Two Fallen Destinies

7 Capítulo VI - Motivação: A chave da conquista


Notas iniciais
Espero que gostem!!!

Edward foi até à frente da classe se dirigindo aos novos visores:

Edward: Todos vocês aqui presentes não devem conhecer as regras de Sengakuro ainda, por isso, informarei o básico do funcionamento daqui. – fez uma pausa – Nossas aulas serão divididas em dois tipos: Aulas Teóricas e Aulas Práticas. Nas Aulas Teóricas vocês estudarão sobre os anjos e demônios, como tipos de demônios, classes de anjos, ou qualquer outro tipo de informação a respeito deles. Já nas Aulas Práticas, aprenderão técnicas para combatê-los, treinarão usando demônios reais ou não, mas não se preocupem, todos os demônios que usamos para treinamento são controlados e é impossível ocorrer algum acidente. – todos na classe estavam quietos – Pois bem, vamos começar a aula.

Pegou o giz que estava ao lado da lousa e começou a desenhar a silhueta de três anjos:

Edward: Os anjos podem ter vários estilos de combates, e por isso, os classificamos em três classes: Os Broots, os Speeders e os Wisders. Os Broots são a classe dos fortes, sua pouca agilidade e criação de estratégias compensam em sua grande força. Geralmente usam armas pesadas como machados, marretas e espadas de uma mão. – escreveu em baixo de uma das silhuetas a palavra Broot e em seguida Força. – Os Speeders são a classe dos rápidos, um Speeder experiente pode sequer ser visto aos olhos do inimigo por sua agilidade. Criam técnicas para acabar com seus oponentes do modo mais fácil e rápido tornando eles, a classe mais prática. Usam armas leves como adagas, katanas ou um Sai, tridente de cabo curto. – escreveu a palavra Speeder e Rapidez em baixo de uma das silhuetas – E por fim os Wisders. A classe dos inteligentes. São os responsáveis pela criação de estratégias para garantir a vitória em uma batalha, tem facilidade para analisar o modo de combate de seus inimigos descobrindo seus padrões de luta. Costumam ficar na linha de trás por serem naturalmente mais vulneráveis a ataques diretos por demônios. Suas armas são arco e flechas, pistolas ou qualquer outro tipo de arma de longo alcance. – em baixo da última silhueta, escreveu Wisder e Inteligência. – Alguma pergunta? – o mesmo garoto que tinha esbarrado em John levantou sua mão – Fale.

Garoto: Por que mesmo temos que aprender isso? Quer dizer, o que isso vai nos ajudar a combater demônios? – perguntou grosseiramente.

Edward: Porque visores e guardiões são uma dupla. Vocês devem saber sobre seus anjos assim como eles devem saber sobre vocês. Não querer aprender sobre eles é um total desrespeito e ignorância não é mesmo?...– olhou a lista dos alunos – Senhor Daves Whitehead. – falou no seu tom rígido.

Daves: Sim, professor. – jogou um olhar de desgosto para Edward.

Edward: Pois bem, alguns de vocês podem ainda não conseguir enxergar demônios, e por isso, nós temos uma espécie de treinamento que vai lhes ajudar a vê-los. Por favor, a todos que não tem essa capacidade, me sigam. – o professor estava saindo da classe. – O resto de vocês podem sair para o intervalo.

Heather deu um tchau para John antes dele sair da classe junto com mais alguns alunos. Eles seguiram Edward até uma sala quase vazia exceto por um tubo de vidro do tamanho de uma pessoa e ao lado uma cadeira:

Edward: Sentem-se no chão em frente ao tubo – os alunos obedeceram — É fato que quanto mais tempo um visor é exposto em contato visual com um demônio, suas chances de conseguir enxergá-lo aumentam gradativamente. Há um demônio preso neste tubo de vidro reforçado, a tarefa de vocês é encará-lo até conseguir vê-lo. Assim que conseguirem, saiam calmamente para o intervalo. Não se preocupem se isso demorar, este treinamento requer paciência e cada visor tem seu tempo para conseguir essa habilidade. – o professor se sentou na cadeira e começou a ler um livro.

~~~~~~~30 minutos depois~~~~~~~

Os alunos estavam concentrados encarando o tubo sem ao menos piscar. Um a um saiam da sala, deixando-a cada vez mais vazia. John ainda estava sentado, disposto a ficar o tempo que precisar para conseguir enxergá-los.

Não demorou muito para restar somente John e Edward na sala. O garoto já estava começando a ficar impaciente, mas não ia desistir tão fácil. Ele ouviu passos e logo Heather entrou na sala:

Heather: John, você já está ai a muito tempo, venha comigo, você tem que ir ao refeitório se alimentar.

John: Não, obrigado pelo convite. Posso ficar sem comer agora.

Edward: Ela está certa, não é saudável ficar tanto tempo sem comida. Não se preocupe, pode tentar amanhã. – John bufou num sinal de desapontamento.

John: Certo, acho que já estou ficando com fome mesmo. – saiu da sala acompanhado de Heather.

Os dois foram juntos ao refeitório. John pegou um sanduíche e Heather uma maçã. Procuravam um lugar para se sentarem mas o local estava cheio. Heather viu uma porta que dava para o jardim e chamou a atenção de John:

Heather: Ei, vamos até o jardim, lá deve estar menos barulhento que aqui. – John assentiu com a cabeça e seguiu Heather até o local.

Depois de passar por várias trilhas emparedadas pelos arbustos floridos, chegaram até uma fonte e ao seu lado, um banco. Se sentaram ali para conversar, John estava desanimado:

Heather: Não fique triste, você vai conseguir enxergá-los mais cedo ou mais tarde. – deu um sorriso.

John: Obrigado, mas eu sou o único da classe que não conseguiu ainda. Eu preciso ver...Eu tenho que conseguir, e rápido. Quer dizer, seu eu demorar muito para vê-los, eu mal vou poder fazer as Aulas Práticas. Que tipo de visor eu serei se eu nem conseguir ver demônios? – olhou para o lado.

Heather: Você será um visor excelente, eu consigo sentir isso... de alguma forma. Olha, é impossível um visor não enxergar demônios, você só precisa ter paciência. Não precisa ficar preocupado com o tempo que vai demorar, só precisa saber que vai acontecer. – deixou John mais animado.

John: Sim, eu acho que você está cer....

Daves: Ora ora ora, se não temos aqui um visor que não consegue ver. Que piada! O que alguém como você está fazendo aqui nessa escola? – interrompeu John.

John: O mesmo que você, treinando para acabar com os demônios.

Daves: Você? Haha. Já conheci gente como você. Não adianta, você vai morrer ao ver o primeiro demônio. Mas se reconhecer o seu lugar aqui nessa escola, quem sabe eu não te ensino algo que vai ajudar a ao menos você não ser comido vivo?

Heather: E quem é você pra julgar alguém que nem conhece! – Sua expressão amigável deu lugar a uma face furiosa.

Uma anjo de cabelos longos e vermelhos com asas azuis pousou perto de Daves:

Anjo: Ele? Você deveria saber. Ele nada mais é do que o herdeiro da família Whitehead. Seus ancestrais foram visores consagrados e suas habilidades foram passadas de geração em geração. Ele é muito mais do que vocês jamais serão.

John: Eu não estou ligando pra o que ele é. Só quero saber de mim e dos meus amigos...

Daves: Ei cara, você quer briga é? – segurou John pela gola da camisa.

Savanna: E do que adianta todos esses títulos se te falta o respeito? – chegou voando antes que os dois pudessem trocar socos.

Daves: O único que não tem respeito aqui é esse cara! Como tratar um Whitehead desse jeito? – soltou John – E afinal, quem é você?

Savanna: Sou a guardiã desse “cara”. E deixa eu te falar uma coisa. – chegou mais perto de Daves com sua expressão séria. – Aqui é uma escola, e vocês são alunos, nada mais que isso. Nem que sua família fosse de anjos você não seria melhor do que ninguém. E essa sua arrogância só serve para afirmar que é só mais um aluno tentando se achar. – cutucou o peitoral de Daves com força.

Anjo: Ei, tenha mais educação com o meu visor.

Savanna: Digo o mesmo a você.

Anjo: Haha, e o que um Anjo da Morte como você sabe sobre educação? – cruzou os braços.

Savanna: A julgar que você ia deixar dois visores brigarem logo no primeiro dia de aula, acho que mais que você. – as duas jogaram um olhar mortal.

Um anjo de cabelos roxos e curtos chegou perto das duas, se apresentou dizendo que seu nome era Erike e que era o guardião de Heather:

Erike: Por favor, não vamos discutir logo tão cedo. Podemos acabar com isso agora? – disse num tom calmo.

Savanna: Não estamos discutindo, apenas nos apresentando não é verdade? Sou Savanna. – estendeu a mão para a anjo.

Anjo: Sou Miriam. – apertou a mão de Savanna ainda com seu olhar frio.

Erike: Agora, poderia nos dar a licença de comer em paz? – olhou para Daves e Miriam.

Daves bufou e logo foi embora seguido de Miriam, Savanna olhou para John que tinha voltado a comer:

Savanna: Eu realmente não me dou bem com Anjos da Guarda. – deu um sorriso sarcástico.

John: Quer dizer aquela de asa azul?

Savanna: Sim, Anjos da Guarda tem asas azuis e Anjos da Morte tem asas negras. Vai ser mais fácil se você souber disso. – o local ficou alguns segundos quieto.

Erike: Não sabia que a família Whitehead ainda existia.

Savanna: E eu muito menos que eram convencidos. Pra falar a verdade o que mais me surpreendeu foi a guardiã e não o visor, um péssimo exemplo pra esse humano.

Heather: Ao menos eles nos deixaram em paz, por enquanto.

O sinal tocou e os dois anjos se despediram de seus visores. Heather e John foram até a classe, onde Daves já estava sentado em sua carteira, encarando os dois com um olhar de ódio. Logo depois Edward chegou se dirigindo aos alunos:

Edward: Agora falaremos de vocês: visores. Começando do início: como todos sabem, um visor é aquele que tem a capacidade de ver seres incomuns, como demônios, anjos e espíritos. No entanto, essa habilidade tem seu tempo certo para florescer, a média é de 16 a 20 anos. Ao contrário do que muitos de vocês devem pensar, uma pessoa já nasce destinada a ser um visor, e não que passam a ser visores de uma hora para outra. Um visor que ainda não vê esses seres tem a energia igualada ao de uma pessoa comum, mas ao ganhar essa habilidade, sua energia se intensifica, por isso que visores estão sujeitos a sofrer mais ataques de demônios. – John começou a prestar mais atenção – Ao receber essa habilidade, um fenômeno acontece ao redor das pessoas comuns, é o que chamamos de Magnetismo de Energia. Os visores soltam energia involuntariamente para todos os outros seres vivos, e eles absorvem tal energia. Não há como uma pessoa comum se tornar um visor por tal fenômeno, devo deixar isso claro. Mas há um perigo, uma pessoa comum passa a ter maior energia, obviamente isso chamará a atenção dos demônios e por isso, vocês visores devem tomar cuidado. – John se lembrou de Lily, o que deixou ele triste. — Nas próximas Aulas Práticas vocês aprenderam a controlar sua energia para tal fenômeno não acontecer, e ainda mais, vão usar sua energia para ajudar em seu combate. Alguma pergunta por enquanto? – John levantou a mão – Fale.

John: As pessoas comuns vão absorver a nossa energia, um dia ela não vai acabar?

Edward: Quando se é um visor, está constantemente fabricando energia em um certo nível. É impossível dela acabar. – fez uma pausa – Bem, continuando a aula.... – o sinal tocou e todos os alunos começaram a sair. Antes que John pudesse levantar de sua cadeira o professor o chamou:

Edward: Quero conversar com você a sós. – Daves que estava saindo deu um sorriso pois pensava que Edward iria brigar com John.

O homem esperou a classe se esvaziar e John foi para perto dele:

Edward: Sei que deve estar preocupado por ainda não conseguir ver demônios, então vou lhe ensinar uma técnica: procure sua motivação. Pense no por que estar aqui, no que te dá forças para continuar e use isto como elemento chave para tudo. Alguém sem motivação vai para lugar algum.

John: Obrigado, vou tentar procurar minha motivação! – saiu da classe já confiante.

John saiu de Sengakuro junto de Heather, os guardiões de ambos os dois chegaram logo depois. Ficaram conversando até chegarem ao Blue Cherry, onde Heather teve de se despedir. Passou pelo portal seguido de Erike.

~~~~~~~~alguns minutos depois~~~~~~~~

Depois de sair do Blue Cherry, John estava em sua casa, deitado em sua cama. Ficou exausto pelo dia que teve. Não conseguia tirar a imagem de Lily e o conselho de Edward de sua cabeça:

“Minha motivação...Eu preciso de uma motivação” – pensava John.

Ele se lembrou da última frase que Lily disse a ele: “Obrigado John, é muito bom ter amigos como você sabia?”. Logo a tristeza tomou conta dele:

John: Lily, eu fui um idiota. Eu poderia...Ter te salvado.

~Continua~