Notas iniciais
Oláaaaaaa galera... Quanto tempo, não? Infelizmente tivemos uma série de acontecimentos que nos impossibilitaram de escrever e postar Tlad. Eu, Jenniffer, passei por uma trabalhosa mudança. Que me custou muito tempo e trabalho. Já a Baah teve problemas com o PC, o que levou ela a ficar impossibilitada. Mas agora está aqui mais um capítulo fresquinho pra vocês se divertirem! Gostaríamos de dedicar o capítulo a Laura F & Nay Rodrigues pelas lindas recomendações. Obrigada meninas. Nós amamos cada palavra descrita! OBS: Não deixem de curtir nossa Page no Facebook. Só procurar pelo nome da fic: " TWO LIVES A DESTINATION" Borá lê agora? Apreciem sem moderação!!!!! Nos vemos lá embaixo!

TWO LIVES: A DESTINATION

O carro parou sobre o pátio principal da mansão, os motores foram desligados de imediato, mas o dono do veículo permanecia em seu interior.

Jacob fitou toda a fachada imponente de sua casa, ali já começava a primeira de suas inúmeras mentiras.

Ele nunca comprou aquela mansão pensando dele viver ali. Só comprou por que era linda e cara, uma ótima indenização para a esposa quando a deixasse.

Tudo de mais caro foi escolhido exatamente com aquela finalidade: deixar a Amish bem financeiramente depois do abandono. Porém esse dia nunca chegou, e aquela casa, antes comparada para ressarcir todos os danos que pudesse causar, havia se transformando em seu lar.

Jacob tragou com força o ar para seus pulmões era hora de encarar todos os seus piores fantasmas de frente e resolver todos os problemas com possibilidade de solução, pois ele sabia que tinham coisas que não poderia consertar jamais. E tudo isso estava lhe sufocando.

Entrou pelo enorme portão principal da mansão e se deparou com a cena que não queria ver.

Aquilo não lhe agradou.

Devido a toda fatalidade ocorrida, as empregadas ficaram abaladas demais com tudo, deixando os cuidados com a casa para depois. Jacob havia chegado exatamente no momento em que Lupita e Mabelle limpavam todo o sangue deixado pela patroa no chão de mármore branco em frente à escadaria.

— Senhor Black, como está a dona Renesmee? – Mabelle foi a primeira a notar a presença do homem em casa.

— Isso tudo é da Nessie? – Jacob sentiu-se idiota ao fazer a pergunta, mas estava tão impressionado pela quantidade de sangue no chão que não pensou em formular uma frase coerente, ela saiu sem ao menos ser sentida.

— Sim senhor. – Lupita quem respondeu. – Desculpa, nós só estarmos limpando agora, mas não tínhamos cabeça para fazer antes. Estamos preocupadas demais com a senhora Black e a bebezinha.

— Tudo bem. Não tem problema. – disse para as empregadas. – Agradeço a preocupação com minha filha e esposa. A Nessie está estável, não corre perigo eminente de vida, mas ficará em coma induzido até está mais recuperada do trauma. Já a minha filha está na UTI Neonatal lutando pela vida. A cada dia será uma vitória para ela. Não sei em que vocês acreditam, mas se puderem rezar por elas eu ficarei grato. – Jacob estava devastado, as empregadas notaram de imediato o abatimento do patrão. Até mesmo o tom da sua voz não era tão altiva como de costume.

Ele poderia ter muitos defeitos, mas elas nunca duvidaram do amor que ele demonstrava ter.

— Pode deixar, senhor Black. Nós já acendemos algumas velas para elas. – falou Mabelle.

— Eu estou pedindo diretamente a Nossa senhora de Guadalupe. – endossou Lupita. — A gravidez de minha mãe foi complicada, ela pediu muito a virgem que eu nascesse com saúde. Inclusive recebi o nome em homenagem à santa. Ela irá proteger a menina Renesmee e a bebezinha de vocês.

— Obrigada por tudo.
Principalmente ao socorro imediato. – Jacob abraçou a cada empregada, que levaram um susto pelo ato inédito do patrão. Jacob depois recompensaria cada um com um bom dinheiro. Ele sabia reconhecer seus empregados quando eficientes. — Leah disse que se não fosse pela rapidez em que Renesmee foi resgatada, talvez minha filha tivesse morrido sem ao menos nascer... – Jacob baixou o olhar. — O que é isso? – questionou apontando para a pelúcia colocada no primeiro degrau da escada.

— Encontramos junto com a Dona Renesmee. Perguntamos aos seguranças da área externa e eles informaram que foi um presente enviado pela dona Rachel essa manhã. – Lupida pegou a enorme pelúcia no colo. – Vou lava-lo antes de por no quarto da neném. Está um pouco sujo de sangue.

— Claro, claro. – Jacob estava pensativo ao olhar para o brinquedo, mas sua atenção foi desviada por um latido fino. – É você bola de Pêlos. Onde você estava que não veio me ver assim que eu cheguei?

— Desculpa senhor Black, mas nós prendemos a Branquinha lá na área de serviço. – prontamente respondeu Mabelle. – Ela precisa de um banho. Essa danadinha deve ter dado um jeito de fugir assim que escutou sua voz.

— Pode deixar que eu vou dar um banho nela. Sei como se faz, uma vez a Nessie me pediu que eu a ajudasse nisso. – Jacob pegou a cachorrinha no colo e lamentou ao ver os pelos branquinhos tingidos com o sangue da esposa.

— Tudo bem senhor Black. Qualquer coisa é só nos chamar.

Jacob mais uma vez agradeceu a toda atenção das empregadas e subiu para seu quarto com Branquinha nos braços.

O Moreno tirou a camisa e jogou sobre a pia. Caminhou até a banheira e ligou a água quente, deixando encher um pouco para poder da o banho na cachorrinha.

Em uma gaveta do armário separada pela esposa só com as coisas da cadelinha, ele pegou o xampu, o condicionar, a toalha e o pente. O secador já ficava na bancada.

— Já vamos tomar um banho. – disse para a cadelinha que lhe observava deitada no tapetinho que tinha no banheiro. – Deixa só a banheira encher e eu fazer uma ligação importante.

Jacob tirou o celular do bolso traseiro da calça e foi só então que notou que o aparelho ainda permanecia desligado. Ligou o celular, observando as diversas mensagens chegarem sem parar, e catou na agenda um contato específico.

Do outro lado da linha uma voz feminina atendeu ao terceiro toque.

— Boa noite. Sou eu, Jacob Black. Não me interessa qualquer desculpa que venha a me dar, eu preciso dos seus serviços em menos de duas horas. Faça seu preço e eu lhe pagarei em dinheiro. – ditou rapidamente sem sequer ouvir a resposta. Jacob sabia que o dinheiro seria alto e irrecusável, ela estaria lá.

— Vamos tomar logo esse banho, bola de pêlos. – falou já pegando Branquinha no colo e a colocando dentro da banheira de água quentinha. A cachorrinha não reclamou. – Tenho um compromisso importante em duas horas.

Jacob terminava de se arrumar, estava vestido de forma simples: Jeans escuro e camiseta azul clara, nos pés um tênis branco. A cachorrinha, já limpa e banhada, observada o dono terminar de se arrumar.

O moreno desceu as escadas e foi até a cozinha procurar os empregados, lá deixou a cachorrinha e alertou sobre a visita que aguardava. Ninguém fez perguntas, apesar de estranharem o fato.

Minutos mais tarde a porta de seu escritório foi aberta e Mabelle comunicou a chegada da aguarda de visita.

— Mande-a entrar. – Jacob comunicou, já descendo a tela do notebook. Estava fazendo algumas pesquisas. – E traga-nos algo para beber. – sua expressão era devastadora, ele tentava se manter forte, mas a dor estava corroendo toda a sua alma.

— Sim, senhor! – Mabelle saiu fechando a porta.
De repente a porta foi novamente aberta e por ela uma bela ruiva entrou.

— Boa noite, senhorita Smith. – cumprimentou com um sorriso educado, porém forçado. Jacob não tinha motivos para sorrir. – É um prazer conhecê-la.

— O prazer é todo meu, senhor Black. – a ruiva prontamente estendeu a mão para cumprimentar o belo moreno, seu olhar era de cobiça. – Mas pode me chamar somente de Dakota.

— Sim, Claro! – não passou despercebido por Jacob o olhar malicioso, mas ele ignorou. Não estava atrás de luxuria, muito menos na casa que dividia com a esposa. Dakota estava ali com outro proposito, não para flerte. – Trouxe a planta e o projeto escolhido por minha esposa? Infelizmente não pude estar presente na escolha da decoração do quarto de minha filha devido a problemas em meus negócios, mas agora gostaria de fazer uma surpresa a ela.

— A senhora Black não está sabendo da minha visita? Achei que tivesse sido ela que havia solicitando. Até estranhei sua ligação, já que só nos falamos por e-mail, mas vim assim que pude.

— Agradeço o pelo seu tempo e irie recompensá-la bem, mas infelizmente minha esposa não se encontra no momento.

Dakota viu a dor transpassar nos olhos negros do belo moreno marido de sua cliente. Ela percebeu a educada cortada que o homem havia lhe dado ao se derreter de elogios à esposa.

Jacob acabou tendo que contar para a decoradora sobre o trágico acidente que vitimou a esposa e filha. Ele explicou o porquê da urgência na finalização do projeto do quarto da filha. Ele não sabia quanto tempo a esposa levaria pra sair do hospital, mas queria lhe surpreender com a decoração pronta e com seu toque no resultado final.

Jacob estava disposto a entender o gosto da sua esposa e compreender o porquê de suas escolhas. Com isso também saberia alguns objetos, tecidos e móveis, dando o seu toque na decoração do quarto da filha. Ele sabia que aquilo deixaria a esposa feliz. Renesmee sempre fez questão de sua participação. Não estava sendo do jeito que ela desejou, mas ainda não era tarde para ele provar que também se importava com a filha.

Jacob e Dakota ficaram horas discutindo o melhor a ser feito, ele estava complementando tudo que Renesmee já havia escolhido. O quarto da filha deles ficaria lindo. Ele tinha certeza que Renesmee iria amar.

Já era quase meia noite quando a decoradora deixou a mansão e prometeu que aprontaria todo o quarto em apenas três dias. Claro que Jacob teve que desembolsar um alto valor, mas ele pouco se importou com o dinheiro gasto. O importante era fazer Renesmee e a filha feliz.

— O que vocês estão fazendo aqui? – questionou ríspido assim que a empregada comunicou das visitas na sala de televisão.

— O que você acha? – Jared disse sarcástico. – Vamos ficar aqui até nossas mulheres nos aceitarem de volta. Afinal, foi por sua culpa que fomos expulsos de casa.

Com os sorrisos nada sinceros cravados na face, Jacob fitou seus primos e irmão mais velho – Quil — esparramados em seu sofá.

— Caralho! Era só o que me faltava. – deu as costas e deixou a sala, dirigindo-se imediatamente para seu quarto.

Que cada um achasse um quarto na mansão para dormir. Ele não havia convidado ninguém para ficar em sua casa, não se sentia obrigado a ser receptivo, principalmente naquele momento.

TLAD

O silêncio dominava o amplo e luxuoso ambiente, ninguém ousava arriscar dizer uma única palavra, todos estavam presos em seus problemas e concentrados em buscar — em suas mentes perversas, mas criativas — uma solução milagrosa.

Desde o dia anterior, quando a farsa do casamento de Jacob veio à tona, a notícia havia se espalhado tão rápido quanto cinzas ao vento. Rachel tratou de não poupar nenhum dos irmãos e primos que participaram daquele circo de horrores, logo espalhando a fatídica realidade a todas as mulheres da família. Era normal elas unirem-se quando havia um problema de grande proporção, como era o caso agora.

A notícia caiu como bomba, à revolta foi imediata. Logo todos os poderosos e cruéis The Wolf estavam sendo vencidos pelos seus mais implacáveis adversários: as próprias mulheres!

Todos – sem exceção – foram expulsos de casa na mais fria reação. Elas não queriam olhar na cara deles, tinham se colocado no lugar de Renesmee e imaginaram a dor de serem enganadas nos próprios sentimentos.

Jasper e Emmett foram se alojar temporariamente no apartamento que um dia foi ocupado pelas Amish, já todo o restante, – com exceção de Embry e Seth que ainda estavam no hospital — seguiram diretamente para mansão do Jacob. Era hora deles também se unirem para achar uma solução que tirassem todos daquela caótica situação.

Entretanto, naquela sala de jantar, degustando de um farto dejejum, ninguém ousava arriscar um plano mirabolante. Até Paul comia em silêncio, suas sempre ácidas piadas pareciam ter desaparecido de sua criativa cabeça louca.

— Me passa o açúcar? – Sam pediu com a voz baixa a Quil.
Ele estava de mau humor, porém se sentia atado na decisão da esposa. Emily não tinha o costume de ser tão extremista nas brigas, com certeza ele estava muito encrencado.

— Estica a porra do braço! – Quil devolveu sem paciência ao primo.

— Vai se foder! – esbravejou. – Se desse para pegar a porra do açúcar eu não tinha lhe pedido. – disse Sam já elevando a voz.
Todos estavam em seus limites, para uma briga física se iniciar bastava um motivo mínimo. Era como palha esperando apenas uma fagulha de fogo para criar um verdadeiro incêndio.

— Chega Caralho! – Jacob gritou e se ergueu da cadeira. – Tenham um pouco de respeito na porra da minha casa. Eu não estou com cabeça para as viadagens de vocês. A minha mulher e a minha filha estão em estado grave em um hospital, não estou em um bom momento para aturar nenhum de vocês. Essa porra não é um lar de homens desabrigados. Querem ficar? Então fiquem com as malditas das bocas fechadas e não ousem iniciar a porra de uma briga aqui. Pois eu juro que esqueço quem é cada um e o que significam pra mim e desço bala na...

Jacob não chegou a terminou de falar, pois uma sequência de palmas vigorosas interrompeu o seu discurso. Todos olharam na direção de onde o característico som vinha e fecharam os olhos, respirando fundo e lamentando o rumo que as coisas tomariam a partir daquele momento. Eles não achavam que tudo pudesse piorar, mas agora chegaram à conclusão que estavam redondamente enganados.

— Que lindo e comovente! Não sabia que tinham marcado uma reunião de família. Você foi convidada, Lee? Nem eu! – a morena destilava todo o seu sarcasmo ao falar. — Só me pergunto uma coisa: Jacob, que mulher sua que está em um hospital? Pois pelo que EU sei, você não é casado. – Rachel estava parada na entrada da sala de jantar, ao seu lado estava Leah. Ambas sustentavam um sorriso de escárnio nos lábios e fúria nos olhos.

— Pelo amor de Deus, Rachel! Isso não é hora para as suas ironias e sarcasmos. Sabe muito bem que eu amo a Nessie e estou arrasado com tudo o que está acontecendo com ela e a minha filha. – Jacob falou com a voz cansada, não estava em condições emocionais para a briga que se anunciava.

Os demais não ousaram abrir a boca nem para comerem a farta refeição que estava disposta à mesa.

— Ama mesmo? – Leah questionou. Seu tom deixava explícita a ironia em cada palavra. – Então por que eu passei a duvidar de seus sentimentos? Ah, claro! Porque você foi capaz de forjar um casamento falso só para enganar uma garota inocente.

— Eu não acredito que você fez isso, Jacob! Pior, eu não acredito que todos vocês foram coniventes nessa merda toda. – Rachel esbravejou. Estava revoltada. Nem dormir tinha conseguiu na noite anterior, tinha passado a madrugada em claro. – Agora você tem uma filha. Pensa se um desgraçado fizesse o mesmo com ela? Acho que você não acharia tão engraçado ou sem graves consequências.
Jacob trincou os dentes com força e serrou os punhos com a fala da irmã, imagens brotavam em sua mente. Ela havia surtido o efeito desejado. O moreno estava possesso só de imaginar um homem como ele enganando sua frágil filhinha.

— Amor, não precisa pegar tão pesado assim. – Paul tentou remediar.

— Você cala a boca que ainda não estou lhe autorizando dirigir a palavra a minha pessoa. Se você soubesse a raiva que estou de você, evitaria até mesmo respirar para não chamar a atenção para si.

Paul engoliu em seco e se calou, encolhendo um pouco a postura na cadeira. Ele conhecia demais a esposa para saber que o mais sensato a fazer era obedecê-la.

— Sabe o que mais acho irônico nisso tudo? – Leah inqueriu, atraindo atenção novamente para si. – É que você precisou machucá-la para só então se da conta de todo amor que sente. Lembra que há muito tempo eu havia conversado exatamente isso com você? Foi naquele dia que você preparou o jantar em seu apartamento e a Nessie teve a reação alérgica. Eu falei que você primeiro iria quebrar o coração da Renesmee, só então se daria conta do quanto realmente a ama. Por que com certeza você vai partir o coração dela em milhares de pedaços. E nós sabemos que mesmo colando os cacos, as cicatrizes marcam para sempre. Renesmee nunca mais será a mesma. Você, em toda sua idiotice, matou uma parte da inocência dela. Pois eu tenho certeza que quando ela acordar e descobrir tudo, as coisas nunca mais serão como antes.

— Eu percebi muito antes que já a amava. – disse com a voz em sussurro. Jacob tentava controlar o aperto na garganta e a vontade de chorar. Renesmee tinha passado a ser sua vida, a razão de seu viver. – Eu há muito tempo descobri amar a minha esposa. Não importa as circunstâncias que se deu o meu casamento, pois há muito tempo ele se tornou válido para mim. Eu errei e já concertei os meus erros, mas não me cabe ficar dando explicações a vocês. Eu só devo satisfações a minha mulher. Renesmee é que importa nisso tudo.

— Então espero que você tenha ótimos argumentos para justificar todas as suas falhas e erros. Por que agora eu ficarei de perto controlando tudo. Não vou deixar você enganar a Nessie de novo.

— Rachel vá cuidar da sua vida. Você tem dois filhos pequenos e um marido para se importar. Deixe que a porra dos meus problemas cuide eu! — Jacob esbravejou com sua irmã. Eles não tinham o costume de brigar, mas o assunto era sério demais para a morena se abster.

— Você sabe tanto o que faz que ao invés de vir cuidar da sua mulher grávida, preferiu estar em uma boate de stripper. Acha que somos idiotas o suficiente para não descobrirmos? Ou acharam que teriam tempo de tomar banho e trocar de roupa, chegando em casa sem as marcas da noite mundana? – Rachel já grita descontrolada, ela estava enfurecida. – Se você não estivesse se esfregando em uma puta, a Nessie não estaria sozinha e não teria caído da escada. – cuspiu a acusação.

Jacob fechou as mãos em punho, os nós dos dedos estavam ficando esbranquiçados. Ele não sabia em quem queria bater. Na irmã, na prima, nele mesmo... Só queria aplacar a fúria que estava consumindo-o.

— E se você não tivesse enviado um urso maior que a própria Renesmee, ela não teria tropeçado naquele bicho ridículo. Por que os empregados falaram que a pelúcia que VOCÊ enviou estava ao pé da escada jogado. Tinha sangue naquela merda. Com certeza ele que foi o culpado pela queda dela. Você e seus presentes egocêntricos... Qual a finalidade de mandar um urso enorme? Minha filha não teria condições de brincar com aquilo nem quando tivesse dezoito anos.

Rachel ficou pálida com a acusação do irmão. Ela jamais desconfiaria que um inofensivo presente fosse responsável pelo acidente que vitimou a cunhada e colocou a vida da sobrinha em risco.

— Rachel, não foi culpa sua. – Leah falou de imediato. Sabia que a prima se torturaria para sempre. – Não foi culpa de ninguém. Foi um fatídico acidente. Não cabe a nós ficar procurando um culpado, pois não tem. A questão agora é fazer o que estiver em nossos alcances para Renesmee e a chaveirinho ficar bem. E no momento a Nessie precisa receber a transfusão de sangue.

— Não vou ficar mais perdendo meu tempo discutindo com vocês. Vou para o hospital doar o sangue que minha mulher precisa. Vocês sabem onde me achar. – Jacob disse ríspido já deixando a sala de jantar da mansão. – Vamos Quil? – chamou pelo irmão que também doaria o sangue

— Temos que falar com o Embry. – lembrou Quil. – Ele também precisa doar.

— Ele já está no hospital. A gente passa no quarto da Jenny para chamá-lo.

Jacob e Quil deixaram a sala sem olhar para trás. Todos os demais ficaram olhando uns para os outros sem saber o que deveriam fazer. Paul tentou se aproximar de Rachel, mas essa lhe deu um fora e foi embora com Leah.

TLAD

A loira tinha acabado de acordar. O cheiro que invadia as suas narinas a fizeram desperta, no entanto dessa vez não fez seu estômago revirar tão violentamente. O mal estar estava presente, porém era suficientemente suportável para manter sua última refeição ainda no estômago. O tratamento estava surtindo um bom resultado.

— Embry, o que você está fazendo aqui com esse perfume fedido? Isso só pode ser implicância da sua parte. Você sabe que isso me faz mal. — Jenniffer resmungou irritada. Havia despertado com o cheiro desagradável.

— Baby, dessa vez eu não tive culpa. Eu não saí do seu lado, zelei à noite toda pelo seu sono. — Embry sorriu ao falar. — A culpa é da mulher que trouxe seu café da manhã. — apontou para bandeja depositada sobre a mesa de refeição. — Ela realmente estava usando um perfume estanho. — o moreno franziu o nariz fazendo uma careta engraçada. — Vamos ver o que tem de bom para alimentar minha linda mulher e meu filhão?

— Eu não quero essa comida insossa de hospital. Não aguento mais isso! Eu quero rosquinhas doces e cappuccino com bastante creme. — salivou ao falar sobre a guloseima. — Cadê a Babi? Ela sempre me trás minhas rosquinhas!

— Jenny, você sabe que não é saudável nem pra você nem para o bebê ficar comendo besteiras. Precisa ter uma alimentação saudável e balanceada. — Embry caminhou até a bandeja, tirou a tampa e se deparou com uma refeição nada convidativa. — Vamos comer? — pegou a bandeja e pôs no colo da loira.

— Eu não quero! — disse fazendo manha. — Cadê a Babi com as minhas rosquinhas? Pega o meu celular ali na mesinha. — a loira pediu ignorando totalmente a bandeja de café da manhã em seu colo.

Embry e Jenniffer começaram mais uma das suas inúmeras brigas. Era uma verdadeira guerra infantil de nervos, mas nenhum dos dois sedia. Orgulho dominava ambos.

Em um ato de nervos a brasileira jogou uma torrada encima do namorado, que caiu na gargalhada pelo destempero da mãe do seu filho.

— Cheguei! — anunciou feliz a morena. — Olha o que eu trouxe para o meu afilhado e para a minha melhor amiga! — balançou a caixa que estava cheia de rosquinhas recheadas com os mais diversos sabores.

Jenniffer tinha os olhos brilhantes e a boca salivando. Embry — mesmo relutante — viu a fisionomia da namorada muda instantaneamente ao olhar para caixa.

— Eu também trouxe algo para o meu afilhado. — Seth disse alegremente atrás da morena, que revirou os olhos para o que ele falava. Bárbara ainda estava brigada com o namorado, mas ele não a deixava sozinha nem por um segundo. Ia atrás dela em todos os lugares. — Cappuccino com bastante creme. Foi a minha morena que me contou que você adora.

— Você não vai dar isso pra ela. — Embry cortou de imediato. — Jenny fica agitada demais com café. Isso não deve fazer bem ao bebê. — ponderou racionalmente.

— Larga o meu cappuccino! — ameaçou. A loira só faltou rosnar para o namorado. — Ou eu juro que mando tirar você do meu quarto. E eu estou pouco me importando que seja você que vai pagar a conta do hospital ou se intitula o pai do MEU filho!

— EU SOU O PAI DO SEU FILHO! — gritou impaciente. — EU SOU O PAI!

— Agora você é o pai do meu filho, né? Não foi o que você falou da outra vez. — Jenniffer parecia não ter problemas em jogar na cara do amado as duras palavras ditas em um passado recente.

— Não vai começar, né? — Babi revirou os olhos e abriu a caixa de rosquinhas, sabia que aquilo era o ponto fraco da amiga.

— Baby, já te pedi um milhão de vezes perdão. Você nunca vai me perdoar? — Embry disse já cansado pelas acusações. A loira somente balançou a cabeça negativamente, ela nunca iria esquecer as durar acusações. — Eu estava cego pelo ciúme, ok? Não consegui enxergar além dele. Você significa pra caralho na minha vida. Você é importante pra mim. — confessou.

Jenniffer prendeu a respiração por um segundo. Ela não tinha se dado conta até sentir a falta de ar nos pulmões. Era a primeira vez que Embry confessava algum sentimento por ela. Mesmo não sendo da forma convenciona, ele confessava que ela era importante. Isso já era muito mais que a loira esperava ouvir.

— Ok. Lindo toda essa cena, mas agora vamos comer rosquinhas! — Barbara anunciou abrindo a caixa e pondo no colo da amiga. Os olhos da gestante tinham quase um fascínio ao fitar os doces coloridos. — Vai comer tudo ou vai dividir com a gente?

— Vou comer até ficar totalmente satisfeita. Aí sim vocês podem dividir o que sobrar. — Jenniffer colocou a primeira rosquinha de chocolate na boca e deu sua primeira mordida, ignorando os três pares de olhos a fitando abismados com a gula da brasileira. — Não me olhem assim. Eu estou grávida!

— Claro, Baby, claro! Pode comer à vontade. — Embry deu um beijo nos cabelos dourados da namorada. Ele escondia o sorriso divertido que sustentava nos lábios carnudos.

Os três ficaram observando a gestante de deliciar com suas rosquinhas. Quando ela se deu por satisfeita, já que nenhuma mais descia por sua garganta, ofertou as que sobraram. De uma dúzia de rosquinhas confeitadas que foram compradas, tudo que restou foram cinco unidades!

Embry aceitou uma. Enquanto ele se deliciava com a guloseima, batidas na porta foram ouvidas. O moreno ergueu o grande corpo foi até a porta vê quem batia.

— Jake! Quil! — Embry disse surpreso pela visita. — Aconteceu alguma coisa? — perguntou temeroso, dando passagem para os irmãos mais velhos entrarem no quarto da namorada.

— Está tudo na mesma. — Jacob quem respondeu a pergunta do caçula. Ele sustentava uma fisionomia bastante abatida. — Viemos te buscar para ir doar sangue.

— Ah sim, claro! — lembrou-se Embry.

— Como está a Nessie e a bebezinha? — Jenniffer perguntou com preocupação, interrompendo a conversa dos irmãos.

— A Nessie está estável, ainda em coma induzido. Já a minha filha está lutando a cada minuto pela vida.

— Ela é minúscula. — Quil endossou. — Você precisa conhecer nossa sobrinha.

— Vou conhecê-la assim que terminar de doar sangue!

— Por que você não aproveita para ir para casa tomar um banho e depois ir com o Embry visita a sobrinha de vocês? — sugeriu Barbara ao namorado. — Assim que possível eu vou com a Jenny.

— Eu vou ficar com vocês. — Seth ditou firme. — Ficarei tomando conta de vocês.

— Seth, não nós precisamos de um cão de guarda. — Barbara retrucou mal humorada, queria ficar sozinha com a amiga para conversarem. — Sabemos nos cuidar e não sairemos desse quarto. Pelo menos, não dessa vez! — sorriu irônica.

Uma breve discussão começou entre os casais, mas Jacob e Quil estavam sem humor para aquela cansativa guerra de ânimos.

— Jenny, como você está se sentido? Meu sobrinho está bem? — Quil elevou a voz além do tom da discussão para ser escutado.

— Estamos ótimos! — a loira sorriu orgulhosa ao depositar a mão sobre a elevação mínima que ainda não era visível aos demais. — Crescendo forte e saudável, apesar de tudo.

— Já fez alguma ultra pra vê como ele está? — Jacob surpreendeu os demais pela pergunta. Mas a verdade era que o moreno tinha aprendido a ser um pai presente e preocupado com a gestação da esposa. Transmitindo assim sua preocupação com a cunhada e o sobrinho — Esse cabeça de vento tem lhe acompanhado nas consultas? — apontou para o irmão caçula.

Todos ainda estavam surpresos pela fisionomia preocupada que Jacob sustentava. Ele realmente estava interessado em saber. Parecia que o moreno tinha amadurecido anos em apenas algumas horas. Agora Jacob era um homem diferente em muitos aspectos.

A brasileira respondeu a todas as perguntas atenciosas dos cunhados. Tais perguntas essas que Embry não sabia responder.
Por fim os quatro morenos saíram da suíte hospitalar deixando as duas brasileiras sozinhas.

TLAD

Os três irmãos chegaram ao banco se sangue e entregou o pedido médico que Leah tinha dado para a doação de sangue a enfermeira que os recepcionou.

Após a equipe preparar cada um dos irmãos Black para a doação, os três ficaram reclinados nas confortáveis cadeiras enquanto o procedimento médico ocorria.

— Como você está? Parece-me abatido. — observou o caçula dos três irmãos.

— Eu estou arrasado. — confessou sincero. — A Nessie se tornou a minha vida, a razão de eu acordar todos os dias e ter vontade de voltar para casa. Ela me faz temer a morte. Não quero deixá-la sozinha jamais.

— Porra, isso tudo é uma grande merda! — Embry ressaltou. — Nessie é uma mulher boa, tem um coração puro, não merece passar por tudo isso que está acontecendo. — disse com pesar.

— Pior é que a parada do casamento vazou. Todas as mulheres já sabem da verdade. — disse Quil fazendo Embry arregalar os olhos pela surpresa. — Ou pensam que sabem de tudo.

Jacob olhou discretamente para Quil, que imediatamente se calou e não entrou em mais detalhes.

— Fodeu! Rachel vai querer nos matar. — Embry tinha os olhos arregalados. Ele conhecia muito bem o temperamento da irmã mais velha.

— Fodeu mesmo! — concordou Quil. — Rachel fez questão de contar tudo para todas. A minha gatinha surtou. Não quer me vê. Ela me abandou. — a voz era verdadeiramente triste.

— Espero, Embry, que você aprenda com os exemplos. Você precisa ser mais carinhoso e paciente com a sua mulher. Ela está grávida, passando por várias mudanças. Ela já sofreu demais nessa vida, seja você o homem que lhe trará paz e segurança. — Jacob tinha a voz embargada com as lembranças de seus anjos tão fragilizados encima de um leito hospitalar. — Não cometa os mesmos erros que eu cometi. Não seja um imbecil de merda que vai cometer erros irreparáveis na pessoa que mais ama. Assuma o que sente e lute com todas as suas forças.

Embry e Quil ficaram reflexivos com as palavras do irmão. Todos nunca desejaram se apaixonar, porém quando deram conta já estavam amando. Talvez os homens The Wolf não tivessem nascido para amar, entretanto, partir do momento que os duros corações descongelaram as suas amadas se tornaram suas vidas, a razão pela qual eles matariam ou morreriam.

Os três morenos permaneceram em um silêncio reconfortante, já que cada um tinha um pensamento direcionado para as mulheres que amavam.

De repente uma simpática enfermeira — já beirando a meia idade — chegou para tirá-los da inércia física que estavam. Ela finalizou a transfusão tirando a agulha da veia e pondo um pequeno curativo. Após passar as especificações dos cuidados pós-transfusão, eles foram liberados.
Aquelas três bolsas de sangue salvaria a vida da frágil Amish.

Quando os irmãos deixaram o laboratório encontraram com Seth — já de roupa trocada — na sala de espera.

— Vamos vê a chaveirinho? Estou louco pra conhecer a nossa pequenina princesinha. — disse Seth animado. Ele segurava um balão rosa com a frase "It's a Girl"

— Só pode entrar duas pessoas por vez. Eu vou primeiro. — avisou Jacob. — Vê aí quem vai entrar comigo.

— Então vou ver a Jenny antes. — disse Embry. — Tomei uma decisão e preciso conversar com ela. Vai você e o Quil, depois eu vou com o Seth.

— Ok! Vou deixar avisada a visita de vocês. A equipe vai orientar o que terão fazer para entrarem na UTI neonatal.

Depois de tudo combinado cada dupla seguiu em uma direção. Jacob e Quil iriam vê a bebê. Embry e Seth as suas namoradas instaladas na ala da maternidade.

Embry e Seth conversavam enquanto caminham para suíte em que a brasileira estava internada.
Assim que os dois morenos entraram no quarto imediatamente fecharam as expressões.

As duas brasileiras sorriam ao conversarem animadamente com um jovem médico que tocava e inspecionava o abdômen da loira grávida.

Embry não viu a razão, só a emoção que falou naquele momento. O ciúme o dominou. Sem pensar ou hesitar ele desferiu um soco na cara do médico, que não teve oportunidade de se defender ou até mesmo prever a agressão.

Jenniffer e Barbara gritaram assustadas. O aparelho que monitorava os batimentos cardíacos da gestante disparou.

Seth correu pra tirar o primo de cima do médico que estava tonto no chão.

— O que você fez? Ficou louco? — Barbara gritou com o namorado da amiga, uma vez que a loira parecia em choque. — Ela está apavorada. Isso não faz bem nem para ela e nem para o bebê.

— Nunca mais toque na MINHA mulher. — Embry disse com raiva. — Se tocá-la outra vez eu te mato.

Embry ainda era contido pelo primo, mas estava sendo difícil segurá-lo.

— Eu estava examinando-a. Foi um pedido pessoal que a doutora Clearwater me fez. — Connor erguia-se do chão e passou a mão no canto esquerdo do lábio. Ele sentia o gosto ferroso na boca.

— Embry! — chamou a loira. Ela sabia que agora estava com um homem possessivo, mas era de uma forma diferente do seu ex-marido.

Antes que mais alguma coisa pudesse ser falada Leah entrou pela porta e se deparou com a caótica cena. Após pedir e receber as devidas explicações, ela se desculpou com o amigo de trabalho e assumiu os exames na brasileira.

— Não vou nem conversar com você, pois estou no meu limite com as idiotices dos homens da minha família. — Leah cortou o primo assim que ele ameaçou abrir a boca. — Jenny, aparentemente está tudo ótimo com você e o bebê. Só preciso conferir seus exames de sangue. Se tudo estiver bem, como espero que esteja, eu te dou alta hospitalar ainda hoje depois do almoço.

Leah deixou o quarto sem olhar para o irmão ou para o primo. A pequena confusão feita há pouco só piorava ainda mais devido a toda história do falso casamento.

— Eu não acredito que você socou a cara do médico. Você é tão absurdo! — reclamou a loira bufando. — Não vejo a hora de ir para minha casa e ficar longe de toda essa sua loucura.

— Errado, minha querida. — Embry disse já reformulando a frase. — Você irá para NOSSA casa. Agora nós vamos ficar juntos como um casal que está pronto para receber seu primeiro filho.

Jenniffer juntou as sobrancelhas em claro sinal de confusão com as palavras do namorado. Ela não tinha captado a mensagem do moreno.

— Depois que você sair do hospital você irá direto para o meu apartamento. Agora nós vamos morar juntos e ser um casal normal. — esclareceu a interrogação da namorada.

— O QUE? — Jenniffer e Barbara gritaram juntas.

Embry e Seth sorriram. Eles já tinham esquematizado tudo.

TLAD

Uma semana havia se passado. Uma semana desde o fatídico acidente que vitimou Renesmee e trouxe a sua bebê prematura ao mundo. A Amish continuava sendo sedada para se manter em coma induzido e a frágil bebê permanecia bravamente lutando pela vida.

Era manhã e fazia um frio característico de outono quando Jacob entrou pelas portas automáticas do luxuoso hospital.

Aquela havia se tornado a sua cansativa rotina. Entre trabalhar e zelar pela mulher e filha, o moreno passou a ostentar marcantes olheiras.

Nada mais lhe importava. A sua aparência — antes sempre minuciosamente cuida — estava em último plano naquele momento doloroso. Jacob tinha a barba por fazer, os cabelos desarrumados... E só não parou de fazer exercícios físicos por que eles estranhamente lhe revigoraram. Afinal, descarregava toda a sua frustração e impotência em seus treinos.

A vida de seus primos e irmãos não tinha melhorado muito. Todos ainda passavam por problemas conjugais, a diferença era que agora todos havia deixando sua mansão e votado para a casa de suas respectivas esposas, mas continuavam dormindo em quartos separados de suas mulheres.

Jacob conseguiu ganhar alguma credibilidade com as mulheres através das suas inúmeras demonstrações de amor e dedicação com a sua nova pequena família, tudo era notoriamente verdadeiro. Assim conseguiu provando que independente dos erros cometidos Renesmee passou ser a sua vida, a razão de seu viver. Ele estava se saindo um marido exemplar e um pai extraordinário.

O problema — falso casamento é tudo que ele envolvia — ainda existia, mas todas chegaram à conclusão que não era o momento de ficarem separados. A família, sempre tão prezada, precisava estar unida. Duas vidas estavam em risco!

— Bom dia, senhor Black! — cumprimento uma plantonista da UTI neonatal. — A nossa chaveirinho teve uma noite tranquila e deve está ansiosa por sua visita.

— Que ótimo saber. Não aguento mais levar susto dessa pequenina. — disse mais aliviado. Há três dias a bebê teve uma complicação respiratória que agravou seu quadro. — Olha que ela só tem uma semana de vida! — brincou enquanto fazia a devia assepsia.

Já devidamente vestido o moreno seguiu o longo corredor que levaria onde a sua filha estava internada. Ele ainda não poderia ultrapassar a barreira de vidro, mas já era um enorme conforto para seu coração vê-la e falar com ela.

Jacob reteve-se por alguns segundos diante da primeira vidraça da ala da UTI. Ali permaneciam os bebês que necessitavam de cuidados mais intensos, mas que não estavam em estado tão grave. Ele desejou poder vê sua filha em breve ali, no entanto a bebê continuava no isolante.

Voltou a caminhar pelo asséptico corredor e sorriu grandiosamente ao vê a bebê trás da límpida vidraça.

O moreno observava sua minúscula filha há mais de meia hora, ele não casava de admirá-la.
Estava encantado com a pequenina. E por mais que a sua aparência não fosse nada admirável e bela, pois ela ainda se parecia com um feto e não como um bebê comum, Jacob a achava absolutamente linda de um jeito todo especial. Ele já era um pai coruja!

Jacob estava experimentando uma nova e arrebatadora sensação. Ele temia. Temia esse sentimento devastador, forte, absoluto e irrevogável. Nunca seu coração transbordou com transbordava agora. Ele descobriu que só existiam duas coisas no mundo capaz de transformá-lo em alguém melhor; era sorriso puro de Renesmee e a vida entrando nos pulmões de sua filha. Nanda mais lhe causava tão verdadeira comoção.

Ele conversou por mais de meia hora com a pequena, que sempre demostrava algum sinal de que reconhecia a voz grave do pai. Ela já o amava. Amor esse verdadeiramente recíproco.

— Sabe, meu chaveirinho, o papai está louco para ver você mais forte. Quero vê-la lá na outra ala. Quero tanto te pegar no colo, sentir o seu cheirinho, beijar a sua cabecinha... Essas coisas tão bobas que os pais fazem, mas que agora me faz tanto sentido. Você é o motivo deu querer viver e resistir. — Jacob sorriu enviesado. — O papai vai te confidenciar um segredo. — Jacob abaixou o tom da voz e espalmou o vidro que o separa da filha ligada vários fios. — Você é o meu tendão de Aquiles!

A enfermeira chefe, que anotava em um portuário alguns dados importantes, sorriu com a fala do pai da bebê que havia se tornando a mascote de toda a equipe neonatal. Ela era tão pequenina, frágil, improvável de sobreviver, mas lutava com tanta garra pra viver. Não tinha quem já não admirasse a minúscula bebezinha de menos de meio quilo.

— Jacob! — uma mão tocou delicadamente seu forte ombro e a voz tão marcante foi logo reconhecida pelo moreno. — Precisamos conversar. Depois você volta.

— Por favor, não me dê notícia ruim! — suplicou angustiado. Virando-se para fitar a prima nos olhos.

— Lhe trago boas notícias. Eu juro! — Leah confidenciou com um sorriso sincero estampado na face. — Vamos a minha sala conversar um pouco.

Jacob maneou a cabeça de forma positiva e se direcionou novamente para o vidro que lhe separava da filha.

— Papai vai conversar com a tia Lee e já volta. Eu te amo! — despediu-se da bebê através do sistema de autofalante.

Em silêncio o moreno seguiu a médica até uma determinada sala. Era clara, organizada e bem funcional.

— Sente-se! Quer um café? — a média ofereceu a bebida quente ao primo.

— Não, obrigada. Já tomei meu café. — agradeceu e mexeu-se impaciente na cadeira branca acolchoada. — Não me enrola, Lee. Se for notícia boa eu quero saber logo!

— Calma, Jake! Não aprece o meu trabalho.

— Porra! Lá vem você com esses suspenses baratos. Fala logo, caralho! — Jacob, apesar da fala rude, não gritava ou brigava com a prima, mas seu coração estranhamente lhe proporcionou uma revigorante esperança.

— Ok! Você venceu! — sorriu com a impaciência do primo. — Quer saber primeiro notícias da Renesmee ou da Chaveirinho? — perguntou em tom de divertimento. Ela brincava com a impaciência dele.

— Caralho, só fala! — esbravejou.

— Então vamos lá. — Leah ajeitou a postura na cadeira. Jacob revirou os olhos pela demora da prima. — Mediante ao seu temperamento instável e agressivo, a equipe médica responsável pela Nessie e pela chaveirinho decidiram que serei eu que te passarei todas as notícias sobre os casos, seja ela positiva ou não. E nem tente defender-se, pois sabemos que tenho razão. — adiantou-se em repreender o moreno, que ameaçava a abrir a boca para contestar. Jacob tinha xingado todo posto de enfermagem há quatro dias somente por pedirem que aguardasse cinco minutos para entrar pra ver Renesmee. Fora todas as discussões com os médicos. — Estou aqui com os dois boletins médicos da semana. — Leah suspirou. — A nossa princesinha, apresar de todas as complicações que passou nessa primeira semana, teve um evolução física milagrosa. Exames realizados apontaram que a persistência do canal arterial, aquele problema que ela tem no coração — explicou-se —, está evoluindo só com a medicação.
Eles já descartaram a necessidade de uma cirurgia futura. Graças a Deus os remédios sozinhos estão surtindo efeito. Em relação à parte pulmonar o avanço será mais lento e demorado. Teremos que ter paciência. Mas tem outro fato animador. A nossa chaveirinho ganhou mais de cento e vinte gramas em seu peso em apenas uma semana. Isso é ótimo! A equipe está mais confiante, as chances de sobrevivência dela agora são se quarenta e cinco por cento.

— Oh meu Deus! — Jacob perdeu uma batida, para logo em seguida o seu coração começar a trotar violentamente em seu peito. Uma lágrima desceu sem ser sentida. Seu coração parecia transbordar felicidade e esperança. Jacob descobria cada vez mais sentimentos antes esquecidos. — Ela vai sobreviver! Eu sei que ela vai sair dessa. Minha filha é forte e guerreira. Eu soube fazer bem um bebê forte na minha Nessie! É o sangue dos Black correndo naquelas veias! — sorriu com a piada. Há dias ele não apresentava esse humor tão comumente sarcástico.

— Se o que diz for verdade, se prepare para ter uma filha de gênio péssimo. Pois isso sim é uma característica do sangue Black. Com certeza não é do sangue Amish da mãe. – Leah contra-atacou a piada do primo.
Jacob contorceu a face em uma careta engraçada. Leah tinha razão. Puxar ao temperamento dos Black significava uma filha desafiadora, atrevida, sagaz... Ele preferia uma menininha meiga como a mãe.

— Agora que seu humor melhorou notoriamente depois das notícias, vamos falar da Nessie. — Jacob imediatamente parou com os devaneios, imaginado a filha já na adolescia e batendo de frente com suas ordens, e voltou a prestar atenção ao que a prima lhe falava. — O inchaço cerebral que a Nessie apresentava já regrediu por completo. Os hematomas já estão clareando consideravelmente e os cortes estão cicatrizando bem. Agora os sedativos não são mais necessários, ela não tem mais a necessidade de permanecer em coma induzido. O sedativo já está sendo reduzido, e logo pararemos de administrar. A partir de manhã ela poderá acordar a qualquer momento. Agora será com ela quando vai se sentir pronta para despertar.

— Eu preciso vê-la. — Jacob ergueu-se em um rompante da cadeira de couro acolchoada. — Eu preciso está com ela na hora que ela acordar.

— Calma, Jake! Sente- se aí novamente. — disse firme. Era nítida pelo tom da voz a ordem expressa. — Como eu falei anteriormente o sedativo será retirado aos poucos, na verdade, já estava sendo reduzido. Mas ela não acordará antes que paremos por completo. É isso só irá ocorrer amanhã. Por hoje, ela ainda permanecerá dormindo.

— Mas eu não quero deixá-la só. Preciso cuidar dela, saber que ficará bem. Sei que vai acordar com dor, confusa... Preciso está ao lado dela nessa hora.

— Sim, ela vai acordar com dor e confusa. Recomendo que tudo seja conversado com calma. Já conversei com a Rachel e com a Claire, falei que não é o momento de contarem sobre o casamento falso. São muitas informações que irão abalar com o emocional da Renesmee. Temo que ela entre em algum choque pós-trauma. Elas concordaram em não falar nada por agora, mas que no momento que acharem pertinente, lhe darão um prazo para que você conte toda a verdade.

— Lee, eu sei que errei. E muito. Mas a Nessie se tornou tudo o que tenho. Ela é o motivo de o meu corpo ainda respirar. — confessou sincero. — Foi por isso eu não queria amá-la. Eu nunca quis me tornar dependente de uma mulher, isso nunca fez parte dos meus planos. A vida que levamos não permite isso. Tem noção que reforcei a segurança lá de casa só por imaginar que alguém poderia invadir a mansão e fazer algum mal a ela? Eu sei me cuidar sozinho, mas é ela? Ela corre perigo só por estar ao meu lado. E agora nós temos uma filha. Nunca me senti tão perigosamente assassino como agora. É um conflito de emoções. Por que ao mesmo tempo em que eu sei que estou me tornado um frouxo em relação a elas, eu também estou me tornando letal por elas. Eu mataria uma criança, se assim fosse necessário, caso faça algum mal a elas. Isso não é o que eu queria pra minha vida, eu lutei contra, mas agora que tenho a Nessie e minha filha, eu chego à conclusão que não faria nada diferente. Eu amo amá-las. — Jacob explicou resumidamente todo o conflito que duelava em seus pensamentos. — Eu sei que é confuso, mas o casamento foi falso, mas ele nunca foi falso. Entende?

— Não, eu não entendo. — disse a morena com a expressão facial fechada. — Não consigo entender como você e os outros, conseguiram descer tão baixo. Renesmee e Claire eram como duas crianças presas em corpos de mulher e soltas nesse mundo cruel. Vocês abusaram da inocência delas. As enganaram e iludiram, criaram um mundo que não existe.

— O casamento do Quil é totalmente legal e verdadeiro, assim como o meu. — Jacob olhou nos olhos de Leah. Ela ficou confusão. Pois os fatos conhecidos não combinavam com o olhar sincero. Leah soube ali que tinha algo a mais por trás de toda aquela confusão. — Mas isso é algo que primeiro esclarecerei com a minha esposa, somente depois que todos vão saber realmente a verdade. — finalizou enigmático.

— Ok! Não vou insistir. Sempre fomos amigos e confidentes, seu reconhecer seu olhar quando mente ou quando fala a verdade. Eu te conheço bem demais, Jacob Black! Sei que esconde um belo trunfo por trás disso tudo. Você está muito calmo e tranquilo mediante a tudo. Vamos aguardar, mas assim que a Nessie acordar a primeira coisa que vamos tratar é o fato do acidente e do parto prematuro. Depois os outros são os outros. Será muita coisa para ela digerir. Vamos com calma!

TLAD

Sobre a cama hospitalar o pequeno e frágil corpo encontrava-se inerte. A movimentação abdominal era sutil e delicada, quase imperceptível para os olhos leigos. A coloração da pele sempre tão branquinha agora estava ainda mais pálida e sem vida, os lábios encontravam-se ressecados e sem cor, mesmo recebendo todos os cuidados necessários. O tubo que antes estava em sua garganta mantendo-a viva agora havia sido retirado, Renesmee já respirava por conta própria, porém uma máscara de oxigênio estava presa em seu rosto para melhorar a saturação do ar respirado.

Ela havia sido banhada pela equipe de enfermagem, a sua camisola foi trocada assim com sua roupa de cama, estava pronta para receber suas diárias visitas.
Ela estava limpa e apresentável. Mas alguns cuidados pessoas ficavam aos cuidados da sua melhor amiga. Claire fazia questão.

A Amish havia aprendido a mexer na amiga sem prejudicar ou atrapalhar os fios que ligavam Renesmee as diversas máquinas. Com delicadeza e incrível habilidade Claire penteava e trançava os longos cabelos da amiga inconsciente.

— Sabe Nessie, tem tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo. – Claire conversava como se a amiga pudesse ouvir e participar do diálogo. Desde que uma enfermeira afirmou que os pacientes em coma poderiam ouvir tudo, ela passou a conversar com a amiga. – Eu estou com medo de tudo ser mais uma mentira. Não sei mais em quem confiar. Eu amo tanto o Quil, meu peito chega a doer por conta desse amor, mas ele mentiu para mim. Para nós! Estou com raiva, brava com ele. E com o Jacob também. Tenho vontade de bater neles. Eles não poderiam ter feito isso com a gente. Nós demos todo o nosso amor... E o que recebemos em troca? Mentiras e ilusões. Eu acho que já entendi tudo, mas ainda dói muito. – Claire recolheu as lágrimas teimosas que desciam descontroladamente de seus olhos. – Mas não vamos falar sobre esse assunto, você não deve esta entendendo nada. Tem tanta coisa para você entender quando acordar. – Claire beijou a cabeça da amiga, inalando o cheiro perfumado dos cabelos. Haviam lavado os fios loiros de Renesmee no leito mesmo. – Eu vou sempre cuidar de você e da nossa pequeninha. Ela é tão linda, nem parece de verdade. Você vai ter medo, que eu sei. Mas eu vou estar ao seu lado pra tudo, eu sempre estou. Eu te amo como minha irmã. Você é tudo que eu tenho aqui fora. Você precisa ficar boa logo, pois eu também preciso muito de você. É você quem me dá forças para ser forte pela gente. – Claire acariciava o topa da cabeça da amiga, que agora não estava mais enfaixada.

De repente a porta foi aberta e Claire imediatamente olhou para quem entrava. A loira fechou a cara imediatamente. Renesmee agora estava instalada em um quarto na unidade semi-intensiva do hospital.

— Bom dia. – Jacob cumprimentou por educação, já que sabia que a cunhada não lhe responderia o cumprimento de volta.

Ela nunca respondia. Claire não falava com Jacob desde o dia que descobriu sobre o falso casamento, e só tolerava a sua presença por que era nítido todo carinho e zelo que ele dedicava a Renesmee.

— Seu marido chegou para ficar um pouco com você. – disse com uma careta de descontentamento na bela face. – Vou lá vê como está a nossa bebezinha, volto depois para lhe contar tudo. Eu te amo! – deu mais um beijo na cabeça da loira inconsciente e levantou-se da cama em que a amiga estava. Ela havia se sentado na pontinha da cama.

Sem falar uma única palavra com o cunhado Claire deixou o quarto da amiga. Ela sequer dirigiu o olhar para o moreno.

— Ela nunca gostou de mim. – Jacob defendeu-se gargalhando com o temperamento difícil da esposa do irmão. – Ela tem um gênio terrível, não sei como pode ela ser assim. Vocês receberam a mesma educação e Claire mais parece uma enguia assassina pronta para distribuir seus choques por todos os lados. – Jacob sorriu com a própria piada. Ele tinha ficado de ótimo humor desde a conversa com Leah há aproximadamente meia hora atrás. – Ok, eu não falo mais da sua amiga. Entendo que o amor é cego. Mas vamos falar de você. Como está linda e cheirosa! Estou feliz em te ver sem aquela atadura horrível na cabeça. Eu amo a cor do seu cabelo. Lembro que foi a primeira coisa que me chamou atenção assim que lhe vi. Na verdade, foi a sua voz linda e delicada, depois os cabelos claríssimos e por último, para me arrebatar por completo, os seus olhos. Nunca vi algo tão lindo neste mundo. Você é tão perfeita para mim. Você é meu ponto fraco, garota. Eu te amo! – Jacob beijou os lábios da Amish com carinho.
Havia retirado rápida à máscara de oxigênio a reposicionando de imediato após a troca de afeto.

O banho no leito que Renesmee havia recebido da equipe de enfermagem parecia ter revigorado sua aparência. Mesmo ainda inconsciente, pálida, abatida e com hematomas espalhados pelo corpo e rosto, algo parecia tem mudado. Ela de alguma forma parecia esta menos debilitada e enferma.

Jacob inspecionou todo o quarto ao seu redor e a própria esposa, ele não admitia nenhum descuido com ela. O moreno era exigente e protetor com tudo relacionado à jovem mulher.

Após se certificar que estava tudo em seu absoluto agrado e que Renesmee estava muito bem cuidada, ele puxou a cadeira e sentou-se bem próximo do corpo inconsciente.

Ele ficou por um tempo somente observando o sono profundo da loira, pensando em como sua vida havia de transformado desde a entrada dela em seu coração. Renesmee chegou tranquila e calma, sem pretensão de conquista-lo, mas acabou o arrebatando sem fazer absolutamente nada. Ela foi somente ela mesma, mas aquilo foi suficiente para conquista-lo. Jacob foi fisgado pelo amor da mulher que lhe parecia a mais improvável em lhe conquistar. O que era uma brincadeira, um jogo, um fetiche e nada mais, passou a ser absolutamente tudo.
Renesmee se transformou em sua vida. Jacob suspirou profundamente com todos esses pensamentos.

— Nessie, me perdoa por tudo de ruim que eu já te fiz até hoje. Eu sou uma pessoa tão ruim e sem sentimentos, eu não sei amá-la do jeito que você merece. Você merecia um homem muito melhor que eu, mas não consigo imaginá-la com ninguém além de mim. Entende como eu sou egoísta? Tenho certeza que você jamais seria assim comigo, mas eu jamais conseguirei te largar. Você é minha, somente minha e de mais ninguém. – acariciou ternamente a bochecha sem cor da amish. – Eu fui um crápula sem coração com você, lhe tratei de forma canalha e leviana. Eu armei aquele circo que foi o nosso casamento, tudo uma mentira cruel para alguém de alma tão linda e inocente. Você me deu tudo o que tinha de mais valioso na vida, e eu te retribui com uma palhaçada de casamento falso. Talvez o meu castigo tenha sido exatamente esse; cair na minha própria armadilha. Mas se foi um castigo, eu hoje vejo com uma graça. Nunca fez parte dos meus planos me apaixonar por você, mas fui burro em não perceber que desde o começo você foi diferente. Onde em meu cruel mundo eu seria delicado na cama com uma mulher que desejava? Nunca! Eu te amei desde a nossa primeira vez, mas fui cego em não perceber que você já tinha me mudado muito antes. – Jacob depositou a cabeça na cama da esposa e abraçou os quadris dela. Ele permanecia sentado na cadeira, sua alta estatura lhe permitia a posição sem causar desconforto. Ele acarinhava delicadamente o abdômen agora novamente plano. – Lembro-me como se fosse hoje o dia que me tornei consciente do amor que sentia por você. – sorriu com a lembrança que lhe invadia a mente. — Foi exatamente no dia que você desmaiou em meus braços. Logo depois descobrimos sobre o seu problema no sangue. Eu entrei em desespero quando a Claire nos contou que você sempre foi doente, que sempre teve a saúde delicada. Achei que eu lhe perderia, que você tinha leucemia. Nossa! Foi um dos piores dias da minha vida.

Jacob deixou as lágrimas escorrerem por sua face, molhando um pouco o lençol que cobria a loira.

— Olha o que você me faz, garota! Olha como eu fico sem defesas com tudo relacionado a você. Por isso eu nunca me permiti amar e me apaixonar. Muitas passaram por mim, umas eu até poderia ter amado se quisesse. Você era para ser somente mais uma, mas olha onde nós estamos. Eu absolutamente impotente aos seus pés. – sorriu sem humor com a constatação. – Você me transforma em um fraco, mas ao mesmo tempo me sinto invencível por você. –Jacob permaneceu alguns minutos em silêncio somente pensando em tudo que havia acabado de falar. – Sabe o que é mais engraçado nisso tudo? Se eu pudesse voltar atrás no tempo, escolheria te conhecer, me deixa ser enredado por você. Só me arrependo das vezes que te fiz chorar e da nossa cerimonia de casamento não te sido verdadeira, pois todo o resto foi. Somos casados, sempre fomos. Você é minha e eu sou seu. Meu coração bate por você, assim quando o seu bate por mim. Sei que bate! – afirmou depositando a mão entre os seios da esposa.

— O que é isso? – franziu o cenho ao notar a camisola unida naquela região. – Eu não acredito que essas incompetentes lhe deixaram molhada.

Jacob levantou-se abrupto da cadeira e foi inspecionar melhor aquela região, notando realmente a significativa umidade. Já notoriamente revoltado, mas controlando-se para não socar a cara de uma enfermeira, ele apertou impaciente a campainha do quarto, descansando o dedo pesado sobre o botão.

— Senhor Black, não precisa ficar apertando a campainha. – Dora, a chefe da enfermagem, entrou apressada no quarto. Todos conheciam a fama explosiva do marido da paciente. – Uma vez acionada a campainha, o painel acende lá no posto, não precisa manter apertando o botão. – a senhora de meia idade tomou delicadamente a campainha da mão do moreno. – Precisa de algo? – perguntou educadamente.

— Eu quero saber quem foi a incompetente que banhou a minha esposa? Ela esta molhada ainda. Com certeza isso irá prejudicar sua saúde. – disse ríspido para a enfermeira.

— Impossível, senhor Black. – contradisse o Jacob. – Eu mesma dei o banho na senhora Black com ajuda das duas enfermeiras mais competentes do plantão.

— Está me chamando de maluco ou mentiroso?—perguntou com as sobrancelhas arqueadas de forma arrogante.

— Jamais, senhor Black. – Dora adiantou-se em responder. – Mas lhe garanto que a senhora Black foi cuidada com o mais absoluto zelo. Eu inspecionei tudo ao fim. Ela estava perfeitamente asseada, sem nenhum erro ou falha na execução.

— Então veja por você mesma. Pois a minha esposa esta com a camisola molhada bem aqui. – Jacob depositou a mão sobre o peito úmido da esposa para demostrar o local de sua queixa.

A enfermeira estranhou o fato, mas foi averiguar a reclamação dele, constatando com sobressalto a veracidade da queixa. Após rápida inspeção, Dora estava em choque com o que acontecia.

— Preciso chamar imediatamente a Dr. Clearwater. – informou ao marido da paciente de forma automática.

— O que esta acontecendo com minha esposa? – questionou preocupado.
Era nítido que algo inesperado ocorria.

— Senhor Black, aguarde a doutora chegar. É ela quem vai poder afirmar o que esta acontecendo. – a enfermeira deixou o quarto a passos apresados, ela nem ao menos esperou uma nova pergunta de Jacob.

Impaciente e bastante nervoso Jacob começou a andar de um lado para o outro ao redor da cama da esposa. Estava nervoso e preocupado. Toda hora ele apertava a campainha de forma insistente, mas parecia que as enfermeiras ignoravam suas chamadas.

Após uma eternidade esperando, que não chegou a ser de dez minutos, Leah entrou com expressão séria.

— Jacob, pare de apertar a campainha. – Leah repreendeu o primo. – Você está enlouquecendo toda a equipe de enfermagem.

— Elas que são incompetentes e não estão atendendo ao meu chamado. Eu pago muito caro por essa porra. Eram pra elas estarem lambendo os meus pés.

— Não seja absurdo. – revirou os olhos. – Deixe-me conferir o que está acontecendo com a Nessie.

Leah ignorou as reclamações do primo e foi examinar Renesmee. Em poucos minutos constatou, também surpresa que a enfermeira estava correta em sua observação.

– Não pode ser! – Leah deixou escapar.

— O que esta acontecendo, Leah. O que ela tem?

— Jacob, não existe uma explicação médica para o que esta acontecendo agora com a Nessie. – Leah olhou confusa para o primo. — Eu, em anos de profissão, nunca tinha visto isso acontecer. Se você acredita em Deus, ou coisa do gênero, pode chamar de milagre. Por que essa é a melhor explicação.

— Como assim milagre, porra? Do que você esta falando? O que esta acontecendo com a minha mulher? – Jacob já gritava nervoso.

— Calma, não começa a gritar e fazer escândalo no hospital.

— Não me peça calma, caralho!

— Jacob, essa gritaria não faz bem para Nessie. Existem estudos que apostam que paciente em coma pode ouvir o que se é falado ao seu redor. – Leah explicou. – A Nessie é uma pessoa especial, que tem uma fé inabalável, talvez isso tenha a ver com o que esta acontecendo agora. Renesmee está produzindo leite. Isso é um verdadeiro milagre.

Jacob piscou as pálpebras por alguns segundos, confuso com o que a prima acabara de falar. Onde estava o milagre em produzir leite? Renesmee estava grávida e teve um bebê recentemente. Isso era normal em sua cabeça.

— Jacob, isso não é normal. – Leah adiantou ao entender a dúvida estampada na cara do primo. – A produção do leite se dá através do estímulo da criança em sugar o seio da mãe. Antes a produção é só do colostro e não de leite. Renesmee não foi estimulada a produzir leite, a chaveirinho não foi colocada para mamar nela. Isso tudo é muito surpreendente. – explicou a médica. Era nítido o fascínio de Leah ao falar. – Existem alguns estudos que provaram que amamentar está ligado ao desejo e vontade de realizar o ato. Tem casos de mulheres que não deram a luz, mas que conseguiram amamentar seus filhos por desejarem muito. Elas colocavam o bebê incansavelmente para sugar o bico e estimular a produção de um hormônio chamado prolactina, que é o responsável pela produção de leite. Entretanto a Nessie não se enquadra em nenhuma das duas possibilidades. Ela não teve um bebê sugando o seu seio para estimular a produção e nem estava consciente para desejar a produção de leite. Ela simplesmente está produzindo leite em abundancia, chegando a vazar. Talvez ela já tivesse o colostro, mas não tem explicação essa farta produção de leite.

— Ah! – exclamou Jacob sem qualquer outra palavra inteligente para falar. Agora, depois da explicação da prima, ele estava igualmente surpreso. – Mas o que vamos fazer? Ela não pode amamentar nossa filha. Eu nem tinha parado para pensar na alimentação da chaveirinho até agora.

— Ela ingere leite do banco de leite e mais um suplemente preparado pelo setor da nutrição e dietética do hospital, para aumentar mais rápido o peso. Mas agora podemos retirar o leite direto da Nessie. – esclareceu. – Vamos tirar com uma bomba própria e armazenar no banco para o consumo da chaveirinho. Essas primeiras remessas serão descartadas devido às medicações que Renesmee ainda esta tomando, mas já irei vê com a equipe médica remédios que ela possa tomar amamentando, até por que amanhã ela já não receberá nenhum tipo de sedativo. Precisamos tirar o leite de qualquer forma, pois pode empedrar e agravar o quadro da Renesmee.

— Sim , claro. – Jacob ainda sentia-se perdido com a surpreendente novidade. – Então será que ela já tem consciência que nossa filha nasceu?

— Não sei afirmar isso, mas com certeza o seu corpo já é consciente que precisa produzir leite. – Leah respondeu sincera, não tinha uma explicação cientifica para aquilo. Era um milagre que sua equipe teria que administrar. – Deixe-me ir comunicar a toda a equipe. Logo alguém do banco de leite virá colher a leite. Não faça cena ou de escândalo, tudo é pelo bem da Nessie e da Chaveirinho.

— Quando eu sei que é para o bem delas eu até ajudo. Só não gosto que a tratem dom indiferença. – disse mal humorado com a fala de Leah.

— Está bem, Jacob, não vou discutir com você. Mas espero que você vá pedir desculpas à enfermeira Dora, ela estava chorando por causa das suas palavras duras.

Jacob revirou os olhos, mas ficou pensando na possibilidade de se retratar com a enfermeira, porém não seria por agora. Agora ele ficaria ao lado de sua esposa e aguardaria todo o procedimento de retirada do leite ser concluído. Iria ficar observando em como tudo seria feito e se causaria algum desconforto em Renesmee.

TLAD

A espera era longa, os dias pareciam que se arrastavam. As visitas eram frequentes e constantes, sempre repletas de otimismo e pensamentos positivos. Todo dia e hora alguém da família ia ao hospital vê Renesmee e a bebezinha prematura. Todos torciam pelo restabelecimento de ambas.

Desde que Jacob havia recebido a notícia que Renesmee poderia acordar a qualquer momento depois que sessassem a sedação, ele não deixou mais o hospital. Ele dormia todos os dias no pequeno sofá que tinha no quarto. Nunca a deixando sozinha por um único minuto. Até para ir ao banheiro fazer suas necessidades ou tomar banho era complicado, ele não queria estar longe no momento que ela despertasse. Jacob queria ser a primeira pessoa que ela veria ao acordar do longo sono.

Já haviam se passado três dias que Renesmee não recebia mais nenhum tipo de sedativo. Todos os dias uma enfermeira ia colher seu leite até cinco vezes por dia. Era milagrosa a quantidade de leite que o pequeno seio – não mais tão pequeno assim— produzia de leite. Dava para alimentar a filha e mais outros bebês.

Jacob havia dado autorização para que o leite em excesso de Renesmee fosse doado para outros bebês que também precisavam. Afinal, foi devido a pais generosos que nunca faltou alimento para sua filha quando a própria mãe, não estava em possibilidade de produzi-lo.

Renesmee a cada dia parecia melhor, porém mais pálida e frágil.

Claire mantinha seus cuidados diários para com a amiga, ignorando totalmente a presença de Jacob. Eles não estavam se falando, Claire na verdade mal falava com o próprio marido. Ela só havia voltado para a cobertura que dividiam, pois era o seu dever como esposa. Foi assim que lhe foi ensinado à vida toda, mas as coisas não estavam bem entre o casal.

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— Muito obrigado. – Jacob agradeceu a enfermeira que havia acabado de retirar três vidrinhos de leite da esposa.

— Por nada, senhor Black. Não faço nada além do meu serviço. – disse Olívia educadamente. Sabia da fama de exigente do homem com os cuidados com a esposa. Ela sempre fazia tudo com o máximo se zelo possível. – Volto daqui há quatro ou cinco horas para retirar mais leite. A senhora Black produz muito mais leite que a filha de vocês consegue ingerir. Isso tem ajudado a muitos outros bebes que não tem a sorte de ter uma mãe com produção tão farta.

— Minha mulher vai gostar de saber que tem ajudado a outros bebês. Ela é a mulher mais generosa que existe nesse mundo. – disse com orgulho, beijando o topo dos cabelos platinados.

A enfermeira sorriu e saiu logo depois. Não adiantava ser simpática desejando mais que palavras educadas de Jacob, naquele momento ele só tinha olhos para esposa inconsciente.

— Amor, esta na hora de acordar. – começou a falar com a loira, já pegando a cadeira e sentado ao seu lado. Iria começar suas rotineiras conversas com ela. – Nossa filha está louca para lhe conhecer. Tem que vê como aquela miudinha e esperta. Ela reconhece a minha voz, a do Quil e até a da Claire. Mas acho que é mais pelo fato de ser um pouco parecida com a sua. Acho que ela está te esperando por você... Por favor Nessie, isso está me matando eu não suporto mais. – sussurrou as últimas palavras.

Jacob continuou a falar. Ele realmente passou a acreditar que Renesmee podia ouvi-lo. Ele sempre falava sobre tudo. Contava sobre a filha, da cachorrinha que estava em casa mais triste pela ausência da dona, os empregados que sempre perguntavam por ela, a decoração do quarto da bebê – que agora já estava totalmente pronta — ... Jacob não cansava de conversar com Renesmee. Aquilo lhe acendia a esperança. Ele também não deixava de dedicar algumas horas lhe pedindo perdão por todos os atos estúpidos que fez com ela.

O moreno estava cansado, há dias não dormia bem. Sempre ansioso para o momento que Renesmee fosse despertar. Era comum ele pegar no sono sentando ao lado da amish e com a cabeça repousada em suas pernas, enquanto conversava com ela.

De repente Jacob acordou sobressaltado, tinha sonhado com Renesmee lhe chamando. Foi ai que o moreno se deu conta que mais uma vez dormiu abraçado aos quadris da esposa.

Ele ergueu-se e se espreguiçou, mas um ruído lhe atraiu a atenção. Assustado olhou para Renesmee, que naquele exato momento abria os olhos.

— Nessie! – Ele quase gritava.

Os olhos azuis se contraíram de imediato ao ver o clarão invadir e incomodar sua retina. Imediatamente fechou os olhos novamente.

— AI! – a loira gemeu pela dor que lhe dominou.

Notas finais
Genteeee... Muita emoção em um só capítulo, não? Jacob se saindo um pai e marido exemplar. Ele até ajudou a terminar de escolher a decoração do quarto da chaveirinho. Quem acha que a Nessie vai amar a surpresa? Chaveirinho lutando e vencendo a cada dia! Nessie produzindo milagrosamente leite para sua cria... É o auge do capítulo: Renesmee acordou!!!! O que acharam? Quais os palpites e expectativas? Queremos saber tudo!!!! Comentem bastante e Recomecdem se achar que merecemos. Se recebemos bastante comentário ou até mesmo uma recomendação, juramos que postaremos bem rapidinho! XoXo Jenny & Baah!!!