Notas iniciais
Olá, pessoas! Primeiramente, queria agradecer à Amy pela linda recomendação que recebemos, e a todos vocês pelos comentários! Vocês são demais! Ainda que poucos tenham comentado, ainda mais se comparado ao número de leitores, decidimos postar ainda hoje. Na verdade, a Cams decidiu, porque eu publicaria apenas na terça ou quarta-feira, para mostrar que não estamos brincando. Não preciso nem falar que nossa "exigência" continua valendo, não é? Enjoy! — Drama Queen

— Suba na moto, vou levar você para longe daqui, Alexa. — Matheo puxou-me no momento que os tiros começaram. — Não vão nos encontrar na Suíça. A guarda de lá é muito rígida e...

— Matheo, você não é o único com um país para se preocupar. — puxei minha mão, destravando a arma e entrando pelo portão.

— Mas tenho uma rainha com quem me preocupar. — ele bufou. — Suba na moto, eu levo você. A chance de tomar um tiro é menor.

Definitivamente, ele estava certo. Abri o portão para que pudéssemos pensar, e segundos depois já estávamos do outro lado. Os tiros pareciam vir do lado Oeste do castelo, então pedi que o príncipe fosse para o outro lado. Estávamos a alguns metros dos corpos que se estendiam até o palácio quando algo me chamou a atenção: o Centro de Treinamento pegava fogo. O suíço entendeu meu sinal, e paramos lá perto.

As portas haviam sido bloqueadas por fora. Rapidamente tiramos o bloqueio e abrimos as portas. Soldados gritavam, sufocados. Sem pensar duas vezes, entrei no lugar, sendo seguida de perto por Delacroix. Gritamos pelos guardas e puxamos os inconscientes próximos às portas.

— Vossa Alteza, a senhorita não deveria... — um dos soldados começou a falar, tossindo.

— Eu sei que não deveria estar aqui, mas não precisa me agradecer. — revirei os olhos — Ajude-me a tirá-los daqui, depois eu me acerto com meu pai. É uma ordem, soldado.

— Sim, senhora.

No fim das contas, mais de vinte homens se salvaram das chamas. Quatro ou cinco caíram inconscientes pelo excesso de monóxido de carbono, e dois foram consumidos pelo fogo. Eu deveria ter medo. Deveria sair correndo em busca de abrigo. Mas no que dependesse de mim, não deixaria um único homem para morrer.

— Você têm armas? — Matheo perguntou, ao meu lado.

— Não senhor, senhor. O fogo... — outro respondeu.

— Não se preocupem com isso. Venham comigo.

Todos me seguiram. Os inconscientes foram carregados pelos outros. Em poucos minutos, estávamos no lago, mais precisamente, na minha casa da árvore. Subi habilidosamente, e minutos depois já jogava todas as armas que eu escondia no local, para uso em situações como essa.

— Deixem os desmaiados lá. É mais seguro. Depois voltaremos para buscá-los. — Matheo se pronunciou. Enquanto os guardas eram carregados, ele me puxou para um canto, a sós. — Fique com eles, Alexa. Leve uma arma apenas por precaução, mas mantenha-se escondida. Prometo que volto para te buscar quando tudo isso acabar e...

— Não vou me esconder com o rabo entre as pernas quando sei que minha mãe, meu pai, e, principalmente, minha irmã estão lá dentro, Delacroix. Não pense que o que aconteceu hoje causou uma mísera mudança na sua influência sobre mim, porque você está muito enganado. — empurrei-o, guardando a pistola e destravando a metralhadora. — Espero que não me dê motivos para usá-la em você.

— Fique atrás de mim. — ele suspirou derrotado. Pegou sua arma e se pôs à minha frente. Seguimos escoltados até o interior do castelo, passando por corredores secundários, a fim de evitar atrair qualquer atenção para nós.

Os poucos rebeldes que cruzaram nosso caminho foram mortos impiedosamente. As armas possuíam silenciadores, o que nos mantinha quase invisíveis. Em questão de minutos, estávamos na biblioteca. Livros esparravam-se sobre as mesas, sinal de que alguém possivelmente estava aqui quando a chacina começou. Pedi que dois dos guardas guardassem os livros em qualquer lugar, apenas para não deixa-los expostos. Se os rebeldes chegassem ali, teriam trabalho para chegar aos arquivos oficiais.

Coloquei a chave na passagem secreta e a abri, revelando a sala de armas. Os soldados mal acreditavam no que viam, e logo se armaram com coletes, granadas, facas, balas e armas, até não aguentarem o peso da munição. Alguns fizeram uso das ataduras do kit de primeiros socorros e das garrafas de água, e logo estávamos bolando um plano.

— É melhor cortamos a comunicação. — Gabe comentou, puxando o mapa dos esconderijos. — Muitos dos fios atravessam áreas abertas, seria fácil para que descobrissem a localização dos esconderijos.

Outro guarda já estava no painel de controle, e cortou a comunicação assim que Gabriel sugeriu. Atrás de mim, o painel com as câmeras de vigilância ligou. O terceiro andar estava repleto de rebeldes, invadindo os quartos e procurando por alguma coisa... Por nós, concluí. Procuravam por mim e Rose.

As câmeras foram passando rapidamente, mostrando o massacre. Havia em torno de dez guardas mortos, para cinquenta rebeldes. Eles eram muito maiores em número, mas éramos muito melhores em técnica. Foi na câmera da sala de música que meu coração parou. Nathan Archbald sangrava rapidamente.

— Tenho um plano, e todos você vão cumprir. — ordenei. — Quinze de vocês vão até o terceiro andar. Atirem em todos os que encontrarem no caminho, sem chance para redenção. Depois de eliminá-los, façam o caminho de volta, levando os feridos para a enfermaria. Eu vou estar lá. — a câmera da enfermaria indicava que o lugar estava vazio. — Senhor Leger, você e mais quatro vão acompanhar a mim e ao senhor Delacroix. Vamos cortar caminho pela sala de música e levar o senhor Archbald para os primeiros socorros. Depois, Gabriel, você me dá proteção para curar os feridos, enquanto os outros guardas vão retirar os príncipes e minha família dos abrigos. Protejam os empregados que estiverem fora de proteção, e necessito de uma escolta especial para minha família, no trânsito até a enfermaria. Armem os príncipes que sabem atirar, e levem os outros até mim. Não temos tempo a perder, são vidas que estão em jogo.

Não houve um único muxoxo. Segundos depois, todos havíamos saído de lá. Matheo segurou minha mão e me puxou para entre os guardas, proporcionando-me a maior proteção possível. Começamos a correr. As armas, agora, mais potentes, não tinham sinalizador. Um número muito maior de rebeldes fora atraído, e, consequentemente, morto. Quando chegamos à sala de música, corri na direção do namorado de minha irmã, se nem notar os rebeldes que se escondiam ali.

Bum. Bum. Três tiros, e os três caíram. Virei-me para trás e vi Delacroix com a arma na mão. Ele correu em minha direção e pegou Nathan no colo, carregando-o até chegarmos à enfermaria. Merda. A porta estava fechada.

Levei a mão ao peito e senti o colar que ganhara de tia May. Definitivamente, aquele era o momento em que eu mais precisava de alguma coisa. Quase desmaiei quando abri a joia e uma chave caiu de lá de dentro. Uma chave mestra, capaz de abrir qualquer porta do palácio.

Rapidamente destranquei o lugar e Matheo colocou o senhor Archbald sobre um dos leitos. Agradeci mentalmente ao doutor Hudson por deixar o equipamento em lugar aberto, só assim consegui conectar o respirador ao professor de música em tão pouco tempo. Cortei sua camisa para observar melhor os ferimentos. Ele levara dois tiros no peito, rompendo o a diferença de pressão entre o interior da caixa torácica e o meio externo. Por sorte, ainda não tinha perdido a consciência, o que era um bom sinal.

— Nathan, você tomou dois tiros. — informei-o. — Vou ter que retirar as balas. Você vai sentir uma sensação estranha ao respirar, porque está ligado a um aparelho que faz isso por você. — puxei uma bolsa de sangue O- e rapidamente encontrei sua veia, fazendo a transfusão. — Vou aplicar a anestesia, talvez você sinta uma picada.

Assim que a agulha tocou sua pele, ele gemeu. Seus olhos pareciam entender a gravidade da situação, porque segundos antes de perder a consciência, fez-me um pedido:

— Diga à sua irmã... Diga a Rose que eu a amo.

Seus olhos se fecharam, e meu coração apertou. Tinha medo que nem mesmo eu pudesse dizer algo à minha irmã. Tinha medo que nem a visse mais. Não viva.

— Você vai dizer isso a ela quantas vezes quiser, senhor Archbald.

Matheo me ajudou a ligá-lo no maquinário e pegar o equipamento. Não demorei muito a retirar as duas balas, os buracos estavam bem abertos. Desinfetar e costurar o local, porém, demorou muito mais. Eu tinha de agradecer à Silvia pelas aulas de costura e primeiros socorros, estavam sendo bem úteis.

— Acho que é isso. — comentei, cobrindo-o com o lençol. — Espero que ele fique bem logo. — Pensei em Rose. Onde ela estaria? — Eu sentiria, não é? Se ela estivesse morta?

— Não, Alexa. — Matheo respondeu, encarando o chão. — Você não sentiria.

Troquei o sangue por soro com analgésico, sem pensar muito sobre as palavras de Matheo. Será que ele também tinha um irmão gêmeo e... Não. Melhor não pensar. Eu sabia que Nathan não sobreviveria se eu tentasse acordá-lo agora: perfurações na caixa torácica exigiam três ou quatro dias de UTI e aparelhos. Rose não ficaria nada feliz com isso, mas era o melhor que eu poderia fazer.

— Eles estão demorando... — Gabe comentou. — Vou atrás do grupo. Delacroix, proteja a pirralha.

— Você não vai sozinho, Gabriel Leger. — resmunguei. — Vamos nós três. Não há muito mais que eu possa fazer por aqui, se não me trouxerem os feridos.

— Não, você não vai sair daqui, Alexandra. — Matheo cruzou os braços, impedindo minha passagem. — Já abri concessões demais no que diz respeito a você. Não vou deixar passar por essa porta e se machucar quando pode me ouvir, ficar aqui e segura.

Foi quando uma explosão nos deixou desnorteada. Gabe havia sumido, provavelmente, aproveitado da distração momentânea e saído sem que notássemos. Matheo rapidamente sacou a metralhadora e a destravou, indo até a porta. Um baque surdo aconteceu e dois rebeldes invadiram o local. O suíço deu dois tiros rápidos, acertando os dois, mas não sem antes ter uma bala penetrando seu corpo.

— Meu Deus, Alexa, você está bem?! — Daniel entrou correndo, sua Delta Fox presa ao ombro. Ajudou-me a colocar Matheo na maca. — Eu fiquei preocupado, você...

— Onde está Gabe, Daniel?! — entrei em desespero, enquanto tentava estancar o sangramento de Delacroix.

— Aconteceu uma explosão e... — ele suspirou.

— Ele morreu?!? — pensei que ia desabar, mas não podia. Não ali, não naquele momento. Andrew entrou momentos depois, horrorizado com o sangue que se espalhava por toda a enfermaria. Só então notei que o holandês, ao lado de Nicholas DanBrook, trazia Gabriel nos ombros. — Coloquem-no aqui ao lado, por favor! — gritei, e eles o fizeram.

— Meus olhos! — Gabe gritou. — Eu não vejo nada! Meus olhos...

— Segure aqui. — indiquei para Daniel, que pressionou a ferida de Matheo. Rapidamente fiz um exame nos olhos de Gabriel. Suas córneas estavam danificadas. A cegueira era revertível, mas uma cirurgia de transplante seria necessária. — Relaxe, Gabe, relaxe.

Assim que possível, dei-lhe anestésicos o suficiente para que dormisse. Eu não queria dar-lhe a notícia que estava cego, não agora, não no meio dessa confusão toda. Quando voltei até Matheo, Andrew desinfetava os ferimentos e preparava uma anestesia local.

— Não acho melhor dar-lhe uma geral. Teríamos que entubá-lo, e não estou vendo o equipamento necessário. — concordei com a cabeça — Do que precisa, Alexa?

— Vá atrás do doutor Hudson. — pedi. — Leve Daniel com você. Tentem achar minha irmã. — virei-me para o italiano. — Tem câmeras de vigilância nos abrigos. O painel está na sala de armas, talvez seja mais fácil encontrá-los por lá. Tem um mapa...

— Relaxe, eu me viro. — ele sorriu se aproximou de mim e me deu um selinho. Logo depois, saiu correndo. — Cuide-se.

Cuidar de mim mesma? Eu não tinha nem como cuidar de Ophelia!

— Matheo... — suspirei, tentando conter as lágrimas ao vê-lo ali. A bala tinha passado a poucos centímetros de sua tatuagem. — Isso é uma anestesia local... Só pra você não sentir dor... Até... — as lágrimas começaram a cair. Trêmula, apliquei a anestesia próxima ao ferimento. — Até o doutor chegar.

— Alexandra... — ele sorriu. Fez força para se sentar, mas minha mão em seu peito o impediu. — Venha aqui. — Aproximei-me dele, o suficiente para que sua mão tocasse meu rosto. Estava cheia de sangue e cheirava a ferrugem. — Você é linda. Acho que não te falei isso ainda hoje. Eu devia ter dito...

— Ei... — suspirei, incapaz de conter o choro. — Você vai ficar bem. Eu... Eu estou contendo o sangramento e... Não vou deixar você morrer, Matheo.

— Não se preocupe. — seus olhos encaram os meus. — Se eu morrer, vou morrer feliz.

— Vici. — comentei. — Você venceu.

Ele sorriu. Logo depois, seus olhos se fecharam. Levei minha mão a seu pulso. Seu coração não batia mais. Doutor Hudson chegou no exato segundo em que eu desabei no chão e comecei a chorar. Suas enfermeiras me tiraram de lá e me deixaram no corredor, protegida por dois guardas. Os tiros no terceiro andar haviam cessado. As pessoas já deixavam os abrigos. Pouco tempo depois, ouvi os gritos de Daniel:

— Encontrei a princesa! Ela está viva!

Desci as escadas correndo, tropeçando em corpos e mais corpos que se aglomeravam ali. Notei que os criados já estavam os retirando e levando para fora, mas as machas de sangue e furos de bala nas paredes e no chão davam uma boa visão da amplitude da chacina.

Aspen Leger ajudava outro soldado a carregar um terceiro. Algumas criadas choravam sobre os corpos dos guardas — possíveis irmãos, primos, namorados e maridos —. Os rebeldes não assassinaram apenas militares, como também suas famílias, ao receberem a notícia.

Caí de joelhos quando vi o corpo de Silvia no corredor de saída de um dos abrigos. As lágrimas começaram a cair sobre seu peito ensanguentado. Doze tiros. Ela havia sido metralhada, executada sem dó nem piedade por um dos rebeldes. Debrucei-me sobre ela, seus cabelos grisalhos sendo misturado ao sangue de Matheo, que ainda estava impregnado em meu rosto.

— Alexa!? — Rose gritou, correndo em minha direção. Levantei o olhar apenas o suficiente para que ela visse sobre quem estava debruçada. O brilho em seu olhar foi substituído pelas lagrimas, mas eu me levantei antes que ela pudesse cair, e a segurei. — Você está bem?! Eu achei... Eu achei... Santo Deus, Alexa, esse sangue é seu?

— Não. — respondi, suspirando. Eu sabia que tinha de dar uma notícia a ela, mas não sabia como. — É se Silvia, de Matheo... E de Nathan.

— Ele está...

— Vivo. — segurei-a. — Ele está vivo, Rose, mas tive de induzi-lo ao coma. Perdoe-me por isso... Ele estava perdendo tanto sangue... Que...

— Ei, acalme-se. — ela me abraçou. — Você fez o que pôde, eu sei disso. Um dos guardas me disse que você fez questão de resgatá-lo e... É mais do que eu poderia pedir. É culpa minha se... Se eu não contei antes... Eu deveria ter falado para nossos pais e... — ela respirou fundo. — Como está Matheo?

— Eu não sei. — admiti. — Provavelmente, morto. O coração dele parou.

— Aposto que o doutro Hudson conseguiu animá-lo.

— Ele tomou um tiro por minha causa.

— Aposto que levaria até quatro. — ela tentava me confortar. — Ele ama você, Alexandra. Daria a vida por você. Ele não está se sentindo mal por isso, faria até duas vezes. Pare de se culpar. Às vezes o coração faz decisões estúpidas.

Eu estava prestes a desabar quando nossos pais surgiram do outro lado do salão. Tinham expressões de horror e alívio, simultaneamente. Pelo que demonstraram, nenhum dos dois sabiam que estávamos vivas, não até aquele momento. Maxon apertou-me com tanta força que meu corpo cedeu, e o rei de Illéa teve de me carregar. Eu não havia parado desde as quatro horas da manhã, e estava exausta fisicamente. Mesmo assim, não poderia parar. Muitos feridos necessitando de apoio.

— Como é bom ver vocês duas inteiras! — America nos apertou, chorando rios de lágrimas. — Eu tive tanto medo! Aspen não conseguiu achar vocês duas em nenhum lugar do castelo...

— Eu não estava no castelo. — comentei. — Fui até o Monte Belvedere com Matheo.

— Eu estava cavalgando. — Rose deu de ombros.

— Não deveriam ter retornado ao castelo. — Maxon falou, autoritário. — Se algo acontece com alguma de vocês, sabem como eu e sua mãe ficaríamos? Não se corre para o fogo, meninas. Você corre dele.

— Ah, droga! — estremeci. Virei-me para um dos soldados que passava por nós. — Vão buscá-los e os tragam à enfermaria. Os pulmões podem ter sido danificados.

Corri dos braços de meus pais e voltei para a enfermaria. Tinha de convencer a mim mesma que auxiliar os feridos não era uma mera desculpa para ver Matheo, se quisesse convencer ao doutor Hudson disso. Nem bati à porta, apenas entrei, lavei as mãos e coloquei um jaleco. O sangue secara em meu rosto, e não seria tão fácil tirá-lo de lá. Coloquei as luvas e peguei a lanterna e o estetoscópio, fazendo os exames básicos em todos os que chegavam.

Meus olhos, porém, não saíam da maca na qual Matheo estava. Dean já costurava o ferimento, sendo auxiliado por uma das enfermeiras. O rosto do suíço estava sereno. Tive vontade de correr lá e gritar seu nome até que voltasse para mim. Mesmo com o coração reanimando, algo nele estava tão... Morto. Seus lábios estavam pálidos, seu peito só mexia por conta do respiradouro. Ele não suava. Não tinha a malícia no olhar, e parecia tão frágil em seus quase dois metros que fiquei sem chão.

— Alexa... — Dean Hudson se sentou à minha frente. — Vá para o quarto. Tome um banho, coma alguma coisa. Depois você pode vir vê-lo. Preciso dar a notícia a Gabe. Eu não sei como ele vai reagir, e por isso, proíbo você de ficar aqui enquanto isso.

— Doutor... — suspirei, derrotada. — Tudo bem. Eu volto em meia hora.

— Em uma hora. — ele tocou minhas mãos, tirou as luvas e as beijou. — Fique um pouco com sua família. — Dean apontou para Rose, debruçada aos pés de Nathan. Ela não chorava, apenas... Esperava. Esperava que acordasse a qualquer momento. — Eles precisam de você.

— Rose... — levantei-me, puxando-a. — Não podemos ficar aqui. Risco de infecções bacterianas. Vamos subir. Tomar um banho, comer alguma coisa. Depois voltamos.

Ela concordou. Tirei minha jaqueta e cobri seus ombros, subindo a escada a seu lado. O terceiro andar estava destruído. As criadas corriam de um lado para o outro, tentando deixar tudo em ordem. Dispensamo-las e cada uma foi para seu quarto. Abri a torneira, deixando com que a água quente enchesse a banheira e lá fiquei por um longo tempo. A água foi se tornando vermelha e marrom, e todo o sangue e sujeira deixaram meu corpo.

Assim que me sequei, vi os ferimentos no espelho. Os braços tinham queimaduras leves, proporcionadas pelas chamas do CT. As pernas tinham hematomas escuros, derivados das pancadas nos móveis em meio à correria. As mãos tinham cortes pelo manuseio de bisturis e agulhas, e as costas tinham machucados causados pelos estilhaços das bombas. Eu estava péssima.

Coloquei uma calça mais larga e uma regata leve. Havia eras que eu não as usava, e foi um milagre que ainda servissem. Permaneci descalça. Não queria sapatilhas, saltos ou tênis. Lorena trouxe-me uma salada, adivinhando que eu não comeria nada mais, e meus remédios. Eu precisava dormir.

Tomei os comprimidos e desmaiei na cama, tentando me livrar de toda a desgraça que havia acontecido hoje.

Meu último pensamento, antes de dormir, foi em Matheo. Sua voz soava em minha cabeça. “Meu Deus, Alexa, eu amo você”, ele havia dito.

E, tarde demais, eu percebi que também o amava.

Notas finais
Perdão por qualquer errinho, o capítulo está sem revisão! Nos vemos nos comentários.