Notas iniciais
MIL DESCULPAS! Sei que hoje é domingo, e peço desculpas por isso, mas só tive tempo de postar agora. Estou fazendo tudo correndo (literalmente) por falta de tempo, já que tenho outra fanfiction pra postar em alguns minutos, também. É a Cams aqui, apenas pra deixar claro, e quero agradecer [MUITO!] á Manuzzz, pela recomendação diviníssima! Muito obrigada :3

Se eu pudesse definir as últimas três semanas — quase quatro — de minha vida, eu descreveria como: conturbadas. Eu tentava distribuir meus afazeres entre príncipes, família, deveres e Nathan, mas levando em conta que os príncipes e Nathan não eram realmente muito pacientes, eu tinha alguns inúmeros problemas quanto á isso. Somando-se ao fato de que eu tinha um rei para satisfazer mostrando projetos, se tornou ainda mais complicado realmente ter tempo para uma das partes que eu mais tinha tempo antes da seleção: a família.

Mas então veio a parte mais complicada: a Elite. Eu não fazia a mínima ideia de quais nomes colocar em minha lista. Tinha mais do que cinco príncipes para colocar nela, mas menos de dez, o que era algo complicado. E então, eu fiquei com cinco importantíssimos, que realmente haviam me feito rir, e tive de deixar Matheo para trás, coisa que eu não queria. Foi quando Alexa e eu descobrimos que Kyle West era um nome em comum de nossas listas, e Matheo entrou para a Elite.

Os dez homens que teriam a sorte de possivelmente se casar com a futura rainha de Illéa.

Eu não conseguia entender a magnitude de toda a Seleção, de todo o meu país, até aquele momento. Quando eu era mais nova, eu nunca havia entendido que futuramente minha irmã seria uma rainha, nunca havia compreendido muito bem o cargo, porque não era algo que eu estava acostumada á lidar, não era algo que era uma realidade para mim, tão pouco á Alexa. Apenas estudávamos — bem, ela estudava —, apenas tínhamos um conhecimento básico sobre o que era á partir de nossos pais, e mais tarde, á partir do diário de nossa mãe. Era tudo o que tínhamos além de informações aqui e ali. Agora, com a Elite na nossa frente, escolhas á tomar e decisões pelo país á serem feitas, era muito mais do que eu imaginava, era algo muito mais sério, também. Juntando-se ao fato de que as escolhas de minha irmã influenciavam diretamente as minhas, e vice-versa — felizmente para Alexa que não na mesma magnitude —, eu estava ainda mais assustada do que no dia que tivemos o anúncio dos príncipes.

Andrew Van Persen passou a mão pela minha cintura, sorrindo para a câmera. Eu e Alexa começamos a seguinte maneira: sua elite comigo, minha elite com ela. Após isso, trocaríamos. Como as elites não foram realmente separadas e teriam seis páginas da revista de Illéa com todos os príncipes, principalmente suas informações, comentários sobre os possíveis favoritos da Elite, assim como qual seria a lista de cada uma das princesas, eu e Alexa decidimos inverter um pouco a situação, mas, bem, ela não parecia muito bem ao partir para o próximo príncipe que iria tirar uma foto: Matheo Delacroix.

E nem eu com Arthur Gravesen.

Ele caminhou até mim no tapete vermelho, sorrindo calorosamente, e passou a mão pela minha cintura, apertando mais forte de maneira proposital.

— Uma chance. Não sei mais o que fazer, Rose. — Olhei para ele, surpresa com a declaração. — É isso que lhe peço.

O fotógrafo chamou nossa atenção, e viramos nossos rostos, abrindo sorrisos verdadeiros. Quase ceguei com esse flash, provavelmente pela surpresa que Gravesen me proporcionou.

— O que você quer, afinal? — Outro flash. Era hora de Arthur dar vez ao próximo príncipe.

Pedi um minuto para Silvia, que me encarou irritada, mas segurou o próximo príncipe antes de o mesmo pisar no tapete, era Kyle.

— Sei que foi Alexa que me escolheu para a Elite, e não você, mas eu simplesmente não posso desistir de tentar, Rose. — Trinquei os dentes, respirando fundo.

— Isso fica pra depois, preciso continuar com as fotos. — Arthur suspirou.

— Realmente fica para depois ou precisarei de outra oportunidade como essa para conseguir míseros segundos com você? — Ele não teve nenhuma resposta, porque pedi á Silvia o próximo príncipe.

Arthur saiu balançando a cabeça, e pude ouvi-lo estalar a língua, parecia desaprovar alguma coisa.

Eu sabia que hora ou outra precisaria superar tudo o que nós dois havíamos passado, mas era simplesmente impossível me impedir de desejar que ele sentisse o mesmo gosto amargo que eu senti ao ser enxotada uma, duas, três, e assim por diante, vezes. Eu realmente sentia algo forte por ele na época, e tudo o que o mesmo fez foi afastar-se, e afastar-se ainda mais. Agora, com a Seleção, ele provavelmente havia criado sentimentos por mim — e não por Alexa, que obviamente seria mais saudável nutrir algum sentimento —, e isso estava sendo mais complicado e complexo do que eu gostaria. Uma pena que o mesmo fosse com Matheo e Alexa, mas aí seria mais o contrário, uma relação de ódio, ao menos até pouco tempo atrás. Céus, eu precisava conversar com Delacroix para saber como sua relação com Alexa andava e até que ponto eu poderia ajudar e ter informações sobre o príncipe seguinte, terminando nosso trato.

Kyle e eu sorrimos para a câmera, e ele abriu um sorrisinho para mim, enquanto eu olhava para ele desconfiada.

— O que foi?

— Alguns passarinhos me disseram que você e sua irmã quiseram manter-me neste local, estou correto?

— Pare de se fingir de culto, West. — Revirei os olhos para ele, mas não pude deixar de abrir um sorriso. Flash. Eu e ele nos viramos para o fotógrafo, que sorria como se tivesse tirado a foto de uma obra prima.

— Com certeza essa será uma das melhores. — Ele sorriu para mim e para Kyle. — Mais uma, Vossas Altezas? — Eu e Kyle assentimos, outro flash quase me cegando.

— Ainda quero saber se eu estou correto. — Sussurrou um tanto quanto próximo á meu ouvido, passando por trás de mim e levando sua mão pela minha cintura, acariciando o local.

Céus.

O próximo á vir foi Daniel Blue.

Ele estava realmente tão péssimo quanto eu ou Alexa. Minha irmã havia contado que hoje era seu aniversário, então a primeira coisa que fiz foi dar-lhe um abraço caloroso.

— Feliz aniversário, Sr. Blue. — Brinquei com seu título, o que fez o mesmo abrir um sorriso.

— Não é todo dia que se faz vinte e dois anos, não é mesmo? — Sorri para ele, e flash. Céus, eu ia despedir esse fotógrafo.

Não, claro que não, mas gostava de brincar que tinha o poder de ficar irritada com as pessoas apenas por elas se divertirem á minha custa — e dos príncipes —, apesar de, obviamente, não ser capaz de fazê-lo.

— Com certeza não. — Suspirei, abrindo um sorriso para a foto enquanto ele me puxava pela cintura para mais perto, abrindo um sorriso radiante para a câmera.

Minha cabeça martelava á cada flash, á cada passo no tapete e á cada movimento mínimo que eu fazia, mas o remédio já estava surtindo efeito — mesmo que apenas minimamente, o que já era uma grande coisa, levando em conta o tamanho da ressaca —, e apesar de tudo isso, sorri para Daniel.

— Gostaria de lhe dar um presente majestoso á altura do que você me deu, Blue, mas infelizmente terei de me contentar com alguma coisa menor, como, por exemplo, uma saída pelos campos do palácio. O que acha? — Ele abriu um sorriso ainda maior do que já tinha no rosto, apesar de obviamente estar sofrendo de ressaca tanto quanto eu.

— Uma ótima ideia, não há presente melhor. — Apesar de que ele havia sido escolhido pela minha irmã para a Elite, eu acreditava que hora ou outra ele poderia sair comigo e nos conhecermos melhor.

Ele saiu, dando espaço á Nicholas DanBrook.

O que diabos Alexa via nele? Deixemos isso quieto, afinal, eu não poderia contestar muito o gosto de minha irmã quando estava saindo ás escondidas com um plebeu.

E então a minha elite veio.

Realmente, acho que os dois príncipes com uma ressaca ainda maior que a minha e de Alexa junta eram Daniel e William.

Ele me cumprimentou com uma careta, franzindo o cenho.

— Desculpe, Rose, mas eu realmente estou morto. — Abri um sorriso para a câmera, sentindo minha barriga e rosto doerem por causa do esforço que fazia para não cair na gargalhada, o que fazia minha cabeça latejar, também.

— Você não é o único, Davis, acredite. — Ele me encarou franzindo o cenho, e franzi para ele novamente. Flash. Eu ia despedir aquele fotógrafo! Mas que droga...

Silvia já mandava o próximo, Dimitri.

Ele se quer parecia ter sido afetado pela bebida, mas considerando-se o fato de que ele é Russo, e a Rússia possui as melhores bebidas — e mais fortes — do mundo desde que ele foi criado, não há muito o que dizer quanto á isso exceto o fato de que Dimitri já deveria ter provado bebidas muito mais fortes e piores, como ele mesmo havia admitido nesta última madrugada.

— Você está péssima. — Revirei os olhos para ele.

— Nem notei. — Ele sorriu para a câmera, e fiz o mesmo. Clique. — E levando em conta que existem pessoas piores por aqui, estou feliz com minha atual situação.

— Você só pode estar brincando. — Senti seu corpo tremer em uma risada durante a próxima foto, e ele apertou minha cintura antes de se despedir. — Eu já bebi horrores, e nunca fiquei tão mal, acredite em mim, eu não estaria feliz estando na sua situação.

— Vá logo, você está me dando dor de cabeça.

— Piorando ela, você quis dizer. — Enxotei ele com tapas, enquanto ele se esquivava e saia rindo da área.

O próximo príncipe á vir até mim foi Patrick Hampson. Certo, não tínhamos aquela ligação incrível que eu e Caleb tínhamos, ou até mesmo a que eu e Matheo tínhamos — que não era lá grandes coisas, principalmente devido ao interesse mútuo que cada um de nós tinha em nossa relação.

— Como foi a noite? — Caçoei. Realmente, existiam príncipes muito piores que eu e Alexa juntas no quesito ressaca.

— Humor ácido que vem junto à ressaca, gostei. — Também caçoou, nós dois tirando duas fotos rapidamente. Ele não parecia se importar, e nem eu, o chão já estava girando e minha cabeça parecia pronta para explodir á qualquer momento.

Caleb se prontificou ao meu lado, ele parecia o ser mais são dali, perdendo apenas para Dimitri.

— Você está péssima, Schreave. — Levantei a mão para o fotógrafo. Como apenas Matheo podia nos ver, e sabia que ele era meu favorito, não havia motivos para não haver uma regalia.

— Obrigada pelo elogio. — Bufei, enquanto ele sorria e arrumava um fio solto de meu cabelo, passando a mão pela minha cintura. O fotógrafo tentava cuidar de sua vida olhando as fotos já tiradas, mas era óbvio seu interesse em Vermont e em mim. — Me sinto péssima. — Desabafei, apesar de que isso era com certeza a coisa mais óbvia do dia.

— E com razão, tire o dia de folga.

— Infelizmente não posso. — Olhei para a câmera, e o fotógrafo e Caleb entenderam o recado, tirando uma foto. Levantei a mão novamente, olhando para Vermont. — Me diga — pausei —, o que está achando disso tudo?

— Disso... Seleção? Fotos? Revista? Possíveis ataques rebeldes? Elite? — Ele levantou as sobrancelhas para mim. — Você vai precisar ser mais específica, querida. — Trinquei os dentes, tentando não repetir o monólogo de minha mãe décadas atrás.

— Não me chame de querida; e me refiro á elite. — Ele abriu um sorriso.

— Tudo bem, rosa. — Bufei, agora ele estava tirando uma de minha cara, apenas por causa de Dimitri. Mas que coisa, hoje era o dia, realmente era. — Bom, eu fiquei bem surpreso por ainda estar nela. — Revirei os olhos para ele. Ele passou as duas mãos pela minha cintura, nos aproximando. Céus, aquilo sim fez o fotógrafo quase soltar seus bofes, células, tripas e tudo o mais que ele tinha dentro de seu corpo, incluindo ossos, pela boca. — Diria que eu estou achando interessante, e eu estou curioso com o que meu futuro me reserva, pela primeira vez na vida não sei que tipo de planejamento fazem para eu mesmo fazer um planejamento. — Ele franziu o cenho. — Ok, certo, isso pareceu confuso. — Dei de ombros, colocando a mão em um dos botões de sua farda, olhando o vermelho escuro dele. Levantei o olhar para Caleb e... flash.

Mas não havia sido o fotógrafo que havia tirado a foto, e sim Matheo Delacroix. Ele havia tirado o fotógrafo de seu próprio instrumento de trabalho, esperado pelo momento certo e com apenas um clique tinha a chance de fazer Illéa inteira descobrir minha suposta verdadeira preferência para príncipe. Mal ele e todo o resto do mundo sabia que, na realidade, nenhum desses príncipes era com quem eu pretendia me casar.

Caleb me deu um beijo na bochecha, se afastando.

— Acho que nosso tempo acabou, te vejo mais tarde? — Concordei com a cabeça, sorrindo fraquinho, e vi Alexa na área oposta á minha olhando para mim com um sorrisinho malicioso no rosto, como quem dizia “eu sei de tudo”. Com certeza, eu devia contar tudo á ela, e aí sim ela saberia de tudo. Ou das partes mais importantes, ao menos.

America entrou no salão no exato momento em que o último príncipe, Arthur, saía, ela levava em seus braços dois livros e algumas folhas de papel, e tinha um sorriso no rosto — aquele tipo de sorriso que ela planejava algo para mim e Alexa, e que com certeza tomaria nosso tempo.

— Bom dia, garotas. — E então os livros e as folhas estavam em uma das mesas de centro da área de estar criada para os príncipes aguardarem sua vez. — Estou aqui para lhes informar a próxima tarefa dos príncipes da Elite.

— E qual seria ela? — Eu e Alexa caminhamos até America, com ela sorrindo e seguindo o olhar, com Silvia entrando no salão, seguida das damas de companhia da rainha de Illéa.

— Um projeto para Illéa. — Silvia informou, abrindo uma pasta que carregava em mãos. — Ele deverá ajudar Illéa de alguma forma, sendo com os pobres, melhoras na estrada ou em portos, qualquer que seja a melhora ou ajuda. Eles serão avaliados por vocês, por Vossas Majestades e pelo povo. — Ela olhou alguns papéis dentro da pasta e retirou dois dali de dentro, entregando um á mim e um á Alexandra. Ela parou em uma folha, também. — Quase esqueci, aqui. — Ela colocou a folha entre mim e Alexa, esperando que uma de nós pegasse-a. Alexa pegou.

— Os favoritos do povo? — Perguntou, recebendo um aceno de concordância vindo de Silvia. Alexa avaliou a lista e então me entregou.

Ela era dividida em classificação geral e classificação de relações por princesa.

A ordem geral era: Arthur Gravesen, Caleb Vermont, Daniel Blue, Matheo Delacroix, Kyle West, William Davis, Andrew Van Persen, Patrick Hampson, Dimitri Ivanov, Nicholas DanBrook.

A ordem de Alexa não era tão ruim, se levássemos em conta que parte de minha Elite estava ali, e a dela não, assim como na minha, e Matheo também estava na sua lista — quase no topo, na realidade.

Daniel Blue, Matheo Delacroix, Caleb Vermont, Kyle West, Arthur Gravesen.

Sinceramente, o que diabos Caleb e Arthur estavam fazendo na lista dela? Os outros eu até entendia, mas Caleb? Até Arthur, que se declarou em rede nacional incondicionalmente apaixonado por mim, estava na lista dela.

E é claro, estava no topo da minha, sendo seguido por Daniel Blue, William Davis, Matheo Delacroix e Caleb Vermont.

Realmente, ninguém conseguia entender nada. Claro, nenhum deles sabia qual era a Elite de cada uma, levando em conta que nós duas escolhemos cinco favoritos, mas estava óbvio, por exemplo, para Arthur. Eu jamais gostaria que ele estivesse ali, assim como Alexa não suportava a presença de Matheo na mesma sala, então eram óbvias escolhas, assim como Caleb era uma escolha minha. Já os outros, como Daniel e Kyle, era um pouco mais complicado, até mesmo para os príncipes. Eles não faziam ideia de qual princesa estaria mais interessada, e precisavam tirar a sorte. Agora, eu imaginava como a população descobriria tudo isso. Nas outras seleções eles tinham ideia dos relacionamentos por causa de uma questão básica: era um príncipe com trinta e cinco garotas. Ali eram duas princesas. Ninguém tinha ideia de quem estava com quem. Um pouco complicado, mas nos permitia mais privacidade, era uma ótima jogada, também.

Alexa e eu olhamos o plano da Elite, assim como as preferências do povo e algumas outras estatísticas, e então sim fomos liberadas.

E eu segui America até seu gabinete — o salão das mulheres.

Com toda a conversa da Elite, planejamentos, estatísticas e nenhuma diversão, eu havia tido uma ideia, que gostando America e Maxon ou não, era ótima.

— Mãe? — Bati na porta do salão, espiando enquanto entrava.

— Oh, Rose. — Ela me encarou, surpresa, de trás de sua escrivaninha. Suas damas de companhia haviam desaparecido misteriosamente. — O que foi, querida? — Querida. Isso estava me perseguindo e me irritando pela primeira vez na vida.

— Eu tenho uma proposta á fazer, mas deve ser feita ainda hoje.

Ela concordou com a cabeça, enquanto eu caminhava pelo salão e ia até sua mesa, sentando-se á sua frente. Cruzei as pernas e juntei minhas mãos por cima do vestido, brincando com meus polegares.

— Uma estratégia de marketing e de falsa tranquilidade dentro do castelo. — Isso atraiu sua atenção completamente. — Uma corrida de cavalos. — E aí se foi sua atenção.

— Rose... Eu sei que você gosta de cavalos, mas...

— Deixe-me terminar. — Interrompia, e ela concordou com a cabeça, mas soltou um suspiro logo em seguida. Era óbvia a sua negação á minha proposta. Bem, eu iria mudar isso. — Hoje é aniversário de um dos príncipes, Daniel Blue. Normalmente, príncipes tem festas enormes, assim como princesas, mas juntando tudo o que aconteceu nos últimos tempos, ninguém sequer se importa com uma festa no momento, exceto ele mesmo, e sua família, do outro lado do mundo, que com certeza ficaria um pouco decepcionada ao saber que a hospitalidade da realeza Illeana não se estende á esse ponto. Então, eu proponho não apenas duas cartadas, mas três.

— E quais seriam elas?

— Pretexto de tranquilidade dentro de um palácio que está um caos; aniversário de Daniel Blue e; diversão para os príncipes e princesas trancados dentro deste palácio.

— E como você pretende planejar tudo isso até que essa corrida ocorra antes do anoitecer? E ah, como seria essa corrida? — Nós duas não podíamos negar que era um ótimo plano.

— Bom, eu pensei em ser algo um pouco aberto, mas ainda sim fechado, tenho Alexa para me ajudar. E também pensei em ser uma corrida entre nós e o príncipe, não valeria nada, á não ser que você tenha algo em mente que ajude á valer na corrida para o vencedor. Enfim, pensei em darmos alguns passes para a população, não a população aberta. — Acrescentei em segundos, após ver seu olhar. — Conhecidos, a família de alguns homens e mulheres que trabalham dias e mais dias á fio dentro desse palácio. Alguns guardas, serviçais, professores — Nathan —, entre outros... — Ela me encarava pensativa. — Por favor? — Mordi o lábio, esperando por sua resposta.

America suspirou, abaixando os ombros e perdendo sua completa postura de rainha.

— Acho que posso confirmar, converse com Alexa e arrume algumas coisas, mas não divulgue nada até que receba um aviso meu ou de seu pai confirmando a corrida. Estamos entendidas? — Concordei com a cabeça, sorrindo. — Preciso conversar com Maxon antes de confirmar alguma coisa á você, mas considere-se sortuda, a Elite foi feita e ele está feliz. Verei o que posso fazer.

Concordei com a cabeça outra vez, me sentindo um daqueles bonecos que a cabeça sobe e desce, sobe e desce. Eu tinha visto um desses uma vez, numa das caixas de coisas antigas de Gerad.

Saí dali rapidamente, indo ao quarto de Alexa informando-a sobre meus planos para mais tarde. Ela iria ajudar no que fosse possível, e já estava pensando em convidados. Dividimos quarenta pessoas para os convidados, vinte ficariam sob minha ordem, e vinte sob sua ordem. Ela ficaria com Gabe, então teria apenas outras dezenove pessoas para convidar e á dois familiares. Todas as pessoas deveriam ter seus nomes informados pelos seus representantes dentro do palácio até as duas horas da tarde, com toda a identificação confirmada. Eles receberiam um passe de entrada, que era um crachá, na entrada do palácio, e não seria permitida sua entrada dentro do mesmo, apenas no terreno próximo aos estábulos e campos onde ocorreria a seleção. Essa última parte foi decidida após a confirmação com America de que tudo realmente iria acontecer.

A primeira pessoa que fui falar foi Daniel.

— Isso é sério? — Ele sorriu, animado, e concordei. — Bom, veremos, Schreave, irei derrotar você naquela pista de corrida. — Piscou, mas então se aproximou e me deu um beijo na bochecha. — Obrigada, sei que é tudo em cima da hora, mas nada do que uma conversa ás escuras de irmã para irmã não resolva, não é mesmo? — Acompanhei-o numa risada.

— Bom, essa conversa ajudou, se é isso que quer saber. Não poderei ficar mais por aqui, preciso convidar vinte pessoas e seus familiares, e ainda preciso conversar com alguns príncipes. Por favor, não conte vantagem, ainda não contei para nenhum dos outros.

Ele me encarou parecendo genuinamente ofendido.

— Eu pareço ser um príncipe do tipo que se gaba?

— Você realmente quer a resposta dessa pergunta? — Brinquei, recebendo um revirar de olhos como resposta.

— Não, obrigada. Suma da minha frente, ser insignificante.

Saí dali rapidamente, pensando onde Nathan Archbald poderia passar seu tempo vago dentro de um palácio no qual ele não poderia subir no segundo andar.

Eu sabia perfeitamente onde.

Entrei na sala de musica, encontrando com o mesmo sentado atrás do piano tocando notas lentas, mas que eu já conhecia.

— Estou interrompendo alguma coisa, Sr. Archbald? — Encostei a porta atrás de mim, me encostando nela com um sorrisinho no rosto.

— Apenas uma música sendo transcrita, Alteza. — Aumentei meu sorriso no rosto, caminhando até o piano e me apoiando nele.

— Tenho um convite para você. — Ele levantou as sobrancelhas para mim, incentivando-me á continuar. — Hoje, ás cinco horas da tarde, em ponto, você poderá trazer mais dois familiares para assistir a corrida de cavalos entre as princesas e a elite. — Ele arregalou os olhos.

— Isso é sério?

— Claro que sim. — Ele se levantou, me pegando pela cintura e me abraçando com força. — Por quê tanta euforia? — Olhei para ele, confusa.

— Você não entendeu, não é? — Ele riu, animado. — Tenho duas irmãs, Rose. Dois convites. Elas ficarão loucas. Simplesmente loucas. — E então parou, adquirindo uma expressão tensa. — O que isso significa? Toda essa corrida? Sempre tem algo por trás.

— Bom, você andou lendo. — Soltei um suspiro, me sentando na banqueta que ele estava sentado alguns segundos atrás. — Tensão popular e comemoração de aniversário. — Ele concordou com a cabeça, entendendo.

Puxei-o para meu lado.

— Daniel Blue completa vinte e dois anos hoje, e bem, como já falei pra você, os sulistas... — Ele concordou, me interrompendo e me dando um beijo na testa.

— Eu sei, Rose. — Franzi o cenho.

— Como são suas irmãs? — Ele abriu um sorriso tranquilo, passando a mão pelas pontas de meu cabelo, que caía quase totalmente solto pelas minhas costas.

— Você vai ver. — É claro que ele me deixaria curioso á esse ponto. — Você não tem alguns príncipes para bajular?

— Ok, senhor ciumento, tenho. — Me levantei da cadeira, levando-o junto. — Ah, lembre-se de informar á Aspen Leger sobre as duas convidadas e suas informações. — Ele concordou, me puxando para um beijo longo.

— Sabe qual é a melhor parte e que mais me acalma em toda a seleção? — Ele falou, eu mantinha meus olhos fechados, nossos rostos se tocando.

— Qual?

— É saber que eu sou o único que você pensa em ter no altar.

Abri um sorriso e me afastei, encarando ele com um sorriso surpreso no rosto.

— Você realmente será um ótimo príncipe, Archbald. — Nos afastei, caminhando até a porta e me virando ao tocar no trinco, vendo-o em pé, então arrumando o terno e batendo continência ao notar meu olhar.

Saí dali segurando o riso.

Avisei á grande parte dos príncipes, apesar de toda a Elite de Alexa já saber; eu estava informando o último príncipe antes de me arrumar quando Alexa se materializou na porta do quarto dele. É claro que ela faria isso, deveria ter colocado algum tipo de localizador em mim, assim, quando eu estivesse na porta do quarto de Delacroix, ela poderia me interromper.

— Algum plano incrível para fazer Alexa se apaixonar por mim ainda hoje? — Matheo provocou, e revirei os olhos para ele.

— Você sabe que não, mas, como está a sua relação com ela?

— Uma merda. — Fiz cara feia por causa da boca dele, mas foi aí que Alexa entrou em cena, e não pude reclamar do palavrão.

— E aí, casal? — Alexa se postou ao meu lado. — Posso falar com você, Rose? — Mordi o lábio.

— Na realidade, não posso agora, Alexa, preciso ir resolver algumas coisas, mas tenho certeza que Matheo adoraria conversar com você... — E eu já estava longe, deixando Alexa me fuzilando com o olhar em frente ao quarto de Matheo.

Matheo me devia um nome.

Subi aos meus aposentos, começando á me arrumar e ficando pronta uma hora antes do horário correto. Eu poderia usar isso á meu favor.

Dispensei as garotas para que pudessem se arrumar, já que havia as convidado, e assim que elas saíram dali abri a porta que me levava ao quarto do futuro príncipe.

Fechei a porta atrás de mim, vendo a cama feita, as cobertas de seda bem esticadas e organizadas, tudo em perfeita sintonia. Os dois bidês ao lado da cama, uma pequena estante de livros, uma porta ao guarda roupa, uma escrivaninha, uma área vaga para músicas, ou qualquer outra coisa que o futuro príncipe quisesse, as portas que levavam á varanda, a porta que levava ao banheiro, a porta de saída, o lustre, alguns quadros bem espalhados pelo local... Me sentei numa das poltronas, vendo o vento balançar as cortinas do quarto.

Eu sou o único que você pensa em ter no altar.

O que Maxon e America pensariam disso? Se Alexa se casasse com um sucessor da linha de trono do país, eu subiria ao trono, e um plebeu também.

E se meu casamento com Nathan não fosse permitido?

E se.

O não nunca é a pior resposta, a pior resposta é o se. Se é algo incerto, e você nunca saberá a verdadeira resposta: sim ou não.

Complicado e cruel, e infelizmente eu não era corajosa o suficiente para declarar minha relação com Nathan e então, bem, arcar com as consequências dessa escolha. Não ainda, não agora.

Só notei que estava perdida em pensamentos quando ouvi duas batidas fracas na porta que levava ao meu quarto.

— Alteza? — Era Carmiryn.

Demorei alguns segundos para responder.

— Sim?

Ela abriu a porta lentamente.

— Está na hora da corrida. A senhorita está pronta? — Concordei com a cabeça, me levantando e saindo do quarto.

Conferi meu estilo. Botas de cavalgada, calça marrom escura, blusa branca e casaco marrom escuro, capacete de cavalgada em mãos e uma trança embutida que descia pelo meu ombro direito. Eu tinha uma maquiagem diferente da de mais cedo, que era um tanto quanto mais pesada, a maquiagem que eu estava agora parecia sequer ser uma, ela era tão natural que parecia ser meu verdadeiro eu.

Mas, como sempre, a maquiagem era apenas mais uma camada que me impedia de agir como eu mesma.

E então veio a surpresa.

O local estava cheio, pequenas cadeiras e mesas foram dispostas por toda a área vaga para isto, os cavalos escolhidos já estavam prontos, tinham até mesmo famílias importantes por ali, e grande parte da família de minha mãe estava ali, apenas dois tios meus não estavam, Gerad e Kota. O último sequer fora convidado, como eu já imaginava.

Foi quando eu o vi. Nathan.

E suas duas irmãs que olhavam tudo como se fosse a última vez que veriam tudo aquilo... Mal elas sabiam.

Mas não pude ir até eles por dois motivos: suspeita e William.

Ele me parou, e nós dois desatamos á conversar. Não que eu estivesse muito feliz com isso, e acredito que Alexandra tenha notado, pois me livrou dele, e começamos a caminhar pelo jardim. Seu capacete era marrom, o meu, preto. E acredito que era a única diferença entre nós duas, mas os príncipes e alguns outros já pareciam ter notado, apenas as pessoas de fora que insistiam em nos parar e conversar conosco sobre conversar aleatórias que não pareciam entender quem era quem, mas não se davam ao luxo de nos perguntar.

— Alexa, há algo que você precisa saber. — Decidi soltar a bomba ali mesmo, por dois motivos: precisava da ajuda dela e ela precisava saber, afinal, eu havia guardado isso por muito tempo.

Ela me encarou, confusa.

— Não vou me casar com nenhum dos príncipes.

— Você vai desistir? — Ela estava de olhos arregalados, e nós duas paramos no meio do caminho. Neguei com a cabeça.

— Existe outra pessoa. — Seus olhos aumentaram de tamanho ainda mais.

— Quem?

— Prometa que não vá contar. — Ela revirou os olhos para mim.

— Rose, existe uma diferença entre ferrar com suas ideias e destruir sua vida. — Abri um sorriso, concordava plenamente com ela. — E você me defendeu e á Aaron com garras e dentes na frente de Maxon, é o mínimo que posso fazer por você. Conte logo! — A curiosidade estava exalando dela com tanta força que era impossível não achar engraçado.

— Nathan Archbald.

— Nosso professor de música? — Ela disse, surpresa, e olhei em volta, desconfiada.

— Sim, quem mais seria?

Ela me encarava como se juntasse um quebra-cabeças, e parecia notar algumas coisas.

— Isso explica muita coisa, você não estava preocupada que eu e ele estivéssemos juntos quando nos pegou na sala de música, você estava preocupada que eu e ele estivéssemos tendo algo, porque você está com ele. — Concordei com a cabeça, engolindo em seco. — Isso sim é uma novidade em tanto. — Soltou o ar, surpresa.

— Nem me diga. — Olhei para onde Nathan estava, e suas duas irmãs olhavam para mim e para Alexa como se fôssemos duas pedras preciosas. — Preciso da sua ajuda.

— Para quê? — Ela estava desconfiada, agora, e não mais curiosa.

— Quero tirar uma foto com o meu príncipe. — Ela sorriu. — E ainda hoje, me ajuda?

— Claro. Temos exatos trinta minutos até a corrida começar, e... — Ela olhou atrás de mim. — Timing perfeito, Suas Majestades chegaram agora mesmo, ninguém vai notar se nós duas desaparecermos por quinze minutos.

Abri um sorriso para ela.

— Obrigada, obrigada mesmo.

— É o mínimo que posso fazer quando minha história de amor foi por ralo á baixo.

— É, precisamos conversar sobre isso, também.

Ela concordou, e olhei para Nathan.

— Que tal se apresentar para sua futura família? — Caçoou, e sequer me deixou responder, apenas me puxou pelo braço e começamos a andar na direção dos três Archbalds presentes naquele campo.

— Vossas Altezas. — Nathan nos cumprimentou formalmente, e eu usei todo o meu autocontrole para não revirar os olhos ali mesmo. — Essas são Kira e Keith. Minhas irmãs mais novas. Kira, esta é a Princesa Rosemarie Schreave, e esta é a princesa...

— Alexandra. Como vão? — E então minha irmã já havia desatado á conversar com as duas garotas, e eu também.

Kira queria seguir a profissão de advocacia, queria tirar da cadeia pessoas presas injustamente, e também era a mais nova. Keith praticamente morreu quando Kira comentou de alguns casos que a família real tinha errado ao decidir o veredicto, Nathan parecia prestes á matar a garota. Alexa e eu? Concordamos. Maxon e America eram o mais justos possíveis em alguns casos, mas outros eles simplesmente não tinham tanto controle quanto gostariam. Esses casos normalmente tinham injustiças, e eles não podiam fazer muita coisa exceto diminuir as penas. Principalmente ao passá-las de penas de morte para prisão por trinta anos.

Foi quando Alexa me deu a olhada.

Estávamos sem tempo, e seria o único momento que os fotógrafos não estariam desmontando suas coisas, e sim ocupados de mais para pensarem nas que estavam montadas em outro lugar.

— Garotas, vocês nos dariam um momento? — Pedi. — Sr. Nathan, Alexa e eu estamos trabalhando em um projeto sigiloso sobre uma partitura para apresentação ao público, e preciso conversar com eles.

— Claro, Alteza. — E Keith puxou Kira para longe.

Nathan levantou uma sobrancelha para nós duas.

— O que as senhoritas estão tramando?

— Na realidade, estou ajudando vocês dois á terem a primeira foto como casal. — Nathan me encarou questionador.

— Ela sabe, preciso da ajuda dela para revelar as fotos. Eu gosto de fotos, mas não revelo-as. E ela é boa em manipular pessoas.

— Você também.

Alexa bufou para ele.

— Acredite, entre Rosemarie e eu, se você quer uma companheira que é péssima em artimanhas da realeza, você divinamente escolheu a pessoa certa. — Abri um sorriso, e ela olhou em volta. — É o seguinte, Rose irá pelo jardim oeste, que é o mais perto no momento, Nathan, você terá de dar uma volta maior. Gabe está nas portas do salão neste momento, bem, ele estará. Acabei de encontrar ele aqui, vou falar com ele. Rose, ele irá lhe acompanhar. Nathan, leste. Vocês tem vinte minutos. Estarei lá para garantir que a foto seja tirada. Antes disso irei garantir que você, irmãzinha, finja estar passando mal e por isso entrou no palácio para se acalmar, por causa dos nervos. Ninguém suspeitará de nada, revelarei a foto e deixarei ela bem guardada no nosso esconderijo no salão das mulheres, combinado?

Eu e Nathan mal tivemos tempo de responder.

Eu poderia descrever passo á passo dos próximos trinta minutos, mas a única coisa que me lembro é da adrenalina correndo em minhas veias, do flash da câmera e então eu já estava montada na sela de meu cavalo.

Alexa e eu estávamos no centro da corrida, e os príncipes se estendiam á nossa esquerda e direita.

A largada foi dada, e pessoas uivavam na plateia, gritavam, assobiavam, todos eles animadamente.

William assobiou para mim, recebendo uma olhada feia, e chegamos na primeira volta, finalizando-a completamente.

Eram três voltas, e na segunda, eu estava perdendo para William, Arthur e Alexa.

Na terceira, eu e Alexa estávamos empatadas.

Mas, querendo ou não, Alexa treinava política desde que havia nascido, eu? Eu treinava equitação desde que estava no berço.

Mas lá estava, antes que eu pudesse pensar em alguma coisa, não havia William ou Arthur disputando comigo o primeiro lugar. Matheo havia disputado, e por centésimos não havia o conquistado. O primeiro lugar era meu, o segundo de Matheo, o terceiro de Alexa, suando para manter-se á frente de William.

Matheo estava orgulhoso da conquista, mas Alexa... Bem, talvez ela devesse tomar um calmante.

O primeiro lugar ficou comigo, o segundo com Matheo, o terceiro com Alexa.

— Foi merecido, admito. — Alexa bateu em meu ombro, e nós duas caminhamos por entre as pessoas, com Gabe nos puxando pelo braço e parando.

— Quero as duas dentro do palácio. Agora. Ordens diretas do Rei de Illéa.

— O que está acontecendo, Gabe? — Alexa perguntou, tão assustada quanto eu. Talvez menos, levando em conta que eu não conseguia encontrar minha voz.

— Há suspeitas de que temos um rebelde sulista entre nós. Toda a família real e os príncipes estão sendo retirados aqui primordialmente. — Olhei para Gabe, suplicante. — Já garanti que ele e suas irmãs saíssem daqui, Rose. — Soltei um suspiro aliviado, e ele mostrou os braços, nos apertando quando trancamos os braços nos dele. — Para dentro. — Nós caminhamos rapidamente, sequer conseguindo nos despedir de muitas pessoas, e então estávamos no salão principal do palácio, junto á todos os outros príncipes.

Eu ainda não havia visto Maxon ou America, mas sabia que deveriam estar cuidando para que tudo ocorresse como os conformes e nenhuma pessoa ali dentro descobrisse sobre os rebeldes atacando novamente.

Coloquei meu capacete ao lado do de Alexa, nós duas nos sentando num dos sofás junto á Nicholas e Patrick. Dois minutos depois vi Kyle conversando com Gabe, que era um dos dois guardas que guardava a porta, e então ele foi liberado para sair, sendo seguido pelo outro guarda que estava na porta.

Me levantei rapidamente, pegando o capacete de Alexa e vendo seu olhar me seguir, eu imaginava que ela já sabia o que eu ia fazer, mas não estava fazendo isso por vingança — bom, talvez um pouco —, estava fazendo isso por uma coisa que havia notado recentemente, e adoraria que estivesse errada.

Peguei Kyle nas escadas, sorrindo.

— Olá, Sr. West. — Ele sorriu para mim.

— Olá, Srta. Schreave. Como vai após nosso último encontro? — Ele realmente acreditava que eu era Alexa, porque eu e ele não tínhamos um único encontro há mais de dez dias.

— Muito bem. E você?

— Muitíssimo melhor agora. — Pausou. — Por que tanta pressa em me seguir, se me permite perguntar? — Minta rápido, Rose.

— Eu gostaria de saber quando você terá um tempo livre novamente. — Não era uma das minhas melhores mentiras, mas era uma das mais convincentes no momento, dadas as circunstâncias e o assunto que eu queria nos levar, e ele com certeza absoluta mordeu a isca.

— Que tal agora? — Ofereceu abrindo um sorriso de vinte e quatro quilates. Os olhos azuis brilharam em tom de divertimento.

Alexa podia se passar por mim, mas eu também podia me passar por ela, e gostando ela ou não, poderíamos muito bem enganar muitas pessoas com isso. Eu apostava que ela gostava de saber disso, porque eu também.

— Agora não é um dos melhores momentos, dadas as circunstâncias, mas... Que tal amanhã? De todos os jeitos não teríamos muito tempo hoje. — Ele suspirou, se aproximando.

— Nem tempo para isso? — E então me beijou.

Eu não retribuí.

— O que foi? — Ele se afastou, preocupado. — Ah, caramba, me desculpe, Alexa. Mil desculpas...

Respirei fundo, trincando os dentes.

— Não sou Alexa, Sr. West. — Ele arregalou os olhos, agora. — Sim, você foi pego na mentira. Você sabe o quanto é ridículo jogar nos dois lados? Todos os príncipes tomaram um partido, e no exato momento em que eu notei que você parecia não ter um partido, decidi tomar uma medida. E nada melhor do que estando na pele de Alexa. — Respirei fundo. — Você está oficialmente fora da Seleção, Príncipe Kyle West. Para sua segurança, recomenda-se que saia de Illéa o mais rapidamente o possível. — Ele engoliu em seco.

— Sinto que devo desculpas.

— Talvez um dia seja possível aceita-las. — Me virei, voltando para o primeiro andar, e dei de cara com Nathan em uma das portas. Ele me encarava orgulhosamente.

Pelo menos alguém se sentia assim, porque eu estava longe de me sentir orgulhosa.

Kyle jogou dos dois lados, quem garantia que qualquer um dos outros príncipes não estava jogando?

Realmente, a seleção podia tirar o sono de muitas pessoas.

Minha cabeça latejava bem mais do que por apenas uma ressaca curada com remédios pesados.

Notas finais
Obrigada por todos os comentários e recomendações, e digo isto no geral. Espero ver muitos outros nos comentários desse capítulo, ein! Eu estou meio bem perdida com tudo, mas logo logo o tumblr de TC também deverá ser atualizado e eu devo voltar á me lembrar de tudo o que está acontecendo á minha volta UHEUUH Mesmo assim, muito obrigada! http://two-crowns.tumblr.com/