Notas iniciais
Uou que o capítulo hoje está saindo mais cedo minha gente! Pessoal desculpem-nos pela demora, mas tivemos diversas divergências pessoais, que impediram do capítulo sair mais cedo. Fiquem tranquilas nós não vamos parar com a história, mesmo que o capítulo demore a sair ele virá. Ansiosas? Ai Deus, e nós ansiosas pra sabermos o que vocês vão achar. Ta tenso!!! Vamos aos agradecimentos. Obrigada a todos pelos reviews recebidos, Jenny começou a respondê-los e eu irei ajudar a colocar em dia. Como disse, estamos atoladas e fazendo o possível para poder controlar tudo. Agradecer as lindas Ellma Black, Franzinha Lautner, Faby-Cintra e Anne Rodrigues pelas belíssimas recomendações. Amamos cada palavra. Obrigada florzinhas... ficamos imensamente felizes. Capítulo dedicado a vocês!!! Vale ressaltar que alguns dos depoimentos sumiram, problemas do Nyah que eles nunca resolvem, então se por acaso seu depoimento não estiver lá, é porque o Nyah comeu. Quem conhece o site há algum tempo sabe que ele tem essas de "meter o loko". Queremos informar também, que o comentário da leitora Mandy foi extremamente tocante a sua frase e usamos ela em um determinado pedaço do capítulo. Foi tocante e obrigada pelo carinho. Se acaso não tiver problema, manteremos a frase, mas se acaso a Mandy se opor iremos retirá-la. Mandy obrigada, foi tudo muito lindo o seu comentário. Chega de falarrrrrr vamos ver a nossa chaveirinho? Nos vemos lá embaixo!

TWO LIVES: A DESTINATION!

Ao bem iluminado e longínquo corredor asséptico de impecável chão branquíssimo e paredes cor de erva doce, vagava Jacob. Ele estava desnorteado, totalmente sem controle sobre suas ações ou reações, somente a adrenalina que era injetada em seus músculos fazia com que continuasse caminhando mesmo que sem rumo. Sua mente estava conturbada e seu pensamento totalmente desconexo, Jacob parecia carregar o peso do universo sobre seu próprio corpo.

Uma cratera havia partido seu mundo perfeito e tão bem controlado,nada na vida havia lhe preparado para aquela sensação de impotência. Uma dor excruciante e jamais antes sentida pelo moreno dominava todo seu ser, sua consciência já não mais se fazia presente, somente a dor e o medo de perder as duas únicas pessoas que aprendeu amar verdadeiramente com seu duro coração.

Amar! Sim, como ele amava aqueles dois anjos que entraram em sua vida de forma tão intrusa, mas que conquistou cada pedaço de seu coração há muito congelado. Renesmee era o fogo brando que aquecia tão sublimemente a sua fria alma, e sua filha a lenha que alimentava todo aquele calor.

O rosto transtornado estava banhado em lágrimas que não mais podiam ser escondidas, nem ele ligava mais para isso. O que eram lágrimas para um homem que sentia o coração sangrar? Nada, absolutamente nada!

Jacob não percebeu em que momento conseguiu se desvencilhar dos braços reconfortantes dos seus irmãos e nem como chegou até ali, simplesmente saiu da sala claustrofóbica e começou a vagar sem rumo pelo hospital que agora era responsável pela vida das duas pessoas mais importantes para ele. Só de imaginar sua filha tãofrágil lutando por cada batida de seu coração lhe feria a alma. E sua esposa que estava machucada, debilitada e totalmente desinformada sobre tudo que acontecia. Jacob se sentiu um nada mediante a toda fatalidade que lhe acontecia.

A dor latente em seu peito lhe cegou. Era asfixiante respirar e agonizante pensar ou sequer concluir o que acontecia ou poderia acontecer com seus amados anjos. Sua mente estava bloqueando qualquer raciocínio lógico ou realista sobre a verdadeira situação.

O moreno caminhava lentamente, pé ante pé, desnorteado pelo corredor. Através dos seus sempre tão observadores olhos ele via o caminho por onde passava, mas não enxergava realmente nada e nem ninguém que estava ao seu redor ou cruzava seu caminho. Nada mais tinha importância em sua desgraçada vida, só o bem estar da sua amada mulher e sua preciosa filha era o que ele desejava e importava naquele momento.

Pensar em sua pequena filha fez seu coração fisgar forte pela dor. Filha! Tão minúscula e frágil, mas já tão guerreira. Ela lutava tão duramente pela vida. Que vontade aquele pequenino ser tinha em viver. Como o mundo agora lhe pareceu tão injusto e cruel.

Mais uma enxurrada de fartas lágrimas desceu pelo rosto transtornado pela dor do moreno. Perder seus anjos estava fora de cogitação, não permitiria deixá-las partir. Faria absolutamente tudo que estivesse ao seu alcance, ou até além.

Só de imaginar sua joia tão rara e graciosa sofrendo... Jacob preferia ter cada membro de seu corpo arrancado de forma lenta e dolorosa a ter que perder sua pequenina filhinha.

Ela não havia sido planejada, muito menos desejada, mas já era imensamente amada. Imaginar um bebê que fosse a combinação perfeita dele com sua amada esposa, ou quem sabe um bebê que fosse tão angelical como a mãe. Talvez fosse a cópia dele... Não importava mais, só o que importava agora era que ela ficasse bem e saudável.

E sua doce Renesmee, como ela iria reagir depois que acordasse e descobrisse que a filha deles, que ela tanto se orgulhava de carregar, não estava mais segura em seu útero? Ela era tão frágil e sensível, a amish não iria suportar passar por tamanha provação.

Dor! Muita mais dor torturava os pensamentos conturbados de Jacob.Talvez se ele não tivesse deixado ela... Talvez se tivesse chegasse mais cedo... Ou talvez se tivesse ido para casa assim que seu jato pousou em Nova Yorkela ainda estaria segura em seus braços, sua filha ainda chutaria o útero materno assim que ouvisse sua voz. Eram muitos talvez, mas apenas uma certeza: a culpa era totalmente dele.

A vida estava lhe tirando o que mais ele amava só para puni-lo por todos os erros e crueldades que cometeu durante anos de uma vida errada.

Omundo não poderia ser tão cruel com dois seres inocente. Que ferisse a ele, que machucasse a ele... E não duas pessoas sem pecados.

Paz! Por apenas um segundo sentiu paz em seu coração, mas logo a dor veio em abundância novamente. Seus joelhos fraquejaram e cederam. Não mais sustentado o forte corpo ereto. Jacob estava no chão!

— Porra, porque dói tanto? — murmurou fechando os olhos. — Por favor, tire a minha vida, torture-me fisicamente, arranque cada membro do meu corpo na mais pura crueldade possível, mas deixe-as viverem saudáveis. Eu as amo tanto que só de imaginar a remota possibilidade de viver em um mundo em que elas não estejam bem ao meu lado é inaceitável. — o soluço saiu mais alto dos lábios trêmulos, lágrimas voltavam a banhar a face sofrida. — Como eu amo aquela garota pura e inocente com aqueles olhos tão sem malícia para o mundo em que vive. Eu falhei em protegê-la, em cuidar e zelar pelo seu bem estar. Eu sou um merda que merece toda a dor do mundo, mas faça tudo comigo, somente comigo, não com elas. Minha Nessie é um anjo que me presenteou com sua pureza... Ela e minha filha merecem ter o céu aqui na terra e não o inferno que eu ofereço. — o moreno soluçava em desespero pela dor excruciante que fazia seu duro coração sangrar.

—Jacob! — uma mão quente tocou cautelosamente o ombro do moreno ainda ajoelhado ao chão. — Jake, você está rezando? — a pergunta soou cética, Quil não estava acreditando que o irmão estava ajoelhado rezando em voz alta. A cena era desesperadora e inédita.

Foi só então que Jacob voltou à realidade, dando-se conta que estava com os joelhos dobrados junto ao chão e com as mãos juntas em súplica. Ele rezava. Muito lentamente olhou para mão que tocava seu ombro e mirou o rosto sempre tão conhecido para ele.

— Não sei, talvez... Talvez eu esteja.—sibilou inseguro, ele não fazia nada de forma racional, tudo estava no automático. — Se isso for trazer a Nessie de volta e fazer com que a minha filha sobreviva, eu passaria o resto dos meus dias assim! — deu de ombros. Nada mais lhe importava só o restabelecimento de sua esposa e a saúde de sua filha.

— Jake meu irmão, sei que estava precisando de um minuto sozinho pra respirar, mas você tem conhecimento de onde está agora? Olhe ao seu redor. — Quil tentava manter um tom calmo ao falar, era nítido que seu irmão não estava consciente de suas ações.

Jacob lentamente começou a observar a sala em que se encontrava. Era branca, silenciosa, com alguns bancos de madeira e um altar. Nele tinha uma grande imagem de Jesus Cristo crucificado e uma imagem da virgem Maria segurando o coração fora do peito. Estranhamente aquele ambiente lhe trouxe uma paz momentânea que há horas não sentia.

— É uma igreja? — perguntou incerto.

— É uma capela,todos os hospitais tem uma. — esclareceu o questionamento do irmão. —Deixamos você ter um minuto consigo mesmo, mas acho melhor voltarmos. Leah foi resolver umas tretas e falou que quando voltasse queria conversar contigo. Ela já retornou.

— O que aconteceu? Como está a Nessie e a minha filha? — gritou sobressaltado, o desespero transbordava em seu olhar.

—Ei, fique calmo que nada mudou. — Quil tentou tranquilizar o irmão, puxando-o para sentar no banco de madeira. —Só umas tretas que aconteceu com os outros, mas acho que já está tudo se resolvendo.

— Sobre o que você está falando? Não estou entendendo porra nenhuma Quil, não é hora pra charada. Desembucha. — ordenou já impaciente.

Quil somente relevou o tom que Jacob falou com ele mediante a tudo que pelo que estava passando. Se fosse antes teria mandado ele se foder.

— Cara, foi problema com a mina do Embry. —Quil falou brevemente, mas o olhar duro do irmão mostrou que ele não se contentaria somente com aquela resumida versão dos fatos. — Porra, assim que você deixou a sala a Jenny começou a ficar mais branca que uma vela e colocou tudo que tinha comido para fora. Ela enjoou com o nosso cheiro e das nossas roupas. — um misto de dor e raiva dominou Jacob. O mesmo tinha acontecido com Renesmee meses atrás. Lágrimas voltaram a se formar nos olhos negros, que não mais fitava o irmão. — Só que pra foder, a loira começou a questionar onde é que estávamos. Kim e Rose, que não são nada bobas, logo desvendaram a merda toda. Emmett, Jared e até Lancarter estão temporariamente expulsos de casa. Paul, Jasper e Sam vão dormir no quarto de hospedes por tempo indeterminado. Seth e Embry estão implorando perdão das namoradas.

— E onde esse fato é relevante ou uma surpresa? — Jacob perguntou sem esboçar emoção. Não estava com cabeça para se importar com os repetitivos problemas conjugais dos outros. Sua vida havia virado de ponta cabeça, seu mundo estava em ruinas.

— O problema foi que só então a Leah notou de fato a presença da Jenny na sala de espera. Tu acredita que a mina fugiu do hospital sem ao menos sair dele? — Quil riu minimamente. — Embry pirou com a notícia, ficou todo preocupado, na verdade ele beirava ao desespero. Acho que enfim encontrou a louca ideal pra ele. Tenho pena do nosso sobrinho pelos pais que terá.

Quil contou toda a confusão que tinha acontecido depois da saída do irmão da sala de espera naintenção de descontrair Jacob, entretanto tal estratégia não surtiu efeito. Ele ainda tinha fisionomia pesada, olhos vermelhos e inchados, manchas de lágrimas pela face. O sinal que nada estava bem era claro no rosto de Jacob Black.

— Espero que Embry não cometa os mesmos erros que eu. Às vezes, tudo passa tão rápido. Quando percebemos já desperdiçamosa nossa chance. Quantas vezes a Nessie me pediu para assistir algum programa de gestante e bebê com ela? Ou quantas vezes ela implorou para que eu ajudasse na escolha do quarto da nossa filha? Eu estúpido e egoísta ignorei as coisas simples, mas de extremo valor, não dando importância ao que ela realmente sentia,mas hoje já não posso mais voltar atrás e fazer tudo com ela, ao lado dela. — mesmo com todo orgulho contido a voz de Jacob era chorosa e dolorosa. — Eu posso ter perdido tudo, Quil.

— Ei, calma aí! Você não perdeu nada. Nossa princesa vai ser forte o bastante e guerreira, ela vai sair dessa, cara. Ela é filha de Jacob Black. Já a Nessie vai acordar e ficar boa logo. Tudo vai se ajeitar! Tudo vai ficar bem! — Quil falou confiante, precisava injetar esperança no irmão mais novo.

— Quil, vamos ser realistas. A minha filha tem menos de trinta por cento de chances de sobreviver. Ela não pesa nem meio quilo...

— Jake, não importa quantos por centos de chance ela tenha de sobreviver. Por que enquanto ela tiver um por cento de chances de viver, nós teremos noventa e nove por cento de esperança. — Quil ditou tão firmemente cada palavra, tão confiante que recarregou as esperanças do irmão.

— Você tem razão. Não vou pensar em quanta chance ela tem de sair dessa. Ela via sair. Minha filha vai me deixar de cabelos brancos na adolescência, vai me fazer enlouquecer de ciúmes, vai me fazer procurar por uma escola só de garotas. —Jacob sorria entre as lágrimas ao falar.

— É assim que se fala. — Quil abraçou o irmão fortemente. — Agora vamos lá ver o que a Leah quer conversar com a gente.

Os irmãos saíram da pequena capela abraçados, mas antes de deixarem totalmente do tranquilo ambiente Jacob fez o sinal da cruz. Ele não fazia aquele gesto desde que era pequeno, quando sua mãe tinha o costume de pôr os filhos para rezarem antes de dormir e durante as refeições. Sarah era uma mulher muito religiosa.

Quil imitou o gesto do irmão. Por mais que a fé de ambos fosse fraca, eles tinham se casado com mulheres que confiavam em Deus acima de tudo. Renesmee e Claire eram fervorosas em sua fé inabalável.

Claire, desde que o marido tinha explicado tudo que acontecia com a melhor amiga e com sua afilhada, a loira compreendeu horrorizada e logo tinha começado uma novena de oração. Ela orava com tanta fé que comovia até os demais.

TLAD

Na confortável sala privada todos agora se mantinham no mais absoluto silêncio. Depois da pequena confusão e alvoroço, cada membro daquela família estava absorto em seus próprios pensamentos.

Uns rezavam, outros faziam suposições para um futuro breve, alguns eram mais otimistas e poucos tinham pensamentos pessimista com relação à fatalidade que tinha se abatido na família.

Claire ainda se mantinha afastada em sua fervorosa oração. Rachel, junto às demais mulheres, estava conversando com Leah, que tinha acabado de retornar do atendimento que tinha feito à namorada grávida do primo.

Jenny havia sido internada novamente pela médica, uma vez que ela ainda não estava totalmente restabelecida para receber alta hospitalar. Embry, Seth e Babi estavam com ela no quarto. Alguns exames teriam que ser realizados novamente.

Já os homens se mantinham calados e cabisbaixos na outra extremidade da sala. A maré deles não era de sorte, e só não foi pior mediante a gravidade do que ocorria com a amish e a bebê prematura.

Assim que Quil e Jacob retornaram a sala privativa uma onda de dor e tristeza dominou novamente o moreno.

— Jake, podemos conversar agora? Sente-se melhor e mais calmo? Quer que seja em particular ou pode ser aqui mesmo? — Leah indagou cautelosa, era perceptível toda a dor nos olhos vermelhos de Jacob, e não era efeito de drogas ilícitas ou bebidas alcóolicas.

— Somos todos da mesma família, Lee, não tenho nada para esconder de ninguém. Sei que todos aqui amam minha filha e adoram a Nessie. Pode falar.—falou com aparente cansaço mental, a voz cansada de Jacob não tinha qualquer emoção, ele era um homem de alma despedaçada.

— Jake, eu acabei de sair de uma junta médica com todos os médicos que estão responsáveis pelo caso da Nessie e da neném. — Leah começou a falar de forma cautelosa, indicando a cadeira ao seu lado para Jacob se sentar. Todos prestavam atenção em cada palavra. — A Nessie está na sala de recuperação pós- cirúrgica. Lá nós não podemos liberar as visitas, mas dentro de aproximadamente três horas ela será transferida para o CTI, onde ficará até acordar. No CTI ela já poderá receber visitas e você poderá vê-la, por hoje brevemente, mas as visitas serão controladas. — Leah se adiantou em responder assim que percebeu a pergunta que o primo estava prestes a fazer. — A princípio a equipe médica responsável pelo caso dela decidiu deixá-la por alguns dias em coma induzido, não só devido aos traumas físicos que sofreu, masprincipalmente pelo pequeno inchaço cerebral. Ela não corre risco de vida e nem de sequelas mais graves, porém só poderemos descarta totalmente essa hipótese assim que acordar e fizermos alguns exames com ela já consciente. Precisamos ter todas as atividades cerebrais ativas para confirmação definitiva. Além do traumatismo craniano ela fraturou a tíbia e o rádio, ossos da perna e antebraço — explicou—, mas já estão devidamente imobilizadas com gesso. O corte que sofreu nos lábios e no supercílio foi suturado com cola cirúrgica, o que não deixará quase que cicatriz nenhuma. Os hematomas irão clarear gradativamente. Não houve danos de nenhum órgão interno, inclusive eu consegui preservar o útero para futuras gestações, porém houve uma grande perda de sangue. Mas temos um agravante aí. O sangue da Renesmee é B negativo, ele não é muito comum, e estamos com falta dele no banco de sangue do hospital. Vou precisar que você, Quil e Embry doem sangue, já que vocês sãoO negativo, doadores universais.

— Leah, não sei se poderemos doar o sangue agora. Fizemos consumo de bebidas alcoólicas e algumas outras coisas a mais. — Jacob apontou a complicação falando de forma superficial.

— Eu sei disso. — cortou seca. — Ela receberá transfusão só amanhã no fim da tarde, temos suprimento para hoje. Mas depois iremos precisar. Até lá vocês já estarão aptos para doar. — explicou.

— Amanhã pela manhã nós estaremos onde você mandar. — Quil ditou firme e seguro de sua promessa.

— E a bebê, Lee? — Rachel não se conteve em esperar para ter notícias da sobrinha, uma vez que Leah não tinha revelado nada em prévia conversa.

— Bem, o caso da bebê é mais complicado. —a morenarespirou profundamente antes de começar a explicar. A angústia e a dor estampadana face do todos, principalmente Jacob que tinha os olhos sôfregos e marejados. — Como já havia falado anteriormente, ela é muito imatura em todos os sentidos, seu baixo peso e tamanho só agrava o caso. Ela tem total imaturidade pulmonar, por isso vai permanecer por um bom tempo respirandocom auxilio de aparelhos. Também tem imaturidade gastrointestinal, por isso esta recebendo alimentação parenteral. Mas o que mais está preocupando a equipe é a persistência do canal arterial. Esse ducto é um largo vaso que conecta a aorta à artéria pulmonar. Ele geralmente se fecha sozinho algumas horas após o parto, mas em bebês prematuros pode persistir por mais tempo. Entretanto esse canal tem que se fechar de qualquer forma, caso contrário, ele permitirá que o sangue retorne para o pulmão, ocasionando sérios problemas respiratórios. Já entramos com a medição própria para que o fechamento ocorra sem intervenção cirúrgica, mas se não acontecer ela terá que passar por uma cirurgia cardíaca assim que for possível.

— Como assim, Leah? Minha filha não vai suportar uma cirurgia cardíaca, ela tem apenas alguns centímetros. — Jacob indagou alarmado passando as mãos pelos curtos fios de cabelo. Ele estava desesperado com as informações.

— Calma Jake. O tratamento dela será feito por etapas, não adianta sofrermos por antecipação. Você terá que ter calma e paciência. Cada dia é uma vitória e uma conquista. Na maioria dos casos o fechamento acontece sem intervenção cirúrgica, e é com isso que vamos contar. Um passo de casa vez. O tratamento e evolução da bebê será como se todos nós estivéssemos aprendendo a andar juntos. Calma, confiança, fé e paciência são fundamentais agora.

— Jake, vai ficar tudo bem. A nossa princesa vai passar por tudo isso e vai sair dessa linda e graciosa. — Rachel abraçou o irmão na intensão de confortá-lo. Era uma carga emocional muito pesada pra ele suportar sozinho.

— Jake, a Nessie e a minha afilhada vão ficar bem logo. Deus sempre esteve com a gente e não será agora que irá nos abandonar. — Claire disse confiante e esperançosa, a fé transbordava nela, mas os olhos demonstravam a dor que sentia no peito.—Em nossa comunidade não tínhamos os mesmos recursos que tem aqui fora e Renesmee, mesmo muito doente, chegou viva até aqui. Com certeza a chaveirinho terá muito mais chances com todos esses cuidados que está recebendo. Ela vai sobreviver pela graça de Deus.

—Que ele te ouça, Claire. — Jacob suspirou ao falar, ele tentava manter-se esperançoso.

— Ele sempre me ouve. — sorriu afetuosa para o cunhado, Claire passava tanta confiança com sua fé inabalável.

Jacob por um minuto desejou ter a mesma fé que a cunhada, ele agora iria precisar.

— Eu posso ver a minha filha?— mudou de assunto. A fé do moreno seria algo que também teria que ter paciência para vê-la surgir.

— Jake, você até poderá vê-la, mas por agora será somente através do vidro que separa a UTI neonatal. Não poderá chegar perto e nem tocá-la. Ela esta em uma área isolada. Como o caso é delicado e requer todo cuidado possível,não podemos arriscar qualquer mínimo risco de infecção, isso só agravaria ainda mais ojá delicado caso dela. Somente uma equipe especializada é que esta cuidando dela, até eu tenho restrições para entrar.

— Tudo bem. — concordou. — Eu só preciso vê-laum pouco que seja. Ver o rostinho dela... Como ela esta... Eu necessito disso.

— Jake, quantos bebês você já viu na vida? Quantos bebês você realmente se aproximou? Somente os gêmeos da Rachel? — Leah fez diversos questionamentos que para o Jacob pareciam estranhos para o momento. — Eu preciso que você entenda que os gêmeos apesar de terem nascido prematuros, Rachel já estava chegando ao fim da gestação. Eles nasceram enormes e não precisaram ficar internados. A nossa chaveirinho é diferente de tudo que você já viu. — começou a explicar cautelosamente, precisava preparar o primo para o que ele veria.

— Eu sei que será diferente, mas eu preciso ver a minha filha. — Jacob tinha a voz sôfrega ao falar, ele suplicava mesmo sem se dar conta.

Aquilo era algo inédito aos olhos de todos. Jacob Black não era homem de suplicar por nada e nem ninguém, mais ali estava um homem ferido em seu novo descoberto ponto mais fraco.

— Eu entendo e não estou aqui para te privar desse momento, mas eu preciso que você compreenda que ela é muito pequena, menor que a sua mão. Ela está ligada a vários fios e aparelhos. Sua pele é tão fina como papel vegetal e tem uma coloração avermelhada devida há essa fina espessura da pele. Sua aparência se assemelha a um feto e não a um bebê, por isso não espere achar beleza ou traços semelhantes a você ou a Nessie, porque não tem como identificar ainda. Ela mais parece um brinquedo que realmente de verdade. — Leah baixou os olhos. Para ela, era normal, mas entendia que para um pai a imagem era assustadora.

— Não importa como ela seja. Eu só quero constatar que de fato ela existe e vê-la, seja lá como for aparência dela agora. — disse firma e seguro para prima. Jacob sentiu uma injeção de ânimo e força dominando o seu ser. Ele precisava reagir, não era hora pra fraquejar.

— Então está pronto para ver a chaveirinho? — Leah perguntou animada pela garra que o primo demostrou. Ela havia se erguido da cadeira e estava de pé estendendo a mão na direção dele.

— Sempre! — sorriu minimamente depois de horas de raiva, dor e choro.

TLAD

No espaçoso ambiente bem iluminado e extremamente limpoas paredes de cores claras eram revestidas com desenhos de ursinhos que decoravam toda aquela área, balões cor de rosa e azul simbolizando a distinção de gênero enfeitavam toda a ala hospitalar. Uma melodiosamúsica clássica tocava baixo no sistema de alto-falante. O cheiro de talco, lavanda e lilás, perfumava todo o ambiente. A fragrância era inconfundível: Bebê! Tudo cheirava a Bebê.

Pais, avós, tios... Fotografavam com suas modernas câmeras de celulares de última geração o mais novo membro da família. Sorrisos, lágrimas de felicidade e orgulho estampava a face de cada um que olhava encantado, através do vidro impecavelmente límpido, o bebê que há pouco tinha chegado par completar a felicidade de cada família.

O clima era único e contagiante, afinal, uma nova vida sempre trás mudanças e renova as esperanças. Todos ali tinham motivo para sorrir.

Porém, nem todo nascimento é plena felicidade. Para alguns havia dor, tristeza e sofrimento antes que pudessem se regozijar com toda a glória de uma nova vida. E era exatamente assim que estava o coração das três pessoas que acabavam de adentrar aquela ala hospitalar.

Leah, Jacob e Quil tinhamdor e angustia correndo em suas veias.

As visitas na ala neonatal poderiam ser feitas a cada duas pessoas por vez. Sendo assim Jacob e Quil foram os primeiros, Leah como médica do hospital não contava.

Como atode reflexo, os dois morenos se detiveram enfrente a vitrine que estampava os bebês recém-nascidos. Jacob e Quil olhavam fascinados para cada bebezinho que ali estava. Balões presos em cada bercinho denunciavam a o sexo do bebê que ali repousava.

Instintivamente eles procuraram mirar a face angelical de cada bebê que estava dentro do berço que era ornamentado por balões cor de rosa. Leah havia parado um pouco mais à frente e os observava sem falar nada. Eles precisavam de tempo para se ambientar a nova realidade.

— Qual é o de vocês? — uma voz baixa e terna perguntou aos dois morenos parados diante a vidraça. Era uma idosa de idade já bem avançada, provavelmente uma bisavó.

—É a filha dele! — Quil se prontificou em responder. — É a minha sobrinha e afilhada. — gabou-se com um sorriso nos lábios.

—Então é uma menininha. — sorriu à velhinha. — Parabéns ao jovem papai e ao titio coruja. — O meu bisneto é aquele garotão de macacão verde. — apontou à senhora orgulhosa. – Qual mesmo é a de vocês? — questionou novamente.

—E-e, eu não sei! — Jacob buscava com o olhar o menor bebê que estivesse deitado no berço, mas não encontrou nenhum que parecesse com que havia imaginado. Imediatamente olhou pra prima. — Qual delas é minha filha, Lee?

— Não é nenhuma delas, Jake. — Leah informou já se aproximando de onde eles se mantinham parados. — Aqui é o berçário comum, dos bebês sem complicações ou problemas. Ela está na UTI neonatal, que fica depois daquela porta. O acesso é restrito somente a equipe e familiares.

— Oh, meu filho,eu sinto muito! —a velhinha segurou carinhosamente a enorme mão de Jacob, que já tinha os olhos brilhando pela umidade formada. — Tenha fé em Deus que tudo ficará bem, e a sua filhinha logo estará em seu colo. O anjo da guarda vai proteger esse anjinho.

Jacob assentiu comovido. Jamais imaginou que ele pudesse se tornar tão vulnerável. O amor tende a trazer tudo de nós, só então ele estava compreendendo a veracidade daquela frase.

A idosa falou mais algumas palavras carinhosas e motivadoras, além de dar uma medalhinha de anjo da guarda na mão de Jacob, que prontamente aceitou e guardou no bolso de sua calça.

Não era característica dos irmãos Black serem tão educados e receptivos, mas toda a dificuldade e dor os transformaram em pessoas melhores. Pelo menos, momentaneamente.

Eles seguiram até a porta que limitava o espaço, ela estava trancada. Após Leah tocar o interfone e se identificar, a porta foi destravada e eles entraram. Tudo era mais silencioso e tranquilo ali. Uma enfermeira veio recepcioná-los.

— Boa tarde, Doutora Clearwater. — cumprimento educadamente a jovem de avental com estampas de ursos.

­ — Boa tarde, Alyssa. — retribuiu Leah na mesma simpatia. — Esses são meus os primos, Jacob, pai da nossa chaveirinho e Quil, o tio e padrinho. — apontou indicado cada primo.

— Sejam bem vindos. — saudou a enfermeira. — Estamos cuidando com muito amor e zelo a chaveirinho da equipe.

Todos do hospital já tinham conhecimento do vínculo familiar que a pequena bebê prematura tinha com Leah. Ela era uma médica muito querida e respeitada por todos. Rapidamente a bebê virou o xodó de toda equipe, já atéchamava-a pele apelido que Leah havia mencionado, uma vez que os pais ainda não tinham escolhido o nome.

Como protocolo padrão da UTI neonatal daquele hospital, todas as visitas eram registradas em um banco de dados interno. Como pai da recém nascida que ali estava internada, Jacob teve o direito de informar uma lista de pessoas autorizadas a visitar sua filha. O hospital era o melhor de cidade, extremante criterioso e seleto.

Após os registros serem feitos e todas as explicações serem dadas, eles passarem por uma minuciosa lavagem das mãos, também tiveram que vestir roupas descartáveis próprias. Todo o cuidado era pouco naquela ala, o risco de infecção era grande.

Mais um corredor foi atravessado e no final dele havia uma sala extremamente equipada e moderna, que estava isolada por uma enorme vidraça transparente. Uma pequena equipe treinada e muito experiente monitorava as duas únicas incubadoras que estavam ocupadas. Naquela sala ficavam somente os bebês que necessitavam de cuidados específicos e que corria alto risco de vida.

Imediatamente o coração de Jacob começou a trotar forte em seu peito. Não era o fato do balão cor de rosa está amarrado na incubadora, mas sim porque uma força magnética invisível atraia seu olhar para o diminuto ser que ali lutava pela vida.

Lágrimas desceram sem nem ao menos serem sentidas, silenciosas. Para Jacob não existia mais nada no mundo a não ser o bebê estrategicamente posicionado de frente para a vidraça.

— É ela? — Quil questionou para prima em apenas um sussurro.

Ele havia deduzindo somente porque as duas únicas incubadoras ocupadas ostentavam balões de coloração diferente, fazendo uma simbólica distinção dos gêneros.

Para Jacob não havia necessidade de repostas, ele já sabia.

— Sim, é ela. — Leah confirmou com a voz embargada pelo choro. Ela ainda não havia se acostumado à realidade da sobrinha.

Jacob estava absorto a conversa dos primos. Nada no mundo tirava a sua atenção e minuciosa analise do pequeno bebê que estava bem diante dos seus olhos.

Seu coração sangrava, mas também batinha forte com esperança. Ele apertou a medalha repousada em seu bolso pedindo aos céus que sua filha saísse daquela triste situação.

A bebê que ele fitava intensamente era menor que sua própria mão. Suas perninhas eram mais finas que seus dedos, os bracinhos e mãos tão minúsculos eram quase inexistentes. A pele estranhamente avermelhada era tão fina que dava para ver algumas veias sob ela. Tantos fios saiam de seu corpo que mais parecia um complexo sistema eletrônico que um bebê. A cabeça deveria de ser menor que um limão, assim Jacob supôs. Sobre os olhos uma mascará escura vendava totalmente sua visão.

—Lee, ela é muito miúda. — Jacob lamentou ao observar. — Por que ela esta toda apertada nesses panos e com uma venda nos olhos? Ela tem problemas nos olhos? — questionou preocupado.

—A venda nos olhos é para preserva a visão e evitar possíveis danos, a retina dela ainda está muito imatura para capturar luzes tão fortes. Já as almofadas que estão cercando-a são para simular a forma que ela ficava envolta no útero materno. Lá o ambiente era apartado, ela não está acostumada a tanto espaço. Essa técnica tranquiliza e acalma o recém-nascido. — explicou atenciosamente ao primo.

—Porra, ela é tão pequena. Parece tão frágil. — disse Quil com pesar. —Princesinha do tio, fica boa e forte logo que estou louco pra te pegar no colo e te mimar.

Jacob ainda não falava nada, só observava a bebê mover minimamente o peito em aparente respiração dificultosa. Assim seus olhos de leigo julgaram.

—Por que tem tantos fios ligados a ela? Será que está sentindo dor? Ela é tão indefesa para ter tantas agulhas e fios presos à pele. — Jacob chorava ao falar. Ele estava sentido uma dor tão forte na alma que jurava já está refletindo em seu físico.

—Jake, toda a equipe está fazendo o possível e alcançável para tratá-la da melhor forma. Ela está confortável e não sente dor. Com certeza está estranhando o ambiente fora do útero, mas não é dor. — Leah voltou a explicar. —Todos os equipamentos ligados a ela são fundamentais para mantê-la viva. Conforme ela for melhorando e adquirindo maturidade em cada órgão e sistema, os aparelhos vão sendo retirados conforme deixarem de ser vitais. Lembre-se: um passo de cada vez!

Jacob não respondeu, somente balançou a cabeça em sinal de entendimento e permaneceu observando atentamente sua filha. Ele estava realmente chocando e mexido com tudo aquilo que via. Imaginou como seria difícil de explicar tudo para Renesmee assim que ela acordasse.

Ele se sentiu fraco, impotente mediante a toda aquela situação. Não tinha dinheiro, poder, influência... Que salvasse sua filha. Só a paciência, cuidado e dedicação diária que daria resultados. Jacob teria que aprender a esperar e confiar em Deus novamente.

— Jake! —Leah chamou entusiasmada ao lembra-se de algo que tinha certeza que faria o primo se alegrar um pouco. Era nítida a forma arrasada que o moreno estava. – Como os pais não podem ter contato com os bebês que estão aqui nessa ala, o hospital instalou há algum tempo um sistema integrado de interfone. Você pode falar daqui e a sua voz sairá no alto-falante lá de dentro. Se quiser pode perguntar alguma coisa que tenha curiosidade a equipe que está atendendo ela nesse momento... Essas coisas.

— Jura? — um brilho surgiu no olhar entristecido de Jacob. — Porra! Põe essa merda pra funcionar, Lee!

Não importava a situação; Jacob sempre seria Jacob! A dor poderia mudá-lo em muitos aspectos, mas sua essência jamais mudaria.

Sorrindo Leah ligou o sistema de interfone.

— Já está ligado. Pode falar a vontade com ela.

Com a mão trêmula e a voz embargada, ele começou a falar através do aparelho.

—Ei, pequenina. — conteve um soluço. —Filha, é o papai. —Jacob estava se sentindo um idiota ao falar com o sistema de interfone, mas era emocionante saber que ele estava chamando-a de filha. Sua filha, sua chaveirinho. — Você nos deu um baita susto. Está todo mundo desesperado por sua causa. —ele olhou inseguro para prima, que incentivou que ele continuasse. Quil só permanecia em silêncio. —O papai está preocupado com você. Não era pra você nascer agora, era pra você estar quentinha e segura na barriga da mamãe, mas vocês foram fazer arte e olha no que deu. — Jacob falava com aparente ternura e carinho, mas a bebê não aprecia reagir a sua voz. Ele já estava quase desistindo de falar quando jurou ter visto um mínimo movimento da perninha esquerda.

— Cara, tu viu isso? — Quil perguntou empolgado. —Acho que ela mexeu a perninha.

—Eu também achei ter visto um movimento. — Jacob concordou alegre e esperançoso. —Você viu isso, Lee?

—Desculpa, estava verificando umas mensagens que chegaram. —Leah se justificou guardado o celular no bolso do uniforme verde. — Mas claro que é possível, por isso que o hospital fez essa adaptação. Continue falando com ela. Fale da forma que você falava quando ela ainda estava na barriga da Nessie.—a morena incentivou.

— Cadê a chaveirinho do pai? Cadê meu chaveirinho? Filha! —Jacob transparecia empolgação ao falar, com a outra mão espalmada no vidro ele acariciava a vidraça como se estivesse tocando o mínimo corpo.

— Olha, ela está se mexendo! — Quil afirmou feliz, seu coração transbordava de alegria.

Leah e Jacob não estavam diferentes, eles também tinham visto os pequenos movimentos.

— Isso filha, faz igual você fazia quando estava na barriga da mamãe. Às vezes você chutava tão forte que sua mãe pulava pela surpresa. — sorriu com a lembrança de Renesmee grávida já com a barriga bem saliente. — A mamãe está dormindo agora, mas logo ficará boa. Ela vai ficar feliz em vê você mexer pra ela. — Jacob tinha voz novamente embargada pela emoção ao falar da esposa em coma. — Papai te ama muito, você não tem noção de como se tornou a razão da minha vida, como me faz sentir forte e fraco ao mesmo tempo.Eu preciso que você fique boa logo pra quando a mamãe acordar te vê forte e esperta. Ela vai ficar assuntada em já te ver aqui fora. Por favor, seja forte, guerreira e valente como você já está sendo. — fungou, as lágrimas novamente presente. Não sabia de onde elas vinham com tanta abundância. — Eu te amo, minha princesa. Meu chaveirinho!

Ele queria tocá-la, segurá-la, sentir seu calor e cheirinho único de bebê, mas tudo estava tão fora de seu alcance. Como seu coração sangrava e a sensação de impotência predominava, mas ele estava feliz. A minúscula bebê era esperta e respondia à interação que faziam com ela. Isso confortou minimamente seu ferido coração.

— Jake, vou desligar um pouco o sistema de interfone, ela está se agitando muito. Já chega por hoje. — Leah avisou assim que uma enfermeira sinalizou para ela.

A Bebê não parava de mexer suas perninhas e bracinhos. Ela havia se agitado muito, e com isso os batimentos cardíacos tinham se elevado demais, a equipe não queria sobrecarregar o frágil coraçãozinho.

Todos, — até a pequena equipe médica — estavam emocionados em verem o vínculo afetivo entre pai e filha. Era nítido todo amor que o Jacob já sentia pela filha prematura.

— Mas está tudo bem? Ela tá legal, não é? —perguntou preocupado ao vê a enfermeira cortar a comunicação. Seus olhos em nenhum momento abandonaram a pequena bebê que repousava alheia a tudo na incubadora.

— Sim, Jake. — Leah sorriu na tentativa de tranquilizar o primo. — Só que ela ficou um pouco agitada, com isso o coração começou a pulsar mais forte. A equipe quer manter uma frequência mais baixa. Foi só isso, uma medida preventiva e de segurança.

— Tem certeza? Não me esconda nada, Lee!

—Tenho, Jake. Veja com seus próprios olhos como ela está bem e a equipe tranquila.

Jacob observou que não havia médicos ao redor da incubadora da filha, somente uma enfermar anotando calmamente algumas coisas em uma prancheta. Sua filha havia voltado a ficar imóvel.

— Vamos deixar os outros entrarem? Daqui a pouco a Rachel invade isso querendo vê nossa sobrinha. Não vamos subestimar a ansiedade da nossa irmã! — Quil brincou ao falar.

Jacob concordou, mas antes analisou cada mínimo detalhe que seus atentos olhos conseguiam observar. Ele reparou que realmente ela ainda não tinha semelhanças físicas com ninguém, ela ainda era a imagem de um feto.

— Papai te ama muito! — antes de deixar a sala ele falou tocando o vidro que os separavam.

Por mais que ela não pudesse mais escutá-lo, ele sentia necessidade em dizer o que seu coração tanto gritava!

TLAD

Longas horas se passaram, todos viram a recém-nascida rapidamente, mas o suficiente para terem ainda mais esperança. Quil foi obrigado a levar Claire para fora do hospital, porque mesmo com sua fé inabalável a emoção era tanta que a jovem amish desencadeou em uma crise de choro sem parar. Ela jamais havia visto um bebê tão pequeno, jamais pensou que aquele ser minúsculo pudesse suportar tantos fios em seu pequeno e frágil corpo.

Rachel também não controlou a emoção, mas sentia algo bom emanando da pequena chaveirinho.

Jacob estava ansioso e cansado. Não fisicamente, e sim emocionalmente, sua alma parecia ter sido arrancada e pisoteada, era uma dor latente, pungente que somente crescia. Sam, Jasper, Jared e Emmett foram para casa, tomar um banho e se recomporem, tentaram convencer Jacob a ir juntamente com eles, tomar um banho e assim voltariam mais tarde, ele precisava se manter firme e ficar se lamentando de nada iria adiantar, mas o moreno negou. Ele não iria a lugar algum sem antes ver Renesmee que estava sendo preparada para a transferência para o CTI. Mesmo sendo pouco tempo ele precisava constatar com seus próprios olhos como estava a sua amada esposa.

Rose, Alice, Kim e Emily foram com seus maridos. O clima entre eles não estava nada bem, mas era algo para ser resolvido depois.

Rachel preferiu ficar com o irmão, voltaria com Jacob após ver Renesmee e não deixaria Claire sozinha, consequentemente, Paul não deixaria a esposa. Ligou rapidamente para a babá para saber dos gêmeos e como não havia necessidade eles ficariam.

Embry, Seth e Barbara se revezavam para saber notícias e dar um pequeno conforto ao moreno, além de deixar Jenniffer a par de tudo o que estava acontecendo.

As mãos caídas sobre os joelhos, Jacob brincava com sua aliança rodando no dedo anelar em sua mão esquerda. Eram tantas coisas erradas as quais ele só havia percebido naquele momento. Seria a vida tão injusta pra ele que havia de lhe tacar na cara toda a maldade que ele pensou quando viu a jovem loira pela primeira vez? A situação a qual ele a enganou, propôs casamento... Toda a farsa. Um ato tão leviano e inescrupuloso, a vida estava lhe cobrando disso? Mas ele aprendeu a amar, sim. A amar loucamente como jamais havia amado antes, abriu seu coração para a vida, ele estava mudando gradativamente, mas estava. Estava aprendo a lidar com as novas descobertas, os sentimentos recém sentidos. Respirou profundamente jogando a cabeça para trás, onde a parede ecoou com o barulho. Ele estava sendo castigado!

Castigado e sendo hipócrita, ele estava clamando loucamente pela a vida de uma pessoa a qual ele dava uma vida leviana. Ele merecia tudo aquilo, mas ela não! Ela merecia muito mais. Ela merecia alguém melhor que ele, mas era egoísta demais para viver longe dela. Tinha que doer tanto assim? Tinha que ser tão crucial e repugnante assim esse castigo?

— Jake. — a voz cansada de Leah tirou o moreno de seus pensamentos. — A Nessie já foi transferida, estão fazendo as devidas acomodações. Veja bem, não queriam liberar a visita por hoje, mas eu relutei até conseguir, você terá apenas quinze minutos com ela.

Jacob assentiu, não tinha forças pra falar ou retrucar. Lógico que miseráveis quinze minutos não eram nada, mas era tempo suficiente para ele dizer que a amava e que estava ali.

— Assim que tudo estiver pronto eu venho chamar. — sibilou e saiu da sala, dando passagem para Quil, Paul, Claire e Rachel.

— O que houve? — Rachel perguntou alarmada.

— A Nessie está no CTI. Estão organizando toda a merda lá dentro.

— Jake, eu trouxe café. — ofereceu Quil.

— A menos que isso tire a minha dor eu não quero.

— Você precisa comer, saco vazio não para em pé, Jake. E você tem que estar forte, não só pra Nessie, mas pra chaveirinho. — Rachel sussurrou pesarosa.

Jacob sorriu amargamente. Chaveirinho...

— Ela sequer tem um nome. — ele sibilou fungando e limpando os olhos com a costa da mão. — A gente ia fazer isso juntos, ou talvez era o plano da Nessie fazer isso, porque eu nunca estava lá pra ela. Porra! Eu nunca estava lá, eu não estava lá. — esmurrou a parede ao se levantar. A culpa estava lado a lado com a dor.

Claire se encolheu nos braços de Quil, vendo Jacob alterado.

— Ficar assim se culpando não vai fazer as coisas melhorarem, Jacob! Era pra você estar, mas não estava. Não carregue a culpa do mundo agora, a Nessie precisa de você e não fale no passado. Ela vai acordar e a bebê terá um nome, ainda irão fazer isso juntos. — Rachel o repreendeu colocando a mão em seu ombro.

— Você não entender Rach, ninguém entende. Ela... Ela... Merecia tudo de melhor, eu fuia desgraça da vida da Renesmee. Eu só sou egoísta e possessivo o bastante pra abrir mão disso. Eu vou foder tudo de novo, você não vai entender, ninguém vai.

Quil olhou apreensivo para o irmão, assim como Paul se pôs ao lado da esposa. Eles poderiam não entender a parte sentimental, a dor a culpa, mas eles entendiam o que o moreno havia dito nas entrelinhas.

— Agora não cara. — Quil alertou com voz baixa.

— Eu sou autodestrutivo, tudo que eu toco. Tudo o que convive comigo. Caralho, eu sou um merda. Um filho da puta cego pela sua ganância que hoje se encontra fodido por dentro por tudo de mal que eu fiz. É esse meu castigo, pagar com o amor.

— Cala a boca Jake! Chega! Vá lavar o rosto e se recompor, você precisa estar bem pra ver a Nessie. — Rachel deu um grito autoritário. — Vem Claire, vamos tomar outro café, essa autopiedade do meu irmão ainda irá me enlouquecer. — as duas saíram da sala.

— Jake, cara. Você quase soltou tudo e...

— Me deixem porra! Me deixem! — Jacob se esquivou do irmão e do cunhado indo para o banheiro. Ele nem sabia mais o que pensar, não era autopiedade, era a sua realidade nua e crua. A sua maldade sendo esfregada na face diante de seus olhos com uma bandeira de vitória. Mas ele seria bom pra ela, ele não a deixaria, ele faria por merecer o amor de Renesmee.

Lavou o rosto e voltou para a sala de espera, mais calmo. Quil e Paul estavam conversando e não ousaram falar mais nada a respeito do quase vacilo do moreno.

— Jake, é agora. Você está pronto?

— Oh, sim Leah. Até que enfim. — ele resmungou seguindo a prima.

O longo caminho estava deixando Jacob cada vez mais apreensivo, suas mãos suavam e tremiam, as pernas andavam em passos compassados em um ritmo que nem ele mesmo entendia.

— Jake. — a morena puxou o primo pelo braço. — Você precisa se preparar antes e, por favor, fale baixinho com ela. Preciso que você compreenda que tudo ali está em prol da saúde dela, não será nada permanente. Toda a aparelhagem , o gesso... De longe é a Renesmee. Ela está inchada, machucada, mas ficará bem.

—Você já me disse isso, Lee.

— Eu sei, porém, a realidade dos olhos irá lhe ferir. Só não quero que se assuste, ok?

Jacob apenas maneou a cabeça em resposta, se fosse ainda possível, seu coração se sentia ainda mais prensado, ficando cada vez mais miúdo.

Eles seguiram para a sala de preparação, onde Jacob colocou uma roupa descartável específica e a higienização foi feita, para seguirem para o corredor do CTI.

— Esse é o quarto da Nessie, as luzes estão um pouco baixas. Você tem quinze minutos Jake. Eu trabalho aqui, não faço as regras e o máximo que eu consegui burlar hoje foram quinze minutos. Aproveite e seja forte, talvez ela possa ouvir você.

As sobrancelha do moreno se arquearam em surpresa.

— Me ouvir? Como isso...

— Não perca tempo Jake, te explico depois. Vá.

O moreno apenas maneou a cabeça em resposta. Respirando fundo ele girou a maçaneta agilmente, abrindo a porta do quarto. A luz estava baixa como a prima havia relatado. Jacob adorava a luz baixa, porém, fez uma nota de jamais deixar as luzes daquela maneira novamente. De algum modo iria sempre lhe levar para aquele local.

Instintivamente os olhos aflitos caíram sobre a figura de Renesmee imóvel na cama. Uma de suas pernas engessada estava suspensa em um mecanismo sobre a cama. O braço estava igualmente engessado, mas repousava ao lado do corpo, o outro braço livre, ligado a fios, por onde recebia medicação.

O seu peito — se ainda fosse possível—se comprimiu lhe sufocando. Ele apertou as mãos em punho buscando forças para se aproximar do corpo frágil e inconsciente na cama. Seus pés travaram, mas a sua alma era sugada pela de Renesmee.

Jacob caminhou rapidamente, antes que a dor lhe dominasse e lhe destruísse. Tudo culpa sua. Ele sentiu cada célula de seu corpo ficar gélida com a imagem do belo rosto tão angelical, agora tão pálido e ferido.

Renesmee estava com os lábios — antes tão rosados — agora pálidos, secos e machucados. Sob os olhos as marcas arroxeadas eram perceptíveis e dolorosas, sobre eles, um pequeno corte suturado. O rosto angelical, inocente e puro, estava machucado e pálido, não havia mais o rosado nas bochechas. Perto do nariz, mais fios ajudando-a jovem amish a respirar.

Jacob sentiu os olhos embaçarem e pinicarem, as lágrimas se formavam novamente. Malditas lágrimas que não o deixava em paz! Lembrou-se do que sua prima havia dito: que ela poderia talvez lhe escutar. Buscou a respiração com força, olhando para o teto e contendo o choro. Ele tinha que ser forte pra ela, ele tinha que ser melhor por ela. Por elas!

Observou minuciosamente cada pequeno detalhe do corpo da amada esposa, e cada hematoma era uma facada a mais em sua alma. Com cuidado, ele se abaixou lentamente, encostando os lábios na pele da testa ainda mais pálida, fechando os olhos com o contato. Como ele queria ter o poder de tirá-la daquela situação.

Jacob levou a sua mão até a mão livre de Renesmee e com a outra ele acariciava lentamente os fios platinados espalhados pela fronha.

— Ei... — sussurrou com dificuldade, sua voz estava presa, entalada em um bolo de espinhos em sua garganta. A mão dela estava em uma temperatura tão baixa, não fria, mas não exalava o calor que ele amava sentir. — Você me assustou sabia. — limpou a garganta sentindo mais confiança ao falar. — Alias, ainda estou terrivelmente assustado Nessie. Você ainda está linda, mas toda essa merda aqui está manchando sua beleza. — puxou a cadeira para se sentar ao lado da esposa. — Tá doendo tanto, mas não, por favor, não pense ser culpa sua meu amor. A culpa é minha por tudo isso que aconteceu com vocêeu deveria te proteger, cuidar de você e da nossa chaveirinho e... — parou para respirar ao se lembrar da filha ligada a milhares de fios e aparelhos. — Ela precisa de você... Ela é tão linda amor, ela é tão pequenina e indefesa, precisa do seu calor, seu amor... Ela precisa da mãe dela inteira e saudável, eu também preciso da mãe dela.Por Deus Nessie, o quanto eu me tornei dependente de você, desse amor. Sou um escravo tolo e egoísta! — beijou os nós dos dedos pálidos. — Fique bem pra mim, se não for por mim que seja pela nossa filha. Ela sequer tem um nome, mas iremos fazer isso juntos!Eu prometo amor, prometo que tudo vai ser diferente. Eu preciso te falar tantas coisas, Nessie, eu preciso realizar tantos desejos seus. Me perdoa, meu amor, eu imploro. Me perdoa por você estar ai, pela nossa filha... Eu te amo, Renesmee, você tem meu coração em suas mãos, eu...

— Jacob! — a voz da Leah lhe impediu de continuar.

— Lee, não. Por favor, mais alguns minutos. — implorou com o queixo tremendo.

— Sinto muito, Jake, se passaram mais de quinze minutos, ela precisa descansar e você também. Amanhã os horários serão mais extensos eu prometo.

— Deixe-me passar a noite com ela, Lee, eu não vou conseguir. Ela precisa de mim. Eu não a quero deixar de novo.

— Jake, não complica ainda mais as coisas. Vamos, amanhã você terá mais tempo com ela.

Jacob apertou fracamente a mão da esposa e beijou os dedos finos e pequenos, as lágrimas molharam a mão delicada e toda arranhada.

— Eu tenho que ir, mas dessa vez não é porque eu quero. Porra, eu preciso de você Nessie, seja forte pra mim, volta pra mim. Eu te amo e vou ficar do outro lado da porta. — levantou enxugando as lágrimas e beijando os cabelos platinados. Seu peito era esmagado a sangue frio, ele não queria deixá-la, nunca mais ele a deixaria.

Leah verificou os aparelhos e um sorriso se espalhou em seus lábios.

— Está tudo bem Jake, eu jamais iria enganá-lo. Até mais tarde Nessie. — sussurrou olhando para o corpo da jovem amish e saiu acalentando o primo.

Leah recebeu uma chamada e não pode acompanhá-lo de volto até a sala de espera, mas sabia que a prima e os demais iriam fazer companhia a ele.

Jacob caminhou, caminhou e caminhou, o ar lhe faltando, as narinas dilatadas buscando pelo ar incansavelmente, ele precisava respirar, mas não estava conseguindo. Todos aqueles fios, machucados, sua filha, o rosto pálido da esposa, a pele quase fria... Sua culpa! Inteiramente sua culpa e não havia nada que ele pudesse fazer.

Ao chegar à sala reservada de espera, Jacob literalmente desabou. Seu corpo másculo foi de encontro ao chão, o choro era alto e doloroso. Um grito agudo vindo de sua alma, expelindo toda a dor que encontrava em seu peito. Ele esmurrava o chão com as mãos e gritava em todo o momento sobre a sua culpa. Se a sua filha não sobrevivesse, Renesmee jamais o perdoaria e ele morreria. Morreria pela pungente dor da culpa.

— Porra Jake! — Quil se assustou quando ouviu os gritos do irmão.Juntamente com Paul os dois levantaram o moreno.

— Você precisa se controlar cara, isso não vai ajudar. — Paul quem aconselhava enquanto sustentava de um lado o peso do corpo do moreno, colocando sobre a cadeira.

— Ela tá tão mal assim, cara? — Quil perguntou.

— Ela tá... Ela tá tão... — fungou , levando as mãos ao rosto. — Ela está machucada, Quil. Machucada porque eu fui egoísta, um maldito egocêntrico, eu sempre fui egoísta com ela. Eu fui assim a minha vida toda, mas com ela tinha que ser diferente. Porra, tá doendo pra caralho.

—Jake, para de se culpar cara. Isso aconteceu inesperadamente. Você não pensou que se apaixonaria, veio à gravidez, nada disso é sua culpa. — Paul disse de forma calma.

— É cara, você jamais ia imaginar que sua vida fosse mudar da noite para o dia. Era apenas diversão e isso ficou sério. — completou Quil.

— Que espécie de monstro eu sou? Ela não tinha ninguém a não ser a amiga, e o que eu fiz? Eu desgracei a vida dela. Eu fingi um casamento somente porque o meu ego gritava para ter o lindo corpo virgem em minha cama. Eu comprei a porra de uma casa pra dar ênfase a essa farsa. Ela me amou desde o primeiro minuto, e o que eu fiz? A engravidei em uma transaforçada para puni-la, e ela me perdoou por isso. Ela é um anjo na terra e eu sou o próprio demônio que está tirando o brilho de suas asas. Eu não posso me perdoar, eu preciso acertar com ela, a chaveirinho tem que sobreviver, eu preciso dar a Nessie tudo real, ela vive algo leviano e eu...

— Você o que? — todos se calaram ao ouvir a voz de espanto e aguda de Claire.

Rachel estava parado ao lado da loira, as duas haviam ido tomar café para acalmarem os nervos e decidiram dar uma volta na linda capela, mas voltaram a tempo suficiente para ouvir todo o absurdo que saia dos lábios de Jacob.

Quil se levantou indo ao encontro da esposa, contudo, ela se esquivou do moreno seguindo com um olhar de fúria para Jacob.

— Repita tudo, Jacob. O. Que. Você. Disse. — falou pausadamente.

— Gatinha, nós precisamos...

— Mentira! — ela gritou na face do moreno. Mesmo sendo bem mais baixa ela o olhava nos olhos. Estava enjoada com a revelação. — Você a enganou esse tempo todo. — Claire foi rápida o bastante ao levar a mão à face de Jacob em um grande tapa. O som agudo ecoou pelo ambiente deixando todos embasbacados pelo ato da jovem amish.

Jacob não reagiu, ele merecia o tapa. Não era tão dolorido quanto a sua dor interna.

Quil correu em direção ao irmão se colocando na frente de Claire, conhecia o irmão, ele iria revidar, mas estranhou o fato dele sequer virar o rosto.

— Sai Quil. — empurrou o moreno. — Olha pra mim seu covarde! Você enganou a Renesmee esse tempo todo, nada do que ela tem é real? Responda! — exigiu com um grito.

Jacob fechou os olhos e endireitou a face abrindo-os novamente, encarando a pequena loira enfurecida em sua frente.

— Não, Claire. Não é real, mas eu já...

Jacob não terminou de falar, Claire proferiu outro forte tapa no rosto moreno.

— Chega Claire. — Quil tentou puxar o pequeno corpo, mas a loira ganhou uma força a qual ele desconhecia.

— Você é um inescrupuloso, mentiroso calculista... Você tirou a honra dela, você manchou a Renesmee pra sempre.

— Claire, vem ele...

— Não! Ele tem que me ouvir. Isso tudo é culpa dele. — apontou com o dedo indicador em direção do moreno. — Ele tem toda a culpa da minha amiga, a minha irmã de alma estar deitada naquela cama inconsciente. Ela poderia ter morrido por sua culpa! — Claire chorava e gritava, deixando todos estupefatos pela reação da jovem.

— Eu a amo. Eu aprendi a amá-la. — Jacob alegou.

— Ah, claro, sim. Lógico que você a ama. Eu também amaria uma pessoa inocente, a mercê dos meus planos pra satisfazer o meu ego. Eu sempre soube que eu não voltaria para casa, sempre tive essa decisão formada. Mas ela... Renesmee tinha uma chance, mas você tirou isso dela. Você a usou. Aquele casamento, quem eram aquelas pessoas? Tudo uma farsa? Jacob como você pode ser tão baixo.

Jacob não tinha respostas, ele não tinha com o que argumentar. Claire estava completamente certa sobre tudo o que estava despejando.

— Eu cheguei a incentiva-la a lhe dar uma chance, a deixar se aproximar. Ela tinha medo de você. Seus olhos davam a ela arrepios, e não eram bons Jacob, nunca foram. Renesmee estava certa o tempo todo. Deus, eu ajudei a nisso porque eu queria que ela encontrasse alguém que a amasse, que cuidasse dela... Só assim ela ficaria comigo, mas você a enganou. Você só queria usufruir de toda a inocência dela, da sua pureza. — o choro estava mais contido, a raiva se sobressaia ao sentimento.

— Não me acuse de não amá-la, eu estou em pedaços com tudo isso.

— Não ouse falar que está sofrendo, isso é pouco pelo o que você merece. Meu Deus eu odeio você, eu odeio você Jacob! — o pequeno corpo pulou para cima do moreno proferindo socos e mais socos no peito másculo. Jacob não reagiu, ele merecia, ele deixaria que Claire esgotasse sua raiva nele. Porém Quil a segurou pela cintura e puxou o corpo contra ele.

— Claire, para!

— Me solta, eu te odeio Jacob. Você destruiu todos os sonhos e fantasias dela, você acabou com tudo!

— Paul, eu não estou me sentindo bem. — Rachel levou as mãos à cabeça, o marido lhe ajudou a sentar. Ela estava tentando absorver cada palavra dita dentro daquela sala.

— Me bata mais Claire, acabe comigo de vez. Tire essa dor de mim e me mande pro inferno! Eu sei, eu mereço.

— Não, você não merece viver no inferno Jacob, isso seria pouco pra você. A culpa está te dominando, é por isso que está sofrendo tanto. E você. — apontou e empurrou Quil. — Você sempre soube, não é? Comigo também foi tudo planejado? — acusou.

— Claire não. — coçou a cabeça. — Não é assim, olha...

— Eu não acredito. Todos vocês, todos vocês rindo de nós duas. As duas amish bobas e facilmente iludidas.

— Claire, eu não sabia de nada! — Rachel alegou se levantando e indo em direção o irmão, onde deu dois tapas, um de cada lado do rosto. — Estou com nojo de você, Jacob. Nojo e vergonha. Como pôde fazer isso? Como pôde ir tão longe? Eu sabia... Eu sabia que esse casamento repentino tinha alguma merda envolvida. Paul. — chamou. — Por favor, me diz que eu posso confiar em você, que toda essa baboseira é surpresa pra você também. — o moreno abaixou a cabeça, como contaria a esposa que a ideia havia sido dele?

Rachel mordeu os lábios balançando a cabeça de um lado para o outro. Decepção.

— Eu estou enojada e envergonhada. Aonde foram parar os princípios de vocês?

Nenhum ali presente sabia responder. Jacob estava parado com os olhos inchados e a face levemente arroxeada consequente pelos tapas.

— Era isso que eu não iria entender, não é Jake? — ela indagou enojada. Jacob assentiu. — Me dói o que eu vou dizer agora, me dói muito, mas vocês são piores do que eu pensei. Eu sempre soube o gênio, a maldade, o modo de agir de cada um... Mas o caráter era algo o qual eu nunca coloquei a prova e me dói ter essa decepção. Você ainda compactuou com tudo isso Paul, você... Eu... — Rachel fechou os olhos para não deixar as lágrimas escaparem. — Eu preciso sair daqui.

— Rach espere.

— Não me toque! — levantou a mão repreendendo o esposo. — Espero que com toda essa astúcia vocês tenham pensado em um plano B quando toda essa merda fosse descoberta, porque na minha casa você não entra. Quanto a vocês; Quil e Jacob, sintam-se desonrados da família Black. Mamãe deve estar se remoendo em seu túmulo de vergonha. Apenas peçam que essa merda acabe e que a Nessie e a bebê saiam vitoriosas disso tudo, ou eu não irei responder por mim. Porque no momento eu só quero distância da minha própria família.

— Você fez o mesmo comigo não é Quil? Esse nosso casamento também é falso. — Claire disse baixinho, mas a ira em sua voz ainda era presente.

— Gatinha, não.Por favor, deixe-me explicar eu...

— Não! Eu não quero ouvir mais mentiras, eu sou apenas mais uma, mais uma como a Nessie e sabe-se lá quantas mais vocês não casaram para satisfazer o ego egocêntrico de vocês.

— Você não sabe o que está falando, Claire. Eu errei, mas eu a amo como nunca amei em minha vida. Ela é tudo pra mim.

— Hoje ela até pode ser, mas ela não foi a sua prioridade principal, Jacob. Você não a amou no mesmo instante em que seus olhos se conectaram ao dela, se é que você chegou a ver o brilho que eles têm. Ela acha que tem a vida perfeita, o marido perfeito e a filha... Céus eu não acredito que estou pensando nisso. — ela caminhou novamente em direção a Jacob. — Se eu não amasse tanto a Renesmee e a minha afilhada, que estão nessa situação crítica porque você não foi homem suficiente para cuidar delas, eu desejaria que a chaveirinho morresse, só pra você ter que conviver com essa culpa. Porque a morte pra você seria fácil e indolor. Você tem que sofrer cada mísero segundo em que respirar. Mas o meu amor é puro, sincero e gratuito para elas, não há trocas.

— Claire, vamos. — Rachel chamou da porta, ela não aguentava mais ter que olhar para o marido e os irmãos. Paul estava em um canto com a expressão vazia, ele tinha se ferrado juntamente com os cunhados. Não só ele, mas todos os outros. Rachel armaria um escândalo para comunicar toda a farsa.

— Quer saber, Jacob, eu vou ri da sua cara quando você contar tudo isso pra ela. — o moreno arregalou os olhos. — Não fique surpreso, você irá contar que espécie de homem é você. Contar sobre seu jogo sujo, você vai ter que olhar nos lindos olhos azuis da Nessie, e arrancar de dentro deles toda a pureza e inocência que eles transmitem. Porque tenha a certeza; você acabará com tudo! Conte a ela, conte tudo! Ou contarei eu, e tenha certeza que eu irei pular a parte sobre ela ter conquistado o seu coração. — deu as costas para o moreno que estava de cabeça baixa.

— Gatinha, eu te levo pra casa.

— Eu não tenho casa, Quil, graças a vocês eu sequer tenho para onde ir, porque pra junto de você é que eu não vou!

— Você fica comigo, Claire. — Rachel pegou a cunhada pela mão. — Vamos, precisamos... Apenas precisamos sair daqui, iremos achar Lee, contar tudo e mais tarde voltaremos para ver as nossas meninas. — Claire assentiu com lágrimas queimando em seus olhos.

— Claire, por favor, vamos pra casa conversar. — Quil implorou, seu corpo já dava claro sinais de medo.

— Eu, odeio você. — ela sussurrou e deixou a sala juntamente com Rachel.

— Jake, cara me desculpa eu não sabia que elas estavam voltando e...

— Ok, Quil. Eu sei. — passou a mão pelo rosto esfregando a face. — Claire está certa. Se tudo der errado se a chaveirinho ela... Eu tiro a minha vida, vocês ouviram? Eu prefiro enfiar uma bala na minha boca do que ter que viver a indiferença e sob o ódio da Nessie.

— Isso não vai acontecer cara, para de falar merda, porque essa porcaria de morte não vai rolar. Tá tudo fodido e você já ta pensando em mais porcaria Jake? Cara agora é encarar de frente!Chega de mentiras, mas o casamento não é falso, quer dizer foi... Porra Jake eu vou perder a Claire!

O moreno balançou a cabeça, tudo estava indo água abaixo. Seu mundo estava desmoronando a cada passo dado e ele não suportaria mais nada. Nenhuma perda, nenhum dano. Era doloroso demais pensar em arrancar o brilho daqueles olhos puros e inocentes, sem malícia e cheios de amor. Seria duro viver uma vida a qual Renesmee não compactuasse com ele junto a filha.

— Cara eu preciso de um banho. Porra Jake, meu casamento acabou Rachel jamais irá me perdoar. — Paul argumentou.

— A merda da ideia foi sua. — rebateu Quil. — Ficar aqui se lamentando de nada vai adiantar, vamos pra minha casa, tomar um banho e voltaremos depois. Jake você precisa descansar cara, tu não é de ferro irmão.

O moreno assentiu, mesmo com sua dor no peito em deixar o hospital e Renesmee sozinha, ele precisava de um banho. Precisava tentar ao menos pensar em como seria sua vida daquele momento em diante.

Notas finais
OMG! OMG! OMG! OMG! Não conseguimos falar outra coisa a não ser isso. Céus, o mundo perfeito e egoísta de Jacob Black desabou sobre a sua cabeça. Quem mede as consequências futuras disso tudo? Quem poderia imaginar ver a Claire assim? Porque nós, ela surpreendeu! A pequena amish mostrou que é grande em espírito! Nossa chaveirinho está resistente até o presente momento, mas já vimos o quão delicada é a situação da pequenina. Nessie está bem e irá acorda, mas quando? Esse inchaço no cérebro é preocupante ou não? Só resta aguardar... Queremos record de comentários nesse capítulo pessoal... Vamos as especulações da nova vida de Jacob e Renesmee hehehe! Merecemos alguma recomendação? Acho que sim, não? Vamos lá galera, não se acanhem em recomendar Tlad. Beijinhos e até o próximo.