Two Crowns
41 Capítulo XL
Notas iniciais

Eu ia me tornar rainha.
Não tem forma mais fácil de dizer isso. Quando, pouco mais de uma semana após nossa volta da Inglaterra, meus pais me chamaram para o gabinete do rei, eu sabia que não era boa coisa.
Alexandra ia se casar com Matheo, e ele não tinha irmãos. Não tinham outros herdeiros. Nada.
Illéa era minha.
Minha mãe teve que quase me segurar antes de eu sentar.
— Rose... — Meu pai sentou-se ao meu lado, segurando minha mão. — Não é como você fosse subir no trono nesse momento, ainda temos tempo, a seleção ainda nem acabou. Podemos aumentar seu número de aulas, tudo. — Concordei com a cabeça, sentindo meu coração descompassar. Tudo bem, hora ou outra isso ia acontecer.
Caramba. Eu não sabia se ficava feliz por Alexa ter feito sua escolha ou se pedia para ela repensar. Respirei fundo, tentando me concentrar.
— Ok... Eu preciso de um ar. — Falei, meu pai concordou, assim como minha mãe. — Eu... eu vou tentar. — Eles concordaram, enquanto eu me levantava e saía tropeçando da sala. Coloquei minha roupa de cavalgada em segundos, então indo para a rua seguida pela guarda. Gabe tentou me acompanhar para a rua, mas dispensei-o e chamei outros guardas. Não queria ninguém me dizendo isso ou aquilo, só queria... Bom, só queria ser eu. Ser aquela garotinha.
Pedi para um dos empregados arrumar miras no campo, enquanto eu pedia aos guardas para se espalharem por ele, e não me seguirem, já que não ia simplesmente cavalgar.
Conferi o arco no centro de treinamento, então pegando uma aljava de flechas. Alexa estava lá dentro, sendo que ao me ver parou de treinar, mas apenas neguei com a cabeça. Queria ficar sozinha. Saí de lá rapidamente, tentado ficar sozinha. Coloquei a aljava nas costas, caminhando rapidamente com o arco balançando em minha mão direita.
Montei na égua que havia ganhado de Aaron, então respirei fundo e avancei. Tirei a primeira flecha, mirando-a na primeira mira que encontrei.
Centro.
Só parei quando estava praticamente desmaiando em cima da sela, sentindo o sol quente, mesmo para o final de primavera.
Olhei em volta do campo, vendo todas as miras com pelo menos duas flechas em cada. Havia acertado todas no centro, mesmo que fizesse anos que eu não treinava.
Rainha Rosemarie Annabelle Schreave.
Desmontei da égua assim que entrei no centro de equitação, saindo dali rapidamente.
Bati com tudo em um príncipe no meio do caminho, vendo Matheo.
Ele me segurou antes que eu continuasse meu caminho.
— O que foi, Rose? — Olhei pra ele, suspirando.
— As escolhas de Alexa me definem, Matheo. — Ele engoliu em seco.
— Sinto muito. — Dei de ombros.
— Era uma chance. Aconteceu. Tenho que me acostumar. — Ele concordou, enquanto eu abaixava a cabeça, olhando para minhas botas. — Vou me tornar rainha, simples. — Ele suspirou, então me abraçando.
— Não era a nossa intenção.
— Sei que não. — Retribui o abraço, enquanto ele se afastava e olhava para mim.
— Sou seu amigo, Rose, apesar de estar noivo da sua irmã, e de ser próximo de um dos seus pretendentes, você tem com quem conversar. Foi você quem me ajudou a não desistir. — Concordei com a cabeça, mordendo os lábios para evitar cair no choro.
Foi quando não aguentei.
Ele me puxou imediatamente para um abraço.
— Eu não sei o que fazer, Matheo. — Solucei em pleno jardim, enquanto ele me abraçava com força. — Arthur, Caleb, Dimitri, William... Tenho os quatro para escolher, e eu não sei. Eu não sei de nada. Vou me tornar rainha e eu não sei nem como escolher um vestido. Não sei dar uma ordem. Não sei como escolher entre os pobres e os ricos quanto a política, não sei governar o país da maneira que Alexa sabe, não sei tomar decisões arriscadas, não sei impedir guerras... — Ele se afastou, limpando as lágrimas que ainda insistiam em cair pelo meu rosto.
— Claro que sabe, pirralha. Quantas vezes já disseram que você é capaz? — Franzi o cenho, me lembrava de algumas. — Imagino que muitas. — Ele mesmo respondeu. — Você é capaz, Rose, só precisa acreditar nisso. Aposto que até Alexa vê isso em você, menos você mesma. Você sempre se superestimou, mas não precisa fazer isso. Claro que sua irmã foi treinada para ser rainha, mas você também foi. Você foi treinada para ser uma rainha em segundo lugar, sendo uma princesa em primeiro, está na hora de subir um pouco na hierarquia e decidir acreditar em si mesma. — Encarei ele, piscando e então limpando o resto das lágrimas. Por que diabos tinha chorado? — E, além do mais, garanto que tem muita gente que te ajudaria. Não conheço muito bem os outros príncipes além de Caleb, mas até mesmo eles são capaz de lhe ajudar em tempos de crise. Caleb sabe que você não é primeira na sucessão, porque não conversa com ele?
— Não estamos num dos melhores momentos. — Resmunguei, contragosto. — E eu tenho Arthur, William, Dimitri...
Matheo revirou os olhos.
— Arthur ama você, tudo o que você disser ele vai concordar. Caleb eu discordo. Não sei se ele te ama, mas ele com certeza vai fazer você pensar. Dimitri não sabe da sucessão, assim como William. Você precisa de Caleb como amigo, Rose. E, voltando ao assunto, você tem a mim, tem sua irmã, tem seus pais, tem até mesmo o Leger, você tem uma família para te apoiar. Precisa de opinião? Ótimo! Ligue para Alexa. Não é como se vocês nunca mais fossem se falar e pedir a opinião da outra. — Encarei ele por alguns segundos, sentindo minha garganta travada.
— Não sei o que dizer.
— É claro, eu estou certo. — Abriu um sorriso convencido, comigo revirando os olhos em resposta.
— Obrigada, mesmo. — Ele deu de ombros. — Mas não espere que sua ladainha sobre Caleb me faça correr até ele. Sei que você trama para que eu fique com seu amigo, no final.
Ele deu de ombros.
— O que eu posso dizer? O cara me ajudou a conquistar Alexa.
Revirei os olhos para ele, enquanto ele bagunçou meu rabo de cavalo.
— Só lembre-se de que você é sim uma governante, Rose. Não é como sua irmã, porque ninguém é igual, nem mesmo gêmeas idênticas, mas você é uma governante. — Ele piscou. — E, se seu país fosse mantido por uma democracia, eu votaria em você. — Ele beijou minha bochecha, apertando meu ombro e então olhando sob ele. — Consegui manter você por bastante tempo no mesmo lugar, minha deixa.
Franzi o cenho, enquanto ele se virou e caminhou em direção as portas do palácio.
Me virei, vendo Caleb com um sorriso brincalhão à alguns metros de mim.
— Sério? — Levantei as sobrancelhas. Ele deu de ombros.
— Você parece péssima, Schreave. — Revirei os olhos. — E sim, eu e Matheo armamos pra cima de você. O lado bom da coisa é que você não pode mandar ele embora, e só pode me mandar embora com o consenso de Alexa, já que as duas precisam concordar, mesmo com a Elite, estou enganado? — Bufei, cruzando os braços. — O que aconteceu?
Levantei as sobrancelhas para ele.
— Eu estou tentando te ignorar, na realidade.
— Sem muito sucesso, é claro. — Ele se aproximou. — Fale comigo, Rose. Sei que você quer dar chances para os outros príncipes, mas não precisa me ignorar sempre que me vê.
Mordi a boca por dentro, soltando um suspiro.
— Alexa e Matheo vão se casar. — Caleb concordou por alguns segundos, então parando e me encarando com tudo.
— Entendi porque a voz de luto. — Concordei, dando de ombros. — Você é a próxima rainha. — Concordei outra vez. — Não é tão mal, pensando pelo lado positivo... se a gente se casar eu consigo a coroa. — Bufei, irritada.
— Você não está ajudando, Vermont.
Ele deu de ombros.
— Não vim ajudar, vim ser sincero. — Parei por alguns segundos antes de suspirar e caminhar até um banco próximo. Ele me seguiu, sentando-se ao meu lado. — Não adianta entrar em pânico, Rose. Isso não adianta.
Concordei com a cabeça, olhando para frente. Já devia passar de meio dia, mas ao menos meus pais não haviam mandado ninguém me procurar. Peguei o pulso de Caleb, já que sabia que ele gostava de usar relógios, e conferi o horário. É, já eram duas horas da tarde.
Ele apertou minha mão, me fazendo encará-lo.
— Vim atrás de você porque tenho uma promessa a cumprir. Lembra-se? — Parei por alguns segundos antes de entender.
— Ah.
— Ah. Quanta animação, Schreave. São músicos de rua, passei um trabalho e tanto rastreando aqueles caras. Se quiser, podemos ir hoje à tarde, aposto que seus pais permitirão isso. Você precisa espairecer, além de termos alguns assuntos a tratar fora dos olhos de príncipes enxeridos. — Franzi o cenho, olhando para Caleb com atenção. — Sei que isso pode me eliminar, Rose, mas quero que tome cuidado com William Davis.
— Por quê?
— Apenas tome cuidado, mon chéri.
Bufei com o nome, mas concordei.
— Vou tomar, querido. — Ele abriu um sorriso brincalhão.
— Sem o “meu” na frente, Schreave?
Revirei os olhos para ele.
— Eu não sou sua, Vermont, então não julgo certo lhe chama-lo de meu.
— Então porque não me mandou mudar o vocativo?
Dei de ombros, abrindo um sorriso brincalhão.
— Gosto de você falando francês. Seu sotaque é bonito. — Ele riu alto, então olhou para mim.
— Vous n'a jamais dites que pour moi. — Bufei.
— Não exagere no francês, eu não sou Alexa. — Ele riu fracamente.
— Você nunca disse isso para mim. — Dei de ombros.
— Você nunca falou em francês comigo.
— Porque sei que você não é fluente.
Pisquei para ele.
— Veremos no que eu vou me tornar fluente ao me casar.
Ele riu baixo, se levantando e me mostrando sua mão.
— Tomara que seja francês.
Dei de ombros, ignorando sua mão e seguindo caminho para dentro do palácio.
— Difficile — Ouvi-o resmungar. Essa eu tinha entendido.
Após falar com meus pais sobre a saída, e ser autorizada a fazê-la, eu fui me aprontar. Os guardas também já estavam completamente preparados, já que, apesar de não ter sido anunciado, Aspen sabia da decisão, e por eu ser a herdeira... Eu jamais sairia sozinha.
As criadas me vestiram com um vestido preto e branco, então deixaram meu cabelo preto em um coque, com alguns fios soltos. Eu neguei a coroa assim que elas ameaçaram pegá-la. Não precisava desse tipo de atenção.
Uma hora depois eu já me via dentro de um dos carros blindados contra mísseis, com Caleb ao meu lado. Ele estava tranquilo, enquanto eu lia uma pasta de documentos sobre Illéa.
— Estão desviando dinheiro. — Caleb falou alguns minutos depois, enquanto eu virei o rosto, encarando-o.
— Como sabe disso? — Ele deu de ombros, apontando para as ações e investimentos.
— Há um rombo. Alguém importante ao lado do rei está decidido a usufruir da falência do país. Talvez seja a causa, quem sabe?
Observei as informações, enquanto ele me mostrava os pequenos detalhes, e ele realmente estava certo. Eu e Maxon precisaríamos resolver isso. Ou talvez só ele, quem sabe? Uma última tarefa antes de passar a coroa para sua filha. Incrível.
Fechei a pasta ao ser avisada que estávamos chegando. Gabe estava no banco da frente, e olhava atentamente em volta. Se havia uma coisa no mundo que poderia ser letal para mim, eram os rebeldes, e eles adoravam descobrir o paradeiro da família real.
Após averiguarem o perímetro, Gabe abriu a porta para mim, enquanto eu saia. Caleb ofereceu o braço ao parar ao meu lado, enquanto eu suspirava e aceitava ele. Apesar de tudo, pelo menos ele conseguia me manter em pé.
Muito tempo atrás Nathan havia dito que tinham músicos de rua incríveis, mas que não eram reconhecidos por não serem realmente músicos, que havia falado que me mostraria eles um dia. Ele morreu, e não pudemos mais fazer nada. Eu havia contado para Caleb, e ele havia prometido a mim que me mostraria os músicos, apesar de não fazer ideia de quem eram. Após muita pesquisa, Caleb finalmente havia encontrado eles e conseguido algum tipo de conversa ou contato, então garantiu que eles estariam em tal rua, determinado horário, para que eu pudesse vê-los tocar.
E eles estavam. O povo parou nas ruas, chocado ao ver uma das princesas de Illéa ali. Todos se reverenciaram, enquanto eu abria um sorriso contido. Meu coração praticamente saía pela minha boca, mas eu precisava respirar fundo. Caleb apertou com força meu braço, me fazendo notar que tinha praticamente parado. Gabe andava ao meu lado, tão próximo de mim que eu podia sentir seu braço roçar no meu. Ele também mantinha a mão na arma, enquanto vários outros guardas abriam caminho entre o povo da rua.
Eu preferia o plano original de fugir do castelo e assistir ao grupo as escondidas, mas não saberíamos nem onde eles estariam, além de, é claro, ser perigoso de mais. Caleb mesmo havia admitido isso.
Nós paramos próximos ao grupo, enquanto eles tocavam uma música animada. Abri um sorriso, ouvindo a música tranquila. Conseguia me lembrar de algumas canções. Minha mãe havia gravado algumas para que eu e Alexa soubéssemos exatamente como era a música dos cinco. Aqueles ali eram os reais cinco. A música deles era linda, e eles realmente... caramba. Não havia nada pra descrever o quão bela era a música deles. A música dos músicos contratados pelo palácio era uma coisa, mas os de rua... céus, era mil vezes melhor. Não que eu estivesse desmerecendo a música dos profissionais, eles apenas não eram os cinco originais, os que viviam daquilo para que tivessem pão na mesa, os que garantiam uma música no natal para que pudessem comer um pedaço de carne. Eu podia ver que aqueles músicos ali eram quase seis, apesar das castas mais baixas já terem sido derrubadas. Eles, ali, tocavam com paixão, com amor, porque precisavam fazê-lo e amavam fazê-lo. Eles precisavam e amavam aquilo, era incrível. Eu tocava por gosto, mas eles... Senhor. Eu conseguia entender perfeitamente porque meu pai amava ouvir minha mãe tocar, principalmente o violino, que era um dos instrumentos que ela mais gostava.
Quando eles terminaram a música, os quatro membros da banda se abaixaram e me reverenciaram. Apenas abri um sorriso, fazendo um gesto de deixa para lá. Soltei meu braço do de Caleb, andando um pouco mais próxima à eles. Gabe me parou, me dando uma olhada clara. Apenas revirei os olhos, mas me mantive metros próxima.
— Entendo porque minha mãe sempre elogiou a música dos cinco.
O aparentemente líder do grupo sorriu.
— Obrigada, vossa alteza, mas... nós somos seis. — Concordei com a cabeça. — Antigos seis, graças as castas derrubadas, mas... — Dei de ombros, concordando outra vez.
— Entendo. Achei que eram cinco pela paixão como tocam. — Ele abriu um sorriso radiante. — Meu antigo professor, Nathan Archbald, me prometeu que ouviria a música de vocês um dia. Infelizmente ele acabou falecendo, então tive que usar outras maneiras de honrar a promessa dele. — Eles concordaram, parecendo seriamente chateados com a morte de Nate. — Acredito que ele foi modesto dizendo que vocês eram ótimos. — Abri um sorriso brincalhão. — Gostaria de contratá-los como músicos da família real.
Os quatro músicos arregalaram os olhos.
— Mas... senh-alteza — um deles cortou o que ia dizer —, somos apenas músicos de esquina.
— Eu estou oferecendo algo melhor. — Dei de ombros, então colocando a mão no bolso que eu tinha no vestido, pegando um cartão e entregando-o a Gabe. Ele passou para outro guarda, que prontamente entregou ao representante da banda. — Se vocês quiserem, basta ligar para esse número. Não falarão comigo diretamente, mas saberei que aceitaram o emprego.
— Meu Deus. — O homem olhava o cartão com os olhos arregalados. — Não sei o que... — Apenas levantei a mão, sorrindo.
— Bobagem, eu é que deveria agradecer a Nathan pela experiência. Vocês merecem mais. Todos das castas mais baixas. — Eu sabia que tinha uma plateia, e, apesar de não gostar, precisaria aprender a utilizar aquilo de uma maneira melhor. — Nossa seleção está acabando, como já devem ter notado ou visto em algum lugar, e, independentemente de quem subir ao trono, seja minha irmã Alexandra, ou eu, Rosemarie, terminaremos o projeto de destruição desses números. Garanto isso a todos vocês. — Olhei em volta, então sorrindo fraco. — Poderiam tocar outra música?
— Claro, vossa Alteza. — Abri um sorriso fraco, enquanto eles começavam outra música em segundos.
Caleb parou novamente ao meu lado, sorrindo abertamente.
— Você é boa com palavras.
— É fácil ser quando elas são verdade. — Ele me encarou, enquanto eu mantinha o olhar firme. Tudo o que ele fez foi suspirar. Pude ver ele quase levantar a mão, mas parou quando notou que tínhamos uma plateia louquíssima para uma demonstração de afeto ao vivo.
— Sei que não é o melhor momento para conversarmos, mas preciso falar isso. — Estreitei os olhos, confusa. — Rose, Arthur ama você, mas não faria tudo por você. Dimitri está certo de que pode te amar, e posso confirmar isso, ele realmente parece ser um ótimo pretendente se você quiser morar na Rússia. William não tenho opinião alguma, e acho que você deve conhecê-lo antes de mandar para casa, mas você precisa entender que mesmo para uma princesa — ele era bom em substituir palavras caso alguém estivesse ouvindo — você não pode fazer tudo. Nem tudo está ao seu alcance, nem todas as pessoas querem ser salvas, nem tudo deve ser experimentado, nem todas as pessoas merecem uma chance verdadeira, você só se machuca cada vez mais quando dá mais chances as pessoas. Não falo isso apenas pelos outros príncipes, mas à mim também. Você se machuca ao tentar não machucar os outros, e isso é extremamente honrável, mas estúpido. Você tem um coração também, e não pode feri-lo apenas para não ferir o dos outros, essa não é a lei natural, você também precisa dar uma chance para si mesma.
Engoli em seco, olhando os músicos.
— Então eu não serei mais eu mesma.
Caleb bufou de frustação ao meu lado, mas não disse mais nada.
Foi quando eu notei uma coisa.
— E você, o que você sente por mim? — Virei o rosto, vendo ele encarar os músicos. Ele tinha o maxilar tenso, mas pude ver em seu olhar... dor. Caleb estava com dor.
— Me destruiria ver você com outro. — Ele pausou, sério, e manteve o olhar nos músicos, sem desviá-lo para olhar para mim. — Mas me destruiria mais ver você completamente infeliz ao meu lado. — Ele abaixou a cabeça, me cumprimentando. — Estarei esperando você no carro, Alteza. — Abri a boca, mas nada saiu.
Caleb se afastou, sendo seguido por alguns guardas.
Gabe mantinha o olhar fixo na frente, mas falou baixinho.
— Se você não se decidir logo, Rose, vai perder todos eles.
Encarei Gabe, então voltando meu olhar para Caleb, que entrava dentro do carro.
Voltei meu olhar para os músicos, sentindo minha garganta ainda mais fechada do que quando me falaram que eu ia ser rainha.
E eu ainda tinha que sorrir, porque o povo estava olhando o grande espetáculo que era minha vida.
Eu estava tentando dar chances para os outros, é claro, e não ficar focada em Caleb, como semanas atrás, mas ao fazer isso não havia apenas me machucado, eu machucava ele.
Eu não sabia o que fazer, e agora tinha um país inteiro pra pensar no que fazer antes de pensar no meu futuro marido.
Eu realmente adoraria poder ser apenas uma cinco.
Uma cinco que não precisasse admitir seus sentimentos, é claro, mas ainda uma cinco.
Quem eu estava enganando?
Assim que os músicos terminaram a música, bati algumas palmas e então caminhei de volta para o carro.
Eu não era apenas uma cinco, era a Princesa Rosemarie Annabelle Schreave, e tinha algumas decisões a tomar. Só precisava organizar elas antes de fazer qualquer besteira.
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