Notas iniciais
Capítulo minúsculo, é. Eu até pensei em fazer algo maior, mas então não sairia ainda hoje. Esse é o último capítulo que temos escrito, e eu e a Cams estamos quase nos descabelando pela falta de tempo. De qualquer forma, esperamos que gostem do resultado. Muitíssimo obrigada pelos comentários, meninas. É muito importante esse apoio. — Drama Queen

— Ei, ei... Ah, não, Lexi, não chore. — Aaron me puxou para seu peito, sem se importar com as marcas de base, rímel e batom que minha maquiagem borrada deixaria em sua camisa branca. — Por favor... Não chore.

Em qualquer outra situação, minha mãe me mataria ao me ver sentada sobre a cauda do piano dela, mas duvido que ela fosse ter ânimo para me xingar. Não que eu fosse me importar, de qualquer forma. O que ela poderia fazer? Trancafiar-me em meu quarto até eu fazer quarenta anos? Que o fizesse.

— Por que você foi fazer isso, Aaron? — resmunguei, entre soluços, ora puxando-o pelo colarinho, ora esmurrando-o. — Por que você simplesmente não seguiu as regras? Tudo estava dando certo, Aaron. Tudo.

Pela visão embaçada, consegui ver os contornos de Gabriel do lado de fora. Eu sabia que ele não via a cena, contudo sem dúvidas que ouvia meus berros. Ele estava mal por mim, eu sabia. E eu estava ainda pior por saber que ele se aborrecia, também.

— Escute — ele se afastou um pouco, segurando meu rosto entre suas mãos — Eu não consegui parar, okay? Tenho a completa noção de que tudo isso foi culpa minha, e não poderia estar pior, entretanto de nada adianta se desesperar, Lexi.

— Tem razão. — comentei, secando as lágrimas com as costas das mãos e tentando respirar pausadamente. Infelizmente, o choro e os soluços não pareciam querer me deixar tão cedo. — O que podemos fazer?

— Não sei... Seu pai pode...

— Não, sem chance disso. — prossegui, encarando o chão. — Ele não vai deixar você ficar. Já deixou isso bem claro. — voltei a enxugar as lágrimas.

— Nós... — foi ele quem suspirou. — Não, não posso.

— Não pode o que?

— Não posso pedir para esperar por mim. Não seria justo com você.

— Justo, Aaron? Não seria justo?! — revirei os olhos. — Injusto é isso que estão fazendo conosco. Injusto é separarem duas pessoas que se amam, que estão noivas, por sinal, simplesmente por conta de uma porcaria de um costume do país. E que porcaria de país, por sinal. Cheio de fome, pobreza, miséria, rebeliões, violência. E o pior é que não há nada que possamos fazer para solucionar isso tudo, sabe por quê? Porque Illéa não consegue ir pra frente. Não tem um PIB alto o suficiente para fazer com que o país evolua. Quando aumenta o PIB, aumenta a inflação. Alguns lugares do país não têm nem saneamento básico. As pessoas morrem de frio e fome todo dia e toda a noite nessas ruas, e meu pai gasta a porcaria do tempo dele administrando essa droga de Seleção. Maxon é uma máquina quando se trata de mim. Sou só a filha que sucede o trono, a futura rainha. Eu nem quero ser rainha. Não quero esses problemas na minha conta. Quero só ter uma família com alguém que eu amo, e nada mais. Injusto é eu não poder ter isso, quando todo o resto desse país pobre e miserável pode. Isso é injusto.

Percebi que já desabafava. Eu definitivamente precisava daquilo. Há dezoito anos que carregava todo o peso sobre os ombros, e finalmente eu conseguira aliviar um pouco a tensão. Eu não queria ser a rainha de Illéa. Não se isso custasse minha felicidade.

— Não lhe tiro a razão. É injusto. Com nós dois.

Não sei como aconteceu, mas no momento seguinte eu já estava prensada à parede, seus lábios tocando os meus e sua língua invadindo-me vorazmente. Passei minha mão por sua nuca, minhas mãos arranhando a pele sensível de seu pescoço. As mãos de Aaron subiam e desciam pela lateral de meu corpo, apertando-me com força e desejo. Se não fossem pelas batidas insistentes de Gabriel à porta, só Deus sabe até aonde iríamos naquela brincadeira.

— Alexa... — o guarda me encarou, acenando negativamente. Apenas concordei, e ele logo se retirou.

— Vou esperar por você. — sorri para o loiro, puxando-o para um último toque de lábios. — Eu amo você.

— Eu também amo você, Lexi. — ele sorriu. — Isso é só uma fase, vai passar. Meu coração é seu.

Não pude deixar de sorrir, antes de Lorena, Iris e Violet entrarem correndo na sala de música e me arrastarem para o quarto. Precisavam refazer minha maquiagem e penteado antes que alguns paparazzi curiosos aparecessem por lá e todo o favoritismo de Aaron fosse evidenciado.

De fato, nem me lembro do que aconteceu durante o restante da noite. Apenas alguns flashes das conversas com Maxon e do restante da festa apareceram em minha mente, quando acordei já quase na hora do almoço. Talvez eu não devesse ter bebido tanto champanhe para afogar as mágoas.

Eu definitivamente não deveria ter bebido tanto.

Quando acordei, o inglês já havia partido com a família. James Miller deixara o castelo ainda na noite anterior, e não tivemos uma desistência sequer, mesmo com os pais dos príncipes cientes sobre os ataques dos rebeldes. Saí da cama relutante, contudo Rose não queria me deixar dormir por muito mais tempo. Eu sei que ela tentava manter minha mente ocupada, e realmente apreciava o trabalho de minha irmã, mas nem ela seria capaz de me animar naquela situação.

Olhei o colar em meu peito, o presente de tia May. Seria aquela a hora para descobrir seu segredo? Se não, quando seria? Eu não tinha como saber. Entretanto, apenas a dúvida sobre esse ser o momento, fez-me descartar a possibilidade. Eu deveria ter certeza, não? Suspirei, pensando seriamente em abandonar os livros e voltar a ficar enrolada sob as cobertas, apenas esperando Aaron voltar para mim.

Voltar por mim.

— Acho que vou para o quarto. Estou com sono. — suspirei. Rose me atirou o dicionário de francês. Sorte que eu era a gêmea de mira boa.

— Tenha paciência, Alexandra! São quatro e meia da tarde, você mal acordou. — ela revirou os olhos. — Sem falar que Silvia e nosso pai vão matar você se não fizer seus deveres a tempo. Não é como se você já fosse fluente em todas as línguas, para escapar dessas incontáveis traduções.

— Só em oito. — sorri. — Não aguento mais aprender essas coisas inúteis. Não vou ser rainha, nós duas sabemos disso.

— Ah, é? E vai fazer o que quando for com Aaron a alguma uma reunião na Tailândia? Você precisa de tudo isso sim, independente de assumir Illéa ou não. — ela me atirou outro dicionário. Tailandês. Quem infernos fala tailandês, além dos tailandeses?

— Você vai precisar de muito mais do que isso quando for para a Austrália — sorri com o canto da boca. — Digamos que o senhor Davis parece um bobo apaixonado perto de você. Desde o começo da Seleção, claro.

— Não tenho nada com William. — ela abaixou a cabeça, corando.

— Tudo bem. — pigarreei. — E Caleb Vermont?

Touché.

— Eu... Nós... Ugrh. — Rosemarie resmungou. — Eu não estou envolvida romanticamente com nenhum príncipe, Alexandra Schreave.

— Se você diz... — dei risada. — Mas, sério, vamos fazer algo mais divertido. Aposto que você adoraria invadir o quarto dos príncipes enquanto eles estão fazendo exercícios. Seria um modo de conhecê-los mais intimamente sem precisar sair com todos eles.

— É uma péssima ideia. — ela riu. — Vamos lá.

De fato, era bem mais divertido que sair com cada um deles.

O primeiro quarto que invadimos foi o do garoto Ken. Por um momento, senti-me mal ao vasculhar sua privacidade, mas meu coração se derreteu ao vê-lo em alguns recortes de revista, ajudando os pobres. E a Moldávia tinha muitos deles. Aposto que Rose passou a vê-lo diferentemente com isso, também.

O segundo quarto foi o de Caleb. Algo em minha mente gritava que Rose sabia que aquele pertencia a ele, mas queria a chance de conhecê-lo um pouco mais. O terceiro foi o de Andrew, e ele parecia extremamente feliz ao lado de seus cinco irmãos. Família grande, notei. Fomos de quarto em quarto, ignorando os olhares repreendedores dos guardas. Éramos as princesas, o que eles poderiam fazer para nos impedir? Nada, possivelmente.

O último quarto foi o de Santiago Lands. Não último porque era o único que não tínhamos visitado, entretanto eu não teria estômago para continuar após aquilo. Rose teria vomitado com a cena, se não tivesse feito toda a digestão já. Eu também, se tivesse comido alguma coisa. Violet estava com a boca... Bem... Hãn... No príncipe.

Não na boca dele. Mais embaixo. Deus, aquilo era nojento.

— Okay. — suspirei e contei até dez, vendo-os cobrir suas intimidades desesperadamente. — Isso é com você, Rose. Não sou eu mais quem tomo as decisões da Seleção.

— Ugrh... — ela levou a mão à boca, tentando evitar uma possível ânsia.

Arrastei-a de lá, de volta ao terceiro andar. Daria ao príncipe argentino uns minutos para tentar recuperar sua dignidade. Minha irmã se sentou aos pés da minha cama, tombando a cabeça para trás.

— Nojento. — afirmei. — Não acredito que ela era uma das minhas criadas. Você está bem?

— Talvez eu fique um dia. — ela tossiu. — Mas você tem razão, melhor eu passar a tomar as decisões. Caso contrário, nossos pais nunca me verão como uma rainha em potencial.

— Você é muito mais rainha que eu, Rose. — sorri, amigavelmente. Ela acenou e se retirou do quarto, recompondo-se.

Tomei um banho longo — eu realmente necessitava daquilo — e depois me joguei em minha cama. Passei os braços por debaixo do travesseiro e encontrei um envelope. Só pela caligrafia com a qual estava escrito meu nome no remetente, descobri o destinatário. Carta de Aaron. Uma carta de despedida.

Ou melhor: uma carta de até breve.

Só torcia para que não fosse obrigada a ler muitas, até finalmente podermos ficar juntos de novo.

Notas finais
Nos vemos nos comentários!