Notas iniciais
Boa tarde, pessoal, não tão boa. Sim, era pra postar ontem, assim como esperávamos por mais comentários. EU SEI, EU SEI E EU SEI! É muito chato, e eu não gosto disso TANTO QUANTO (ou mais) vocês, só que gente, entendam que é muito triste ver +160 leitores e +45 favoritos e receber DEZESSEIS comentários. Isso é UM DÉCIMO do número de leitores. Sei que para muitos pode parecer MUITA coisa, mas não é. Amamos vocês, e eu posso garantir isso, mas tanto para mim quanto para a Queen está super corrido: sabem o que começa semana que vem? (finde) começa o Enem, e então vestibulares + vestibulares + vestibulares. Precisamos de alguma motivação para que não fiquemos vegetando e sem escrever por NO MÍNIMO dois meses. Acreditem ou não, comentários motivam E MUITO! [Santo pai, tenho que parar com o caps, mas é tão divertido...] Gente, é sério, nem eu ou a D.Q. gostamos de colocar vocês nessa posição, porque realmente ela é muito chata, tanto para vocês quanto para nós, mas também... né? Um esforço não faz mal. Saibam que amamos todos os comentários que recebermos, e vamos amar mais ainda quando recebermos outros! Ninguém vai receber um fumo (esporro) por nunca ter comentado (bem...), mas sim um pulinho de alegria. Por favor, pessoal. Percam cinco minutos do seu dia para que possamos arrumar alguma maneira de não-vegetar nas próximas semanas e conseguir escrever alguma coisa. É isso. — Cams LaFont.

Apoiei a cabeça, sentindo todo o mundo girar á minha volta.

Rolei para o lado, gemendo de dor por nenhum motivo aparente. Aparente.

Minha cabeça doía, e digo doer não no sentido de que levei uma marretada em meu crânio — isso me mataria, também —, mas á ponto de estar explodindo de dentro para fora. Ela parecia estar sendo pressionada com tanta força que eu só queria voltar á dormir.

Vi uma bandeja em cima da escrivaninha de Alexa, o prato estava praticamente vazio, mas ainda tinha alguma coisa que havia restado.

Meu estômago se embrulhou com a visão, enquanto eu puxava a coberta que me tapava e rolava para o chão, sentindo o baque.

Eu com certeza ainda era a irmã desajeitada.

Fiquei alguns segundos no chão, meu corpo todo apertado, e então rolei, encarando o teto. Devagar, Rosemarie. Lentamente...

Levantei minha mão direita, apoiando-a na cama e levantando meu corpo, sentindo todo o meu estômago se revirar. Muitos remédios. Muitos.

Não pense nos motivos, não pense. Senti meu coração se quebrar outra vez, mas parei no meio do caminho. Tudo bem, eu conseguia. Eu conseguia.

Eu era capaz.

Cambaleei nos primeiros passos, exatamente como uma criança, e bati na parede, resmungando. Eu parecia uma drogada, céus.

Passei pelas portas da varanda, segurando com força a varanda enquanto sentia o frio outonal de Angeles.

Fechei os olhos, sentindo meus cabelos baterem atrás de mim. E então os abri. Os guardas fortemente armados, alguns olhos em mim, os homens trabalhando, olhares preocupados. Ok. Invasão. Silvia estava morta, Gabriel estava cego, Matheo estava em coma induzido... exatamente como Nathan. As chances de vida eram altas, assim como as de falecimento.

Ele estava vivo. Isso importava. Ele tinha chances, e ia permanecer vivo. Ele tinha pelo que lutar, ele tinha a mim. Ele tinha duas irmãs lindas, ele tinha uma vida. Ele tinha um título. Ele tinha um reino. Ele tinha quem se importava por ele.

Suas irmãs.

Saí da varanda, pegando um copo de água que estava ao lado da cama, sob a mesinha de cabeceira, e bebi tudo.

Saí rapidamente do quarto de Alexa, indo até o meu. Carmiryn, Ester e Jeanine, minhas três criadas, estavam sentadas conversando, mas pareciam ansiosas.

— Alteza! — Ester foi a primeira á me notar, se levantando com tudo.

— Estão dispensadas por hoje. — Foi tudo o que tiveram como resposta, enquanto eu abria meu guarda-roupas, pegando uma calça jeans e uma blusa branca.

— Mas... Senhorita... — Carmiryn falou, se aproximando.

— Não podemos. — Jeanine desabafou. — Suas damas de companhia também foram chamadas novamente, assim como as de Alexa. Sua Majestade, seu pai, deu uma ordem direta. Precisamos ficar próximas da senhorita e lhe apoiar.

— Uma pena. — Comecei a trocar de roupa, lhes dando uma olhada feia. Acredito que elas nunca tivessem visto esse tipo de conduta vindo de mim, mas haviam acabado de ver. — Caso Maxon decida tirar alguma satisfação, digam que a culpa foi minha. Expliquem. Não me importo. Mas quero deixar bem clara a mensagem: Não quero ninguém em meu quarto. Apenas refeições. Não comerei hoje no salão, e ainda não decidi sobre amanhã.

— Alteza... — Ester falou, tensa. — Por favor. Nos permita fazer alguma coisa.

Fechei os olhos com força, sentindo minha cabeça latejar.

— Ok, deixem remédios para dor de cabeça e insônia ao lado de minha cama. — Ester concordou, sendo seguida das outras duas. As três esperavam mais ordens. — Não quero minhas damas de companhia ao meu lado agora. Deixe-as trabalhando em qualquer outro assunto, arrumem alguma coisa que eu tenha mandado. Não mecham nos meus papéis. — Olhei para Carmiryn. — Tenho uma tarefa especial para você.

— Sim, senhorita. — Ela estava á postos.

— Preciso que me informe da situação de Matheo Delacroix, Nathan Archabald e Gabriel Leger á cada uma hora. Se eu estiver dormindo, apenas deixe um papel com as informações. Qualquer coisa que acontecer com algum deles, você se reportará imediatamente e diretamente para mim. Sem pausas, sem interferências. — Ela concordou, e ouvi Ester falar baixinho “é ele, não é?” — O quê? — Perguntei, meu mundo girava novamente.

Príncipe Nathan Archbald. Príncipe. Ele ia acordar, ia ter esse título.

— É Nathan. — Ester aumentou a voz. — É Nathan o seu príncipe, não é? — Abri um sorriso para a criada, mas eu sabia que ele saiu tão frio quanto eu me sentia.

— Sim, Ester. É ele. E ele vai acordar. — Vi Jeanine virar seu rosto para Carmiryn, as duas parecendo compartilhar algum tipo de pensamento negativo.

Eu não queria saber.

— Jeanine, preciso que você arrume todos os papéis que encontrar em meu quarto, assim como livros e diários. Tudo o que você julgar importante, coloque sob minha escrivaninha. — A garota concordou, ansiosa para começar sua tarefa. Olhei para Ester. — Preciso de algo mais importante, Ester. — Ela apenas ficou pronta para responder, como se esperasse por isso á um bom tempo. — Kiera e Keith Archbald. As duas devem estar no salão das mulheres em quatro horas. Sem mais ou menos. Eu estarei lá nesse horário. — Ela concordou, e as três ficaram paradas me encarando. — Agora, preciso que vocês se retirem. Voltem em meia hora, não me encontrarão aqui e poderão começar suas tarefas. — E assim elas saíram dali.

Quando ouvi o clique a porta, desabei.

Eu caí de joelhos no chão, soluçando sem derramar uma lágrima sequer.

Abracei meu corpo, abaixando a cabeça enquanto soluçava.

Aquilo doía, porque, independentemente do que eu era capaz, ainda haviam vidas em risco.

Senti apenas uma lágrima cair pelo meu rosto, e então levantei ele, vendo as roupas em minha cama.

Não existia remédio para dor interna, até onde eu sabia, e isso era uma droga. Queria que aquela dor passasse, mas o único remédio que poderia tomar para isso seriam antidepressivos, e eu sabia que ninguém me liberaria, assim como se Alexa tivesse algum deles, ela não permitiria que eu descobrisse onde. Remédios para dormir ajudavam, mas não o suficiente para quando eu estivesse acordada — nem perto.

Me levantei do chão, trocando de roupa e então me virando, caminhando até minha penteadeira e encarando meu reflexo no espelho.

Levantei meu cabelo, penteando-o e então fazendo um rabo de cavalo.

Fazia anos que eu não me via com esse penteado.

Segui meus olhos pela parede do quarto, vendo que metade das fotos que eu mantinha ali não estavam mais. Havia apenas um porta-retratos que estava quebrado. Todos os outros estavam inteiros, mas haviam muitos faltando. Aqueles provavelmente haviam sido destroçados.

Fotos minhas e de Alexandra, fotos minhas em corridas e treinos, fotos da família real... As únicas fotos que haviam restado eram as minhas com meus tios. Únicas.

Foi quando lembrei de algo.

Abri as portas do guarda-roupa, tirando uma manta dali e puxando a fita dourada, quase marrom, já. Peguei o caderno duro, vendo a coroa e meu nome logo abaixo.

Os rebeldes não haviam encontrado aquilo. Por quê?

Ignorei o pensamento, precisava acreditar que ainda existia alguma sorte na minha vida, alguma coisa boa.

Me sentei na escrivaninha, abrindo o diário e observando as páginas em branco.

Peguei a caneta, respirando fundo.

Querido diário,

Faz um tempo que eu já “o tenho” — ridicularmente ridículo falar com o próprio diário, eu sei —, mas nunca tive coragem ou coração o suficiente para começa-lo.

Meu nome é Rose. Rosemarie Schreave. E não há maneira humilde de dizer isso: sou uma princesa. A princesa de Illéa. Gêmea de Alexandra Schreave. Queria ter nascido com o sobrenome Singer, assim, talvez, eu pudesse ser ruiva e apenas alguém da família real. Mas não poderia conhecer todos que me importo.

Sou a segunda filha, mesmo que gêmea. Alexa e eu temos minutos de diferença o suficiente para decidir que ela é a sucessora.

Nossa seleção está acontecendo, já que, como Maxon Schreave diz, merecemos opções, mesmo que poucas. Ele não gostaria de nos dar para outro país apenas por... dar.

Mas não é por isso que eu decidi começar esse diário. Nossa seleção já tem meses, já tem muita história e nossa elite já está montada e em andamento. O que aconteceu na última manhã que me fez decidir escrever isso.

O palácio foi atacado, os rebeldes sulistas queriam as duas sucessoras do trono. Provavelmente querem nos matar antes de sermos habilitadas para gerarmos novos sucessores. E serão mais. Irão se multiplicar. Querem cortar o mal pela raiz, como diriam os antigos. Entendo isso.

Mas não entendo porque decidiram matar um apenas professor de música.

É claro, é com ele que vou me casar (pois é...), mas eles não sabem disso. Não deveriam saber. Ele é apenas um professor de música que estava no local errado, na hora errada. Mas, se bem que quem ler isso merece saber: sulistas são letais. Sempre foram e sempre serão.

Não tenho paciência o suficiente para descrever cada segundo de minha vida até agora, ou para descrever o que me tornou o que sou. Mas não sou a irmã responsável. Pelo menos, não era. Eu amo cavalos, acredito que só não ame mais do que minha família. Família na qual quase perdi por causa desses rebeldes.

Não deveria utilizar dessa linguagem, mas eles são uns malditos rebeldes. Eles querem destruir tudo o que eu tenho e odeio eles por isso. Eles colocaram quem eu mais amo em uma cama hospitalar, correndo um grande risco de vida. Me fizeram acreditar que minha irmã estava morta. Mataram a mulher que me ensinou tudo o que sei desde que nasci. Fizeram minha mãe se afastar por momentos importantes de minha vida. Fizeram meu pai perder horas de seus dias tentando imaginar uma solução.

Eu poderia continuar, mas preciso resolver tudo o que há dentro desse palácio. Poderia, também, descrever todos os meus sentimentos por Nathan Archbald, o futuro príncipe de Illéa que precisa acordar. Poderia descrever o quanto me importo com Caleb Vermont, o príncipe da França, ou poderia, ainda mais, descrever o quanto Arthur Gravesen (Dinamarca) se tornou alguém importante em meu coração, mesmo que tenha o partido. Foi ele quem me deu esse diário em meu aniversário de dezoito anos.

Dezoito anos. Parece que foi séculos atrás que tive minha festa de aniversário, primeira festa que organizei completamente sozinha (bem, eu tinha uma ajudinha extra).

Preciso parar.

Parei de escrever, sentindo meu coração doer e riscando o “preciso parar”. Uma gota caiu em cima do papel, deixando claro que eu estava chorando. Respirei fundo e continuei.

Gostaria de dizer que, seja lá o que for para acontecer, acontecerá, só que há um detalhe: aprendi que podemos mudar isso. Minha irmã me mostrou na última manhã. Ao invés de correr, se esconder como fiz, ela pegou uma arma e lutou. Salvou vidas. Ela mudou a vida de todos que foram salvos. Ela salvou quem eu amo.

Não sei quando vou escrever novamente, e também não sei se vou conseguir fazê-lo. Mas preciso agradecer Arthur por isto. Talvez meu diário se torne meu melhor amigo, exatamente como Alexa com sua Ophelia. Arthur é bom em deduzir coisas. Deduziu que eu e Alexa precisaríamos de seus presentes nos piores momentos de nossas vidas, porque, aposto que, se Ophelia está viva, Alexandra deve estar passando um bom tempo com ela.

Fui interrompida por batidas na porta, notando, então, que a meia hora já havia passado e minhas criadas estavam esperando.

— Um segundo! — Falei alto, ouvindo uma resposta de concordância do outro lado.

Nathan vai sobreviver.

Fechei o diário, enrolando uma fita á sua volta e levando-o de volta á seu lugar de origem.

Respirei fundo, notando que não tinha escrito nem metade do que pretendia, mas precisaria deixar isso para mais tarde.

Saí de meu quarto rapidamente, respirando fundo enquanto descia as escadas de dois em dois degraus. Gostava de estar sem um salto e um vestido pesado. Gostava muito. E eu ainda duvidava que America viria atrás de mim ou Alexa por péssima conduta. Ninguém teria vontade de resolver isso agora. Quem sempre resolvia era Silvia, e ela era um dos números. Silvia estava morta.

Fui diretamente até a ala médica, vendo Carmiryn por ali. Ela apenas abriu um sorriso tranquilo para mim, enquanto eu ia até Gabe, que parecia bem. Ele ainda tinha aquela coisa estranha em seus olhos, mas parecia bem melhor.

— Bom dia, soldado Leger. — Brinquei, me aproximando dele. Não olhe para Nathan.

— Ah, oi, Rose. — Ele tateou á sua volta, buscando por mim.

— Aqui. — Coloquei minha mão sob a sua, fazendo ele virar seu braço e apertar minha mão. — Como vai?

— Como você acha? — Retóricas. Ele “olhou” em volta, tateando algo ao seu lado, até que notei o que procurava. Era uma vareta para deficientes visuais.

— Vai aonde? — Perguntei, minha voz soando mandona.

— Para meu quarto. Fui liberado pelo Hudson. — Mordi o lábio, segurando minha cabeça antes de concordar com a mesma.

— Talvez você precise de ajuda. — Ele bufou, mas não negou.

— Sei que não veio aqui por mim. Dean me falou sobre o estado de Nathan. Cinquenta por cento de chances, huh? — Brincou. — Melhor que Matheo. — Aí ele abaixou a voz.

Seguei sua mão, mostrando que eu dava a volta na maca, então ajudando ele á sair da cama.

— É. Cinquenta pra morrer, cinquenta pra viver. Lados iguais da moeda. — Resmunguei, com nós dois saindo dali lentamente, Gabe se adequando ao andar. — Quais são as chances de Matheo?

— Oitenta por vinte. — Fechei os olhos por um segundo, respirando fundo. Gabe apertou minha mão direita, sua esquerda tremia, mas ele ainda era corajoso o suficiente para me fazer continuar.

— E as suas? — Brinquei. Ele bufou.

— Preciso de um transplante de córneas, não temos ninguém morto e com autorização á isso. — Ele soltou um suspiro, enquanto meu cérebro gritava um “ainda” enorme. Matheo estava pior que Nathan... Ele não merecia morrer. Nenhum deles merecia.

A vida não é justa. Nunca foi. Isso só era provado para mim repetidas vezes durante todo o tempo.

Foi quando vi Ophelia. A gata cruzou nossa frente tão rapidamente que levei um susto, quase desequilibrando Gabe.

— Que foi? — Perguntou, preocupado. — Invasão? — Sua mão direita estava prestes á levantar a vareta, mas apenas soltei uma risada fraca, vendo Ophelia desaparecer pelo corredor.

— Não. Era Ophelia. — Ele riu fracamente, mas sua voz tinha dor.

Nós chegamos na escada, começando a subir, enquanto ele apertava minha mão.

— Estamos no canto ou meio da escada? — Perguntou, sua voz soando cada vez mais dolorida.

— Canto. Direita. Se você levar um pouquinho a mão... — Ele assim o fez, alcançando o apoio. Nós dois paramos ali, no meio da escada, enquanto eu via uma lágrima escorrer por sua bochecha. — Gabe... — Minha voz saiu baixa, e ele respirou fundo.

— Eu sei, eu sei.

— Não. — Impedi-o de falar qualquer outra coisa. — Não é errado chorar por isso, ou por qualquer outra coisa. Não é isso. É que... eu sou a princesa de Illéa, e seja lá como se conseguem essas coisas, esses órgãos, eu vou conseguir um, ok? Se não eu, Alexa. Você sabe que é fácil. Quero que tenha isso em mente. Você não pode ver por agora, mas num futuro muito próximo poderá enxergar cada detalhe dourado desse palácio, poderá ver o céu e poderá saber que não deve pisar aí. — Ele riu fraco, enquanto subia um degrau, sendo acompanhado por mim. Ele concordou fraquinho com a cabeça, enquanto eu via seu pomo de adão subir e descer, ele engolindo em seco. Uma ou duas lágrimas ainda escorreram por seu rosto, mas parou por aí.

— Obrigada. — Paramos na frente de seu quarto, e foi quando ele pode agradecer. Muitos dos guardas dormiam em dormitórios no primeiro andar, mas alguns tinham privilégios, seja por sua patente ou amizade dentro do palácio. Bom, Gabe tinha amizade e o pai era o chefe da guarda de Illéa, acho que merecia. E, além disso, ele era família.

Dei um beijo fraco em sua bochecha, enquanto uma criada surgia no corredor, correndo desesperadamente.

Me afastei da porta, deixando ela ali e ouvindo-a se apresentar para Gabe. Ela era sua ajudante.

Parei no meio do corredor, olhando tudo o que já havia sido concertado, e tudo o que ainda restava para ser feito. As janelas nunca haviam estado tão fortemente seguras quanto agora, as pessoas nunca estiveram tão atarefadas, mas... Aquele não era um país que eu queria governar. Não era. Nada estava certo, nada. Absolutamente nada estava certo, e isso era frustrante.

Respirei fundo, então continuando meu caminho de volta á enfermaria.

Parei em frente as portas fechadas do local, avaliando tudo á minha volta. Matheo tinha menos chances de vida do que Nathan, e aqui estava eu, me remoendo por alguém que tinha muito mais chances que outros. Nathan ia acordar, é claro que ia, ele tinha tudo para fazê-lo.

Abri a porta, entrando no local. Dr. Hudson não se encontrava em nenhum lugar, mas em compensação Astra estava ali.

— Rose! — Ela falou baixinho, correndo até mim e me dando um abraço. Apertei-a de volta, mesmo sem muitas forças, e olhei em volta assim que ela me soltou. Não queria encarar ninguém nos olhos, não queria perguntas. Não queria nada. — Veio saber de Matheo? — Segui seu olhar até a maca de Delacroix. Ele parecia já estar morto.

Como Alexa conseguia?

Limpei a garganta, fazendo Astra virar o olhar para me encarar novamente.

— Na realidade, vim por Nathan Archbald.

Seu olhar seguiu para a maca de Nathan, e então para mim, seus olhos se estreitando.

— É por isso, não é?

— Por isso o que? — Perguntei, levantando uma sobrancelha.

— Por isso que Hudson está cuidando dele tanto quanto se ele fosse você ou Alexa. — Olhei para Nathan, deitado na maca. Mal conseguia ver seu peito subir e descer, de tão leve que ele o fazia.

— Sim. É Nathan o príncipe que eu escolhi. — Astra soltou um suspiro fraco, dando de ombros.

— Ele está indo bem, não apresentou nenhuma melhora, mas também não mostrou nenhuma queda. Ele continua estável. — Concordei com a cabeça, passando por Astra, enquanto me despedia da mesma com um aceno de cabeça e ia até a maca de Archbald.

Parei ao lado dele, puxando uma das cadeiras aleatórias por ali e me sentando, apertando sua mão. Nenhum batimento acelerado. Nenhum sorriso. Nem um piscar de olhos. Absolutamente nada.

Levei sua mão ao meu rosto, abaixando a cabeça e encarado o escuro dos olhos fechados. Respirei fundo, fazendo uma prece silenciosa. Fique vivo. Por favor.

Levantei o rosto, abrindo os olhos e encarando o rosto sereno de Nathan, arrumando seus cabelos. Eu não ia chorar. Não ia.

Matheo estava muito pior que Nathan, e ainda sim, mesmo que Alexa não amasse-o, ela gostava dele e não estava chorando desesperadamente pelos corredores do castelo. Os príncipes sequer sabiam quem era Nathan.

Eu conseguia isso. Eu conseguia abrir um sorriso, fingir que tudo estava perfeitíssima bem, conseguia isso. O que era a vida da realeza de Illéa se não um sorriso falso frente ás câmeras? Alexa sorriu para as câmeras em nosso aniversário mesmo quando o amor de sua vida estava voltando para a Inglaterra.

Eu conseguia abrir um sorriso para os criados nos corredores. Não devia ser tão difícil. E, por mais estranho que soasse, eu não precisava de Nathan me falando que era o melhor para mim, que ele gostaria de ver um sorriso em meu rosto. Era óbvio que era melhor para mim e que ele gostaria de um sorriso em meu rosto.

Eu queria ele ao meu lado, é claro, mas, enquanto ele não estivesse ali, eu teria de suportar o fardo sozinha. E eu não estava completamente sozinha. Eu tinha Alexa, eu tinha Caleb, eu tinha um diário. E eu tinha um centro de equitação que era praticamente meu — teoricamente era meu, mas ele ainda era utilizado por outras pessoas, e não estava no meu nome, e sim no de Maxon Schreave.

Respirei fundo, não contendo um sorriso e vendo o monitor de batimentos cardíacos de Nathan. Continuava subindo e descendo, batendo constantemente. Ele estava vivo e era isso que importava.

— Eu amo você, lembre-se disso. — Falei baixinho, deixando que uma última esperança me dominasse, esperança de que ao seu lado ele acordaria. Mas não, ele não acordaria agora. Talvez mais tarde, mas não agora.

Me levantei, vendo Astra cuidando de Matheo. Lhe dei um aceno fraco com a cabeça, saindo do local.

Pensei em ir cavalgar, até me lembrar de que toda a família real estava proibida de pisar fora do palácio. Até mesmo Astra, May, meus outros tios e tias, também estavam com guarda reforçada. Toda ameaça á nossa família iria ser contida, nem que precisassem manter o rei e rainha de Illéa, assim como suas herdeiras, claustrofóbicos por um mísero período.

Subi as escadas para o segundo andar, parando em uma janela e encarando a floresta. Eles haviam entrado por ali, era óbvio. Não havia nenhum outro lado que pudessem entrar tão rapidamente e despercebidamente se não aquele.

Estreitei os olhos, tentando ver as linhas por entre as árvores, tentando encontrar algum caminho apenas a olho nu. Nada.

Pensei em ir olhar um pouco o céu, no último andar, mas sabia que me parariam antes mesmo de eu pensar em subir aquelas escadas.

Mas... havia um certo lugar que ninguém me impediria de ir, e ainda era dentro dos limites daquelas paredes.

Subi até o último andar, passando por portas, escadas e ainda mais portas, então entrando dentro da livraria secreta de Illéa.

Caminhei os dedos pela estante de diários, vendo os diários de Gregory Illéa, Amberly Station Schreave — minha avó por parte de pai —, Abby Illéa e, por último, um diário de America Singer Schreave.

Peguei-o, me sentando em uma das poltronas ali e abrindo a primeira página.

Estou grávida, nunca vi Maxon tão feliz quanto o momento que lhe contei isso. Talvez apenas se iguale ao momento em que subi no altar, talvez. Acho que hoje foi um dos dias mais felizes de toda a minha vida.

Abri um sorriso, imaginando como America teria contado á Maxon que estava grávida. Eram poucas as coisas que eles nos falavam sobre o passado, falavam o básico, a história da seleção, os acontecimentos gerais, falavam também que papai havia ficado extremamente em choque na festa que America havia admitido que estava grávida, mas... o momento eu não fazia ideia de como havia sido.

Fiquei ali lendo por mais algumas horas, até fechar o diário e recolocá-lo no mesmo lugar, então saindo dali e indo até meu quarto, vendo apenas Ester ali dentro. Ela me deixou sozinha praticamente no mesmo momento que entrei no quarto, mas deixou claro que minha comida já estava ali.

Assim que terminei de comer, trabalhei um pouco no projeto — eis o lado bom de estar presa dentro do castelo, hora ou outra eu teria de trabalhar no projeto e ler os livros que Maxon havia pedido —, e então estava no horário de ir ao salão das mulheres.

Peguei alguns papéis que estava trabalhando, colocando-os dentro de uma pasta, peguei também um livro e saí do quarto, sendo acompanhada por Ester.

— Senhorita, fui informada que as duas irmãs Archbald já estão á sua espera.

— Já dentro do salão das mulheres? — Franzi o cenho, não era permitido visitantes sem nenhuma vigilância.

— Oh, não. Estão na sala de espera. — Concordei com a cabeça, entrando dentro do salão e indo até um dos cantos do mesmo, onde haviam alguns sofás e uma mesa de centro. Depositei o livro ali e abri a pasta, olhando para Ester parada próxima á entrada, o espelho refletindo sua postura tensa.

— Pode chama-las. — Ester se virou sem dizer uma única palavra, saindo dali rapidamente.

Avaliei o projeto á minha frente, pensando numa maneira de melhorá-lo. Nathan saberia. Ele saberia o quanto pessoas passam fome. Saberia exatamente como melhorar este lado da miséria de Illéa.

Parei o pensamento no meio do caminho, me lembrando de que ele iria acordar e poderia ajudar perfeitamente nisso. Ele iria acordar, e antes do Jornal Oficial de Illéa, que seria dali á quase um mês, que mostraria os projetos dos príncipes e que talvez permitisse dar alguma dica sobre o

projeto das duas princesas.

Risquei uma frase, melhorando-a logo abaixo, quando ouvi a porta do salão se abrir, e quase desejei poder ouvir a voz de Silvia, a voz de sermão que ela utilizava para demonstrar que eu estava claramente não-vestida para receber visitas.

Fechei a pasta, colocando o livro em cima dela na mesa de centro e me levantei, dando a volta nos sofás e vendo Kiera e Keith Archbald entrando com Ester e Jeanine.

— Olá, senhoritas. — Fui até as duas, recebendo reverências como resposta. As duas estavam com vestidos floridos, e tinham sorrisos calorosos em minha direção, mas eu podia ver a tristeza em seu olhar.

— Alteza. — Keith falou baixinho.

Olhei para Ester, então olhando para as duas irmãs novamente.

— Vocês gostariam de algo para comer? Beber? — As duas negaram com a cabeça rapidamente, enquanto eu podia ver elas avaliando tudo á sua volta, como se aquilo fosse o paraíso. Talvez realmente fosse, para elas, ao menos. — Ótimo. Ester, Jeanine, se eu precisar de vocês eu as chamarei. — As duas concordaram, saindo dali rapidamente, enquanto eu mostrava o caminho até os sofás para as duas irmãs, me sentando no lugar que já estava anteriormente, as duas sentando á minha frente. A mesa de centro era a única coisa que havia entre nós.

Cruzei as pernas, então colocando minhas mãos em meu colo e encarando as duas.

— O irmão de vocês está em coma induzido pela minha própria irmã, Alexandra Schreave.

— Sabemos disso, Alteza. — Kiera falou. — Só não entendemos porque a senhorita nos chamou aqui.

Abri um sorriso fraco, pegando a pasta e abrindo-a, foleando algumas páginas até encontrar o relatório médico da situação de Nathan. Havia pedido ao Dr. Hudson mais cedo, e lá estava. Entreguei o mesmo para Keith, ela lendo atentamente e então passando para Kiera.

— É o diário? — A segunda perguntou, recebendo um aceno positivo como resposta. Ela ia me devolver, mas não o peguei, o que fez ela entender que era das duas.

— Sei que é Nathan que cuida das duas e que garante que tenham um futuro bom, mas, enquanto ele não acordar, gostaria que falassem comigo. Não precisam disso tudo, Alteza ou qualquer outra coisa, sou Rosemarie. Rose, caso queiram. — As duas se olharam, pareciam confusas, enquanto eu soltava um suspiro fraco e olhava dentro da pasta novamente, procurando pela foto.

Peguei-a, entregando para Keith, novamente, enquanto ela e Kiera observavam a foto. Nenhuma das duas teve nenhuma reação imediata, mas os olhos das duas pareciam arregalados, e elas pareciam não notar a situação.

— O que é isso? — Keith finalmente perguntou.

Era minha foto com Nathan, a mesma que eu queria ter com ele, que eu tinha com todos os príncipes. O dia que eu contei para Alexa sobre nós dois, na corrida de cavalos.

— Quando seu irmão acordar, há um novo título antes de seu nome. — As duas irmãs finalmente entenderam. — Príncipe Nathan Archbald.

— Você só pode estar brincando... — Kiera falou, em choque, fazendo Keith olhar para ela repreendedora. Tudo o que fiz foi abrir um sorriso tranquilo.

— Não. Na realidade, minhas brincadeiras normalmente envolvem afundar alguém na lama, isso não é brincadeira. Ah, ou na piscina. — As duas abriram sorrisos, enquanto Keith franzia o cenho.

— Isso significa que você é nossa cunhada?

— Sim. — Kiera engoliu em seco.

— Isso faz d’agente realeza? — Abri um sorriso.

— Assim que for tornado oficial, sim. — As duas me encaravam em choque.

— Meu Deus. — Keith me devolveu a foto, ainda me olhando em choque.

— Como Nathan conseguiu isso?

— Burlando algumas regras. — Dei de ombros, olhando a foto. — Quero que entendam que — levantei o olhar — Nathan sabia o que iria resultar. Ele não imaginava que alguns sentimentos seriam correspondidos, mas foram. Ele também não sabe que o título é dele, porque eu iria falar aos meus pais no dia do ataque sobre nós. Minha mãe acabou descobrindo, assim como meu pai, e eles permitiram.

— Mas você não tem uma seleção acontecendo? — Keith franziu o cenho.

— Sim. Ela será finalizada assim que Nathan acordar e concordar. Se ele não concordar, o que ele tem todo o direito, a seleção continuará e eu me casarei com um dos príncipes de minha Elite. — Kiera concordou, ansiosa.

— Isso significa que podemos ser damas de honra do casamento? — Gargalhei quase alto de mais.

— Claro que sim, mas não espere que seu irmão diga sim. O casamento vem com um cargo com muitas responsabilidades.

Vi Keith mordendo a bochecha, e então soltou o que tinha para falar.

— Ele pode ser rei de Illéa um dia, isso é... — Ela parecia em choque.

Extraordinário, talvez? — Propus. Keith concordou, pensativa. — Mas, agora, preciso mostrar a situação dele á vocês duas. Mais tarde alguém deverá conversar com as duas, ainda não sei quem é a nova professora escolar e de conduta, assim como a organizadora de horários, já que a nossa antiga morreu no ataque — ah, as facadas... —, mas a nova apta ao cargo já deve ter sido chamada e se ainda não está no palácio, ainda hoje deverá estar. Então ela já conversará com vocês sobre tudo o que pode acontecer. — Tudo bem, eu conseguia falar. — Inclusive se Nathan não acordar. — As duas irmãs recuaram um pouco com isso, mas nenhuma delas perguntou nada á respeito do que iria acontecer caso ele não acordasse. Graças a Deus, nem eu sabia o que faria se Nathan não acordasse, se ele desistisse de lutar para viver. Eu mal conseguia pensar nisso sem entrar em pânico.

— Tudo bem... — Kiera olhou em volta. — Onde é a enfermaria? Alguma passagem secreta? — Abri um sorriso.

— Vocês só vão descobrir sobre esse tipo de coisa quando forem da família real, minhas queridas. — Pisquei, me levantando e fechando a pasta, pegando o livro e saindo dali.

Seria ótimo ter elas como novas integrantes da família. Os Schreave-Singer estavam precisando de novas adições.

Assim que as duas irmãs foram liberadas por mim, subi para meu quarto, deixando as informações para trás e descendo as escadas à procura de Maxon.

A porta de seu gabinete estava entreaberta, e ele não estava lá dentro, apesar de que era claro que ele estava aqui minutos atrás, já que tudo estava aberto sobre sua mesa de trabalho.

Entrei no local, olhando pelo rabo de olho os guardas á postos, e então fechei a porta.

Velhos hábitos nunca mudam.

Fui até a mesa dele, me sentando em sua poltrona e olhando os papeis. Papelada, papelada, papelada e mais pape... Nathan Archabld. Meus olhos foram atraídos pelo nome como um imã é atraído pelo seu reflexo. Peguei o papel, avaliando as informações.

Data de nascimento, árvore genealógica, casta que ele seria caso todas ainda existissem, e não apenas as mais altas, tipo sanguíneo, causas de morte em todos os membros da família, toda a história de vida dele... Caramba, era muita informação. Como Maxon tinha conseguido tudo isso? Esquece. Ele era o rei de Illéa, era apenas estalar os dedos que conseguia isso. Eu tinha que parar de esquecer certas coisas, sinceramente.

Príncipe Nathan Archbald. Casta Um. Abri um sorriso ao ler isso no nome dele, no documento atrás.

Saí do gabinete do rei de Illéa com um sorriso no rosto, e mantive esse sorriso cada dia que se passava, independentemente da mudança de Nathan. Ele não melhorava ou piorava.

Eu estava na ala da enfermaria, assim que tinha terminado de trabalhar em algumas informações sobre o ataque rebelde que America havia deixado mais cedo em meu quarto, quando vi Dean Hudson caminhando até mim, acabando de sair da maca de um ferido aleatório.

— Como vai, princesa?

— Bem, e você, doutor?

— Bem, obrigada. — Ele olhou para Nathan, avaliando o monitor com as informações sobre o estado dele, e então me encarou. — Gostaria que conversasse com ele, dê algum motivo para ele voltar. Espero que ele esteja ouvindo quando você falar com ele, mas, mesmo que ele não esteja, talvez o subconsciente entenda a mensagem de que ele deve lutar para acordar.

— Por que isso?

— Já pedi para as irmãs dele o fazerem ontem, quando estavam aqui. Devo substituir a medicação para algo mais leve, deixar ele reagir, e amanhã devo tirá-lo do coma induzido. Então veremos se ele será forte o suficiente para sobreviver, ou se será levado ao óbito.

— Por que?

— Não há mais como esperar por uma melhora, Rose. Precisamos forçar alguma reação dele, ou ele poderá ficar assim por anos, e não temos anos, você sabe disso, seus pais me garantiram isso. Até mesmo Nathan sabe disso. — Concordei com a cabeça, olhando para o rosto de Nate. — Vou deixar vocês á sós. Depois venho lhe dar os detalhes.

— Claro. — Observei o médico se afastar, e quando ele já estava longe o suficiente me acomodei novamente na cadeira, segurando a mão de Nathan. — Lute por nós, Archbald. — Usei minha voz mais mandona possível, como uma digna ordem de rainha. — Eu amo você, quero que se lembre disso quando pensar em desistir. Lute por mim. Lute por nós.

Respirei fundo, fechando os olhos.

Abri eles logo em seguida, me levantando e soltando a mão de Nathan, então mudando de maca indo para Matheo.

Os dois estavam mais separados que antes, agora, já que a ala ia esvaziando á cada dia que se passava.

— E ai, Delacroix? Sentindo minha falta? — Brinquei, arrumando o cabelo do príncipe. — Acho que nunca pensei que sentiria a sua, mas estou sentindo falta de Alexa reclamando de você. Sério, você precisa voltar. O que vai ser da seleção sem o seu maior ícone? — Eu realmente esperava que ele não jogasse isso na minha cara mais tarde, se estivesse ouvindo. Matheo havia mostrado uma melhora de 5% nos últimos dias, agora tinha 25% de chances, o que já era um grande lucro para ele. Pelo menos alguém estava demonstrando melhora. — Acho que você era um dos poucos príncipes que deve ter notado que minha cabeça não estava tão focada na seleção. Não sei. Quem sabe? Meu príncipe está numa maca também, Alexa comentou com você? Vão desligar os aparelhos dele logo. Queria pedir pra você descobrir quais são os planos dele e se ele se gaba com algum outro homem nesse castelo sobre mim, mas você também está em coma. Isso é muito triste, sabia? Queria você aqui. Queria ver você e Alexa brigando, queria ver vocês dois saindo juntos, também. Queria informações sobre o segundo príncipe, já que agora você conseguiu o encontro com Alexa. E que encontro, huh? Deu a sorte grande. — Ou não tanto. Ele estava em coma. — Então... Delacroix, é o seguinte: você vai lutar e ficar vivo, ok? Não vale morrer agora que conseguiu a garota.

Apertei seus dedos rapidamente, vendo Dean caminhar até mim e fazer um gesto para que saíssemos dali. Assim feito. Paramos no corredor, ele fechando a porta e me encarando.

— Ele tem uma boa chance de viver, sabia? — Perguntou, sorrindo fracamente. — Ele responde á luz, pelo menos minimamente. Também não regrediu quanto aos remédios ou aparelhos, é um ótimo sinal. — Concordei com a cabeça. — Eu já troquei um pouco de sua medicação. Trocarei o resto ainda no final dessa noite, e amanhã desligarei os aparelhos, esperando por uma reação. Gostaria que você viesse no mesmo horário aqui, se possível.

— Claro, estarei aqui. — Ele concordou, então colocando a mão em meu ombro.

— Fique tranquila, ok? Estarei dando meu máximo. — Concordei com a cabeça, então ele se despediu e entrou novamente no local.

Nathan ia viver, ele tinha que viver.

Por que morreria, afinal? A morte não tinha nada que o agradaria. Não que eu soubesse, pelo menos.

Passei o resto do dia pensando sobre Nathan, e apenas dormi durante a noite por extremo cansaço — e ajuda com medicação.

No dia seguinte, trabalhei em mais alguns projetos, e, quando deu a hora, saí de meu quarto pela primeira vez durante o dia.

Carmiryn não estava ali, assim como Jeanine, mas Ester me acompanhava mais uma vez.

Desci as escadas lentamente, continuando meu caminho tão conhecido. Eu havia o percorrido tantas vezes que poderia descrever mesmo depois de anos sem nunca mais percorrê-lo.

Mas, quando cheguei no corredor, já podendo ver as portas da enfermaria... Não foi o que eu esperava.

Caleb passava desesperado pelas portas, tentando fechá-las antes que eu pudesse ouvir o que acontecia lá dentro... antes que eu pudesse ouvir a ordem gritada de Dean Hudson.

Não deixem as princesas entrarem aqui!

Aquilo ecoou por alguns segundos em minha mente — ou seriam minutos? — e então vi Caleb. Ele andava rapidamente em minha direção, desesperado. Encurtei o caminho, nós dois parando em um impasse.

Não.

Desviei com tudo, passando por ele correndo e parando dentro da enfermaria, próxima as portas da mesma.

Dean Hudson usava um desfibrador em Nate.

Por favor...

— Um! Dois! Três! — Astra ligou o choque novamente, parecendo desesperada. Nada. — De novo! — Hudson gritou, enquanto eu arregalava os olhos.

Por favor, não. Não e não. Não.

Nada novamente.

Senti o mundo cair, ao mesmo tempo que minha voz se elevava tão alto em um “não” que eu não ficaria surpresa se Angeles inteira tivesse ouvido meu grito.

Senti duas mãos segurarem meus braços antes de eu fazer o que pretendia, a pessoa visualizando meus movimentos seguintes.

O eco de meu grito ainda parecia vivo em meus ouvidos.

Um único grito, um único eco foi dado por todo o palácio da família real de Illéa.

Não sei se era porque eu estava em pânico, mas não foi ouvido um som sequer nos próximos minutos. Dean levantou o desfibrador, fechando os olhos e tentando uma última vez. Senti as lágrimas em meus olhos, os olhos de Astra encontraram com os meus.

Nathan não acordou. Ele nunca mais iria acordar.

Nathan Archbald estava morto.

A verdade veio tão rápido quanto os dois tiros que mataram Nathan.

— Hora do óbito, 4:31PM. — Dean olhou em seu relógio, e então finalmente olhou para mim. — Tire-a daqui, Vermont. Tire-a.

— NÃO. — Me soltei de Caleb, não conseguia chorar. Pela primeira vez. Empurrei ele para trás, empurrando todos que tentavam me segurar e então parando ao lado de Nathan.

Pálido foi a primeira coisa que me veio em mente. Morto foi a segunda.

— Acrhbald? — Falei baixinho. — Querido? — Senti as lágrimas escorrerem, enquanto eu aproximava nossos rostos. — Amor? Professor? — Por favor, acorde. Acorde, acorde. Acorde! — Coloquei as mãos em seu peito, apertando como se ele fosse voltar a vida apenas daquela maneira. — Nathan. — Choraminguei, caindo no chão ali mesmo e sentindo duas pessoas virem em minha direção. — Ele não morreu. — Choraminguei.

— Rose. — Senti uma respiração em meu pescoço, e reconheci a voz conhecida, mas não conseguia lembrar quem era. Estava fora de ar. — Vou pegar você no colo, ok? — Choraminguei outra vez, abraçando minha barriga.

Ele nunca estaria me esperando no altar.

Ele estava morto.

— Rose... — Ouvi novamente, enquanto eu choramingava outra vez.

Nunca teria filhos com ele. Ele estava morto.

Senti alguém me pegar no colo, enquanto eu começava a soluçar. Ouvi outra voz, parecia feminina, falando o que havia acontecido.

Nathan estava morto. Não ia voltar.

Não. Comecei a soluçar tanto que quem me carregava me apertou com força.

— Rose... — Ouvi novamente, levantando o rosto com tudo. Nate?

— Nathan? — Olhei em volta, vendo que subia as escadas. — Me solte! — Notei que era Caleb que me levava, e eu via os guardas encarando-me preocupados.

Caleb não me soltou. Nathan estava morto. Meu coração doía tanto que eu achava incrível como eu não tinha morrido no momento.

Fui colocada em minha cama, enquanto eu me levantava instantaneamente, mas Caleb segurou meus dois braços, me mantendo na cama.

— Olhe para mim, Schreave. — Desviei o olhar assim que recebi a ordem, enquanto sua mão ia para meu queixo e me fazia encará-lo olho no olho. — Se você não relaxar, precisaremos dopar você. Você quer isso?

— Nathan está morto! — Gritei isso em sua cara, enquanto ele me prensava contra a cama novamente.

— EU SEI! — Rebateu. — Você gostaria que ele lhe visse assim?

— É impossível, ele nunca mais vai me ver novamente. — Rebati outra vez.

Ele gostaria? — Repetiu. Trinquei os dentes.

Foi quando senti algo pontudo em meu braço, me fazendo olhar com tudo para o lado. Alexa estava ali, ela estava com uma seringa na mão e...

— É um sonífero, Rose. — Informou, então apertando um algodão em meu braço e colando um curativo logo em seguida. — Vai fazer você dormir. — Meus olhos encontraram com os dela, enquanto eu via o reflexo da tristeza nos mesmos. — Sinto muito.

E então eu estava dormindo.

Acordei com tudo, puxando ar e me sentando na cama. Um sonho tão... verdadeiro. Nathan estava morto. Havia tido um ataque rebelde...

America estava de um lado em minha cama e Maxon do outro.

— Eu quero vê-lo. — Rosnei, enquanto ia me levantar, mas a mão de Maxon foi para meu peito, me parando.

— Antes precisamos conversar. — Meu pai informou, enquanto eu respirava fundo. Nathan estava morto e eles queriam conversar?! Só podia ser brincadeira. — Você dormiu por quatorze horas seguidas. O dia já amanheceu, são exatas sete horas da manhã. — Levantei as sobrancelhas para ele. — Achei que gostaria de saber.

— Keith e Kiera já foram informadas? — Minha voz soou vazia. Eu não me sentia assim. Eu me sentia como um cadáver ambulante, sendo que a única coisa que sentia era a tristeza. Talvez fosse a única coisa que eu era capaz de sentir no momento.

— Imediatamente. — Minha mãe respondeu. — Já foi tudo preparado, Rose. Estamos do seu lado. Ninguém está falando da Seleção, ninguém está falando de príncipes ou casamento. É só você e Nathan. O resto veremos depois. Agora é você e ele. — Senti meus olhos lacrimejarem com tanta força que tive que soltar um soluço.

— Não existe mais eu e ele, mãe. Esse é o problema. — Ela me encarou com lágrimas nos olhos. — Ele morreu, não existe mais nós.

Senti meu pai apertar minha mão, a tristeza óbvia em seu rosto.

— Alexa está extremamente preocupada com você, Rose. — Falou. — Ela quer que você saiba que só lhe deu o sonífero porque era necessário. — Concordei com a cabeça, se eu falasse alguma coisa acabaria em prantos. — Foi eu quem deu a ordem do sonífero. — Informou. Concordei outra vez.

O quarto ficou em silêncio por mais alguns minutos, meus pais apenas me encarando, e recebendo o olhar desviado como resposta.

— Precisamos organizar o velório e enterro, Rose. — America falou cautelosamente. — Se quiser podemos org...

— Eu organizarei sozinha. — Cortei-a. — Kiera ou Keith fizeram algum pedido em particular?

— Não. Apenas pediram por algumas presenças em especial, nada mais.

— Ótimo. Eu organizo. Até que horas eu devo ter tudo isso pronto e esse velório deve começar?

— Até o amanhecer de amanhã. Podemos manter o corpo sem se decompor por bastante tempo, mas o próprio Dr. Hudson recomendou que...

— Eu sei. Eu só gostaria de que Kiera e Keith me ajudassem. Queria Alexa aqui também. — Pedi. — Chamem á para mim, por favor? Ela primeiro.

— Claro. — Maxon falou, se levantando e saindo dali, me deixando á sós com America.

— Eu amo você, Rose. Lembre-se disso. Tenho orgulho do que você se tornou.

— Obrigada. — Eu não tinha certeza se era alguém para se ter orgulho.

Alexa apareceu logo em seguida, e America deixou nós duas á sós.

— Rose. — Ela me abraçou com tudo, me apertando. Não foi preciso dizer uma única palavra, um único sentimento. Ficamos ali, abraçadas.

Me afastei dela alguns minutos depois, encarando-a.

— Alexa, me diga. Se amamos alguém tanto, porque o destino insiste em tirar a pessoa de nós? — Seus olhos escureceram, ficando tristes.

— Não é o melhor momento para eu lhe responder isso...

— Eu quero saber.

— Talvez seja porque não era para ser. Talvez não fosse o certo. — Olhei para minhas mãos, e então ela se afastou, colocando a mão por baixo do travesseiro á minha esquerda, o que eu não havia dormido, e pegando algo de baixo. Era uma caixinha vermelha de veludo, eu sabia o que tinha ali dentro. — São as alianças. — Ela abriu a caixinha. — Supostamente, as minhas estão em algum lugar nesse castelo, também. Só não sei se vou me casar com elas. — Deu de ombros, enquanto eu olhava a aliança que deveria usar pelo resto de minha vida. Deveria. Coloquei-a em meu dedo, então fechando a caixinha e recolocando ela em baixo de meu travesseiro.

Respirei fundo, vendo o sol de Angeles já subindo ao seu pico, minha varanda tinha uma pequena fresta que fazia o vento entrar lentamente pelo quarto, balançar as cortinas e então parar.

Foi quando duas batidas fracas na porta informaram que Keith e Kiera Archbald haviam chegado, também informando que eu ia ter que enfrentar a realidade pelas próximas vinte e quatro horas sem me permitir derramar lágrimas.

Ser uma rainha soava tão sem sentimentos que doía. Até o rainha ser trocado por princesa ainda doía. Tudo doía.

Impedi qualquer contato com qualquer príncipe. Nem mesmo Caleb teve acesso á mim.

Alexa me informou, também, que com a autorização das irmãs as córneas de Nathan haviam sido retiradas e Gabe já havia passado por uma cirurgia extremamente positiva e logo poderia estar com sua visão cem por cento restaurada novamente. Pelo menos algo bom surgiu de tudo isso. Algo bom. Impedi a risada antes de escapar pelos meus lábios. Doía tanto que eu preferia rir com escárnio do que chorar em cima do caixão que estava na sala ao lado.

Nathan estava vestido com um terno de honra, e receberia o título de príncipe em seu túmulo. A aliança também seria enterrada junto com ele. Ele seria enterrado junto com a realeza de Illéa.

Mas isso não mudava o fato de que nunca teríamos uma vida juntos. Não mudava o fato, também, de que eu nunca poderia abraçá-lo outra vez, nunca poderia beijá-lo, nunca trocaria alianças, nunca teríamos filhos. Nunca. Sempre me disseram que nunca era uma palavra muito forte, e eu concordo, mas também era cruel. O destino era cruel. A vida era.

Olhei a composição em minhas mãos uma última vez, então entregando-a para a nossa nova professora. Ela era apenas alguns anos mais velha que eu e Alexa. Daria no máximo vinte e seis anos, e isso era exagero. Não me lembrava seu nome, também. Estava na placa em seu terno preto de luto, mas não fazia questão de ler cada vez que olhava para ela. A mesma abriu um sorriso fraco e se retirou do local.

Carmiryn colocou o último grampo em meu cabelo, finalizando-o. Ele estava solto em minhas costas, mas minha franja e a parte superior estavam presas com uma presilha dourada. Alexa também tinha seu cabelo sendo finalizado, o dela estava em um coque com alguns fios soltos na frente de seu rosto. Haviam três únicas diferenças entre nós duas, que eram o cabelo, a roupa e a aliança que eu tinha em minha mão direita. A aliança de noivado que nunca iria para minha mão esquerda.

As coroas foram colocadas em nossa cabeça, e foi quando Maxon e America entraram no salão.

— Prontas? — Concordamos com a cabeça, dois guardas ladeando as portas, enquanto eu via pelo reflexo do espelho á minha esquerda que Gabe estava ali. Ele estava sentado em uma cadeira, com Hudson ao seu lado, cuidando dele como um médico faria, e não como um namorado faria. Seria engraçado, se não doesse em mim.

America olhou para mim, enquanto eu concordava para um dos guardas, ele abriu a porta, a família real entrando no local.

E ali estava o corpo.

Todos os príncipes estavam no local, e eu pude ver Caleb procurando meu olhar, mas não permiti isso. Não podia.

Ela está com uma aliança de noivado?

Não há nenhum príncipe com uma igual! — Ouvi as vozes baixas, tanto dos convidados quanto dos príncipes. Os convidados eram poucos, na realidade. Eu podia ver um ou dois amigos próximos de Nathan, as duas irmãs... mas nada de sua mãe. Seu pai estava morto, é claro, mas até onde eu havia descoberto sua mãe havia sofrido o início de um ataque cardíaco e havia sido transferida para um hospital. Ela estava em estado grave, recebendo tratamento intensivo. Nenhuma visita.

Um padre falou algumas coisas, mas logo a cerimônia se passou para mim.

Não precisa chorar agora, chore sozinha em seu quarto. Não agora.

— Como muitos aqui sabem... — Minha voz soou muito mais forte do que eu me sentia. — Nathan Archbald era o professor de música da família real. Ele dava aulas para mim e para minha irmã, Alexandra. Ele morreu por causa de dois tiros em seu peito. — Não. Chore. — Foi colocado em coma induzida, mas, infelizmente, não suportou. — Alexa me olhou rapidamente, como se dando força. — Eu nunca fui boa pianista, para ser honesta com todos vocês. Minha área sempre foi o violino, e minha irmã sempre foi a pianista da família. Mas, eu e o Sr. Archbald começamos a trabalhar em um projeto de música há um tempo, e utilizei um pouco deste tempo que planejei o velório — a palavra saiu amarga em minha boca — para terminar de compô-la, com a ajuda de minha irmã. Vocês devem ter notado que não há nenhum grupo musical aqui, isto é porque eu e Alexandra tocaremos. — Muitos convidados concordaram, tocados com a ideia.

Eu e Alexa seguimos para o piano, uma em cada um dos dois pianos ali postos, como um palco.

Arrumei a partitura á minha altura, abrindo o teclado do piano e então levantando o olhar para Alexa. Ela concordou com a cabeça e desferi as primeiras notas. Devo dizer que não esperava aguentar tanto tempo sem chorar. Consegui suportar até metade da música, mas então, enquanto encarava o olhar de Alexa, as lágrimas começaram a cair. Metade dos convidados observou em choque o que acontecia, a outra metade observou em silêncio.

Quando a música terminou, Ester me entregou um lenço, e limpei rapidamente o rosto, devolvendo-o para a mesma e então me levantando.

Alexa apenas se levantou do piano, ficando ali, era esse o combinado. O que eu ia fazer não fazia parte do plano. Parei ao lado do caixão, tirando o colar do pescoço, e então tirando a aliança. O alvoroço de choque foi maior do que meu choro na música. Muito maior. Coloquei a aliança entre seus dedos, incapaz de desfazê-los.

— Obrigada pela presença de todos. — Foi tudo o que eu consegui falar e fazer antes de sair tão rápido quanto nunca de um local. Passei pelas portas que havia entrado, tirando a coroa de minha cabeça, assim como os grampos, o vestido preto e longo batendo com força em mim mesma. Sentia meu peito subir e descer tão rápido que eu mal conseguia respirar.

Eu sequer conseguia olhar para seu rosto pálido no caixão, como queriam que eu fizesse um discurso explicando a situação? Eu não conseguiria.

Me sentei em uma das poltronas ali, afundando o rosto nas mãos e chorando compulsivamente.

Príncipe Nathan Archbald. Terno de honra, título de honra. Morte de honra.

E ele nunca estaria ao meu lado.

Era desesperador. Era completamente devastador, também. Como queriam que eu superasse a morte de uma das pessoas mais importantes na minha vida?

Eu podia ouvir as pessoas falando, os discursos pós-morte, o quanto ele foi importante... Mas nenhum deles ali dentro estava chorando — exceto suas irmãs, é claro. Era tudo tão falso quanto todo o resto de grande parte de minha vida. Sempre seria.

Não sei dizer quando me levantei ou quando cheguei em meu quarto, também não sei dizer em que momento penteei o cabelo ou em que momento tirei o vestido e coloquei um short e blusa qualquer, qualquer mesmo. Antigos, exatamente como minha felicidade. Pareciam de um passado tão distante que era impossível recuperar.

Acabei deitada na cama, em baixo das cobertas e encarando o teto.

A porta se abriu lentamente, enquanto eu seguia o olhar na mesma velocidade, vendo Caleb Vermont nela. O quê?!

— O que você está fazendo aqui? — Esse andar era proibido para qualquer um, exceto autorizados. Caleb não fazia parte dessa lista. — Você já quebrou a regra vindo aqui antes...

— Seus pais liberaram minha passagem. — Explicou-se, fechando a porta e caminhando até a cama, se sentando ao meu lado. — Sei que dói.

— Não, não sabe.

— Tem razão, não sei. — Ele tirou o paletó, ficando apenas com a camisa social, e também tirou a gravata, deixando os dois na ponta da cama. — Mas eu tenho uma camisa social inteira prontinha para ser lavada com as suas lágrimas. — Olhei para ele incrédula, abrindo então um sorriso brincalhão. Não consegui manter ele por muito tempo.

Ele me abraçou, enquanto eu fazia exatamente o que ele tinha dito: molhava sua camisa por completo.

Foi chorando que eu dormi, mas foi também nos braços de uma das pessoas que eu menos esperava que eu dormi.

Nathan estava morto. E eu não achava que seria capaz de superar isso.

Notas finais
"a invasão tratá consequências irreversíveis na história, mas também trará consequências irreversíveis em ao menos uma das nossas duas princesas." COMO EU DISSE, MUA HA HA HA hahahaha espero que tenham gostado, e apesar do pequeno grande puxão de orelha que dei em vocês nas notas inicias, gostaria MUITO de ver vocês comentando sinceramente o que acharam. Nathan morreu, quem era Team? HUE E QUEM DESEJOU A MORTE DELE (que não foram poucas, by the way) VAI ARDER NO FOGO DO INFERNO, EIN! Para comemorar o dia dos mortos (pelo menos para os católicos é hoje), juntei mais um pra ser enterrado. Sim, humor negro é tudo, provavelmente vou pro inferno mesmo... Enfim, vejo vocês nos comentários u-u (assim espero e.e) http://two-crowns.tumblr.com/