Notas iniciais
Primeiramente, BOA TARDE! "Segundamente": Drids, muitíssimo obrigada pela recomendação! Fiquei toda boba ao ler a sua recomendação [e a da Amy, que a Queen já agradeceu no capítulo anterior]. Muito obrigada! Sobre os comentários, fico feliz em saber que muitos continuam comentando, mas quero deixar BEM claro: eu e a Queen estamos adiantando capítulos porque mês que vem e o seguinte (11 e 12) nenhuma de nós duas terá muito tempo livre (provas, vestibulares, entre outros), então, falta de comentários será ainda pior. Cuidado. Mesmo assim, obrigada pelo apoio daqueles que o dão! Espero que gostem :3 — Cams LaFont.

O mundo girou á minha volta quando vi Alexa. Tudo á minha volta era um redemoinho de coisas. Sangue, corpos, gemidos, choros, desespero. Era tão complicado que cambaleei ao começar a correr na direção de minha irmã. Ela está viva! Minha mente gritava.

— Alexa?! — Falei, ainda um pouco em choque. Quando ela levantou o olhar, vi sob quem ela estava debruçada.

Silvia, ao lado da porta do esconderijo que eu e Caleb tínhamos ficado.

Não.

Corri até as duas, mas Alexa se levantou antes que eu pudesse me abaixar, preocupadíssima.

— Você está bem?! — Perguntei, em pânico, olhando para o rosto ensanguentado de minha irmã. Por que ninguém tinha mandado ela para uma enfermaria? — Eu achei... Eu achei... — Esquece, ela ainda era Alexa, a irmã cabeça dura. — Santo Deus, Alexa, esse sangue é seu? — Eu ainda precisava saber, se fosse dela eu arrastaria ela, nem que fosse pelos cabelos, para a enfermaria.

— Não. — Ela respondeu, suspirando. Seus olhos encontraram os meus por um mísero instante, e eu senti que não queria ouvir o que ela tinha á dizer. De quem era o sangue? — É de Silvia, de Matheo... E de Nathan. — Certo, se ele estivesse morto ela provavelmente me diria, então... Melhor que nada.

— Ele está... — Não pude deixar de perguntar. Eu precisava saber. Não podia entrar em pânico agora, é claro, mas precisava saber. Todas as pessoas em pânico á minha volta já era o suficiente.

— Vivo. — Graças a Deus. Senti suas mãos em meus ombros. — Ele está vivo, Rose, mas tive de induzi-lo ao coma. Perdoe-me por isso... Ele estava perdendo tanto sangue que... Que... — Eu não podia surtar, precisava me manter calma. Ele estava vivo, tínhamos outras coisas pra tratar. Ok. Eu podia respirar e podia acalmar Alexa, eu conseguia isso, ela merecia isso.

— Ei, acalme-se. — Abracei-a, tentando confortá-la de alguma forma. Não era culpa dela, absolutamente não era. — Você fez o que pôde, eu sei disso. — Eu sentia a raiva pelos rebeldes me corroer, isso eu tinha certeza absoluta. Era a certeza mais certa em meu coração nas últimas horas. Eu queria todos eles mortos, queria o sangue deles em minha mão. Eles haviam destruído meu palácio, haviam destruído vidas e haviam feito com que tudo virasse de pernas para o ar. Meu futuro marido estava em uma maca de hospital nesse exato momento por causa deles. Malditos rebeldes. — Um dos guardas me disse que você fez questão de resgatá-lo e... — Mas a culpa também era minha. Nathan estava naquela maca de hospital porque eu não havia admitido para meus pais o que havia acontecido entre mim e meu professor de música por várias vezes. A culpa também era minha, e eu sabia disso. — É mais do que eu poderia pedir. É culpa minha se... Se eu não contei antes... Eu deveria ter falado para nossos pais e... — respirei fundo, tentando me acalmar. — Como está Matheo? — A melhor maneira de não pensar em algo é mudando o assunto.

— Eu não sei. — Pude ver a preocupação em seu olhar. Algo havia mudado entre os dois. — Provavelmente, morto. — Com certeza. — O coração dele parou. — Ao que parece, o encontro de Matheo havia dado tão certo que ele sequer havia precisado de minha ajuda.

— Aposto que o doutor Hudson conseguiu animá-lo. — E eu apostava mesmo, ele era o melhor e mais incrível médico que eu conhecia.

— Ele tomou um tiro por minha causa. — A maior prova de amor que alguém poderia fazer.

— Aposto que levaria até quatro. — Caramba, Matheo morreria por ela, Alexa que parecia não notar isso. — Ele ama você, Alexandra. — Deixei claro. — Daria a vida por você. Ele não está se sentindo mal por isso, faria até duas vezes. Pare de se culpar. Às vezes o coração faz decisões estúpidas.

Foi quando vi Maxon e America Schreave.

Acho que eu nunca fiquei tão feliz em toda a minha vida.

Senti lágrimas em meu rosto enquanto minha mãe abraçava á mim e minha irmã, e então fui abraçada pelo meu pai após ele soltar minha irmã.

Assim que eu e Alexa nos soltamos deles, cada uma seguiu seu caminho. Caleb me acompanhou por todo o trajeto, como se fosse meu guarda pessoal — e de certa forma, era. Quantos feridos tínhamos? Quantos guardas que tinham mulheres trabalhando ali dentro estavam mortos? Eu sentia meu coração pesar á cada motivo de tristeza que os outros tinham.

Por fim, tomei coragem para ir á ala hospitalar do palácio.

Caleb se despediu de mim na porta, beijando minha testa e apertando meu ombro. Eu sentia as lágrimas ameaçando manchar outra vez meu rosto, mas eu não podia. Não podia chorar, não podia fazer isso. Precisava de mais um tempo sem chorar, e então poderia chorar por completo no silêncio de meu quarto. Sozinha. Sem ninguém par ame perguntar o motivo de tanto choro. Eu não conseguiria mentir agora, não quando...

Nathan estava lá.

Não olhei em volta por um segundo, apesar de estar ciente do número de feridos. Fui diretamente até Nathan. Ele tinha uma maca principal, perto de vários tubos. Ele também tinha vários fios ligados á si, mas respirava. Respirava com dificuldade, coisa que me partia o coração, mas ele respirava, e era melhor que nada.

Segurei sua mão com cautela, sentindo os dedos frios dele, e só então notei o quanto eu estava quente. O choque térmico me acordou por completo, e observei o rosto de Nate.

O que tinha acontecido para que ele tivesse terminado tão mal?

Passei a mão nos cabelos, notando que estavam desgrenhados por completo. E foi então que notei minha mão esquerda, a que segurava a mão de Nathan.

Eu estava com sangue, e sabia que era de ajudar os feridos, mas... Era assustador. Apertei a mão de Nathan, esperando seriamente que ele acordasse, mas não tive nada. Eu precisava de paciência, precisava me acalmar e precisava fazer isso por ele. Como diria ele — e toda metade de Illéa — eu ainda tinha um país pra governar.

Mudei de posição, soltando a mão dele e me apoiando um pouco abaixo, cansada. Abaixei a cabeça, respirando fundo, e então levantei-a, olhando o corpo ferido de meu namorado. Namorado era algo tão estranho de dizer. Era como um status que ele nunca fez jus. Um status que ele nunca teve por minha culpa. Ele deveria ter sido tão protegido quanto qualquer outro príncipe, mas não foi, e não foi por um erro meu. Apenas meu.

Foi quando eu senti um toque em meu ombro, vendo Alexa.

Ela me disse algo sobre sair dali, sobre não ser muito bom ficar ali, por causa de algum tipo de infecção. Meu cérebro só gravava metade do que acontecia. Eu ainda estava completamente desconectada.

Enquanto saíamos, pude focalizar duas macas.

Gabriel Leger e Matheo Delacroix.

Matheo ganhava em estar pior, mas os olhos de Gabe... Ele tinha algo em cima de seu rosto, como um descanso que muitas pessoas usavam séculos atrás, mas... Ele estava dormindo ou em coma, eu não sabia dizer, só sabia que... Caramba, era horrível.

Desviei o olhar enquanto eu e Alexa saíamos dali. Eu fingi que ia até meu quarto, mas ainda não estava pronta para dar meu dia como encerrado.

Dei meia volta ao ver que Alexa havia entrado em seu quarto e desci as escadas rapidamente, indo diretamente até a sala de câmeras.

Haviam alguns guardas ali dentro, e despachei dois, restando apenas outros dois.

Me sentei atrás de duas telas, começando a passar todas as câmeras, até que eu encontrei uma em particular.

Diminui o tempo, observando o que acontecia.

Nathan entrou correndo no local, preocupado, e pude notar que ele não tinha mais para onde fugir. Ali era sua parada final, e ele não tinha mais onde se esconder, também.

Ele estava indo rapidamente em direção á alguns instrumentos musicais, que incrivelmente eram um ótimo esconderijo, quando três homens surgiram de trás de seu esconderijo.

Um deles levantou a arma. Um. Dois. Nate caiu e eles voltaram para seu esconderijo.

Coloquei reconhecimento facial dos três, e minutos depois vi Alexa entrando no local, desesperada. Ela sequer notou as três armas que se apontaram para ela, sendo que Matheo acabou com os três caras. Ótimo. Foi incrível a preocupação que ela tinha em seu olhar ao ver Nathan.

Assim que terminei de ver todas as câmeras, inclusive a que foi estourada com a explosão que cegou Gabe, subi para meu quarto.

Liberei minhas criadas, que pareciam exaustas, e eu mesma enchi minha banheira, pegando apenas um roupão e entrando ali.

Aquele sangue todo, a sujeira toda... Limpei meu corpo, e assim que saí de dentro da banheira foi possível notar meus machucados. Eu tinha uma perna um tanto quanto roxa, a panturrilha direita, para ser mais exata. A palma de minhas mãos também estava arranhada e meu rosto tinha alguns arranhões, assim como um pequeno sentimento de dor ao tocar na bochecha esquerda. Nada de mais, pelo menos não comparado á aquelas pessoas que estavam na ala médica. Nem perto.

Coloquei um short, algo que eu usava para dormir quando mais nova — uma típica demonstração de rebeldia á meus pais —, e uma blusa larga, esta que eu gostava de usar antes de ter que começar á agir como uma princesa, por causa da seleção.

Parei na frente do espelho que eu tinha em meu banheiro, encarando o reflexo.

Soltei os ombros, derrotada da luta interna, e então me arrastei até a cama, me arrumando em baixo das cobertas e entrando em um sono profundo.

Acordei um tempo depois, sentindo alguém passar a mão pelos meus cabelos.

Pisquei, vendo minha mãe sentada na cama ao meu lado, sorrindo para mim.

— Fiquei sabendo que você foi dar uma olhada nas câmeras antes de ir dormir. — Concordei com a cabeça. — Também já deve saber que os sulistas estavam em busca de algo em particular. — Olhei para o relógio, só havia dormido duas horas, e estava morrendo de fome e cansaço, tinha esquecido completamente que precisava comer, mas minha mãe não, já que havia um apoio no final da cama, com um prato de comida leve. Salada.

— Eles queriam á mim e minha irmã. Vi nas câmeras o terceiro andar completamente devastado. — America concordou, enquanto eu me sentava na cama, dolorida. Eu podia ver os olhos cansados dela, as olheiras abaixo deles.

Peguei o prato rapidamente, e America continuou falando.

— Seu pai acabou de sair de uma reunião com o líder dos nortistas. — Olhei para America, ela tinha atraído minha atenção. — Eles foram enganados. Estavam nos ajudando á mandar informações quanto á posição dos sulistas, mas uma parte deles acabou seguindo outro caminho, por isso foi suposto que eles haviam recuado... — Concordei com a cabeça, continuando a comer e ouvindo o suspiro de America. — Rose, eu sinto tanto. Sinto tanto, tanto... — Ela passou a mão pelo meu rosto, preocupada, e então parou, estreitando os olhos. — Você não tem algo á me dizer?

— Ah, é. — Falei depois de engolir a salada em minha boca, e então pigarreei. — Estou pegando meu professor de música. Aquele que está em coma e tal.

America levantou as sobrancelhas para mim, surpresa pelo modo que eu falei.

— E como você está? — Inteligente da parte dela não ter tocado no porque eu não falei antes.

— Bem. O cara que eu amo só está em coma e pode nunca acordar, sabe... Está tudo bem. — America me deu uma olhada feia, respirando fundo.

— Você ama ele? — Perguntou, séria.

— Sim.

— Então, quando ele acordar, ele não é mais Nathan Archbald, ele é Príncipe Nathan Archbald.

Senti as lágrimas em meu rosto e abracei minha mãe, soltando um suspiro.

— Obrigada, mãe, muito obrigada. — Ela me abraçou com força como resposta, e pude ver ela sorrindo.

— Não vou estragar um relacionamento quando eu e seu pai lutamos tanto pelo nosso. Se é o que você quer, e ele também, então é o que queremos á você. — Ela me deu uma olhada. — Mas tome cuidado, porque muitas das decisões de sua irmã irão afetar sua vida, e agora a de Nathan, diretamente. — Ela colocou a mão na cabeça. — Céus, tenho que ensinar esse garoto á ser um príncipe e ah, caramba, Silvia morreu, preciso de um enterro e preciso chamar a irmã viva dela, se é que ainda está viva... E tem Gabe, Aspen está inconformado! Um dos príncipes está gravemente ferido e os pais dele estão loucos para tirá-lo da seleção e manda-lo de volta para casa, para um tratamento melhor e que eles possam ficar de olho... Meu Deus. — Ela se levantou, preocupada e ansiosa. — E eu ainda preciso resolver a contagem de mortes e o quanto... — Ela saiu resmungando do quarto, deixando uma filha confusa para trás. Dois segundos depois ela voltou, esquecendo de me dizer algo. — Mais tarde todas as informações sobre a invasão estarão em seu quarto para você ajudar na análise, certo? — Concordei com a cabeça, comendo uma última garfada de minha comida antes de me levantar da cama, jogando as cobertas para o lado.

Apenas lavei o rosto e escovei os dentes antes de sair do quarto, descendo as escadas rapidamente, com apenas uma pantufa em meus pés.

Só notei que eu não estava vestida como uma princesa quando cheguei na enfermaria, vendo Dr. Hudson me olhar em choque.

Fui até a maca de Matheo, vendo o mesmo dormindo profundamente. Segui para a maca de Gabe, ele parecia ter chorado, mas a imagem não era muito bonita, era como se ele chorasse sangue. Era assustador.

Então fui para Nathan.

Dean me acompanhou por todo o trajeto, explicando a situação da população em si, do que estava acontecendo pelo castelo com os feridos, quais eram os mais graves... — Nathan se encontrava na última lista.

— Alteza, serei sincero. — Falou, enquanto eu olhava o rosto pálido de Nathan. Já imaginava o que viria pela frente. — Sr. Archbald não demonstra nenhuma melhora. Imagino que ele ainda precise de um tempo para recuperar-se dos ferimentos, mas não há mais nada que eu possa fazer. Ele também parece estar melhorando ao mesmo tempo que definha. É como se partes de seu corpo lutassem ao mesmo tempo. Uma quer viver, mas a outra definha. É a melhor definição sem termos médicos que posso usar com a senhorita. — Concordei com a cabeça, passando a mão pelo rosto de Nathan.

— Obrigada, Dr. Sei que está fazendo tudo o que pode. — Minha intenção não era que minha voz soasse tão vazia, tão fria, mas soou. Eu não iria mudar isso, ou pedir desculpas, porque era exatamente assim que eu me sentia.

Alguns minutos depois saí dali, por não aguentar mais olhar quem eu amava definhando em uma maca de hospital, e eu não poder fazer absolutamente nada.

Passei direto pelo meu quarto, mal olhando para suas portas, e bati duas vezes no quarto de Alexa, sequer esperando por sua resposta.

Uma de suas criadas tinha uma bandeja á sua frente, e Alexa estava parecendo que tinha acabado de acordar, assim como eu, mas parecia ainda mais cansada que eu — e com razão.

Ela tomava vários remédios, e foi nesse momento que o choque tomou meu corpo: Alexa tinha voltado á tomar calmantes. Mas eu não poderia julgá-la por isso. Peguei um que havia restado de sua bandeja, tomando-o seguido de água, e então a criada saiu de seu quarto, deixando nós duas á sós.

Me sentei ao seu lado na cama de casal, nós duas olhando para frente. Não era preciso dizer coisa nenhuma. Nós duas sabíamos o que estava acontecendo.

Segurei a mão de Alexa, sequer sentindo o choque com a mão fria, porque a minha também estava.

Alexa parecia ter entendido que gostava de Matheo, como se não fosse apenas um homem que ela detestava. Ela realmente gostava dele, quem sabe um dia pudesse amá-lo. Quem sabe.

O problema é que não era apenas minha voz que estava vazia, fria. Era eu. E dessa vez eu e Alexa parecíamos gêmeas até mesmo no agir.

Nós duas estávamos vazias e completamente frias.

Notas finais
Um único comentário antes de esperar pelos seus próprios comentários: a invasão tratá consequências irreversíveis na história, mas também trará consequências irreversíveis em ao menos uma das nossas duas princesas. Vejo vocês nos comentários hahahahaha http://two-crowns.tumblr.com/