Two Crowns
23 Capítulo XXII
Notas iniciais

Veja bem, as coisas não estavam complicadas. Estavam complexas.
Após a saída de Kyle, restavam apenas nove homens na seleção, e seis concorrendo pelo meu coração — mesmo que ele, de fato, já pertencesse á alguém.
Infelizmente, eu podia ter quantas dúvidas quisesse, eu ainda sim sabia que amava Nathan, e sabia que se não com ele, com quem passaria o resto de minha vida?
Mas eu ainda precisava de segundas opções, e sabia que se estivesse no lugar de muitos príncipes, desejaria desesperadamente uma segunda chance.
Era por isso que eu estava em um encontro com Arthur Gravesen.
E, admitindo, eu sentia falta dele.
Nossa história era bem complicada, mas não impossível de explicar. Ele era três anos e alguns meses mais velho que eu e Alexa, então, quando eu tinha doze anos, ele já estava no auge de seus quinze anos, organizando sua festa estrondosa de dezesseis. Éramos bem próximos, quase como melhores amigos; ele era arteiro, sempre aprontava alguma, o que combinava perfeitamente comigo, eu havia o visitado muitas vezes na Dinamarca, e ele havia visitado á mim e Alexa muitas vezes, também. Naquela noite da festa, eu vi ele saindo sorrateiramente com alguma mulher do salão, e foi quando notei que ele era um garoto, e não mais uma criança. Foi naquela noite, também, que o vi de outra forma. Ele era um garoto, futuramente seria um homem, e ainda mais futuramente seria o rei da Dinamarca. Ele seria um homem. Essa ideia havia me atormentado tanto quanto me admirado. Foi aí que comecei a me apaixonar.
Dois anos e alguns meses depois eu embarcava para visitá-lo e para sua festa de dezoito anos.
Foi quando tentei demonstrar o que sentia, e tudo se acabou em pedaços.
Durante anos, tentei, e tentei mesmo. Tentei até um ano antes da seleção, quando ele partiu meu coração ao admitir que iria se casar no ano seguinte. Não, eu não o amava, mas eu sentia algo forte, provavelmente aquela coisa chamada melhores amigos passando para melhores amantes. Algo do tipo, não me recordava de como era descrito nos livros de romance antigos. Ele havia me humilhado, e eu nunca me esqueceria de quando conversei com Alexa, e ela me disse que era mentira. Ela me abraçou e me apoiou enquanto eu chorava como uma garota que tinha seu coração quebrado — o que, na época, eu realmente achava que tinha acontecido comigo.
E então, depois de alguns dias chorando, eu mudei. Ouvi uma conversa, não me recordo dela muito bem, mas lembro que era de uma criada que estava prestes á se casar quando descobriu que seu noivo a traia com uma garota da casta dois. Ela estava muito irritada — não de coração partido. E então notei que era assim que uma mulher agia. Garotas choravam pelos seus namorados perdidos — ou quase namorados —, mulheres riam na/da cara deles.
Foi quando comecei a sentir raiva de Gravesen.
E ela só piorou com o passar do tempo, até que recebi uma carta informando que ele tentaria minha mão na Seleção.
A seleção ainda não havia sido confirmada, é claro, mas os príncipes já eram convidados, e muitos se candidatavam.
Gravesen se candidatou, e meus pais, sem saberem o que havia acontecido, aceitaram-no.
E á partir desse momento posso narrar o agora, afinal, continuava a história que eu poderia narrar.
— Por que não respondeu minhas duas cartas? — Ah, sim, foram duas. E eu ignorei-as.
— Por que você me humilhou? — Ele respirou fundo, tendo uma expressão de desgosto.
— Sem fugir, Marie...
— Não me chame assim. Não. — Interrompi-o. — Você sabe que não tem esse direito.
Nós caminhávamos pelo jardim sudeste ao palácio, passava do horário do almoço por algumas horas, já que eu havia saído com Caleb mais cedo, assim como havia saído com Dimitri durante a manhã.
— Rose. — Ele segurou meu braço, me parando no meio do jardim, nós dois ouvindo o gotejar da fonte á nossa direita. — Você sabe que eu agi como um garoto.
— E você também, aparentemente.
Ele respirou fundo outra vez.
— Só uma conversa civilizada, apenas uma. É a primeira chance que você me dá, por favor.
Olhei para o horizonte, vendo os campos contínuos, até chegar nas árvores, que produziam sombras grandes por causa do sol. Parecia estar vindo chuva, pois o tempo estava fechando.
— Certo. — Engoli o gosto amargo da contrariedade em minha boca. Arthur abriu um sorriso. — Você quer saber por que não respondi suas cartas, certo? — Ele concordou. — Eu respondi. As duas.
— O quê? — Sua voz saiu baixa, em choque.
— Eu só não enviei elas.
— Por quê?! — Agora sim ele estava genuinamente em choque.
— Porque você não merecia. Arthur, eu chorei por você, eu sofri, eu esperei por anos, eu queria que desse certo. Nós éramos próximos, nós éramos amigos e acima de tudo éramos parceiros, e então... Você foi um crápula.
— Você sabe o significado de crápula? — Ele disse, tentando conter o sorriso.
— Sim. Uma pessoa que explora as outras para seu próprio interesse, normalmente envolvendo negócios. Eu pesquisei antes de lhe dar termos. Esse foi um deles. — Abri um sorriso falso.
— Eu não explorei você para meu próprio interesse.
— Tem certeza? — Ele estreitou os olhos, incerto. — Pois bem, uma vez você explorou. Comércio de Illéa, eu acabei ouvindo por Alexa, eu tinha dezesseis anos, pouco tempo antes da jogada mestre de humilhação. — Ele concordou, se lembrando. — Você me magoou, e infelizmente eu jamais conseguirei confiar em você novamente. É por isso que eu quero que você vá embora. Não posso simplesmente ficar aqui, vendo você tentar, quando meu coração não se abre. Você me magoou de mais, foi o primeiro a fazê-lo.
— Você sabe que não serei o último.
— Sim, sei, e você tem razão, mas sabe aquele ditado: “O primeiro a gente nunca esquece”? Pois bem. — Ele concordou, os olhos tristes. — Eu realmente gostava de você, Gravesen. Se você tivesse permitido, eu teria amado.
— E eu perdi você.
— Acho que você nunca teve.
Ele concordou, seguindo meu olhar para as árvores.
— Talvez eu realmente devesse ir embora.
Neguei com a cabeça, vendo ele me olhar pelo rabo de olho.
— Alexa precisa de você aqui. — Ele me olhou, surpreso. — Você é o melhor amigo dela, Arthur. É você que aconselha ela... Bom, depois de Gabe, mas ainda sim é um grande amigo. E ela se importa com você. — Pausei, suspirando. — Eu só não quero que você crie esperanças comigo, porque não conseguirá nada. Não posso nutrir sentimentos por você quando você mesmo impediu-me de fazê-lo.
Ele concordou com a cabeça, compreendendo.
— Agora entendo como se sente. — Ele se aproximou, me abraçando, e retribui.
Aquele era o encontro mais estranho da minha vida inteira, e acredite em mim, nos últimos tempos eu havia tido muitos encontros estranhos.
Ele se afastou, mas a proximidade continuou, e então se abaixou, juntando nossos lábios.
Não foi um beijo longo, não foi um beijo rápido.
Foi um beijo de adeus.
Ele se afastou, abrindo um sorriso quase que póstumo.
— Cuide-se, Schreave.
Abri um sorriso doloroso.
— Você também, Gravesen.
Ele se afastou sem olhar para trás.
Eu imaginava como Alexa se sentia quando Aaron havia ido embora, mas dessa vez eu havia escolhido isso, e era o que eu queria. Eu precisava deixar Gravesen ir, porque, apesar de tudo o que ele havia feito, eu ainda nutria sentimentos por ele, e eu não podia me permitir isso. Não importava o quanto eu quisesse estar novamente apaixonada por ele, tudo o que eu sentia era uma mísera pontada de afeição juntando-se á raiva. Agora a raiva estava apagada, e a afeição se sobressaía, mas ainda sim era tarde de mais para nós dois nos esquecermos de nossos erros, ou até mesmo corrigi-los.
Aquilo doía, mas era o certo á se fazer.
Acredito que eu fiquei muito tempo parada ali, impassível, até sentir uma mão tocar meu antebraço. Virei para o lado, vendo Caleb.
— Tudo bem, Rose? — Ele perguntou, preocupado. — Fiquei esperando você se mover, mas parecia que você tinha visto um defunto. Está aqui há um tempão.
Concordei com a cabeça, olhando a porta que Arthur havia passado um tempo atrás.
— Está tudo bem, agora está. — Ele me olhou como se eu fosse louca, e com razão. — Gravesen e eu nos resolvemos. — Caleb concordou, entendendo, e então passou o braço pelos meus, me apertando.
— Rolaram lágrimas da parte dele? — Ele disse, esperançoso.
— Claro que não! — Falei, bufando.
— Droga. — Caleb riu, e acompanhei-o.
Encarei por mais alguns segundos a porta e suspirei, olhando para Caleb.
— Então, como vai você... depois dessas horas sem me ver? — Não tinha uma mísera ideia de quanto tempo havia se passado após nosso último encontro, mas parecia não passar de quatro horas.
— Vou muito bem, Alteza. — Ele me olhou de cima abaixo. — Não é como se você fosse o centro do meu mundo. — Revirei os olhos para ele. — E você?
— Muito bem, até beijei alguns outros príncipes por aí. Nem senti sua falta.
— Ah, é? Talvez eu devesse começar a beijar Alexa, também.
— Nem se atreva. — Ele sorriu, dando um beijo em minha testa.
— Não trocaria você por ela, acredite. Á não ser que ela se passasse por você, coisa que descobri que ela realmente fez com Kyle.
— É, eu também fiz isso com ele. — Caleb riu fracamente.
— O coitado deve ter ficado tão perdido...
— Perdidamente astuto, era isso que ele era. — Caleb me olhou, questionador. — Ele estava jogando nos dois times. E eu não quero perder você dessa maneira.
Ele sorriu, se aproximando de mim.
— Eu não pretendo que você sequer me perca, Schreave. — Piscou, se aproximando, prestes a me dar um beijo.
Eu não conseguiria.
Parei ele segundos antes do beijo acontecer.
— Não posso fazer isso, não com Arthur. — Ele suspirou, mas concordou, mesmo que insatisfeito.
— Seu pedido é uma ordem. — Ele se afastou por completo, e ali estava outro coração doendo. Infelizmente ser afastado doía, e eu sabia disso. Mas tanto Arthur quando Nathan mereciam respeito. — Nos vemos no jantar? — Ele sequer esperou para ouvir o meu “claro”, e ele já desaparecia pelas sombras do anoitecer.
Anoitecer?
Caramba, quanto tempo eu havia ficado ali?
Droga, droga, droga. Saí caminhando pelo lado contrário de Caleb, correndo pelos campos rapidamente, mesmo que meus pés latejassem.
Felizmente não havia ninguém tão desesperado atrás de mim, muitos ainda acreditavam que meu encontro com Gravesen estivesse ocorrendo, então não havia muito pânico pairando sob o palácio.
Me aprontei rapidamente para o jantar, então liberando minhas criadas e chamando Gabe.
— Preciso da sua ajuda, soltado Leger. — Falei assim que a porta do quarto se fechou, com o mesmo me encarando maliciosamente.
— Envolve o Archbald? — Revirei os olhos para ele.
— Você é tão previsível, Gabriel.
— Aposto que envolve.
— Ok, você ganhou, envolve. — Ele sorriu vencedor. — Durante a janta, preciso que você coloque-o no quarto do príncipe. Após a janta minhas criadas devem me aprontar e então vou liberá-las. Amanhã cedo precisarei que elas venham mais cedo; você poderia garantir isso para mim? — Ele maliciou ainda mais, e com pura razão.
— Seu pedido é uma ordem, Vossa Alteza. — Ele parou ao meu lado, já que eu estava sentada frente á penteadeira, e colocou a mão em meu ombro. — Vi Gravesen conversando com Alexa agora a pouco, e ouvi parte da conversa. É verdade que você ele se acertaram?
Concordei com a cabeça, encarando o espelho á minha frente.
— Também é verdade que nós dois estávamos magoados e nos afastamos completamente.
Gabe concordou, se postando atrás de mim e segurando meus ombros.
— Sabe esse rostinho que você vê no espelho? — Concordei, esperando a continuação. — Aposto que é ele que vai governar Illéa.
— Gênio, é óbvio que vai. Alexandra ou eu, não importa, o rosto vai ser o mesmo. — Ele negou.
— Falo de você, Rose. Eu sinto que Alexa não vai terminar vivendo nesse castelo.
Franzi o cenho, encarando ele por cima, e não pelo espelho.
— Por quê diz isso?
— Porque guardas ouvem muitas coisas, Rose. — Ele apertou meus ombros. — Estou orgulhoso de você, Schreave. Você superou qualquer expectativa e provou ser capaz, se não para seus pais ou para o país, mas para mim. — Senti meus olhos lacrimejarem, e ele sorriu. — Viu? Você vai ser uma rainha com sentimentos! — Ele animou-se, recebendo um revirar de olhos como respostas. — Ok, vou sair daqui antes que a próxima ordem que eu receba seja de atirar no meu crânio. — Sorri para ele enquanto ele saía do quarto.
Virei meu rosto para o espelho novamente, a dúvida tão antiga voltando a me corroer:
Quem será próxima rainha de Illéa?
Empinei a cabeça, olhando o horário, e então me levantei, ajeitando a coroa de princesa.
Não importava quem fosse se tornar a rainha, não agora, afinal, o agora eram nossas escolhas, e elas definiriam isso.
Céus, o destino era um desgraçado.
Assim que a janta terminou, minhas criadas já esperavam em meu quarto, me aprontaram para dormir, e então se retiraram com minha confirmação de que estariam mais cedo em meus aposentos. Gabriel garantiria de que os guardas não estivessem por um determinado período em seus postos, ao amanhecer.
Assim que eu estava apenas com um roupão fino e minha camisola, abri a porta do quarto do príncipe.
Nathan estava sentado na mesma poltrona que eu havia estado sentada dois dias atrás.
— Sério que você demora tanto assim pra apenas se arrumar pra dormir? — Perguntou, se levantando e me abraçando. Não pude deixar de abrir um sorriso radiante.
— Eu demoro mais ao acordar, você não vai querer presenciar isso. — Ele concordou.
— Com certeza não.
Aproximei nossos rostos, começando um beijo lento.
Ele se afastou alguns segundos depois.
— O que eu estou fazendo aqui, Rose?
E ali estava o pensamento que eu havia escondido durante todo o meu dia.
— Eu amo você, Nathan Archbald. E é você que eu quero, é você que pretendo encontrar ao subir no altar. — Ele me encarou um tanto quanto atônito, provavelmente não pela última parte, mas pela primeira. Nunca havia falado aquilo tão clara e diretamente.
Ele colou nossas bocas, passado o choque, enquanto sentia suas duas mãos apertarem minha cabeça, com força, quase desesperado.
— Eu nunca me arriscaria da maneira que me arrisco por qualquer outra pessoa, Rose. Eu amo você, também, e acredite, mesmo que você não ganhe a coroa de rainha, mesmo que você sequer se torne alguém importante, você é e sempre será a minha rainha. — Ele provavelmente ia continuar o monólogo, mas o interrompi com minha boca, e dessa vez não paramos.
Era disso que eu precisava. Era de uma dose de realidade, amor... E bem... É.
Puxei-o de volta para meu quarto, já que não seria nada legal para mim — e para qualquer outro homem dentro do palácio — que o quarto do futuro príncipe acordasse completamente revirado. Nathan fechou a porta, nos virando e me pressionando contra ela, seu corpo completamente tenso. Suas mãos subiram pela minha cintura, desceram... uma delas foi até minha nuca, me mantendo presa ao seu beijo. E céus aquilo sim era um beijo. Ele nos puxou, caminhando de costas pelo quarto, o caminho perfeito até minha cama. Sua gravata foi jogada em um canto, o paletó caiu no chão, a camisa se juntou á ele logo em seguida... Meu robe se juntou á suas roupas segundos depois. Uma calça e uma camisola separavam-me de tudo o que eu pretendia.
— Rose, você tem certeza? — Ele parou, interrompendo o beijo e me encarando. Nós dois parados no meio do quarto, um encarando o outro. — Existem leis.
— Nate, é isso que eu quero. — Pausei, abrindo um sorriso levemente malicioso. — Eu sou uma princesa de Illéa, existem leis que eu posso e vou quebrar. — Puxei-o pela calça para mais perto, enquanto ele abria um sorriso. Ele recomeçou o beijo, dessa vez mais desesperado e sem nenhum pudor. Ele iria até o final, agora. — Camisinha... Mesa de cabeceira. — Falei, nos afastando, ele entendeu o recado, abrindo minha mesinha de cabeceira á nossa esquerda, pegando uma camisinha e jogando-a em cima da cama, então voltando para mim.
— Mais alguma coisa que pretenda interromper, Alteza? — Provocou, me pegando pela cintura e abrindo um sorriso malicioso.
— Não.
— Espero que esteja certa, porque essa vai ser uma das primeiras noites de sono que você vai perder. — Ele se aproximou, me beijando novamente, e dessa vez as coisas realmente... esquentaram.
Era disso que eu precisava.
Nathan desceu suas mãos pelas minhas pernas, descendo até minhas coxas e então me levantando, nos virando e caminhando comigo em sua cintura até a cama, onde ele me soltou, subindo por cima e pressionando nossos corpos.
Naquele momento eu não era uma princesa de Illéa ou a possível rainha. Eu era Rose, e ele era Nathan, e nada nos impediria de ir á fundo.
Subi minhas mãos pelos seus braços, trancando-as em seu cabelo e então subindo minhas pernas, para trancá-las novamente em sua cintura.
Suas mãos subiram pela minha camisola, levantando-a quase que completamente, e então ela já estava fora de meu corpo, juntando-se as roupas que já estavam no chão.
Sua cintura pressionou a minha, enquanto eu descia minhas mãos pelo seu peito, indo até a calça social e começando a abri-la. Ele chutou-a para longe, tirando as meias com uma mão.
Ele voltou a atenção para meu corpo, mais uma vez. Sua boca encontrou meu pescoço, dando um beijo seguido de um chupão lá, que com certeza deveria deixar marcas. Nathan desceu os beijos até o vão entre meus seios, e então meu sutiã já estava longe. Suas mãos apertaram minhas coxas, que se mantinham em volta de sua cintura, e ele chegou em meu colo, levantando o olhar para me encarar antes de me afastar e tirar minha calcinha.
Ele subiu seu corpo, colando nossos corpos por completo, e tudo o que nos separava agora era sua cueca boxer. Eu fui criada para nunca dizer palavrões, mas... puta merda.
O volume era extremamente notável, e eu precisava de mais. Não era mais um beijo, não era mais questão de um encontro ou de amá-lo. Eu precisava disso e... caramba, era muito desesperador.
Ele tirou a cueca, colocando habilmente a camisinha, e então voltou sua boca para a minha, começando um beijo deliciosamente provocante.
Tirei minha boca da dele, descendo beijos por sua clavícula, então parando ao sentir ele começar a me penetrar.
— Pode doer. — A voz rouca no meu ouvido cortou qualquer sensação de dor que eu poderia pensar em sentir. Não minto ao dizer que ardeu, mas doer? Não. Uma pequena sensação de desconforto, e então, pronto.
Os movimentos dele foram aumentando a velocidade, mas todo o calor que ele sentia antes não era nada comparado á agora, já que nossa situação estava feia. Nathan usava todo o seu autocontrole para não me machucar, mas ele mesmo estava perdendo o controle. Mas, por incrível que pareça, quem perdeu o controle antes foi eu.
— Nathan... — Eu perdi a voz antes mesmo de continuar a fala, já que ele aumentou por completo a velocidade.
Levantei as pernas, trancando-as em sua cintura e arqueando o corpo ao encontro do dele. Ca-ram-ba. Meu Deus. Céus.
Por que meus pais não tinham tido mais filhos?!
Senti meu corpo tremer, e não pude conter um gemido, mas não, eu não cheguei em meu orgasmo. Eu estava quase lá, e... caramba, tão longe. Senti a boca de Nathan em meu pescoço, descendo por ali, também senti suas mãos em minha bunda, enquanto tudo o que eu conseguia era segurar em seus ombros. Mais tarde ele desejaria que eu não tivesse unhas são bem feitas.
Não pude conter um gemido ao sentir ele apertar ainda mais as mãos em meu corpo, e lá estávamos nós. Não, não foi o tão ridículo “clichê” de chegar no orgasmo ao mesmo tempo. Ele chegou primeiro, e eu o segui rapidamente.
E nenhum de nós dois estava pronto para terminar a noite. Nem perto.
Tínhamos pela frente uma noite inteira juntos, e iríamos aproveitá-la. Aquele foi apenas o primeiro “round”.
Quem disse que as primeiras vezes eram ruins, que eram dolorosas ou que não era possível ter um orgasmo, provavelmente estava errado. Pelo menos comigo.
Céus, muito errado.
Acordei com batidas na porta.
— Alteza? — Bufei, vendo Nathan dormindo ao meu lado.
Beijei seu pescoço, enquanto ele se arrepiava e eu via um sorrisinho aparecer em seu rosto.
— Bom dia. — Falei baixinho. — Já vai! — Falei alto, e ouvi Carmiryn concordar do outro lado.
Nathan se virou, me beijando e apertando minha cintura com força.
— Nós temos uma aula as três da tarde, lembre-se disso. — Lembrou-me.
— Não iria esquecer por nada. — Ele se afastou, me dando uma última olhada antes de começar a se vestir.
Me levantei rapidamente, também, e vesti o resto de minhas peças, já que estava apenas de roupas íntimas.
Assim que a porta do quarto do príncipe se fechou destranquei a de meu quarto.
Todas as três criadas me olhavam curiosas... Até notarem a bagunça óbvia no quarto.
Elas entraram sorrateiramente, enquanto eu via Gabe no corredor — o mesmo piscando para mim.
— Por favor, Alteza, conte-nos tudo! — Pediu Carmiryn, ansiosa, e não pude conter um suspiro sonhador.
— Com uma condição. — Impus, e as três me encararam, ansiosas. — Isso não sairá daqui até que eu informe meus pais. — As três concordaram, e desatei á contar tudo, escondendo alguns detalhes, é claro, mas não escondi que ele era um plebeu. Não mais.
Estava decidido: eu contaria ainda hoje á Maxon e America minha escolha. Não podia deixar que toda essa seleção continuasse quando meu coração não estava nela, e nem meu corpo. Nathan havia se comprometido por completo comigo, era minha vez de fazer o mesmo.
Após arrumar o quarto e me aprontar para o café da manhã, desci para o mesmo já pronta para minha cavalgada matinal que há muito tempo não fazia. Á noite realmente parecia ter caído uma chuva fina, mas mal haviam sinais dela durante a manhã.
Parecia que todos os príncipes estavam de bem com a vida, assim como Alexa e eu, e até mesmo nossos pais estavam sorrindo mais que o comum. Era como se uma aura tivesse se instalado sob o palácio e não quisesse sair. E ela era incrível. Não queria que aquilo acabasse nunca, era como se tudo estivesse conspirando ao meu favor, e eu amava isso, era... eu simplesmente não tinha uma expressão boa o suficiente para descrever o sentimento.
Saí rapidamente do café da manhã, mesmo que ainda tivesse me demorado sob o olhar acusatório de Maxon, e então fui para os estábulos seguida da guarda real da Vossa Alteza Rosemarie Annabelle Schreave — céus, isso era irritante. Quem dera eles fossem apenas dois ou três como antes, mas agora eles já estavam se tornando quase quinze. Cinco vezes mais que antes dos rebeldes decidirem retornar. Claro, tínhamos motivos para isso, mas ainda sim era complicado. Antes eu podia ignorar os fatos, agora eles eram esfregados na minha frente: eu era importante, eu tinha que ficar viva, eu era uma das duas herdeiras vivas para o trono de Illéa, eu não podia morrer, eu tinha responsabilidades.
Montei em minha égua favorita, saindo correndo pelos campos.
Isso era liberdade.
Claro que a última noite ainda era um desconforto — podia não doer, mas era só na hora. Provavelmente quem disse que doía deveria estar se referindo ao depois, porque olha... Era um desconforto grande que eu adoraria que não existisse, mas a noite anterior compensava. Nathan compensava, e minha escolha também.
Eu estava tentando convencer um guarda que corria ao meu lado á apostar comigo quando ouvi o som, e fui imediatamente cercada pelos quinze guardas. Não havia mais apostas para corrida de cavalos, e eu sabia que meu rosto poderia ser impassível, mas meus olhos... Eles espelhavam terror.
O grito desesperado, o grito de morte.
Eu estava no meio de um campo aberto, com um palácio á quase dois quilômetros de distância e uma floresta na metade do espaço...
A invasão de rebeldes estava finalmente acontecendo.
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