Two Lives: A Destination
42 Tlad - 39
Notas iniciais
TWO LIVES: A DESTINATION
Jenniffer quis matar a amiga por ter falado demais, porém agora não tinha mais volta, às mulheres também já sabiam de uma parte do passado delas que ambas tentavam esconder. Não demorou muito para que novos questionamentos surgissem: qual escola de samba Jenniffer desfilava, por quantos anos desfilou, como eram as suas fantasias... Perguntas essas que ela não queria confidenciar a ninguém, era uma parte do seu passado que agora – com a morte de Beto — estava enterrado para sempre. Barbara também não pode mais fugir das perguntas que lhe eram feitas, já que como vingança pessoal e até um pouco infantil, Jenniffer havia confidenciado sobre o funk na vida da morena. Barbara era apaixonada pelo ritmo e na época que estava com Viny, sempre estava nos bailes semanais que o ele promovia nas comunidades.
A curiosidade era inevitável, e por fim, ambas as brasileiras tiveram que prometer que ensinariam as coisas de seus passados que elas odiavam lembrar que existiram. Na verdade, todas queriam aprender a sambar e a dançar funk, até as amish estavam empolgadas para verem como eram às tais danças.
– Amor... Jared... – Kim gritava pelo esposo que logo apareceu ao seu lado. – Você sabia que a Jenny desfilava como rainha de bateria? E que no ano que nós estávamos lá assistindo os desfiles ela já desfilava? Não é uma consciência bem legal tudo isso?
– É sim. Acho que o Embry comentou algo do gênero, mas não me liguei muito. – Jared respondeu superficialmente, ele viu o desconforto em que a loira estava.
Kim, assim como as demais, não sabia o que realmente tinha acontecido na vida das brasileiras, sabiam somente que elas tinham ex que as perseguiam, os detalhes sórdidos nunca foram contados a elas.
Mais afastado dali os rapazes preparavam o churrasco. Paul não conteve a curiosidade e procurou em seu iPad fotos da cunhada e da namorado do primo no carnaval carioca. Como ele sabia qual escola elas desfilaram, foi fácil achar. Embry e Seth estranhando o que acontecia, já que o iPad passava de mão em mão por seus primos e irmãos, pegaram o aparelho e quase quebraram ao ver o que tinha na tela. Eram fotos das namoradas deles seminuas, além do fato que em muitas dessas fotos elas estavam com Beto e Viny agarrados em suas cinturas.
Durante o almoço o clima ainda estava pesado. As brasileiras tentavam distrair as mulheres para não tocarem mais no assunto e não precisarem dar as tais aulas de dança. Já Seth e Embry estavam com raiva dos demais por ousarem ver fotos de suas namoradas em trajes pouco apropriados.
Após o almoço, do qual Renesmee e Jenniffer comeram pouco devido ao calor que inibia o apetite das gestantes, as brasileiras não tiveram mais como evitar as aulas. Se dando por vencidas, já que Rachel tinha até posto um samba enredo para tocar, elas começaram a ensinar o que sabiam. Todas estavam animadas em aprender os ritmos brasileiros, até as amish participaram da brincadeira, mesmo evitando dançar de forma tão sensual e provocativa. Claire até ousava um pouco mais que Renesmee.
Seth e Embry ficaram ainda mais enfurecidos ao verem as suas mulheres dançando tão sensualmente, e isso deu uma ideia a loira: ao invés de ignorar, ela iria provocar o namorado fazendo coisas que o deixavam irritado. Ela sorriu com o plano infantil, mas bem eficaz. No fim, Embry de tão irritado que ficou desligou todos os equipamentos de som com ajuda de Seth. Ele gritava que aquilo iria fazer mal ao bebê, pois a loira não parava de chacoalhar.
Depois que passou o estresse da cena de ciúmes que os mais novos protagonizaram, todos voltaram a conversar de forma tranquila.
– Acho que agora nós já podemos ir à praia. – sugeriu Jacob. – O sol está mais fraco, não será mais tão agressivo para a Nessie, para a Claire e até para a Jenny, já que elas são muito branquinhas.
Passava-se das quatro horas da tarde, o sol já estava bem mais fraco.
– Ótima ideia. Eu quero mostrar o mar para minha gatinha. – Quil enlaçou a cintura da esposa e selou os lábios com paixão.
– Posso fazer uma pergunta pra vocês? – Barbara falou após observar todos os casais e receber incentivo para fazer a pergunta. – É uma preferência, foi combinado ou vocês ainda não tinham se ligado que todos os irmãos Black escolheram mulheres loiras e os Clearwater escolheram somente as morenas? Com exceção das mulheres da família que fizeram exatamente o oposto.
Todos analisaram o que a brasileira disse e constataram ser a mais pura verdade. Riram dessa consciência, pois jamais tiveram preferência por cor, raça ou estilo, para eles bastava serem mulheres lindas e gostosas.
– Foi por pura consciência, jamais tínhamos reparado nisso até você falar. – Sam sorriu ao beijar sua esposa. – Essa morena me fisgou desde o primeiro momento.
– Menos Sam... Bem menos. – Emily contradisse. – Sabemos que não foi bem assim, você levou quase um ano até se dá por vencido e me pedir em namoro. – se referiu a todos os meses que sofreu por amar e não ser correspondida, uma vez que Sam – com todos os outros homens da família — lutou muito em demonstrar o que estava sentindo.
Os que acompanharam a história do casal desde o começo riram com a lembrança.
– Eu sempre gostei de morenos, deve ter sido a convivência em excesso. – Rachel também brincou, referindo-se aos irmãos e primos, todos morenos e belos, tanto que se casou com o único que não tinha vínculo sanguíneo.
– Ainda bem que os Clearwater preferem as morenas. – Kim disse sorrindo. – Sorte foi a minha de conseguir fisgar esse moreno lindo. – Jared pegou a esposa no colo, que circulou as pernas em sua cintura. O beijo que trocavam era quente e cheio de luxúria.
– Não comecem vocês de novo, a sauna já está sendo ocupada pelo Jasper e Alice. – Seth falou maldosamente. – Vamos logo para praia que eu quero pegar umas ondas.
– Ótima ideia. – Emmet aprovou de imediato.
Os casais seguiram em direção à praia, que era uma extensão do quintal da mansão. Na parte que a casa da família se situava havia um paredão rochoso, o que isolava a casa das demais da região e tornava a praia privada.
Renesmee e Claire estavam ansiosas como duas crianças, afinal, elas nunca tinham visto o mar, só sabiam que existia devido às aulas de geografia que tinham na escola da comunidade.
Assim que os pequenos pés tocaram pela primeira vez a areia fofa e morna, Renesmee parou e agauchou-se ao chão, pegando a areia dourada e sentindo a textura. Ela estava fascinada. Seus olhos buscaram o do esposo, que estava admirando a bela imagem. Renesmee tinha os olhos com um brilho único, inocentes e sonhadores, tudo isso encantava ainda mais Jacob. Ela era a encarnação de um anjo na terra, o moreno sempre se perguntava o que fez pra merecer tal graça.
– Jake, isso é tão lindo. – o fascínio transbordava em seus olhos. – Nunca vi nada tão bonito e perfeito.
Jacob se agachou na altura da esposa, segurou com as duas mãos cada lado de seu rosto e selou ternamente os lábios rosados.
– Isso porque você ainda não viu o mar. – sussurrou ao soltar os lábios da loira. – Venha que eu quero te mostrar. – levantou-se ajudando a esposa a se por de pé.
Muitos olhavam a cena, tanto Renesmee e Jacob como Claire e Quil protagonizava uma reação similar. Todos sabiam o quanto marcante é ver o mar pela primeira vez.
Renesmee caminhava com auxilio do esposo pela areia, sentiu certa aflição em pisar descalça naquela superfície irregular. Não que não estivesse adorando a sensação, mas era diferente, só isso. Nem ruim, nem bom... Apenas diferente.
Gritos foram ouvidos e os olhares se direcionaram para o casal que corria em direção ao mar, Quil estava com Claire no colo, que gritava pedindo pra colocá-la no chão. Ela estava com medo de entrar no mar, tudo era tão grande e misterioso, era um pouco assustador. Quil ignorou totalmente os apelos da amada e entrou mar à dentro com ela ainda em seu colo, a água estava gelada, o que arrancou um gritinho da loira e um muxoxo do moreno. Claire desesperada por não encontrar equilíbrio se agarrou ao pescoço de Quil, que aproveitou para beijá-la com fervor.
– Nem pense nisso. – Leah advertiu ao perceber a intenção do primo. – Ela não deve ficar nervosa e agitada, entre no mar de forma mais sutil e calma. Sei que todos vocês são malucos, mas não é esse tipo de emoção que a Nessie precisa no auge dos seis meses de uma gestação delicada. – cortou logo o barato de Jacob, que tinha a intenção de fazer com ela o mesmo que o irmão mais velho fez com a esposa.
– Ok, general. – bateu continência para prima, que riu sem humor. – Vem Nessie, vamos entrar no mar um pouco.
– Não Jake, eu estou com medo, é tudo muito grande. – disse com desespero.
– Você não confia em mim? – estendeu a mão para a grávida, que prontamente aceitou. – Nunca deixarei nada acontecer com você e com a nossa filha, vou sempre cuidar e tomar conta de vocês. – alisou o ventre que carregava sua filha, numa clara demonstração que a promessa de proteção se estendia ao bebê também.
Enquanto Jacob caminhava em direção ao mar com Renesmee, muitos sentavam nas cadeiras e espreguiçadeiras postas na areia mais cedo pelo caseiro, já os homens voltavam de um tipo de depósito que ficava ali na areia mesmo, eles traziam pranchas de surfe em seus braços fortes.
– Olhem como eles estão felizes, isso faz sentir-me ainda mais completa. – comentou Rachel ao ver os dois irmãos no mar com suas respectivas esposas amish.
– Chega a ser surreal pensar que elas viveram anos trancadas em uma comunidade isolada do mundo. – Rose completou.
– Isso é muito louco. — Barbara mencionou. – Ontem Seth me explicou o que significa ser amish, eu acho que não tem essa religião no Brasil.
– E por que a nossa outra gravidinha está com esse olhar tão distante? – Leah perguntou ao ver como Jenniffer estava dispersa ao fitar fixamente o mar.
As mulheres olharam em direção a brasileira loira.
– Acho que a praia e o mar me fizeram lembrar o Brasil, o Rio de Janeiro, o clima... É só uma momentânea saudade da minha cidade natal. – deu de ombros, fingindo uma indiferença que não sentia naquele momento. – Acho que vou dar um mergulho pra matar a saudade do mar. – se pôs de pé e caminhou em direção ao mar, mas no percurso sua atenção se prendeu em algo que não via e fazia há algum tempo.
Sem hesitar a loira pegou a prancha que estava enterrada na areia e começou a correr em direção imensidão azul, porém, antes que seus pés tocassem a água e seu corpo repousasse sobre a plataforma rígida da prancha, mãos a contiveram e retiraram o peso de seus braços. Ao longe os gritos a despertavam do transe.
– O que? – perguntou confusa olhando para o homem que segurava seu braço e que havia tomado a sua prancha.
– O que você pensa que está fazendo? – Embry perguntou nervoso.
– Ué, eu vou surfar. – Jenniffer disse como se fosse óbvio. – Por quê? Qual é o problema agora?
– Jenny, você enlouqueceu? Estava pensando em surfar? – agora era Barbara quem questionava a atitude da amiga.
Foi então que a loira viu que um grupo se aglomerava ao seu redor, ela não estava entendendo nada.
– Eu sempre surfei, não vejo problemas nisso. Eu sou carioca e morei anos de frente para praia, fazia isso todos os dias. – se referiu ao tempo que foi casada com Beto, pois em sua infância morava há muitos quilômetros de uma praia.
– Jenny, você está grávida. – elucidou Seth.
Parecia óbvio até para os homens da família.
– Gravidez não é doença. – cortou irritada. – Não estou inválida ou impossibilitada, estou cheia de saúde, meu filho cresce saudável e seguro.
Embry olhou em suplica para a prima, estava nervoso e tinha medo de ser duro com a namorada, piorando assim a sua situação já complicada.
– Jenny minha querida, nós já conversamos sobre sua gravidez e o quanto delicada ela será nesse primeiro trimestre. – Leah começou a explicar carinhosamente. – Surfar esta fora de cogitação. Você pode cair de mau jeito, a prancha pode bater em sua barriga, o impacto de uma onda em seu corpo pode lhe causar um trauma, principalmente se for em seu abdômen.
– Aaaah! – limitou-se em responder sem graça.
Ela estava tão nostálgica que se esqueceu de pensar isoladamente no que estava pretendendo fazer, nos riscos que poderia gerar na sua gravidez e para seu filho.
– Ai amiga... Só você mesmo. — Barbara sustentava um sorriso divertido nos lábios bem delineados. — Sempre tão desligada e desatenta a tudo.
– Baby, se quiser podemos dar uma volta de lancha. – Embry sugeriu malicioso. — Relembrar como nosso moleque foi feito. – disse sem pudor, deixando a namorada vermelha de vergonha.
Todos riram pelo que ele tinha falado.
– Embry! — a brasileira repreendeu o namorado, se pudesse ela cavava um buraco e se enfiava nele.
– Pelo amor de Deus! A lancha foi toda lavada e higienizada. — Paul avisou, caindo na gargalhando logo depois.
– Acho a ideia válida para todos nós, podemos dá uma passei de lancha. — opinou Emmet.
Os demais se animaram com ideia de um passeio de lancha no fim da tarde, quem sabe, até ver o pôr do sol em alto mar.
– Pra mim não vai rolar. Eu estou enjoando com tudo e por tudo em terra firme, quem dirá em alto mar. — Jenniffer negou veemente, só a possibilidade já a enjoava.
– Não acho uma boa ideia nem pra Nessie, nem pra Jenny. A lancha bate demais no mar e elas com certeza vão passar muito mal. — Leah informou dando sua opinião como profissional.
Por fim, acabou que somente uma parte da família foi para o passei em alto mar. Jacob, Renesmee, Embry, Jenniffer, Rachel, Paul e Leah – fora os gêmeos e a babá deles — ficaram para ver o pôr do sol na praia privada.
Era lindo de ver o momento que o sol tocava o mar, e pra dentro dele, sumir além do horizonte. Renesmee e Jenniffer choraram pela emoção, a beleza da cena e a sensibilidade do momento deixam as gestantes mais emotivas.
Paz! Era tudo que naquele momento eles sentiam.
TLAD
O dia havia acabado de amanhecer, o sol ainda estava baixo no horizonte, mas a movimentação dentro e fora da mansão já era grande. Alice corria por baixo e para cima tentando dar conta do grande evento que aconteceria algumas horas mais tarde. Depois de muito pedir para a noiva, ela tinha ficado responsável pela organização da cerimônia e da festa de casamento da única mulher dos irmãos Clearwater.
Leah estava ansiosa, porém, serena. Ela se casaria com o homem de sua vida, com o homem que a completava e a aceitava exatamente como ela era.
Na verdade, o casamento seria mera formalidade, uma vez que o casal já dividia o mesmo teto há muito tempo.
– Minha deusa suprema, eu vou te deixar a noiva mais linda que Hamptons já teve! Como se isso fosse difícil, você é divina — Tadeu falava entusiasmado, já louco para começar a trabalhar nas longas madeixas negras da noiva.
– Você sabe que eu não confiaria em mais ninguém para me pentear e me maquiar no meu grande dia!
– Eu sei que você me ama e que sou o melhor no que faço. Eu juro que se gostasse da fruta, Lancarter não teria chances. – ditou convencido e nenhum pouco modesto. – Mas me conta um babando. — Tadeu sussurrou, ele adorava uma fofoca. — É verdade que acabaram os solteiros da sua família? Não me diga que até os dois novinhos delícia já estão comprometidos?
– Estão sim! — Leah gargalhou com o bico e cara de choro que o amigo fez. Como se um dia Tadeu teria chances com um de seus irmãos ou primos. — Embry até vai ser pai em breve.
– Que espertinha essa gata, deu logo um jeito de se amarrar ao bofe! – piscou e sorriso malicioso para a morena. – O meu sonho de consumo sempre foi ter um rolo com um dos homens da sua família, só tem Deus grego, é o próprio Olimpo aqui na terra, mas os que realmente me fazem ovular só de olhá-los é o Jacob, o Seth, o Embry e o Paul. Que Rachel não me ouça falar isso. – arregalou os olhos e cobriu a boca com a mão. — Eles sempre me deixam com a calcinha molhada. — ambos gargalharam com a besteira que foi falada.
– Deixa de ser maldoso, Tadeu! Pelo que soube o Embry que foi o culpado. — Leah repreendeu o amigo e cabeleireiro de longa data, mas a morena não conseguia ficar séria por muito tempo ao lado do gay. — O Jake também vai ser papai em pouco tempo, mas a esposa dele você já conhece. É a Renesmee, aquela loira linda e delicada que você até chamou de sua tela em branco.
– Aike babado! – gritou de forma bem afetada. — Ela é muito linda mesmo, já até imagino a cria daquelas encarnações de Adônis e Afrodite. Tomara que seja um boyzinho, quem sabe, seja um presente dos deuses para o Tadeuzinho aqui! — bateu palmas e dava pulinhos sem sair do lugar.
– Não querendo acabar com a sua empolgação exagerada, mas já jogando um balde de gelo em você, será uma princesinha.
– Minha diva master deve está quicando de alegria. — referia-se a Rachel. — Vai ser a boneca dessa família cheia de testosterona, a princesa mais mimada da grande Manhattan.
– Isso é verdade, até porque já fiquei sabendo que o do Embry será um menininho.
– Aike Maravilha! A segunda geração de Deuses gregos já está no forninho assando! — suspirou sonhador. Tadeu era louco pelos homens daquela família. – Mas vamos parar de fofocar, temos que começar os trabalhos. – começou a tirar os produtos de sua maleta rosa e distribuí-los na penteadeira. — Hoje você será a própria definição da beleza, minha Deusa Mor!
Leah gargalhou com vontade, Tadeu tinha o poder de descontrair qualquer ambiente tenso e estressante.
– Só você mesmo pra me fazer gargalhar, Tadeu. – balançou a cabeça após se recompor. — Como estão os preparativos lá fora? Conseguiu uma equipe para arrumar e maquiar todas as mulheres da minha família? — Leah perguntou preocupada.
Como os noivos escolheram se casar na região de veraneio da família, tiveram que deslocar todos os serviços para o balneário de Hamptons.
– Não precisa se preocupe com nada minha deusa, aquela personificação de fada satânica é impossível — referia-se a Alice. — O que ela tem de baixinha, ela tem de eficaz e perseverante. Você acredita que ela conseguiu tudo e mais um pouco? Cada cômodo da mansão está sendo utilizado para fazer um serviço, como se fossem minis- salões especializados, só a sua suíte que foi preservada para lhe arrumar com privacidade. Alice é boa no que faz, mas te confesso uma coisa. – levou uma mão na cintura e balançava o pente rosa ao falar. — Se ela demorasse mais cinco minutos para nascer, teria vindo só a purpurina. — gargalhou maldosamente.
A morena não se conteve e entrou no clima da brincadeira também.
Mesmo com muitas conversas e brincadeiras, o serviço era eficientemente realizado. Leah era mimada por toda a equipe designada em atendê-la, ninguém permitiu que ela saísse da suíte, um verdadeiro Spa tinha sido montado em seu quarto só para cuidar das suas necessidades como noiva. Fora os outros quartos que foram equipados para atender e arrumar as outras mulheres da família.
Inevitavelmente a cada hora que se passava uma ansiedade brotava na noiva. Leah nunca sonhou com uma grande festa de casamento, pelo contrário, sempre preferiu algo mais íntimo, só pra família, amigos da época do colegial e faculdade, alguns colegas do hospital e da clínica em que trabalha. Mesmo sendo um o evento íntimo, seria bem grandioso, com isso, a informação acabou vazando nas colunas sociais das melhores revistas e jornais de New York. Leah era uma das herdeiras da fortuna da família Black- Clearwater, cuja sociedade os viam como os empresários renomados e muito bem sucedidos, donos de um império de milhões de dólares.
A cerimônia religiosa e a festa teriam cobertura de um colunista de uma grande revista, mas para a noiva o que realmente importava era está celebrando a sua união junto aos que amava e torcia por sua felicidade.
– Querida, terminei a sua maquiagem e o seu cabelo. Você está divina como sempre, digna de uma Deusa. — Tadeu olhou orgulho o trabalho que havia feito, realmente havia superado as suas expectativas.
Leah estava lindíssima com uma maquiagem que marcava seus lindos olhos castanhos escuros, os seus lábios estavam pintados em um tom de rosa delicado e os cabelos estavam presos em uma trança embutida estilizada, com aplicações de delicadas flores. O frio na barriga já se fazia presente, a hora estava chegando, agora ela só precisaria por o vestido e os acessórios.
– Posso entra? — batidas foram proferidas e logo depois ouviram a voz tão conhecida pela noiva. — Como você está linda, perfeita! – Rachel suspirou encantada. — Vim ajudá-la a terminar de se arrumar. – comunicou a prima.
Leah e Rachel eram como irmãs, elas eram as duas únicas mulheres de uma família predominada por homens, por isso, sempre foram imensamente amadas e superprotegidas.
– Olha quem fala... Você está magnífica. — Leah também admirou a prima, que estava lindíssima em um vestido frente única Versace no tom rosê. Ele vinha bem justo no corpo e a saia abria abaixo do quadril, além, é claro, de uma fenda que ia até o meio da coxa bem torneada da morena. A maquiagem era bem marcante e os cabelos negros estavam presos em um coque frouxo, com fios soltos de forma displicente.
– Nem que eu me cobrisse toda de ouro hoje, teria alguém mais bela que você. — sorriu orgulhosa. — Trouxe uma coisa pra você. – estendeu à caixinha. Leah arqueou a sobrancelha, sustentando uma cara interrogativa. — Algo novo você já tem que é o seu vestido, mas agora está faltando algo velho, emprestado e azul. Acho que isso se enquadra nas três últimas opções.
Rachel abriu a caixinha preta, nela continha uma linda e delicada pulseira de diamantes e safiras. A jóia tinha pertencido a sua mãe, Sarah Black. O presente foi dado pelo marido quando ela havia tido seu primeiro filho homem – Quil -. Todas as jóias que um dia pertenceu a Sarah haviam sido entregues a sua única filha, Rachel.
– Rachel! — Leah falou emocionada. Ela sabia o quanto cada jóia que pertenceu a sua tia era importante para prima. Rachel mesmo quase nunca as usava, eram para serem admiradas somente. — Eu não tenho palavras para descrever o quanto estou emocionada por usar uma jóia que foi da tia Sarah em meu casamento, nem você usou uma em seu próprio casamento.
– Isso é mais uma prova do quanto você é importante em minha vida, Lee. — abraçou a prima com ternura, tomando o devido cuidado de não estragar o cabelo e a maquiagem. — Seja muito feliz ao lado do homem que ama. Eu quero lhe ver brilhar lindamente lá naquele altar. Está tudo tão perfeito, combinando com você e o Ethan. Alice caprichou no bom gosto.
– Estou nervosa! — confessou Leah.
– Deixa de besteira, já basta o Lancarter está enlouquecendo os garotos. Paul o ameaçou dizendo que iria dar um tiro na bunda dele se ele não se aquietasse. Teu irmão quer te deixar viúva antes mesmo de você se tornar oficialmente a senhora Lancarter. — sorriram juntas. — Agora vamos colocar o seu vestido que já está na hora de se vestir, Tadeu daqui a pouco entra aqui e tem um ataque de purpurina! — Rachel disse divertida, arrancado uma risada espontânea da prima.
Rachel ajudou Leah a pôr os sapatos, as jóias, o vestido e a liga na coxa. Leah iria fazer a divertida brincadeira de o noivo retirar a peça na festa e arremessar para os solteiros. Ao contrário da tradução do buquê, que diz que a próxima a pegar irá se casar, o solteiro que pegar a liga permanecerá mais tempo nesse estado civil.
– Linda... Magnífica... Suprema! — Tadeu retornou para o quarto exatamente no momento que Leah se admirava no espelho, já estava toda vestida. A bicha batia palmas e tecia elogios à morena, que realmente estava divina em um belíssimo vestido assinado por Vera wang.
Tadeu lhe entregou um lindo buquê de rosas, lírios e orquídeas, todas na cor branca. As mãos da morena tremiam, ela estava nervosa e ansiosa, há hora estava se aproximando, em breve diria o tão famoso sim perante seus amigos e familiares.
Rachel deixou a prima sozinha por uma momento, precisava conferir se já estava tudo pronto para o início da cerimônia, além de verificar se seus filhos estavam bem aos cuidados da babá e do pai.
[...]
A impaciência e a ansiedade estavam deixando o loiro louco, ele andava de um lado para o outro, falava e perguntava as mesmas coisas repetidas vezes, irritando assim os demais, que já não eram um poço de paciência e tranquilidade.
– Caralho Lancarter, você está me irritando. – Jacob disse após sorver um pouco do líquido de cor âmbar. O médico estava tirando-o do sério, o que já não era uma tarefa difícil. Todos os homens da família estavam prontos e arrumados, aguardando na praia somente o início da cerimônia. — Daqui a pouco eu vou acabar dando um tiro em você, e olha que pra sumir com o seu corpo não será problema nenhum pra gente.
Há horas Lancarter estava se mostrando agitado e nervoso, a ansiedade brotava de cada poro de seu corpo. Leah era a mulher da sua vida, amava-a acima de tudo, ao lado dela ele encontrou amor, amizade, felicidade e uma família – mesmo não tão perfeita assim. Eles praticamente já moravam juntos, pois um vivia na casa do outro, mas agora seria oficial, ele daria seu sobrenome à mulher que seria sua companheira para o resto da vida. Assim era seu desejo.
– Eu estou nervoso, ok? – Lancarter confessou irritado após constantes questionamentos sobre seu estado de espírito. – Agora tudo será diferente. Mesmo que já nos considerássemos como casados, agora é oficial, seremos marido e mulher de forma plena.
– Ah, vai se foder! Já dorme com minha irmã há anos, não faz mais que sua obrigação casar-se com ela. – Paul ditou autoritário. — Casamento é só uma mera formalidade, uma palhaçada para agradar o ego da mulher. – demonstrou indiferença, virando logo depois o copo de whisky que estava em suas mãos.
– Deixa a minha irmã escutar você falar assim... Vai dormir no escritório até a maior idade dos gêmeos. – Embry gargalhou da careta que o cunhado fez ao lembrá-lo da esposa, que tinha exatamente o gênio péssimo dos Black. Era muito provável que ela realmente o colocasse pra dormir no escritório por tempo indeterminado.
– Casamento não é besteira, mas também não preciosa ficar que nem uma virginzinha em seu primeiro baile, ansiosa pra perder o cabaço. – Jared debochou do cunhado que não parava quieto um único minuto.
– O Jake foi o noivo mais hilário da família. – lembrou Seth. – Tinha mais olheiras que um panda, estava esgotado de tanto que comeu puta na despedida de solteiro... – sorriu com as lembranças, mas logo olhares fulminantes foram lançados em sua direção.
– O casamento do Jake não conta, nem deveríamos mencioná-lo aqui. – Sam cortou o irmão antes que o assunto se prolongasse e acabasse em uma briga.
Todos sabiam que Jacob não gostava de ser lembrado do teatro que havia feito com a mulher que hoje amava acima de tudo.
– Cala a porra dessa boca. – gritou com o primo, já avançando em sua direção, mas foi contido pelos irmãos. — Não ouse abrir a merda dessa boca pra falar alguma gracinha sobre o meu casamento. Já foi... Não estou afim de flashback. Hoje tenho consciência dos meus atos, e já tratei de remedia-los. – limitou-se em dizer, não dando brechas para perguntas ou contestações.
– Foi mau aí, cara. – Seth se desculpou com o primo. – Não foi essa a minha intenção. Você sabe que eu me amarro na Nessie e a respeito pra caralho, foi só mesmo porque me lembrei do quanto estávamos todos loucões no dia, foi uma orgia e tanto.
Jacob não disse mais nada, só balançou a cabeça em sinal que desculpava o primo pelo pequeno deslize.
– Porra, eu estou muito puto. – Embry comentou do nada, atraindo olhares para si. – Há horas eu não vejo a Jenny. Ela havia passado mal, colocou todo o café da manhã e o almoço para fora, mas não quis que eu a ajudasse. Agora já faz horas desde que ela foi se arrumar naquela maratona louca que montaram nos quartos, e eu não sei como ela ficou. Sem contar que aquele viado maluco não deixa ninguém se aproximar de onde as mulheres estão se arrumando.
– Nem me fale, também estou puto pra caralho. – Jacob bufou irritado. – Não vejo a Nessie há horas, não sei nem se ela está precisando de algo.
– Deixem de exageros, se elas precisassem de alguma coisa, com certeza nós seriamos informados. — Jasper elucidou os demais.
– Eu não gosto daquele viado que faz o cabelo delas. – Paul comentou casualmente. – Ele nos olha de um jeito estranho... Só não acabo com a raça dele porque depois Rachel acabaria com a minha.
Todos concordaram com Paul, eles já haviam reparado em como os olhos de Tadeu os cobiçavam. Por isso que eles não simpatizavam com o gay.
– Puta que pariu! – Quil xingou, o que chamou a atenção de todos e desviou o foco da conversa. – Já vi que teremos problemas nessa festa de casamento. – todos seguiram a direção que o moreno olhava.
– Eu não terei problemas com relação a isso. – Sam sorriu ao falar. Jared, Paul e Emmet concordaram com ele. Eles sabiam exatamente que problemas Quil se referia. – Os meus problemas estavam todos no casamento da Rachel, já passei por isso. Boa sorte pra vocês. – gargalhou com os demais. Sam, assim como os outros mais velhos, nunca tinha ficado com uma amiga da irmã, mas com as amigas de Rachel... Foram muitas que ele pegou até conhecer a sua doce e sensual Emily, que ele também conheceu por intermédio da prima. Emily e Rachel fizeram faculdades juntas de arquitetura.
Conforme os convidados do casamento iam chegando e se acomodavam no local que seria realizado a cerimônia, rostos conhecidos preenchiam cada vez mais o lugar. Muitas das amigas de infância, colégio, faculdade e trabalho foram casos amorosos de algum dosthe Wolf, mas precisamente, dos quatro mais novos: Quil, Jacob, Seth e Embry.
Conhecendo muito bem a personalidade de algumas que ali estavam, eles sabiam que teriam problemas, pois eram muito atiradas e sem qualquer pudor, elas não respeitariam suas esposas ou namoradas.
Um bom exemplo era o caso das irmãs gêmeas Nathalie e Nicolle, que foi caso de todos os quatro em algum momento. Elas eram de família rica, não tinham conhecimento da vida dupla que os Black e Clearwater levavam, por isso eles teriam que ser sutis, não poderiam simplesmente colocar uma arma na cabeça delas e as ameaçá-las. As duas irmãs eram vadias da pior espécie. Na sociedade eram vistas como respeitáveis, mas na verdade, elas eram putas sem qualquer pudor ou limites, topavam absolutamente tudo. Foram ótimas para diversão, mas agora, elas seriam um possível problema.
Como já esperado, algumas ex vieram vez ou outra cumprimentá-los, se insinuando e oferecendo-se de bandeja para eles. Quil estremeceu por um momento, ele chegou a gostar de verdade de Karlie, uma amiga de faculdade de Leah. O relacionamento dos dois não foi à frente somente porque ele era muito jovem e imaturo na época, prezava farras e quantidades, não sentimentos e qualidades. Karlie havia balançado com Quil na hora que foi cumprimentá-lo, mas não o suficiente para fazê-los ter vontade de reviver o passado, hoje o seu presente e futuro o completavam plenamente. Claire mudou a essência de Quil, assim como Renesmee a de Jacob. Eles não se tornado perfeitos, muito longe disso, mas aprenderam a amar uma mulher.
– E aí, conseguiu sobreviver à prova de fogo? Ela está mais linda do que nunca. – Jacob perguntou baixo ao irmão, só ele sabia o verdadeiro sentimento que Quil um dia teve pela antiga namorada. Karlie, de certa forma, havia sido importante para o moreno.
– Acho que balancei um pouco. – Quil confidenciou ao irmão. — Fiquei me perguntando se tivesse lidado direito com o que sentia na época, se hoje ainda estaríamos juntos? Mas o que sinto pela minha gatinha é infinitamente maior. Claire é a única mulher, que não é nosso sangue, que me faz pensar que se preciso fosse, eu daria a minha vida por ela. Com ela eu tenho coragem de ser eu mesmo e também tento ser uma pessoa melhor.
– Acho que estamos nos tornando gays idiotas. – Jacob sorriu ao falar. – Nathalie e Nicolle vieram me propor uma festinha a três, tu sabe que me amarro nessa parada, mas a única coisa que me veio à cabeça foi a Nessie. Como uma amish virgem, sem qualquer malícia ou experiência, me faz abandonar um estilo de vida que amava levar? Só pode ser feitiço daqueles olhos turquesa.
– Isso é amor. – Sam se intrometeu, ele havia escutado a parte final da conversa dos primos. – Simples e complexo sentimento chamado amor. O amor que um homem sente por uma mulher. Vai por mim; vale muito a pena. – confessou sincero por experiência própria. Depois que muito relutou pelo que sentia, decidiu se entregar ao sentimento, e hoje, ele era imensamente feliz ao lado de Emily. — Mas agora vamos que Alice mandou nos chamar, o casamento já vai começar. Ainda bem, porque já estava pensando em por botas de concreto nos pés de Lancarter e jogá-lo em auto mar. – disse com um sorriso perverso nos lábios. Jacob e Quil sorriram juntos.
A cerimônia foi linda e emocionante, Leah e Lancarter haviam escrito os próprios votos, o que tornou tudo ainda mais romântico e único. Os noivos estavam visivelmente emocionados e não tiveram vergonha de derramarem lágrimas na hora de fazerem as suas promessas.
Muitos dos convidados deixaram-se envolver no clima do casal, o que resultou em muitas lágrimas, na maior parte, vindo da classe feminina. Tadeu era um dos poucos do sexo masculino que chorava, mas também não podia considerá-lo como um homem.
Renesmee e Claire estavam sentadas na primeira fila, elas seguravam em seus colos os pequenos Billy e Harry. As duas amish olhavam emocionadas os respectivos maridos no altar ao lado do noivo. Leah havia optado em por somente Rachel como madrinha e Emily, Rose e Kim como suas damas de honra, já que eram amigas há anos. Lancarter escolheu Jacob, Quil, Paul e Jared como padrinhos. Sam foi quem conduziu a irmã até o altar. Os demais apreciavam toda a cerimônia na primeira fila, que foi destinada a família.
Após o marcante sim dos noivos, que tiveram a linda praia e o crepúsculo ao fundo com cenário, os convidados foram encaminhados para a área que aconteceria a festa. Como tanto a recepção como a festa aconteceriam na praia, os noivos não economizaram para oferecer conforto aos seus convidados, com isso, pisos de madeira marfim foram colocados em praticamente toda a extensão da praia, possibilitando assim que os convidados permanecerem de sapatos sem que ocorresse um acidente, fora as tendas que foram montadas. Tudo exalava requinte, luxo e bom gosto.
Os flashes não paravam por um único segundo, a cobertura do casamento sairia na melhor revista social de New York. Foi a primeira vez que Jacob era fotografado ao lado da esposa. O fotografo e repórter anotava cada informação passada pelos familiares e amigos com euforia, a manchete seria bem melhor que ele havia imaginado. Além do furo por ser a primeira revista a mostrar o casamento da renomada médica e empresária Leah Clearwater com o também conceituado médico Ethan Lancarter, também tinha o fato do casamento secreto de dois outros membros da família: Quil e Jacob, que agora saiam da lista de solteiros mais cobiçados da grande Manhattan. Fora o fato mais bombástico: Jacob Black seria pai em poucos meses.
Já esperando pela bomba que sairia nas manchetes e site de fofocas, Jacob se antecipou informando que havia se casado há oito meses e que sua primeira herdeira era aguardada pra daqui a três meses, descartando a ideia que ele havia se casado somente pela gravidez. Quando questionados o porquê de manterem o sigilo sobre o casamento, os dois irmãos se limitaram em dizer que era para preservarem as esposas, que não eram da cidade e vinham de famílias de origem simples e humildes. Ambos optaram por esconderem o fato delas serem amish, tal informação, renderia ainda mais atenção ao caso do que eles gostariam.
Seth e Embry posaram ao lado das namoradas, mas a família optou por manter a gestação da brasileira em sigilo a princípio. Era tudo muito recente, fora que a gravidez era de risco e estava muito no início, não havia qualquer indício físico, então o melhor que acharam foi esconderem o fato. Ambos os caçulas informaram que as namoradas eram brasileiras, mas Jenniffer passou seu segundo sobrenome de solteira, já que uma pesquisa mais detalhada na internet poderia entregá-la facilmente, afinal, ainda era oficialmente casada, e no Brasil tinha certo reconhecimento na mídia devido ao esposo.
O brinde foi feito e discursos em agradecimento eram falados por vários membros da família e amigos, mais emoções e lágrimas marcaram o momento. O casal dançou embalado pelo som de November Rain, música que marcou o primeiro beijo dos noivos, que na época estavam em uma festa de fraternidade. Não era uma música tão romântica, mas marcava a história do casal.
– Vamos dançar? – Jacob perguntou no ouvido da esposa, que se arrepiou pelo ato.
– Eu não sei dançar, Jake.
– Não precisa, basta me abraçar e deixar que eu faça o resto. – puxou a gestante de encontro aos seus braços fortes, puxando-a para a pista, que já tinha alguns casais partilhando a dança com os noivos. – Eu gosto dessa música.
Renesmee nada respondeu, ela não estava prestando atenção na letra da música, sua concentração estava toda voltada em tentar imitar os movimentos do esposo. Jacob embalava lentamente o pequeno corpo de um lado para o outro. A cada minuto a pista de dança ficava mais cheia, o que animou o DJ a por uma música mais agitada.
– Vamos nos sentar um pouco, você deve está com os pés cansados. – Jacob parou de dançar e encaminhou a amada para a mesa destinada aos membros de sua família.
– Já vai parar Jake? – Quil perguntou aos gritos, ele dançava animadamente com Claire, que mesmo sem muito jeito, parecia se divertir. Jacob e Renesmee riram com isso.
– A Nessie não precisa ficar se cansando sem necessidade. – avisou ao irmão, mas antes de deixar a pista de por completo, sussurrou algo no ouvido dele. – Eu a quero bem disposta pra mais tarde. – sorriu malicioso.
– Sendo assim... – Quil sorriu e gritou para o irmão escutar.
Nem Renesmee e nem Claire ouviram a troca de informação maliciosa dos maridos.
Praticamente toda a família estava dançando animadamente, poucos estavam sentados à mesa. Rachel tinha amamentado os bebês mais cedo e solicitado que a babá os levasse para o quarto deles na mansão, agora ela dançava sensualmente com as outras mulheres da família.
–Oi Jake. – Nicolle apareceu toda sorridente ao seu lado, Renesmee sorriu simpática. – Não sabia que tinha se casado, a Lee acabou de me contar. Ela também me disse que será papai muito em breve. Meus Parabéns! – a morena se antecipou em beijar a bochecha de Jacob, que havia sido pego de surpresa.
– A minha vida não é série de Tv para ser acompanhada. – ditou mal humorado, sabia que estava demorando muito para as provocações começarem. – Mas já que a curiosidade não lhe deixou quieta, essa é minha esposa Renesmee. – olhou de forma intimidadora para ex-amante ao apresentar a esposa.
– Muito prazer Renesmee. – estendeu a mão educadamente, fingindo simpatia, como uma boa socialite que era. – Eu e seu marido somos amigos de longa data.
– O prazer é todo meu, Nicolle. – Renesmee foi educada e simpática como sempre, ela não tinha enxergado a maldade nas palavras da mulher.
– Nick, vamos dançar? – Leah correu para socorrer o primo, ela conhecia muito bem a amiga que tinha. – Há quanto tempo nós não arrasamos na pista de dança. Deixe o Jake com a Nessie descansando, ela não pode abusar, já está de seis meses. – alfinetou ao final, passando para a amiga a mensagem na entrelinha.
– Foi um prazer revê-lo, Jake. Quem sabe não marcamos um almoço para por os assuntos passados em dias. – as palavras continham um duplo sentido. – Adorei conhecê-la Renesmee. Parabéns pelo bebê.
– Adeus Nicolle. – Jacob a cortou grosseiramente.
Renesmee olhou surpresa com o ato de grosseria do esposo com uma amiga, mas antes que pudesse perguntar alguma coisa, foi surpreendida por Claire e Quil.
– Cansei! – Claire sentou ao lado da amiga. – Está tudo tão lindo, não vejo à hora de ser o meu.
– Falta pouco, gatinha. Um mês passa rápido. – Quil selou os lábios da amada, sentando-se ao lado dela. Virou para o outro lado e encontrou Jacob. – Não ousei vir antes porque iria acabar sobrando pra mim também. – sussurrou para o irmão.
Renesmee e Claire não tomaram conhecimento da rápida troca de palavras dos irmãos, afinal, elas conversavam animadamente sobre o a festa de casamento da loira em um mês.
– Relaxa, a Lee quebrou essa pra mim!
– Amor, eu estou com sede. — Claire falou dengosa.
– Você também que algo pra beber, Nessie? Suco, água... — Jacob havia levantado junto com Quil par ir buscar as bebidas para elas.
– Estou sim, amor, mas acho que vou quero os dois: suco e água. – respondeu um pouco acanhada.
– Tudo o que meu anjo quiser. – Jacob selou carinhosamente os lábios da grávida.
Os irmãos deixaram a mesa no exato momento em que as duas brasileiras chegavam para se sentar junto com as suas esposas. Eles caminharam em direção ao bar da festa, iriam pegar suas bebidas e as das suas esposas. Porém, o pequeno trajeto não estava sendo fácil para eles, há todo momento uma ex-amante parava-os para se insinuarem. Não foi fácil, mas eles resistiram com muito esforço, o que não parecia está surtindo muito efeito com os mais novos, que sorriam ao conversar com uma ou outra ex. Talvez isso explicasse a cara séria que as duas brasileiras sustentavam.
– Só te falo uma coisa: o Embry e o Seth vão se foder. — Quil comentou casualmente com Jacob enquanto aguardavam as suas bebias ficarem prontas. — Olha a animação dos dois idiotas ao conversarem com a Emma e a Camille. — Jacob direcionou a atenção para onde o irmão indicava, vendo como os caçulas estavam gargalhado em uma conversa aparentemente íntima.
– O que eles têm que entender é que as namoradas deles não são como a Claire e a Nessie que não põe maldade em nada, elas são vividas e espertas, estão mais para o estilo da Kim, da Rose, da Rachel...
– A Claire não é tão inocente quanto a Nessie, ela tem instinto de posse. — Quil lembrou-se da cena que a esposa protagonizou mais cedo. — Hoje a Nathalie veio falar comigo toda se querendo na frente da Claire, que imediatamente guardou o sorriso e me abraçou, ela começou a me fazer carinhos e a me beijar na frente da Nathalie. Era nítido que ela estava marcando território. — sorriu sendo seguido por Jacob.
– E aí cambada? A festa está do caralho. — disse Paul, que se aproximava do bar onde Jacob e Quil ainda esperavam os sucos das esposas ficarem prontos. Emmet e Sam vinham com ele.
– Olha lá. — Jacob apontou para um canto oposto da pista de dança, ignorando por completo o que os outros falavam. — To falando que isso vai dá merda.
Ao longe eles viram Barbara deixar a mesa carregando um sorriso enigmático. Ela rapidamente se aproximou de Rachel, Rose, Emily e Kim, que dançavam animadamente no centro da pista. A brasileira falou algo no ouvido delas, que imediatamente sorriram concordando. Logo Rachel caminhou até onde o DJ estava posicionado.
– O que elas vão aprontar? — Paul perguntou preocupado, conhecia a esposa muito bem pra saber que ela aprontaria algo.
– Não sei, mas eu quero assistir isso de camarote. — Jacob deu de ombros, mas não escondia o divertimento com toda a situação. — Deixa só eu levar a bebida da Nessie e da Claire que já volto. — pegou as bebidas e caminhou apressadamente para mesa onde estavam a esposa com a amiga. No momento que entregou a bebida a Renesmee, comunicando que ficaria mais um pouco no bar conversando com os outros homens, pode perceber o semblante maquiavélico que a cunhada brasileira sustentava.
Embry e Seth já haviam brigado com as namoradas por causa das roupas que elas estavam usando. Barbara estava com um vestido justo de seda amarelo claro com as costas toda de fora, o decote ia até quase o cóccix, a peça parceria uma camisola sensual, e pelo que aparentava, ela não usava calcinha. Já Jennifer ousou em um vestido longo vermelho de renda vazada, o que mostrava não só a sua calcinha hot pants e o sutiã da mesma cor que a roupa, como toda a sua pele exposta pela renda. Ambas as brasileiras exalava sensualidade, o que atraiu os olhares de praticamente todos os homens da festa. Por isso que Seth e Embry tentavam provocar ciúmes nelas, mas o que eles não esperavam era que as brasileiras dariam outro tipo de show, não uma ceninha de ciúmes.
– O que eu perdi? — Jacob voltou correndo e questionou assim que se juntou aos demais.
– Aparentemente nada. A Rachel e a Babi parecem que estão procurando algo no notebook do DJ. — Emmet explicou, atualizando Jacob dos fatos.
– A minha vontade é dá um murro na cara desses dois. — Jacob ditou irritado, referindo-se ao irmão e primo mais novos. — Eles estão tão seguros de si que nem se ligaram no que está acontecendo ao redor deles. Isso não pode acontecer nunca no meio em que vivemos, temos que ficar atentos a tudo. Sei exatamente o que acontece ao meu redor, mesmo não sendo totalmente do meu interesse.
– Nós demos muito mole pra esses moleques, mas é errando que se aprende. — Sam comentou com os demais, que concordaram com o primo.
– O que essas loucas vão aprontar? — Emmet perguntou para Jared, que se aproximava deles naquele exato momento. Até então, o moreno estava na pista de dança com a esposa.
– Elas querem dançar alguma coisa brasileira. — falou despreocupado. — Estão enchendo o DJ para procurar algumas músicas brasileiras.
– Algo me diz que será muito mais que dançar músicas brasileiras. — disse Quil ao ver que Babi sorria satisfeita. Ela havia feito um gesto pra amiga ir a seu encontro.
Jenniffer levantou e caminhou sensualmente até o centro da pista de dança onde as demais já lhe aguardavam, até Leah e Alice haviam se juntado a elas. Babi falou algo no ouvido da amiga, que de imediato, fez uma cara de insatisfação, mas logo deu de ombros e sorriu.
Uma música totalmente desconhecida começou a tocar, a letra não estava no idioma deles, o que levaram a concluir que era uma música brasileira. Nesse momento Seth e Embry pareceram reconhecer o idioma e procuraram com o olhar as namoradas, o que não os agradou assim que as avistaram no centro da pista de dança, rebolando e provocando todos os homens da festa.
Eles tentaram avançar na direção das namoradas para arrancá-las de lá, mas os seus irmãos não deixaram. Eles não permitiram que o casamento de Leah fosse arruinado por uma crise de ciúmes, afinal, foram eles mesmos que procuraram por tal situação.
– Me solta Paul, Sam. – Seth ditou com fúria, tentando se soltar do aperto dos irmãos mais velhos.
– Fale baixo, eu não vou deixar você acabar com a festa de casamento da Lee. – Sam falou categórico. — Agora você vai esfriar a porra dessa cabeça de merda e vai conversar com a sua namorada depois, em um lugar privado. Tem um repórter aqui no casamento, não queremos ver escândalos nas revistas e sites.
– Eu estou pouco me fodendo para repórter, revistas ou sites. Não vou deixar a minha mulher ficar rebolando daquele jeito, instigando a imaginação desses filhos da puta. — Embry rebateu irado, não estava sabendo lidar com os olhares de cobiça que lançavam na direção da sua namorada.
Os dois caçulas estavam bufando como dois touros selvagens. Suas namoradas continuavam rebolando... Descendo até o chão... Subindo rebolando novamente... Faziam passos extremamente provocantes, mas era assim que se dançava o funk carioca.
As outras mulheres até tentavam acompanhar o ritmo delas, já que haviam passado uma tarde inteira tendo aulas de samba e funk com as brasileiras, mas era nítido que aquele ritmo ainda não havia entrado em suas veias.
De repente, um batuque contínuo e ritmado começou a tocar- era samba — ambas as brasileiras dominavam o gingado boêmio, o que fez a atenção redobrar sobre elas, agora até as mulheres as olhavam com inveja ou admiração.
– Eu vou voltar pra pista. – avisou Jared. — A minha Kim até pode rebolar daquele jeito. — apontou pra esposa que rebolava até o chão. Até que ela não deixava a desejar com o gingado. — Mas se for pra continuar rebolando desse jeito, terá que ser se esfregando no meu pau. Fui! — saiu apressando, deixando os outros irmãos fazendo a contenção do caçula. Logo que chegou já foi encoxando a mulher.
– Porra, eu tenho que admitir. — Paul começou a falar, um sorriso brejeiro brincava em seus lábios. — Elas mandam bem pra caralho. Até que vocês souberam escolher mulheres bem gostosas, pena que não sabem tomar conta.
– Num fode, caralho! Olha quem fala. — desdenhou Seth. — A sua mulher também está lá rebolando.
– Mas dessa vez não é para ela que a metade dos homens tão babando e querendo foder. — rebateu com sarcasmos.
Seth e Embry até que tentaram se soltar do aperto dos irmãos, mas não foram tão bem sucedidos na tentativa. Por fim, se deram por vendidos, uma hora elas iriam se cansar, ou pelo menos os seus irmãos, soltando-os em algum momento... Aí sim eles iriam interceder naquela dança sensual e erótica.
Por fim, a primeira opção foi a que realmente aconteceu. Jenniffer se sentou logo após terminar de dançar a terceira músicas, dois funk e o samba enredo campeão da escola que era rainha de bateria. Ela está enjoada, se sentido fraca e cansada, a gravidez estava acabando com sua natural agitação. Barbara também não demorou muito, dançou só mais duas musicas.
Logo as músicas americanas voltaram a tocar com força, mantendo a animação da pista.
As duas brasileiras estavam sentadas na mesa destinada à família, quando os seus respectivos namorados voltaram para mesa e se sentaram ao lado delas. A discussão acontecia de forma discreta, mas não tranquila, os casais estavam enraivecidos. Renesmee, mesmo estando na mesma mesa, estava alheia a toda confusão. Ela não parava de comer os finos doces e alisar o ventre bem saliente, a sua bebê estava agitada, ela já se mostrava festeira.
– Jake, a nossa bebêzinha está agitada, não para de se mexer. – contou para o marido assim que ele se aproximou dela.
Imediatamente Jacob levou a mão ao ventre da esposa e constatou os movimentos contínuos que ele fazia.
– Era só o que me faltava essa ela gostar de uma festa. — sorriu sem quaisquer resquícios de humor. — Essa menina não pode escutar um barulho que já fica toda agitada aí dentro. — Jacob havia sentado na cadeira ao lado de Renesmee, sua mão repousava no ventre volumoso. Ele sorria com os chutes que sua pequena dava. — Que danadinha essa princesinha do pai.
– Acho que ela vai puxar a agitação da sua família, Jake. — Renesmee palpitou.
– Sinceramente, eu espero que não.
O clima estava gostoso e mais leve, mesmo que hora ou outra algum casal brigasse por ciúmes. A festa estava impecável e maravilhosa, mas já estava ficando tarde, alguns convidados começavam a ir embora.
Alice anunciou para as solteiras que o buquê seria lançado à sorte, o que em nada animou as brasileiras, afinal, elas eram as únicas solteiras da família. Depois de muita insistência de Rachel, na verdade foi quase uma intimação, as duas – a contragosto — seguiram para o centro da pista onde seriam arremessadas as flores.
Jenniffer, que comia o seu quarto pedaço de bolo, quase rosnou para a cunhada na hora que teve o prato do doce arrancado de suas mãos, mas o fim fez o que a cunhada queria.
Lancarter já havia arremessado a liga da esposa aos solteiros da festa, mas nem Embry e nem Seth ousaram ir pegar. A liga acabou indo parar nas mãos de um médico que trabalhava com ele no hospital, provavelmente, ficaria solteiro por mais um bom tempo.
Na hora que o buquê foi arremessado à sorte, e várias mulheres solteiras se acotovelavam para terem uma chance de alcançá-lo, Jenniffer e Barbara correram para se afastar do objeto que vinha exatamente na direção em que elas estavam paradas. Tal gesto fez com que as mulheres estranhassem aquela atitude, enquanto os homens gargalhavam em divertimento.
– Elas fugiram do buquê assim como o diabo foge da cruz. Não querem casar com vocês nem a pau. — Emmet brincou com os mais novos, ele não conseguia segurar a gargalhada.
– Por que será que elas fugiram? — Rachel questionou para si mesmo, ela não sabia detalhadamente o passado das brasileiras, por isso, ficou confusa com o gesto delas.
– Nem todas às mulheres estão desesperadas pra casar. — disse Jasper. — Eu e Alice estamos muito bem do jeito que estamos. Não pensamos em nos casar por agora.
– Ainda mais tendo esses dois malucos como pretendentes a noivos. — Paul completo debochando dos mais novos.
– Satisfeita dona Rachel? O buquê já foi jogado e já pegaram. — Jennifer voltava à mesa, se sentando bem afastado do namorado, ainda estava com raiva por ele está descaradamente flertando com outra bem debaixo do seu nariz. — Agora me devolva o meu bolo, ele está divino, não consigo parar de comer. Já provou Nessie? Está perfeito.
– Vou comer agora. — Renesmee pegou o prato que estava na sua frente, uma generosa fatia a esperava para ser degustada. — Que delícia! — constou após saborear o primeiro pedaço. — Acho que vou comer mais de um também.
Pouco a pouco a praia foi ficando cada vez mais vazia, já era madrugada, só restava à família da noiva, uma vez que Lancarter não tinha mais parentes vivos. A festa havia sido um sucesso, seria comentada por um bom tempo em New York.
Alguns casais se rendiam ao cansaço e começavam a se dirigirem de volta pra mansão — que ficava a poucos metros dali -, outros, não teriam uma noite tão boa e tranquila assim. Seth e Embry se encaixavam nesse grupo, já que suas mulheres deixaram bem claro que elas dormiram juntas em algum quarto, não queriam ver os namorados nem pintados de ouro.
Jacob havia carregado Renesmee no colo, já que ela estava se queixando de dor no pé, que estava contido pelos saltos finos.
Leah e Lancarter sairiam de lancha, passariam três dias — da breve lua de mel — em alto mar.
Muito em breve, mais precisamente em um mês, a família desfrutaria de mais uma grandiosa festa de casamento. Quil e Claire comemorariam a sua união.
Momentos únicos como esses são de extremo valor para família, que cada vez se unia e crescia mais. Um novo ciclo tinha começado, trazendo mudanças e renovações positivas.
Fale com o autor