Notas iniciais
E ai, pessoal? Mais um capítulo para vocês! Esse é o PDV da Rosemarie, como a Drama explicou no último capítulo. Eu e a Drama Queen estamos muuuito felizes de ver seus comentários e que estão gostando, é a melhor recompensa que podemos ter! Espero que gostem. — Cams LaFont.

Duas batidinhas fracas na porta me acordaram de meu sonho — um sonho no qual tudo era incrivelmente bom, sem nada de política, estratégias, e até mesmo meus pais. Eu tinha algum homem desconhecido ao meu lado, enquanto eu cavalgava, e em algum momento do sonho, passei a tocar meu tão amado violino para um público enorme. Tudo bem que essa parte do sonho começou a ser um pesadelo, mas eu gostava do som que as notas faziam... E então me acordaram.

Rolei para o lado da cama, quase caindo da mesma e falando baixo um “entrem”.

Minhas serviçais entraram, uma tomando conta do meu banheiro, outra vindo diretamente até minha cama, para tentar me persuadir a levantar, e outra parando próxima ao guarda roupa, em silêncio.

–Senhorita Rosemarie... Você precisa levantar. — a criada falou lentamente, como se assim eu não fosse ficar com um misto de ódio e vontade de esconder meu rosto nas cobertas ainda maior.

— Que horas são? — foi a resposta que a mulher obteve.

— A senhorita pediu que lhe acordássemos mais cedo que o normal, são exatamente seis e meia da manhã. — ah, por que motivos eu tinha feito isso?

E por um minuto eu esqueci totalmente esses motivos.

Abri um olho, encarando a serviçal que também me encarava.

— O banho está pronto?

— Sim, senhora. — a que estava no banheiro falou em um tom neutro.

Sai da cama, deixando minhas cobertas emboladas de um lado da cama e vendo a serviçal que até o momento se encontrava parada ir em direção ao outro lado da cama, começando a arrumar tudo.

Fui até o banheiro, sendo despida com a ajuda delas, e entrei na banheira.

Alguns minutos depois eu já me encontrava comendo um croissant — isso tinha cara de comida da vovó, e realmente parecia ter sido a mãe de minha mãe a fazer.

— O que eu tenho hoje?

— Você ganhou o dia livre, senhorita. Sua mãe decidiu que suas aulas de violino podiam ser adiadas, e até mesmo Silvia pegou uma folga. — mas é claro que Silvia não tinha pego uma folga. Ela devia estar cuidando de uma papelada chamada: Príncipes.

E aí estava o ponto alto do meu dia, que seria a noite. Trinta e cinco homens no palácio, prontos para lutarem, de preferencia sem garras e dentes, por mim.

Mas também havia algo estranhamente errado. Minha mãe seguia um cronograma rigoroso, e acredito que desde meu nascimento ela nunca havia cancelado um compromisso sequer com meus estudos. Isso era algo realmente curioso.

Eu podia tirar algumas dúvidas, ou apenas desejar bom dia para minha mãe.

Me arrumei em tempo recorde — talvez por ansiedade, talvez por curiosidade, ou provavelmente pelos dois — e assim que o espartilho foi fechado, o vestido totalmente arrumado e duas lustrosas sapatilhas postas em meus pés, eu passava pelas portas rapidamente, vendo os guardas imediatamente entrarem em posição de sentido.

Tudo o que eu fiz para eles foi revirar os olhos, e eles imediatamente relaxaram.

A porta do quarto de meus pais, assim como de minha irmã, estavam fechadas. Eu podia apostar que meu pai estava em seu gabinete, e minha mãe estava no salão das mulheres. Seu enorme escritório, que ela tinha tomado posse.

O que me levava a pensar na história da Seleção, enquanto eu descia o primeiro lance de escadas, que levava ao segundo andar, o mesmo andar que amanhã estaria abarrotado de homens, por sinal.

Devo admitir que a correria por ali era até mesmo um tanto quanto escandalosa. E eu também ouvi a voz de Silvia.

Como supus, ela não havia pego nenhuma folga.

Segui até o salão das mulheres, abrindo as portas duplas e entrando, ouvindo-as se fecharem em um clique silencioso atrás de mim, e passei pelos espelhos, vendo meu reflexo me seguir não tão majestosamente como deveria ser.

Não que eu me importasse.

Aumentei um pouquinho o passo quando vi minha mãe, que abriu um sorriso tranquilo para mim. Minha irmã podia ter suas preferências e privilégios com nossos pais, mas eu também tinha. Cada uma a sua maneira.

Fui até ela, me esgueirando por cima de seus papéis em sua mesa e seu colo e lhe dando um abraço, que foi retribuído instantaneamente, mesmo que eu sentisse algumas folhas apertando minhas costelas.

— Bom dia, mãe. — ela sorriu para mim.

— Bom dia, Rose. O que você faz aqui? — ao que parece, eu não era assim tão desejada no momento.

— Vim desejar bom dia antes de cavalgar.

— Então, muito bom dia, querida — ela fez uma pausa, um tanto quanto insegura, e continuou, a voz com certeza mais preocupada, e talvez eu tivesse sentido um tom de medo. Eu nunca tinha visto isso, exceto ao ouvir algumas histórias que não deveriam ser repetidas para qualquer um. — e como anda a leitura dos livros? — por que eu sentia que ela havia mudado estrategicamente de assunto antes de começa-lo?

— Bem... — o lado negativo é que ela tinha me pego de jeito. Tinha esquecido totalmente que tinha para ler alguns livros. Que eu nem sequer tinha começado a leitura, e que deveria estar tudo pronto até meio dia.

E mais mês eu receberia meu sermão. Já devia ter me acostumado.

Acho que a cavalgada teria de ficar para mais tarde, tentaria ao menos começar alguma leitura, para não ser uma decepção assim tão grande para meus pais.

— Rose, eu não quero que você vá cavalgar. — agora eu realmente senti o tom de medo em sua voz, parecia mais real do que imaginação. — Pelo menos não por algum tempo — acrescentou rapidamente, notando minha expressão.

— Por quê? — perguntei cautelosa.

— Apenas leia seus livros, por favor.

Agora eu estava decidida a tomar conhecimento do que estava acontecendo.

— O que está acontecendo, mãe?

— Uma guarda maior, ok? — ela ainda não havia me dado uma resposta concreta.

— Mãe... — eu não podia desistir assim tão facilmente, certo?

— Alguns problemas de quando eu era parte da Seleção parecem estar voltando, apenas quero sua segurança. — ela fez uma pausa tranquila. — Por favor, tome cuidado. — isso ia ser o máximo que eu iria conseguir, notei.

— Tomarei — me despedi dela, saindo do Salão das mulheres e parando em frente à suas portas já fechadas. Olhei em volta, decidindo que não faria mal nenhum explorar o que poderia estar acontecendo por aqui.

Andei por alguns minutos antes de decidir que valeria mais a pena ler, não tinha tempo a perder e infelizmente ele continuava correndo.

Ou não tão infelizmente.

Era hoje à noite. Hoje à noite eles chegariam.

Era emocionante, mas eu sentia um misto de medo e ansiedade que reviravam meu estômago de uma maneira não tão emocionante assim.

Entrei em meu quarto, vendo as criadas me esperando atentamente. Aparentemente, hoje era o dia de “ficar o dia todo nos aposentos da Princesa”.

Me sentei na escrivaninha, virando a cabeça para a direita e vendo todos os jardins pertencentes ao palácio, e então vendo a floresta que nos cercava pela metade.

— A senhorita precisa de alguma coisa?

Olhei para a criada que havia me perguntado isso, tirando-me de meus devaneios comuns.

— Hm... Eu tenho uma pergunta.

— Sim. — todas as três ficaram prontas para qualquer coisa que lhes fosse pedida.

— Quais são as apostas das senhoritas? Para hoje os Príncipes. — acrescentei rapidamente, explicando o assunto que lhes havia perguntado.

Elas pareciam genuinamente surpresas.

— Acreditamos que todos eles serão bem recebidos...

— Não sobre isso. — cortei-a, mesmo que fosse contra o código, não me importava, ao menos não no momento e não sobre o assunto tratado. — sobre as escolhas, sobre como serão todos os acontecimentos.

— Senhorita, se me permite... — uma das outras duas criadas se manifestou, e apenas fiz um aceno fraco com a cabeça, para que continuasse. — acreditamos que a Seleção se arrastará até o último minuto, muitos pensam dessa forma.

— E eu poderia saber o motivo desse pensamento?

— A maioria aqui viu a senhorita e sua irmã crescerem, viu as diferenças entre as duas e sabe que enquanto a Princesa Alexandra não gostará de escolher alguém, a senhorita ficará em dúvida entre inúmeros alguéns. — bem, eu não negaria algo do tipo, porque como dizem por aí “estava na cara”.

— Obrigada pela sinceridade... Carmiryn. — Chutei seu nome, e pelo seu sorriso, devo ter acertado. — agora, eu gostaria de ficar um pouco sozinha, tenho assuntos para tratar. — elas entenderam a deixa e segundos depois eu me encontrava sozinha com uma pilha de livros.

Abri o primeiro livro, passando ele para o outro lado alguns minutos depois, desistindo do mesmo. Parei no segundo, decidida a não desistir do mesmo, e apoiei o rosto em minha mão direita, folheando o livro com a esquerda.

Só notei que estava quase cochilando quando abri meus olhos e pisquei eles várias vezes.

Me levantei da cadeira, soltando um suspiro e abrindo meu guarda roupa. Aqueles livros poderiam esperar.

Peguei a calça e a blusa de montaria, assim como o capacete e as botas, também pegando todos os acessórios que seriam necessários e chamei minhas criadas, pedindo para que duas delas fossem embora. Carmiryn ficou, me ajudando a tirar o espartilho, e logo em seguida saiu dali, a pedido meu. Coloquei a blusa sozinha, começando a colocar a calça, mas tendo alguns problemas sérios com a mesma. Por mais que eu insistisse em cavalgar pelo menos quatro dias cada semana que se passava, parecia que a calça insistia em me trazer problemas. A calça era exatamente como minha irmã: teimosa.

E falando em Alexa, ela estava na minha diagonal direita, me encarando com um sorriso brincalhão. Com certeza rindo das minhas tentativas falhas de colocar a calça.

— Não diga nada para a mamãe. — falei, rapidamente. — Eu não deveria estar cavalgando hoje, tenho uma pilha de livros para ler até... Bem, até o meio-dia. Meio que faz umas semanas que ela me passou. — isso era mais do que verdade. Era um fato que não mudaria tão cedo.

— Não se preocupe, ela está ocupada com umas questões burocráticas. Papai também. — isso era interessante. — Vão levar o resto do dia naquilo... — ela parou, e então continuou, como se o próximo assunto fosse o que realmente quisesse tratar. — E se você quiser, pode pegar minha calça. Eu não uso, mesmo. Pode ser verde, mas é melhor que usar as suas de quando era criança. — aí estava, eu podia ganhar um vestido novo por dia, mas meus pais insistiam na teoria de que se eu não conseguisse mais colocar as calças de cavalgar, eu pararia com isso e levaria mais meus estudos a sério, o que não era bem verdade. Alexa era uma ótima cúmplice quando queria... Principalmente quando tinha seus próprios interesses. — E se quiser, posso resumir os livros para você, só pra fingir que leu e não levar o sermão de todo começo de mês.

— Tudo bem... — Tinha algo muito errado nisso. Éramos irmãs, mas não éramos tão próximas assim, não a ponto de ela me ajudar tanto. Ajudávamos uma a outra, mas apenas quando era extremamente necessário, ou em casos como esse, que ao menos eu suspeitava de algo, que ela queria alguma coisa que eu podia lhe dar. — O que você está querendo? Se isso é sobre me fazer desistir da Seleção, já digo que pode esquecer, vai ser muito divertido e você deveria... — Ela me cortou.

— Não é isso. — Então o que era? A não ser que meus pedidos se realizassem e ela se tornasse minha cúmplice de crimes. Vi ela revirar os olhos antes de continuar falando. — Só queria lhe avisar que papai está resolvendo coisas do governo. — E o que eu ganharia com essa informação? — Ele e mamãe ficarão ocupados o dia inteiro. — Mamãe não tinha me contato tudo isso, apenas uma parte. Eu estava começando a compreender a razão. — No escritório dela, cercados de dezenas de secretários que não permitirão se livrar das responsabilidades tão cedo.

— E? — tudo bem, eu tinha que ser sincera, ainda não tinha me tocado completa... Entendi. — Ah...

Sem falar mais nada, ela se virou e saiu dali.

Agora era minha vez do plano.

Ela me passou as informações, ela era a cabeça.

Eu era quem agia.

Ela também tinha que admitir, quando queríamos, éramos piores que meu avô no quesito meter o nariz onde não deve.

Se bem que íamos meter o nariz certinho onde deveríamos meter. Afinal, nossos pais não queriam que ficássemos animadas com a Seleção? — Principalmente Alexa?

Dei alguns minutos após sua saída — minutos valiosos, utilizados para eu terminar de colocar a calça. Calcei as botas e levei o chapéu em mãos, caindo dali rapidamente e descendo as escadas de dois e dois degraus, incapaz de fazer silêncio.

Se Alexa estivesse certa — o que eu torcia para que sim — meu pai, ou qualquer um, não estaria em seu gabinete, o que me faria um grande favor.

Abri a porta, antes batendo fracamente nela. Alguns guardas apenas viraram os rostos, tentando esconder o sorriso, e lhes dei uma olhada feia, a olhada que já conheciam. Se meu pai ficasse sabendo — e hora ou outra ficaria — eu saberia quem eram os culpados. Por mais que sequer lembrasse o nome de minhas criadas, que via todos os dias.

Fechei a porta, me virando e indo diretamente para sua mesa. Ele deveria guardar a papelada ali, e eu tinha certeza de que não sentiria sua falta por algumas horas, se estivesse assim tão ocupado.

Abri todas as gavetas, olhando tudo a minha volta após notar que a papelada não se encontrava em sua mesa.

Olhei para a mesa de reunião, ela estava limpa. Olhei tudo a minha volta e parei na escrivaninha a minha frente, na sua mesa.

Estava na minha frente e eu nem sequer tinha notado.

Olhei as pastas, chegando em uma no meio, vendo meu nome na frente, e a pasta de Alexa na frente. Peguei a dela.

Abri, conferindo se haviam mesmo fixas ali, e então fechei-a, arrumando tudo em seu devido lugar e sai dali, sem conseguir conter minha animação.

Até topar com Maxon Schreave no meio do corredor. Se eu tivesse sorte, ele não deveria ter visto eu saindo de seu escritório, mas a pasta em minhas mãos era óbvia.

Felizmente, ele parecia de bom humor, o que não era uma grande novidade. Eram dificílimas as vezes que eu pegava meu pai de mau-humor, o que era um ponto positivo para mim.

— Apenas devolva tudo em seu devido lugar, em duas horas. — ele soltou um suspiro, arrumando o terno que usava. Passei por ele, sem sequer conseguir conter meu sorriso convencido, e ouvi ele suspirar. — o que vou fazer com você, Rose? — eu tinha a resposta para essa pergunta. Nada.

Subi as escadas mais lentamente, tentando parecer uma dama, pelo menos uma vez ao dia eu podia ensaiar isso.

Parei na porta do quarto de Alexa, abrindo-a sem delongas e vendo a mesma estirada sobre sua escrivaninha, escrevendo rapidamente em folhas e mais folhas. Provavelmente eram alguns resumos que tinha me prometido. Ou não, quem sabe?

— Sabe o que é isso? — fechei a porta e me encostei na mesma, abraçando a pasta, e os olhos de Alexa encontraram os meus. Bem, ou os meus olhos encontraram a si próprios. Eu já havia me acostumado com isso, mas muitos confundiam a mim e Alexa, algumas vezes era até um tanto quanto cômico ver isso.

— Sei perfeitamente, Rose. — ela se levantou, mais majestosamente do que eu jamais conseguiria, e admito que em alguns momentos a invejava por conseguir sempre ser uma dama... Dentro de seus próprios padrões, é claro.

Ela parou na minha frente, mostrando a mão para a pasta, mas a segurei firmemente.

— Prometa que vai tentar, Alexa, sei que parece chato, mas tente se animar um pouco. Quem sabe você não encontre um cara com todas as qualidades que você quer? — ela revirou os olhos, outra vez. — E além do mais, quantas vezes papai vai permitir isso?

A expressão dela foi cômica.

— Ele sabe?

— Fui pega em flagrante, mas temos o rei ao nosso lado.

— Por essa eu não esperava.

— Nem eu. — acrescentei, abrindo um sorriso de canto de boca logo em seguida. — Mas temos trabalho a fazer, e agora é sério, pelo que eu vi, tem uns caras bem bonitinhos aqui.

Ela revirou os olhos, mas um sorrisinho fraco apareceu em rosto.

Ela podia negar o quanto quisesse, mas eu apostava que alguma coisa da Seleção ela iria gostar.

Notas finais
Vocês já tiveram uma noção básica de como Alexa é, e Rose? HAHAHAH espero que estejam gostando e não se esqueçam de comentar! E aqui, o tumblr da fanfic! Vocês terão tudo sobre ela aí, além dos capítulos: http://two-crowns.tumblr.com/ Até o próximo ;)