Two Lives: A Destination
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Notas iniciais

TWO LIVES: A DESTINATION
...continuação
Os raios solares que acabavam de nascer penetravam a aconchegante sala através da fina cortina de voil, que bailava com a brisa leve de verão. A morena acabava de despertar naquele instante de um sono nada reconfortante, o seu corpo doía e a sua mente não havia relaxado um único segundo, a preocupação transbordava em seus pensamentos.
Fitou rapidamente o ambiente captando o que estava ao seu redor, sua melhor amiga estava deitada dormindo no sofá maior, havia outra loira, só que mais velha — Rosalie —, que dormia sentada em outra poltrona igual à dela.
Barbara levantou tentando fazer o mínimo de barulho possível e seguiu rumo ao banheiro, precisava fazer sua higiene matinal. Mentalmente planejou que preparar o desjejum assim que terminasse os cuidados consigo mesma, sua melhor amiga merecia todos os cuidados possíveis, afinal, carregava o seu já amado afilhado em seu ventre. Sorriu com a ideia de uma linda garotinha de cabelos negros como os do pai e com os olhos de um profundo verde como os da mãe.
Mesmo sendo extremamente cautelosa a morena não conseguiu passar totalmente despercebida, acabou despertando a loira que cochilava sentada na poltrona. Rosalie sorriu e pôs o dedo indicador sobre o bem delineado lábio rosado, simbolizando silêncio, elas não queriam acordar a gestante que ainda ressonava tranquila sobre o amplo estofado marfim.
Barbara já havia tomado banho e estava preparando o café da manhã na cozinha quando Rose se juntou a ela.
— Quer uma ajuda? Em que posso ser útil? – a loira perguntou solicita.
— Não precisa se incomodar eu faço tudo rapidinho, você é a nossa convidada.
— Que isso, eu faço questão de ser útil. Sem contar que assim comemos mais rápido. – Rose sorriu amplamente.
— Se você insiste... – a morena deu de ombros. — Então pôde cortar as laranjas e preparar o suco. —Eu já preparei alguns waffles, umas panquecas e estou terminando a calda de chocolate. – sorriu ao lembrar-se de um detalhe. – Também vou cortar alguns morangos, a Jenny ama comer-los nas panquecas com a calda de chocolate por cima. O café está passando na cafeteira e o leite eu já aqueci. – Barbara informou educadamente, pondo a loira a par do que ainda teria que ser feito e o que já estava pronto.
— Nossa! Já está quase tudo pronto. – admirou com a rapidez e habilidade da brasileira na cozinha. Ela havia preparado quase um banquete em poucos minutos, sem contar o cheiro delicioso que perfumava toda a cozinha. — Vocês são muito amigas, não é? Sempre juntas, cuidado uma da outra. Os rapazes me contaram algumas coisas sobre vocês. – Rose olhou de soslaio para a morena, queria ver sua reação.
Barbara não alterou sua postura, já tinha se acostumado com o próprio passado e superado a maior parte de seus traumas, diferente da amiga, que ainda remoia muita coisa pelo que passou. A menção dos rapazes na conversa fez com que um alerta interno soasse nela.
— Nós somos muito amigas mesmo, foi simpatia mútua desde o primeiro momento. Hoje somos como irmãs. – suspirou reflexiva, relembrando das dificuldades que passaram juntas. – Já teve alguma notícia dos nossos namorados? Onde eles foram? Espero que nada aconteça com eles por nossa causa, jamais iremos superar essa culpa. – ditou aflita, atropelando as palavras.
— Eu consegui falar com o meu marido ainda pouco, ele me avisou que logo o Embry e Seth virão pra cá.
— Mas está tudo bem, não é? – perguntou incerta, ela estava insegura.
— Pode ter certeza que sim, eles são duros na queda.
— O que você esta querendo dizer com isso? – Barbara perguntou desconfiada.
— Nada demais. Depois que vocês conversarem, irá entender tudo. – Rose deixou o suspense no ar.
A morena balançou a cabeça positivamente, mas foi como se uma luz tivesse sido ligada e gritasse perigo em sua mente. Barbara deixou passar por hora, sabia que não estava fazendo perguntas a pessoa certa. Os anos de uma vida parcialmente errada a tornaram mais sensitiva, e ela nunca errava, havia algo muito suspeito com o seu namorado e o da amiga. Ela sabia que eles estavam escondendo algo.
Barbara continuou conversando banalidades com a simpática loira enquanto preparavam o desjejum na cozinha, o clima estava agradável por hora.
Com a mesa na cozinha já posta e arrumada de forma simples, porém graciosa, foi acordar a amiga, queria que ela desfrutasse de um café da manhã fresco, recém—preparado.
— Acorda bela adormecida. – brincou descontraidamente. — Isso aqui não é um conto de fadas, mas você tem uma amiga e tanto, quase uma fada madrinha.
— Não enche. Eu estou com sono, quero continuar dormindo. – Jenniffer balbuciou, ainda tinha os olhos fechados e levou o antebraço na direção deles para prolongar a sensação de escuridão.
— Vamos Jenny, acorda. Preparei panquecas com calda de chocolate e morangos.
— Hummm! – a loira sorriu amplamente, mas ainda mantinha os olhos fechados. – Que delicia! Acordamos prendadas hoje. – falou sarcástica, não poderia deixar passar a oportunidade de brincar com a amiga.
— Levanta logo essa bunda branca do sofá antes que eu me arrependa de ter feito essas benditas panquecas. – Barbara puxava delicadamente o braço da amiga na intenção de forçá-la a se levantar.
— Puta merda! – Jenniffer praticamente deu um pulo do sofá e correu com as mãos tampando a boca para o banheiro mais próximo, ajoelhou-se enfrente ao vaso e começou a por tudo que tinha — e também que não tinha — em seu estômago para fora.
— O que está acontecendo? – a morena segurava os longos fios dourados na intenção de não sujá-los.
— Porra, essa mistura de cheiros está me enjoando. – falou entre um jato e outro de vômito, com um pouco do fôlego que ainda lhe restava. – Pelo amor de Deus, tira esses perfumes e hidratantes de perto de mim. – voltou a regorjear com força.
— Mas são os nossos hidratantes da Victoria’s Secret e os nossos perfumes preferidos! – Barbara disse alarmada, olhando a coleção de hidratantes e perfumes que ficavam na bancada da pia e nas prateleiras de vidro do banheiro.
— Melhor guardar em outro lugar, talvez em um armário fechado. Tem algumas gestantes que enjoam muito com cheiros. – Rosalie explicou tranquila, também tinha corrido atrás da loira na intenção de ajudá-la.
— Vou pegar uma caixa no armário. Já volto. – Barbara prendeu os cabelos da amiga no alto da cabeça e correu para o seu quarto.
Quando a brasileira voltou com uma caixa grande nas mãos, Rose prontamente lhe ajudou a guardar todos os produtos de cheiro mais forte. Jenniffer ainda permanecia ajoelhada no chão, estava exausta, não tinha mais nada para por pra fora, mas as náuseas e os enjôos ainda não haviam passado.
— Tome um banho e depois o café da manhã. – sugeriu Barbara. – Vou guardar tudo no meu armário, quando quiser usar sabe onde pegar. Acho que também terei que tomar outro banho, porque passei o hidratante de Vanilla essa manhã. Deve ter sido o cheiro dele que te enjoou.
A loira só balançou a cabeça concordando, não queria ousar abrir a boca para responder, tinha medo que não fosse somente as palavras que sairiam por ela.
Agora sentadas na mesa às três mulheres conversavam animadamente durante o café da manhã. Tanto Jenniffer como Barbara haviam tomado banho, só que agora nenhuma das duas tinha passado nenhum tipo de cosmético de odor forte.
Estava tudo delicioso e elas comiam com prazer, com exceção da grávida, que estava empurrando as suas amadas panquecas, o enjôo e azia ainda a atormentava e alterava totalmente seu apetite.
Logo após terminarem de lavar a louça, Rose se despediu das novas amigas, prometendo ligar e marcar um encontro só de garotas. Emmet havia acabado de ligar avisando que estava esperando por ela na portaria do prédio. Ele tinha ido levar os dois caçulas dosThe Wolf ao local, já que devido aos tiros que levaram não poderiam dirigir por enquanto.
Seth e Embry estavam ansiosos por rever suas namoradas. Eles queriam abraçá-las, dizer que agora tudo ficaria bem e que não precisariam mais temer por nada, elas agora estavam livres para levarem uma vida normal.
No caminho da portaria até o apartamento das brasileiras eles encontraram com Rose saindo do elevador, que os informou que estava tudo bem com as jovens e que já haviam até virado amigas. Eles sorriram com a notícia, elas agora também faziam parte do ciclo fechado da família Black-Clearwater.
— Ah! – Rose chamou atenção dos mais novos, que seguravam a porta do elevador para escutar o que ela iria falar. – Parabéns Embry, a sua namorada está gravidíssima. – deixou a portaria sem mais nada dizer. Pulou no colo do marido assim que o viu, dando-lhe um beijo cheio de luxúria.
Rose e Emmet não se importavam com quem fosse ver o quanto fogosos eles eram.
— O que será que ela quis dizer com isso? – perguntou confuso ao primo.
— Sei lá, mas já iremos descobrir. – Seth deu de ombros, soltando a porta de metal e esperando impacientemente que ela se fechasse, conduzindo-o até o andar tão esperado.
— Que saudades de você, amor! – Barbara falou assim que abriu a porta e deu de cara com o namorado. – Fiquei tão preocupada com você, tinha medo que lhe acontecesse alguma coisa. Nunca mais suma sem dar notícias. – a morena pulou nos braços do namorado, que gemeu de dor pelo ato.
— Da licença. – Embry tentava passar pelo casal que se beijava sem pudor na entrada do apartamento. – Vão para o quarto antes que sejam processados por atentado violento ao pudor.
— Vai se foder. – Seth murmurou sem soltar os lábios da amada.
— Ai está a minha gostosa. – Embry sorriu ao ver a namorada sentada no sofá de braços cruzados. Jenniffer estava lutando contra a própria vontade de pular no colo dele, de beijá-lo por horas, mas ainda não havia perdoado ele por todas as ofensas e atitudes que havia tido com ela. – Pra que esse bico tão grande? O seu Embry está aqui para lhe encher de beijos.
— Pode para com a palhaçada de fingir que estamos bem, porque nós não estamos. — a loira falou emburrada. – E por que você está mancando de uma perna e usando um imobilizador no braço?
— É verdade. – Barbara concordou. Ela tinha acabado de fechar a porta e agora observando melhor o namorado, foi ai que reparou que ele também estava com um imobilizador no ombro. Por isso que ele gemeu. Ela pensou.
— Foi um acidente de percurso, nada demais. – Seth disse com indiferença, desdenhado do fato. – O importante é que estamos bem e tudo ficará em paz agora.
— Não se aproxima de mim. – Jenniffer alertou ao namorado que estava indo em sua direção.
Embry, por hora, se deu por vencido e sentou na poltrona mais distante da amada. Sabia que ela não tinha um temperamento pacífico quando estava de mau humor, o que definitivamente era o caso naquele momento.
— Estamos esperando explicações. – a morena cruzou os braços sobre o peito, o que projetou os seus seios para cima do decote da camiseta vermelha.
Seth sorriu malicioso.
— Se continuar mostrando esses seios deliciosos, eu só vou conseguir ficar imaginando as formas que irei devorá-los. – sussurrou no ouvido da namorada, que se arrepiou por completo com as imagens que seu cérebro projetou. – Vamos lá para o quarto e conversamos lá dentro.
Barbara sorriu com a ideia e abraçou o namorado pela cintura, mas recolheu o braço de imediato, se afastando instantaneamente do moreno.
— O que é isso, Seth? O que você tem na cintura? É uma arma! – Barbara gritou com desespero, afirmando o fato.
— O que? – Jenniffer deu um pulo do sofá, ela estava alarmada. Porém o rápido movimento fez seu equilíbrio vacilar e seus joelhos cederem um pouco. Ela estava tonta.
Todos esqueceram por um momento o que ocorria e foram socorrer a grávida. Embry ignorou qualquer dor que estava sentindo e correu na direção da namorada, ele já a sustentava com o seu braço não atingido.
— Droga, droga, droga... Me solta Embry, eu estou enjoando com esse seu perfume forte. – ela tentava se soltar da contenção do namorado, o cheiro marcante fazia seu estômago revirar com fúria. Antes ela amava aquele cheiro, mas agora ela estava a detestar a fragrância.
— É o de sempre, o meu Bvlgari. – esclareceu magoado. — Você sempre disse que amava o cheiro do meu perfume.
— Mas agora eu detesto. – retrucou à loira.
— Me dá ela aqui. – Barbara já arrancava a amiga do braço forte no moreno. – Vamos antes que não de tempo de chegar ao banheiro.
Elas correram em direção ao banheiro e bateram com a porta na cara dos rapazes que as seguiam, os barulhos que eram produzidos podiam ser ouvidos do lado de fora do cômodo.
— Ela está vomitando? – Seth sustentava uma cara de nojo.
— Eu acho que isso é normal na gravidez, deve ser por isso que Rose falou que ela está gravidíssima. – explicou. – Amor, está tudo bem? Quer que eu ligue para a minha prima?
— Me deixa em paz, Embry. Vai embora com esse perfume fedido. – Jenniffer gritou de dentro do banheiro, havia acabado de por todo o seu café da manhã para fora.
— Você sempre gostou do meu perfume, agora fica falando que ele é fedido.
O diálogo através da porta se estendeu por uns quinze minutos, até de repente a morena abriu a porta em um rompante, ela sustentava uma carranca na bela face.
— Agora já podemos conversar, acho vocês nos devem explicações. Que porra toda foi essa? – Barbara estava visivelmente irritada. – E vocês dois fiquem bem afastados da Jenny porque ela está enjoando com tudo e eu estou sentindo o cheiro de perfume em vocês.
Os morenos nada disseram, somente acataram as ordens que a morena dava, se posicionando em um canto mais afastado da sala e próximo a janela. Embry ficou assustado quando viu a fisionomia da namorada tão pálida e abatida.
— Acho melhor ligar pra Lee, Baby. – Embry ponderou preocupado.
— É normal enjoar, eu já falei com ela. – Jenniffer cortou seca. — Não tente nos enrolar. Por que vocês estão machucados e o Seth armado? – ela mantinha um olhar desafiador.
— Foi só um descuido.
— Seth, por que você está com uma arma na cintura? – Barbara repetiu a pergunta, só que agora demonstrava claramente a sua impaciência.
— Éeer... – gaguejou. Seth havia esquecido totalmente de não subir armado para o apartamento da namorada. Agora buscava uma boa desculpa em sua mente. – Eu tenho porte de arma, e mediante ao que vinha acontecendo, eu achei mais apropriado andar esse período armado.
— E a troca de tiros aqui na rua ontem à noite, logo assim que a Jenny chegou aqui em casa, o que vocês têm haver com o que aconteceu? Acho melhor começarem a falar a porra da verdade, não somos idiotas para vocês ficarem nos enrolando. – Barbara alertou, não estava com paciência para mentiras.
— Meu Deus! – Jenniffer levou as mãos à boca, os olhos estavam arregalados e já tinham lágrimas escorrendo por eles. – O que vocês fizeram com o Beto e o Viny? Falem! – gritou já chorando.
— Por que você quer saber? Esta com peninha daqueles filhos da puta. –acusou Embry. – Eles estão queimando no inferno agora. – gritou alto e claro, a entonação empregada ao dizer cada palavra deixou claro o ódio que ele sentia.
— Vocês os mataram. – não era uma pergunta, Barbara afirmou. Ela estava anestesiada com a notícia, não sentia felicidade e nem tristeza.
— E se fosse? Vocês deveriam de estar agradecendo e não nos acusando. Eles tiveram o que mereciam, na verdade, achei até pouco. – Seth disse com raiva pela reação controversa das brasileiras a notícia.
— Eles os mataram, eles também são... São da mesma espécie! – a loira estava aos prantos. Não por está com pena do ex-marido, mas ela não conseguia conter as lágrimas, um bolo em sua garganta havia se formado, levando-a ao choro facilmente.
— Eu não acredito que você está chorando por uma cara que te batia, te estuprava, te humilhava e muitas coisas mais. – Embry estava furioso com a reação da namorada.
— Cala a porra da boca, seu idiota. – Barbara gritou com fúria. – Amiga, fica calma, você sabe que não pode ficar se alterando, faz mal pra você e para o nosso bebê. Explique-me o porquê de você está chorando. Nós agora estamos livres, pelo menos, dos nossos passados. – falou em português, não queria que eles compreendessem o que se passava naquele momento.
— Por que estão falando em português? O que querem nos esconder? – Seth perguntou impaciente, ele estava desconfiado que elas quisessem esconder algo.
— Porque é um assunto particular, que não lhe diz respeito. – rebateu sua namorada. – Fala amiga. O Beto não te amava, ele sempre foi cruel com você, iria matar o seu filho e até mesmo você. Sabe que ele jamais te perdoaria por ter se apaixonado por outro homem, por ter transado com outro. Tudo o que vivemos foi uma prisão de mentiras, agora estamos livres.
— Eu sei, mas não consigo parar de chorar. Querendo ou não eu um dia amei aquele homem, fiz planos e construí sonhos ao lado dele. Sei que tudo foi uma amarga ilusão, mas simplesmente não consigo conter esse bolo preso na minha garganta. A vontade de chorar é mais forte que eu. Devem ser esses hormônios malucos. – sorriu contida entre as lágrimas. — Hoje eu amo outro homem, que mesmo sendo carinhoso comigo, não deixa de ser um criminoso, assassino, ciumento e possessivo. Minha vida, ou melhor, nossas vidas são ao lado de bandidos, temos dedo podre para homens.
— Eu já estava desconfiada que eles estivessem escondendo algo de nós, mas não imaginava tanto. O que faremos? Não quero essa vida de erros novamente. – Barbara ainda falava em português com a amiga, que agora já controlava melhor o choro.
Seth e Embry estavam impacientes e desconfiados, mas permaneceram calados, esperando serem novamente incluídos na conversa. Eles estavam irados pela reação das namoradas, mas tentavam se controlar, afinal, também tinha boa parte de culpa na história.
— Você ainda tem como sair disso tudo se quiser, mas eu estou grávida dele. Embry não iria permitir que eu simplesmente desaparecesse com nosso filho, tenho certeza disso. Eu estou ligada eternamente a ele. E também já o amo. – confessou encabulada para a amiga.
Barbara ponderou as informações que tinha no momento. Sabia que de certa forma era verdade, ela ainda tinha escolhas, mas a amiga não. Contudo, será que ela queria partir e deixar o homem que já amava para trás? Ela se questionava internamente.
— Acho que nos devem muitas explicações. E será melhor pra vocês serem verdadeiros, pois nós conhecemos criminosos como ninguém. – Barbara ditou sarcástica.
Os morenos suspiraram derrotados, teriam que explicar algumas coisas, mas não se sentiam prontos para inseri-las totalmente na vida criminosa em que viviam.
Embry e Seth começaram a falar de forma superficial sobre a vida que levavam, omitindo o grupo a qual eram chefes e com o que exatamente mexiam.
No final da conversa, ambas as brasileiras, estavam chocadas e com medo, não dos seus namorados em si, mas do déjà-vu de suas vidas. Elas não queriam passar pelas mesmas dores e humilhações de antes, não queriam ser reféns de suas próprias vidas novamente.
Elas pediram para que eles fossem embora, que as deixassem digerir tudo aquilo que acabavam de descobrir. Precisariam de um tempo para pensar e aceitar, ou não, suas novas realidades.
Embry e Seth partiram mesmo contrariados, prometendo respeitar o tempo delas, desde que mantivessem contato por celular. Embry avisou que enviaria um novo aparelho à namorada, mesmo ela relutando em aceitar.
Muitas coisas estavam mudando no relacionamento deles, mas nenhum dos quatro estava pronto para tais mudanças.
Aceitação seria uma nova palavra no vocabulário deles.
TLAD
A loira saiu do banheiro da suíte carregando uma frasqueira, era a última mala que precisava arrumar para a sua viagem.
— Nessie, porque não me chamou para pegar a frasqueira? Já falei que não a quero carregando peso.
— Não está pesado, Jake. – justificou a gestante.
— É claro que está. Você está grávida, não precisa e nem pode fazer esforço desnecessário. – Jacob já retirava das mãos da esposa a frasqueira, que realmente não estava tão pesada, mas não tinha necessidade dela carregar aquilo já que ele estava por perto.
— Tudo bem amor, não pego mais, na próxima vez eu te chamo. – respondeu obediente. Renesmee era naturalmente submissa, mas tal condição não a incomodava. – Já acabei de arrumar tudo. Coloquei na sua mala tudo que você me pediu. O seu terno esta na capa protetora, assim como o meu vestido. Vou só trocar de roupa pra nós irmos.
— Vou descendo com as nossas malas e vou arrumando tudo no carro enquanto você termina de se arrumar. – comunicou a esposa, já pegando as duas malas de mão e as duas capas com as roupas para a festa, fora à frasqueira. — Ah, Rachel acabou de ligar nos convidando para tomar café da manhã na casa dela, ela preparou um verdadeiro banquete para todos nós.
— Sim, meu amor. Só vou colocar o meu vestido e já estou descendo. Quer mais alguma coisa?
— Não, está tudo ótimo. Você comprou tudo o que precisaria para irmos para praia? Filtro solar, biquíni, chapéu... Essas coisas de mulheres? A Rachel e Alice te ajudaram nas compras? Não quero que lhe falte nada. – falou atencioso, não queria que a amada deixasse de aproveitar algo por não ter acessórios e roupas adequadas para tal viagem. Era a primeira vez que Renesmee iria ver o mar.
— Elas me ajudaram em tudo. Rachel até me fez comprar vários biquínis, mas não sei se terei coragem de usar aquelas coisas. – a loira estava com as bochechas bem coradas ao falar.
— Rachel e a louca da Alice não fizeram você comprar biquíni fio dental não é?
— Claro que não! – respondeu alarmada. — Mas também é praticamente nua. É um tipo de coisa que eu só uso pra você, não sei se terei coragem de usar na frente de todos. – a face alva estava em um tom de carmim, Renesmee sentia que as suas bochechas estavam queimando.
— É assim mesmo que se usa na praia ou na piscina. – justificou, beijando os lábios da esposa, que ainda se mantinha envergonhada. – Ainda não tivemos oportunidade de estrear a piscina aqui de casa, mas logo se acostumará com a roupa de banho.
— Vou tentar. – prometeu à loira, deixando o marido sair com as malas e seguindo para o closet na intenção de por seu vestido que já estava separado.
Jacob aguardava sentado no sofá da sala principal da mansão, estava esperando somente a esposa descer pelas escadas. Já tinha guardado as malas no carro, dado as ordens aos empregados e seguranças. O moreno lia um jornal enquanto aguardava por Renesmee.
— Amor, nós estamos prontas. – sorriu com Branquinha no colo. Renesmee terminava de descer os últimos degraus. – Mas eu preciso de ajuda para fechar as minhas sandálias, a minha barriga não tem colaborado muito. – ela estava descalça e com as sandálias nas mãos que carregava a cachorrinha, sorriu ao acariciando o ventre.
— Vem aqui que eu coloco pra você. – dobrou o jornal e chamou com o dedo pela gestante. – Então a nossa chaveirinho já está dificultando a vida da mamãe. – Jacob falou próxima a barriga da grávida, sentindo o movimento que o bebê fez ao escutar sua voz. Ele sorriu com o gesto.
— Ela sempre se agita quando escuta a sua voz. – alisou a barriga já bem saliente. – Eu não quero ficar apertando a nossa filha, por isso que não forcei pra fechar a sandália.
— Fez bem meu anjo, me deixa colocar pra você. – pegou as sandálias das mãos da esposa e puxou o pequeno pé para seu colo, beijando o dorso do delicado pé da loira. – Mas não acho que seja uma boa ideia levarmos a Branquinha conosco. A casa é muito grande e terá muita gente, ela pode ficar assustada e fugir ou até mesmo se perder. O melhor seria se nós a deixássemos com a Lupita.
— Você tem razão, amor. Não podemos perder nossa filhotinha. – concordou sobressaltada. Só de se imaginar sem sua mascote ao seu lado já sentia um aperto no peito, ela amava demais a cachorrinha.
— Sem contar que não sei se o louco do Embry vai levar aquele bicho maluco dele. Já falei que não é uma boa ideia, mas ele garantiu que o Thor está melhor e mais calmo, que já concluiu o adestramento... Mas não confio naquele cachorro.
— Eu tenho medo daquele cachorrão, ele tentou me morder. – disse assustada ao lembrar-se do dia que foi atacada pelo animal. — Será nessa viagem que iremos conhecer a namorada do Seth e do Embry? E como está o bebê deles?
— Se ele conseguiu convencê-la... – Jacob deu de ombros. – Mas acredito que seja hoje sim. A gravidez dela está bem no começo, acho que sete ou oito semanas, mas Embry falou que ela está enjoando com tudo. – contou a esposa, que escutava tudo com atenção. – Acho melhor nós irmos antes que a Rachel ligue de novo, nós iremos encontrar com todos lá na casa dela. Vamos levar a bola de pêlos para Lupita. – levantou puxando a esposa em direção à cozinha onde se encontrava a empregada.
Renesmee beijou e deixou escapar algumas lágrimas ao se despedir de sua mascote, ela era muito apegada à cachorrinha. Lupita teve que prometer que trataria Branquinha como sua neta, só assim a amish partiu tranquíla. Jacob somente ria do pequeno drama que a esposa estava fazendo para se despedi do bichinho, afinal, seriam somente cinco dias que passariam fora de casa.
— Pera aí, Nessie. Deixa que eu te ajude a entrar no carro, ele é muito baixo. – correu para o lado da esposa, abrindo a porta para ajudá-la a sentar no banco do carona.
Eles haviam acabado de deixar a mansão.
— Por que nós vamos nesse carro pequenininho?
— Amor, só você mesmo. – Jacob beijou com paixão os lábios da gestante. – Esse carro é meu preferido, mas eu só uso quando viajo para praia, ele não é carro para ser usado no dia a dia. – alisou a lataria do seu amado Aston Martin prata. Por ser um carro esportivo, não era blindado, por isso Jacob pouco usava. – Mas você irá no carro da Rachel, é mais espaçoso e seguro. Agora será só para irmos até a casa dela.
Jacob não queria arriscar na segurança da esposa andando em um carro sem blindagem, com isso, ordenou que fosse escoltado por dois carros com seguranças até a mansão da irmã, que ficava a dez minutos de sua residência.
— Se você acha mais seguro... Tudo bem, eu vou com ela. – Renesmee aceitou prontamente a ordem do marido.
Jacob sorriu com a aceitação da esposa e deu partida no veículo, acelerando a potente máquina. Ele não correria muito com ela ali dentro, mas sentia necessidade de amaciar os pedais do esportivo.
TALD
A quantidade de esportivos de luxo parado um ao lado do outro era de impressionar qualquer pessoa, o valor de todos os carros somados juntos daria para acabar com a fome na metade da África. Lamborghinis, Ferraris, Maserati, Porsches, Bugatti Veyron, Aston Martin... Era um mais belo e mais caro que o outro. Seus donos, como sempre, orgulhosos de seus potentes esportivos.
Embry estava polindo com uma flanela macia a lataria do seu xodó, o seu Bugatti Veyron azul cobalto. Jacob tinha acabado de fechar o capo do esportivo do irmão mais novo, era ele quem cuidava pessoalmente dos carros de luxo da família, só que no ato o moreno sujou a lataria, que foi imediatamente limpa pelo caçula. Eles estavam concentrados em uma conversa animada sobre o potente motor do automóvel quando foram interrompidos sem prévio aviso.
— Embry, que história é essa que a sua namorada não irá com a gente? – Rachel batia o pé freneticamente no piso do pátio principal de sua mansão. – Anda logo, comece a me explicar o que está se passando.
Embry revirou os olhos. Sua irmã era mandona e tratava-o como uma criança travessa que merecia ser repreendida constantemente. Ele parou de polir a lataria de seu carro e direcionou seu olhar diretamente para irmã, não iria adiantaria tentar ignorar Rachel Black Clearwater, era uma tarefa já fadada ao fracasso desde o início.
— A Jenny está uma grávida totalmente louca e desequilibrada. Ela me expulsou do apartamento dela a base de travesseiradas. Tive que vir sem ela, mas o Seth e a Babi me garantiram que vão convencê-la de vir. Mulher pra ter um gênio do cão! – resmungou baixinho, mas Rachel e Jacob escutaram.
— Com certeza é porque você merece, só faz besteira. Já gosto dela, mulher de fibra e personalidade forte. – Rachel o confrontou com um olhar desafiador, que o caçula preferiu não revidar. – Acho bom ela vir ou você estará ferrado. Ligue agora para o Seth que eu quero falar com ele.
Embry não discutiu com Rachel, conhecia bem demais a irmã para perder seu tempo convencendo-a do contrário. Quando a morena colocava algo na cabeça, não tinha ninguém que a fizesse mudar de ideia.
— Ela ainda está puta com você? – Jacob, que estava próximo ao irmão mais novo, perguntou.
Embry havia acabado de entregar o celular nas mãos da irmã, Seth já estava na linha.
— Não sei quem tem o gênio pior: Rachel ou a Jenny. A diferença é que um dia eu ainda vou assar aquela bunda gostosa que a Jenny tem com várias palmadas... Ela merece. Mas é bem provável que se eu fizer isso, ela depois acabe cortando o meu pau.
— Então, você está fodido meu irmão. – Jacob gargalhou dando tapinhas nas costas do irmão.
— Pronto. Já falei com o Seth e ele já está vindo com elas. – Rachel entregou o celular ao irmão caçula. – Agora vamos entrar que o café já está na mesa. E Jake. – chamou, atraindo a atenção dos morenos. — A Nessie esta fazendo umas combinações um tanto exóticas, acho melhor ir vê-la antes que passe mal.
Jacob arregalou os olhos e correu para dentro da mansão atrás da irmã, Embry também os seguiu. Ultimamente Renesmee estava empenhada em fazer combinações alimentares bem peculiares, nem ele sabia explicar como ela não passava mal.
Todos já estavam sentados a mesas e começando a desfrutar do delicioso café da manhã preparado pelos empregados da mansão de Rachel, quando os três últimos convidados chegaram.
— Bom dia família. Desculpem pelo atraso, mas estava em uma missão quase impossível essa manhã. – Seth sorriu brincalhão ao olhar para loira, que revirou os olhos. Ele estava agarrado na cintura da namorada. Jenny vinha logo atrás do casal. – Essa é minha linda namora Barbara. – selou brevemente os lábios aos da morena. – E essa é Jenny, a mãe do meu afilhado. Acho que também ainda é a namorada do Embry. – gargalhou por fim, levando alguns consigo.
— Pelo amor de Deus, Seth, não me faça arrepender-me de ter vindo. – Jenniffer sussurrou baixo somente para o moreno ouvir.
Nessa hora Barbara beliscou discretamente o namorado, o repreendendo pela piada de mau gosto. Ele mais nada falou, ou poderia sobrar para ele.
— Olá, sejam bem vidas a minha casa. Nós estamos muito felizes em conhecê-las, vocês duas agora também fazem parte da nossa família. – a linda morena falou sorridente, levantando-se de sua cadeira e caminhando em direção onde os três ainda estavam parados na entrada da sala de jantar. – Venham se sentar a mesa conosco e desfrutar do café da manhã, irei fazer as devidas apresentações. – indicou as cadeiras vazias para os três, que se sentaram imediatamente. Jenniffer ficou de frente para o namorado. — Eu sou Rachel Black, irmã mais velha do Embry e prima do Seth. Aquele é Paul, o meu marido, que também é irmão mais velho do Seth... – Rachel fazia todas as devidas apresentações de cada membro da família, informando laço sanguíneo, afetuoso e cada cônjuge. Só faltou os seus gêmeos, que ainda estavam dormindo no quarto deles. – Além de você, Jenniffer, a Renesmee também está grávida. Ela está esperando a primeira princesinha da família, porém agora, eu estou achando que talvez ela não seja a única. – Rachel sorriu cúmplice para a nova cunhada.
— Com certeza será a única menina por enquanto. Eu terei um menino. – disse a loira com orgulho.
— Como você sabe? Intuição? – Rachel questionou curiosa.
Todos olhavam a brasileira esperando por sua resposta.
— Como já completei as oito semanas e trabalho com isso, decidi fazer a sexagem fetal essa semana. – deu de ombros, porém começou a se explicar, já que todos ainda dirigiam seus olhares questionadores para ela. — É um exame de sangue simples que detecta o sexo do bebê. Eu estou esperando um menininho, o meu príncipe. – o sorriso que a brasileira deu transbordava a felicidade que ela sentia.
— O que? – Embry deu um pulo da cadeira, estava sobressaltado com a novidade. – Como você faz um exame e não me fala nada? Eu vou ter um garotão. – sorriu débil, recebendo os parabéns dos primos e irmãos. – Desde quando você sabe? Por que não me contou nada? Eu sou o último, a saber, o sexo do meu filho? – desandou a perguntar, não dando tempo da loira se explicar.
— Que história é essa dona Jenniffer? Agora anda me escondendo as coisas? – Barbara perguntou irritada, também foi surpreendida com a novidade.
— Calma, por favor. Posso me explicar? – a loira ergueu as mãos em sinal de rendição. – Eu só tive certeza ontem no final da tarde, pois o resultado demora pra ser processado. Sem contar que eu pedi para uma amiga de laboratório confirmar o resultado que eu tinha obtido. – explicou-se. — Eu queria esperar o momento certo para contar, e como a Rachel tocou sem querer no assunto, achei a hora perfeita, assim todos já ficam sabendo. – sorriu simpática, mas assim que voltou a direcionar seu olhar para o namorado, Jenniffer fechou a cara. — E com relação a você, Embry, eu já falei que só participará de alguma coisa do MEU – enfatizou o pronome possessivo — filho depois que o exame de DNA confirmar a sua paternidade, afinal, foi você quem quis assim. Se dê por satisfeito em saber o sexo do meu bebê. – Jenniffer não ia deixar passar a oportunidade de alfinetar o namorado. – Com licença. – levantou segurando o guardanapo de tecido próximo aos lábios e saiu às pressas da sala de jantar.
A mistura de cheiros de comida, perfumes e flores que estavam espalhados pelo ambiente fez com que o seu estômago revirasse com força, mas foi com a última exaltação que sentiu que não conseguiria mais se segurar, levantou correndo e deixou o recinto tão enjoativo ao seu sensível olfato de grávida.
— Deixa que eu vou. – Embry interceptou Barbara, que já se levantava pra socorrer a amiga.
— Só não a deixe mais nervosa, se não, vai piorar ainda mais o enjoou dela. – a morena recuou incerta, porém, sabia que o casal precisava conversar. — Ela tem passado muito mal, já até perdeu peso, nada para no estômago dela por muito tempo. – complementou a informação.
— Pode deixar que eu não farei ou falarei nada demais, eu só quero cuidar dela. – Embry já saia apressado da sala.
— Embry se fodeu bonito. – Quil falou em tom de brincadeira.
— O último Black indomável está totalmente dominando na coleirinha. – Paul gargalhou ao ver o primo correr atrás da namorada.
Todos os homens da família riam da piada ácida que o moreno fez. As mulheres, que já sabiam o que tinha acontecido com o casal, ficaram sérias. Elas tomaram as dores da brasileira. Nenhuma mulher decente gosta de ter a paternidade do filho questionada, principalmente de forma tão severa.
— Acho melhor parar de falar gracinhas, ou vai acabar sobrando pra você. – Rachel sustentava um semblante sério ao advertir o esposo. Paul parou imediatamente de rir. – Ela está certa. Se fosse você me falando todas as besteiras que o Embry falou para ela... Você iria conhecer o inferno aqui na terra.
Renesmee e Claire arregalaram os olhos com as palavras da cunhada. Ninguém falou mais uma gracinha ou soltou um risinho.
Conversas naturais e espontâneas fluíam durante o desjejum. O centro das atenções sempre era a amish grávida que fazia combinações peculiares de alimentos não compatíveis e a nova integrante da família que estava presente na mesa naquele momento. Barbara estava amando aquela receptiva família, uma vez que nunca teve nada do tipo em sua vida, o máximo de família que tinha era a amiga, que era como uma irmã.
— Nessie meu amor, pelo amor de Deus não coma isso, você vai passar mal. – Jacob advertiu a esposa, que já levava o garfo cheio a boca.
— Mas eu estou com vontade, amor. Foi você que falou que molho de mostrada e mel é uma delicia. – fez biquinho ao falar.
— Sim Nessie, mas pra comer em salada ou com carnes, não com frutas, que também já estão com pasta de amendoim que você acabou de colocar. – torceu a cara em repulsa.
— Deixa-a comer, ela está com desejo. – Quil se intrometeu no diálogo do casal. – O máximo que pode acontecer é ela por tudo para fora.
Por fim, Jacob não mais impediu a esposa de comer mais uma mistura estranha. Renesmee comia com gosto e satisfação, afirmando em cada garfada que estava uma delícia. Todos já haviam terminado de comer, mas eles ficaram observando com divertimento estampado nas faces a gestante saborear sua exótica iguaria. Eles estavam aguardavam a amish se dá por satisfeita para então seguirem viagem rumo à mansão de veraneio da família em Hamptons. Seria lá que aconteceria o casamento de Leah e Ethan.
Todos, com exceção dos noivos, iriam antes para casa de praia aproveitar a viagem em família e alguns dias de descanso. Leah chegaria no dia seguinte, já que ainda tinha que fazer a última prova de seu vestido antes de pegá-lo. Lancarter chegaria um dia depois de sua noiva, precisava realizar algumas cirurgias antes de tirar uns dias folga. No total eles ficariam cinco dias, o casamento ocorreria no quarto dia, ao crepúsculo de um sábado de verão.
Como prometido os The Wolf fizeram uma despedida de solteiro memorável para o médico do bando, e para não levantarem suspeitas, fariam dentro de quinze dias após o casamento de Leah, a despedida de solteiro de Quil, já que ele oficializaria o casório com Claire em uma grande cerimônia um mês após a prima.
— Ah, que bonitinho ver os dois assim juntinhos. – Barbara surpreendeu à amiga, que estava abraçada ao namorado. Eles estavam sentados em um banco que ficava no jardim da mansão, próximo onde os carros estavam estacionados.
— Eu só estou cansada, acabei de por para fora praticamente tudo que comi antes de sairmos de casa. – cortou a empolgação da amiga em um golpe único.
Embry imediatamente fechou ao sorriso que sustentava ao ouvir as palavras da namorada.
— Vamos embora. – chamou Sam. – Está na hora de pegarmos a estrada. – o barulho de alarmes sendo destravados era a melodia que entoava naquele momento.
O caçula dos Black após constatar que sua namorada estava melhor e visivelmente mais corada, mesmo ainda estado muito abatida, levantou-se com ela, já se direcionando para seu belo carro. Muitos casais já estavam dentro de seus veículos. Renesmee realmente iria com a cunhada e os bebês no carro blindado e dirigido pelo motorista da morena.
— Baby! – Jenniffer chamou de forma melosa o apelido carinhoso do amado. – Posso pedir uma coisinha?
— Tudo o que quiser, Baby. – Embry respondeu prontamente. Queria restabelecer à intimidade que haviam adquirido com o namoro, com isso, não negaria nada a ela.
— Posso ir dirigindo? Eu queria tanto dirigir o seu carro, sempre fui apaixonada por carros. – falou com os olhos brilhando, parecia uma criança.
— Essa eu vou querer ver. – Jake já sustentava um sorriso irônico.
Embry nunca deixava ninguém encostar naquele carro, quanto mais dirigi-lo. Quil, Paul e Emmet já gargalhavam da cara de desespero do caçula, era nítido que ele lutava contra ele mesmo, decidindo qual seria sua melhor escolha.
— Éeer... – Embry gaguejava. – Acho melhor uma próxima vez, você está fraca. – se esquivou.
— Estou fraca coisa nenhuma. – Jenniffer se desvencilhou dos braços do namorado. – Acho melhor eu ir com o Seth e a Barbara.
— Merda! Você venceu, pode dirigir. – estendeu a chave na direção da loira, que sorriu e correu pra pegá-la. Embry chegou a sentir uma pontada no peito, aquele carro era como um filho, mas naquele momento, estranhamente, sentiu vontade de satisfazer a vontade na namorada.
— Ela deve ser realmente muito boa pra conseguir dirigir esse carro. – Quil falou de forma maliciosa ao se referir a cunhada, arrancando sorriso dos demais.
Jeniffer não hesitou. Ela correu para o lado do motorista, entrando no carro e ligando o motor.
— Boa sorte Embry! – Barbara gritou assim que o namorado passou com seu Lamborghini ao lado do carro do primo. Sabia que a amiga era louca ao dirigir e amava velocidade, ela dirigia como uma criminosa em fuga.
Embry arregalou os olhos e se questionou sobre o que exatamente aquelas palavras significavam, mas não demorou a chegar a uma conclusão, pois a loira ao seu lado sorriu travessa e pisou com vontade no acelerador, arrancando com o carro a toda velocidade. Ele começou a rezar! Foi à única ideia que conseguiu ter.
TLAD
O sol brilhava forte e dourado no alto do céu azul de nuvens brancas com algodão, era um belo dia de verão. Os carros esportivos entraram no jardim assim que os portões foram abertos pelos seguranças. Lada a lado eles foram estacionando, mas o último dos veículos a parar calculou errado o espaço, raspando de leve a lateral da lataria na pequena pilastra.
A condutora não teve tempo para se desculpar, pois o dono do veículo, que estava no banco do carona, não esperou nem o motor ser desligado para descer e ver o estrago que tinha acontecido.
— Meu Deus! – levou as mãos na cabeça em desespero. — Olha o estrago que você fez no meu carro. – Embry estava desesperado ao ver o pequeno arranhão e o leve amassado na lataria reluzente do seu xodó.
— Me desculpa baby... – a loira veio abraçar o namorado em um gesto de se desculpar, mas o moreno não deixou que ela terminasse de falar, ele a interrompeu exasperado.
— Eu sabia que não deveria deixar uma louca dirigir o meu bebê, isso que da confiar em mulher no volante. – Embry agachou onde estava o dano e começou a passar a mão na lataria. – Nunca mais eu deixo ninguém dirigir você, eu sabia que não era pra deixar, mas ignorei meus instintos e deu nisso.
A essa altura da confusão todos já tinham se aproximado para ver o que acontecia. Rachel se aproximou da brasileira que tinha os olhos cheios de lágrimas.
— Deixa de ser idiota, Embry. – Rachel repreendeu o irmão. – Não foi nada demais, só um amassado mínimo e um pequeno arranhão. É só dá um polimento que sai.
— Esse carro é como um filho pra mim, e olha como ele esta agora por causa da louca da Jenny.
— Eu já pedi desculpas. Não fiz de propósito, foi sem querer. – a brasileira falou com a voz embargada pelo choro que tentava inutilmente conter. Efeito acentuado pelos hormônios da gravidez.
— As suas desculpas não vão consertar os danos que causou no meu carro.
— Embry! – Rachel gritou, chamando a atenção do irmão.
As mulheres da família estavam revoltadas com o tratamento que o caçula estava dando a namorada. Renesmee também já estava com os olhos úmidos pelas lágrimas.
— Eu fui uma idiota por achar que tinha lugar na sua vida fútil, que poderia te perdoar por todas as ofensas que me fez. Me esquece e o meu filho também. – Jenniffer falou entre as lágrimas. Não sabia para onde ir, mas queria sair dali.
Rachel compreendendo o olhar da cunhada, que fitava todas as direções buscando uma possibilidade de fuga, puxando a grávida chorosa pelos braços para dentro da mansão, que ficavam alguns metros dali.
— Jake... – Renesmee olhou em suplica para o esposo. Ela havia se compadecido com a situação.
— Vai lá pra dentro com a Claire e as outras. Preciso conversar com meu irmão.
Renesmee mesmo relutante entrou com a amiga e as demais mulheres, que já compreendiam que aconteceria uma conversa homem a homem.
— Olha a merda que você fez seu moleque. – Jacob deu um forte tapa na nuca do irmão mais novo, que ainda estava agachado olhando o dano de seu carro.
— Caralho Embry, você é idiota? Quer tentar ficar bem como a tua mulher agindo assim? – Quil deu outro tapa na nuca do irmão. – Você vai acabar perdendo ela e seu filho.
— Mas ela amassou o meu carro. – tentou se justificar. – Eu vim falando a viagem inteira pra ela tomar cuidado... E olha no que deu. – apontou para o estrago em seu esportivo.
— Embry, isso é só um carro. Você pode consertar ou vender e comprar outro novo. – disse Seth.
— Mas pode ter certeza que dinheiro nenhum vai consertar ou comprar ela e o seu filho. Esta na hora de rever as suas prioridades, você não é mais um moleque e daqui a pouco será pai. Assuma as suas responsabilidades. – Sam complementou falando seriamente.
Embry abaixou a cabeça e pensou em tudo que seus irmãos e primos lhe disseram, agora que tinha se dado conta da burrada que havia feito. Falou coisas que magoaram a única mulher que não queria mais que fosse machucada. Tinha prometido a si mesmo que Jenniffer jamais sofreria novamente, mas ele foi o primeiro a fazê-la sofrer. Odiou-se por isso.
— Agora você entende tudo que passei com a Nessie? Cada erro e culpa? Só que a Jenniffer não é a Renesmee, ela não vai te perdoar tão facilmente. Acho melhor começar corrigir seus erros e implorar perdão pra mãe do seu filho. – Jacob abraçava o irmão caçula pelo ombro. – A propósito, parabéns pelo garotão. Vou precisar de muitos homens na família pra tomar conta da minha princesa. – sorriu amplamente, mostrando a fileira impecável de dentes brancos.
Eles ficaram mais algum tempo conversando e aconselhando o caçula. Embry e Seth por serem os mais novos, foram muito mimados e protegidos pelos demais, por isso eram tão irresponsáveis e inconsequentes. Porém havia chegado a hora de ambos crescerem, mas isso não os impediriam de cometer alguns deslizes no caminho do acerto.
TLAD
Em um canto próximo a piscina um grupo de homens conversavam animadamente enquanto separavam tudo que iriam precisar para fazer o churrasco para o almoço. Ainda era cedo, pouco mais de dez horas da manhã, mas eles já arrumavam tudo que iriam precisar. O freezer tinha acabado de ser abastecido com: cervejas, energéticos, champanhes, sucos, águas, refrigerantes... Uma infinidade de opções para todos os gostos. A música já tocava alta e caracterizava o clima de festa.
Um dia havia se passado desde que chegaram a casa de veraneio da família. Leah tinha chegado naquela manhã e encontrava-se reunida com as mulheres dentro da casa, mas elas logo se juntariam aos maridos ao redor da enorme piscina. O sol era forte e tornavam o convite ao mergulho irrecusável.
— E ai Embry, resolveu as suas pendências com a sua mulher? – Quil perguntou ao irmão, que em resposta retorceu os lábios em um careta.
— Pela cara de quem não fodeu, eu acho que a resposta é não. – Paul debochou do cunhado.
— Vai tomar no cu, Paul. – Embry xingou grosseiramente. — Sabe muito bem que a qualquer momento pode ser você a dormir no quarto de hóspedes.
— Então nem no teu quarto você entrou? – Jacob também já gargalhava. – Tá fodido meu irmão, na verdade, não esta fodendo nada.
— A brasileirinha é osso duro de roer. – Emmet brincou. – Vai acabar com os ovos encruados por falta de sexo.
— Pelo menos um filho ele já fez. – até Seth zombou do primo.
— Vão todos se foder! – Embry deu as costas e caminho em direção à piscina, mergulhando de cabeça assim que tirou a bermuda.
Ele estava com a cabeça quente, teve uma noite péssima, culpa e remorso o dominava e em nada a namorada lhe ajudava, sempre trancada no quarto e ignorando por completo os pedidos de desculpas. Decidiu nadar um pouco para esfriar as ideias torturantes.
— Aproveite bem a água fria, assim acalma os ânimos. – Jared gritou para o primo escutar. – Opa! E eu vou aproveitar que a minha morena está de bom humor e está vindo para cá. – sorriu malicioso ao avistar Kim, Rose e Alice caminhando em direção a piscina.
— Bom dia! – cumprimentaram juntas. – O sol está maravilhoso, queremos aproveitar para pegar uma cor.
Elas já despiam os corpos de suas saídas de praia e deitavam nas espreguiçadeiras que estavam distribuídas ao redor do deck da piscina.
Não demorou muito para Emmet estar com Rose dentro da piscina dando uns amassos bem suspeitos, Jasper com Alice estavam deitados juntos e se beijavam com luxúria, já Jared e Kim saiam de fininho em direção à sauna.
— Rose! – Jacob gritou, chamando a atenção do casal que saiam da piscina naquele momento, a expressão de satisfação estava estampada na cara do casal. – Sabe me dizer o por quê da Nessie e das outras estarem demorando tanto?
— A Leah estava fazendo umas ligações, Emily acabando de tomar café da manhã, a Nessie e a Claire estavam sendo convencidas por Rachel a colocarem os biquínis e a Babi falou que vai esperar a Jenny acordar.
— Acho melhor eu ir lá vê o que esta acontecendo. – Jacob comentou.
— Não será preciso, olhem elas vindo lá. – Sam apontou na direção ao extenso jardim que ligava a mansão a piscina.
Emily, Rachel, Claire e Renesmee vinham caminhando juntas. Os gêmeos vinham um no colo da mãe e o outro no colo de Claire, uma senhora também as acompanhava, era Maria, a babá dos gêmeos.
— Paul fica um pouquinho com eles, quero pegar um pouco de sol. – Rachel passou Billy para o colo do pai, Quil correu para pegar Harry do colo da amada.
— Que isso minha morena? Esta um espetáculo! – Paul falou malicioso assim que a esposa tirou o vestido que usava e ficou somente de biquíni branco, Rachel estava em sua melhor forma.
Emily havia tirado a saída de praia e encontrava-se deitada de biquíni ao lado de Rose e Alice, Rachel foi se juntar a elas.
— Vamos meninas, tirem as saídas de praia, vamos pegar um sol. – Rachel falou para as cunhadas, as amish estavam visivelmente constrangidas.
Claire — como sempre — foi a primeira a tomar iniciativa, mesmo morrendo de vergonha, ela começou a retirar o vestido que usava, era conjunto com seu biquíni floral. Suas bochechas estavam vermelhas, mas ela tentou agir o mais naturalmente que conseguia.
Jacob ao reparar que a esposa tremia ao abrir lentamente cada botão da sua saída de praia, foi em sua direção para ajudá-la.
— Nessie, vem aqui. – chamou pela esposa. Jacob havia se sentado em uma das espreguiçadeiras espalhadas pela piscina, ele ajeitou o chapéu na cabeça da amada. – Rachel, onde está o filtro solar dela?
— Pega aqui na bolsa. – estendeu a bolsa de grife da coleção de praia. – Comprei fator cem para ela e para Claire. Elas nunca pegaram sol, vão tem que se proteger bem. Quil vem passar filtro solar na Claire.
O moreno imediatamente passou o sobrinho para o colo de outro tio – Sam — e foi em direção à amada, pegando o tubo de filtro que a irmã lhe estendeu. O moreno começou a passar o creme por todo o corpo alvo da esposa. Claire era tão branca quanto leite.
— Ei, porque a vergonha? – Jacob perguntou baixinho, segurando carinhosamente o queixo da amish, olhando diretamente no azul turquesa dos olhos dela. — Não precisa ficar constrangida, estamos todos em família, você esta vestida como todas as outras, é normal.
Jacob começou a desabotoar os botões que ainda restavam para serem abertos da saída de praia e a retirou sem cerimônias. Ele contemplou encantado as curvam da amada, que estava perfeita com sua barriga de seis meses. Renesmee estava morrendo de vergonha e evitou olhar até para os lados, só os olhos negros era o que ela enxergava.
Renesmee era um tesouro escondido por atrás das roupas discretas que usava. Seu corpo apesar de ser pequeno, era muito bem desenhado, e mesmo grávida, só o volume já bem proeminente que denunciava tal fato. Até agora ela só havia engordado dois quilos e meio.
Jacob pediu que ela virasse de costas e começou a passar o protetor por todo o corpo da amish. Renesmee conseguia ser ainda mais branca que Claire. Ele repetiu o mesmo cuidado na parte da frente do corpo da esposa, tomando todo o cuidado de não esquecer nenhuma parte. Deu ênfase na barriga volumosa, que não parava de mexer conforme ele alisava e falava com a filha. Eles tinham se esquecido dos demais ao redor, estavam como sempre, presos em uma bolha particular. O moreno não poupava carinho com a amada, que estava mole em suas mãos devido ao gesto de carinho e toque.
— A Nessie está muito linda grávida, está perfeita, só tem a barriga. – Emily comentou com as outras mulheres.
— Ela quase não engordou, só botou barriga mesmo. Na gravidez dos meninos eu engordei doze quilos e Leah ainda falou que era uma vitória, a Nessie não engordou nem três quilos em seis meses. – comentou Rachel.
— Jake, Nessie? – Quil chamou, assim que o casal olhou ele bateu uma foto. – Ficou perfeita.
Jacob se levantou e colou o corpo nas costas da amada, abraçando-a por trás e pondo as mãos no ventre gravídico. Quil entendeu o recado e começou a fotografá-los. O casal começou a rir espontaneamente, o que fez com que a atenção de todos se prendesse na sintonia do casal.
— Por que vocês estão rindo tanto? – Claire perguntou com curiosidade.
— É a chaveirinho que não para de se mexer, ela parece que vai sair a qualquer minuto. – Jacob falou com orgulho.
— Eu quero sentir. – Claire saiu correndo em direção ao casal, pondo a delicada mão no ventre da amiga. – Ela chutou, eu senti. – Claire tinha lágrimas nos olhos ao falar cheia de emoção.
Não demorou muito para que a barriga alva tivesse várias mãos tocando-a, sentindo a vida que já vivia ali dentro. A pequena não parecia tímida naquela manhã.
— Como tenho saudades dessa época. – Rachel lembrou saudosa. – Acho que quero engravidar de novo.
— Pelo amor de Deus, morena, vamos esperar um pouco mais, os meninos ainda são muito pequenos. – Paul disse com desespero.
Rachel nada respondeu, somente deu de ombros e voltou a por a mão na barriga da cunhada.
— O que é isso minha gente? – Leah havia acabado de chegar à área da piscina e encontrou praticamente todos da família disputando um espaço no ventre de Renesmee.
— A chaveirinho está toda serelepe hoje, ela não para de mexer. – Rose respondeu empolgada, estava sentindo a barriga da amish se mexer.
O nome do bebê ainda não tinha sido escolhido pelo casal, então o apelido acabou sendo aderido por todos os membros da família.
— De tímida essa princesinha não tem nada, ela sempre faz pose nas ultras. Acho que vai puxar a desinibição dos Black.
— Prefiro que seja tímida e acanhada como a mãe. – Jacob rebateu sem humor. Ele sabia como sua família era totalmente desprovida de qualquer vergonha. – Ou vai me dá muito trabalho. Já vou começar a procurar os melhores colégios só para garotas de New York, de preferência, colégio de freiras.
— Não comecem vocês. – Rachel cortou de imediato, já que os outros homens da família começaram a reforçar o coro com Jacob, eles já tinham ciúmes da princesinha da família.
Todos bajulavam a grávida, que mesmo morrendo de vergonha, não se importou de ter várias mãos acariciando sua barriga. Renesmee já sentia todo amor que sua filha teria, e isso a deixa imensamente feliz.
Havia se passado um pouco mais de uma hora desde que a piscina tinha sido ocupada, quando as duas últimas pessoas que faltavam chegaram.
— Se não são as belas adormecidas que despertaram do sono de beleza. – Rachel brincou com Barbara e Jenniffer, que não estava com a melhor das caras.
— Está tudo bem, Jenny? Você está muito pálida e abatida. O que está acontecendo? – Leah perguntou com preocupação, a brasileira estava nitidamente mais abatida que na última consulta, que foi há menos de uma semana.
— Ela não consegue comer nada, tudo que come acaba pondo pra fora, ela está até mais magra. – Barbara que respondeu pela amiga. – Isso não pode ser normal.
— Realmente esse excesso não é normal, ela deve está desenvolvendo hiperêmese gravídica. Se ela não melhorar vou ter que te interná-la para tratarmos isso de forma mais rigorosa. Por enquanto, vou prescrever uma medicação que ajudará na melhora desses enjôos e lhe passarei uma dieta mais saudável e natural, você vai fracionar sua alimentação em pequenas porções ao longo do dia.
— Obrigada Lee, eu não aguento mais esses enjôos e essa azia, isso está acabando com meu humor.
— Já falei que amo essas minhas grávidas da família? Nem um pouco complicadas. – Leah sorriu ao olhar para Renesmee e Jenniffer. – Vou ligar para farmácia e pedir que eles entreguem a medicação aqui em casa. – pegou o celular na bolsa e já fazia a ligação.
Jenniffer novamente agradeceu.
— Juntem-se a nós meninas, venham pegar um pouco de sol, está uma delícia. – Kim convidou as brasileiras. – É verdade que vocês são brasileiras? Eu e o Jared já fomos duas vezes ao Brasil. Amo aquele país.
— Somos sim! Eu sou paulista, mas morei alguns anos no Rio. Jenny é carioca, mesmo sendo branquela desse jeito.
— Aaaah! Nós ficamos no Rio e amamos, que cidade linda e povo receptivo. – Kim gritou empolgada.
As mulheres ficaram conversando animadamente, mas as brasileiras estavam relutando para tirarem as suas saídas de praia.
— Meninas, vocês estão com vergonha de tirar a saída de praia? No Brasil o que mais tem são praias, então, não é por falta de costume como as nossas amish. – Rachel apontou para Renesmee e Claire.
— Na verdade, estamos com um pouco de vergonha sim. – Jenniffer confessou. – E é exatamente por sermos brasileiras.
— Como assim? – Rose foi quem perguntou primeiro.
— É que vocês americanas usam biquínis bem comportados, mas infelizmente nós nunca nos acostumamos a esses modelos, não temos corpos para isso.
— Deixem de besteira, vocês duas tem corpos lindos. – Emily falou confusa, ela não estava entendendo onde as brasileiras queriam chegar.
— Tirem logo isso e venham se juntar com a gente. – Alice falou animada.
— Está bem então. – Barbara olhou para amiga, que deu de ombros.
As brasileiras olharam de soslaio para o grupo de homens que bebiam mais afastados de onde elas estavam. Eles estavam começando a acender a churrasqueira para prepararem o almoço. Hora ou outra dirigiam o olhar na direção que as mulheres estavam reunidas.
Elas tiraram as bolsas dos ombros e começaram a se despir. A loira abria sua saída de praia no estilo quimono com franjas na ponta, expondo o pequeno biquíni vermelho com babadinhos que pouco cobria o seu corpo curvilíneo, já a morena começou a suspender a saia rodada da sua saída de praia, ficando só com um mini-biquíni amarelo de lacinho. Por coincidência, foi exatamente naquele momento Jared, Paul e Jacob direcionaram os olhares para onde as suas mulheres estavam reunidas.
— Eita porra! – Paul chegou a se engasgar com um pouco da cerveja que bebia naquele momento.
— Puta que pariu! – Jacob também olhava com a boca levemente aberta.
— Caralho. — Jared nem piscava.
Eles tinham falado ao mesmo tempo, atraindo assim a atenção dos demais, que seguiram com o olhar a direção que os três estavam encarando.
— Inferno! – Quil resmungou. – Vocês estão bem servidos, hem! – falou brincando para os mais novos, que estavam de costas para onde toda a cena ocorria.
Todos estavam olhando discretamente as curvas das brasileiras, elas tinham corpos perfeitos e muito bem delineados. Eles eram homens, e por mais que não desejassem as mulheres dos irmãos, não poderiam deixar de apreciarem os belos corpos, tatuados e bem trabalhados.
Seth e Embry estavam concentrados com Jasper na tentativa de acender a churrasqueira. Jasper parou o que fazia e passou a encarar as duas mulheres em pé de biquíni próximo a piscina.
— Mas que porra é essa? – Embry perguntou como que para si mesmo assim que constatou o porquê de todos estarem olhando como idiotas para a direção da piscina.
— Eu vou matar a Barbara. – Seth largou o saco de carvão e caminho pisando duro para onde a namorada estava. – CADÊ O PANO PRA COBRIR SEU CORPO? – gritou como louco, pegando uma toalha e cobrindo a morena.
— Tá louco, Seth? Tira isso de mim, agora! – Barbara devolveu a provocação no mesmo tom, arrancado à toalha de seu corpo. – Eu estou de biquíni como todas as outras.
— Vocês chamam esse barbante de biquíni? – Embry que falou agora, também querendo cobrir a namorada com uma toalha.
— Se de por satisfeito que esse é um dos maiores que eu tenho, no Brasil usávamos modelos bem menores. – Jenniffer respondeu desafiadoramente.
Claire e Renesmee arregalaram os olhos nesse momento, para elas as brasileiras estavam nuas, não conseguiram imaginar peças menores do que as que elas já estavam usando.
— Isso não é um biquíni, isso não é nem um tapa sexo. – Seth gritou.
— Verdade, eu já usei tapa sexo e eles são infinitamente menores. – Barbara ignorou o namorado e pegou seu protetor na bolsa, já começando a passar em seu corpo. – Amiga, passa logo o seu protetor, se não você vai ficar que nem camarão de praia.
— Vocês não vão ficar com esses barbantes. – Embry impôs.
— E quem é que vai me impedir? – Jenniffer desafiou o namorado, peitando-o. – Já usei coisas bem menores que isso na praia ou nos desfiles... Se as garotas não se importaram e até querem que arrumemos alguns biquínis para elas, quem são vocês para nos impedir.
— Como é que é? Que história é essa Kimberly? – Jared chamou pelo nome completo de Kim, isso só acontecia quando ele estava irritado.
— Você sabe muito bem que na época eu não comprei biquíni no Brasil porque não consegui o tamanho certo, mas as meninas falaram que da para comprar as peças separadamente, assim não terei problemas com a parte de cima e a de baixo.
— Eu também vou comprar uns pra mim, eu amei o modelo das meninas. – Rachel informou tranquilamente.
— Só se for por cima do meu cadáver. – ditou Paul.
— Você é quem sabe, isso não será um problema para mim. – Rachel rebateu a provocação.
A discussão sobre os polêmicos biquínis continuou por um bom tempo, mas no final, as mulheres venceram e permaneceram usando a roupa de banho brasileira. O bico que Seth e Embry sustentavam era maior que uma tromba de elefante, mas eles sabiam que não podiam fazer mais nada a respeito.
— Posso confessar um segredo pra vocês? Na verdade é mais um desejo. – Kim estava um pouco tímida ao falar, o que era uma raridade. — O meu sonho como bailariana profissional é aprender alguns ritmos brasileiros, sambar principalmente. Eu acho uma arte a combinação de movimentos e ritmo, é bem difícil. – confidenciou as brasileiras.
— Isso não precisa ser mais somente um sonho, a Jenny samba muito, ela já foi rainha de bateria de uma das melhores e mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro, ela pode te ensinar. Com certeza, você não poderia ter professora melhor que ela. – Barbara sorriu travessa ao contar, mas recebeu um olhar mortal da amiga.
— Sério? Eu também quero aprender. – Emily disse empolgada.
— Eu também! – Leah, Rose e Rachel disseram juntas, elas estavam animadas com a ideia.
— É serio meninas, eu sei sambar um pouco. – a loira confessou com desgosto, mas disfarçou para que as demais não notassem o seu descontentamento em relação ao fato. – Mas posso confessar outro segredo a vocês? – todas olhavam para loira com curiosidade, elas instintivamente haviam fechado um pouco a rodinha que estavam. — Ninguém dança melhor funk carioca que a Barbara, nem eu que nasci na cidade sei dançar como ela. Babi arrasava nos bailes da comunidade. – a loira sorria perversa para amiga. Se ela iria ter que abraçar o capeta, com certeza não iria só.
A verdade era que quanto mais elas duas fugiam de seus passados e tentavam apagá-los de suas vidas, mais eles as perseguiam.
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