Two Lives: A Destination
47 Tlad- 44 Especial " Made in Rio"
Notas iniciais

Os olhos piscavam atordoados e insistentes, a luz fluorescente tão vivaz penetrava a retina com ferocidade, incomodando os lindos olhos azuis que há muito ficaram fechados em absoluta escuridão.
O corpo lentamente tentava obedecer aos comandos que lhe eram solicitados, a confusão se espalhando pela mente inerte de Renesmee. Sentindo o peso em um de seus braços, ela tentou erguê-lo, mas o corpo fraco não tinha forças para obedecer ao que a sua mente tinha vontade. As pernas adormecidas, devido há muito tempo na mesma posição, uma delas também estava pesada, porém Renesmee não entendia.
Ela abriu os lábios secos na tentativa de formular uma frase que sanasse as suas dúvidas, entretanto um ardor se espalhou lentamente descendo por toda a sua traqueia. A sensação era como se uma bola de fogo inflamasse toda aquela região.
— Nessie... Amor... Abre os olhos. Olhe pra mim e não pra luz. Fala comigo! — pediu segurando delicadamente o pequeno rosto entre as mãos másculas e firmes, mas que naquele momento estavam trêmulas.
Em uma tentativa vaga de pronunciar qualquer palavra a garganta que antes ardia, agora parecia ainda mais inflamada, como álcool atirado ao fogo. Renesmee levou a mão que sentiu mais leve contra o fino pescoço, e apertou os olhos ainda mais. Jacob de imediato entendeu o motivo da sua agonia.
Rapidamente ele pegou uma jarra com água fresca que havia sido deixada há alguns minutos antes no quarto e encheu o copo, levando com cuidado uma mão para a nuca da esposa e com a outra o copo sobre os lábios finos e secos, ajudando-a ingerir o refrescante líquido que aplacaria a queimação em sua garganta.
— Isso, meu anjo, beba um pouco. Vai te ajudar a melhorar. — sibilou calmo e carinhoso. Os olhos de Jacob irradiavam um brilho que jamais havia sido visto por alguém.
Renesmee sorveu do líquido com tamanho desespero. Assim que a primeira gota deslizou por sua língua, indo lentamente para a garganta, ela sentiu o frescor, o que tornou desesperador pelo alívio imediato.
— Ei amor, calma. Devagar. — advertiu num tom brando de voz, proferindo leves tapinhas nas costas da jovem que pelo desespero engasgou-se com a água. Ela tossia.
— Jake... — murmurou com a voz rouca e falha.
— Sim, amor, eu estou aqui com você. Oh, graças a Deus, Nessie! — ele a abraçou e beijou o alto de sua cabeça, descansando a bochecha sobre as madeixas platinadas.
— Do-dói... — Renesmee gemeu gaguejando e levando a mão trêmula até a região a qual Jacob fazia pressão com sua bochecha, o que fez ele se afastar abruptamente.
A dor era cruciante e parecia com bruscas marteladas constantes sobre toda a região. Tudo girava e a visão ainda era turva. Renesmee tentava entender de onde vinha toda aquela dor que se espalhava por completo em seu corpo. Mas nada lhe vinha em mente, era como se ela tivesse dormido bem e acordado com dor e desorientada.
— O que... O-onde... Por-porque tá doendo? — as palavras ainda não eram coerentes, saíam falhas por entre os lábios, que agora se encontravam mais rosados.
O moreno se aproximou retirando a mão da esposa que estava sobre a cabeça e segurando-a delicadamente.
— Nessie, fica calma. Meu anjo, olhe pra mim. Eu estou aqui com você, tenta ficar calma e olhe pra mim. — suplicou, afagando a face da loira.
Renesmee piscou confusa e forçou os olhos a encarar o rosto de Jacob. A dor ainda estava presente, mas a curiosidade em descobrir o que estava acontecendo era maior. Ela controlou um gemido de dor que estava prestes a escapar de seus lábios e fitou intensamente o moreno.
— Amor, você sofreu uma queda. — Jacob buscou o ar para os pulmões, ele precisava escolher as melhores palavras para dar a dura notícia. — E ao cair você machucou a cabeça. — ele parou para observar quando ela puxou a sua mão da dele, levando-a imediatamente sobre toda a região, apalpando levemente e sentindo uma dor mais pungente sobre um pequeno curativo que tinha na testa. Jacob buscou novamente a mão da jovem, segurando-a com carinho. — Você precisa ficar calma para que eu conte Nessie. — disse tentando fazer com que ela não se desesperasse, contudo, as suas palavras estavam aguçando ainda mais o desespero na Amish. — Além da cabeça, você machucou o braço e a perna. — concluiu. Novamente ela puxou a sua mão e levou até a região descrita pelo moreno, constatando que havia uma superfície rígida e fria envolvendo seus membros.
— Que isso? — perguntou em um sussurro muito fraco.
— Isso é gesso, Nessie. Foi necessário que os médicos colocassem para ajudar na recuperação mais rápida de seu braço e perna. Não precisa ficar assustada, já até assinei o meu “Te Amo”. Olha. — indicou com o dedo para a escrita masculina em tinta preta, com um pequeno borrão em vermelho ao lado da declaração. Jacob estava tão nervoso que seu corpo tremia. Ele sorriu sem graça quando ela levantou com a ajuda dele o braço esquerdo e ficou confusa com o borrão ao lado da frase. — Era pra ser um coração, mas eu não sei fazer essas coisas! Bem... Isso é coisa de mulher. — envesou os lábios elevando o canto esquerdo. — A Leah também não gostou, disse que eu emporcalhei seu gesso com esse coração malfeito.
— Mas... Eu gostei! — sorriu contida.
— Obrigado! — Jacob sorriu convencido. — Também gostei de como ficou. — analisava a sua obra. — Esse sim é um coração de macho. — brincou, afagando os cabelos perfumados da sua linda esposa.
Renesmee elevou a comissura dos lábios em um sorriso tímido, mas o momento de carinho se rompeu assim que as palavras começaram de fato a lhe fazer sentido.
“Queda... Cabeça... Dor... Gesso... Braço... Perna... Recuperação...”
A sua consciência gritava por um esclarecimento do que realmente acontecia. Instintivamente ela tentou elevar a cabeça, tirando os ombros da cama tentando fitar tudo o que seus olhos conseguiam enxergar naquela posição. De imediato o seu corpo sentiu o movimento e seus pontos localizados no baixo ventre repuxaram-se, causando uma ardência significativa.
Renesmee levou a mão ao local para tentar conter a dor e notou que a saliência — antes tão orgulhosamente sentida — agora não estava mais ali. Havia apenas uma barriga plana e dolorida. Ela arregalou os olhos que já lacrimejavam instantaneamente. O entendimento levemente lhe passou à cabeça e o desespero que tanto Jacob temia, começou a se manifestar.
— Cadê... — foi tudo o que conseguiu proferir.
Renesmee não precisou terminar de formular a pergunta, pois Jacob já entendia exatamente o que ela queria saber. Os olhos dele que antes estavam tão brilhosos e esperançosos, entregou a resposta que Renesmee buscava, assim que se tornaram opacos e em suplício.
— Não! — ela gemeu. Lágrimas escorriam de seus olhos azuis transbordando toda a agonia e dor de seu coração.
As mãos, incluindo a engessada, em seu desespero, apalpavam toda a região abdominal. Os aparelhos que a monitoravam, começaram a marcar um compasso elevado devido as suas alterações emocionais. Ele apitava alto e continuo.
— Calma, amor. Por favor, ela está bem! — apressou-se em dizer, não escolhendo as melhores palavras. Jacob somente queria que ela ficasse calma.
— Cadê a minha bebê? Eu quero a minha filhinha! — a voz que antes era fraca e contida, criou forças para soar um pouco mais alta. Ela começou a querer fazer esforços demais para poder levantar, porém seu corpo ainda fragilizado refletia a dor, impossibilitando-a de concluir seus comandos.
O som dos aparelhos apitando, Renesmee entrando em completo desespero, fez com que o autocontrole de Jacob se esvaísse. Ele necessitava dela calma e tranquila, mesmo sabendo que seria difícil. O grau de saúde dela ainda era muito delicado. A preocupação com os pontos que ainda estavam na região o fez entrar em alerta.
— Nessie, amor... — ele tentou acalmá-la, porém foi inútil. Renesmee estava irredutível e negava-se em manter a calma para que ele pudesse explicar tudo, obrigando-o a apertar a campainha do quarto.
Em poucos minutos uma enfermeira entrou pela porta e se surpreendeu por ver a paciente acordada.
— Chame a minha prima! — ordenou impassível. — Chame a Dr. Clearwater imediatamente.
A enfermeira não pensou, apenas saiu a passos largos, cumprindo a ordem dada.
— Meu anjo, para com isso. Fica calma. Você vai se machucar e pode piorar o seu quadro. — pediu segurando as mãos da esposa aflita. — Porra! Cadê a Leah que não chega! — protestou olhando para a porta.
— Minha chaveirinho... — sua voz saiu como um leve miado.
Jacob suspirou ao ouvir a esposa falar da filha, seus pensamentos foram levados diretamente para o ser miúdo que estava há alguns metros dali.
— Ela é linda! — comentou orgulhoso.
Nesse momento a porta foi aberta e por ela entrou a morena sobressaltada com uma equipe multidisciplinar em seu encalço.
— Ei, Nessie. — Leah disse aliviada chamando a atenção para si. Afastando Jacob do duelo de mãos com a jovem loira. — Longe Jake, eu preciso examiná-la.
Leah tentou acamá-la enquanto a sua equipe fazia todo o procedimento avaliativo. Renesmee, mesmo relutante, percebeu que naquele estado só piorava a situação e a deixava ainda mais sem respostas. Seu corpo doía, sua cabeça latejava, concluiu que precisava se acalmar para que pudesse descobrir o que ocorria.
Os primeiros exames físicos foram feitos e o diagnóstico foi positivo. A Amish aparentemente estava perfeitamente bem e sem sequelas, mas essa conclusão só poderia ser constata através de exames mais específicos, com isso Leah solicitou uma tomografia.
Com toda calma e seriedade possível, Leah manteve o autocontrole ao explicar exatamente tudo o que havia acontecido com Renesmee, incluindo o parto antecipado e o estado delicado da filha.
Renesmee chorava incontrolavelmente, porém, contida. Era um choro sentido, sua alma despedaçada, como se seu coração tivesse sido arrancado de dentro do peito sem seu consentimento. As batidas não eram mais sentidas como antes, ela se sentia oca, precisava da sua outra metade para poder respirar, o peito apertado sufocava e o ar não entrava. Um pedaço dela havia sido bruscamente arrancado, era a sua metade mais importante.
— Eu quero segurar ela. Eu quero a minha bebê. — disse de cabeça baixa.
O som daquela voz, transmitindo tanta dor, acabou com seu já falho equilíbrio emocional. Jacob fechou os olhos com força, respirando fundo ele foi até ela envolvendo-a em seu abraço protetor e acolhedor. Ele chorava silenciosamente.
— Nessie, infelizmente isso não será possível. Eu preciso que você entenda, a situação está sobre controle, mas não é normal. Chaveirinho precisa de todos os cuidados e não pode ser segurada por ninguém além da equipe médica especializada. Você terá que confiar em nós e ter paciência, pois fé eu sei que você tem muita.
— Eu. Quero. A. Minha. Filhinha! — disse pausadamente elevando o tom da voz rouca. Leah e Jacob se surpreenderam pelo o tom imposto de forma firme que não caracterizava a sempre amável e doce Amish.
— Renesmee isso não vai acontecer. Como eu já lhe expliquei, ela não pode ser exposta. Isso colocaria a sua saúde em risco. — Leah sentou-se e segurou a mão da jovem lhe encarando de forma firme. — Eu posso tentar ver se consigo uma forma para que você possa ao menos vê-la, do mesmo modo como Jacob vê. — Renesmee sentiu um fio de esperança com as palavras da médica, mesmo mínimo ela ainda tinha em seu ser a vontade de tê-la em seus braços.
— Você precisa confiar, Nessie. Ela é tão linda e esperta, logo você terá em seus braços. — Jacob levantou com o indicador o queixo da esposa para que pudesse olhar em seus lindos olhos. Ele queria tanto terminar a frase com uma promessa de que tudo ficaria bem, porém estava fora de seu alcance tal promessa. O que era difícil demais de aceitar.
Ela o abraça de forma desesperada. Ali ela se sentia segura e protegida, ao ter os braços firmes lhe amparando com tamanha firmeza. Nada mais foi dito, ela apenas maneou a cabeça assentindo.
TLAD
A porta foi batida com fúria e de forma grosseira, deixando os dois morenos do lado de fora do apartamento. Antes que a chave pudesse rodar na fechadura a maçaneta foi forçada de forma firme, impedindo que o objetivo de trancar a porta fosse concluído.
— Sai! — Jenniffer gritou a plenos pulmões, ela estava na ponta dos pés tentando encarar frente a frente à face do moreno. Porém o esforço foi desnecessário, ainda tinha quase um tórax de distância. Contentando-se em socar o peito largo.
— Escuta, baby...
— Escuta o caceta, Embry. Eu não vou! — berrou com a face vermelha de raiva.
— Ela não quer ir seu... Seu... Shrek! — Barbara correu de encontro à amiga, puxando-a para longe do namorado.
— Shrek? — Seth questionou não contendo a sua gargalhada.
— Controle a língua da sua víbora, Seth, ou eu juro que não respondo por mim. — Embry ameaçou fechando as mãos em punho ao lado do corpo. Ela realmente havia lhe insultado.
— Ui! Tô morrendo de medo de você. Volta pra porra do teu pântano seu ogro, porque daqui a Jenny não sai! — a morena bateu o pé cruzando os braços junto ao peito quando Embry tentou passar por ela.
— Seth, eu tô te avisando, caralho! Segura essa sua miniatura de NAJA. — gritou impaciente para o primo, tentando alcançar à namorada, mas Barbara não saia do caminho e sequer abalou-se com a ameaça implícita.
— Minha gostosa, não adianta lutar. Pra que todo esse esforço? Não adianta. Você vai pra casa comigo. Vai morar comigo. E a Jenny vai pra casa com o Embry. Vai morar com o Embry. Simples assim. Como um mais um são dois! — ditou irônico.
Imediatamente as duas brasileiras contorceram a face em total desaprovação.
— Ah, mas não vamos mesmo! — proferiram juntas.
— Ah, mas vão sim! Foi mal, Seth. — Embry segurou a morena pelos ombros e a ergueu facilmente do chão, tirando-a do seu caminho. Agora estava livre para acessar a loira que mantinha a cara fechada.
Barbara parecia com uma boneca de pano, sendo facilmente retirada do seu lugar.
— Você é um ogro! Seu troglodita. Seth, você não vai fazer nada? — a morena indagou com raiva.
— É claro que sim. — ele a encarou sorrindo de forma irônica. — Irei arrumar as suas malas. — debochou passando pela namorada e entrando no quarto com ela em seu encalço.
— Não vai não. Daqui ninguém me tira e muito menos a Jenny. Para com isso, Seth! — gritou segurando os braços firmes do namorado enquanto ele abria seu guarda roupa e tirava as roupas jogando-as sobre a cama. — Eu não vou, porra! Você não manda em mim, muito menos é meu dono. Eu sequer te conheço, seu babaca. Eu sou a dona do meu próprio nariz. — bateu orgulhosa no peito.
— Hum... Cena comovente, mas foda-se. Se você não quer as roupas... Eu não ligo de comprar novas roupas pra você. — ele levantou o corpo da namorada colocando-a sem seu ombro, como um saco de batata.
Barbara esperneava e batia contra as costas do namorado. Jenny que estava em seu quarto no mesmo impasse que a amiga, se assustou ao ouvir os gritos de protesto que vinham da sala. Correu e viu que Seth estava na porta do apartamento prestes a sair com a amiga pendurada em seus ombros.
— Aff, ninguém é normal nessa família. — suspirou revirando os olhos. — Onde eu fui amarrar a porra do meu jumento! Solta ela seu ogro. Tudo ogro! Tudo ogro! — Jennifer já corria puxando as pernas da amiga, na tentativa de resgatá-la. Porém, o caso que era para ser rápido e fácil, as brasileiras estavam deixando tudo complicado e bizarro.
Embry foi até o encontro de toda a algazarra levantando Jenniffer de forma cuidadosa em seus braços. Ela a segurava como um bebê, deixando com que Seth deixasse o apartamento com a namorada.
— Embry, você está me deixando emocionalmente abalada, isso não está fazendo bem para o meu bebê.
— Você quis dizer, NOSSO bebê. Lembre-se, meu bem, você é minha e esse filho é NOSSO! Ouviu bem, NOSSO! Não complique mais as coisas, assim não irá passar mal.
— Pensasse nisso antes. Ei! — gritou. — Onde estamos indo?
— Para a nossa casa, baby.
— Minhas coisas!
— Quais coisas? Suas roupas? Compraremos tudo novo, as antigas não irão servir em breve mesmo. — deu de ombros.
— Você está me chamando de gorda? — perguntou com os olhos vidrados em fúria.
— Bem, que você já esta ficando mais pesadinha isso é fato. Pois me lembro de pegar esse seu corpinho gostoso com total facilidade e agora olha. — imitou fadiga. — Já estou ficando cansado. — brincou ao ver a expressão desgostosa da namorada.
— Me põe no chão. — pediu com a voz embragada, as lágrimas já escorriam pela face da loira. O que preocupou Embry.
— Baby? — indagou curioso e ao mesmo tempo preocupado. Ela não respondeu, soltou um soluço e fungou contra a camisa do moreno. — Oh, Jenny, eu estava brincando. Você está ainda mais linda e gostosa. Olha só esses peitos, estão me deixando com água na boca. Deus, vamos logo pra casa.
Jenniffer estava com os hormônios visivelmente abalados, deixando-a com uma montanha russa de sentimentos. No mesmo momento em que Embry brincou lhe chamando de gorda, sentiu-se feia. Mas no instante seguinte em que a elogiou, sentiu seu corpo se arrepiar de desejo pelo namorado. Afinal, eles não ficavam juntos intimamente há algum tempo.
— Ah, baby. Você vai ser a minha perdição, aliás, você já é. — ele a beijou ternamente enquanto as portas do elevador se fechavam.
O caminho não foi longo, porém silencioso. Jenniffer não teve tempo sequer de falar tchau para amiga. Assim que saiu do prédio onde as duas dividiam o apartamento, Barbara já havia ido embora no carro de Seth.
Agora a loira observava cada detalhe daquele amplo e luxuoso apartamento. Distraída ela só abriu os olhos depois que estava no chão, com patas pesadas em seu peito.
— Thor, não! — a voz de comando de Embry ecoou no ambiente.
Jenniffer ficou encarando o animal que lhe olhava curioso. Após alguns minutos de reconhecimento, Thor lhe deu uma longa e molhada lambida na face. O pit bull havia recebido um longo adestramento rigoroso e com isso tornando-se mais sociável.
— Que garotão lindo! — exclamou afagando a enorme cabeça do bicho. Enquanto Thor abanava o rabo com fervor. — Embry, você não me contou que tinha um cachorro tão lindo. — disse a loira beijando o focinho do animal e se levantando.
— Thor, não era muito sociável. Vem aqui, Thor. Chega de lambidas, eu sou o único que pode lambê-la.
— Corta essa, Embry, ele só um cachorro. Não vou transar com ele.
— Sou possessivo, Baby. Thor, pra sua cama. Já! — apontou para a enorme almofada perto a lareira, para onde o cachorro seguiu. — E então, gostou da cobertura, baby?
— A sua cobertura é linda.
— Nossa!
— Sua, Embry. Eu não vou ficar aqui. — foi taxativa.
— Sim, você vai. — desafiou firme. — Ou eu não me chamo Embry Black.
— Como você vai se chamar eu não sei, mas o meu nome é Jenniffer Gaisler. E eu afirmo que EU não ficarei. — contradisse o namorado, subindo as escadas para olhar o andar superior.
— Veremos... — ele resmungou com um sorriso presunçoso nos lábios seguindo a namorada.
Jenniffer avaliava cada detalhe, desde as cortinas ás almofadas combinando. Os móveis bem decorados em perfeita harmonia no ambiente, o quarto era surpreendente com uma enorme cama size instalada no centro.
— E então, baby. Mandei caprichar no nosso ninho de amor. Aqui faremos muito desses molequinhos. — abraçou a loira por trás, repousando a mão sobre o ventre e esfregando a protuberância visível em sua calça.
— Quantas vadias você já comeu aqui? — perguntou afastando-se do moreno.
— Porra, assim você me ofende. — ele voltou a se aproximar.
— Sem tocar, Embry. Responda! — visivelmente com ciúme Jenniffer exigia uma resposta, o quarto estava muito bem decorado, aliás, a cobertura inteira, era muito bem pensada em cada detalhe, o que não era característica de um homem.
— Baby, deixa de ser ciumenta. Eu redecorei a cobertura assim que começamos a namorar. Por isso nunca te trouxe aqui, ela estava passando por uma reforma. Então tecnicamente você será a primeira e única a quem eu irei comer aqui. E você não é nenhuma vadia, você é a mãe do meu filho. Deixa de manha e vamos estrear essa porra de cama, ou eu juro que vou te comer no chão mesmo. Ou se preferir, pode ser em qualquer lugar da sua escolha, desde que você esteja nua somente para mim.
A loira revirou os olhos, mas sorriu. Ele tinha o seu charme.
— Você estava indo muito bem demais com suas palavras melosas, mas confesso que prefiro você na matéria bruta. — ela o puxou para um beijo.
Mesmo contra a vontade de se mudar e deixar sua amiga, ela sabia que isso aconteceria mais cedo ou mais tarde. Agora eles tinham formado uma pequena família.
TLAD
Assim que Seth desligou o motor do carro importado, a morena desceu com fúria batendo a porta do mesmo.
— Ei, isso aqui não é a geladeira da sua casa. Gostosa, o que tá pegando?
— É, realmente, aqui nem é a porra da minha casa. Você não tem dinheiro? Então compra outro, cacete!
— Não seja malcriada, olha o tom! Ou eu lhe darei uns tapas nessa sua bunda empinada e deliciosa.
Barbara não respondeu, ela respirou fundo e tentou controlar as suas emoções. De forma insistente apertava o botão do elevador, parecia que a qualquer momento ela o afundaria na parede.
— Ei, ei. Meu seguro não cobre o botão de chamada do elevador. — ele segurou a mão dela, notou estar suando e trêmula. — Você tá com medo de mim? — indagou assim que ela se afastou, mas Seth a puxou de volta.
A morena abaixou o olhar e não respondeu. Ele a beijou como forma de carinho e para acalmá-la, ele não entendia o motivo pelo qual ela poderia estar com medo.
O elevador chegou, Seth digitou o código e eles subiram em silêncio. Assim que adentraram a cobertura enorme e luxuosa, a morena correu para um sofá afundando as mãos no rosto.
— Minha Delícia, não fica assim. Porque está com medo?
— Medo? Não estou com medo. Muito menos de você. — disse sem conseguir convencer o moreno.
Ele notou a insegurança em sua voz.
— Sua amiga vai ficar bem, Embry não vai fazer mal a ela. Ele é louco, mas acredite; ela fisgou o cara. — confessou acreditando que aquele era o motivo pelo qual a morena estava temerosa.
— O problema não é a Jenny, Seth. Quer dizer, é... Também. Mas sei que aquele ogro, apesar de tudo, irá cuidar bem dela. O problema é essa merda toda. — ela sinalizou com o dedo fazendo um círculo para englobar todo o ambiente. — Eu quero ir embora. Eu quero a minha casa, eu quero a minha vida sem a sua interferência... Sem as suas imposições.
— Eu não deixarei você ir. Agora nós vamos começar algo novo, uma família. Quem sabe até um filho mais pra frente.
Barbara abaixou a cabeça em silêncio, controlando suas emoções. Ela não choraria diante do moreno, não diante daquele assunto delicado. A morena não gostava que as pessoas a olhassem com pena.
Seth notou que algo muito errado acontecia ali. Ele se aproximou da jovem e sentou-se ao seu lado.
— Porra, o que eu falei ou fiz de errado? O que você me esconde? — ele segurou no queixo dela, forçando-a a encará-lo. — Eu só quero começar algo verdadeiro com você. Porra, morena, você me conquistou. Eu quero muito mais com você.
— A gente nunca será uma família, Seth. Você não entende. — mexeu nos cabelos nervosamente. E se ele de fato não compreendesse. Ela jamais poderia dar uma família a alguém.
— Que merda é essa que você tá falando?
— Eu não posso ter filhos! — Barbara disse sem fazer rodeios, desviando o olhar.
Os minutos em silêncio estavam matando a morena por dentro. Seria agora a parte em que ele iria dizer que ela então não era a pessoa certa para uma família. Nem ela mesma queria tudo aquilo.
— O quê? — perguntou letárgico.
Barbara levantou indo em direção da porta enquanto falava:
— Oh, tudo bem. É agora que devo ir. Eu sempre soube Seth, eu nunca não vou ser nada que um homem quer, a não ser uma diversão de alguns dias sem futuro.
Ele correu segurando-a pelo braço, impedindo-a de alcançar a maçaneta.
— Como assim, não pode ter filhos?
— Seth, chega. É isso mesmo, eu não posso ter filhos. Não irei lhe dar uma família. Um garotinho pra jogar bola ou uma garotinha pra você guardar em sete chaves. Agora que você já sabe, eu já posso ir embora. — tentou se soltar do aperto, mas os braços que a continha lhe segurou ainda mais firme.
— Barbara, eu já entendi o que você disse. No entanto, eu não entendo o porquê você quer ir embora. Agora me conte exatamente essa história desde o começo.
— É complicado. Envolve um passado o qual eu não me orgulho e você não irá gostar de saber. — suspirou. — Lembra quando eu disse que estava editando parte do meu passado? — ele assentiu — Essa é a parte que inclui uma boa edição.
— Seja o que for não me importa. Eu quero saber tudo. Porque quem eu sei que te fez mal, nunca mais fará nada. — os olhos que antes estavam condescendentes, agora se tornaram frios e inexpressivos.
— Tudo bem. Então eu vou te contar, já que você insisti em começar algo verdadeiro juntos. Então que não haja mentiras ou ocultações. Só me promete uma coisa; se depois de tudo o que eu te contar você achar demais, seja sincero para falar e me deixar ir embora, Seth. Eu não vou suportar passar por tudo outra vez. Acreditar e me ferrar, vocês dois tem o mesmo tipo de vida e...
— Não me compare com aquele filho da puta de merda! — soltou o braço da morena.
— Não estou te comparando. Desculpa. É que eu não posso deixar de lado o medo, Seth. Eu o sinto, vocês vivem da mesma forma.
— Não somos iguais. Pra começar eu a amo, ele nunca a amou. Seja qual for o seu medo, ele vai deixar de existir, porque eu nunca farei nada como ele. Vem, vamos conversar sobre as edições. — ele deu um beijo calmo nos lábios rosados da brasileira.
Barbara não confessou, mas a partir do momento em que ele disse que amava-a, todos os medos que ela sentia foram embora. Seja o que for ela enfrentaria para ficar ao lado dele. Ela suspirou buscando coragem para confessar sua maior dor.
— Um pouco mais de um ano que eu estava com o Viny, à situação ainda era suportável, eu acreditava que a gente ainda poderia dar certo. Eu e Jenny acreditávamos que um filho pudesse mudar toda a situação, então combinamos que naquele momento pararíamos de nos prevenir e como nossos parceiros não usavam preservativos, uma gravidez seria questão de tempo. — ela riu amargamente — Éramos muito jovens e eu nem diria tolas, éramos duas burras apaixonadas achando que poderia consertar algo que jamais esteve certo. Bem, eu vou falar por mim, porque da Jenny você já sabe de tudo. — engoliu em seco e buscou o ar para continuar. — Uma noite, eu cheguei toda feliz com o resultado do exame. Ele estava sentado vendo um jogo na televisão. Ele me puxou para o seu colo e os olhos caíram diretamente sobre o envelope na minha mão. Meu sorriso era perceptível e eu não precisei dizer nada para ele desconfiar. — a morena fechou os olhos, lembrando nitidamente da cena que narrava. — Ele levantou com brutalidade, me deixando no chão e rasgou o envelope, lendo-o rapidamente o papel que nele continha. Parecia que ele já tinha experiência e sabia exatamente onde ler. — uma lágrima caiu dos olhos dela, mas rapidamente ela a secou. — No momento em que Viny se virou e a sua mão foi direto para o meu rosto, o meu olho escorreu sangue na mesma hora, e meu sorriso se transformou em lágrimas. — Seth apertou a mandíbula com raiva, ele tinha feito um ótimo trabalho eliminando de vez o problema Viny. Queria ter feito sofrer mais. — Eu apanhei muito aquela noite, Seth. Ele disse que eu havia traído a confiança dele e que ele não queria ter filhos. Ele me deixou sangrando sozinha, até hoje não sei por quantos dias fiquei trancada, até que pela minha ausência a Jenny exigiu que o Beto a levasse até mim. Foi quando eu acordei e soube que além do meu bebê, eu também havia ficado oca. Eu tive uma séria infecção, o qual foi necessário fazer uma laqueadura total.
Foi tudo o que a morena disse. O que foi o suficiente para Seth entender a gravidade da situação. Ela jamais seria mãe, mas naquele momento ele também escolheu que ele não queria ser pai.
Seth não precisava de um filho para se sentir completo. Na verdade, nunca fez questão de um, queria filhos somente porque acreditava que era isso o que ela queria para formar uma família.
— Eu não preciso de filho para ter uma família ao seu lado. Você já é tudo o que eu preciso. — beijou com fervor os lábios da morena, selando a promessa que acabara de fazer.
TLAD
O coração pulsava forte no peito delicado da jovem, a emoção era quase incontida. Desde que havia acordado e passado pela bateria de exames necessários para constatar que estava bem, tranquilizando não só o marido como toda a e equipa medica responsável pelo seu caso. A pior parte foi quando a enfermeira apareceu para extrair o leite que iria alimentar a sua pequena filha, que ela ainda sequer conhecia.
Ela se sentia incompleta e impotente, nem alimentar a própria filha no próprio seio ela tinha o direito. Todavia compreendeu que tudo que era feito tinha o objetivo somente de trazer o bem estar e reestabelecimento da sua pequena.
A porta do elevar se abriu e por ela passou Leah, seguido de Renesmee e Jacob, que empurrava a esposa na cadeira de rodas seguindo para o corredor asséptico.
O caminho já era conhecido pelo o moreno, mas tudo era novo aos olhos azuis da jovem Amish. Ela estava ansiosa, nervosa e com vontade de correr em direção onde dizia estar a sua filha. Aquilo agravava mais a sua situação sentimental, sendo que ela não iria andar enquanto não estivesse recuperada.
— Falta muito, Jake? — perguntou ansiosa.
— Não, meu amor. Falta muito pouco para você conhecer a nossa filha. Com certeza ela também está ansiosa para te conhecer.
Renesmee sorriu com as palavras ditas pelo marido, seu coração dobrava as batidas e tudo ficou ainda mais intenso quando cruzaram a porta que dava acesso ao corredor da UTI neonatal. Os olhos de Renesmee cintilaram quando ao passar pelo berçário, os balões coloridos adornavam o local, assim como pessoas diante da vidraça sorriam felizes e animados.
— É aqui, Jake? Eu quero vê-la. Me ajuda a levantar. Qual é a nossa bebê? — procurava com os olhos curiosos todos os pequenos embrulhos com mantinhas cor de rosa, e esticava o pescoço para enxergar mais no fundo.
Jacob parou de empurrar a cadeira, soltando a respiração de forma lenta. Estava visivelmente chateado porque ela teve a mesma sensação que ele quando entrou naquele corredor pela primeira vez. Ele sabia como ela iria se sentir após ver de fato onde a sua filha ficava. O moreno beijou o alto da sua cabeça como carinho e compreensão.
— É um pouco mais pra frente, Nessie. Vamos. Nossa chaveirinho nos espera. — disse animando a esposa e voltando a empurrar a cadeira.
Eles chegaram e pararam diante da porta de acesso restrito. Leah conversou brevemente com a enfermeira de plantão, tentando achar alguma possibilidade de Renesmee entrar na sala e pelo menos, tocar a filha. Porém a enfermeira nega, explicando todas as complicações que isso acarretaria ao já frágil bebê.
— Vem Nessie, ela esta aqui. — Leah incentivou, a fim de que ela não percebesse sua conversa com a enfermeira.
Jacob a levou até o vidro, todos já devidamente vestidos como o procedimento habitual. Ele levantou a esposa em seu colo, para possibilita-la de ter melhor visão da filha.
Renesmee não precisou que alguém dissesse alguma coisa, no mesmo instante em que seus olhos repousaram sobre o minúsculo ser, adornado de vários tubos e fios. Seu coração doeu. Ela não entendia como algo tão visivelmente frágil e pequeno poderia se manter vivo.
Tudo parecia tão complexo. Seu sonho, sua pequena metade ligada a tantos fios, tão frágil e indefesa. Ela desejava que nada daquilo tivesse acontecido. Queria sentir sua pequena dentro da sua barriga, onde estaria segura e protegida até finalmente chegar a hora de conhecer o mundo. A sensação de nostalgia dominou Renesmee e ela levou a mão ao ventre de forma instintiva, deixando que as lágrimas expressassem o que seu coração gritava.
— Ela não é linda, meu anjo? Nossa pequena é perfeita. Não chore Nessie, ela vai ficar bem. Hoje eu tenho fé, foi você que ensinou.
— Mas como? Como ela pode estar...
— Nessie, ela esta sendo bem cuidada. Temos a melhor equipe neonatal de Nova York. Ela vai ficar bem e, assim que possível você irá pegá-la em seus braços. — Leah disse afagando os ombros da loira, transmitindo toda a sua força.
O silêncio predominou no ambiente por alguns minutos, cada um inerte refletindo sobre a sua própria dor. De repente, com um olhar cúmplice, Jacob pediu para que a prima que ligasse o sistema de voz. Ele já havia conversado com a Leah para fazer uma surpresa para Renesmee. Ele queria mostrar o quanto a filha deles estava esperta, e dar a esperança necessária para que Renesmee acreditasse que era possível.
— Olha, Amor, com a nossa garotinha é espertinha. — ele sorriu para Leah, que pressionou o botão. Renesmee não entendeu, apenas olhou fixamente para sua pequena e frágil bebê.
— Jake, já está ligado. — sorriu abertamente olhando para o casal.
— Ei, chaveirinho do pai, olha quem eu trouxe para conhecer você conhecer: A mamãe! Olha como ela é linda!
Renesmee ficou observando sem entender a intensão do marido. Ele conversava como se a bebê pudesse ouvi-lo.
— Mostre pra mamãe o quanto você é espertinha. Filha! — ele chamou — Chaveirinho do pai. Vamos, dê um oi pra mamãe.
— Jake, o que você tá fazendo? — a loira perguntou em um sussurro.
— Filha! Cadê a garotinha do papai?
Renesmee fez menção de perguntar novamente o que o marido pretendia com aquilo, mas a imagem que refletia diante de seus olhos não deixou. Ela ficou paralisada observando os pequenos e insistentes movimentos que a pequenina fazia ao ouvir a voz do pai.
— Isso, boa menina. Olha lá amor, ela disse oi. Fale com ela. — incentivou.
A loira mais uma vez buscou a sua voz, mas tudo o que encontrou foram soluços, que acompanhavam as suas lágrimas, que caiam de forma abundante sobre a sua face. Ela espalmou a mão — sem gesso — no vidro, bem na direção da filha como se pudesse senti-la.
— Conversa com ela. Não tenha medo, Nessie. Ela pode te ouvir. — Leah incentivou.
— Pode?
— Claro, amor. Olha: Filha, mostre pra mamãe que você quer ouvi-la. Mostre pra ela. — Jacob falou mais uma vez e com isso, mais um remexer dentro da pequena incubadora. Ela estava muito agitada, mas a enfermeira não interviu o momento. Ela sabia que era o primeiro encontro entre mãe e filha.
— Filhinha? — chamou incerta. — Você pode ouvir a mamãe? — perguntou timidamente.
— Mais alto. — ele pediu no ouvido da loira. — Não pergunte, converse com ela. Do mesmo modo como você fazia quando ela estava em sua barriga.
— Filha, a mamãe está sentindo tanto a falta de ter você aqui dentro de mim. Sentindo você chutar sempre que ouvia a voz do papai. Queria tanto pegar você no colo, meu anjinho... — fungou emocionada e logo continuou — Segurá-la contra meus seios, para te acalmar com as batidas do meu coração.
— Olha, Nessie. Ela mexeu pra você, continue falando.
— Oh, Jake! Eu não consigo. — soluçou emocionada, mas tentou falar mais algumas palavras. — Eu vou te amar pra sempre, minha filhinha. Minha chaveirinho... Você é o melhor pedaço de mim e do seu pai, você é a soma do nosso amor. Te amo como a minha vida. — a voz era quase inaudível, mas a pequenina se mexia com fervor os bracinhos e perninhas.
Jacob ficou emocionado ao ver que a filha reconheceu a mãe. Leah alertou que o tempo havia se esgotado. A neném estava muito agitada e Renesmee muito abalada sentimentalmente, ambas precisavam de calma e descanso.
— Filha... Chaveirinho... — espalmou o vidro na simulação de tocar a filha, ela queria transpor as barreiras que as separavam.
— Nessie, acho que está na hora de darmos um nome a nossa filha. Nós não podemos continuar chamando-a de chaveirinho. Sei que é repentino e que íamos fazer isso com calma, mas eu só estava esperando você acordar para fazermos isso juntos.
— Eu não tenho ideia. Não consigo pensar agora. — balbuciou emocionada.
— Eu estive pensando em alguns nomes e encontrei um que se encaixa perfeitamente com ela e com toda a situação que estamos passando. Acredito que você também irá gostar, porém podemos escolher outro caso não lhe agrade.
— Qual?
Jacob sorriu orgulhoso e olhou para a filha, que lutava tanto pela a vida.
— Valentina! — disse contente. — Ela é valente, ela está lutando cada dia para ficar com a gente. Essa pequenina é muito valente.
Renesmee sorriu encantada, Jacob tinha feito o seu dia ainda melhor. Sua pequena filha era mais do que valente, ela era a sua Valentina.
— É perfeito, Jake. Eu amei, não poderia ter nome melhor e mais lindo para ela. Valentina! — disse encantada.
— Que ótimo! Agora já temos um nome. — Leah sorriu. — Margareth, troque a pulseirinha da chaveirinho, pois agora ela é oficialmente: Valentina Cullen Black! — ditou orgulhosa e a enfermeira sorriu complacente.
Jacob colocou Renesmee de volta na cadeira para levá-la para o quarto. Mas antes dele dar qualquer passo, selou os seus lábios juntos ao da amada. Tudo agora parecia estar começando a se encaixar.
TLAD
Como de costume, as notícias na família dos The Wolf se espalhavam na velocidade da luz, e antes mesmo que a loira voltasse ao seu quarto, para descansar da carga emocional que foi conhecer a minúscula filha, seu quarto já estava lotado com os membros de sua —agora — família.
Leah tinha enviado uma breve mensagem para Rachel, onde comunicou que Renesmee havia enfim acordado, que não tinha ficado com sequelas e estava perfeitamente bem, mesmo mediante há todo o susto e choque que teve ao descobrir que havia tido o bebê antes da hora.
— Nessie! — Claire correu e agachou-se para abraçar a amiga assim que a cadeira de rodas entrou o amplo quarto hospitalar. Ela tinha o rosto banhado por lágrimas.
— Aiii! — Renesmee gemeu de dor devido ao abraço apertado que a melhor amiga lhe dava. Claire estava muito emocionada.
— Me desculpa. — pediu envergonhada, afrouxando os braços ao redor da amiga. Ela começou a tocar a face da amiga com devoção e carinho. — Pedi tanto a Deus, em minhas preces que você ficasse bem logo. — Renesmee recolheu as lágrimas da amiga, enxugado de forma delicada o rosto de Claire. — Eu sabia que Deus jamais iria nos abandonar. Você já viu como é linda a sua filha? Ela é perfeita aos olhos do senhor!
— Estou com tanto medo, Claire! — a loira confessou em um sussurro. — Eu nunca vi um bebezinho do tamanho dela. Nem sabia que era possível. — lágrimas já desciam pelos olhos azuis.
— Ela vai ficar bem logo. Já até cresceu e engordou. Ela era menorzinha quando nasceu, Nessie. —Renesmee arregalou os olhos em espanto. —Também tive medo, mas agora sei que ela logo estará em casa com você.
— Com certeza a nossa chaveirinho ficará boa logo. — Rachel empurrou Claire de forma delicada, ela já abraçava com cuidado a cunhada.
— Valentina! — Renesmee disse com um sorriso envaidecido nos lábios.
— O que disse, Nessie? — Rachel questionou confusa.
— Jake e eu já escolhemos o nome da nossa bebê. — virou para trás e olhou sorrindo para o marido. Os olhos da Amish e do moreno brilhavam de felicidade. — Ela se chamará Valentina! — disse orgulhosa.
— É prefeito! Combina com a nossa princesinha. — Rachel concordou sorrindo. — Ainda tenho muito que mimar a nossa pequena Valentina, mas agora todo o mimo será dedicado para a minha cunhadinha. — beijou o topo da cabeça da loira. Rachel tinha um carinho todo especial pelas cunhadas, mas principalmente por Renesmee que era visivelmente a mais frágil em todos os sentidos.
— Vamos deixar a Nessie descansar. — advertiu Jacob. Ele estava preocupado com o estado emocional da esposa, ela havia tido muitas emoções em um único dia. — Acho que já está bom de emoções por hoje.
— Eu não saio daqui por nada. Vou ficar com a Nessie! — disse Claire de forma firme, o olhar lançado para Jacob era desafiador.
— Muito menos eu! — Rachel endossou o coro com a amish.
— Jacob tem razão, garotas. A Nessie já teve muitas emoções por hoje, ela precisa descansar. — comunicou Leah olhando para o quarto cheio de pessoas. Todas as mulheres da família estavam lá, assim como os homens.
— Nessie, eu vim lhe fazer uma visita rápida. Só queria vê se realmente estava tudo bem com você. Fique boa logo, tá! Quero lhe vê em casa muito em breve. Deu-nos um baita susto, menina! — Rose foi cumprimentar rapidamente a loira. Ela já estava de saída, iria obedecer ao pedido de Leah.
Os demais membros da família também cumprimentaram e despediram-se rapidamente da amish. Dariam o descanso que ela tanto necessitava, entretanto Rachel e Claire negaram-se a deixar o hospital tão cedo. Elas queriam conversar com Renesmee, queriam constatar com os próprios olhos que ela realmente estava bem.
Renesmee passou o resto do dia sendo mimada pelo marido, amiga e cunhada. Todos eram pacientes e compreensivos com a dor da loira. Mais uma vez a amish descobria um mundo antes desconhecido para ela.
TLAD
Dez dias haviam se passado desde que Renesmee tinha acordado do coma. Seu corpo se recuperava lentamente, porém sua cabeça ainda doía constantemente. Após minuciosos exames com os melhores neurologistas, foi constatado que nada realmente grave ocorria. A equipe chegou à conclusão que as constates dores de cabeça eram devido à tensão emocional pela qual a Amish estava passando. Com isso Rachel e Claire permitiram que o assunto falso casamente fosse adiado por enquanto. Primeiro era o bem estar e restabelecimento de Renesmee, depois toda sujeira que Jacob escondia.
Renesmee fazia questão de visitar a filha na UTI Neonatal todos os dias, sempre após extraírem seu leite, o que era cada vez mais abundante. A loira chegava a reclamar do desconforto que sentia sempre que estava com o os seios cheios de leite. Eles sempre acabavam vazando.
Como Jacob já desconfiava, Renesmee ficou muito feliz em saber que estava ajudando a outros bebês que não tinham a mesma sorte de ter uma mãe com produção tão farta de leite. Ela produzia muito mais leite que a própria filha necessitava. Uma enfermeira havia ido conversar com a Amish e explicado tudo a ela, deixando-a orgulhosa de si mesma.
As visitas da família também eram diárias. Todos os dias ela e Valentina recebiam visitas de quase todos os membros da família. A ansiedade por vê-las bem era compartilhada por todos.
Jacob desde que a esposa acordou não a deixava mais sozinha, ele praticamente havia se mudado para o hospital. Ele não se permitia em deixá-la um único minuto só, sempre tinha a sensação que algo de ruim poderia acontecer se ele não estivesse por perto.
Claire e Rachel também passavam horas no hospital visitando Renesmee e a pequena bebezinha, que a cada dia lutava tão bravamente pela vida.
Cada dia era uma conquista para pequenina. Nada era fácil! Entre altos e baixos, Valentina ganhava peso e melhorava algo em seu quadro clínico, no entanto, ela ainda corria risco de vida. Em vinte dias dede que veio ao mundo, a pequenina ganhou peso, porém estava longe de alcançar os sonhado primeiro um quilo.
Valentina seguia isolada na UTI neonatal. Não havia previsão quando os pais iria pode pegá-la no colo pela primeira vez, muito menos a previsão de alta hospitalar.
Renesmee rezava e chorava todos os dias. Isso lhe desestruturava emocionalmente.
— Meu anjo, não chore. — com carinho Jacob limpou o rosto da esposa que era maculado pelas lágrimas que insistiam em cair como uma cachoeira. — Ela vai ficar bem. A equipe cuida dela com todo zelo e carinho. Não tem lugar melhor para ela estar sendo cuidada. Nossa Valentina está sendo tratada pela melhor equipe do país.
— Eu não quero ir embora sem ela. Quero levar a minha filha comigo. — o temido dia havia chegado. Renesmee tinha recebido alta hospitalar, mas deixaria o hospital com os braços vazios, a filha ficaria ainda por mais um bom tempo lá. — O melhor lugar para ela está é em meus braços, sobre a minha proteção. — ela já soluçava pelo choro incontido.
Jacob puxou o ar com força para os pulmões. Também estava sendo difícil para ele, mas tinha que ser forte pelos dois.
— Amor, com certeza não existe lugar melhor para ela estar se não sobre a nossa proteção e cuidados, mas agora ela precisa de muito mais do que podemos dar a ela. Nossa pequena valente precisa de cuidados médicos específicos, que só uma equipe excelente pode dá. — beijou os lábios com devoção. — Não chora! Nossa pequenininha não iria ficar feliz de lhe vê assim.
— Dói aqui! — apontou na direção ao coração. — Ter que partir e não poder levá-la comigo. Dói ter tanto leite e não poder amamentá-la. Dói saber que ela está lutando tanto pela vida aqui fora, quando era para está segura e protegida em meu ventre. Eu falhei em protegê-la, eu falhei em ser uma boa mãe. — confessou sua dor aos prantos. Sua cabeça doía novamente.
— Ei, olhe para mim! — Jacob segurou com cuidado o queixo da loira, forçando ela a olha-lo nos olhos. — Você é a melhor mãe que nossa filha poderia querer ter. Você a ama incondicionalmente, você faria tudo por ela. Seu leite tem feito com que ela ganhe peso mais rápido, ele é forte. A enfermaria mesmo disse isso. — limpou as lágrimas que teimavam em cair. — Tudo é novo para gente. Eu também estou aprendendo a ser pai. Nós passaremos por tudo isso junto. Juntos nós seremos o melhor que ela poderá e precisará ter. — selou os lábios da esposa com amor, firmando a promessa ali feita.
Renesmee o abraçou com força. Tudo ao lado de Jacob era mais fácil de suportar, ela sentia-se protegida ali. Nos braços do moreno ela parecia mais forte.
— Desculpa interromper os pombinhos, mas está na hora de irmos. — Leah atraia a atenção do casal para si. — Nessie, você terá que continuar fazendo a extração do leite em casa. Jacob já providenciou a bomba que lhe solicitei?
— Claro, claro! — afirmou o moreno. — Comprei tudo que me pediu.
— Ótimo. — sorriu em concordância. — Nessie, você irá fazer a retirada de leite sempre que sentir necessidade. O procedimento será igual ao que já faz aqui. Você irá colocar o leite extraído nos vidros esterilizados que pegará aqui no hospital e irá congelá-lo. Trará os vidros cheios de leite sempre que vier visitar a nossa Valentina, pegando novos vidros quando for deixar os cheios. Entendeu tudo?
— Sim. A enfermeira do banco de leite já havia me explicado tudo. Obrigada Lee.
— Os seus gessos serão tirados em dez ou quinze dias. Não conversamos ainda sobre esse assunto, mas conhecendo o meu primo como eu conheço, melhor explicar bem essa parte. — olhou sugestiva para Jacob, que por um momento não entendeu a brincadeira da prima. — Vocês estão proibidos de manterem relações sexuais. Só depois de completar quarenta e um dias após o parto. Esse período serve para que todos os seus órgãos internos voltem ao seu estado normal. Porém temos que definir um método contraceptivo antes de vocês voltarem a ter relações. — Renesmee já tinha as bochechas tingidas de vermelho. Jacob tinha uma cara de compreensão, porém Leah o conhecia bem demais para saber que ele não estava tão feliz assim com a notícia. — Renesmee não poderá em hipótese alguma engravidar antes de dois anos. O parto dela foi complicado, por pouco ela não perde o útero. A hemorragia que ela teve era persistente, eu com muito custo consegui mantê-lo. Antes disso qualquer gravidez colocaria Renesmee, o bebê e a fertilidade dela em risco. Já pensei em um método que é seguro. Será um microchip que liberará dosagens conforme o corpo dela necessitar. Mandarei manipulá-lo para ter a duração de dois anos, depois vocês decidem se irão querer ter mais filhos.
— O que for melhor e mais seguro para Nessie. Não admito por a sua saúde em risco. Por mim, ficamos somente com a nossa Valentina. — disse seguro Jacob.
— Por você está tudo bem, Nessie? — indagou Leah.
— Eu não sei. — o olhar era de dúvida. Renesmee ainda tentava se acostumar com a ideia de ter uma filha para cuidar. — Acho que sim.
— Então por enquanto faremos assim. O procedimento para implantar o chip subcutâneo é simples, faremos no meu consultório mesmo. Depois que você fizer um mês de parto faremos o procedimento. Ele não afetará a amamentação. — explicou por fim. Renesmee e Jacob concordaram com a médica, aquela era melhor possibilidade que tinham naquele momento.
O casal deixou o hospital com om coração apertado. Eles sentiam-se incompletos, a melhor parte deles ficava para trás. Era um mal necessário.
Eles partiram, mas não antes de verem a filha na ala hospitalar que era mantida. Ela parecia sentir que os pais estariam longe a partir daquele momento, já que estranhamente estava mais quieta naquela tarde de outono.
Jacob prometeu que levaria Renesmee para vê a filha duas vezes por dia, durante todos os dias. Isso abrandou o coração apertado da Amish. A dor de partir e deixar o pequeno ser ainda estava presente, mas aquilo aliviava a aflição.
Quando Renesmee chegou à mansão que dividia com o marido foi surpreendida com uma festa surpresa organizada pela cunhada. Todos estavam presentes, até os empregados da casa e Branquinha participavam da recepção.
Renesmee não lembrava absolutamente nada do seu acidente, sua memória retida foi somente até o momento em que assistia à televisão deitada no sofá. Depois disso tudo era somente um apagão. Eles não teriam respostas do que realmente aconteceu no fatídico dia.
Branquinha correu para recepcionar a dona. A cachorrinha estava triste, quase não comia devido à ausência da loira. Jacob que carregava a esposa no colo abaixou-se com ela para que a cachorrinha pudesse fazer a sua festa.
Um Jantar foi servido e todos estavam felizes em ver a loira bem, se recuperando sem sequelas. Logo ela estaria totalmente restabelecida.
Após o jantar Jacob mostrou não só para esposa, como também para todos os convidados, o quarto que havia aprontado para a filha. Renesmee chorou de orgulho e emoção. Não esperava aquela surpresa do marido. Ele havia modificado algumas coisas do projeto inicial, mas a loira amou como tudo ficou. Estava absolutamente lindo, um sonho.
Tudo parecia está entrando novamente em harmonia, porém todos sabiam que uma tempestade estava há caminho. Renesmee bem, significava que o momento de Jacob confessar seus erros estava chegando.
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Um mês havia se passado desde que Renesmee sofreu o acidente que a fez ter o parto prematuro e a deixou por um breve período em coma.
A Amish tinha ido ao hospital tirar os gessos, ver a filha e levar seu leite. Além de fazer o procedimento que Leah havia marcado. O microchip havia sido implantado em seu braço. Foi um procedimento simples e indolor.
Agora o casal voltava sorridente para casa, haviam recebido a melhor notícia do mês. Eles só tinham motivos para comemorar. A pequena Valentina agora estava pesando um quilo. Os seus pulmões havia amadurecido o suficiente para que a intubação fosse retirada e, por mais que fosse permanecer com uma máscara de oxigênio, aquela já era uma grande evolução para a valente bebezinha.
Aos poucos a neném ficava cada vez mais forte, porém ainda não tinha uma previsão de quando os pais poderia pega-la no colo pela primeira vez. Renesmee — apesar do pavor de segurar bebês no colo — não via a hora de ter sua pequena em seus braços.
Jacob ajudou Renesmee a descer do carro assim que estacionou no pátio principal da mansão. A loira tinha perdido um pouco de massa muscular do braço e da perna esquerda devido ao período que passou engessada. Estava fraca para nadar sem apoio. O moreno não se importava de auxilia-la, pelo contrário, fazia questão.
O casal caminhava abraçados e sorridentes, mas o sorriso de Jacob morreu assim que viu a irmã e a cunhada sentadas no sofá da sala principal. Elas mantinham a cara séria.
— Oi, Nessie. — Claire correu para abraçar a amiga. — Já sabemos de todas as novidades. Estou tão feliz em saber que nossa princesinha fez um mês e nos presenteou com tantas surpresas.
—Nessie, você está ótima. — disse Rachel ao tomar a cunhada nos braços.
— Oi Rachel. — Jacob beijou a irmã na bochecha. — Olá Claire. — cumprimentou a cunhada de longe.
— Vejo que está tudo ótimo. Nessie já está bem, Valentina a cada dia melhor... Acho que chegou a hora de termos aquela conversa que ficou pendente. — Rachel não fez rodeios, foi direto ao assunto. Há dias já vinha advertindo o irmão que estava na hora dele contar a verdade à esposa, mas Jacob sempre arrumava um jeito de se esquivar do assunto. — Então Jake; Você conta ou nós contamos?
— Do que elas estão falando, amor? — Renesmee perguntou confusa.
Jacob tinha fechados os olhos, respirava fundo. Os punhos estavam serrados ao lado do corpo.
— Fala, Jacob. Conte a ela. — Claire disse séria. Nunca perdoaria Jacob pelo que havia feito com a amiga.
Seu casamento não andava bem, ela só sucumbia ao desejo quando ele já era insuportável e o marido a seduzia de forma cruel. Tirando isso, Claire dormia em quarto separado de Quil.
— Jake? — Renesmee chamou temerosa. — O que esta acontecendo?
— Nessie, nós precisamos conversar. Mas é um assunto somente nosso, ele não diz respeito a mais ninguém. — olhou com fúria para irmã e a cunhada. Não permitiria elas se meterem em seu relacionamento. — Vamos ao escritório para conversarmos.
Jacob não deu oportunidade de Rachel ou Claire contestarem, ele já puxava a esposa para o cômodo privado.
— Jake, o que esta acontecendo? Por que você esta nervoso? — questionou Renesmee ao ver o marido andando de um lado para o outro no escritório.
O moreno havia colocado a esposa sentada no amplo e confortável sofá e trancado a porta à chave.
— Já lhe explico, Nessie. — Jacob serviu-se de uma dose de uísque, precisava da bebida para acalmar-se.
— Está me deixando nervosa. O que está acontecendo? É algo com a nossa Valentina? — perguntou já em desespero.
— Calma, Nessie. A nossa filha está ótima. Não estou lhe escondendo nada sobre ela. — adiantou-se em tranquilizar a amish.
— Então o que é? — Renesmee fitava intensamente os olhos de Jacob.
O moreno buscou ar em seus pulmões.
— Nessie, você duvida do meu amor por você? — perguntou. Jacob ainda sustentava o olhar da esposa.
— Que pergunta é essa, Jake? Não estou entendendo. — disse a loira muito confusa.
— Só me responda com sinceridade, do fundo do seu coração. — pediu.
— Eu nunca duvidei do seu amor por mim. Desde a primeira vez que me disse que me amava eu senti que era verdade. Eu te amo e sei que você me ama. Já temos até um fruto do nosso amor. — afagou o rosto moreno. Jacob tinha um vinco entre as sobrancelhas.
— Ótimo. Porque depois que te contar tudo, quero que saiba que eu sempre te amei, somente não entendia os meus sentimentos. Foi difícil para mim aceitar que te amava, você era... Você é a minha fraqueza.
— Jake, eu não estou entendendo nada.
— Você já vai entender. Só me prometa que escutará tudo até o fim.
Renesmee nada disse, somente maneou a cabeça. Sabia que algo muito sério estava prestes a ser revelado.
— Quando eu te vi pela primeira vez fiquei louco. Foi quase uma obsessão. Seus olhos gritavam inocência. Você era tudo que eu não estava acostumado a ver. Eu a quis desde o primeiro instante. — Jacob respirou fundo quando viu o sorriso apaixonado da esposa, ela estava entendendo tudo de forma errada. Ele não queria mais segredos, então confessaria toda a verdade. — Não é da forma que está pensando, Nessie. Eu a queria na minha cama. Eu queria tirar a sua roupa e tê-la pra mim. Tirar a sua virgindade! Queria ser o primeiro a transar com você. Era excitante saber que ninguém jamais havia lhe tocado. Eu fiquei ainda mais louco quando soube que era Amish, já sabia de alguns costumes. Você era como um raro tesouro perdido. E eu o sortudo que encontrei. — os olhos da loira duplicaram de tamanho com aquela confissão de Jacob. — Era um jogo excitante demais. Eu fiz de tudo para tentar te levar para cama, só que você não permitia que eu fosse além. Estava difícil de realizar meu fetiche, eu estava quase certo de lhe tomar a força. Eu queria você em minha cama gritando o meu nome. Foi então que veio a ideia do casamento. Aquela altura era fácil ver que você estava apaixonada por mim, aceitaria o que quer que eu propor-se. Porém o que você não sabe é que a ideia original era ser um casamento de fachada, um casamento falso. Sem qualquer validade judicial. Era fácil enganar você e a Claire. — Renesmee aquela altura já tinha os olhos marejados. Jacob arrancaria qualquer membro de seu corpo para não ver aquele olhar de dor. — Eu, com a ajuda dos homens da minha família, armamos o falso casamento. Por isso que foi tudo tão rápido. Aproveitamos que as garotas estavam em Miami. Aquela altura você já tinha dito sim. Então era só ter a falsa cerimônia para te levar para cama e tirar sua virgindade, realizando assim o meu desejo surreal pelo o seu corpo inocente.
— O que você está dizendo? — Renesmee havia puxado a mão que o moreno segurava com ternura, porém não havia desviado olhar.
— Para um homem como eu, é difícil admitir os meus erros. Porque até então, antes de você entrar na minha vida e fazer uma bagunça, eu sempre tive razão, Nessie, eu nunca erro. Porém agora eu estou confessando o meu maior erro, a minha maior desgraça. — voltou a pegar a mão da loira. Ela não lutou, estava em choque com toda aquela confissão. — Lembra que uma vez eu lhe disse que não era uma pessoa boa? Que eu sempre lhe faria chorar, mesmo te amando? Então, eu sou um imbecil. A nossa cerimônia de casamento não foi verdadeira, aquilo tudo foi um teatro. Jasper jamais teve permissão para realizar uma cerimônia daquela, era tudo falso. Entretanto o nosso casamento sempre foi real, eu somente não sabia disso. Mas você havia me conquistado desde sempre, eu que fui um burro de não perceber meus sentimentos. Era tesão, tara, desejo... Mas eu descobrir que também era amor. Eu já levei centenas de mulheres para cama, e eu nunca... Eu nunca tratei nenhuma como tratei você desde a primeira vez. Eu não transei com você, eu amei você.
Renesmee já não mais segurava as lágrimas, elas desciam em silêncio. Jacob não chorava, seu ódio pro si próprio não permitia.
— Eu cometi erros que jamais poderei reparar, mas tem algo verdadeiro por trás de toda essa merda, que é tão real quanto o nosso amor. É algo que eu só poderia contar a você, algo que só diz respeito a nós dois. Todos acham que não somos casados, que tudo foi realmente falso, mas não foi. Quando solicitei que Quil preparasse toda a documentação falsa, ele sugeriu que também fizéssemos as verdadeiras. Eu tinha a intenção de ficar algum tempo com você, só não sabia quanto. Entretanto Quil me convenceu que eu poderia um dia mudar de ideia. Que deveria ser prevenido, que deveria considerar todas as minhas opções. Então no dia que casamos naquela cerimônia, assinamos documentos falsos e verdadeiros. Tudo foi guardado em um cofre e esquecido por um tempo. Lembro-me como se fosse hoje quando descobrir que te amava. Você estava doente, muito debilitada... Caiu desmaiada em meus braços. Ali eu vi que não tinha mais volta, eu já te amava de forma irrevogável. Tive tanto medo de lhe perder. Eu fiquei louco. Mas mesmo assim deixei tudo quieto, do jeito que estava. Eu continue sendo um babaca com você, mas em troca eu só recebia mais amor. Você me ensinou o que essa palavra realmente significa. Eu te amo demais, hoje não tenho vergonha de confessar, mas antes era tudo tão complicado e difícil para mim. Eu não sabia o que era o amor, eu não queria amar. Eu fui fraco, eu senti medo, porque um dia eu sofri por amar. Eu amava meus pais, minha família era tudo o que eu sabia sobre amor, mas eles sabem se cuidar e você... Você é delicada demais e é meu ponto fraco! Quando eu descobri que você estava grávida, que a nossa filha foi gerada em um ato agressivo, eu me senti a pior pessoa do mundo. Sabe por quê? Você me perdoou. Você em toda a sua bondade me perdoou. Você perdoou o que não tinha perdão. Isso tudo porque você é benevolente, amável, boa... O que eu mais poderia querer? Deus havia presentado um demônio com o melhor de seus anjos. — puxou o ar com força, agora viria à confissão final. Renesmee permanecia em silêncio, ouvido tudo até o final, como tinha prometido. — Nosso casamento foi registrado e legalizado assim que voltamos da cabana. Eu coloquei diversos bens meus em seu nome, queria assegurar você e nossa filha. Quil cuidou de tudo, de toda a documentação. Ele conseguiu fazer um registro retroativo, ele é muito influente nesse meio. Nosso casamento de fato foi no dia da cerimônia falsa, mas o registro foi feito depois, porém registrado exatamente na data que casamos. Ninguém sabe disso além do Quil e eu. Agora você, é claro.
Jacob olhou para Renesmee, ela tinha abaixado a cabeça, não manifestava nenhuma reação.
— Nessie! — chamou resignado após longos minutos de ambos em silêncio.
Renesmee ergueu a cabeça e o encarou. Nos olhos azuis Jacob viu algo que jamais esporou. Seu mundo veio no chão, tudo o que ele mais temia sobre amar estava acontecendo. Ele havia a perdido.
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