar a Valentina.
— Eu não sabia disso. — Renesmee confessou triste. Ela tinha ficado abalada com a informação.
Jacob não disse nada, somente segurou a mão da esposa em sinal de apoio e conforto.
— A equipe realmente está preocupada com isso, Nessie. — Leah não tinha intensão de esconder nada de Renesmee. A médica iria abrir o jogo com a Amish. — Se continuar como está, daqui a pouco seu leite será insuficiente. Temo que ele possa secar. — confidenciou por fim.
— Não! — disse em desespero. — Eu quero amamenta a minha filhinha.
— Eu vou cuidar de você, Nessie. Deixe-me cuidar de vocês. Precisamos estar juntos e bem pela nossa filha. — Jacob puxou a esposa para o seu abraço. Renesmee não lutou. Ali ela sempre se sentia protegida e segura.
O casal ficou por alguns minutos em silêncio, abraçados um ao outro. Leah ficou olhando quieta, respeitando o momento que o casal vivia. Havia males na vida que sempre viam para o bem. Talvez fossem as necessidades da pequena bebezinha que uniria novamente os pais. Era incontestável o amor incondicional que eles tinham um pelo outro, e principalmente pela frágil menininha.
— Nessie. — a morena chamou a atenção novamente para si. — Eu estou aqui falando sobre tudo isso com vocês, pois agora virá o momento mais complicado do tratamento da Valentina, mas também será o mais gratificante. — Leah lançou um sorriso para o casal. — Lembra que falei que tinha uma notícia boa? — perguntou. O casal somente afirmou com um maneio de cabeça. — Hoje vocês vão poder pegar a Valentina pela primeira vez, depois de dois meses, no colo. Vamos começar a usar a técnica de mãe canguru com ela. Essa técnica é usada em todo mundo com bebês prematuros. Consiste em usarmos o calor do próprio corpo dos pais para aquecer o bebê. — explicou brevemente. Depois contaria mais detalhadamente. — E em breve, esperamos por ela para mamar diretamente no seu seio, Nessie. Não é uma notícia maravilhosa?
— Oh, meu Deus! — Jacob exclamou pela surpresa.
Renesmee somente chorava compulsivamente pela alegria e emoção. Enfim iria poder segurar sua amada filha no colo pela primeira vez. Iria tocá-la, niná-la, sentir seu cheirinho de bebê... A Amish estava morrendo de medo e ansiedade.
Leah sorriu pela cena. Acreditava que enfim as coisas começariam a se ajeitar entre o casal. Eles já compartilhavam intimamente a alegria que sentiam. Com certeza a confiança demoraria a voltar, mas o primeiro passo começava a ser dado naquele instante. Isso faria diferença no tratamento da pequena Valentina.
TLAD
Claire levantou preguiçosamente, estava se sentindo muito cansada e sonolenta nos últimos dias. Quil com sua ideia incansável de ter um bebê tinha contagiado tanto o casal que eles andavam praticando todo dia a consumação. A falta de experiência de ambos, estava deixando-os loucos e ansiosos. Em um mês, Claire havia feito dois testes de gravidez. Claro, eles não tinham contado a ninguém sobre a decisão de terem um filho, mas o sorriso sumiu quando os testes deram negativos.
Quil havia decidido que e estipulado sexo incansável e insaciável, até ter o resultado esperado.
A jovem Amish caminhou até a cozinha, ao ouvir barulho de pratos e talheres, além de um cheiro maravilhoso de ovos se apossar de todo o ar. Seu corpo estava dolorido, nas coxas haviam pequenas manchas roxas, com o respectivo formato de dedos. Quil estava alucinado durante toda a noite.
— Bom dia, gatinha. Achei que não ia acordar hoje. — o moreno sorriu deixando a colher que mexia os ovos em uma frigideira, para beijar os lábios rosados e inchados da loira. — Hum, acho que mordi um pouco forte demais, seus lábios estão inchados. Você está bem? — perguntou notando o silêncio e as olheiras sob os olhos azuis.
Claire estava cansada demais.
— Estou bem. Essa noite foi um tanto... Intensa. — sorriu preguiçosa. — Mas acho que precisamos maneirar, Quil. Eu preciso de algumas horas de sono, essa semana está sendo apenas sexo, sexo e sexo. Acho que não vamos conseguir se ficarmos assim tão ansiosos. — murmurou baixo, com medo da reação do marido.
Quil estava cortando as tiras de bacon para colocar na frigideira, ele não era um expert na cozinha, mas estava apto a fazer um café da manhã reforçado para a esposa.
— Eu sei, mas sexo nunca é demais. Não se trata somente de tentarmos, é apenas o nosso tesão, gatinha. — desviou o assunto. Na verdade, ele estava mais que ansioso em ver um resultado positivo. Queria poder contar a sua família que também seria pai.
Claire permaneceu quieta sentada na bancada enquanto Quil terminava de preparar o café. Estava tudo cheirando deliciosamente bem. Ela também estava ansiosa por um resultado positivo, mas toda essa pressa e ansiedade de nada estava ajudando. Ela sequer podia conversar com a sua amiga sobre o assunto. Renesmee ainda estava arredia, elas se viram poucas vezes, em algumas visitas ao hospital, Claire não deixava de ir ver a pequena Valentina. Mesmo que por pouco tempo através de um vidro.
— Está pensando em que, gatinha? Acho que hoje pediríamos tentar fazer um amor gostoso em um motel. O que acha? Amo foder seu corpo na nossa cama, mas acho que precisamos de um ambiente novo para despertar ainda mais a nossa ânsia. — disse Quil tirando a loira de seus pensamentos e colocando a sua frente um prato recheado de ovos mexidos e bacon, juntamente com um copo cheio de suco de laranja.
— Em nada. É... Talvez seja sim. — Claire forçou mais um sorriso. Será que ela aguentaria mais uma noite como a anterior?
— Coma, você precisa repor as suas energias. — ele ditou depositando um beijo no alto da cabela da esposa, mas assim que Claire colocou a primeira garfada em sua boca, mal teve tempo de apreciar o sabor. A comida tornou-se um bolo em sua boca, causando ânsia e enjoo. Ela correu para o banheiro colocando tudo pra fora. Quil estava em seu encalço, mesmo ela estando em um estado lastimável ele sorria ao ajudar a esposa a se recompor. — Gatinha, eu acho que estamos grávidos. — comentou contente.
— Será? — a loira respondeu com uma nítida esperança.
— Claro, agora é certeza! Veja, você está enjoada. Anda cansada e sonolenta, será positivo dessa vez. Dessa vez faremos um de farmácia, estou cansado de ir naquela clinica e ter resultado negativo, mas apelar para o mais rápido. Você ficará bem sozinha por alguns minutos? — ditou tudo rapidamente que ela mal teve tempo de responder. Atônita, Claire apenas assentiu, vendo Quil deixar o apartamento rapidamente.
Ele estava ansioso demais e isso preocupava demais a jovem Amish. Ela tinha que engravidar, tinha que vê-lo feliz.
Trinta minutos depois, Quil adentrou ofegante ao apartamento, Claire estava vendo televisão, mas não prestava atenção de fato no programa que passava. Ela estava preocupada coma proporção de tudo o que estava acontecendo.
Quil explicou que demorou por ir em três farmácias diferentes, trouxe cinco tipos de testes, dentre eles um digital. Explicou a Claire como ela deveria fazer, que a primeira urina era a mais fervorosa, mas não era uma regra explícita.
A loira ficou envergonhada em ter que urinar em um copo descartável e por ultimo em um bastão, que era o teste digital. Colocando as quatro fitinhas dentro de cada copinho, mais uma frustração ao ler a bula do teste digital.
— Negativo, negativo, negativo e negativo! Porra, Claire! Que merda há de errado com você? — Quil gritou exasperado contra a loira que se encolheu na parede, também triste por não obter o resultado esperado e assustada pela repentina mudança de humor do marido.
— Quil, calma. Só faz um mês. Vamos conseguir, mas isso é com o tempo. Eu ando cansada demais, eu também quero um bebê, Deus como eu quero, mas acho que estamos forçando a barra demais e...
— Forçando a barra? Porra! Como você acha que se engravida Claire? Se engravida transando, fodendo, gozando e gozando. Mas pelo jeito você não consegue me dar um filho!
— Olha o que você está dizendo... Quil, fica calmo. Você está muito mais do que ansioso e...
— Chega, caralho! Um mês transando como animais, você acha que eu não tô com a porra do meu pau dolorido? Você é gostosa pra caralho Claire, mas estamos como dois coelhos no cio, e nada! Nem pra me dar um filho? — ela tinha sua boca formada em um “O” perfeito. Nada, nenhuma palavra saia dela. Onde estava o homem compreensivo, amoroso... Amante de um mês atrás? — Eu preciso... Eu preciso sair. — esmurrou a parede ao lado, pegando a chave do carro e saindo novamente.
Claire, escorregou o corpo ao chão, as lágrimas desciam silenciosas e em abundância por sua face. Ela seria oca? Ela não poderia ter filhos? Quil a deixaria por isso? Ele a amaria menos?
Muitas perguntas sem resposta e o que mais doía, era saber que ela estava sozinha.
TLAD
O casal caminhava lado a lado de mãos dadas pelo longo e asséptico corredor da maternidade hospitalar. Ambos estavam nervosos e ansiosos por enfim, depois de sofridos dois meses, poderem ter o primeiro contato físico com a filha prematura.
Renesmee tinha as mãos trêmulas e suarentas. Jacob, mesmo igualmente nervoso, tentava passar conforto a esposa em seu toque. Leah vinha logo atrás do casal, observando como eles pareciam determinados a fazer o melhor que fosse pelo bem estar da pequenina bebezinha. Aquela aproximação era a primeira deles depois de um mês mal se falando, a médica constatou.
Leah não concordava com o que o primo havia feito com a jovem Amish, mas tinha certeza do amor deles e da necessidade de estarem bem para o sucesso do tratamento da pequena Valentina. A bebê vinha tendo uma evolução muito mais lenta e complicada desde a fatídica briga dos pais. Parecia algo infundado perante os seus olhos médicos, mas era inegável o fato, mesmo que fosse inexplicável.
— Jake, Nessie. — Leah chamou assim que pararam diante da porta que separava o berçário comum da UTI neonatal. — Uma enfermeira virá falar com vocês. Irá explicar tudo o que vão precisar saber e fazer para que possam pegar a Valentina no colo. Ela também vai ajudá-los com a assepsia necessária. Vou entrando na frente para falar com a equipe, encontro vocês lá dentro. — explicou atenciosa a morena.
— Lee, tem como você filmar e fotografar tudo? — perguntou Jacob. — Quero fazer um vídeo para que um dia a nossa chaveirinho possa ver. — confessou sorrindo.
— Pode deixar comigo que vou registrar tudo. Você sabe que toda a família também vai querer ver. — concordou prontamente a médica. — Embry esteve aqui hoje pela manhã visitando a Valentina. Tirou várias fotos da nossa princesinha e ficou babando por um longo tempo. Ele tinha vindo para a ultrassonografia com a Jenny. O garotão deles está enorme, Embry está todo orgulhoso. Acho que no fundo, aquele louco será um bom pai. — comentou com os pais da menininha.
— Assim a gente espera. — brincou Jacob.
— Você também será um excelente pai, Jacob. — disse Leah, pondo uma mão no ombro forte do primo. Ela queria passar confiança a ele.
— Na verdade, você já é um pai maravilhoso para a nossa filha. — afirmou Renesmee com um sorriso complacente nos lábios.
— Obrigado. — agradeceu o moreno. Seu coração pulsava intensamente.
Como combinado, uma enfermeira já de meia idade veio conversar com o casal e explicar todo o procedimento padrão para entrarem na área restrita da UTI. Ela também ajudou na assepsia deles. Todo cuidado era pouco para extinguir qualquer risco de levar uma infecção a pequena e frágil bebezinha.
Quando Jacob e Renesmee foram encaminhados para enfim poderem ver e pegar a filha nos braços, repararam que o lugar agora era outro.
Valentina tinha sido transferida da área de isolamento absoluto para a UTI comum, que era onde os bebês de risco moderado a médio ficavam. Isso alegrou o casal em demasia.
— Ela está naquela ali. — indicou a enfermeira para a primeira incubadora que estava localizada de frente para o vidro da vitrine dos visitantes. Um balão rosa enfeitava o local. — Ela é a mascote da equipe, a menorzinha. Todos mimam demais essa princesinha.
— Minha filhinha! — a Amish deixou escapar. Ela já tinha a voz embargada pelo choro que ameaçava desabar.
Em toda a sua vida Renesmee jamais sentiu tanta emoção. Nem mesmo no dia que acreditou que estava casando com o marido foi tão importante. Seu coração trotava em um compasso forte e rítmico, as mãos não conseguiam se mante firmes. Ela queria correr para encurtar o pequeno espaço que separava ela do pedaço de sua alma. Valentina era a sua razão de viver.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Jacob não estava diferente da Amish, porém a sua postura inflexível não deixa transpassar sua emoção e euforia. Ele tinha sofrido demais até aquele momento tão sonhado, pegar Valentina no colo era seu maior objetivo há dois meses.
Uma equipe multidisciplinar já estava preparando a bebezinha par ir para os braços dos pais. Valentina ainda tinha muitos tubos preso ao minúsculo copinho de um quilo e duzentas gramas.
— Bom dia, papais! — cumprimentou simpática a médica neonatal. Courtney era amiga de Leah e médica responsável pelo caso da bebê. — Estão prontos para segurar essa mocinha? Quem será o primeiro? Já faremos a técnica do canguru agora.
Jacob olhou intensamente para a esposa. Ele sabia o pavor que Renesmee tinha de segurar bebês pequenos. Valentina era o extremo do caso. Ela era tão minúscula que seu tamanho era um pouco maior que a palma da mão de Jacob.
Renesmee tinha os olhos sobressaltados, Jacob via a luta interna que ela tinha para superar o medo e pânico.
— Posso ser o primeiro, Nessie? —Jacob pediu na intenção de dar mais tempo para a esposa se preparar emocionalmente.
Talvez se ela o visse fazer primeiro, Renesmee conseguisse ficar mais calma. Era nítido o seu desespero.
— Sim. — disse ela com apenas um sussurro.
— Então, papai, vamos lá? — incentivou alegremente a médica. Leah acabava de entrar na sala. — Sente-se na cadeira. — indicou a confortável poltrona ao lado da incubadora. — Abra o roupão e deixe o tórax desnudo. Sua filha ira depender do seu calor para se mante aquecida.
— Ok. – concordou o moreno, já seguindo as instruções da médica.
— Você pode ficar aqui, mãezinha. — Courtney indicou um espaço atrás da poltrona. — Depois que a Valentina estiver posicionada no colo do pai, você pode mudar de posição.
Renesmee concordou.
Duas enfermeiras foram até a incubadora na intenção de pegar a miúda bebê no colo. Enquanto uma retirava a neném a outra segurava os diversos fios que mantinha a frágil vida.
Com técnica e destreza as duas enfermeiras moveram a bebê, já a posicionavam no peito desnudo do pai. Uma solução asséptica havia sido passada na área previamente.
Valentina balbuciava um choro fraquinho enquanto era manipulada pela equipe.
Jacob sentia o coração dobrar suas batidas. Renesmee já chorava de aflição e igualmente feliz como o marido. Era um duelo de emoções conflitantes.
— Meu Deus! — exclamou a loira ao vê de perto os detalhes do mínimo rostinho. As lágrimas agora caiam em torrente.
— Olá, minha princesinha. — saudou Jacob assim que o corpinho da filha foi colocado em seu peitoral. A médica e as enfermeiras ajeitavam a melhor posição para a menininha — e os tubos — se acomodar no amplo peito do moreno. — Você não faz ideia de como hoje está sendo o dia mais feliz da minha vida. Você tem noção que já me tem nessa sua minúscula mãozinha? Eu te amo tanto, minha pequena Valentina.
Imediatamente ao escutar a voz forte do pai, a pequena parou com o choro. Mesmo imóvel, era como se ela procurasse pela voz tão conhecida.
— Jake, fale com ela. — Leah incentivou. Ela tinha o celular em mãos gravado o momento único. — Ela está te reconhecendo.
— Olha, Nessie! — chamou pela esposa chorosa que estava atrás da poltrona. — Veja como nossa princesa é perfeita. — Jacob passou o polegar de leve na cabecinha da filha.
— Filha, a mamãe também está aqui. — Renesmee havia agachado no lado em que o rosto da filha estava virado. As enfermeiras já atavam a bebê no peito de Jacob com bandagens próprias. — Você é tão perfeita aos olhos de Deus. Você é o melhor que existe de mim e do seu pai. Nós te amamos infinitamente. — a loira tocou a ponta do pezinho que havia ficado de fora da bandagem. Ele era do tamanho da digital de seu dedo indicador.
Jacob envolveu Renesmee em um abraço. Os três agora estavam conectados de alguma forma.
— Agora sim eu me sinto completo. — Jacob tinha os olhos fechados ao falar. Ele tentava controlar a própria emoção. Não estava chorando como a esposa, mas sentia os olhos queimarem. — Vocês são a razão do meu viver. Vou amar e proteger vocês até o último dia da minha vida. Acho que até mesmo, depois.
Todos da equipe neonatal que estavam na sala, estavam emocionados com a cena tocante. Sempre era emocionante ver uma família que se amava tanto se completar. Leah tinha os olhos marejados, mas não parava de filmar e fotografar tudo. Aquela cena merecia ser registrada e eternizada.
A minúscula bebezinha se mantinha calma no reconfortante peito do pai. O calor que emanava do moreno, combinado com as batidas firmes do seu coração a acalmavam. Aquele compasso embalava o seu sono.
Renesmee olhava encantada da filha para o marido. Eles dois pareciam presos um ao outro. Jacob demostrava com ela um delicadeza até então inexistente. Ele tocava com tanta devoção o rostinho da filha, que parecia estar tocado algo sagrado. Valentina lhe era sagrada.
A Amish soube ali que pelo bem dos que amava, ela teria que superar sua tristeza e decepção. Sua filha dependia daquele momento de amor sublime para melhorar a cada dia mais. Ela não pode não reparar em como aquele momento deixou os olhos de Jacob brilhantes novamente, com a mesma paixão que ela sempre o via. Ele estava feliz, ele também precisava dela. Não havia lhe passado completamente despercebido à diminuição da produção de leite, nem o fato que sempre que o extraia era entre lágrimas de tristeza.
Se fosse realmente verdade tudo o que Leah havia falado, com certeza seu leite não era mais o mesmo. Ele estava carregado de dor. Ela precisava estar bem para amamentar. Leah tinha falado que em breve ela amamentaria a filha direto do próprio seio. Isso era o que mais deseja agora.
— Eu amo vocês! — Renesmee confessou baixinho, somente Jacob escutou, aninhando-se ainda mais junto ao corpo dele.
Ele sorriu com a sincera jura de amor da esposa e com o perdão que ela demonstrou ali. Seu peito se alargou ainda mais de amor e contentamento. Felicidade suprema. Ela a apertou mais junto a si. Ela o amava e era reconfortante ouvir aquelas palavras depois de um longo tempo de dor.
Parecia que o mundo voltava a conspirar a favor deles. A atmosfera agora parecia ter se tornado mais leve e favorável. Jacob faria tudo o que estivesse ao seu alcance para nunca mais magoar as duas pessoas que ele mais amava no mundo. Ele sabia que estava longe de ser perfeito, mas faria o seu melhor. Mesmo que o seu melhor jamais fosse o suficientes para seus dois anjos.
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