Notas iniciais
Olá, pessoal! Boa noite á todos hahhaah um capítulo da Rose pra vocês, então, obviamente, é a Cams aqui. Espero que gostem!

Eu corria pelo jardim, o mais rápido que conseguiria. Tinha uma bola do que antes era chamado futebol americano em minhas mãos, e Caleb tentava pegá-la á todo custo. Como eu estava com um vestido longo, e ele com um terno e sapatos desconfortáveis, nenhum de nós conseguia correr muito, mas ele me alcançou rapidamente, talvez pelas pernas maiores, ou habilidade, ou por realmente ser bom em correr, mas quando me alcançou, podia-se ouvir meus gritos e risadas enquanto ele me segurava de costas para ele, pela cintura, e apertava minha cintura, me girando para soltar a bola.

— Solte! — Ordenou, mas suas risadas não fizeram a ordem ser muito firme.

— Não! — Gargalhei, sentindo ele apertar minha barriga, fazendo as cócegas mais rapidamente. Agarrei a bola com mais força.

Nós dois gelamos quando vimos o rei de Illéa nos encarando por uma janela do segundo andar. E então Maxon abriu um sorriso, e saí do torpor, saindo correndo, enquanto ouvia Caleb bufar e voltar a correr atrás de mim.

Quando ele me pegou a segunda vez, a bola saiu de minha mão em míseros segundos, e ele voltou a correr. Saí correndo atrás dele.

Fomos interrompidos por Maxon, que descia os degraus até o jardim que corríamos com meus saltos em mãos.

— Sr. Vermont. — Eu e Caleb paramos lado a lado, como crianças que foram pegas fazendo alguma travessura. — Rosemarie. — Abri um sorriso inocente, enquanto ele me entregava os saltos. — Sinto muito, Sr. Vermont, mas terei de roubar Rose de você por alguns instantes.

Caleb concordou, se despedindo, mas deixando claro que nos veríamos mais tarde, e então Maxon me apoiou, para que eu colocasse os saltos. Infelizmente tanto meu vestido quanto meus pés estavam sujos de grama, e não estava muito confortável daquela maneira.

— O que foi? — Perguntei, arrumando meu vestido de maneira que o mesmo ficasse o mais apresentável possível. E então nós dois começamos a caminhar em direção ao palácio, ele provavelmente me acompanharia até o quarto, para ter certeza absoluta de que eu não iria andar por aí aos farrapos.

— Você precisa dar mais atenção aos outros príncipes. Muitos ainda não tiveram um encontro sequer com você ou Alexandra, Rosemarie. Sei que você tem algumas preferências, mas você precisa abrir um pouco mais suas opções. — Suspirei, deveria ter imaginado que algo do tipo viria pela frente. — E também gostaria de saber como está seu projeto.

— Está indo bem. — Dei de ombros.

— Precisa de ajuda?

— Não, eu já estou com praticamente todas as ideias dele prontas, apenas precisarei organizá-las e ao projeto, e então ele estará finalizado. — Falei, inflando o peito de orgulho.

— Mesmo? — E aí estava meu orgulho indo por água á baixo. Ele não tinha tanta certeza de que eu estava falando a verdade, e, afinal, por que teria? Eu nunca tinha sido responsável daquela maneira, nunca tinha provado que poderia ser, era a primeira vez na vida que eu estava fazendo-o. Então, nada mais justo do que permitir a dúvida de meus pais. — Bem, estou ansioso para vê-lo. — Alexa sempre foi a irmã responsável, que entregava tudo impecável e corretamente, não eu. Queria que meus pais pudessem saber que eu era capaz disso, que pudessem ter orgulho, mas eu também sabia que precisaria de muito mais do que apenas míseras palavras, eu precisava de ações, provas. E as daria quando fosse a hora. Hora que não era agora. Precisava provar que seria uma ótima rainha, mesmo que não fosse terminar essa Seleção sendo uma.

Abri um sorriso contido, e nós dois já estávamos dentro do palácio, caminhando pelos corredores e subindo as escadas.

— Ficarei por aqui. — Falou, parando comigo no segundo andar e me dando um beijo na testa. — Troque esse vestido, a propósito. — Ele me deu uma piscadela, e então se virou, caminhando tranquilamente, como um rei deveria, até seu gabinete.

Fui parada por Gabriel na metade das escadas.

— Gabe? — Ele me olhava preocupado.

— Sua irmã.

— O que tem Alexa? — Eu sentia meu coração em meus ouvidos, e devo constatar que a sensação não é lá das melhores.

— Ela... — Ele suspirou, passando as mãos pelos cabelos perfeitamente alinhados. — Alexa está muito mal, Rose. Sei que ela parece estar bem e estar melhorando, mas não está. Ao menos não que eu note. Ela continua trocando cartas com Aaron, e Arthur — espere aí... Gravesen? — me avisou de que talvez não seja uma boa ideia ela continuar confiando em Aaron dessa maneira.

— E por que diz isso? — Perguntei, preocupada.

Segui o olhar de Gabe para o segundo andar, vendo dois príncipes subindo as escadas do primeiro andar para o segundo. Gravesen e West.

— Um lugar mais privado? — Ofereceu Gabe, recebendo apenas um aceno de concordância. Eu sustentava o olhar de Gravesen, que me encarava da mesma maneira... Ou não. Eu olhava para ele prestes á pular em seu pescoço — e não com sentimentos muito bons em mente, acredite —, já ele... Bem, tinha o olhar que eu tinha por ele alguns anos atrás. Levei um susto quando Gabriel tocou meu pulso, chamando minha atenção, e apenas dei uma última olhada em Gravesen antes de me virar e subir os andares que restavam até estar no corredor do terceiro andar.

Assim que entrei em meu quarto, me deparei com Ester arrumando minha cama. As outras duas não estavam ali, então foi mais fácil do que eu esperava ficar sozinha com Gabriel.

— E ai? — Gabriel foi comigo até estar próximo da varanda, e ainda olhava para a porta, preocupado.

— Meu pai sabe das coisas, você sabe... — Concordei com a cabeça, Gabriel continuava olhando desconfiado para a porta. — E ele me falou que... — Parei ao notar o relógio em minha cômoda. Eu estava atrasada para a aula de música, aula cuja qual eu havia esquecido por completo. Nathan poderia, ou não, estar preocupado. — Rose? — Ele tinha falado mais alguma coisa, mas eu sequer tinha notado, meus pensamentos estavam completamente voltados para Nathan, e eu havia esquecido de até mesmo Alexa e de seus problemas.

— Sim? Desculpe-me. Pode falar. — Gabe engoliu em seco.

— Talvez não seja nada, talvez eu deva deixar pra lá.

— Talvez não é uma palavra convincente, Leger. Ou é, ou não é.

Ele se afastou de mim, parecia completamente em pânico, como se não soubesse o que fazer ou como agir, e aquilo era estranho, muitíssimo estranho. Nunca tinha visto ele agir daquela maneira, nem perto daquilo. Gabe sempre foi extremamente seguro com suas emoções, e quando as demonstrava nunca eram negativas. Algo muito ruim estava acontecendo, e agora, apenas com uma distração minha, ele havia se afastado e se fechado por completo.

— Acho melhor deixar para depois, você parece ocupada, acho que está atrasada para alguma aula, não é? — A esse ponto ele já havia chegado na porta de meu quarto, e já a abria.

— Gabe! — Fui atrás dele, mas ele apenas fez um gesto negativo com a cabeça, fechando por completo sua expressão. O que estava incomodando ele tanto á ponto de ele sequer confiar no próprio julgamento para compartilhar comigo? E o que ele tinha dito sobre o pai dele saber...? O que o pai dele tinha lhe falado? Algo com Alexa e Aaron, mas eu não fazia ideia do quê poderia ser.

E á esse ponto eu já estava sozinha em meu quarto. Completamente sozinha, preocupada, assustada, atrasada e em farrapos.

Carmiryn, Ester e Ane, minhas criadas, me trocaram rapidamente, assim como me ajudaram á limpar as pernas — exatamente isso, não apenas meus pés estavam sujos, como minhas pernas também. Como? Eu não sei. Bom, eu tinha algumas ideias, mas eram humilhantes de mais para compartilhar com meus próprios pensamentos.

Meia hora atrasada eu entrava na sala de música.

Nathan anotava alguns papéis sentado no piano, mas assim que me viu levantou-se.

— Alteza. — Revirei os olhos para ele.

— Precisamos conversar.

— Claro, sobre o que a senhorita quer conversar? — Trinquei os dentes, me sentando com força no piano, local onde ele estava sentado segundos atrás.

— Você sabe perfeitamente sobre o quê. — Ele colocou uma partitura perfeitamente alinhada na minha frente.

— Sei? — A voz da inocência, não é mesmo? — Sei que você passou uma noite no salão dos homens, sei que você anda saindo com vários príncipes, sei que já visitou o quarto de alguns, e também sei que princesas gostam de jogar com plebeus. Tudo é uma conquista. — Ele falou com amargura, praticamente cuspindo as palavras em mim. — Ah, esqueci de comentar que tenho algumas hipóteses de vários homens para quais você já mostrou o futuro quarto de príncipe de Illéa para eles? — Fechei os punhos com força, deixando minhas mãos em cima do teclado do piano, mas sem permiti-las tocar uma nota sequer.

— Terminou? — Ele concordou com a cabeça, batendo fraquinho na partitura, num aviso de que eu deveria começar a tocar. — Minha vez. — Fiz uma pausa antes de pegar fôlego. — Passei a noite no salão dos homens porque ao invés de sair com Caleb Vermont, corri para meus aposentos, para que pudesse passar uma noite com você. O que eu encontrei? Um local vazio. — Apontei para a porta enquanto desferia as frases seguintes. — Vários príncipes estão extremamente interessados em ter a mesma chance que você teve nos últimos dias, chance a qual você está desperdiçando por nada. Eu tenho que sair com esses homens, Nathan. Eu tenho que me divertir com eles, e não, não irei mentir para você, gosto de muitos deles, mas nunca menti para você, assim como não minto sobre isso: Você foi o único homem presente nesse palácio, exceto pelo meu pai e alguns guardas, obviamente, á ver aquele quarto. Sabe por quê? Por que eu realmente acreditava que você poderia ser capaz de notar a diferença entre flertes inocentes e necessários e algo bem mais sério. Você não foi o primeiro que beijei, mas foi por você que não continuei minha lista de homens para beijar. Vermont respeitou quando pedi para ele isso, mas estou prestes á não pedir mais. Você pode não entender a magnitude do que se meteu, mas eu estou metida nisso há mais de dezoito anos! — Minha voz já estava um pouco elevada, então tive que abaixá-la, mesmo que contra gosto. Estava desabafando tudo que precisava, e eu não ia sair daquela sala antes de falar todo o resto que ainda não tinha falado. — Eu não posso me permitir ter apenas uma opção de escolha. Não posso simplesmente olhar para meu pai e dizer que tenho o maior e melhor pretendente em minhas mãos e chutar outros vinte e poucos príncipes para seu país de origem. Eles são príncipes, futuramente controlarão nações! Eles tem o poder de esmagar pessoas com apenas uma palavra: guerra. Você provavelmente seria o primeiro a morrer em uma, se eu simplesmente olhasse para todos eles e dissesse que nenhum deles é o escolhido. Tudo é um jogo de poder aqui, tudo é política, até mesmo meu coração. — Fiz uma pausa, recuperando o fôlego. — Quando eu falei com você, quando conversamos sobre isso, mesmo que por cima, eu acreditei que você entendesse isso. Agora vejo o quanto estava enganada.

E com isso me virei por completo para o piano, novamente, decidida á começar a tocar, mas ele me interrompeu, tirando a partitura de minha frente. Me virei, pronta para lhe dar um grande esporro, quando o vi de olhos fechados, o maxilar completamente trincado e uma de suas mãos — a que não segurava a partitura — fechada em punho.

— Você tem alguma noção de que eu não sei nada sobre como é seu mundo? Não sei nem como segurar um talher do modo que aqueles príncipes seguram! — Fechei o teclado, irritada. Não íamos ter uma aula digna hoje, e nem tão cedo, nesse ritmo.

— Eu não estou preocupada com o jeito que segura os talheres! — Bufei, ainda mais irritada.

— Eu sei que não! — Ele rebateu. — Mas, Rose, puxa vida, você tem noção de quanta pressão tenho sob meus ombros? Todo dia eu vou para casa, todo dia á noite eu chego em casa e vejo minhas irmãs ali, esperando por informações de como dar aulas para as Princesas é. Todo dia eu me pergunto: E se eu estiver enganado? E se eu não for o escolhido, Rose? E se eu me meter de cabeça nisso tudo, me permitir de sentir por completo tudo o que eu quero sentir por você, e então no final você simplesmente quebrar o meu coração ficando com outro? Você tem vários homens, um mais bonito que o outro, mais bem estudado que o outro, para consertar seu coração. Eu não tenho nenhuma outra mulher, nenhuma pretendente. Dediquei minha vida á musica para que assim pudesse dar um futuro digno para minhas irmãs! Você, como mesma disse, nasceu nisso tudo, cresceu assim e sempre soube que ou seria rainha, ou ainda estaria ligada á fortes laços com uma. Eu não, Rose. Nunca quis ser príncipe, e futuramente rei, nem pensei nisso. Nunca quis estar na capa de uma revista.

Fechei os olhos com força, apoiando meu rosto em minhas mãos, e os cotovelos no piano.

Alguns segundos, minutos, horas depois, senti sua mão em meu ombro.

— Você não vai responder nada?

— Responder o que? Que você nunca quis ser a única coisa que eu posso lhe oferecer? É um pouquinho complicado, não acha? — Rebati, o que fez ele suspirar, cansado.

— Você discutindo comigo é bem menos assustador do que esse silêncio. — Ele falou, baixinho, e não pude conter uma risada fraca. — Não posso lhe oferecer nada, Rose, e essa é a pior parte. Eu sempre sustentei minha família, eu sempre sustentei minhas irmãs e minha mãe. Meu pai sempre foi muito doente, e nunca conseguiu nada melhor para nós. — Ele fez uma pausa, deixando o silêncio pairar sob nós. — Eu queria lhe oferecer alguma coisa, mas não tenho o que oferecer.

Como nós não teríamos uma aula decente por hoje, me levantei e o encarei, voltando á ficar levemente irritada.

— Aí que você se engana, Sr. Archbald. Você tinha algo á oferecer para mim, sim. E você desistiu disso por medo. — E com isso me virei e saí, deixando um homem em silêncio para trás, apenas com o som de uma porta se fechando entre nós dois.

Eu não sabia em que posição estávamos agora, mas, se fosse para apostar numa escala de zero á dez, eu diria três.

Meu coração doía enquanto eu caminhava pelo primeiro andar, sem rumo. Eu deveria parecer alguém muito perdida, mas não me importava. Nem por um segundo. Apesar de que minutos depois tive que me importar. Ester surgiu no final do corredor, caminhando rapidamente em minha direção.

— A senhorita queria falar comigo? — Olhei para ela confusa. — A Vossa Majestade disse que...

Claro que sim. Interrompi-a.

— Queria que você marcasse três encontros durante essa tarde para mim. As duas horas com Alex Toil, as três e meia com Denis Prado, as cinco com Kevin DeLuca. — Ela concordou, tirando um bloquinho de notas de um dos bolsos de seu uniforme.

— Mais alguma coisa, Alteza?

— Hm... Após o jantar, avise o Sr. Davis para esperar acordado em seu quarto. — Ela concordou. Eu devia duas horas de um dia para William, hora de pagar a dívida.

Nas minhas horas vagas até o almoço — que não eram muitas — trabalhei em meu projeto, e assim que os três encontros durante minha tarde acabaram, pude me sentar, relaxando no salão das mulheres, apreciando a solidão. Solidão que não durou muito tempo, principalmente não todo o tempo que eu gostaria de que tivesse durado.

Alexa entrou no Salão, com sua gatinha em seus braços e com uma dama de companhia ao seu lado, a mesma que segurava duas pranchetas. Eu conhecia aquelas pranchetas.

— Obrigada, senhorita. — Alexandra agradeceu, enquanto a dama me entregava as duas pranchetas e Alexa se sentava no sofá, ao meu lado. A gata em seus braços pulou, ficando entre nós duas, mas parecendo se divertir com meus dedos.

Assim que a mulher saiu dali, Alexa bufou.

— Não suporto essa garota, vou falar com America para mudar algumas coisas com minhas damas de companhia. Anda vendo as suas?

— Hora ou outra, deixei o aviso para Maxon esses dias de que não queria saber delas durante a Seleção. — Alexa me olhava como se considerasse a ideia para si mesma. — Mas e ai, o que foi? — Ela sorriu, batendo fraquinho nas pranchetas que estavam em meu colo, e então pegou a sua.

— Não acha que temos muitos príncipes sob nosso teto? — Soltei um suspiro, avaliando todos os nomes em minha lista e vendo alguns poucos xises. — Deveríamos mandar um ou dois para casa, Rose. Eles acabam ficando aqui para nada, perdendo o tempo útil que tem para encontrar mulheres que estejam realmente interessadas. De acordo? — Concordei com a cabeça, avaliando minha lista.

— Fechado. Quem você tem em mente?

— Kol Peterson e Dustin Hemsworth — Ela citou os nomes, fazendo um xis vermelho ao lado de cada um dos nomes. A maioria dos nomes em sua lista tinha xises pretos, exceto por dois. Já os vermelhos mostravam todos que já tinham saído e os que ela realmente queria mandar para casa, notei. Assim como eram apenas o que nós duas tínhamos conversando previamente. Fiz os xises em minha planilha, também. Não tinha saído com nenhum dos dois, mas ela deveria ter tido algum momento com eles, e eles não pareciam lá grande coisa, também.

Avaliei minha lista, pensando nos encontros que tive durante a tarde.

— Denis Prado e Alex Toil. — Informei.

Menos quatro participantes na Seleção. Restavam apenas dezessete. Dezoito já haviam saído. Bem, ou iriam ainda essa noite.

Alexa concordou, também riscando os nomes de sua lista.

— Peterson e Hemsworth ficam por minha conta, Prado e Toil ficam com você, fechado? — Falou, recebendo um aceno de concordância. A gatinha, Ophelia, pulou na caneta de Alexa, tentando tirar sua tampa, e recebendo um tapinha fraco na cabeça.

— Por que eu não poderia ter ganhado a gata? — Passei a mão na filhote, ouvindo ela ronronar. Pude ver Alexa revirar os olhos.

— Você não me falou o que ganhou dele, a propósito.

— Ah, um diário.

— “Ah, um diário”. — Me imitou. — Detalhes, Rose.

E foi assim que voltamos ao estágio inicial de irmãs que pegam no pé uma da outra. Fomos interrompidas alguns minutos depois por uma criada informando que a janta já havia sido servida. Assim que ela saiu dali, continuei a conversa.

— E Aaron? — Alexa abriu um sorriso triste, a gata pulando de seu colo para o chão, e então saindo correndo pelo salão, decidida á descobrir um novo mundo. Que aproveite ela o que eu e Alexa não podemos fazer.

— Ele está bem. Mas a distância... — Ela respirou fundo, e pude ver que usava grande parte de seu autocontrole para não derramar uma lágrima sequer. — Ela é muito cruel, Rose.

Concordei com a cabeça, sorrindo fraco.

— Em breve, talvez essa distância seja quebrada. — Alexa abriu um sorriso verdadeiro para mim, mas o mesmo não chegou em seus olhos. Era o melhor que eu ia conseguir ganhar quando o assunto era Aaron, isso eu podia apostar.

— Espero que sim, Rose. Realmente espero.

Concordei com a cabeça, e então nós duas viramos nossas cabeças com tudo ao ver a gata de Alexa cair da cadeira que brincava — e tinha virado — num baque alto no chão.

— Tinha que ser. — Alexa se levantou para ir atrás da gata, resmungando, e alguns minutos depois já estávamos no salão de jantar, em meio á outros dezessete príncipes e o rei e rainha de Illéa.

Uma hora depois eu batia na porta do quarto de William Davis, o mesmo abrindo-a com um sorriso genuíno no rosto.

— Sentiu minha falta? — Brinquei, com o príncipe sorrindo e levando minha mão aos seus lábios.

— Diria que aproveitar um pouco de minha noite na sua companhia faz com que eu esqueça da falta que a senhorita faz, mas soa clichê de mais, então, sim, senti. — Um sorriso completamente verdadeiro se abriu em meu rosto. — Quer entrar? — Perguntou, cauteloso.

— Claro, por quê não? — Ele concordou, abrindo mais a porta e me permitindo entrar.

Eu já conhecia seu quarto, mas ele não sabia disso, então fui até as fotos de família que ele tinha em quadros em uma das paredes do quarto, a mesma que ele tinha uma estante de livros vinda do chão até certa altura.

— Esse é o rei da Austrália. — William colocou o dedo no terno de seu pai, e então levou o dedo mais ao lado, para o homem que eu havia conhecido em minha festa de aniversário, seu irmão mais velho e futuro rei da Austrália, sucessor do trono. — Meu irmão e futuro rei, mas você já conheceu ele. Minha irmã mais velha. — Levou o dedo até uma garota loira, o mesmo tom de cabelo de seu irmão, mas ao contrário do irmão mais velho, que tinha olhos azuis, ela tinha olhos verdes. Ela era linda. — Minha mãe. — Mostrou a mulher ao lado do pai. — Eu, é claro. — Acompanhei ele numa risadinha. — E esse aqui é o pirralho da família. — Apontou para um garoto de aproximadamente oito anos de idade. — Meus pais não decidiram ter ele, mas quando ele veio... Bom, foi incrível. Meu irmão e eu estávamos com alguns problemas entre nós, mas Jacob deu jeito de resolver tudo, para que pudesse brincar comigo e com meu irmão sem nós dois brigarmos. — Concordei com a cabeça, sorrindo, e olhei outra foto. Era dele ao lado de quatro mulheres. Ele estava com um terno parecido com o que eu via em fotos antigas de meu pai, quando ele ainda não era rei. Seu terno também estava cheio de acessórios, a maioria deles eram títulos, prêmios, entre outros.

— Quem são elas?

— Minhas primas. As da esquerda são filhas de minha tia mais nova, as da direita são filhas do meu tio do meio. Meu pai tem dois irmãos mais novos. — Concordei, entendendo. Eu não tinha primos ou primas por parte de pai, apenas por parte de mãe. — Aquela foto ali... — Apontou para as fotos mais acima, que eram dele com mais cinco homens. — São os homens da família. Meus tios adoram fazer filhos, e bem... Você sabe como são as coisas. — Concordei com a cabeça, sorrindo.

Parei meus olhos na foto de um palácio, e ele concordou, entendendo minha pergunta silenciosa.

Era o palácio da família real australiana. O palácio onde William havia passado toda a sua vida.

— Como é a Austrália?

— Me diga você. — Retrucou, abrindo um sorriso um tanto quando cafajeste.

— Parece ser ensolarada. — Destaquei, recebendo um aceno de concordância.

— E é. A Austrália é cercada de praias e mais praias, mas não pude crescer próximo á uma por segurança, o palácio foi construído no centro do país, assim como nossa capital foi transferida para o mesmo lugar após a quarta guerra mundial, por segurança. — Concordei com a cabeça, a capital de Illéa, Angeles, que antes não tinha esse nome, também era outra, mas esta antes da terceira guerra mundial. Acredito que todos no palácio, e no mundo, deviam saber porquê não havia nenhum Chinês ou Japonês na seleção. — Você gostaria de lá. — Soltou a dica no ar.

— Não é como se fossemos para lá caso terminássemos a Seleção. — Pisquei para ele, o mesmo abrindo um sorriso.

— E quem garante que não é Alexa a sucessora? — Provocou, enquanto eu revirava os olhos para ele.

— Mesmo que ela fosse, eu não suportaria ficar longe de minha família.

— E nem eu da minha. Meio a meio, que tal? — Mostrou sua mão, como um trato.

— Fechado. — Respondi, apertando sua mão, enquanto ele me puxava para mais perto, não soltando nossas mãos.

— Fico feliz de não ter aceitado nenhuma proposta de casamento de outros países antes. Sempre ouvimos falar como a família real de Illéa era bonita, mas nunca haviam me mostrado uma foto antes de me perguntarem se eu gostaria de tentar a mão de uma das Princesas Schreave. — Levantei as sobrancelhas para ele. — Ah, qual é, Rose, você acha que eu me casaria com uma mulher desafeiçoada de beleza? — Bufei, me afastando por pura brincadeira, enquanto ele ria fraco e me puxava para perto novamente. — Nós temos mais uma hora e cinquenta minutos para passarmos juntos, Alteza, infelizmente, você terá de aguentar meus encantos até lá. — Suspirei.

— Nossa, que martírio será! — Coloquei a mão na testa, fingindo estar passando mal. Ele sorriu, tirando a mão de minha testa.

— Talvez eu corte meu tempo com você, assim como na seleção, fazendo isso... — E então me beijou.

Eu não afastei ele, não o empurrei, não lhe dei um tapa, nada disso. Ao contrário, eu retribuí o beijo.

Uma hora e quarenta e nove minutos depois, eu me despedia dele.

— Você realmente está levando isso ao pé da letra. — Disse, manhoso, enquanto tentava me puxar novamente para a cama. Não, não tínhamos feito nada além de beijar, mas qual lugar melhor no mundo do que uma cama? Homens diriam vários lugares perversos, e eu diria que não existe nenhum, afinal, além de confortável, lhe tentará para muitas outras coisas.

— Claro que sim. — Pisquei inocentemente, enquanto ele me puxava pela cintura, me dando um último beijo.

Nos afastei segundos depois, caminhando até a porta e abrindo um sorriso inocente para o homem sentado na cama, que me encarava com uma expressão triste, tentando me convencer á ficar mais tempo. Uma pena para ele, eu não ficaria.

— Vejo você no café da manhã, Sr. Davis.

— Você é realmente muito cruel, Schreave. — Ele suspirou, se deitando com força na cama enquanto eu fechava a porta de seu quarto rindo.

Os guardas estavam á postos, mas todos eles tentavam esconder as risadinhas maliciosas. Claro que imaginariam o que eu estaria fazendo no quarto de um príncipe após a janta, levando em conta que neste horário eu já deveria ter me aprontado e estar em meus aposentos pronta para dormir. Deveria.

Fiz o caminho até meus aposentos, vendo minhas criadas sentadas conversando, mas assim que me viram, ficaram completamente á postos, espelhando a reação dos guardas no corredor.

— Deixem disso, garotas. Estou cansadíssima, e aposto que vocês também. Eu mesma encherei minha banheira, apenas gostaria de ajuda para com o vestido e cabelo. — Elas rapidamente se postaram á fazer o pedido, e então dispensei-as. Eu não era a única cansada por ali, muitíssimo pelo contrário.

Eu tinha acabado de me deitar, e estava prestes á apagar a luminária da mesa de cabeceira ao meu lado direito, quando vi uma sombra em minha varanda.

A porta deslizou lentamente, comigo sentindo o coração quase saltar pela boca, e eu estava prestes a gritar quando reconheci o rosto de Nathan por entre as cortinas.

— Nathan? — Sussurrei, irritada. — O que você está fazendo aqui?

— Temos algumas coisas para resolver, Rose. — Me arrumei na cama, me sentando e acendendo a luz do teto do quarto.

— Como entrou aqui? — Cortei o assunto.

— Conhece um tal de Gabriel Leger? É um guarda, ele é super gente boa. Já vi você conversando com ele.

— Claro que conheço, ele é da minha guarda pessoal, e de minha irmã, ele é o nosso amigo mais próximo, quase como irmão. — E é gay.

— Bem, foi ele que me colocou aqui.

É claro que Gabe faria isso.

— Você falou para ele.

— Claro que sim! Eu estava desesperado, Rose. Você tem noção de que eu não posso ir atrás de você e ordenar uma aula particular ou qualquer desculpa do gênero? Eu tenho que esperar você vir até mim, e no caminho que estávamos, nós só nos veríamos numa próxima aula, que por sinal é apenas daqui á dois dias! — Tive que conter a risada perto do desespero dele enquanto o mesmo falava, até que não foi mais necessário contê-la, afinal, eu lembrava perfeitamente do porquê dele estar ali, e ao contrário da primeira vez que eu gostaria que ele estivesse, não era um bom assunto que íamos tratar, mas também não poderíamos fugir para sempre. Principalmente se eu quisesse ser uma boa rainha. Rainhas não fogem de responsabilidades e assuntos que devem cuidar.

— Entendo. — Minha voz soou fria, mais fria do que eu gostaria, até.

Ele engoliu em seco.

— Me desculpe.

Esperei que ele continuasse, pronta para dar uma incrível resposta para qualquer coisa que ele dissesse, mas pelo contrário, isso foi tudo o que ele disse.

— Só? — Falei um tanto quanto incrédula.

— É. Isso resume todos os problemas que criei. E levando em conta que mesmo que eu me ajoelhe aqui mesmo você provavelmente me olharia do mesmo modo egocêntrico de cinco minutos atrás, o “me desculpe” é a melhor coisa que eu tenho para dizer. — Modo egocêntrico. Eu tinha olhado assim para ele?

Céus. Eu não queria ser esse tipo de pessoa.

— Tudo bem. — Soltei um suspiro. — Então, o que você quer dizer com isso?

Ele coçou a parte de trás da cabeça.

— Você não teria nenhum livro de como ensinar um plebeu á ser príncipe, tem? — Abri um sorriso verdadeiro.

— Os livros podem esperar. — Bati ao meu lado na cama. — E podemos tirar o atrasado. — Ele sorriu, tirando os sapatos e subindo na cama, parando por cima de mim.

— Eu ainda vou querer o livro.

— Você ainda está pensando nisso? — Perguntei, incrédula.

Ao que parece, não mais.

A boca dele já estava contra a minha, assim como seu corpo.

Ah, beijar era bom, mas, como eu já disse, beijar numa cama? Melhor ainda.

E então fomos interrompidos pela porta se abrindo sem ninguém bater.

— Ahn... — Gabriel limpou a garganta. — Só queria saber se ninguém tinha se matado, sabe... — Ele abriu um sorrisinho sem jeito, comigo levantando as sobrancelhas para ele. — Boa noite, pombinhos. — E então fechou a porta.

Nathan olhou para mim.

— Onde estávamos?

Notas finais
Então, muito obrigada, pessoal, quero agradecer por todos os comentários e tudo mais, apesar de que... ok, temos mais de 100 leitores, nem 15 comentários no último. Agradeço á todos os outros, e eu NÃO quero ser ingrata, mas poxa, também temos 32 favoritos. Pessoal, poxa, olhem os números, mal temos 1/3 dos favoritos, quem dera 1/9 dos leitores. Bom, mesmo assim, obrigada á todos que continuam comentando! Vocês são o que fazem a fic continuar, e mesmo que eu ou a Drama não respondamos algum comentário, ou é porque não vimos, ou porque ainda não tive tempo de responder. Enfim, vocês se veem com a Drama no próximo sábado! Até lá :3