Two Lives: A Destination
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Notas iniciais

TWO LIVES: A DESTINATION!
“Pai, Pai, Pai... Você vai ser pai Jake”
Eram as únicas palavras que ele conseguiu ouvir, na verdade elas ficaram ecoando em sua cabeça. Tudo havia se dissipado, até mesmo o estado de saúde de Renesmee. Com o telefone ainda em mãos, ele puxava pela memória qual o momento em que foi relapso com o contraceptivo, aonde ele havia errado bruscamente a ponto de resultar o que ele menos desejava em toda a sua vida.
O entendimento começou a passar pelos seus olhos, ele havia se esquecido de trocar o adesivo! Leah tinha razão, foi na semana do aniversário do primo. Jacob deixava lembretes em seu celular, mas naquela semana não deu muita atenção a ele devido à correria e problemas com o carregamento de armas.
– Jake, tá ainda ai? – Leah perguntou, mas o sonoro som de algo se espatifando foi tudo o que ela obteve em resposta.
Jacob saiu de seu torpor e arremessou o aparelho contra a parede, tamanha a força, que o celular se espatifou em pedaços.
– Merda Jacob! Merda! – gritou tentando liberar a sua fúria. Espatifar seu celular não foi suficiente, o moreno começou a jogar tudo o que havia em seu caminho: Cadeiras, objetos nas prateleiras, notebook, os papéis em cima da mesa, que logo em seguida foi para o chão também, se estilhaçando em milhares de cacos por ser de vidro. As mãos nervosamente passavam pelos cabelos, ele andava desnorteado pelo cômodo do escritório sem saber o que fazer... O que pensar. Ele só queria descontar a sua imprudência em alguma coisa, contudo, tinha plena consciência de que nada iria desfazer o seu erro! Sim ele havia cometido um erro, aquele filho era um erro, ele não sabia ser pai, ele mal consegue expressar seu amor por Renesmee. Não! Definitivamente, ele havia complicado tudo.
A porta foi aberta em um rompante, revelando a imagem de: Quil, Embry e Sam, que estavam em uma sala do escritório próximo ao de Jacob. Eles simplesmente não puderam ignorar todos aqueles sons e seguiram imediatamente para conter Jacob. O que foi inútil, pois nenhum dos três conseguiu contê-lo.
– Para Jake, tá louco irmão. – Quil esbravejou tentando segurar em um dos braços do irmão.
– Me solta caralho! Somem daqui, ou melhor, eu vou sumir. – gritou se esquivando dos irmãos e saindo pela porta, deixando um rastro de destruição para trás.
– Porra! O Jake tá surtando.
– Deixe-o, ele está transtornado e o melhor é ficar sozinho. – Sam alertou.
– Mas cara, o que será que o fez ficar assim? – Embry rolou os olhos pelo escritório totalmente destruído, inclusive avistou os retos do que era o celular do irmão. – Olhem, acho que o motivo foi alguma ligação, eu suponho. – abaixou pegando os caquinhos.
– Talvez seja a Nessie. Será que está tudo bem com ela? – Quil indagou, mas todos apenas deram de ombros, ninguém sabia o real motivo. Eles sô sabiam que independente do que fosse, era algo muito grave a ponto de enlouquecer o Jacob, e pior, ele sair sem dizer nada a ninguém.
– Quil, deixe que eles se resolvam. Jake é homem, não precisa de babá ao lado dele, essas atitudes infantis só vai acabar afastando Renesmee pra sempre. Vamos voltar ao trabalho, temos muitas coisas pra cuidar e resolver, não podemos desviar a nossa atenção. Jake logo estará de volta, com a cara cheia de pó e um litro de uísque pela metade nas mãos. – Sam não sabia o motivo e no momento não iria intervir, já que todos deduziram que poderia ser algo com ele e a esposa. Já estava na hora de Jacob amadurecer e resolver tudo sozinho.
TLAD
Os vultos eram vistos de soslaio pelo homem atrás do volante, tamanha era a velocidade em que estava. Faróis vermelhos não tinham cor, estava tudo apagado para ele, tudo cinza... Sem cor.
Jacob dirigia em alta velocidade, mas nada fazia com que aquelas palavras se dissipassem. A expressão em seu rosto era um misto de agonia, raiva, desespero e medo. Ele não tinha a menor noção e muito menos teve algum tipo de sobreaviso sobre como lidar com aquela situação algum dia.
Uma hora havia se passado desde que deixou seu escritório. A estrada estava livre, o que o fez voar direto para o seu refúgio. Ele não frequentava mais aquela velha cabana desde sua adolescência, onde muitas vezes ficou ali apenas pensando e se lembrando de como seus pais eram.
Jacob estacionou o carro e desceu, entrando em seguida na cabana, que mais parecia um chalé. Acendeu as luzes e sorriu. Tudo ali era exatamente igual há anos. A mobília, os livros na estante, a lareira onde ouvia estórias de seu pai... Eram raros esses momentos, mas ele os guardava muito bem nítidos em sua mente.
Ele se aconchegou na poltrona em que Billy costumava se sentar e passar algum tempo junto a família. Parecia que Jacob ainda o via ali.
Se ele estivesse vivo será que seria tudo diferente? Esse medo de assumir uma responsabilidade tão grande seria dissipado? Com certeza tudo seria diferente, e talvez, nem ele mesmo estivesse nessas condições.
Permitiu pensar por um momento, em como contaria a Renesmee, em como aquela situação agravaria seu casamento e a saúde dela.
Fechou os olhos. Ele não ia beber, não queria se entupir de drogas... Queria apenas relaxar e tentar achar alguma explicação para a sua vida. Até que ponto chegaria seus limites e seu casamento? Ele não queria filhos, nunca quis! Jamais ele havia pensado em algo do tipo. E o que mais o estava perturbando era o fato de que a culpa era dele, logo ele que nunca errava em nada.
– Caralho Jacob, como pode ser tão burro? Errar justamente nisso, algo tão simples! – ele tentava entender a situação, mas nada estava fazendo sentido. – Merda! Eu fodi tudo. – esbravejou levando as mãos ao rosto. Precisava de uma saída, precisava achar a solução. Mas qual seria?
TLAD
Mais uma manhã chegou rápida. As jovens ainda se sentiam cansadas pelo exaustivo dia anterior de trabalho e estudos. Os raios solares adentravam ao quarto do pequeno apartamento.
– Bom dia amiga! – Barbara cantarolou enquanto se espreguiçava. – Não quero trabalhar, não quero estudar... Quero ficar em casa como uma verdadeira vagaba hoje. – declarou preguiçosamente.
Jenniffer já estava de pé há alguns minutos e arrumava a sua cama.
As duas amigas dividiam um pequeno apartamento de apenas um quarto. Conheceram-se na faculdade, mesmo os cursos sendo diferentes, elas se encontravam no prédio da faculdade e também em festas de irmandades, o que fez crescer uma linda amizade durante anos.
– Levanta essa bunda gorda da cama, o dia está lindo. E além do mais; se não trabalhar não tem grana; E sem grana, não comemos, moramos ou estudamos... Então levanta! – brincou autoritária.
– Ok mamãe Jenny. Já estou indo, estou indo! – Babi se levantou e foi direto para o banho.
O apartamento em si era aconchegante, mas bem pequeno, só havia um cômodo de cada. Além de só um quarto, ele também tinha só um banheiro, minúscula cozinha e uma sala pequena.
– Hum! Que cheiro bom. O que fez hoje? – Babi perguntou ao chegar a minúscula cozinha e se sentar na pequena mesa.
– Waffles! – Jenniffer despejou no prato da amiga o café da manhã. Vendo Barbara analisar todo o conteúdo.
– Sem torrar? Milagre! – gargalhou.
– Vai à merda, ok! Enquanto você sonhava com o tal Seth, eu estava preparando sua comida, sua ingrata! – Jenniffer brincou e viu o sorriso da amiga se alastrar.
– Estou brincando, tu sabe que eu amo sua comida. – sorriu enfiando um pedaço de waffle na boca. – Fala sério! Aquele cara é um pedaço de mau caminho, não esqueço aquele beijo até hoje. Acho que o mundo está conspirando a nosso favor amiga, porque eu nunca ia imaginar encontrar eles novamente!
– Confesso que nem eu. Apesar de estar ainda muito puta nas minhas calcinhas, porque ficou caro para arrumar a porra da tela do meu celular. Cara, eles estavam cheios de sacolas de joalheria, poderiam ter pagado um novo. Fora o mico de ficar de quatro e derrubar minha casquinha, estava realmente saborosa. – Jenny estava frustrada por estar sem celular, mas estava feliz que tinha o telefone de Embry.
Ela olhou para Babi de soslaio vendo a amiga pegar um guardanapo e o levá-lo a boca com uma careta.
– O que foi? – perguntou sem entender.
– Amiga, eu amo sua comida, mas acho que você trocou o açúcar pelo sal. E nossa! Assim vou morrer hipertensa. – declarou bebendo todo o conteúdo do copo que tinha suco de laranja.
Jenniffer provou um pedacinho e viu que a amiga estava certa.
– Eca! Isso tá horrível. – começaram a gargalhar. – Foi apenas um pequeno deslize. Quem manda comprar dois potes iguais. Vamos comer na cafeteria da esquina, um pãozinho na chapa não mata ninguém. – sugeriu.
As duas se trocaram, pegaram seus livros, assim como a roupa de trabalho e colocaram tudo na enorme bolsa. Assim que estavam saindo do apartamento, o celular de Barbara começou a tocar freneticamente o som de Demi Lovato.
– Mas que porra de toque é esse? – perguntou gargalhando ao ouvir o som de “neon light”.
– Não torra. O seu toca Rihanna e o meu Demi. – disse alcançando o celular no bolso de trás de seu jeans. – Cacete Jenny é o Seth. Olha! – colocou o celular bem perto do rosto da amiga.
– Que porra meu, não sou cega, atende logo.
Barbara fez sinal de que sim e rapidamente clicou no verde da telinha do seu iPhone.
– Alô.
– Oi... Ér... Barbara? Quer dizer, Babi. Tudo bem? – Seth estava levemente nervoso.
– Sim, claro! E você?
Jenniffer observava com os olhos arregalados. Rapidamente colou seu ouvido no telefone, para que pudesse ouvir o que o rapaz dizia, já que haviam pessoas na portaria do prédio e não seria agradável colocar no viva voz.
– Estou ótimo. Eér... Cedo pra uma ligação?
– Não. Já estou saindo de casa para trabalhar. Quer dizer, estamos, porque minha amiga esta comigo.
– Oh, claro. Embry tentou falar com ela, queria se redimir pelo celular, mas não conseguiu.
– Jenny está sem ele no momento, mandou para o conserto. Mas porque está me ligando? – perguntou querendo parecer desinteressada. Jenniffer estava com a mão na boca, tentando abafar a risada.
– Não vou mentir gata, queria te ver. O que me diz de um encontro? Nós quatro? Já que Embry esta tentando falando com sua amiga e não consegue. Assim poderíamos nos conhecer melhor. – ao ouvir aquilo, ×Jenniffer imediatamente começou a dar pulinhos e fazer sinal de positivo com os dedos para Barbara.
A morena não sabia o que dizer. Seu passado não era muito favorável a romances, porém, pelo entusiasmo da amiga e pelo Deus grego que estava te ligando, não teve como negar.
– Tudo bem. Mas se querem nos conhecer melhor, nós iremos escolher o lugar. Pode ser?
– Claro! Só dizer o local e a hora, que passamos pra buscá-las.
– Ér... Pode ser hoje à noite, às nove. Tem papel e caneta?
O moreno sorriu do outro lado da linha, parecia criança ganhando um doce. Rapidamente ele anotou o endereço que ×Barbara ditou.
– Tudo bem então, nos vemos as nove. Até lá. – finalizou a ligação.
– Caralho amiga, nós temos um encontro. Vamos desencalhar! – Jenny sorria alegremente.
– Não se empolgue tanto amiga, sabe que eu não sou fã para romances.
– Você sabe que nem eu. Mas olha só, agora pouco, lá em cima, você estava toda assanhada pelo cara e agora tá fazendo doce amiga. Poupe-me! Fique nos beijinhos se quiser, mas aquele cara é ótimo partido. O que custa nos divertimos um pouco? Não fazemos isso há tanto tempo! Sem contar que somos calejadas, não vão brincar com a gente.
Barbara deu de ombros, grudando no braço da amiga, para que pudessem seguir seu caminho.
– Juro que Deus não poderia ter mandando pessoa melhor para me guiar naquele Rio de Janeiro. Você está certa, agora vamos tomar nosso café ou iremos nos atrasar.
Dito isso, as duas caminharam até a pequena cafeteria da esquina, onde saborearam o simples café da manhã e discutiram sobre a noite que estaria por vir.
TLAD
O sol já não brilhava com tanta intensidade, os raios estavam mais fracos, anunciado a chegada de uma tarde agradável de primavera, quando Leah entrou como um furacão no escritório de Quil.
– Onde tá o Jake? – perguntou sem nem ao menos cumprimentar o primo.
– Ei Lee, pra que toda essa selvageria? Não sei do Jake não, só sei que ele tá boladão.
– Merda Quil! Precisamos achá-lo. Tudo se complicou e não sei o que ele esta pensando agora ou que pode vir a fazer.
Quil percebeu que a prima estava preocupada, e levando em conta que o irmão saiu desnorteado após destruir tudo em sua sala, deduziu que a situação era realmente séria. Rapidamente ele se levantou indo em direção de ×Leah, que estava no centro do cômodo procurando algo em sua bolsa.
– Ok, agora eu fiquei preocupado. Jake saiu igual um louco daqui, não quis falar com ninguém. E agora você me aparece toda destrambelhada atrás dele, falando sobre situações... Desembucha Leah. O que tá pegando? – exigiu sério, mesmo com suas palavras bizarras.
– Não sei se devo Quil. É assunto do Jake e...
– Foda-se Lee. Desde quando tem essa porra na nossa família? Desembucha agora, porque eu to bolado já.
A morena respirou fundo, tirando o celular da sua bolsa. No mesmo momento entrou Embry, Seth e Sam. Eles estavam indo chamar×Quil para tomar um café na lanchonete de Emmett.
– Opa, visita. – Seth sorriu, mas o clima não era pra sorrisos, ×Sam também notou. – Ok! O que houve? – perguntou se sentando no enorme sofá de couro marrom, sendo seguido pelos outros.
– Leah eu ainda estou esperando. – Quil falou impaciente.
– Ok merda! Você é um saco Quil. Mas tendo em vista que estou preocupadíssima com o Jake e ninguém sabe dele, eu vou ter que falar.
– É sobre o Jake ter pirado? – Embry não perdia o senso de humor. – A Nessie tá de greve de sexo ou ele brochou?
– Cala a boca Embry, não é hora de brincadeiras. Leah está tensa, e eu agora fiquei preocupado com o modo que o Jacob saiu daqui. – Sam o advertiu.
– A Nessie está grávida! – disse de uma vez. Todos abriram a boca, mas nenhum som foi ouvido. Embry deu um pulo do sofá, ficando prontamente em pé.
– Porra! Eu vou ser tio mais uma vez. – Embry sorriu e foi o primeiro a dizer alguma coisa.
– Cara, por isso o Jake tá loucão. Ele não quer filhos, nunca quis. – Quil estava apático.
– Ele tá surtando gente, nós precisamos achá-lo. Eu não sei o que ele pode fazer com a Nessie. Nós todos sabemos como ele é estourado e isso mexeu com ele. Estou preocupada!
Sam nada disse. Apenas saiu da sala de ×Quil, indo até a sua, pegando as chaves do seu carro e voltando em seguida.
– Eu acho que sei onde Jake está. – ditou firme. – Mas eu vou sozinho, não quero uma cena. Ele está nervoso, se chegarmos de caravana, ele vai ficar ainda mais puto, então fiquem aqui que eu vou falar com ele.
– E o que faremos até lá? – Embry perguntou todo contente pela notícia.
– Vai tomar seu café Embry, juntamente com Quil e Seth. E aproveitem pra levarem ×Leah com vocês, ou ela ainda vai enfartar. – Sam girou nos calcanhares e saiu rumo ao seu carro.
Jacob podia ser muito estourado, mas ele escutaria Sam. Sempre o ouviu e não ia ser diferente agora. O moreno sabia onde achar o primo, só havia um lugar onde ×Jacob se escondia do mundo: a antiga cabana de seus pais.
TLAD
Branquinha corria de um lado para o outro sobre o tapete felpudo da sala de estar, ela carregava na boca uma bolinha cor de rosa, que fazia sons ao se movimentar. Os olhinhos miravam sua dona recolhida no sofá macio.
– Oh Branquinha! A mamãe não quer brincar agora, estou tão cansada. – Renesmee disse tirando toda a esperança da pequena cachorrinha. – Não me olhe assim. Suba, venha ver tevê comigo. – imediatamente a cachorrinha atendeu seu pedido, subindo em seu colo e se aninhando nos braços finos.
– Com licença senhora Renesmee, o jantar está pronto. Quer que eu lhe sirva ou irá esperar pelo patrão? – Mabelle anunciou na entrada da sala.
– Eu não estou com fome Mabelle, mas deixe o prato de Jake pronto, ele logo deve estar chegando.
– Desculpe me intrometer senhora, mas hoje a senhora não fez nenhuma refeição descente. Precisa se alimentar, ou o senhor Black irá ficar furioso. Com saúde não se brinca. – alertou com cuidado.
Renesmee sorriu fraco para a empregada. Mabelle era um doce de pessoa. Cuidava tão bem dela, com um amor materno sem igual. A loira se sentia acolhida ali.
– Mabelle, eu estou sem fome, não quero mesmo comer. Jacob me força e eu sempre me sinto mal depois. Esse mês está pior, eu confesso, mas tudo irá se resolver. Não se preocupe. Agora preciso de um banho, estou com muito sono.
A empregada nada disse, apenas assentiu e se retirou do ambiente assim que Renesmee passou por ela com branquinha nos braços, rumo ao seu quarto.
Renesmee retirou sua roupa e se olhou no espelho, a imagem a assustou. Estava ainda mais magra e muito abatida. Rezava para que seu período viesse logo, terminando com aquela tortura de comer forçado e de todos os cuidados excessivos.
O banho não foi tão relaxante quanto ela esperava. Por diversas vezes sentiu tonturas e teve que se segurar nas paredes, evitando uma queda. Nem os enormes cabelos ela lavou, estava sem animo para tal ato.
Vestiu-se e notou em seu criado mudo uma bandeja com frutas, suco e panquecas com mel.
– Mabelle. – sussurrou fazendo careta para a comida, servindo-se apenas do suco. Logo em seguida deitou em sua cama e se cobrindo com o edredom. Queria muito esperar Jacob chegar, mas não estava com tanto ânimo. Tiraria o que ela julgou ser “um pequeno” cochilo, mas se espantou quando acordou e o relógio marcava 21h30min. – Jake! – chamou pelo marido, mas ao rolar os olhos ao seu lado da cama, ele estava intacto. Sinal de que Jacob não havia chegado.
Levantou-se e foi procurá-lo pela casa. Seu estômago reclamou pela fome, e ela apenas abocanhou uma maçã na cozinha. Nenhum sinal de Jacob, nem mesmo os empregados, todo já haviam se recolhido em seus quartos.
Caminhou até o telefone fixo e discou alguns números, mas nada! O celular era somente caixa postal. A loira decidiu não se desesperar por hora, todavia que o marido tinha costume de chegar tarde às vezes, o que seria uma pena, já que o cansaço se abrangeu do corpo da loira novamente, lhe levando ao mundo dos sonhos no sofá da sala.
TLAD
O mundo tinha parado o seu curso natural, nada estava ali, somente um corpo inerte em seus pensamentos, largado naquela poltrona velha e empoeirada.
Na verdade ele não pensava. Sua mente estava vaga, sem rumo... Estava tão compenetrado naquela bolha particular, que não notou a porta ser aberta.
– Isso aqui está bem sujo, mas ainda é tão aconchegante quando éramos crianças. – Sam sorriu ao entrar na cabana, Jacob ao ouvir a voz do primo, rapidamente acordou de seu transe.
– Como sabia que eu estava aqui? – indagou curioso.
– Ora Jake, eu lhe conheço bem demais. Sei que agora, mais do que nunca, você precisava ficar sozinho. Que é pra cá que você vem quando necessita de uma atenção espiritual, mas acredite, seu pai não vai ressuscitar dos mortos e dizer o que você tem que fazer! – exclamou se sentando em outra poltrona a frente de Jacob. – Na verdade, eu ia vir até mais cedo, mas fui primeiro para casa. Você precisava de um tempo, contudo, Leah me ligou perguntando sobre você, se eu o tinha achado. Então resolvi vir logo, todavia que eu saí do escritório cedo e ela achou que eu já estava vindo.
– Então já sabe. – Jacob suspirou com pesar, ×Sam assentiu. – Leah tinha que abrir a boca.
– Ora Jake, não a culpe. Você quebrou tudo, estava igual um louco. Ela ficou preocupada. Você sabe como as mulheres dessa família são. Mas e ai, o que irá fazer a respeito?
Jacob pendeu a cabeça pra trás encostando na poltrona. Os olhos fechados e os seus dedos apertando o empoeirado estofado. Após um longo tempo em silêncio, ele deu uma lufada pesarosa.
– Eu não posso Sam... Não posso arcar com essa ideia.
– Jake, não é uma ideia, é um fato. Você não esta questionando, ele já aconteceu e você precisa se resolver internamente com isso. Você vai ser pai e precisa arcar com essa responsabilidade. Renesmee precisa de você, aliás, ela já sabe? – Jacob negou se levantando. – E o que você está esperando pra contar? Tendo em vista que toda a família já deve estar sabendo.
– Estou esperando Sam, que eu possa entender tudo. Não quero um filho, não quero ser pai!
– Você não tem mais o que querer Jake, já está feito. Tem uma vida crescendo dentro da mulher que ama.
– Eu sei! Não precisa me lembrar disso. – retrucou arrogante.
– Então não se faça de ingênuo, acorde pra sua realidade. – Sam se levantou ficando frente a frente com o primo.
– Realidade Sam. – riu irônico – Qual? A de que Renesmee esta doente e que isso só a prejudica ainda mais? Ou a realidade de que ela anda cheia de seguranças, e nem sabe, por ser simplesmente a mulher de um cara que é cercado de inimigos por toda a parte. Essa realidade? Será que você não percebe que um filho me deixaria ainda mais vulnerável. Fora o fato de que eu não sei... Não sei ser pai! – gritou espatifando um vaso que ficava sobre a mesinha de canto. A fúria tinha o tomado novamente.
– Quebrar tudo não vai mudar nada Jake. Você precisa se acalmar cara. Ser pai não é o fim do mundo, você tem que começar a superar isso.
O moreno andou em círculos, as mãos nos cabelos os puxando como se quisesse arrancar todos os pensamentos, todas as preocupações de dentro da sua mente.
– Jake, para cara! O que seu pai diria a você nesse momento? – Sam queria chegar a um ponto fraco, em um ponto que Jacob refletisse e fizesse o certo.
– Sam, você não entende... Eu a engravidei quando eu a machuquei, cara. Aquele dia pra mim foi o pior, depois da morte dos meus pais. Eu nunca senti tanto nojo de mim mesmo, como senti naquele dia. Eu fui um irresponsável, eu deixei tudo fugir do controle e olha o que resultou. Não posso aceitar que aquela criança foi fruto da minha monstruosidade... Eu, eu... Praticamente estuprei à Nessie aquele dia. Não, eu não quero!
Ele revivia todos os momentos em sua memória. Ele sabia o exato momento em que a engravidou, o momento de relapso com o contraceptivo. Mas já estava feito, ele só não sabia como aceitar e como entender aquilo tudo.
– Acorda pelo amor de Deus Jake. Independente do que você tenha feito cara, você a ama. Isso não vai mudar, ao contrário. Você a machucou, mas se sentiu mal, isso é um bom começo Jake. Você não é um monstro, está aprendendo a amar e a entender seus sentimentos. Tenho certeza que se tia Sarah e tio Billy estivessem vivos, seria a maior alegria ver como você esta evoluindo e crescendo, lhe dando netos e construindo uma família.
– Netos? Gêmeos? – Jacob não pôde descartar aquela possibilidade.
– Foi um modo em falar Jake. Você esta assustado demais, precisa relaxar e pensar em como contar a ela sem assustá-la. Renesmee é muito nova e acho que as coisas aqui fora há assustam um pouco.
Jacob sabia disso, mas tinha certeza que ela amaria a notícia, ao contrário dele; que nem odiou... Nem amou. Só procurava entender.
– Tenho medo Sam... – suspirou – Medo de que essa criança passe pelo o que eu passei. Medo de acontecer alguma coisa comigo e ele tenha que crescer duro para o mundo, assim como foi comigo. Você sabe que a nossa vida é propícia a isso, e já me dói imaginar a Nessie sozinha sem mim, imagine então desamparada com um filho.
– Então seu medo não de ser pai Jake, é de morrer! – Sam foi bem plausível.
– Nunca tive medo de morrer Sam, não seja estúpido, meu medo é de fazer sofrer as pessoas que eu amo.
–Então admite que já ama o bebê?
Jacob ficou calado. Andou lentamente para a poltrona se sentando, apoiando os cotovelos nos joelhos e enterrando o rosto nas mãos.
– Eu não sei ser pai Sam. Eu mal consigo levar meu casamento. Não podia ter feito isso a mim e nem a Nessie...
– Mas você os ama Jake, você não quer machucá-la. Então meu primo, se levanta e tome as rédeas da sua vida. Vá até sua casa e conte a ela sobre a gravidez, conte a ela o quanto você a ama e que o amor de vocês resultaram em um filho.
– Não posso! Eu... Eu... Simplesmente não consigo cara!
– Espera ai, eu estou mesmo ouvindo isso? Jacob Black dizendo que não consegue fazer?
– É diferente Sam, você sabe que é. – sussurrou derrotado.
– Não sei não, porque não é! Olha Jake, se lembra da nossa conversa com relação ao que você sentia pela Nessie? Sobre começar a fazer tudo certo? Isso é mais um passo cara, você consegue. Dê orgulho ao seu pai Jake, ele deve estar feliz agora. – Sam aproximou-se do primo e colocou a mão em seu ombro. – Você não tá sozinho Jake, nunca esteve. Somos uma família lembra? Estamos com você nessa, basta você querer. – foram as últimas palavras que Sam disse antes de sair da cabana e deixar Jacob sozinho.
Ele ficou por mais alguns minutos pensando sobre o que fazer. Ele não conseguia aceitar o fato de que ele errou, que desse erro veio um filho, uma responsabilidade a qual nunca imaginou ter. Mas Sam estava certo, ele tinha a necessidade de fazer o certo com Renesmee. Ele não poderia simplesmente jogar a bomba nas mãos dela e se encolher em uma bolha por se sentir frustrado e culpado. Mas a saúde dela também o afetava, ele sabia que não seria nada fácil lidar com toda aquela situação e ainda enfrentar seus fantasmas interiores. Mas alguma coisa precisava ser feita e cabia a ele fazer. Com isso, Jacob juntou suas forças e se levantou. Precisava o quanto antes falar com Renesmee, e que fosse o mais rápido possível.
TLAD
– Rachel, — Paul chamou pela esposa, que amamentava Harry, enquanto Billy dormia tranquilamente no bercinho do quarto da maternidade. – Leah ligou e você não vai acreditar. – Sentou-se ao lado da esposa acariciando os cabelos negros do filho, enquanto ele sugava vorazmente o seio da mãe.
– O que houve Paul? Meus irmãos estão com problemas? Por que ela ligaria pra você e não para mim? Estou ficando nervosa, não faça cerimônias.
– Calma amor... Fique tranquila. Se bem que eu gostei, mas o Jake...
– O que tem o Jake? Pelo amor de Deus Paul, eu não posso amamentar os bebês nervosa.
– Ei ok! Amor fica calma. Além de você ser a mãe mais linda de todo esse mundo, você será a tia mais babona que uma criança pode ter. – disse meio sem jeito.
Rachel arqueou a sobrancelha confusa. Tia? Mas que papo de louco era aquele. Até que ela ligou os fatos, por Paul ter mencionado o nome do irmão.
– Não me diga que o Jake...
– Isso mesmo... Jake vai ser pai! Mas parece que o cara surtou e que ninguém sabe dele.
– Oh Paul, isso é maravilhoso. Não percebe? Renesmee e Jacob estão formando uma família, isso é uma benção. Jake deve ter surtado mesmo, mas eu o conheço, ele vai se conformar. Principalmente depois de perceber o quão bem isso fará aos dois. Estou tão feliz. – ela sorria emocionada, levantando o pequeno Harry e o entregando a Paul, para que o fizesse arrotar. No mesmo instante Billy acordou berrando e ela já conhecia o choro agudo, era fome! – Só não sei quanto à parte dos berros, essas crianças estão me deixando doidas Paul. – brincou aninhando Billy nos braços.
– Quem mandou ter uma “trolhada” de filhos? – Paul entrou na brincadeira. – Espero que o Jake fique bem mesmo Rach. Ele é loucão e nunca quis filhos. Mas confesso que estou amando ser pai e vou amar ser tio. Ele ainda nem contou a Nessie, todos já devem saber, menos a gestante.
Rachel riu da piada do marido.
– Jake vai superar, ele precisa de um tempo. Ainda bem que depois de amanhã, já estaremos indo pra casa. Assim posso conversar a vontade com ele e se precisar com a Nessie também.
Os papais ficaram babando e brincando com os filhos. Mas Rachel não podia negar que ficou apreensiva pela atitude do irmão de sumir, ela só pedia em pensamentos para que ele colocasse a cabeça no lugar e não fizesse nenhuma besteira.
TLAD
As duas belas mulheres ficaram tão empolgadas, que tiveram a sensação que as horas passaram voando. Com isso, já era noite e estavam se arrumando para saírem.
– Eu não sei amiga, será que eles vão curtir o clube? – Babi terminava de colocar seu vestido. Ele era de uma estampa escura e muito sexy. Por ser frente única, deixar suas costas a mostra, sem deixar de ser extremamente feminino, já que ele era acinturado e descia soltinho até o meio de suas coxas bem torneadas.
– Lógico que vão! Babi, esse encontro não é para nos conhecermos melhor? – a amiga assentiu – Então! Vamos mostrar um pouquinho do que curtimos, estou cansada dessas baladas daqui, são sempre tão...
– Previsíveis. Eu sei! – completou.
– Na mosca. Acha que está boa essa saia? – Jenny estava com um look totalmente propicio para a noite maravilhosa que as esperavam lá fora. Usava um Cropped preto com estampa floral, uma saia soltinha rosa fúcsia e o indispensável salto alto, já que era baixa em altura.
– Sim amiga, está a sua cara. Valoriza muito seus seios comprados... Agora me passa o blush. – Barbara fez sua maquiagem, em seguida maquiou a amiga, ressaltando os lindos olhos verdes que ela tinha. – Tá linda sua vaca! Vai matar o garoto quando começar a rebolar. – brincou.
– Ah tá! E você não né? Agora vamos descer, já são quase nove e... – Jenniffer não terminou de falar, o celular da amiga começou a tocar. Uma olhou para outra, um olhar sugestivo. – Nossa! Eu gosto de pontualidade. – sorriu.
– Oi. Já estamos descendo. – Barbara finalizou a ligação, pegaram suas bolsas e foram ao encontro dos rapazes que as esperavam na frente do prédio.
Seth e Embry haviam chegado há alguns minutos e estavam esperando encostados cada um em seu carro. Logo após Seth ligar e avisar que já estavam esperando por elas, não demorou muito até duas figuras deslumbrantes aparecerem na frente do prédio.
– Porra cara! É hoje que a minha cama vai ficar deliciosamente quente. – Embry sussurrou malicioso sem tirar os olhos da linda loira. Seth apenas concordou. Ele estava tão absorto na imagem a sua frente, que não conseguia esboçar nenhum som.
Eles caminharam até elas, as cumprimentando. Ambos estavam bem casuais em suas calças jeans e camisa pólo, diferenciando modelos, cores e lógico a marca.
– Estão lindas. – Seth elogiou as duas, mas seus olhos estavam fixos nos olhos cor folhas de outono, que tanto o cativou na boate aquela noite. Já Embry analisava minuciosamente cada curva do belo corpo da loira, parando em seus seios cheios.
– Vocês também não estão nada mal. – Jenniffer brincou na tentativa de atrair o olhar de Embry para seus olhos, não seu corpo.
– Aonde nós vamos? – Embry perguntou.
– Hum... Conhecem o Hall? – eles negaram – Ótimo, é para lá que vamos! – Barbara sorriu.
Os morenos se entreolharam, pois nunca haviam ouvido falar sobre essa tal boate, que na verdade era um clube.
– Estamos em carros diferentes, se importam? – Seth perguntou.
– Oh, não! Vamos para o mesmo lugar, então isso não interfere. – Jenny foi gentil.
Rapidamente Embry se postou ao lado da loira e a encaminhou para sua BMW blindada, assim como Seth encaminhou Barbara para seu Volvo SUV.
As garotas foram guiando todo o caminho. Ambos os casais não entraram em nenhum assunto, apenas o caminho a ser seguido.
Os carros estacionaram em frente a um prédio de aparência antiga. O local era no subúrbio de NY, o que espantou os morenos, já que as jovens não tinham cara de frequentar aquele tipo de lugar.
– Nossa, tem certeza que há alguma coisa ai dentro? – Embry analisava toda a estrutura do prédio velho e com pouca iluminação na fachada.
– Tenho certeza que vão gostar. Isso é... Se forem ecléticos! – Jenny piscou para a amiga, que lhe deu um olhar cúmplice. As duas se encaminharam até a entrada do prédio, dizendo os seus nomes para o homem negro na recepção, que as cumprimentou com satisfação.
– Ora, ora! Fazia algum tempo que eu não contemplava essas belezas raras na noite. Como vão meninas? Muito estudo? – o enorme homem as cumprimentou alegremente.
– Olá Jeff. Estávamos bem atoladas com os estudos. Já está cheio?
– Oh, sim! De uns dias pra cá, isso aqui vem lotando.
– Esses são Embry e Seth. Estão com a gente Jeff. – Babi apresentou os morenos, que não foram muito gentis. – Vamos entrando. – a morena já puxava Seth pelas mãos.
Embry e Seth estavam no encalço das duas mulheres que adentravam ao corredor iluminado. O lugar era totalmente diferente em seu interior. Assim que chegaram ao enorme salão, puderam avistar um palco com músicos tocando uma melodia latina, um bar muito bem conceituado e diversas mesas ao redor do salão. Mulheres dançando, homens galanteadores.
– Seth, isso é um clube latino ou é somente a minha impressão? – cutucou o primo.
– De onde essas minas são caralho? – a pergunta foi retórica.
Barbara e Jenniffer eram cumprimentadas por todos, já eram bem conhecidas ali. Amavam o seu país de origem e não podiam viver longe de um samba! Quando descobriram sobre o Clube Hall, começaram a frequentar assiduamente o lugar. Com isso, se tornaram conhecidas pelos outros frequentadores, não somente latinos como os americanos também. O que despertou raiva nos morenos por elas serem a atração de tantos olhares.
O local tinha dois ambientes. Além do salão principal, havia um segundo ambiente, com mesas de sinuca na parte de cima e um charmoso lounge, onde os casais podiam ficar mais a vontade.
Os quatro ficaram em uma mesa no andar debaixo. Beberam, conversaram e ficaram boquiabertos ao ver a ginga e rebolado das moças, quando as elas foram para a pista de dança.
– Essas minas tão tirando pra caralho. To de pau duro e elas lá dançando. E esse bando de marmanjo babando nos atributos físicos da minha loira! – Embry não aguentava mais ficar sentado apenas observando, porém não ousou dançar, ele não conseguiria acompanhar o intenso ritmo.
– Tá foda cara. Olha só aquelas pernas e bunda... Como Deus é tão generoso. – Seth não tirava os olhos do remexer da morena.
As moças tinham charme ao dançarem, fazendo caras e bocas. Eram do tipo sensuais e provocantes, o que atraiam olhares de muitos homens no local.
– Jenny, acho que devemos ficar com eles. – sugeriu.
– Ah, amiga! Quero dançar mais um pouquinho. – choramingou.
– Olha só amiga, eles estão lá sozinhos, não sabem sambar. Vamos! – Babi pegou a amiga pela mão e foram se sentar com os morenos. – Espero que não tenham ficados chateados em ficarem um pouco sozinhos, mas fazia tempo que não vínhamos aqui.
– Sem problemas. A visão estava ótima! – Seth sorriu safado, fazendo Barbara corar. — Vocês são de onde? Qual país? Pois americanas eu tenho certeza que não são!
– Vai tentando adivinhar. Garanto que até o final da noite vocês descobrem! – Barbara desafiou os morenos de forma divertida.
– O que tem lá em cima? – Embry perguntou curioso.
– Algumas mesas de sinuca e um Lounge. – Jenny respondeu, o que fez os olhos de Embry e Seth brilharem. Eles amavam sinuca. Seria uma boa opção para apimentar a noite.
Os morenos rapidamente pegaram nas mãos das mulheres, as puxando para que subissem para o outro ambiente.
As luzes eram mais amenas, o ambiente tinha uma pegada bem Latina, mas sinuca é sinuca em qualquer lugar do mundo. O que os deixaram ainda mais alegres, foram os sofás que ficavam no interior da sala, onde a iluminação era mais escassa. Porém as belas moças foram rápidas em pegar uma mesa de sinuca e entregar dois tacos aos morenos.
– Que vençam os melhores. – Barbara sorriu maliciosa e Jenniffer disfarçou a careta.
TLAD
A loira havia cochilado por diversas vezes, mas nenhum sono foi profundo o suficiente pra levá-la a inconsciência plena. Renesmee estava preocupada porque Jacob ainda não havia chegado. Ligou para Quil, Embry... Mas ninguém sabia o paradeiro de Jacob, o que só aumentava ainda mais a sua angustia.
Renesmee estava se sentindo sozinha, desamparada... Estava com uma estranha sensação de carência e vulnerabilidade. Odiava seus períodos por se sentir tão estranha todas às vezes.
Mas o som da porta da frente fez à loira se livrar daquelas sensações estranhas, pelo simples fato de sentir quem estava chegando. Ao se levantar, sua cabeça rodou um pouco, o chão pareceu ficar longe aos seus olhos e ela se sentou novamente, levando as mãos à cabeça.
– Droga de período! – resmungou para si mesma, mas Jacob já adentrava a sala de estar.
– Está tudo bem Nessie? – perguntou um pouco seco em seu tom de voz.
– Sim, foi só uma tontura sem importância. Estava tão preocupada Jake, onde esteve? – soou manhosa.
– Não é sem importância Renesmee. Você não come, só vive a base de remédios e sem se alimentar... Isso não é brincadeira. – disse agressivo. Ela se encolheu pelo tom rude da voz dele. – Desculpe, eu... Só estou cansado. – suspirou.
– Jake eu tento, mas não consigo. Você sabe que até meu período vir, será assim. Confesso que esse mês está um pouco diferente e estranho, mas eu vou ficar bem. Desculpe te desapontar. – baixou o olhar.
Jacob sentiu um bolo em sua garganta. Não conseguia agir no momento, nem para consolá-la e muito menos conseguia dizer o que estava acontecendo. Lógico que estava tudo diferente. Ela não estava somente anêmica em um grau avançado, como também tinha uma criança dentro dela lhe sugando tudo. E ela não ajudava deixando de comer.
O moreno esfregou as mãos no rosto, estava derrotado e sem saber o que fazer.
– Sabe Nessie, eu estou exausto. Sinto-me cansado mentalmente de sempre tentar ser bom pra você. – declarou pensativo, os olhos focados no nada.
– O que? Não entendo Jake.
– Eu... Nossa! Isso vai ser complicado. – se levantou e ajoelhou-se na frente dela – Eu já lhe disse o quanto você me deixa vulnerável Nessie? O quanto eu necessito que você esteja bem, para que eu fique bem? Porque se eu nunca lhe disse, agora você já sabe. E aquele dia... O dia em que eu perdi meu controle com você foi... Foi...
– Shh, Jake. Não vai acontecer novamente. – ela o interrompeu.
– Me deixe terminar Nessie, por favor. – pediu e ela assentiu assustada, não estava entendendo o que Jacob pretendia. – Você desperta o meu melhor e o meu pior lado Nessie. Você brinca com a minha sanidade, sem nem ao menos querer. Isso tudo me deixava desnorteado no começo, mas aprendi a me controlar com relação a você. Quando descobrimos sobre sua doença, me senti impotente por não poder fazer nada, arrancá-la de você. Só que hoje você está pior, está pior por minha causa. – ele enterrou sua cabeça nos joelhos da loira. Imediatamente ela levou as mãos até os cabelos curtos de Jacob, os acariciando.
– Jake, o que esta havendo? – uma lágrima involuntária escapou dos olhos azuis, sem nem ao menos ela reparar estar chorando. As palavras de Jacob estavam tocando-a.
Ele não conseguia dizer, precisava de forças, e aquele gesto de Renesmee simplesmente lhe acalentar foi o suficiente.
– Você está pior Nessie, não é pelo seu período e sim porque eu fui irresponsável. E agora, estão sugando o pouco que te faz ficar em pé. – ele levantou a cabeça para olhar nos olhos azuis, que estavam cheios de água. – Naquela noite Nessie, naquela terrível noite, eu te engravidei. Você está pior agora porque está grávida! – disse por fim.
Renesmee piscou por diversas vezes tentando assimilar o que Jacob tinha acabado de lhe dizer.
– Eu... Eu? Um bebê Jake? Eu estou esperando um bebê? – sussurrou atordoada.
– Nessie, desculpa. Eu sei que eu sou o...
Ela se levantou abruptamente, ignorando a dor aguda em sua cabeça.
– Um bebê? Eu não posso estar esperando um bebê Jake! Eles vêem depois que estamos preparadas para ser mãe, e eu não estou! – andou pela sala, Branquinha em seu encalço assustada. – Não estou grávida Jake, é apenas o meu período.
– Para Renesmee! – gritou. – Para de querer ser ingênua demais. Não cabe a você fazer esse papel, você é pura por natureza, não tente forçar.
– Eu não posso ser mãe Jake, não posso! Eu nem ao menos sei me cuidar ou cuidar de você, como posso cuidar de um bebê? Eles vêem pra gente como benção, mas só após estarmos preparados. Eu ainda não cheguei lá, não posso ver esse bebê como uma benção para nós. – pela primeira vez Jacob estava vendo Renesmee perder o controle. Sua voz não era mais suave e sim aguda, não chegava a ser gritos, mas o tom era nitidamente mais alto. As lágrimas escorriam como cachoeiras pelos seus olhos. Ela se encolheu em um canto da sala com as mãos no rosto. – Por que Jake? Por que diz que a culpa é sua? – indagou.
– Você sabia que existem meios de se evitar a gravidez Renesmee? – Jacob estava com o coração apertado, ainda mais por não esperar uma reação tão controversa do que ele imaginava.
– Não! Eu... Eu nem sabia que isso era possível. – declarou.
– Mas existe. Porém eu falhei com você. Era minha responsabilidade trocar os adesivos, mas eu...
– Como? O que esta dizendo Jacob?
Ele virou-se de costas, estava tudo fugindo do controle e ele não sabia o que fazer. Acabou por deixar escapar a real função dos adesivos.
– Os adesivos não eram pra tratar a minha doença? – pela primeira vez em sua vida ela estava brava. Jacob negou apenas com um sinal de negativo de cabeça.
– Eram pra evitar filhos Nessie, no entanto eu falhei. Não sei como me redimir quanto a isso e eu...
– Você mentiu pra mim! Você tinha que ter me contado a verdade Jake, pois eu jamais menti pra você. Eu não sei nada sobre o seu mundo e você sempre soube disso. Eu sempre fiz tudo para me adaptar nele Jake. Eu sei que se você tivesse me contado a verdade, não hesitaria em dividir essa responsabilidade com você, porque é assim que um casal tem que ser. Eu não posso ser mãe nesse momento, eu não estou pronta. – o choro era muito forte, trazendo consigo os soluços. Ela estava apavorada com a ideia de ser mãe. E Jacob estava entrando em choque por não saber o que dizer. Talvez ela estivesse certa. Se ele tivesse sido sincero, eles poderiam não estar passando por aquilo.
– Nessie, acalme-se, você esta fraca. – ele se aproximou, mas tudo estava tão estranho, que se surpreendeu outra vez quando ela se esquivou de seus braços.
– Não Jake! Eu não consigo ficar calma, eu não posso ter um bebê agora. Eu só quero a minha mãe, preciso dela agora e não a tenho. Ela saberia o que me dizer, ela iria me preparar, assim como me preparou para ser uma boa esposa. Eu deveria ter voltado, não deviria ter ficado. Isso aqui não é meu mundo e você mentindo não me ajuda a me adaptar nele. – ela não sentiu quando os joelhos se chocaram contra o piso frio, fora do tapete da sala. – Eu não estou pronta pra isso. Eu... – ela chorava como uma criança desesperada e com medo, por está totalmente perdida.
Jacob absorveu todas as palavras de Renesmee. Elas se instalaram em seu peito como lâminas cegas, elas o cortavam lentamente. A amish deixou claro que se arrependeu de ter escolhido ele. E definitivamente, jamais pensou em se sentir tão mal com um fato como aquele. Não ela! Não a única mulher que ele aprendeu a amar por simplesmente amar, não tinha motivos.
Tudo ali estava sendo inédito, inclusive a dor no peito do moreno.
– Eu não queria isso também Renesmee. Eu também não sei ser pai e não estou pronto, mas não há nada do que possamos fazer a respeito, a não ser encarar os fatos. Você deveria pensar diferente, já que veio de um lugar cheio de frescuras e virtudes.
– Está zombando da minha comunidade? Você não sabe nada sobre o meu mundo Jake. Ele é lindo, puro, mágico, sem mentiras... – os soluços a impediam de continuar falando. Juntou as forças que ainda tinha para se levantar, mas cambaleou. Jacob correu para ajudá-la, mas ela dispensou sua ajuda.
– Você tomou seus remédios? Você se alimentou? Responde Renesmee! – gritou.
– NÃO! – devolveu sem controle. – Eu não comi, não tenho vontade, não estou bem e agora muito menos... Eu só quero minha mãe, só ela pode me ajudar. Eu preciso dela agora e de mais ninguém.
Jacob rapidamente soltou o braço da esposa, ela tinha conseguido o atingir profundamente com aquelas palavras. Sentiu-se inútil ali.
– Ótimo! Então faça o que quiser Renesmee. – disse entre os dentes. Seu coração batia enlouquecidamente e sua voz era um misto de dor e ódio.
Renesmee rapidamente saiu da visão de Jacob, chorando bastante e subiu para o quarto. Aquilo só podia ser um pesadelo. A loira fechou a porta, encostando-se a ela. Dobrando as pernas, ela escorregou até o chão, abraçando os joelhos e chorando muito.
Ela não podia ser mãe, era muito cedo, não tinha preparação alguma. Desejou tanto em poder sentir os braços de sua mãe em torno de seu corpo, lhe acalentando e lhe aconselhando. Dizendo que tudo ficaria bem, que ela estava ali e sempre estaria. Infelizmente era um desejo inútil, porque ela não podia voltar e sua mãe não podia sair.
Jacob mentiu para ela. Se ele ao menos tivesse conversado com ela sobre filhos, iria saber que ela não estava pronta! E melhor, ele poderia ter dividido a responsabilidade de trocar os adesivos. Ele não confiou nela e isso foi isso que mais a machucou.
Não sabia há quanto tempo estava no chão frio. Mas sentia suas pernas dormentes, os olhos inchados e as lágrimas ainda escorriam pelo seu rosto, só que com mais cautela. Batidas foram proferidas na porta, liberando-a de seus pensamentos.
– Renesmee, por favor, abra a porta. – Jacob pediu do outro lado. – Você precisa comer Nessie. Não se trata somente de você agora, tem um bebê ai dentro, que esta sugando todas as suas vitaminas. Você precisa ficar forte para os dois. – ficou em silêncio esperando uma resposta, porém, ela não veio. Jacob ficou enfurecido porque conhecia Renesmee o suficiente para saber que ela não estava dormindo e que o ouvia perfeitamente. – Isso, não coma! Mate a você e a esse bebê, mas saiba que se for pra ser assim, eu não quero fazer parte disso Nessie. Não quero ver você definhar por não ser capaz de entender nada!
Renesmee fechou os olhos com aquelas palavras, voltando a chorar compulsivamente. Ainda foi capaz de ouvir um “droga” do lado de fora do quarto e um estrondo de porta batendo.
Nada estava sendo fácil naquela madrugada, mas Jacob não imaginou que a reação de Renesmee fosse tão negativa. Até mesmo pior que a dele. Sentado na cama do quarto de hospedes, ele pensou em diversas possibilidades de acabar com aquilo, inclusive em um aborto, já que ambos não se sentiam preparados.
– Jacob seu estúpido, que tipo de monstro é você! – praguejou, quebrando o abajur que estava no criado mudo.
Ele jamais se perdoaria de algo tão monstruoso e cruel, ainda mais sabendo que estaria decepcionando seus pais. Billy não teria uma atitude daquelas. Ele criou os filhos com amor e carinho, mesmo com todas as dificuldades de uma vida criminosa.
Por mais que fosse difícil dele entender, Jacob já estava assimilando que seria pai, que com uma criança viriam ainda mais responsabilidades. Mesmo com todos aqueles fantasmas internos em conflito com sua mente, ele tomou uma decisão. Deixaria Billy e Sarah orgulhosos! Faria Renesmee entender que iria ser difícil sim, mas que eles enfrentariam tudo juntos, assim como seus pais fizeram a vida toda.
Sentir-se derrotado e magoado era algo novo, mas que ele também teria que aprender a lidar com isso algum dia. Ele só não pensou que poderia vir da pessoa que ele mais amava. Contudo, mesmo magoado e ferido com as palavras de Renesmee, ele se lembrou do dia em que ela lhe deu uma lição, pedindo para que ele se colocasse no lugar da pessoa. Sorriu com aquilo, pois era exatamente o que ele estava fazendo para tentar amenizar a sua dor. Ele estava se colocando no lugar dela e entendendo que aquelas palavras não foram para magoá-lo em si, mas sim, por ela estar com medo e assustada tanto quanto ele.
De uma coisa ele tinha absoluta certeza; não era somente Renesmee que precisava amadurecer ali. Ele se deu conta de que também precisava. Que iriam fazer juntos, o melhor que fosse possível para criar aquela criança.
TLAD
Jacob não havia conseguido pregar os olhos a noite inteira. A palavra de Renesmee martelando constantemente em sua cabeça, repercutia em grande dor em seu coração. Ele perdeu as contas de quantas vezes esmurrou a porta para que ela a abrisse, tudo inútil. Cogitou em arrombar a porta, porém não o fez. Ela estava fraca e muito sensibilizada, aquilo somente agravaria a situação. Seria um desespero total.
O telefone fixo começou a tocar, como havia extensão em todos os cômodos ele atendeu, visto que nenhum dos empregados exerceu aquela função.
– Alô. – a voz era dura e muito rude.
– Jacob? Sou eu Claire. – a voz suave da loira estava eufórica e estridente, nitidamente feliz. – Acabei de saber, Quil me contou. Estou tão feliz que vou ser tia. Meus parabéns! Como esta a Nessie? Ela está bem? Preciso falar com ela. Nossa um bebê! Se for menina, eu queria tanto que ela...
– Não é uma boa hora Claire. Seu namoradinho devia se conter, cuidar mais da vida dele ao invés de parecer uma velha fofoqueira. Quando Renesmee estiver a fim de falar com você, ela te liga. Até logo!
Jacob nem sabia o porquê tratar Claire daquela maneira, mas o fato de todos estarem felizes com algo que era relacionado à sua vida, o incomodava. Principalmente pela situação em que ele estava. Além do mais, tinha coisas mais importantes para resolver do que receber felicitações.
Mais uma vez ele foi até o quarto e bateu na porta. Nada! Renesmee não respondia. Ele já estava chegando ao seu limite.
Desceu e pediu que Lupita preparasse um café da manhã reforçado. Foi até seu escritório e pegou o molho de chaves, onde tinha todas as chaves, de todas as portas da mansão. Todas, inclusive numeradas e nomeadas.
Assim que estava para subir as escadas a fim de abrir à porta, a campainha tocou. Mabelle correu para atender, mas Jacob pediu que ela se dedicasse ao café da manhã de Renesmee , que ele mesmo abriria a porta.
– Bom dia! Ou não tão bom assim pela sua cara.
– Entra Lee. – pediu educadamente.
– Jake, eu não sei por onde começar e eu...
– Não precisa começar por lugar algum Lee. Eu já sei de todas as consequências dos meus erros. Já assimilei que serei pai, já entendi. É difícil aceitar, mais ainda de compreender tudo isso. Porém tenho problemas muito maiores do que a minha própria aceitação.
– Eu imaginei que estava sendo complicado, por isso decidi vir aqui. Mas cadê a Nessie? – perguntou aflita.
– No quarto, trancada desde ontem. Ela não aceita Lee, ela não quer o bebê. Eu estou a ponto de explodir tudo de uma vez!
Leah ficou boquiaberta com a declaração de Jacob. Imaginou que para o primo ia ser difícil aceitar, mas os papéis estavam invertidos. Ela jamais imaginou que Renesmee relutaria com a ideia.
– Como assim não quer? Ela não...
– Eu não sei Leah. Ela se sente vulnerável e com medo. Discutimos ontem, não foi uma conversa amigável. Ela esta no quarto desde então. Não me responde e não quer abrir.
– E porque você ainda não derrubou aquela porta Jacob Black? Renesmee está num grau muito avançado da sua anemia. Precisa de tratamento, ainda mais agora estando grávida. – Leah estava ficando nervosa por não entender aquela situação.
– Estava justamente indo abrir a porta com a chave reserva. Não queria piorar tudo metendo o pé. Tá foda Leah. Dê-me um tempo porra! Do nada a minha vida começou a tomar proporções às quais eu jamais imaginei.
– Isso se chama vida Jake. Mais cedo ou mais tarde você ia ter que crescer nela. Agora vamos abrir essa porta, porque estou preocupada com a Nessie. – Leah não fez cerimônias, a saúde de Renesmee era mais importante no momento.
Jacob assentiu e os dois subiram rapidamente para o quarto. Jacob girou a chave na maçaneta, abrindo a porta rapidamente. A imagem era degradante, digna de pena. Jacob sentiu seu coração perder uma batida. Correu para a amada deitada no chão frio, encolhida como um feto. Branquinha estava enroscada a dona, como se quisesse protegê-la e consolá-la. Leah somente levou a mão à boca pela triste cena.
– Meu Deus Nessie. – ele gemeu a pegando no colo e a levando para a cama. – Nessie fala comigo, acorda! – pedia gentilmente, mexendo em seu rosto. Lentamente a loira foi abrindo os olhos. – Graças a Deus!
– Jake... – chamou esfregando os olhos. – Estou tão cansada... – a voz era muito fraca, só aumentou a agonia do moreno.
– Por que Nessie... Por que você não abriu a porta? Isso tudo também esta acabando comigo, mas olha como você está.
– Ela precisa comer Jake. Tomar um banho e se recompor.
– Chame Mabelle. Eu vou dar um banho nela. E você pode esperar na sala se quiser Leah. Ficaria grato. – a morena assentiu deixando o casal a sós.
Jacob não disse nada, apenas levou a esposa até o banheiro. Retirou sua roupa e a fragilidade foi nítida ao ver o corpo tão debilitado. Eles não trocaram olhares, nem palavras. Estava tudo quieto demais, estranho demais. Ele notou algumas lágrimas caírem silenciosamente dos olhos azuis que ele tanto amava.
Após o banho, Jacob a ajudou a se vestir. A bandeja de café já estava sobre a cama do casal. Para evitar qualquer tipo de diálogo ou briga, a loira fez um esforço e se alimentou um pouco.
– Nessie, nós precisamos conversar. – quebrou o silêncio.
– Eu sei. Diga somente ser um sonho Jake, um sonho o qual eu não estou pronta pra viver.
Jacob não iria começar mais uma discussão. Sabia que Leah iria ajudá-lo, então, ele apenas buscou o ar em uma lufada forte.
– Vamos descer. A Leah quer falar com você.
Renesmee assentiu, mas assim que se levantou, sentiu a sua cabeça girar. Ela se apoiou em Jacob, que a olhou com reprovação, contudo, nada disse. Seguiram para a sala de estar.
O clima era pra ser de pura alegria e felicidade, era uma vida que se iniciava, a junção de duas pessoas que se amavam. Porém não era o que ocorria! Renesmee estava sentada no sofá, com o rosto abatido, aparência cansada, olhos inchados... E Jacob num canto da sala, com os braços cruzados no peito, totalmente frustrado.
Leah olhava de um para o outro, não sabia por onde começar sem ser pelo óbvio.
– Tudo bem! Eu queria começar de maneira fofa e feliz, fazendo planos para o bebê, mas já vi que vou ter que falar sobre algumas questões aqui.
– Leah não começa. A saúde da Nessie é o alto aqui. – Jacob foi taxativo.
– Não Jake! Olha como vocês estão. – apontou de um para o outro, – Cadê aquele casal apaixonado, que tanto se amam? Gente, vocês vão ter um filho. Isso não é o fim do mundo, isso é uma benção.
– Eu não estou pronta pra isso Leah, não sei cuidar de um bebê. – Renesmee estava nervosa ao falar.
– Está vendo, ela vai me culpar pelo resto da vida. Como posso aceitar isso? Como posso viver uma vida com isso? Droga! – Jacob explodiu e quebrou um pequeno porta retrato, que continha a foto de seu casamento.
– Jake, por favor. – Leah chamou sua atenção. – Renesmee, ninguém está pronta pra essa responsabilidade. Nós nuca sabemos o que temos que fazer, mas não somente com o bebê e sim em nosso dia a dia. Ai dentro está uma vida dependente de você pra tudo, e no momento o bebê precisa que você se alimente. Olha, – Leah sentou ao lado da loira, que chorava em silêncio, segurando em suas mãos – As sua saúde se agravou sim, mas podemos reverter essa situação. Vitaminas a mais, exames rotineiros... Você vai ficar bem. Porém se não se alimentar, irei ter que lhe internar, lhe colocar no soro e até na sonda se for necessário.
– Eu não sinto fome.
– Não sente porque está fraca, não tem vontade de comer. Vou passar vitaminas que abram seu apetite Nessie.
Jacob ficou apenas observando a conversa, já estava mais adaptado a situação, contudo a culpa ainda lhe rondava.
– Jake, eu já marquei um ultrassonografia pra Nessie amanhã mesmo. A sala estava livre e já faz um pouco mais de um mês desde a fecundação. Nós precisamos controlar a situação e saber de tudo sobre essa gravidez. Quero que ela esteja sempre saudável, assim já começamos com o pré-natal. Tudo bem pra você Nessie? É apenas um exame. – a loira assentiu enxugando as lágrimas. – Ótimo! As nove no meu consultório. Jake, eu vou receitar as vitaminas que a Nessie pode tomar e que irão lhe abrir o apetite.
Dito isso, Leah foi até sua maleta e pegou seu bloco de receituário, prescrevendo as vitaminas necessárias, tanto para a gravidez, quanto para estimular o apetite. Entregou ao primo a numerosa receita.
– Jake pega leve, tente relevar tudo. Ela é nova e os hormônios a deixam bem sensível e vulnerável. Eu não quero me envolver além do necessário. Acho que acabei a assustando ao falar sobre internação, então pode ser que melhore.
– Ok. Obrigada Lee. – agradeceu e a acompanhou até a porta, após ela se despedir de Renesmee.
– Ah Jake! – chamou virando-se para o primo, que estava na porta. – Parabéns papai. – brincou. O moreno arrastou os lábios em um mínimo sorriso e fechou a porta.
Voltou e Renesmee estava no mesmo lugar. Mabelle estava se retirando, pois havia juntado os cacos de vidro do porta-retratos.
– Ér... Eu preciso ir comprar as vitaminas que Leah passou. Nessie, você compreendeu tudo o que ela lhe disse? – era estranho pra ele ter aquela conversa, ainda mais depois de todo o ocorrido. A loira assentiu, mas não abriu a boca. – Você não tem sua mãe perto de você agora para lhe ensinar, mas eu também não tenho os meus pais comigo, me direcionando no caminho certo. Eu também estou assustado, com medo... Eu prometi que iria cuidar de você pelo resto de sua vida. Você não sabe o que eu preciso enfrentar no dia a dia Nessie. Mas quero que saiba que você tem Rachel e Leah que estarão ao seu lado, além de Claire... – sussurrou o nome da cunhada lembrando-se que ela havia ligado. – E... Bem... Ela ligou hoje e acho que você deveria retornar.
– Ela já sabe? – perguntou sem olhá-lo.
– Sim! Todos já sabem.
Renesmee suspirou com pesar.
– Ela deve estar pensando mil coisas sobre mim.
Jacob queria dar o assunto encerrado por ora, mas as palavras de Renesmee ainda martelavam em sua mente. Angustia era o que ele sentia.
– Nessie, ontem... Você realmente se arrependeu? Quer dizer... Você quer voltar pra sua comunidade? – perguntou sem hesitar, ele precisava saber.
– Jake, me desculpa por ter te magoado, eu não me orgulho disso. Não soube escolher minhas palavras, mas eu estou com medo disso tudo. Nesse momento, eu queria e preciso da minha mãe ao meu lado. Meu porto seguro sempre foi ela. – Jacob se aproximou dela. – É difícil pra mim Jake. Eu sempre tive todos à minha volta, decidindo tudo por mim, me guiando, me ensinando. Não me sinto capaz de tomar decisões e nem ao menos consigo cuidar de nós.
– Eu já te falei Nessie, você não está sozinha. Posso ter muitos defeitos, mas sempre prezei a minha família. Todos nós sempre fomos muito unidos, eu vou cuidar de você. Estamos juntos nisso, é a nossa vida agora. E não posso lhe afirmar que nunca iremos errar, porque vamos errar sim... E muito, mas também vamos aprender com nossos erros. Tem sido assim pra mim desde o dia em que eu te conheci. – declarou firme e espantando por dizer tamanhas palavras com tanta maturidade. – Eu te amo Nessie.
– Sinto muito Jake, só estou com medo. Eu não consigo, eu sei que não consigo.
– Ei... – ele segurou em seu queixo para que ela lhe olhasse. – Não me diga que não consegue, não diga que não pode. Você tem a mim e eu vou estar sempre ao seu lado. – beijou-lhe os lábios singelamente.
Renesmee se sentiu mais calma, mas não totalmente convencida de que estava pronta para tal responsabilidade. Não sabia ao certo de como seria daquele dia em diante, mas de uma coisa ela tinha certeza; Jacob a amava incondicionalmente, assim como ela o amava.
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