Notas iniciais
Olá, meus amores, como estão? Aqui estamos com mais um capítulo, e meu coração está ficando apertado, porque a cada capítulo escrito nos aproximamos mais do fim da história. Mas não se acostumem com essa calmaria, ainda tem muito pela frente, pois é! Estamos muito felizes com os comentários e recomendações. Queríamos muito que a fic chegasse em 1000 comentários, mas dificilmente vá acontecer, a menos que todo mundo decida comentar, o que sabemos que é irreal *indiretas*. Espero que gostem! Qualquer dúvida, responderemos nos comentários! (e perdão por não ter respondido os últimos ainda, estou meio atolada com as coisas da matrícula na faculdade). Enjoy! — Drama Queen

— Você entendeu que eu estou te dispensando, certo? — arqueei as sobrancelhas, fitando Daniel Blue. Ele concordou positivamente. — E mesmo assim ainda quer ficar no castelo?

Ele sorriu torto, como se tivesse tentando explicar a situação para uma criança de oito anos. Segurou minhas mãos e olhou no fundo dos meus olhos, procurando as palavras certas para aquele momento.

— Eu ainda tenho esperança de que Delacroix vá fazer algo de muito errado a ponto de você desistir dele, Alexa. — encarou meus dedos, procurando por alguma aliança, e alargou o sorriso ao não ver nenhuma. — Não pode me julgar por ter esperanças, certo?

— Certo. — dei de ombros. — Eu acho.

— Só peço para ficar até Rose mandar mais alguém embora. Sei que você pode permitir isso. — retomou a expressão séria.

— Tudo bem. Você é quem sabe. — levantei-me. — Não se esqueça de estar pronto às seis horas. Jantaremos mais cedo, por conta do Jornal Oficial.

Saí de seu quarto, parando na porta ao lado. Pensei em bater, mas, em vez disso, apenas girei a maçaneta, adentrando o quarto escuro. Matheo havia acabado de acordar, e sequer abrira as cortinas. Pude ouvir a água caindo do chuveiro no banheiro ao lado, e decidi me sentar em sua cama para lhe esperar, entretida com seu caderno de desenhos sobre o criado-mudo.

— Bom dia, anjo. — Matheo entrou no quarto, usando apenas a toalha enrolada à cintura. Sorri com a sua chegada, mas logo voltei a admirar os desenhos, enquanto ele se trocava.

— Eu gostei dos novos. — comentei, mostrando-lhe um no qual eu estava nua, de bruços, com o lençol cobrindo meu quadril para baixo. — Você desenhou até minhas covinhas nas costas.

— Elas são um charme. — sentou-se ao meu lado, já vestido. Seu braço direito evolveu minha cintura, e sua mão esquerda repousou sobre a minha. Sorri com o toque. — Quer fazer alguma coisa hoje à tarde?

Virei-me de frente para ele, encarando seus olhos esverdeados. Poderia ser precipitado, mas eu já não me importava mais. O casamento de Aaron fizera-me enxergar que eu estava com medo de entregar meu coração; com medo de ter o mesmo destino. Mas eu tinha esperanças de que as coisas não seriam da mesma maneira. Não dessa vez; não com Matheo.

— Eu pensei em falarmos com meus pais. — mordi o lábio. — Já conversei com Daniel, disse que já fiz minha escolha. Quero acertar as coisas o mais cedo possível.

— Eu não poderia pensar em um programa melhor.

Delacroix beijou-me suavemente, puxando-me consigo para fora do quarto logo depois. Caleb riu ao nos ver de mãos dadas, próximos aos quartos, e se aproximou, cumprimentando-nos. Tinha um sorriso travesso nos lábios, e parecia muito curioso em saber como estava minha relação com seu melhor amigo depois do casamento.

— Vous semblez avoir épousé. — Vermont brincou. — Imaginez si elle avait attrapé le bouquet.

— Santo Deus. — exclamei, notando então algo que nunca tinha passado pela minha mente antes. — Vocês conversam em francês.

Os dois caíram na gargalhada, como se isso fosse a coisa mais óbvia do mundo. Maxon e America tinham a mesma língua materna, assim como os pais da maioria dos príncipes. Eu estava admirada.

— Ce est la langue de l'amour, ange. — Matheo completou.

— Estou em desvantagem aqui. — comentei. — O que me lembra de que estou com o francês um pouco enferrujado.

— Duvido. — Caleb riu. — Considerando o que sua irmã me disse, é bem capaz de o seu francês ser melhor que o nosso.

— Não acredite em tudo o que Rose diz, Vermont. — pigarreei, passando o braço pela cintura de Matheo enquanto ele envolvia meus ombros. — Afinal, como vão as coisas com ela? Minha irmã anda meio... Estranha... Ultimamente.

— Eu acho que ela está naquela fase de confusão, sabe? Que você estava até semana passada, por assim dizer. Quer dar chance a todos os príncipes, aí quando percebe que as coisas não estão fluindo, muda de humor e acaba descontando as coisas em mim. — ele jogou o peso do corpo para a outra perna, ligeiramente desconfortável com a situação. — Contudo, eu tenho esperança quando vejo vocês dois. Quero dizer... Matheo precisou apanhar um pouco, levar um tiro, ficar um coma por um mês, passar por uma greve de sexo e te consolar enquanto chorava por conta do seu ex, mas deram certo.

Eu sorri com o comentário.

— Acho que, afinal — o suíço se pronunciou —, a Seleção é isso. Ela nos força abrir mão de muito, mede até onde vamos por conta delas. O quanto de do indivíduo se perde para que o casal surja.

— Ele tem razão. — desvencilhei-me de Matheo, dando um abraço em Caleb. O francês retribuiu-o, desajeitadamente. — Deixe que ela te toque na próxima vez, ok? — sussurrei, depositando um beijo estalado em sua bochecha e saindo de mãos dadas com Matheo.

Tomamos o café em silêncio, e fomos para o quarto de Delacroix logo em seguida. Ele colocou a sunga por baixo da roupa, uma vez que havíamos decidido nadar e lutar esgrima depois de conversarmos com meus pais. Arrastei-o ao terceiro andar depois que ele se vestiu, afinal, precisava me trocar também.

O suíço estava relutante em subir. Na última semana, estava seguindo todas as regras por mais ridículas que algumas delas fossem. Só se tranquilizou quando lhe disse que meus pais não estavam no andar, e que não estaríamos fazendo nada de errado. Enquanto me vestia, Matheo vasculhava meu quarto, mexendo nas pequenas coisas. Parecia curioso em saber que tipo de coisas eu guardava em meu quarto.

— É de Thompson, não é? — perguntou-me quando me aproximei, indicando para o anel sobre a escrivaninha, ao lado de um porta-retratos com uma foto minha e de Aaron. — Por que não o devolveu?

— Ele não quis de volta. — dei de ombros. — Disse que o destino faz as coisas certas da maneira errada, e apenas isso.

Delacroix suspirou, abraçando-me por trás e beijando minha nuca suavemente. Eu sabia que ele estava se controlando com relação ao ciúme que sentia do rei da Inglaterra, e todo aquele esforço em se manter calmo fazia com que eu o amasse ainda mais. Virei-me de frente, pulando em seu colo para que ficássemos da mesma altura, e beijei-o profundamente.

O príncipe colocou-me sentada na cômoda para ficar com as mãos livres, que passaram a percorrer minha cintura, quadril e costas. Enrosquei meus dedos em seus cabelos — agora um pouco mais compridos — e puxei-o para mim, sentido o calor de seu corpo aquecer o meu, inebriando-me. Ele aprofundou o beijo ainda mais, afastando-se, todavia, quando comecei a desfazer o nó de sua gravata.

— Eu prometi que iríamos fazer isso da maneira certa. — explicou-se. — E também não quero que pense que nossa relação se resume a sexo. Quero te ajudar a resolver os problemas, anjo.

— Bom — sorri —, podemos começar com o maior deles então: Maxon Schreave.

Meu pai parecia em choque. Estava com os lábios brancos, e sua pressão parecia cair. Seus dedos amassavam o papel sobre a mesa, mas sua expressão era calma. Minha mãe, por outro lado, tinha um sorriso incrível nos lábios, e seu olhar parecia acolhedor. Era cômico que os dois tivessem reações tão diferentes para uma única frase: eu já fiz minha escolha.

— Eu poderia jurar que você e Arthur... — Maxon comentou consigo mesmo. — Você não o queria fora da Seleção até um tempo atrás? Ou eu estou delirando? — America colocou a mão sobre o ombro do marido, e aos poucos ele retomou a calma e serenidade.

— Charlotte já sabe da notícia? — mamãe perguntou. Quando a mãe de Matheo viera vê-lo, as duas começaram uma grande amizade. Aparentemente, mulheres fortes tendiam a se atrair. — Aposto que ela ficará tão feliz quanto nós, não é, Maxon?

Papai assentiu, bem mais calmo depois do segundo copo de água. Sorriu abertamente ao ver o quanto eu parecia bem ao lado do suíço.

— Eu pensei em levá-la comigo por alguns dias. — Matheo sorriu. Encarei-o com confusão. Do que ele estava falando? — Creio que minha mãe já tenha falado com a senhora sobre o desejo de que eu passe a semana do aniversário dela lá. Pensei que poderia ser bom se Alexa fosse, para conhecer o lugar e as pessoas. Mas, claro, isso se os senhores permitirem.

— Não me chame de senhor, não sou muito mais velho que vocês. — Maxon brincou, ainda que estivesse certo. Por mais que os documentos indicassem o contrário, papai tinha uma alma muito jovem. — Mas também acho que essa visita à Suíça pode ser algo benéfico, se minha filha desejar, ela tem minha permissão para ir. Já se decidiram sobre o casamento?

Congelei. Casar?

— Ainda não. — respondi, apressadamente. — Estou esperando Rose fazer sua escolha primeiro, então decidiremos tudo.

— Tudo bem. — disse, por final, levantando-se e nos liberando. — Só não se esqueçam de que as leis continuam valendo, independentemente de você ter feito ou não sua escolha, Alexandra.

— Não se preocupe, senhor. — Delacroix sorriu, segurando minha mão e nos retirando da sala. — Eu vou cuidar bem dela.

O sorriso sacana de Matheo continuou estampado em seu rosto mesmo após chegarmos à piscina. Tiramos as roupas, e não pude me conter de curiosidade quando seu sorriso se alargou ao me ver apenas de biquíni.

— O que foi? — perguntei, entrando na piscina atrás dele. — Você está sorrindo desde que meu pai disse que tenho que casar virgem, o que não deveria ser uma boa coisa.

— Na verdade, seu pai disse que há uma lei em Illéa que proíbe o sexo antes do casamento, estou certo? — arqueou a sobrancelha.

— Sim, exatamente.

— Não há essa lei na Suíça.

Matheo seria um gênio, se não usasse toda essa inteligência para fazer as coisas erradas. Illéa não tinha uma lei que obrigava as garotas a se casarem virgens, e sim uma que proibia o coito antes do casamento. É por essa razão que ele não poderia exigir que eu fosse virgem ao me casar: eu poderia, facilmente, ter ido para a cama na Suíça. Tudo o que precisaríamos era manter certa distância nessas três semanas que antecederiam a viagem.

— Se sua mãe nos deixar em quartos separados... — nem terminei a ameaça.

— Ela sabe que eu fugiria pela janela, e, bom, duvido muito que ela queira que eu morra congelado. — beijou-me, suavemente. — Isso me lembra de que não devo confiar nas camisinhas de lá. Minha mãe está louca pra ser avó.

Apenas dei risada e beijei-o mais uma vez antes de sair nadando.

O Jornal Oficial acabou relativamente cedo, já que não havia muito que se falar ali, se não sobre a saída de Andrew e o casamento de Aaron. A entrevista que eu prometera ao jornalista também fora rápida, e foi bem cômico notar as expressões dos príncipes ao ver minha foto com Arthur; principalmente a de William, que havia me confundido com Rose, na foto.

Fiquei admirando Matheo enquanto ele dava a entrevista. Tinha um grande sorriso nos lábios enquanto tentava convencer o entrevistador de que Arthur era meu amigo gay, e de que ele estava lá apenas para completar trinta e cinco príncipes, já que por uma questão de ética apenas um príncipe de cada país poderia participar. Por incrível que pareça, o repórter parecia acreditar naquela baboseira toda.

Minha mãe postou-se ao meu lado, sorrindo também. Seus olhos azuis brilhavam ao me ver daquela maneira, toda boba. Sua mão tocou a minha, e desviei minha atenção do suíço para ela.

— Você se casaria com ele nesse exato momento, se ele quisesse? — perguntou-me, como quem não quer nada.

— Acho que sim. — franzi o cenho, aguardando a explicação.

— É uma boa resposta. — afagou meus cabelos, já soltos. — Por um momento, tive medo que estivesse se entregando cegamente, como fez antes.

— Não. Não dessa vez. — suspirei. — Aaron me ensinou muitas coisas. Uma delas, é que devemos amar as pessoas cegamente. Outra, é que não devemos nos entregar cegamente. A terceira, é que devemos permitir que os outros nos amem também. Uma hora, atingimos o equilíbrio entre razão e emoção.

— Delacroix é a emoção na rua razão? — afirmei, positivamente. — Espero que Rose encontre um pouco de razão na emoção dela. Ela sempre amou demais, você sempre amou de menos.

— Posso apostar que ela foi mais feliz. — dei de ombros.

Mamãe não respondeu, e eu sabia por que. Rose sofreu demais por amar muito e pensar pouco, da mesma maneira que eu sofri demais por amar pouco e pensar muito. Mas ali, naquele momento, a situação parecia se inverter.

— Vocês são mais parecidas do que pensam. Acho que tentaram por anos ser diferentes, mas, no fundo, acabam sendo a mesma pessoa. — comentou. — Há algo no mundo que faria você desistir dele? — perguntou, encarando o príncipe que se aproximava de nós.

— Sempre há. — sorri, tristemente, e não precisei completar meu pensamento. America me conhecia bem o suficiente para saber quais eram as duas únicas coisas que eu julgava imperdoáveis: mentiras e traições.

— Se um dia ele lhe fizer mal — começou —, lembre-se de qual dos dois é o melhor atirador.

Não pude deixar de rir com o comentário. Mamãe logo se afastou, deixando nós dois a sós. Matheo revirou os olhos para mim, e pude ler seus pensamentos. Não estava muito feliz em ter que dar motivos de porque eu o escolheria, quando não podia falar que eu já o havia escolhido.

— Eu devo te amar muito, Alexandra Sophie Schreave. — envolveu-me pela cintura, beijando minha testa.

— A recíproca é verdadeira, Matheo Delacroix. — aninhei-me em seu peito, ouvindo sua risada tranquila. — Posso dormir com você essa noite?

— Não só essa, como todas as outras, anjo.

E, sorrindo, puxou-me para seu quarto.

Notas finais
E então, o que acharam? P.S.: ainda dá tempo de mandar sua recomendação e ter um capítulo dedicado a você *sem pressão* HEUHEUEHEUHEUEHEUEHUE Kisses!