Notas iniciais
Boa noite galerinhaaaaaaaaaa... Tô vendo muitas pessoas ansiosas e muitas pessoas querendo nos matar pela demora hehe. Calminha, calminha que já chegamos e o capítulo está de tirar o fôlego. Emoção, comédia, tortura e muitooooo drama! Vamos aos agradecimentos? Bom, começando por todas as lindas leitoras pelos comentários, estamos atoladinhas, mas iremos responder todos ok! Vocês sabem, nós demoramos, mas não falhamos rs. Agradecer pela linda recomendação da Té Menezes. Obrigada de coração! Amamos as palavras. Capítulo dedicado a todas vocês seguidoras fiéis e apaixonadas por TLAD. Bora ler? Apreciem sem moderação ;)

Two Lives: A Destination!

NA NOITE ANTES DO ACIDENTE.

As luzes da grande casa de dois andares tonalizada de branco com portas e janelas de madeira na cor musgo,— tipicamente americana — estavam quase todas acesas.O barulho da televisão no andar inferior denunciava que os moradores daquela residência estavam assistindo algum programa noturno. O frio já vigoroso do outono deixava as noites ainda mais escuras, o céu negro e pouco estrelado completava a noite típica do interior, o sol havia se recolhido a poucos minutos. Tudo estava deserto. O vizinho mais próximo daquela bela casa ficava a mais de três quilômetros de distância.

— Acho que chegou a hora de entramos. — sussurrou Jared.

— Elas já retornaram da escola e devem estar jantando. — supôs Paul.

— Emmett, nos dê todas as coordenadas da casa. — Sam pediu ao braço direito do bando.

— A casa só contém duas entradas. Frente e fundos, mas tem como fugir por quatro janelas, absolutamente sem grades. Vamos nos dividir e cercar todas as possíveis rotas de fuga. — observou Emmett

— Foda-se! Vamos invadir essa merda, já passou da hora da gente pegar esse filho da puta. Quero ver se ele não se entrega agora. — Jacob disse colérico.

— Vamos entrar já quebrando tudo e tocando terror. Essas vadias precisam estar apavoradas para entregar o desgraçado do Conrad, ou vai foder tudo!— ditou Quil autoritário.

— E desde quando entramos com amor e carinho? — o sarcasmo de Seth irritou Quil.

— Vai se foder! — Quil rebateu sem resquícios de humor. Ele já estava no limite, seu instinto rude e agressivo já estava dominando-o por completo.

Alguns riram da piada do mais novo, outros o repreenderam. Não era hora para brincadeiras. Os The Wolf não chegaram naquela posição tão temida e poderosa através de brincadeiras.

— Já chega de brincadeiras, vamos entrar. — ordenou Jacob. — Na minha contagem.

Eles se aproximaram das respectivas entradas da casa. Jacob elevou a mão ao ar indicando três dedos, e foi ligeiramente abaixando um a um e assim que a mão fechou-se em punho, todos entraram simultaneamente pelas duas entradas principais da casa. As janelas possíveis de fuga estavam resguardadas por homens armados do grupo. Gritos histéricos e apavorados foram emitidos pelas três mulheres dentro da casa, que tentaram correr para algum lugar, em vão. O susto de ter a casa invadida foi aterrorizante. Vários homens armados e encapuzados apontavam suas armas na direção delas, que jantavam enquanto assistiam televisão na sala de estar.

—Calem a porra da boca suas vadias de merda. — Quil gritou em direção às três mulheres. A toca ninja escondia sua identidade, assim com os demais.

—P-por favor, não nos matem. Podem levar tudo! — a mais velha gaguejou em um tom suplicante com lágrimas nos olhos.

—Você acha mesmo que estamos aqui para roubar esta merda? — Jacob agarrou a mulher pelos cabelos e a jogou de volta no sofá. — Cadê o desgraçado do Conrad?— gritou assustando a mulher. Um forte tapa foi desferido no rosto feminino. — Fala agora porra!

— Não a machuque, seu desgraçado. — Cindy em um impulso, correu para as costas de Jacob, desferindo tapas por onde conseguia atingir no moreno.

— Sua piranha, eu acho bom você se comportar ou vamos foder tanto sua boceta que não vai mais ter a noção do próprio corpo! — Embry arrancou a garota das costas do irmão segurando-a firmemente pelo braço.

Era bem provável que Jacob metesse uma bala no meio da testa dela caso ninguém interviesse.

—Até que não é uma má ideia, até que elas são gostosinhas. — Jared comentou ao avaliar as duas garotas da cabeça aos pés. —Dispenso a mamãe! — debochou.

— Deixem-nas em paz. Não toquem em minhas filhas! —Charlotte voltou para atacar o homem mascarado, — Seth— que estava mais próximo de suas filhas.

— Já chega dessa conversinha. — Jacob berrou e a sangue frio deu um tiro na perna da morena que caiu sobre o sofá. — Não estamos aqui pra brincadeiras. Fale logo onde está seu filho ou matamos as duas. — mãe e filha mantinham as mãos junto à boca, abafando um grito de angustia pela cena diante de seus olhos, enquanto a morena gemia de dor no sofá, sentindo a quentura da bala espalhar-se pelo o seu corpo. — Esse tiro foi só um aviso do caralho do que podemos fazer.

—Comecem a falar. — Sam falou tranquilo, mas sua voz era cruel. Um frio passou pela espinha das três. —É a vida de um filho que não vale merda, pela a vida delas duas, que são jovens e cheias de sonhos. O que vai ser? Eu acho uma troca muito justa. — o moreno mantinha uma sobrancelha erguida, porém não era notada.

Charlotte permaneceu calada. Ela não pretendia entregar a vida do filho para aqueles homens assustadores, sabe-se lá o que eles fariam com Conrad. Cindy socorria a irmã Lilly, que chorava de dor pelo tiro levado na coxa.

—Ah, você está duvidando da gente? — Seth perguntou irritado. —Acha que nós estamos brincado? — em um nano segundo ele deu um tiro na perna de Cindy, que estava debruçada sobre a irmã. Agora as duas garotas estavam feridas. Todas as três gritavam de desespero, precisavam acabar com a gritaria. Jared e Embry com as armas em punho deram uma forte coronhada na cabeça das jovens, desmaiando-as imediatamente.

Charlotte ficou desesperada ao ver suas duas meninas feriadas e desacordadas, e o seu desespero chegou ao limite quando Quil e Paul começaram a cortar as roupas das meninas. Charlotte sabia que sua filha mais velha — Cindy — já não era mais virgem, mas Lilliy nunca teve um namorado. Ela era virgem. Mas de qualquer forma seria traumatizante para as duas. Como mãe, ela conhecia cada filho. Ela saiba da vida errada que seu filho mais velho levava. Por isso que ele as tirou de New York e as colocou morando no interior de Massachussets. Com dor e pesar ela tomou a difícil decisão.

— Parem, por favor, parem! — suplicou. —Eu falo onde ele está! — concordou entre as lágrimas.

Jacob assentiu e em apenas um gesto do moreno, Quil e Paul pararam o que estavam fazendo. Charlotte soluçava e fungava, ela tinha caminhado até as filhas desacordadas e se ajoelhado diante delas.

— Desembucha velha, não temos a noite toda! — Seth cutucou o quadril da mulher com a ponta de seu sapato, um pouco mais forte do que deveria. Charlotte gemeu e enterrou o rosto entre as mãos.

— E-ele... Ele quase não vem aqui.

— Oh, que merda, porra! — Jacob empurrou a mesinha de canto jogando-a longe espatifando o lindo vaso na cor pêssego sobre o tapete. Em seguida ele se abaixou diante de Charlotte que se encolheu, seu corpo todo tremia. Aproximando a boca ao ouvido da mulher e a arma bem na têmpora esquerda ele ameaçou; — Eu vou contar até a porra do número três e espero que você dê uma resposta convincente, ou eu não hesitarei em apertar o gatilho da minha maldita arma e esparramar seus miolos sobre os corpos das suas filhas. Então, um... — ele começou a contar, a bile subiu na garganta de Charlotte, seus poros minavam água e o queixo batia com o frio de sua espinha. — Dois... — ela abriu a boca, precisava falar, mas as palavras lhe eram falhas, um filme passando diante de seus olhos. Contrapartida que Jacob engatilhou a arma, ela sentiu a respiração dele quando o moreno abriu a boca para dizer o último número.

— O telefone! — ela gritou desesperada. — Tenho que ligar, ele vem quando eu peço. O telefone. Por favor, não me mate, não me mate. — o pânico e o terror que Charlotte estava sentindo só aumentava o sorriso nos lábios dos morenos. Eles eram bons, jamais sairiam sem resposta.

Paul a passos rápidos pegou um celular que estava sobre a mesa de centro da sala e estende-o para a mulher.

— Apenas ligue! Já! — ordenou.

Charlotte pegou com sua mão trêmula e tentou coordenar seus dedos a discar o número de Conrad, ele nunca estava longe, porém, ela jamais sabia o seu paradeiro. Conrad atendeu ao segundo toque, ele jamais deixava a sua família esperando, todavia que ele deu ordens supremas a elas só ligarem quando fosse realmente necessário. Charlotte tentou controlar os soluços, mas foi em vão. Imediatamente Conrad percebeu que algo estava errado e ela o implorou pra ele vir pra casa ou eles a matariam juntamente com suas irmãs.

O medo arrebatou o loiro. Conrad há muito estava planejando uma rota de fuga aonde incluía sua mãe e irmãs, sabia que os The Wolf viriam atrás dele, mesmo ele retardando esse processo de descobrimento, infelizmente seus planos haviam dado errado. O carregamento o qual ele desviou do bando, não havia ainda sido entregue e com isso, estava sem dinheiro para a rota de fuga.

— Eu não posso ir, eu... Porra! — Conrad desligou o telefone e bateu as mãos junto ao volante. Ele estava justamente indo ao encontro de um dos seus compradores. Ficou entre a cruz e a espada, se ele não aparecesse sua família estaria morta, mas se ele aparecesse estaria morto... Ou, talvez, ele conseguisse convencê-los de que ele foi obrigado a fazer isso pela máfia Israelense, jogaria um contra o outro. Era bom de lábia e trabalhou anos para o bando, tentaria com a sorte.

— E então? — Paul encarou a mulher puxando o telefone de suas mãos. Charlotte apenas assentiu, ela sabia que mesmo o filho dizendo não, ele não conseguiria conviver com a culpa se ele não aparecesse. Ela sempre o instruiu, mas a vida do crime levou o seu menino para longe, suas filhas não podiam pagar pelo erro de Conrad.

— Meia hora ouviu bem? Em malditos trinta minutos se essa porra de porta não se abrir eu juro pela alma dos meus pais que eu não irei contar até três novamente. — Jacob urrou se levantando e indo até Embry. — Ligue pro Lancarter e verifique se ele conseguiu aquele galpão, precisamos levar essas duas pra ele é claro, se o filho da puta aparecer.

NO DIA DO ACIDENTE...

A Mercedes sedan de luxo parava no gramado principal da mansão, dentro dela estavam os três empregados da casa. Santiago foi o primeiro a descer, abrindo a porta pra esposa Mabelle e estendendo a mão para ajudar sua mãe Lupita a descer.

— Não precisam se preocupar com as bolsas de compras, eu irei descarregar o carro sozinho. Não as quero pegando peso. — disse Santiago com zelo com as mulheres.

— Mas são muitas bolsas, meu filho. — sua mãe falou preocupada.

— E a senhora já passou da idade de carregar peso. Além do mais, Carlos já está chegando para me ajudar a descarregar o carro. — Santiago apontou para o segurança que vinha caminhando em direção a veículo importado.

— Vamos minha sogra. — chamou Mabelle. —Nós temos que preparar o almoço e o lanche que a dona Renesmee solicitou.

Lupita concordou com a nora, sabia que realmente teria muito que cozinhar ainda.

As duas empregadas caminhavam lentamente em direção à entrada dos fundos da mansão. Santiago e Carlos vinham em seus encalços carregando algumas das muitas sacolas — parte das compras para repor a dispensa e geladeira da mansão —.

Assim que os empregados entraram na cozinha, ouviram o latido insistente e estridente da cachorrinha da patroa. Lupita estranhou o fato, já que estava acostumada a tomar conta da mascote e essa, sempre se mostrava bem quieta e silenciosa, raramente latia.

— Essa cachorrinha está terrível hoje. — Carlos comentou casualmente. — Acho que ela é mimada demais. Você deveria ter visto quando vim deixar o urso que entregaram hoje mais cedo, ela queria pegar de qualquer jeito.

— Ela é muito boazinha. — Lupita defendeu o animalzinho. — Ela não é de latir. Sempre muito obediente e carinhosa, dona Renesmee tem loucura por ela.

Carlos se calou e não mais rebateu com a mãe do amigo de longa data.

Lupita e Mabelle começaram a arrumar as compras enquanto os dois homens voltavam no carro em busca de pegar asdemais sacolas.

— Será que está acontecendo algo? Branquinha não é de latir assim. — Lupita ponderou preocupada.

— Não é nada demais. Dona Renesmee deve está brincando com ela. — Mabelle disse após prestar atenção por alguns segundos no latido continuo e insistente.

— Não, ela não se comporta assim! — a senhora ditou taxativa. — Acho melhor verificar o que está acontecendo. Aproveito para avisar a dona Renesmee que já voltamos das compras e vejo se ela está precisando de alguma coisa.

Lupita não esperou a nora responder, girou nos calcanhares e seguiu rumo à sala principal da mansão.

Assim que Carlos e Santiago entraram na cozinha carregando as últimas sacolas de compras,— Mabelle ainda arrumava a geladeira — escutaram um grito agudo e desesperado. Imediatamente os três correram em direção de onde o grito foi emitido.

Assim que chegaram à sala principal da mansão encontraram Lupita com as mãos cobrindo a boca. A senhora estava pálida, os olhos tinham uma poça generosa de lágrimas. Ela encontrava-se visivelmente desesperada. Imediatamente os três olharam para onde Lupita fitava fixamente. Foi inevitável não chocar com a cena, agora eram os quatros que estavam catatônicos.

Ao pé da escada principal da mansão o corpo da patroa estava caído inerte em uma enorme poça de sangue. Os longos cabelos platinados estavam banhados sobre a poça vermelha. Branquinha lambia desesperadamente o rosto — aparentementesem vida — da amada dona. A cachorrinha havia parado de latir assim que os empregados entraram na sala, ela estava tentando há horas chamar a atenção de alguém na casa.

— Jesus cristo! — Santiago foi o primeiro a esboçar uma reação, saindo do estado catatônico e correndo em direção ao corpo desacordado da patroa, ele com todo cuidado que lhe era possível, verificou o pulso da jovem e constatou que ela ainda estava viva, porém a pulsação era muito fraca. Renesmee perdia sangue a cada minuto que passava ali estirada no frio chão de mármore. — Carlos, ligue a Mercedes agora, e traga para entrada principal da mansão. Vá comunicando aos seguranças sobre o acidente e peça uma escolta urgente até o hospital.

— Querido, não devemos mexer no corpo. O melhor a fazer é chamarmos a emergência médica. — avisou Mabelle. Ela ainda estava apavorada, mas tentava manter um raciocínio lógico. — Não sabemos se podemos mexer nela e como podemos fazer isso sem agravar a situação, é perigoso. —alertou. As lágrimas desciam torrencialmente pela face dourada da empregada.

Lupita pegou a cachorrinha no colo. Os pêlos antes sempre tão branquinhos, agora estavam parcialmente tingidos de vermelhos.

— Nós não sabemos há quanto tempo ela esta assim. Dona Renesmee tem problemas muito graves de saúde. Não vou arriscar esperar por uma ambulância, vou levá-la para o hospital em que dona Leah trabalha. — Santiago removia com o maior cuidado que conseguia o corpo da jovem patroa. Ele notou que a barriga não estava mais redondinha como antes e sim um pouco torta.Pelo meio das pernas alvas desnudas o sangue escorria marcando o local. Isso o desesperou.

O som de uma buzina o despertou do choque momentâneo.

— Mabelle, pegue o seu celular e venha conosco. Mamãe, a senhora fica aqui para sealgum acaso alguém telefonar. Passe a informação somente para família do senhor Black. — Santiago instruiu enquanto caminhava o mais rápido possível com a patroa em seus braços para a saída da sala principal da mansão.

Carlos havia aberto a porta para ele passar. O motor da Mercedes ainda estava ligado e a porta de trás estava aberta para que Santiago entrasse. Dois carros já os esperavam, era a escolta que sempre acompanhava a Amish toda vez que ela saia de casa.

Dentro do carro — que corria a toda velocidade rumo ao hospital—, Santiago e Mabelle tentavam falar com o patrão, mas só dava desligado ou fora da área de cobertura.

— Não adianta. Eles estão em missão. — Carlos olhou significativamente pelo retrovisor para Santiago, que estava no banco de trás com a patroa desacordada no colo. Mabelle — que estava no banco da frente — nada questionou, sabia que era assunto que não lhe dizia respeito. Seu marido sempre a instruiu para não questionar sobre o trabalho que o patrão exercia.

— Querida, ligue para dona Leah e avise o que está havendo. Vou tentar falar com a dona Rachel, ela dará um jeito de comunicar o senhor Black. — Santiago orientou a esposa, que ainda chorava pela patroa.

Minutos haviam se passado e o carro se aproximava da entrada do hospital. Tanto Mabelle como o marido, haviam conseguido falar com as mulheres da família do patrão.

A Mercedes chegou cantando pneus e parando em faixa exclusiva para as ambulâncias, mas nenhum dos ocupantes do veículo estava preocupado com este fato. A vida da jovem era o que mais importava naquele momento.

Leah os aguardava na porta da entrada da emergência, era seu dia de plantão, mas devido ao choro da empregada da casa do primo, não compreendeu de fato o que realmente estava acontecendo. Entretanto, assim que viu o motorista da Amish descer do carro carregando Renesmee desacordada e banhada em sangue, a morena gritou para que os enfermeiros trouxessem a maca, o caso era muito mais grave do que ela imaginava.

— Pelo amor de Deus! O que aconteceu Santiago? — Leah, mesmo como médica, se viu pega pela surpresa da cena.

— Não sabemos dona Leah. Havíamos saído para fazer as compras da casa e quando voltamos encontramos ela desacordada em uma poça de sangue. Acho que ela caiu da escada. — disse com pesar, depositando o corpo da patroa na fria maca hospitalar.

Leah arfou com a informação. Seus olhos clínicos fizeram uma rápida varredura pelo estado de Renesmee. Leah se desesperou com o que viu. O quadro não era nada bom.

— Obrigada Santiago. — Leah agradeceu já correndo com a equipe médica para sala de emergência.

— Vamos ficar aqui aguardando por notícias. — Mabelle gritou para médica escutar, mas Leah não ouviu, sua concentração estava toda voltada para loira.

Santiago agora conseguia raciocinar melhor, a adrenalina passava e o desespero o dominava, mas não mais que a esposa. Ele foi consolá-la.

— Acidente doméstico, queda de escada. Jovem de dezoito anos, grávida de vinte e seis semanas. — Leah informava aos gritos para toda a equipe que lhe acompanhava. — Quero monitoramento fetal imediatamente. — ordenou a equipe de enfermagem.

—Aparentemente, suspeita de fratura no pulso esquerdo, tornozelo e cabeça. Corte visível nos lábios e na testa. — o plantonista da emergência rapidamente examinava Renesmee.

— Doutora Leah, nós já conseguimos instalar todo o equipamento para monitorar o feto.

Leah correu para o aparelho.

— Oh, não Nessie! —a morena lamentou com pesar. — Centro cirúrgico agora! — gritou para equipe que lhe acompanhava no resgate. — Vamos fazer uma cesariana de emergência. Estamos perdendo o bebê. Quero quatro bolsas de B negativo ou O negativo, ela perdeu muito sangue e não vai resistir à cirurgia. Temos que fazer transfusão imediatamente. Deixem tudo preparado para uma tomografia, após a cirurgia quero todos os exames prontos.

Toda a enorme equipe que acompanhava o caso da gestante se mobilizou para cumprir seus deveres de salvar vidas. O relógio estava correndo e todos tentavam correr conta o cruel tempo. Cada minuto que se passava poderia salvar ou condenar a vida de mãe e filha.

NA NOITE ANTES DO ACIDENTE...

Alguns minutos já haviam se passado, mas a tensão e o medo ainda eram o mesmo para Charlotte. Os homens com suas potentes armas em punho, a postura rija duramente em uma imponência em sua casa, suas filhas desacordadas, ambas sangrando e Conrad não aparecia. Internamente a senhora de cabelos acobreados com alguns fios em grisalho, fazia sua prece. Não suportaria a dor de perder as filhas, se pudesse optar, optaria por eles acabarem com sua vida primeiro, assim pouparia a angustia e impotência, além da dor, de ver suas filhas serem mortas.

— Estou ficando impaciente, irei me alegrar em comer uma dessas bocetas enquanto espero, apenas por diversão. — Paul começou a provocar, vendo o quanto Charlotte ficava abalada. — Fico aqui me perguntando, qual das duas será a mais apertada? — indagou levantando os lábios em um sorriso de escárnio, fazendo com que os demais gargalhassem.

— Talvez possamos reanimá-las indo duro e fundo. — Jared tocou o ombro de Paul com o punho fechado em um claro sinal de brincadeira.

— Por favor, não. — Charlotte já não conseguia mais chorar, seu corpo clamava por uma trégua, estava inerte, arrebatada pela dor e nervosismo.

— Parem com isso. — Jacob exigiu. — Faltam apenas treze minutos para o fim de tudo, vamos aguardar, ou ele entrará por essa porta ou...

— Ou então faremos o que nós quisermos. — completou Seth com malícia e uma gargalhada aterrorizante.

— Embry. — chamou Jacob. — Vá lá fora informar Jasper e Emmett sobre Conrad ou eles irão meter bala no filho da puta assim que pisar na droga da calçada e nós queremos aquele merda vivo. Por um breve tempo. Além de informar Lancarter que se tudo for feito como combinado, o que espero que aconteça. — fitou Charlotte no chão em uma expressão de aviso. — E então um de nós irá levar essas duas vadias para retirarem a bala. Não quero deixar vestígios de nada.

Embry assentiu, entendia perfeitamente todas as normas de segurança quando o assunto se tratava não chamar a atenção e muito menos deixar rastros sobre quaisquer fato que os envolvessem.

A passos rápido o caçula dos Black atravessou a porta dos fundos da casa, topando diretamente com Emmett.

— Ei, calma ai grandão. Sou eu porra! — Embry levantou um dos braços em sinal de rendição.

— Cara, você é um fodido de merda não é mesmo? Quantos tiros nessa sua bunda até você aprender a não aparecer pelas costas de um homem em guarda? — Emmett o reprovou. — Fica ligeiro Embry, qualquer dia a Jenniffer ficará viúva e nem a cara do teu filho você vai vê.

— Cala a porra dessa boca. Eu to aqui porque preciso avisar vocês, e não queria ir pela porta da frente, lá sim eu levaria a porra de um tiro! — revirou os olhos, sabia que Jasper em guarda atirava até em borboletas que pousassem em seu ombro. — Avise o Jasper, a velha conseguiu falar com Conrad, ele provavelmente deve estar chegando.

— E os tiros?

— Na perna das irmãs dele, nada demais. A velha já ta louca o bastante, e estava ainda mais ao falar com o merda do filho. Ele não vai deixá-las em nossas mãos, ele sabe muito bem com quem ele se meteu. Mas Jasper não pode atirar no cara, ele tem que estar vivo!

— Ok. Vou passar o rádio pra ele. Aonde você vai? — perguntou vendo que Embry se afastava.

— Ligar pra Lancarter e pra Jenny.

Emmett gargalhou, Embry estava de quatro —literalmente— pela brasileira.

— Vá se foder. Ela carrega um filho meu e bem... Estou preocupado porra! Vá fazer seu serviço e me deixa em paz cacete!

O moreno foi para o quintal dos fundos, onde várias árvores enormes deixavam o ambiente ainda mais escuro. Tirando o telefone do bolso e a sua máscara o moreno ligou primeiramente para Lancarter, dando todas as coordenadas e o mesmo informou que estava tudo pronto, havia conseguido um galpão como já havia informado e já tinha tomado todos os cuidados. Em seguida ele ligou para a namorada. Mesmo Jenniffer o escorraçando do hospital, ele não conseguia ficar cem por cento tranquilo na missão enquanto não ouvisse que ela está de fato bem. Não tinha sido um melhor companheiro no começo, mas ela também o assustou o que lhe fez ter diversas dúvidas, mas no momento em que descobriu que seria pai de um menino, tudo ficou ainda melhor para ele.

Duas tentativas e nada da brasileira atender ao celular. Embry já estava quase espatifando o aparelho no chão quando na terceira tentativa, já no quarto toque, a voz irritada de Jenny fez com que seus lábios projetassem um sorriso.

— Como está a minha mulher?

— Com uma vontade tremenda de soca essa sua cara. Onde. Diabos. Você. Se. Meteu? — Jenny disse as palavras pausadamente, seu tom de reprovação só fez Embry sorrir ainda mais. Amava o gênio difícil da loira.

— Hum, eu até iria perguntar se você se sente melhor, mas julgando pelo modo que está tão na defensiva, eu afirmo que você além de melhor está loucamente morrendo de saudades de mim. — disse presunçoso. Embry jurava que Jenny estava de fato mostrando o dedo do meio para o celular, constatou isso com o silêncio. — Não me mostre o dedo, baby.

— Argh! Você é um idiota, convencido de merda e está totalmente errado. Não estou sentindo a sua falta, aliás, que papo é esse de sua mulher? Eu não sabia que você era casado!

— Ótimo, assim eu posso ficar mais alguns dias fora e...

— Embry, não ouse! — gritou. Por mais que ela não pudesse vê-lo sabia que ele estava sorrindo, o que a enfureceu ainda mais. — Quer dizer, fique o tempo que quiser, a cada vacilo seu eu conto mais um pouquinho sobre mim ao médico delícia que faz meu exame de toque todas as manhãs. — a loira virou o jogo para ela.

Embry franziu o cenho a mão fechando em punho com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos. A respiração ficou acelerada e a face começou a esquentar, ele não conseguia sequer pensar em outra pessoa tocando-a se não fosse Leah ou outra médica do sexo feminino. Não, definitivamente não!

Jenniffer sorria do outro lado da linha, com a mão tapando a boca sufocando sua risada. Ela sabia como irritá-lo.

— Onde malditamente é esse toque? Jenniffer não brinque comigo. — grunhiu com raiva.

— Eu não estou brincando, quanto ao toque, pesquise no Google!Apenas fique fora o suficiente e...

— PORRA! NÃO! — gritou, chamando a atenção de Emmett que apenas colocou a cabeça através da parede dos fundos. Embry fez um sinal para ele se afastar e Emmett gargalhou.

— Cacete não grite no meu ouvido. — resmungou.

— Baby, escute, aonde é esse toque?

— Oh, só posso dizer que ele é bom e...

— JENNIFFER! — gritou novamente.

A loira não aguentou segurar sua risada e gargalhou, uma gargalhada contagiante que enfureceu Embry ainda mais e deixou Barbara — que estava ao seu lado — sem entender nada.

— Ok, ok, sem toques. Pode respirar agora. Mas que fique claro, eu não sou seu brinquedo! Atreva-se a sumir e eu pego o MEU filho e sumo. E por Deus Embry, você não irá me achar. — ameaçou séria.

— Brinque com isso de novo que eu mesmo irei me assegurar de sumir com você e o MEU filho! Te levo pra porra do Alaska e te construo um Iglu, seu único contato será com o pé grande, então não mexa com a minha sanidade.

A loira bufou exasperada e decidiu não mais provocar Embry. Por mais que ainda a mágoa prevalecesse em grande parte do seu coração, não era capaz de sobressair pelo sentimento afetuoso que nutria pelo moreno. Ela já o amava.

— Jenny amor, eu não tenho muito tempo. — disse ao voltar à realidade em que estava de fato. — Se está tudo bem com você e o bebê, porque não está de alta?

— Tudo bem, mas não pense que irei me assustar com o pé grande, ele até me parece muito convidativo. Se for para analisar, imagino todos os seus atributos correspondentes com o nome, o grande problema seria somente o Iglu. — ela riu, mas Embry ficou em silêncio, ele ouviu um barulho de carro que vinha da frente da casa, deixando-o atento. — Embry? — chamou.

—Tô aqui.

— Leah disse que irá assinar minha alta amanhã, antes do meio dia provavelmente.

— Tudo bem, eu farei o possível pra estar ai, fique bem e se cuide. Eu te ligo de manhã. Preciso desligar agora. — ele se espreitou olhando curiosamente para o carro parado na frente da casa, provavelmente seria Conrad. Finalizando a ligação ele sequer deu tempo que a namorada respondesse e voltou para dentro da casa.

Quando chegou a sala de estar, Paul, Seth e Jared estavam encima das duas jovens levantando parcialmente a blusa delas. Paul, o mais atrevido, ousou a apalpar os seios da mais velha. Embry fitou Charlotte que chorava desesperada sob a mira da arma de Jacob.

Instintivamente Embry olhou no relógio, ele havia ficado quinze minutos lá fora, Conrad já estava dois minutos atrasado.

— Então ele não veio e o... — afirmou vendo o que os demais faziam com as jovens em uma nítida provocação para Charlotte.

— Junte-se a eles. — Jacob ditou, interrompendo o irmão. Na verdade Embry iria falar sobre o carro parado lá fora, mas não foi preciso. A porta se abriu abruptamente revelando a face de Conrad. Jasper o segurava firmemente pela camisa, a pistola com silenciador estava apontada em sua cabeça.

— Graças a Deus. — suspirou Charlotte. Estava entre a cruz e a espada, por pior que tenham sido as ações de Conrad ele era seu filho. Só que não suportava ver suas filhas pagar pelo erro dele, uma situação totalmente complicada para uma mãe.

— Parem! Estou aqui. — disse altivo, como se por algum obséquio ele poderia se dar ao luxo em manter aquele tom de voz.

— É claro que está. — Jacob sorriu, mas seu sorriso era porque ele sempre vencia. Em um gesto para os demais, as garotas estavam livres. Ele ordenou que Jasper e Emmett levam-se tanto Charlotte como as filhas para Lancarter. Lá ele faria o que já havia sido combinado e dariam as devidas instruções para que elas ficassem de bico calado. Jacob aproximou-se de Conrad que mesmo diante do ex-chefe ainda mantinha a postura de imponência. — Despeça-se da sua mãe, porque é a última vez que você a verá, mas você já sabe disso não é mesmo? — sussurrou no ouvido do homem, por um segundo Conrad estremeceu. Precisava conseguir convencê-los de que ele também era uma vítima.

Jasper não o soltou, levou Conrad até Charlotte que já de pé abraçou o filho com pesar, ela sabia que não o veria mais.

— Cuide delas. — ele disse simplesmente antes de ser arrastado para fora da casa.

Os demais já carregavam as mulheres para o outro carro rumando para as coordenadas de Lancarter pelo telefone.

Dentro do carro dos The Wolf, Conrad foi obrigado a falar sobre o que houve com a mercadoria. Eles queriam uma tortura mais pesada, contudo o local o qual estavam não fora de muita ajuda e nem mesmo os materiais, dispunham somente da caixa de ferramentas do porta-malas. Ainda assim, conseguiram arrancar três dentes e sete unhas com o auxilio de um alicate, o isqueiro do carro ficou responsável por aquecer uma chave de fenda e causar marcas por toda a face e braços do homem. Conrad sabia que seria torturado até a morte, mas ainda tinha esperanças de que a história de ter sido coagido pudesse convencer os homens dentro daquele carro. Porém, nada que ele dissesse fazia sentido, as lágrimas já escorriam pela face e o desespero tomou ainda conta, quando os homens lhe algemaram e lhe arrancaram as calças.

— Por favor. — ele implorou. — Estou dizendo a verdade.

— Oh claro, e a minha irmã é virgem e vive num convento! — Seth ironizou pegando o alicate e apertando contra o membro flácido do homem. Conrad gritou duro. As lágrimas desciam pelos olhos esbugalhados, seu som não podia ser ouvido. Jacob estava com um pano nas mãos e o enfiava na boca do homem cada vez que ele fosse gritar.

— Aperta mais Seth, arranca logo essa isca. — Paul ironizou. — Quero ir logo pra casa.

— Será que se eu enfiar essa chave no ouvido dele e empurrar fundo ele sentirá dor? Sempre quis fazer isso quando era criança. — Quil brincou rodando a chave de fenda nos dedos. É claro que com a experiência ele sabia que se fosse fundo demais, Conrad morreria instantaneamente, mas não custava assustar, terror psicológico funcionava muito bem.

Após longos minutos de tortura, quando Conrad não mais conseguia falar, e finalmente se dando conta de que ele morreria, ele falou onde estava o carregamento. Precisamente no Cais e em seu nome. Avisou também que a Guarda Costeira já havia recebido propina de entrada e saída, mas como a carga ainda não saiu, eles a levariam sem problemas.

Com um único tiro, bem no meio do peito, Conrad caiu sem vida. Jacob e Quil empurram para fora o corpo sem vida do loiro, jogando gasolina e ateando fogo. Ninguém jamais saberia quem foi que fez aquilo, os The Wolf eram bons em não deixarem pistas.

— Porra, queria ter me divertido mais. — disse Quil, enquanto Embry guiava o carro para o Cais.

— E nós vamos cara, podemos comemorar. — sugeriu Sam.

— Já sei. — Jacob pronunciou entusiasmado. — Vamos comemorar a despedida do Quil também, com essa merda toda você esqueceu que se casa semana que vem, além é claro que podemos brincar com algumas vadias antes de voltarmos pra casa. — sorriu malicioso.

Todos adoraram a ideia, já tinha ligado para os demais no galpão com Lancarter avisado sobre a conquista e assegurando de que as moças ficassem de bico calado. Todos tinham que se dar conta de que, com os The Wolf ninguém passa a perna.

TLAD

De volta a New York, os morenos comemoravam dentro do jatinho, entre champanhe, uísque e um abundante abastecimento de drogas de primeira linha. Eles tinham motivos de sobra para comemorarem, os dias de angustia e longe das esposas haviam acabado, e tendo em vista que Quil oficialmente se amarraria em breve, nada mais inteligente do que comemorar tudo junto.

Assim que pousaram, foram para seus carros de luxo que ficaram no estacionamento do aeroporto. Jacob apressadamente ligou para a boate que eles costumavam frequentar e pediu o seu fechamento, afinal, ainda era uma hora da manhã. A vantagem de se ter um jato particular e presunção de se resolver as coisas rapidamente, ainda lhe renderiam uma boa madrugada de diversão. Ele conseguiu a melhor boate de strippersda cidade, pediu o fechamento total da casa noturna apenas para ele e seus familiares.Altamente claro ele exigiu algumas garotas a mais, o preço era alto, mas ele queria a melhor diversão para o irmão.

— Tudo pronto! Vamos foder umas vadias. — Jasper disse animado quando viu Jacob desligar o telefone.

— Diga por você meu camarada. Eu não enfio meu amigão aqui — Jacob apontou para a braguilha do seu jeans — em nenhum lugar que não seja a minha mulher, mas se elas quiserem dar uma atenção extra com a boca eu apreciarei de bom grado. — deu um riso safado.

Os luxuosos carros pararam em frente à boate. Os rapazes se dirigiam para a entrada com tamanha animação. Todos já com o nível muito elevado de álcool e drogas no organismo.

Seth e Embry eram os mais fracos para a droga e os que mais abusavam, os caçulas da família entraram já atacando duas loiras que os receberam de boa vontade. Não haveria traição da parte de nenhum dos homens, pelo menos, era o que eles achavam. Havia regras na diversão. Estimulação e prazer era o jogo, contudo, beijo na boca e penetração estava fora de cogitação. Eles buscavam apenas prazer, romance estava destinado apenas as pioneiras que habitavam os duro corações daqueles homens.

Jacob foi fisgado por duas ruivas siliconadas. Os peitos artificiais e enormes nem um pouco lhe foi atrativo, mas ele não se importou. Desde que elas soubessem usar a boca enquanto bebia um bom uísque, ele estaria satisfeito.

Quil dançava eroticamente com uma morena de longos cabelos negros. Ele logo enrolou seus dedos nas madeixas ditando o que ele queria: como uma cachorrinha. Ela prontamente o obedecia.

Jared e Emmett sumiram diante do bar, mas era claro que eles iriam aproveitar de alguma maneira.

Jasper juntamente com Lancarter retirava a roupa de uma loira muito atraente, seu corpo curvilíneo era deslumbrante. Enquanto um retirava a roupa e o outro passeava livremente as mãos em cada curva sinuosa. Um ménage seria perfeito se Lancarter não amasse tanto Leah.

Paul estava sendo banhado por champanhe em seu pau rijo enquanto duas mulheres lhe chupavam alternadamente.

A madrugada transcorreu em pura perversão, estavam todos felizes com a conquista e a morte de Conrad. Jacob havia ligado para alguns dos seus homens de confiança ir buscar o carregamento, eles eram rápidos e eficazes em seguir as ordens, então era apenas relaxar. Quil tinha que se divertir muito, ele jamais faria aquilo de novo, tinha consciência do amor que nutria por Claire e não se envergonhava em dizer a quem quisesse saber que seu coração foi finalmente fisgado.

Música, mulheres, bebidas e drogas e uma noite de conquistas... Estava tudo perfeitamente bem aos The Wolf.

NO DIA DO ACIDENTE...

— Oh meu Deus! Se você me trouxer mais dessas rosquinhas eu vou acabar não passando mais pela porta do nosso apartamento. Que delícia! Onde você achou essa maravilha? — Jenniffer sorriu ao saborear mais uma rosquinha de chocolate coberta de glacê e confeitos coloridos que Barbara havia levado pela manhã.

— Não exagere, não sei quem é capaz de sobreviver com esse tipo de comida que servem aqui. Já sei que é um hospital de luxo, mas pessoas chiques não conhecem sal?

— Não me enrole com rosquinhas. Eu estou me sentindo uma foca prenha adestrada a base de rosquinhas. — o sorriso debochado brincava nos lábios rosados da loira. — Você não viu a Leah? Quero sair logo daqui.

— Pensei que o Super-man estaria aqui. — Barbara se referiu a Embry. A morena ainda estava nitidamente ressentida com a atitude dele com relação a amiga.

— Não! Apenas não fale daquele cretino! Ou vou ter indigestão.

— Você não vai poder evitá-lo pra sempre, amiga. Ele é pai do meu afilhado, mesmo que isso me embrulhe o estômago, mas ele é sangue daquele sangue ruim. — a morena pegou uma rosquinha enfiando na boca para não rir.

— Oh sim, sangues puros e sangues ruins. Você andou vendo Harry Potter, não foi? Pare de ser fanática, eu já sei que o Snape era bom samaritano. Além do mais, Seth também tem o mesmo sangue. — debochou lambendo os dedos.

— Não compare. — Barbara deu de ombros. — Mas na real, já era pra Leah ter passado aqui, são quase onze horas e ela não deu as caras. — disse ao observar o relógio em seu braço esquerdo. — Vou dar uma checada na recepção, ela disse que se estivesse de folga, assinaria sua alta e repassaria ao médico de plantão. Eu duvido que ela tenha se esquecido.

— Bem lembrado, pelo visto eu não sou a única a querer dar o fora daqui. Esse soro no meu braço virou parte de mim. — Jenniffer revirou os olhos arrancando um sorriso da amiga. — Vai logo ver se vou ter ou não alta.

— É claro que eu vou. Você morando aqui ,não sei se percebeu, morei parcialmente com você. Jáestou até decorando os termos médicos, isso é loucura. Me dê mais uma — pegou mais uma rosquinha recebendo um tapa na mão da loira em reprovação. — Cara, vamos ficar obesas. Fui. — Barbara deu de ombros saindo do quarto e indo para a recepção. Lá se deparou com Rachel aos prantos enquanto assinava alguns papéis.

— Rachel?

A morena virou ao escutar seu nome ser chamado. Os olhos inchados e a face entristecida causou um temor em Barbara.

— O que houve? — indagou curiosa e preocupada.

Rachel abraçou a namorada do primo e chorou. Foi entre soluços que conseguiu contar tudo o que sabia do recente e trágico acidente de Renesmee. Barbara ficou aturdida com a notícia e entendeu o porquê Leah não havia assinado a alta da amiga, ela iria dar pessoalmente, mas estava ocupada e preocupada cuidando de Renesmee e a bebê. Rapidamente a morena correu para contar a amiga. Assim que entrou na sala Barbara estava pálida, o que não passou despercebido pela loira.

— Ei, o que foi?

— Deus Jenny! — levou as mãos ao rosto. Tinha que manter a calma, não podia alarmar a amiga, mas era tarde demais, Jenny já havia jogado longe as rosquinhas e questionava Barbara sem parar.

— Fala logo, o que aconteceu? Porque você voltou assim? Tô com alguma coisa, por isso Leah não me deu alta? Os exames? Fala logo cacete!

Barbara respirou fundo e relatou tudo o que Rachel havia contado a ela. Imediatamente Jenniffer levou as mãos ao ventre liso em um gesto protetor, não imaginaria o que aconteceria com ela se algo do tipo lhe ocorresse, nem mesmo ao seu filho. Os olhos se encheram de lágrimas e um soluço agudo deixou seus lábios. Ela já tinha passado pela experiência de perder um filho, sabia o quanto doía. Babara procurou acalmá-la, os hormônios de grávida eram tão intensos como instáveis, porque em seguida a loira enxugou o rosto.

— Precisamos sair daqui. Pegue minha bolsa.

— O que? — Barbara a olhou confusa.

— Vamos pra junto da família, Babi, eles precisam de apoio. Céus! Pegue a minha bolsa no armário e tire minha caixinha de primeiros socorros. Ela é rosa de bolinas.

Barbara correu para o armário buscando a enorme bolsa da amiga e pegando a caixinha em tamanho médio. Enquanto Jenniffer retirava cautelosamente — e com uma careta na face­— o acesso do soro.

— Que porra você tá fazendo? — a morena gritou.

— Brincando de casinha. O que acha? Pegue logo o band-aid pra eu colocar aqui. — disse ao retirar totalmente o seu acesso.

— Fala sério, das Princesas da Disney? — levantou a caixinha de band-aid.

— Não tinha da HelloKitty e nenhum na cor rosa, esse é lindo e me faz feliz... Agora coloque aqui Babi. Pelo amor de Deus, eu estou em cólicas!

Barbara rapidamente fez o que a amiga pediu e a ajudou a descer da cama. A loira se trocou rapidamente e agradecia pelas rosquinhas lhe ter fortalecido o estômago, porque a notícia fez com que a sua gastrite nervosa atacasse furiosamente.

— Babi, se algo assim... — ela voltou a abraçar o ventre.

— Não! Não diga isso. Você é forte, meu afilhado é forte... Isso o que houve com a Nessie foi uma tragédia, mas tudo ficará bem. Vamos logo, antes que alguém venha verificar você.

As duas se abraçaram antes de sair, Jenny com lágrimas nos olhos deu a mão para a amiga que abriu a porta ajudando na fuga da loira. As duas foram rapidamente de encontro à família da Amish e de seus namorados. Ao chegarem na sala reservada, a cena era deplorável. E tudo o que as brasileiras puderam fazer, era se solidarizarem com a dor dos demais e chorar.

TLAD

A dupla porta da cor negra de metal abriu-se e por ela a claridade do dia entrou forte incomodando a retina do moreno, que fechou os olhos por reflexo. Embry estava há horas bebendo e se drogando no ambiente escuro da boate, qualquer claridade machucaria sua retina já ambientada à escuridão.

A noite tinha sido excelente, mas teria sido ainda melhor se fosse há alguns meses. Agora sua mente estava nublada de preocupação. Sua namorada, grávida de seu filho, estava internada em um hospital lutando contra uma doença derivada da gravidez. Eles não corriam risco eminente de vida, mas era algo que tornava o estado delicado para mãe e bebê.

Embry lembrou-se que falou rapidamente com a namorada na noite anterior enquanto aguardava Conrad chegar. Ela estava feliz, pois provavelmente receberia alta na manhã seguinte. O moreno sentiu-se culpado por ao invés de estar ao lado dela, indo buscá-la no hospital, ele estava em uma boate de stripper comemorando a vitória sobre um inimigo e a despedida de solteiro do irmão mais velho, que oficializaria o casamento com uma grande festa dentro de uma semana. Repudiou-se por isso.

Rapidamente levou a mão direita ao bolso traseiro da calça e sacou o celular, ligando o aparelho que já estava desligado há horas. Antes que ele conseguisse concluir uma única ligação, diversas mensagens entraram no aparelho recém-ligado. Embry estranhou o fato.

Quando viu que se tratava de várias ligações perdidas da irmã, prima e de todas as outras mulheres da sua família, exceto da namorada e da melhor amiga dela, ele já tinha as mãos escorregadias devido ao suor causado pelo nervosismo.O coração chutava contra a suas costelas em um ritmo frenéticoao peito. Naquele momento Embry teve a certeza que algo muito errado estava acontecendo.

Sem nem ao menos pensar ou ter a capacidade de manter um raciocínio lógico naquele momento, Embry somente apertou — quase que por reflexo — a discagem automática. Dois toques até ele ser atendido.

— Embry! — Rachel gritou desesperada do outro lado da linha. — Onde diabos você está, Embry? — ela tinha voz rouca devido ao choro.

— O que estava havendo, Rach? Fala que meu filho e minha mulher estão bem e fora de perigo.

— Cadê o Jake? Onde ele está? Estamos tentando localizar vocês há horas... Não conseguimos falar com ninguém. — a morena não conseguiu conter o soluço vindo de sua garganta.

— Rachel, por que esta chorando? Como esta a minha mulher e meu filho? — o desespero tinha dominado por completo o corpo de Embry.

— Eles estão bem, mas ela ainda está internada. O problema é com a Nessie... — Rachel atropelava as palavras ao tentar explicar para o irmão o que estava acontecendo.

Embry respirou mais aliviado assim que escutou que seu filho e mulher estavam bem, porém a sensação de tranquilidade não durou muito tempo.

— O que tem a Nessie? —perguntou sobressaltado interrompendo a irmã.

— Trás o Jake agora, aqui por hospital. Leah está com a Nessie na sala de cirurgia. Ela caiu da escada... Tanto ela como a bebê correm risco de vida.

— Porra, que tragédia! — Embry sussurrou em choque, o desespero ainda era o mesmo. Não era a sua mulher e nem seu filho, mas era a sua cunhada e a sobrinha. A dor era a mesma para ele. — Não sei como vou contar isso pra ele Rach, o Jake não está no seu melhor momento pra receber uma notícia dessas.

— Não importa o que você vai fazer. Só traga ele o mais rápido possível para cá. — Rachel soluçava ao falar. O choro e o desespero a dominava, a situação não era nada boa. Angustiante!

— Já estamos indo. Chegamos, no máximo, em quinze minutos. — Embry comunicou já encerrando a ligação e correndo para o interior da boate novamente, onde todos da sua família estavam.

No ambiente repleto de luxúria, todos aproveitavam cada minuto ali na casa de stripper, porém a expressão assustada de Embry destoava da fisionomia maliciosa dos demais.

O mais novo procurava em cada canto escuro o irmão, que parecia ter sumido.

— O que está pegando? — Sam segurou o braço do primo. Não tinha passado despercebido por ele à aparência atordoada do caçula da família.

— Cadê o Jake? Eu preciso achar o Jake agora.

— Não sei. Ele está por ai. — Sam varreu rapidamente o ambiente com o olhar, mas não encontrou o primo. — O que está acontecendo? Porque essa cara de maluco que acabou de fugir do hospício? — sorriu ao sentir a morena rebolar em seu colo, atiçando seu membro que já se encontrava dolorido de tão duro que estava sob a calça jeans.

— Cara, a Nessie sofreu um acidente em casa e está sendo operada nesse momento na emergência. Ela e a bebê correm risco de vida.

— Caralho! — Sam empurrou a stripper que estava rebolando em seu colo com tanta força que derrubou a mulher seminua no chão. — Vamos procurar por ele. Meu Deus, o Jake vai surtar. Ele está muito drogado. É melhor avisar aos demais, ele vai dar trabalho.

Sam e Embry procuraram pelo moreno por toda boate, mas não estavam encontrando ele. A cada um que avistava contavam o que estava ocorrendo. Todos estavam preocupados e já desesperados.

De repente, viram Quil e Jacob saindo do banheiro. Eles conversavam e sorriam maliciosamente de alguma piada particular. Os olhos de ambos estavam vidrados e as pupilas dilatadas.Era nítida a quantidade elevada de drogas e álcool.

— Jake, a gente estava procurando por vocês. — Seth falou afoito, mas tentou disfarçar. Estava nervoso com a possível reação do primo. — Temos que ir embora. Agora! — acrescentou.

— O que está pegando? — indagou desconfiado após observa a expressão de cada um.

— Jake, nós não temos tempo para explicações. Precisamos ir, no caminho a gente conversa. — Sam tentou manter a fisionomia serena ao falar. Conhecia o primo o suficientemente bem pra saber que logo ele iria descobrir que tinha algo muito errado.

— Já fechei a conta. Está tudo certo. Já podemos ir. —Jared e Paul chegaram comunicando.

Eles haviam acabado de pagar pelo aluguel exclusivo da boate fora do expediente, à contratação extra de strippers e tudo mais que foi cobrado pela festa privativa e fora de horário.

Sem deixarem ser questionados, todos começaram a sair da boate, somente Quil e Jacob realmente não sabiam o que estava ocorrendo, mas não eram idiotas pra sacarem que havia algo rolando.

Todos tentavam manter uma expressão centrada e neutra, mas Quil era muito perspicaz e não demorou a indagá-los novamente.

— Porra! Dá pra vocês falarem o que está acontecendo? Eu não deixei aquelas gostosas lá dentro a troco de nada que não possa ser resolvido pelos caras lá do casarão ou de qualquer outro lugar, tenho um pau latejando aqui. É a minha despedida de solteiro e não pisarei mais com tanta frequência nesse puteiro. A minha gatinha é gostosa demais na cama pra ser trocada por uma puta fodida dessa. — Quil, às vezes, tinha o pequeno defeito de falar demais quando estava muito drogado.

— Quil, no caminho nós conversamos caralho!— Embry ditou sério, estava muito concentrado em se manter calmo, afinal, quando o mundo de Jacob viesse abaixo, alguém precisaria manter o controle.

Jacob estanhou a postura do irmão caçula, que era sempre tão brincalhão até nos momentos mais sérios. Agora ele observava atentamente a expressão de cada um, mas não foi tempo suficiente para entender o que estava acontecendo de errado. Ele foi direcionado ao carro do irmão, que saiu cantando pneu sobre os cascalhos do estacionamento da boate. Os demais carros seguiam aBMW negra.

— Agora pare com essa enrolação e fale logo o que está havendo. — Jacob exigiu ao irmão caçula. O moreno estranhou a direção que ele seguia pela estrada, não era nenhum caminho que levasse a algum dos esconderijos do bando.

–

— Jake, toma essa água e lave o rosto. — Embry passou uma garrafa de água mineral que tinha no frigobar do carro de luxo, além de uma toalha que tinha pego no porta-luvas. — Preciso que fique calmo e recomposto.

—Era só o que me faltava. — resmungou, pegou a garrafa e a toalha da mão de Embry. — Fala logo, caralho! — Jacob gritou impaciente. Agora ele compreendia que era algo muito sério, que lhe afetava diretamente, estava acontecendo.

— Jake, — suspirou — a Nessie está no hospital. Ela sofreu um acidente em casa e está em uma cirurgia de emergência agora.

Jacob não conseguia mais compreender o que seu irmão falava, sua mente havia se desconectado do assunto assim que a palavra acidente saiu dos lábios do irmão. Ele não mais ouvia ou conseguia associar as palavras ditas pelo caçula.

— Jake! Jacob... Jacob! — Quil tinha a mão sobre o ombro do irmão o chacoalhando, mas Jacob estava inerte. Quil estava preocupado com o irmão, que ao contrário dele, parecia não ter entendido tudo o que foi falado. — Cara, ela vai ficar bem e a bebê também. —foi tudo o que conseguiu dizer,Quil estava tão pálido quanto o irmão.

— O que? Quem? — perguntou atônito. — Nessie! Cadê a minha Nessie? Me leva até a minha mulher. — gritou em um som agudo, vindo do fundo de sua garganta. O semblante derrubado pela preocupação e choque, e como previsto estava perdendo o seu controle.

Jacob começou a gritar dentro do carro. Ele queria tirar o irmão mais novo da direção do carro e conduzir o veículo ainda mais rápido do que já estava sendo dirigido. Quil teve que usar de toda a sua força para poder contê-lo.

— Chegamos! — Embry falou aliviado ao parar o carro no estacionamento do hospital em que a prima trabalhava. Seu irmão tinha acabado de surtar. — Vamos Jake!

Jacob estava tão atordoado que não percebeu que havia chegado ao hospital, mas assim que o irmão comunicou, ele abriu a porta o mais rápido que conseguiu e saiu correndo em direção à entrada do hospital. Seus irmãos e primos o seguiam. Eles tinham a difícil missão de tentar controlar um homem tão impulsivo como Jacob Black!

O moreno não se importou com nada e nem ninguém, chegando a empurrar uma mulher que estava na fila do balcão de informações do hospital.

— Renesmee Black! —perguntou firme a recepcionista que se assustou com a chegada abrupta do moreno. — Está surda, caralho? RENESMEE BLACK! Onde está a minha mulher?

— Senhor, eu peço que fique calmo. Estamos em um hospital. O senhor é parente ou...

— Vai se foder com essa porra toda de hospital. Eu quero saber da minha esposa Renesmee Black. FALE LOGO, PORRA! — berrou com toda a força que os seus pulmões pudessem soltar.

Àquela altura, Embry, Seth, Quil e Sam tentavam contê-lo, o que estava sendo em vão. Jacob estava com uma força descomunal. Jared e Paul tentavam ligar para uma das mulheres da família, mas os celulares nem chegavam a chamar, caia direto na caixa postal.

Os seguranças já estavam se aproximando na tentativa de expulsarem o causador de tanto transtorno no ambiente hospitalar.

— Jacob.— Rosalie chamou assim que ouviu as vozes alteradas vinda da recepção. Ela tinha ido busca um café na lanchonete do hospital, mas reconheceu o dono da voz que quebrava o silêncio hospitalar. — Podem deixá-los entrar. Todos são da família. — avisou aos seguranças que já estavam prontos para intervirem na confusão formada no saguão do hospital de luxo.

— Rose, cadê a minha Nessie? O que houve com ela? — perguntou com desespero passando as mãos com violência nos curtos cabelos, chagando a arrancar alguns fios negros entre os dedos.

Jacob não notou, mas suas mãos seguravam firmemente os braços da loira. Ele estava machucando-a.

— Primeiramente, me solta que você está me machucando!— Rose falou séria. Ela nunca abaixou a cabeça pra nenhum deles, por isso tinha alcançando o posto no grupo e respeito deles também.

O moreno por um momento percebeu o que fazia com a loira. O olhar duro que ela lhe enviou foi o suficiente pra trazê-lo novamente em si.

— Rose, o que está havendo?— Emmett questionou a esposa.

— Vão todos ao banheiro lavarem os rostos com a água fria e se recomporem... Não é o momento pra demonstrarem essa aparência lastimável de ressaca e... — fez uma pausa, não diria nada sobre as drogas. — Apenas vão se recompor! — ditou friamente ao perceber o verdadeiro estado dos homens, seu olhar demonstrava sua insatisfação com a aparência deles. Todos estavam bêbados e drogados, Rosalie soube reconhecer essa característica de imediato. —Eu vou esperar por vocês do lado de fora da porta do banheiro masculino. Depois de mais apresentáveis eu explico tudo o que está acontecendo. Ah, e com você — apontou para Emmett — conversamos depois. — finalizou olhando duro para o esposo. Emmett engoliu em seco. Sabia que iria escutar muito da esposa.

A expressão sempre impecável da loira estava visivelmente mais abatida, mas a superioridade no olhar não deixava brechas para contestação.

Como orientado pela loira, todos os enormes homens seguiram para o banheiro mais próximo e, em menos de dois minutos já retornavam para a companhia de Rosalie, que os aguardavam como combinado. Ela tinha os olhos vermelhos e inchados. Isso desesperou ainda mais Jacob.

— Vamos, tem uma sala de espera reservada só pra gente. Rachel já cuidou de tudo. Lá conversamos. — disse sem ao menos dar chance de Jacob falar nada.

Sem mais dizer uma única palavra, Rosalie começou a caminhar pelo corredor asséptico de paredes de um tom de verde claro.

Como o hospital era extremamente luxuoso, havia opção de reservar salas particulares para abrigar as famílias que aguardavam por informações de seus entes-queridos. Claro que, por uma alta quantia, mas dinheiro nunca foi problema para aquela família.

No caminho até chegar à sala privada, Jacob tentou retirar informações de Rose, mas sabia que seria impossível. A loira era dura de persuadir. Jacob mesmo alterado sabia lidar com a ela, desistindo então de tentar convencê-la a falar.

O coração do moreno trotava impiedosamente contra seu tórax, chegava a doer, as batidas eram cada vez mais duras conforme se aproximava do motivo real dos fatos. Um bolo amargo estava preso na garganta de Jacob. Ele sabia que algo muito grave estava acontecendo à esposa grávida, mas sua mente bloqueava qualquer possibilidade de ideia do que poderia estar realmente acontecendo.

Assim que a porta de vidro fosco se abriu revelando todas as mulheres de sua família, Jacob sentiu a bile amarga subir a sua boca.

Na ampla e confortável sala de espera hospitalar ele viu toda dor e desespero se apossar de cada célula de seu corpo. Em uma rápida passada com o olhar pelo local ele percebeu a irmã com os olhos inchados de tanto chorar sendo consolada por Alice, Claire sendo amparada por Kim e Emily, as brasileiras abraçadas chorando em uma espécie de prece na linguagem de origem,mas foi ao ver o casal de empregados de sua casa que ele sentiu as pernas falharem pela primeira vez na vida.

A camisa sempre branca e impecável de Santiago estava tingida em vários locais de vermelho. Ninguém precisou falar nada pra ele compreender de quem era todo aquele sangue que banhava a camisa do motorista.

Ao longe Jacob escutava vozes, mas as palavras não faziam sentido, sequer formavam palavras ou frases coerentes para ele. Sua mente estava inerte, viajando para as possibilidades, na verdade, ele tinha medo do que viria a ouvir.

— Cadê a minha esposa? Cadê a minha Nessie? — Jacob havia avançando para o colarinho da camisa do motorista. O olhar enfurecido denunciava a sua ira, todo o nervosismo fez com que o efeito das drogas e bebidas se dissipasse.

— Senhor Black... Calma, Senhor... — Santiago gaguejava ao tentar falar.

A confusão novamente estava formada.

Paul, Sam, Jared e Jasper tentavam fazer com que o moreno largasse o colarinho do motorista, mas estava sendo quase impossível. O pano da cara camisa do uniforme começava a ceder, rasgado a camisa.

— Jacob, olha pra mim! — Rachel se enfiou entre os homens— nem ela soube como — e se colocou entre o irmão e motorista. — Olha pra mim. — ordenou mais uma vez segurando cada lado da face morena do rosto do irmão. Jacob sempre se acalmava quando ela tão ternamente fazia aquilo. Automaticamente ele lembrou-se da mulher que tanto amava e que lhe dava a mesma sensação de paz. Uma lágrima silenciosa desceu pela face transtornada. — Presta atenção no que vou te falar; A Nessie sofreu um acidente hoje pela manhã em casa. Ela caiu da escada. Não sabemos quando e nem como foi esse acidente, mas Santiago foi rápido em socorrê-la e a trouxe para cá. Leah está há horas com ela lá dentro. O máximo que sabemos até agora é que ela está em uma cirurgia de emergência.

O moreno apertou os olhos com força, a mandíbula apertada e o pulsar de sua têmpora demonstravam toda a aflição. Cada entranha de seu corpo estava sofrendo choques dolorosos devido a cada palavra proferida de Rachel, chegando até seu peito. O ar estava lhe faltando, de repente aquela sala ficou extremamente pequena e asfixiante.

— Só me fala que ela está bem e a minha chaveirinho também. — apenas um sussurro deixou os lábios carnudos do moreno e pela primeira vez em anos, Jacob chorou como o menino que perdeu os pais de forma prematura e trágica. Um soluço agonizante e profundo, vinda da alma, vindo da dor... Rachel imediatamente acolheu o irmão em seus braços, confortando-o. Embry e Quil deixaram as respectivas mulheres emocionalmente abaladas e foram até os irmãos.

Os quatro se abraçaram como anos atrás, quando choraram pela morte dos pais. Aquele gesto raro e fraterno simbolizava para os irmãos que eles sempre estariam juntos se apoiando em cada alegria e dor.

Mesmo em um momento tão triste a cena era bonita de ser apreciada. Os quatro irmãos choravam abraçados juntos.

— Elas vão ficar bem. — disse Rachel carinhosamente. A voz terna e maternal fez a sensação de bolo se apertar na garganta de Jacob, que passou a chorar ainda mais ao ponto do corpo dar pequenos espasmos.

Minutos se passaram e os irmãos permaneciam abraçados chorando. Ninguém ousava quebrar aquele momento, no entanto, a presença tão aguardada há horas acabava de entrar na sala privada.

Leah tinha a fisionomia abatida e parecia exausta, nas mãos segurava uma touca de tecido rosa com estampa de HelloKitty. O pijama verde de centro cirúrgico tinha alguns respingos de sangue.

— Leah! — Emily foi a primeira a avistar a morena entrar.

Todos imediatamente olharam para a porta de entrada da sala, a médica ainda estava parada olhando para touca que amassava entre as mãos, ela buscando em sua mente as palavras certas para usar naquele momento. Leah como médica já havia passado por aquele tipo de experiência diversas vezes, mas nenhuma delas envolvia alguém de sua amada família.

Lancarter foi o primeiro a correr para abraçar a esposa. Ele também como médico sabia que aquela expressão tão vaga da esposa estava diretamente relacionada a fatos negativos.

— Me ajuda com o Jake. — Leah sussurrou no ouvido do loiro. — As notícias não são nadas boas.

— Leah... Leah, cadê a minha Nessie? Eu quero vê-la. — Jacob soltou-se dos irmãos e correu na direção da prima, arrancando-a dos braços do marido. — Fala alguma coisa, porra! Aonde esta a minha Nessie? — mesmo nervoso a sua voz mantinha o tom de suplica.

— Calma, Jake, assim você vai machucá-la. — Lancarter advertiu, puxando a esposa de volta para segurança de seus braços fortes.

Jacob franziu o cenho. Será que ninguém entendia quando ele perguntava pela esposa ele de fato queria uma resposta plausível e concreta?

— Calma é o caralho! — esbravejou o moreno, pegando uma das cadeiras que havia na sala e a arremessando em uma das paredes de vidro, que só não quebrou por ser resistente a impacto e de vidro temperado.

Leah o interrompeu rudemente. Ela na mesma hora identificou as características que demonstravam que o primo estava drogado e bêbado. Todos estavam chocados com a explosão de agressividade de Jacob, até mesmo os homens.

— Jacob, se acalme ou eu saio e só retorno quando estiver pronto para ter uma conversa séria. Não é o momento pra você dá um de seus ataques de loucura e descontrole. Isso não vai mudar nada!— bradou a médica.

— Leah, por favor, como está a Renesmee? — Claire perguntou entre os soluços, ela estava desesperada por informações da melhor amiga. Renesmee era a sua irmã de alma.

Todos estavam com os nervos à flor da pele. Tinham passado horas aguardando por qualquer informação no quadro da Amish grávida.

— Pelo amor de Deus! Fale logo, Lee. — Rachel pediu em suplica a prima. Jacob respirava fundo tentando se controlar, as mãos passavam furiosamente pela face e nos cabelos curtos.

— Como está a minha esposa? — Jacob perguntou tentando forçadamente se mostrar calmo.

— Ok, vamos a minha sala pra conversamos.

— Porra, Leah, fale logo. Não tem merda nenhuma que precise esconde de nós. Você sabe muito bem que não temos segredos na família. — Quil ditou impaciente com todo aquele rodeio que a prima estava fazendo. Ele já estava nervoso, se pôs no lugar do irmão. – Para de enrolação, todos estão nervosos e o Jake...

Leah naquele momento compreendeu que todos os homens ali presentes estavam bêbados e drogados, inclusive seu esposo. A raiva a dominou. Ela não iria poupar palavras ao dá a notícia ao primo, ele merecia o choque de realidade.

— Ok!— assentiu em tom duro, porém exasperado. — A Nessie deu entrada no hospital essa manhã após sofrer uma queda na escada de casa. O estado dela é estável, mas inspira cuidados... — Leah começou a falar, mas foi interrompida.

— Eu quero vê-la. — exigiu Jacob.

—Calma ai, Jake. Eu ainda não terminei. — Leah o repreendeu. Ela mantinha a expressão séria. — Na queda, Renesmee bateu com a cabeça e a barriga, fora que provavelmente na tentativa de se segurar em algo pra tentar evitar a queda, ela acabou fraturando o braço e tornozelo esquerdo. Teve um corte mais profundo na testa, mas já foi devidamente suturado com ponto de plástica. Renesmee teve um traumatismo craniano leve, mas devido ao inchaço cerebral e aos outros traumas físicos que sofreu a equipe optou por deixá-la em coma induzido. Ela perdeu muito sangue, o que agravou seu quadro de anemia. Foi feito transfusão de sangue, mas ela precisará de mais algumas bolsas de sangue. Com relação ao trauma na barriga esse afetou diretamente a placenta, comprometendo a oxigenação do feto e por consequência a sua vida. Eu não tive outra escolha a não ser fazer uma cesariana de emergência. Seria a única forma de dar alguma chance para a bebê sobreviver, pois estávamos perdendo-a. Ela morreria se não retirássemos imediatamente do útero da Nessie.

— Pera ai! — Jacob estava desesperado, ele sabia que ainda faltavam várias semanas para o nascimento da filha. — Que historia é essa de cesariana?

— Jacob, sua filha já nasceu e está nesse mesmo momento lutando pela vida. — Leah controlou a vontade de chorar. Mesmo com raiva do primo a situação era muito grave. — A Renesmee irá se recuperar em poucas semanas, mas a chaveirinho já nasceu e... E... E teve uma parada cardíaca nos primeiros minutos de vida.

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Rachel começou a chorar agarrada a Paul. Claire não compreendia nada que estava sendo dito, mas quando Quil lhe abraçou tão fortemente ela soube que se tratava de algo muito sério. Ela deixou as lágrimas se apossar e transparecer o que sua alma sentia naquele momento. As outras mulheres também choravam abraçadas aos esposos. A brasileira grávida sentiu seu estômago revirar com força, mas tentava se controlar, não era hora de voltar todas as atenções para ela.

Jacob estava atônito. Suas pernas deixaram de sustentá-lo. Ele sentiu seu enorme corpo cair sobre a cadeira.

— Jacob, você está compreendendo tudo? — Leah questionou preocupada com o primo. Nunca tinha visto Jacob naquele estado, nem na morte dos pais e tios.

— Quais as chances dela? — após alguns segundos em silêncio a voz sempre tão grossa e imponente, agora se pronunciava em apenas um fraco sussurro. — Quais as chances que a minha filha tem de sobreviver? — ele enterrou a face nas mãos.

— Jacob, eu fiquei todo esse tempo lá não pela Nessie, ela está na UTI para observação, mas está estável e bem. O motivo que me levou a ficar até agora lá dentro foi por causa da bebê. — Leah puxou o ar com força para seus pulmões, a sensação de estar sendo asfixiada era agonizante. — Lembra-se de toda a minha preocupação com o peso e tamanho dela? Isso só agravou agora com a prematuridade. Ela tem o desenvolvimento dos órgãos compatíveis para um bebê entre 25/26 semanas, o que de certa forma é bom, mas o tamanho e peso estão muito abaixo do esperado para o tempo gestacional que a Nessie estava. Ela nasceu com 395 gramas e 22 centímetros. Isso é muito abaixo do esperado. Seus órgãos estão todos imaturos, nenhum está totalmente desenvolvido. Ela respira, se alimenta... Faz tudo com ajuda de aparelhos. Cada dia de vida será uma vitória pra ela. Ela já é uma guerreira só por ainda estar viva até agora em algumas horas, mesmo depois de duas paradas cardíacas.

— Quais as reais chances dela sobreviver? — Jacob repetiu a pergunta já feita para a prima, sua voz era fria e sem emoção. O moreno estava destruído por dentro, ele nunca tinha se sentido assim na vida.

— De no máximo 30% de chances de sobrevivência. Isso porque a equipe está sendo bastante otimistas. — Leah deixou uma lágrima escapar, ela não aguentava mais tentar ser forte. Ela amava aquela criança como se fosse sua. — Aquele pinguinho de gente já é uma guerreira, esta lutando valentemente pela vida. Ela quer viver! — tocou no ombro do primo pra tentar lhe passar um conforte que nem ela mesma sentia.

Todos agora choravam. Até os homens mais durões daquela tão temida família estava em luto e dor.

Jacob chorou! Chorou como um garotinho assustado. A dor emocional que ele estava sentindo era tão grande que chegava a ser física. Jacob nunca se sentiu tão na escuridão como agora. Sua vida não tinha mais luz, paz ou beleza. As suas razões pela qual o fazia viver estavam gravemente comprometidas. Sua vida parecia agora sem qualquer sentido. Nem mesmo os braços fortes e aconchegantes de seus irmãos lhe devolveram a paz.

Notas finais
Uoooou! Que foi isso minha gente? Só nós que vimos o mundo de Jacob abrir uma cratera? Gente, e não é que o homem tem mesmo um coração. Se alguém tinha dúvidas dos sentimentos dele pela esposa acho que agora ficou claro que por trás da grande rocha há uma bela gelatina kkkkkk. A pergunta é: Jacob tem tanta força pra segurar essa barra? Sério gente, o capitulo foi tenso e sei que muitas irão perguntar... A bebê morre? O.o Não iremos responder essa questão. Leah deixou claro que ela está lutando e................ Vamos acreditar na palavra da doutora hehehe, então segurem seus corações cor de rosa e deem uma lufada! Vamos aguardar o próximo. Opiniões? Sugestões? Críticas? Não deixem de expressarem lá nos comentários, levamos em conta tudo o que o leitor relata. Beijinhos até o próximo! ;)