Two Hearts That Be As One
3 Três
Notas iniciais
Capítulo III
O caso não fora difícil, achar o culpado mesmo que com poucas pistas, afinal, Jane obteve uma ajuda de um amigo de Maura, um psiquiatra, a morena sabia que ele sabia de algo que podia ajudar, e que iria fechar o caso mais rápido. Quando chegou ao consultório, estava junto de Korsak.
– Ele está atendendo? Quanto tempo ele está la dentro? — questionaram.
Nenhum movimento, suspenso demais. Jane e Korsak empunharam as armas, e abriram a porta, a cena não era das melhores, sangue em toda a sala, uma bagunça. O doutor havia sido friamente assassinado. Obviamente que aquilo não era um suicídio. Havia outra pessoa ali. Jane e korsak entraram em um compartimento e viram um menino com as mãos cheias de sangue, e uma faca.
– Não me machuquem, não me machuquem!
Jane e Korsak se olharam, o que seria aquilo?
***
Jane chegara ao andar debaixo, e entrou no escritório de Maura, mas antes, ela começou a admirar a loira, ela mexia em alguns papéis, e olhava para o computador. Concentrada. “como ela fica linda tão concentrada assim. Que diabos eu to pensando, porque eu to achando Maura linda? Se bem que ela é linda mesmo...” Naquele momento, Maura se levantou para guardar alguns papéis no armário, e curvou o corpo, sua saia subiu, e Jane pode ver as pernas perfeitas de Maura. Sentiu a boca seca, e as mãos soarem. Resolveu que era hora de entrar.
– Hey Maur... Não me diga que tá fazendo ioga?
– Hey, Jay. Não, eu estava guardando esses papéis. Ainda bem que está aqui, tenho uma coisa pra te dizer, venha...
Maura foi até o laboratório, e Jane a acompanhou, ficaram de frente para o computador, e Maura começou a mostrar os exames que haviam chegados.
– havia muito sangue na faca, mas havia sangue velho também, que é da vítima. Jane...
– Eu sei... Foi ele, porém não podemos prendê-lo, a justiça alegará que ele tem demência, sei lá. Tem que ser em flagrante. Preciso ir, qualquer coisa me chame. — aproximou-se e deu um beijo em Maura, que pegou no canto da boca da loira, surpresa, saiu dali como um fucarão.
Na sala de interrogação, atrás da enorme parede, Jane pôde ver como aquele menino podia ser frio os suficiente para matar os próprios pais.
– Ele alega ter sofrido abuso.
– Ele tá mentindo. — disse Jane.
– Ele é uma criança, detetive – disse Jonh, promotor que estava ali com eles.
– Dane-se. Precisamos de um flagrante, e vamos fazer um, eu vou prender esse moleque e ele terá uma jaula apenas pra ele, ou não...
***
Jane odiava complicações, mas ainda quando não podia fazer o seu trabalho por limite da justiça. Se esse menino ficasse solto, quantas pessoas ele não iria matar por puro prazer? Por Deus, Jane odiava ter que atirar em alguém, só fazia isso em caso de muita precisão, entre a vida dela e a de um bandido, que fosse a vida dele pro inferno, porque ela tinha que estar muito viva para... Para que? Para cuidar de sua mãe, de seus irmãos, para ver teu sobrinho TJ crescendo, e para cuidar de Maura... Maura, sempre Maura. Não havia jeito, a loira estaria em todos os planos que Jane fizesse, então, que fosse a vida de bandidos, sociopatas, psicopatas para o inferno.
Jane armou para o garoto, naquele mesmo dia, mais tarde, ele havia sido preso em flagrante. Sorriu satisfeita, mais um monstro na jaula, porque monstros tem que ser presos que nem animais violentos, e ser domados do jeito do sistema, e se tinha algo que ela dava graças a Deus por existir nos EUA era que: ali não havia idade penal. Tendo ciência do que está fazendo, e se for algo a infligir à lei, a sentença seria dada: cadeia, ou serviço comunitário, e se o crime fosse bárbaro, podia ter dezesseis anos que ia parar em uma jaula também.
Mais um dia.
Até que Jane recebe uma ligação dizendo que o seu apartamento está pegando fogo.
***
Jane chega até sua casa e vê as chamas sendo apagadas, pergunta ao comandante do corpo de bombeiros e o que ele diz é “perda total” nem tanto, considerando que o sofá novo que Maura lhe dera havia acabado de chegar.
– Ma, vá para casa, Frankie você também...
– E você vai ficar na rua? — questiona a mãe.
– Não, eu vou pra casa de Maura.
– Sim, Angela, podem ir. Jane e eu vamos ficar mais um pouco aqui, e logo vamos para casa.
“Logo vamos para casa” a loira repetiu a frase. Ela não disse 'minha casa' ela disse a frase no plural, deixando claro, ou entrelinhas que a casa era de Jane também. Afinal, o que estava acontecendo consigo? Desde quando ela pensava na morena com tanta frequência assim? E ela agora moraria temporariamente com a loira. Moraria? Jane perdera tudo em um incêndio, ela não tinha mais nada a não ser as roupas do corpo, e por sorte, algumas roupas na casa da morena. Jane trocou mais algumas palavras com os bombeiros, no dia seguinte a perícia iria novamente a sua casa, para certificar se fora criminal ou apenas acidental.
– Vem, vamos, não temos mais nada para fazer aqui.
– Mas e o sofá?
– Droga! O sofá, posso dormir aqui hoje, o teto sendo o céu e as estrelas, olha só, que legal.
– Sério? Há muitas chances de você pegar um resfriado por causa do sereno, e... Ah, você está sendo irônica. O que vamos fazer?
– Vou ligar para algum reboque, eles devem rebocar até a casa de hóspedes, se não houver nenhum problema pra você...
– Nenhum, ligue.
Em alguns minutos o reboque havia aparecido, e deixado o sofá dentro da casa de hóspedes, Jane pagou para eles, e entrou na casa da loira. Jane respirou fundo, estava cansada, mas estranhamente se sentira em casa, mesmo a casa sendo de Maura. Ali ela tinha liberdade, ela podia abrir os armários, abrir a geladeira, deitar na cama de Maura, dormir com a loira... de repente dormir com a loira não pareceu uma ideia muito boa, afinal, ela estava sentindo umas coisas pela loira que ela não sentira nem por Case ou Dean.
O amor ele aparece para os desapercebidos e tanto Jane quanto Maura não estavam disponíveis para o amor, e esse sentimento só aparece para pessoas que estão desatentas a ele. Jane entrou e viu a loira na cozinha, fazendo um chá para elas.
– Recuso o chá, Maur. Quero cerveja e biscoitos. — pegando a pote com biscoitos e a cerveja, a morena sentou-se no sofá e ligando a TV. Nada de importante passava aquele horario, então resolveu colcoar em algum filme aleatório que estava passando.
Maura sentou ao seu lado, abaixou a cabeça e olhou para a morena
– Eu não me importo de você ficar, Jay. Eu.. Eu gosto da sua presença aqui. Antes o silêncio era ótimo, mas depois que eu te conheci e conheci sua família, o silêncio que fica quando você não está é gritante, mesmo que isso seja meio impossível de acontecer porque o silêncio não grita ele... Desculpe, eu só espero que você não esteja chateada por ter que ficar aqui, você sabe, tem o quarto de hóspedes, ou tem o sofá também, se preferir, é claro.
Jane riu, e Maura riu junto, a morena passou os dedos nos cabelos de Maura, até as pontas, admirando a mulher à sua frente. Maura sentiu um arrepio que nunca sentira antes, não porque Jane estava acariciando seu cabelo, mas porque era Jane que estava ali.
– Eu amo estar perto de você, Maur, mesmo você falando sem parar, eu gosto do som da sua voz, e eu não me importaria de dormir no sofá, mas eu me importo com a minha coluna, então, eu prefiro a cama do quarto de hóspedes, ou a sua cama mesmo que é mais confortável, doutora...
– Minha cama, sua cama, detetive.
– Sério?
– Talvez.
– Maura...
– Brincadeira. Você dorme de sapatos, pra dormir na minha cama tem que tirar os sapatos.
“Tiro até minhas roupas se você quiser, Maur...- pensou, mas apenas sorriu e colocou um biscoito em sua boca.
***
O destino trabalha de maneira que a gente não percebe, e quando vamos imaginar, já estamos amarrados a um sentimento que vemos ser impossível de sermos libertados. Jane e Maura ainda não estavam totalmente a par de seus sentimentos, tudo estava confuso, tudo estava errado e estranho. A felicidade que Maura estava sentindo por ter Jane ali era algo que ela nunca saberia explicar em palavras, Jane partilhava do mesmo sentimento. O amor vem sorrateiramente, e quando elas perceberem, estarão tão envolvidas, que nunca, jamais terão forças para se libertarem daquele sentimento.
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