Notas iniciais
Olá, amores! Sim, eu sei, hoje é sexta. E, não, eu não estou TÃO doente a ponto de confundir os dias. Maaaaaaaas, como estou com uma gripe do cão (e com medo de nem viver até amanhã), decidi publicar o capítulo hoje. Considerem isso como um a) agradecimento pelo número crescente de recomendações (obrigada, Alice Stuart!) e b) pedido de desculpas pelo mini ataque cardíaco no capítulo passado, para as fãs de Malexa! Capítulo emocionante, diga-se de passagem. E, antes que reclamem, A ALEXA VAI CONTINUAR COM O DANIEL SIM PORQUE ELA NÃO É DO MATHEO, ok? Ok. Se reclamarem, mato ele de vez (ou pior). Se você acha que ela está sendo uma put* por isso, melhor não ler, então. E se preparem, porque o próximo capítulo pode não sair no sábado. A Cams tá extremamente desapontada com o número de comentários do capítulo anterior, então, se você está lendo isso e não quer que mais um capítulo atrase, sugiro voltar no capítulo dela e deixar um comentário bem divo, okay? O mesmo vale aqui u.u Well, recomendações sempre são muito bem-vindas, também. Enjoy!

Quando acordei, o sol já brilhava em Illéa. Eu provavelmente havia reposto todas as horas perdidas de sono nos últimos meses. Virei-me na cama e dei de cara com um Daniel tão inconsciente quanto eu estava minutos antes. Seus cílios longos e negros contrastavam com a pele alva, e seus lábios finos traziam um sorriso consigo. Naquele instante, eu me senti imensamente culpada. O italiano merecia alguém muito melhor do que eu estava sendo nesses últimos tempos, mas eu era egoísta o suficiente para não conseguir mantê-lo distante. Daniel era o único capaz de consertar meu coração quando todos os outros o destruíam.

Passei a mão por seus cabelos escuros e o sorriso se ampliou. O príncipe manteve os olhos fechados por mais um tempo, suas mãos subindo e se agarrando à minha cintura. Ali, de perto, pude ver que suas íris não eram negras, mas de um castanho extremamente escuro.

— Acho que perdemos a hora. — comentei, sorrindo. — Isso não é bom.

— Tem razão. — Daniel se apoiou em um dos cotovelos, fitando-me de cima. — Isso é não é bom. É ótimo.

Sentei-me na cama com os pés no chão. O relógio do italiano estava sobre o criado mudo, e pude ver que já se passava das nove e meia. Provavelmente Maxon e America já perguntavam às minhas criadas sobre meu paradeiro, que inventavam desculpas para me encobrir. Após a saída de Violet, Lorena e Iris se mostraram ainda mais fiéis a mim.

Alguns segundos depois, senti beijos em minha nuca. Daniel havia afastado meu cabelo e seus dedos brincavam com as alças finas de minha camisola. Ele ria sobre minha pele, causando-me arrepios. Era uma sensação incrivelmente gostosa.

— Dan... — suspirei, virando-me para ele. — Precisamos conversar. Eu... Eu quero me desculpar por não estar sendo tão... Não sei como dizer... Não estar sendo boa o suficiente para você. Não conseguir ter uma relação séria. Entende o que eu digo?

— Não está falando de sexo, está? — ele arqueou uma das sobrancelhas, olhando-me, inconformado. — Meu Deus, você está.

— É só que... — segurei suas mãos, encarando-as. — Eu estou tentando, eu juro que estou. Mas as coisas... Elas estão complicadas, ultimamente. Desculpe-me, Daniel.

— Pare de se preocupar com isso. — ele riu, fazendo-me olhar para seu rosto. — Eu fiquei vinte e dois anos sem sexo, e o fato de ter levado você para a cama não foi incrível pelo ato em si, mas pelo significado. Não foi pelo sexo. Foi por você; não consegue ver isso?

— Foi a sua primeira vez, também? — sorri, corando. Até então, eu não sabia dessa parte. — Não parecia.

— Ande, Alexa. — Daniel ficou sem graça, e não respondeu. Puxou-me para fora da cama e mudou de assunto. — Temos um café da manhã para comparecer.

Coloquei meu roupão e lhe dei um selinho antes de sair do quarto. Eu poderia simplesmente usar um dos vestidos que deixara no guarda-roupa dele, mas já tinha uma desculpa para dar caso encontrasse alguém no meio do caminho. O segundo andar estava vazio: os príncipes se preparavam para o dia que viria. Animadamente, subi as escadas, dando de cara com meus pais na porta de meu quarto.

— Bom dia. — sorri para eles, abrindo a porta. Maxon fechou a mão em torno de meu punho. — O que foi?

— Onde você estava? — ele perguntou, olhando-me torto. — E por que não contou para ninguém a onde iria?

— Eu estava por aí, e não contei porque não quis. — revirei os olhos. Meu pai me segurou com mais força. — Fui dar umas voltas no jardim, porque não conseguia dormir. Não contei porque não confio em nenhum outro segurança que não seja Gabriel, e estava cedo demais para acordas as criadas.

— Filha... — minha mãe interveio, soltando a mão de Maxon da minha. — Você não pode simplesmente sair assim. Não temos certeza da segurança, e...

— Eu saí armada mãe. — suspirei, tirando a pistola do meio do roupão. — Confiem um pouco mais na minha capacidade, sinto que sou subestimada. Não tenho mais dez anos, aceitem isso.

— Tem razão. — papai suspirou, e seus olhos voltaram ao brilho que sempre apresentem. — Desculpe-me por ter surtado, eu fique preocupado.

— Tudo bem. — suspirei. — Vou me arrumar e descer para o salão. Depois tentarei tirar Rose daquele quarto, ou, pelo menos, não deixar ela chorar tão alto a ponto de fazer com que eu não consiga estudar.

— Faz bem. — mamãe sorriu. — Conversei com Elena, por sinal. Ela me disse que você se saiu muito bem nos últimos testes de línguas e etiquetas. Aparentemente, está dispensada durante esse período da Seleção. Mas, depois que ela acabar, provavelmente terá que aprender mais a fundo algumas coisas sobre o país de seu marido.

— É, imaginei. — suspirei. — Mãe, você poderia pedir para Elena subir? Ela é a intermediadora de encontros considerados “oficiais” na Seleção, certo? Preciso falar com um príncipe, e não tenho intimidade para chamá-lo em uma conversa casual. E peça para ela trazer todos os dados da pesquisa de ontem, okay? Preciso dar uma olhada nos números.

— Qual é o príncipe em questão? — meu pai perguntou, curioso, ao passo que minha mãe já descia as escadas.

— Caleb Vermont, o francês. — dei de ombros. — Por quê?

Ele suspirou.

— O filho de Dafne. — pigarreou. — Sua mãe não se sente muito confortável com a presença dele aqui.

— Não, — corrigi-o — você não se sente confortável com isso. Aliás, nunca me disse porque não aceitou se casar com ela.

— Eu tive meus motivos. — respondeu, ríspido, saindo logo em seguida.

Tomei um banho rápido, sendo ajudadas pelas criadas logo em seguida. Depois de tanto tempo utilizando roupas atípicas, retornei ao espartilho e vestido longo. Era, de certo modo, reconfortante. Eu não nascera adaptada a uma vida menos nobre. Elena bateu duas vezes antes de entrar, e trazia consigo seis pastas; eu mal conseguia ver seu rosto. Deixou-as sobre a cama e se dirigiu a mim.

— Vossa Alteza, aqui estão as planilhas que pediu. Eu pensei em trazer uma versão resumida, apenas com números por região, mas Sua Majestade, sua mãe, deu a entender que você queria detalhes.

— Minha mãe sabe o que diz. Obrigada. — pigarreei. — Poderia, por favor, marcar um encontro com um dos príncipes para mim? Caleb Vermont, onze horas, salão principal.

— Sim, senhorita. — fez o cumprimento real e saiu.

O café da manhã passou bem rápido. Infelizmente, tive que deixar os dados para analisar somente depois do almoço. Era por essa e por outras razões que eu odiava perder a hora. Olhei o relógio na parece mais próxima: dez e cinquenta. Sentei-me num dos divãs e esperei pela chegada do francês, o que não demorou a acontecer.

— Vossa Alteza — ele beijou as costas de minha mão e se sentou à minha frente, servindo-se de um pouco de chá. —, alguma razão em especial para esse repentino encontro?

— Não exatamente. — cruzei as pernas, tomando um gole do líquido quente. — Todavia, sinto que não seja cordial não conhecer devidamente todos os príncipes da Seleção, independentemente das escolhas deles. Não é o que uma boa anfitriã faria.

— Entendo completamente. — ele sorriu. — Pois bem, imagino que queira que eu fale um pouco mais sobre mim, estou correto?

— Seria de muito interesse, sim. — sorri, indicando para que prosseguisse.

— Pois bem, — o francês colocou sua xícara sobre a mesa — eu nunca sei, de fato, como começar apresentações, então começarei com o básico, e a senhorita prossegue com as perguntas, tudo bem?

— Excelente. — concordei.

— Meu nome é Caleb Vermont, nasci em Paris há vinte anos. Sou o segundo na sucessão do trono, depois de meu irmão mais velho. Realmente acredito que eu seria uma melhor opção que meu irmão para governar a França, mas não se escolhe nascer depois. — ele riu. — E, sim, eu já sei que vai me perguntar porque disso, então já lhe explico: meu irmão é péssimo com o povo. A França está passando por uma crise interna, e a inflação está chegando a valores absurdos. A população tem fome, e meu irmão, que por sinal é o único a quem meu pai dá ouvidos, acha que pode resolver a situação com acordos externos.

— O senhor parece bem inconformado com isso... — tomei mais um gole do chá, permitindo que Caleb prosseguisse com seu monólogo. Contudo, ele não o fez. — Quanto à questão da fome, aquela sua foi uma bela proposta, permita-me dizer.

— Fico lisonjeado com o elogio, ainda mais vindo de você. — ele riu. — Os príncipes dizem coisas maravilhosas a seu respeito como governante.

— Como, por exemplo...?

— Bom, que é a única princesa no mundo que poderia se tornar rainha sem um rei. Você sabe... No sentido de conseguir carregar um país, sozinha. — ele me encarou por uns segundos. — E eu acho que sei o motivo, mas não é algo que se saia compartilhando por aí.

— Diga-me qual é meu segredo, então. — fiquei curiosa e cruzei as pernas do outro lado.

— Eu acho que você é assim, porque espera que seja assim. — ele bebeu mais um pouco do chá, servindo-se novamente. Aparentemente, a conversa ainda iria se pendurar por um bom tempo. — Você tem medo de ficar sozinha, não tem?

— Por que teria? — dei risada. — Como você e seus amigos mesmos disseram, eu sou extremamente capaz de me virar sozinha.

— Não disse que não é. — deu de ombros, analisando-me. — Disse que não quer, mas tem medo de que não consiga. Agora me diga, Alexandra, o que você esconde dentro de si para acreditar que ninguém a ame?

— Não é medo de que ninguém me ame, caro senhor Vermont. — coloquei a xícara sobre a mesa. — É medo de não amar ninguém.

Ele parecia prestes a falar alguma coisa quando algo se arrastando sobre o piso de mármore desviou nossa atenção. Matheo pilotava a cadeira de rodas dele, como se estivesse numa corrida. Ia passando reto por nós quando nos viu, e retornou de ré, estacionando entre nós dois. Quanta maturidade para alguém de vinte e um anos. Instintivamente, revirei os olhos.

— Espero não interromper nada. — ele riu, passando os dedos pelo cabelo e se servindo de chá. Na minha xícara. — E, se estiver, não ligo.

— Sim, você está atrapalhando meu encontro com o senhor Vermont. — respondi, afastando-me dele. Matheo apenas riu.

— Quer um intérprete? — o suíço tomou um pouco do chá. — Hm, canela. Eu adoro canela. De qualquer forma, falo inglês melhor do que ele; e francês, melhor do que você. Também falo italiano, se precisar de ajuda com o Blue. Sabe, morar num país com quatro idiomas oficiais tem lá suas vantagens e...

— Matheo. — interrompi-o. — Fora. Daqui. Agora.

— Claro, assim que marcarmos um horário para a minha primeira sessão de fisioterapia. Você dispensou aquela sua prima facilmente irritável, lembra? Doutor Hudson disse que me liberaria para duas danças se eu fizesse três sessões antes da festa, mas o horário entre elas deve ser de no mínimo doze horas, algo para não danificar tendões ou algo assim e...

— Quatro horas na piscina, okay? — interrompi-o novamente. — Você tem um minuto para sumir da minha frente, ou não vai nem mesmo almoçar novamente nesse palácio.

— Sim, senhora. — ele sorriu com os cantos dos lábios, e tinha aquele brilho no olhar de toda vez que conseguia me deixar irritada. Estava fazendo de propósito.

— Estou contando. — indiquei o relógio na parede.

— Perdão, meu amor, eu me perdi na sua beleza. — ele mordeu o lábio, provocantemente cafajeste. Queria me deixar louca.

— Trinta segundos.

— Vermont — ele o chamou, acelerando sua cadeira de rodas. —, toque nela e eu mato você. Posso estar aleijado, mas continuo sendo grande. E ruim. E dissimulado.

— Quinze segundos. — revirei os olhos, e então ele sumiu. — Perdão pelo inconveniente. Onde estávamos?

— Bem... — ele tomou o último gole de chá, levando-se e depois me ajudando a fazer o mesmo. — Estávamos na parte em que eu lhe digo que você não precisa se preocupar em tentar amar alguém. Tentar ver que ama, porém, seria bem útil.

— Não me faça expulsar você, Vermont.

Assim que o almoço terminou, subi para meu quarto. Abri as pastas e tirei os papéis de lá de dentro, que continham os nomes e os votos de toda a população de Illéa que havia opinado após o último Jornal Oficial. Eu não tinha paciência para analisar todas as informações, uma a uma, por isso passei a selecioná-las de modo a me aproximar daquilo que queria.

Em primeiro lugar, selecionei por classe social, ficando com os votos apenas das classes mais altas. Não queria peões nesse jogo, apenas os reis. Após isso, eliminei as províncias do Norte. Ainda que fizesse sentido um sulista se esconder no Norte, ele não poderia ficar muito distante de seu batalhão. Por fim, eliminei por voto.

Por serem de altas classes, os líderes rebeldes não votariam em Matheo ou Caleb. Provavelmente seus votos iriam para Patrick e William, que não se importavam tanto com a população de baixa renda, ao apresentarem projetos que favorecem as elites econômicas.

Quando finalmente afunilei as buscas de todas as maneiras possíveis, tive uma surpresa: ainda me restavam cinquenta nomes. Cinquenta. Separei os papéis e os guardei numa gaveta, retornando os outros às pastas. Peguei a mais fina delas e abri. Continha apenas os números na pesquisa que seriam revelados no dia seguinte. Caleb estava à frente, levando sozinho 30% dos votos. Matheo aparecia logo atrás, com 23%. Daniel, com 18%, vinha em terceiro lugar, seguido de Dimitri e Arthur, ambos com 10% cada. William tinha 4%, Andrew 3,5%, e Patrick 1,5%.

Seria ótimo falar para Delacroix que ele caiu no ranking, desde a última pesquisa. Ah, como seria.

Assim que o relógio do meu quarto bateu três e meia, comecei a me arrumar. Vesti meu maiô favorito e coloquei uma saída de banho por cima. De certo modo, eu estava um pouco ansiosa para passar um tempo com o suíço. Ainda me sentia culpada por tudo o que acontecera a ele, e queria compensá-lo de alguma forma.

Assim que cheguei à piscina, ele já estava lá dentro. Usava um tipo de bermuda justa que melhorava a circulação. Aparentemente, estava levando o tratamento a sério. Deixei minha toalha sobre a espreguiçadeira e me sentei à beira da piscina, com os pés na água. Estava mais fria que o normal.

— Olá. — ele sorriu, vindo em minha direção. — Chegou mais cedo. Achei que fosse se esquecer, na realidade.

— E depois ter que dançar com você na cadeira de rodas? — fiz piada. — Não mesmo.

— Como se alguém fosse capaz de me manter naquela cadeira a festa inteira. — ele revirou os olhos, e eu me vi naquele momento. Ao que parece, a convivência de Delacroix comigo havia lhe passado alguns hábitos. — Não vai entrar?

— Não, você se distrai muito facilmente com minha presença. — provoquei-o, tirando a saída de banho e entrando. Estava fria, mas não tanto quanto eu esperava. — Feliz?

— Mais, impossível. — seus braços envolveram minha cintura. — Por que anda me evitando?

— Não ando evitando. — bufei. Até tentaria sair, mas já sabia que não conseguiria. — Por que acha isso?

— Porque você ainda finge que nada mudou entre nós. Que somos a mesma coisa que éramos meses atrás.

— Ainda somos a mesma coisa. Nada mudou. — cruzei os braços. — Eu já falei, Matheo, você é só um rostinho bonito que beija bem. Eu preciso de alguém de conteúdo ao meu lado, entende?

— É por isso que dorme todas as noites com o italiano? Por que ele “tem conteúdo”? — suspirou, derrotado. — Nunca ouvi palavras tão mentirosas saírem de sua boca antes.

— Você está com ciúmes, Matheo? Saiba que ainda que alguma coisa tivesse mudado, e eu não disse que mudou, você nunca teria o direito de me considerar sua, entendeu? Nunca. — E então eu vi a dor em seus olhos. Aquele brilho travesso se apagou e deu lugar a uma profunda amargura, que me fez ter vontade de retirar minhas últimas palavras. Eu o havia chateado. Virei para o lado, a fim de fugir da visão, mas aquilo me corroía por dentro.

— Eu achei que havíamos concordado que me deixaria lutar por você. — Delacroix se afastou, indicando para que eu saísse dali. — Não preciso da sua ajuda, eu me viro com os exercícios. Volte para seu mundo, volte a fingir que não se importa, e que está extremamente feliz com alguém que não passa da sua segunda opção.

— Matheo, eu... — olhei para o alto, impedindo que as lágrimas caíssem.

— Só... Vá. — ele pediu, afastando-se ainda mais e começando seus exercícios do outro lado da piscina. Saí de lá e me sequei apenas o suficiente para entrar no palácio.

Eu precisava de Arthur.

Corri até seu quarto e entrei sem bater, jogando-me na cama. O dinamarquês colocou o livro que lia ao lado da cama, e começou a acariciar meus cabelos. Eu deitava de bruços, deixando com que minha maquiagem sujasse todo seu travesseiro. Por alguns minutos, ele simplesmente me deixou chorar, e era daquilo que eu precisava.

— O que houve com você? — ele perguntou, depois que eu já estava mais calma. Ele era o único que havia me visto chorar desse modo desde que eu fizera dez anos, e era o único a quem eu confiaria meus casos de coração partido. Nem mesmo Gabe era capaz de me ajudar naquela hora tanto quanto o príncipe era. — Ou melhor, o que houve entre você e Delacroix?

— Nós brigamos. — solucei, devido ao choro. — Eu briguei com ele, na verdade. Mas eu não queria brigar, eu só queria... Só queria que ele entendesse que nada mudou, que eu continuo sento a mesma pessoa de sempre e...

E as lágrimas voltaram.

Min engel, — ele suspirou, puxando-me para seu peito. — tem certeza de que as coisas não mudaram? Quero dizer... Você estaria aqui chorando por ele se ainda o desprezasse?

— Não está ajudando, Arthur. — bufei, e finalmente contive as lágrimas. — Eu não quero que as coisas tenham mudado.

— Agora sim a conversa está tomando algum caminho. — apertou-me com força, soltando-me logo em seguida e me encarando. — Ainda tem medo, não é?

Não precisei perguntar do quê. A pergunta tinha infinitas interpretações, e todas elas convergiam num sim. Apenas acenei positivamente, e ele percorreu os dedos por minhas bochechas, limpando as últimas lágrimas.

— Eu só queria que as coisas voltassem a ser como antes.

— Tem certeza? — perguntou-me, com uma das sobrancelhas arqueadas.

— Não. — admiti. — Não queria. Só queria que as coisas fossem fáceis como antigamente.

— Tome um tempo para si mesma, tudo bem? — levantou-me da cama, beijando minha testa e me conduzindo até a porta. — Tome seus remédios e durma. Você está com a mente cheia. Depois que acordar, vá atrás de consertar as coisas.

— Mas...

— Não conteste, Alexandra. — acompanhou-me até a escada. — Sei que seu orgulho é tão grande quanto o dele, e você também sabe isso. Entretanto, relacionamentos não fluem se os dois não abrirem a mão de certas coisas. Agora, diga-me: de quantas coisas ele abriu mão, por você?

Não respondi. Apenas arrastei-me escadas acima e tomei meus remédios, caindo num sono profundo minutos depois. Minha mente, porém, girava em torno da resposta. Matheo Delacroix havia aberto mão da própria vida por mim. E eu sequer era capaz de aceitar que eu também abriria mão da minha, por ele.

Acordei poucas horas depois, os remédios já não faziam o efeito desejado. Fui até o quarto de minha irmã, tentar animá-la com as fantasias dos príncipes, mas não a mantive entretida por muito tempo. Aparentemente, tudo o que ela queria era ficar um bom tempo sozinha dentro do quarto, e nada mais. Aproveitei, então, o tempo de sobra e tomei um longo banho, passando mais de quarenta minutos em baixo d’água. Arthur estava certo: eu precisava consertar o que fizera com Matheo. Só não sabia como. Decidi que iria até seu quarto após o jantar, e então pediria desculpas. Não era o melhor plano, mas era algum plano.

Lorena e Iris me vestiram e maquiaram assim que saí do banho. Também estavam sem pressa, então demoraram-se no penteado e escolha dos acessórios. Escolheram-me um vestido roxo de chiffon, aparentemente sem uso. Tinha alças largas, e um decote comprido, que por menos de um palmo não alcançava a cintura marcada, e por isso não possibilitavam o uso de um corpete. Os saltos pretos eram altos, mas confortáveis. Ainda adiantada, desci para o salão do jantar, ansiosa, de certo modo, pela chegada de Matheo.

Não levou muito tempo até que o local se enchesse. Rose não jantaria conosco, para variar, e Maxon e America estariam em uma reunião de negócios até muito tarde, então restou apenas eu. Pedi para que as criadas dispusessem as mesas de maneira diferente: de modo a me deixar entre os príncipes.

No final das contas, colocaram uma grande mesa redonda com nove cadeiras. Daniel se aproximou rapidamente e puxou uma das cadeiras para que eu me sentasse, sentando-se a meu lado esquerdo logo depois. Arthur sentou-se à minha direita. Ao lado dele estava Andrew, seguido por Dimitri e Patrick. William se sentou ao lado de Daniel, com Caleb a seu lado. O último a entrar foi Matheo, que já não usava a cadeira de rodas. Ele se acomodou no lugar restante, e não me olhou uma única vez durante todo o jantar.

A conversa era divertida. Comentavam sobre esportes, economia, política, e até mesmo sobre a própria Seleção, ainda que tentassem tornar este último tema menos frequente devido à minha presença ali. O holandês foi o primeiro a se retirar, após conseguir um encontro comigo na manhã seguinte. Delacroix saiu logo em seguida, sem nem mesmo me olhar uma última vez. Espalhei a comida pelo preto, sem realmente ter fome, e pedi licença logo depois. Daniel me perguntou discretamente se eu ficaria com ele essa noite, e respondi-lhe que não antes de sair do salão.

Assim que saí do campo de visão dos outros príncipes, subi as escadas correndo. Se não fossem anos de prática, provavelmente teria rasgado o vestido. Parei à porta do quarto de Matheo, sem ter coragem de bater. E se ele ainda estivesse chateado? Deus, é claro que ele estava chateado. Dei duas batidas à porta, e ele a abriu momentos depois, apenas para fechá-la em minha cara.

— Isso é sério? — perguntei, revoltada. Girei a maçaneta, mas o suíço havia trancado. Cheguei a abrir a boca para chama-lo de infantil, quando me lembrei da chave que ganhara de tia May. Abri a porta delicadamente, vendo-o sentado sobre a cama, encarando minha imagem na fresta. — Precisamos conversar.

— Não se preocupe em mandar os criados. Não preciso da ajuda deles para arrumar minhas malas. — pigarreou. — Já pode ir.

— Não. — bufei, entrando no quarto e fechando a porta atrás de mim. — Eu vim me desculpar. Não meço as palavras que uso, e muitas vezes elas dão a impressão errada, diferente da que deveriam dar.

— Prossiga. — ele estendeu a mão para mim, que a segurei. Delicadamente, puxou-me para si, fazendo com que eu me sentasse a seu lado.

— Eu... Eu não quis dizer que as coisas não mudaram entre nós. Realmente mudaram, e fico feliz por isso. O que eu queria era outra coisa. Eu... Eu só não quero que você pense que as coisas serão fáceis, entende? Não quero que ache que sou sua, que sou submissa a você, ou que eu vou dedicar todo meu tempo a conhecer melhor e me apaixonar exclusivamente por você, porque eu não vou. Você tem que me dar motivos para querer estar com você.

— É por isso que recusou meu pedido de casamento. — concluiu. — Achei que não me amasse.

— Não sei se amo. É diferente de não amar. — respondi.

— O que você quer? — questionou-me, finalmente olhando-me nos olhos. — Quer que seja amor?

— É uma pergunta difícil. — ajeitei o cabelo que caía em seus olhos. — Digo, que motivos você me dá para que eu queira amar você? — brinquei, quebrando a tensão da situação.

— Bom, pois me diga o quanto da sua roupa eu posso tirar e quanto tempo temos, que lhe darei ótimos motivos para isso. — Matheo sorriu, debruçando-se sobre mim e me beijando de forma calorosa, assim como eram todos seus beijos.

As coisas definitivamente haviam mudado entre nós, e algo interno a mim pedia para que não fosse algo passageiro, que se consumisse rapidamente. O suíço tirou meus sapatos e jogou sua camisa longe; logo depois, desfez completamente meu penteado e removeu delicadamente meu vestido, tirando, também, sua calça.

Estávamos apenas de roupas íntimas.

— Isso é o máximo de roupa que iremos tirar, — disse-lhe — e teremos a noite inteira.

Seus olhos brilhavam em desejo. O príncipe tinha a respiração ofegante saindo por lábios carnudos entreabertos. Seu corpo grande, em cima do meu, fazia com que eu me sentisse ainda menor. Não demorou muito até beijar toda a parte desnuda de meu corpo, demorando-se excessivamente em meu pescoço e no vão de meus seios, arrancando-me suspiros ocasionais.

— Eu não poderia pedir por nada mais do que isso. — ele riu, permitindo que suas mãos explorassem por minha pele, como se quisesse se lembrar daquele momento para sempre. — Temos fisioterapia quatro horas da manhã, — sorriu — mas duvido muito que iremos dormir até lá.

E voltou a me beijar, pelo que seria uma longa noite.

Notas finais
Não, queridos, não teve sexo Malexa, se sua mente está pensando nisso. E, não, como eu já disse, ELA VAI CONTINUAR COM O DANIEL SIM. E não vamos nos esquecer do nosso querido Andrew que ainda está nessa competição, certo? Não se esqueçam dos comentários, e lembrem-se sempre: NÃO ME DEIXEM IRRITADA pelo péssimo feedback da história. Eu e a Cams podemos dar o futuro que quisermos para qualquer um dos personagens, sem sentir o menor remorso. Críticas são bem vindas (a menos que sejam reclamações sobre demorarmos para postar ou como é injusto pedirmos comentários, porque sua opinião será descartada, já que você provavelmente foi um leitor fantasma por eras), e comentários grandes também, okay? ADORO aqueles que passam de 500 palavras, só pra vocês saberem