Two Crowns
50 Capítulo XLIX
Notas iniciais

Minhas mãos tremiam enquanto alisavam o vestido perolado que sutilmente prendia-se ao meu corpo, evidenciando as curvas que deveriam ser mostradas, e ocultando aquela que, para mim, era a mais importante naquele momento. Não que tivesse sido fácil me acostumar à ideia da gravidez, mas seria ainda mais complicado me acostumar com a ideia de interrompê-la. E, Santo Deus, nem Matheo, nem meus pais, muito menos Charlotte, permitiriam que aquilo acontecesse.
Sentei-me, encarando o reflexo no espelho, enquanto meu cabelo e minhas unhas eram enfeitados pelas oito funcionárias suíças que haviam sido designadas para cuidarem de mim naquele dia: o dia mais importante da vida de uma mulher. Casamento. Meses antes, eu provavelmente me contorceria toda e faria caretas de desgosto se me dissessem que eu iria me casar aos dezoito anos com Matheo Delacroix. E, no entanto, ali estava eu.
Começo de março, ainda inverno. Quinze semanas de gravidez, a barriga começando a se acentuar. Um vestido extremamente pesado, de mangas longas rendadas, cauda comprida, enfeitado em pérolas, porque o branco simplesmente não valorizava meu tom de pele. As bochechas coradas de frio e de blush, os olhos delineados por um fino traço preto e enfeitados com sombras em tons amarronzados. O cabelo extremamente comprido estava preso em cima e caía em cascatas cacheadas sobre as costas, agora em seu tom naturalmente loiro escuro. A gravidez não me permitia escurecê-lo mais, então era hora de assumir os tons das madeixas douradas de Maxon.
Maxon, que, por sinal, ainda não havia superado completamente a crise de meia idade. Ele estava provavelmente pronto há mais de meia hora, e me esperava do lado de fora do salão, transitando de um lado para o outro, pelo que pude ver por sua sombra no vidro fosco. Um pensamento em meu noivo me fez sorrir: provavelmente estava sendo trancafiado em algum lugar, assim como eu, para não quebrar as tradições. Não que já não tivéssemos quebrado a maioria, mas ver a noiva antes do casamento era estritamente proibido.
Duas batidas na porta fizeram meu coração parar e meus pensamentos se perderem, trazendo-me de volta à realidade. Momentos depois, Charlotte Delacroix e America Schreave posicionaram-se uma de cada lado meu, aguardando que as contratadas finalizassem seu trabalho. Um batom rosa queimado, e eu estava pronta. Levantei-me com a ajuda das duas, cometendo o erro de fazê-lo de cabeça baixa. A tontura tomou conta do meu corpo, mas mative-me firme. Ônus de se carregar uma criança no ventre. Sorri, como se nada tivesse acontecido, mas estávamos falando de duas mães ali. Era óbvio que elas haviam notado, apenas não comentaram nada sobre, o que era, de fato, aliviante.
— Você está linda — Rose sorriu, entrando logo depois e me abraçando. — Ainda não acredito que decidiu assumir a loirisse, eu me divertia quando eles não nos diferenciavam tão facilmente — brincou.
— Uma hora você também vai assumir, querendo ou não — sorri de volta. — Onde está Vermont?
— Adivinhe — ela revirou os olhos, fazendo com que todas ríssemos. — Ele e Matheo parecem duas garotas, não se desgrudaram desde que chegamos aqui, ontem à noite.
— Seu namorado não o levou... — não terminei a frase.
— Se ele tivesse feito isso, não estaria aqui hoje.
Concordei com a cabeça, e fitei por um longo momento minha mãe e minha futura sogra. Elas pareciam se dar muito bem, o que já era uma grande vantagem se pensarmos em Daphne. Rose teria um probleminha nesse quesito. As três vestiam-se em azul hortência, e eu sabia que, muito provavelmente, todas as madrinhas também. Por mais que eu e Matheo quiséssemos uma festa menor, nossa condição social não nos permitiu um evento com menos do que cinco mil pessoas. A definição de pequeno da realeza chegava a ser deprimente.
— Está pronta? — a rainha suíça perguntou-me, sorridente.
— Não — respondi, de imediato. — Mas acho que nunca estarei, então… — suspirei. — Preparada para ganhar uma filha?
— Como se você ainda não fosse... — riu, levando-me até a porta. — Trate de se apressar, querida. Não acha que já fez o meu pequeno esperar tempo demais?
Acenei positivamente e andei em direção a um Maxon impaciente. Ele parecia suar frio, levava o lenço à testa e não notou minha aproximação até estarmos muito próximos um do outro. Encarou-me dos pés à cabeça e fez o sentido inverso, analisando cada detalhe meu. Apegado. Era isso. Nosso pai era muito apegado a nós duas. Mais a Rosemarie, mas não necessariamente pouco a mim.
— Você tem certeza disso? — questionou. — Posso colocar você num avião em quinze minutos e te esconder em qualquer canto do mundo. Sério. Você pode fazer isso.
— Pai — revirei os olhos —, isso não vai acontecer. Não vou deixar o pai da minha filha no altar.
— É uma garota? — ele parecia surtar.
— Não sei. Sinto que é. Matheo acha que é um menino. Não quero saber, o que vier, que venha com saúde. É o que importa.
— Já está falando como uma mãe — foi ele quem sorriu, oferecendo seu braço. — Tem certeza que não quer sair correndo?
— Pai!
E a porta se abriu para um salão ainda maior. Era uma igreja, muito parecida com as catedrais do período gótico, com uma única exceção: era inteira de vidro. Inteira de vidro, situada no topo dos Alpes Suíços, completamente translúcida. E o mais incrível, fora contruída em apenas dois meses, para a realização exclusiva de um casamento. Do meu casamento.
Charlotte e Matheo definitivamente gastaram fortunas com o evento. Eu não me sentia tão bem em participar da organização, era muito dinheiro investido, que a realeza suíça fez questão de ceder. Um dinheiro que Illéa não tinha, mas que a Suíça esbanjava. Contudo, o sentimento de culpa se foi assim que eu saí do estado de transe e pude observar tudo aquilo.
Não apenas os padrinhos como todos os convidados usavam o mesmo tom de azul. O tapete sob meus pés não era vermelho, era vidro, com pétalas de rosas azuis — e eu bem sabia que só existiam se modificadas geneticamente. Tulipas — minha flores favoritas, e obviamente também azuis — decoravam a catedral de vidro, e as luzes conferiam ao local uma tonalidade dourada. Era incrível.
Olhei ao longe — e, acredite, era muito longe — o altar. Reconheci Matheo de imediato, em seu fraque azul e lenço pérola. Seus cabelos estavam com as laterais mais curtas, mas ele fizera questão de manter o topete comprido que eu tanto gostava. Sorria para mim, exibindo dentes impecavelmente perfeitos, e tudo o que consegui fazer foi lhe retribuir com um sorriso tímido.
Naquele momento, não havia seis mil convidado, não havia nossa família, nossos amigos. Eu sequer era capaz de sentir o braço de meu pai sob meus dedos, e definitivamente não notei os olhos de America se enchendo de lágrimas logo no começo da cerimônia. Tudo girava em torno de mim e dele. Quis acelerar os passos, pular em seu colo e ficar com ele para sempre. Meu coração já estava apertado de tanta saudade, visto que havíamos passado a última semana separados, em preparação para aquele momento. E ali estava ele. A menos de cem metros de mim e, ao mesmo tempo, incrivelmente distante. Tomei fôlego e segui em frente, finalmente desviando a atenção para os convidados, sorrindo para todos eles. Alguns eu reconhecia de grandes eventos, outros, da Seleção. Conforme avançava, finalmente pude ver um pouco mais.
Sobre o altar também estavam os padrinhos. Eram vários, ainda que eu e Matheo tivéssemos reduzido essa lista algumas vezes. Rose e Caleb, Aaron e Lydia, Daniel e Astra, Arthur e Heidi, Gabe e Emma. Sim, Gabe e Emma. Aparentemente, o melhor guarda do mundo tivera seu coração partido, e é claro que ele não deixaria de ser meu padrinho. Por um momento, pensamos em juntá-lo a Arthur, mas o meu melhor amigo não curtiu muito a ideia, então cada um entrou com uma irmã de Aaron, minhas únicas amigas dentro da realeza. Gabe estava morando com Emma nas últimas semanas. Aspen não aceitou o fato de ter um filho homossexual, e o expulsou de casa. Nesse meio tempo, ele descobriu que Emma também sempre fora deixada de lado pelo rei Charles pelo mesmo motivo, então acabaram por se juntar e viajam o mundo, passando um mês em cada país. Complexo? Você não faz ideia.
Alguns primos e amigos de longa data de Matheo constituiam seus padrinhos. Eu conhecia todos eles, ainda que, de fato, não fosse muito próxima de nenhum. Ele também não era muito próximo dos filhos de seus tios, visto que todos eram da parte paterna da família, mas para cada casal de padrinhos que eu possuía, ele também possuía um. Meras cordialidades.
Heidi tinha o cabelo um pouco fora do lugar. Passaria despercebido se eu não tivesse a visto antes daquele momento, e eu bem sabia o que aquilo significava. Arthur não tinha limites, e era incrível na conquista. Sorri para ele, que me retribuiu o sorriso daquela típica maneira de elfo maligno. Ele definitivamente precisava morar alguns meses por ano comigo.
Os detalhes eram tantos que não percebi quando finalmente chegamos ao altar. Minhas pernas pareciam feitas de gelatina, mas eu não poderia cometer uma gafe. Não ali, não na frente de todo mundo. Não na frente de Matheo. Meu pai beijou minha testa e minha mão, entregando-me ao futuro rei Suíço. Futuro rei, pois as leis eram claras: ele assumiria assim que se casasse, dentro de alguns minutos. Obviamente que Charlotte lhe daria o tempo da lua de mel, mas era isso. Matheo voltaria de viagem sendo um rei. E eu, uma rainha.
— Cuide bem dela, Delacroix. E dos meus netos — papai sorriu, despedindo-se de mim com os olhos cheios d’água e foi para o lado de mamãe, que já estava em prantos. Bendita maquiagem à prova d’água.
— Je le ferai, monsieur — provocou-o com o francês. — Je le ferai.
A cerimônia enfim começou, e toda ela passou diante de mim como num transe. Eu encarava Matheo em seus olhos hazel, e tudo o mais que havia no mundo era secundário. Estar ali fazia com que eu me sentisse bem, completa. E a tristeza que eu sentira antes serviu para me mostrar que a saudade não compensa, que a ausência não dá paz, e que o verdadeiro amor de quem se ama tece a mesma antiga trama que não se desfaz.
Juramos em duas línguas por mera cerimônia, mas as juras de verdade estavam nas palavras não ditas. Estava no amor que só aumentava a cada segundo que passávamos juntos. Eu sabia disso, ele sabia disso. Todo o resto não importava. E quando o padre finalmente disse as palavras pelas quais esperamos a noite toda, ele não me beijou como meros adolescentes fariam. Matheo me beijou como uma mulher adulta. Colocou suas mãos em meu rosto e depositou um beijo sobre minha testa. Calmo, repleto de carinho, afeto, proteção e amor.
Havíamos deixado de ser carne e, ali, éramos alma.
— Eu amo você — sussurrei, assim que a multidão começou a se agitar.
— Je t’aime — ele sussurrou de volta, descendo as mãos até minha cintura. — Je vous aime.
A festa tardou a terminar, mas ficamos até o final. Não tomei nada alcoólico, e Matheo me acompanhou. A parte boa de se ficar sóbria em festa com mais de oito horas de duração, é ser uma das poucas a se lembrar de tudo o que acontece. Se você acha que a realeza sempre mantém a classe, sinto muito em destruir essa utopia.
Gabriel parecia estar em crise existencial quando descobriu que o boy magia que ele beijou a noite toda era o irmão mais novo de Arthur. Emma se divertia com uma prima de Matheo, Daniel e Astra combinavam com Caleb e Rose qual seria a sequência dos casamentos, enquanto Daphne provocava meus pais, o irmão mais velho de Caleb discutia política com Arthur e Aaron e Lydia parecia socializar com a cunhada, Heidi, cujos boatos eram de que não se gostavam. Andrew fazia acordos com Nicholas e James — sim, o James que brigara com Aaron. Aquela briga parecia ter sido há séculos, mas, na realidade, acontecera menos de um ano atrás.
Do restante, tudo muito tranquilo. Charlotte imponente ao lado de Noah, não mais rainha e reis da Suíça. Matheo conversava com contatos importantes do país enquanto eu tentava acompanhar tudo, mas a música alta no fim da festa dificultava meu entendimento de francês. Numa determinada altura, tirei meus sapatos e fiquei sentada na mesa, cansada demais para me levantar, mas animada demais para ir embora. Alexandra Schreave Delacroix não fora feita para festas. Por sorte que Matheo também não.
Pegamos uma limousine assim que a festa acabou, para a cidade de Ennetbuergen, na Suíça. Eu sabia que conhecia o nome, mas não me lembrava. Aproveitei as duas horas de viagem para dormir no colo de Matheo, estava exausta. Assim que o carro parou, e pegou-me no colo e levou-me para dentro do palácio, mesmo contra todas minhas reclamações.
— Eu estou grávida, não aleijada! — bufei, fazendo-o rir. Aparentemente, ele também havia cochilado e estava num humor melhor. — Onde estamos?
— Palácio de Ennetbuergen, é óbvio — fez piada. — Você se lembra daquela vez que eu desenhei você, numa piscina, com um lago e as montanhas ao fundo? — concordei, positivamente. — Então observe.
Matheo me colocou sentada sobre a cama e abriu a cortina. Já era meio da manhã, e finalmente amanhecia. Através da porta de vidro, pude ver a cena que ele havia desenhado em lápis grafite, e cada vez mais eu tinha a certeza de que ele era um incrível desenhista. Fiquei sem palavras e me levantei, decidida a ver mais de perto. Coloquei a mão sobre o vidro enquanto o senti me abraçar por trás, com a mão repousando sobre o meu ventre e os lábios em minha orelha, fazendo-me cócegas.
— É incrível, sabe? Tudo isso. O casamento, esse lugar. Aquela igreja, todas as pessoas vestindo a minha cor favorita… Eu… — virei-me para ele, vendo seus olhos brilharem. — Muito obrigada. Eu nem sei como posso agradecer por tudo o que você fez e tem feito por mim, Matheo.
— Ainda bem que eu sei.
Ele sorriu com malícia, beijando-me profundamente, ao passo que suas mãos me apertavam de modo firme, mas cauteloso. Depois da descoberta de minha gravidez, ele era sempre cauteloso em todas suas atitudes, e eu não o julgava por isso. Ele virou-me de frente para a parede, prensando-me por trás e abrindo o vestido longo e pesado, enquanto beijava minha nuca e mordia a pele, suavemente. Despiu-me e despiu-se tão rapidamente, que quando dei por mim, já estávamos sobre a cama.
Dois meses sem sexo haviam enlouquecido o rei.
É óbvio que eu já esperava por tudo aquilo. Estava com uma lingerie azul por baixo do vestido, com direito a meias sete oitavos e cinta-liga. Matheo levantou-se sobre seus joelhos, encarando meu corpo ofegante sobre a cama, e sorriu. Beijou o pequeno volume em minha barriga algumas vezes, antes de sussurrar algo como: “Feche os olhos, filho, é melhor você não ver isso”.
— Tranque a porta, amor — apoiei-me sobre os cotovelos, indicando com a cabeça para a porta escancarada.
— Você viu algum criado por aqui? — arqueou as sobrancelhas — Pode gritar o quanto for, ninguém vai ouvir você — dei risada do tom que ele usou, puxando-o para mim e beijando-o. Comecei a tirar o sutiã, quando suas mão me interromperam. — Não ouse acabar com a graça.
O suíço voltou a me deitar sobre a cama e debruçou-se sobre mim, beijando o vão dos meus seios e descendo cama vez mais. Usou os destes para retirar minha calcinha delicadamente, colocando-a de lado e beijando minhas coxas e virilha, até começar a me chupar. Começou lento e profundo, mas foi acelerando com o tempo, arrancando cada vez mais gemidos de mim. Colocou um dedo dentro de mim, retirando-o e o enfiando repetidas vezes, chupando cada vez mais forte. Agarrei-me em seu cabelo, incentivando-o a continuar, e por Deus que ele não havia cortado-o totalmente. Agora eu entendia o porquê.
Aos poucos, reduziu o ritmo e virou-me de bruços, brincando com o fecho do suitã. Abriu-o e lançou a peça longe, chupando a pele de minha nuca e colocando sua mão em baixo de meu corpo, acariciando meus seios. O volume em sua cueça roçava minha pele, excitando-me ainda mais. Matheo retirou a peça de roupa restante, e me manteve de bruço, colocando uma almofada sob meu ventre e debruçando-se sobre mim. Seu membro roçava minha intimidade, e penetrou-me lentamente no começo, fazendo-me soltar gemidos altos e longos.
Eu lembrava dessa posição no livro que ele me dera. Em suas notas, indicava que a almofada sob o ventre fazia a penetração ser mais funda. Ele estava mais do que certo. Matheo estocava cada vez mais rápido, e eu não conseguia sequer respirar direito. Sua mão livre apertava minha bunda, e cada vez ele ia mais e mais fundo em mim. Fechei levente as penas, e senti a excitação aumentar, tanto minha quanto dele. Ele também gemia, forçando-se cada vez mais, até meu corpo contrair num orgasmo e apertá-lo dentro de mim. Matheo gemeu alto, virando-me e me pegando no colo. Encostou minhas coas à parede fria e passou minhas pernas ao redor de seu quadril, voltando a me penetrar.
Suas mãos seguravam minhas costas e seus lábios chupavam incessantemente meu pescoço. Minhas unhas arranhavam sua pele a cada penetração, e eu já nem conseguia manter os olhos abertos. Tudo o que eu queria era aproveitar o momento e a sensação de seu corpo me preenchendo. Matheo era excelente naquilo, e se há mil motivos para um casamento acabar, eu só deveria me preocupar com novecentos e noventa e nove. O sexo era perfeito.
— M-Matheo… — gemi, indicando com a cabeça para que voltássemos para a cama. Ele se sentou no móvel, mantendo-me em seu colo.
Deitei-o, cavalgando sobre seu membro. Ele arfava e, a essa altura, nós dois já estávamos todos suados. Saí de cima dele por um tempo, ajoelhando-me na cama e chupando seu membro. Era algo que eu levara tempo para me acostumar, mas que já não era tão assombroso assim. Na realidade, ver a testa do moreno se enrugando e seu maxilar forçando de prazer extra extremamente recompensador.
Matheo afastou-me e me jogou de volta na cama, enérgico. Eu adorava isso. Adorava quando ele quase chegava ao orgasmo com o oral, porque é exatamente o que ele menos quer: gozar antes do meu segundo orgasmo. Metódico, mas extremamente prazeroso. Deitei-me na cama e ele voltou a me chupar, seus dedos penetrando-me e sua língua acelerada sobre meu clitóris. Meu corpo começou a se contrair, e ele penetrou-me com força. Não pude aguentar e gemi muito alto, meus olhos revirando nas órbitas e minhas unhas cravadas em suas costas com mais um orgasmo, muito mais forte que o primeiro. Mesmo assim, ele não parou. Continuou o papai-e-mamãe, sabendo que se trata da minha posição favorita. Foi até motivo de piada que eu gostasse tanto de uma posição tão simples, e que ele nunca havia feito antes por achar entediante. No entanto, ali, com Matheo gozando dentro de mim, definitivamente não estávamos nem um pouco entediados.
— Oh Mon Dieu — ele comentou, arfando. — Je veux le faire cette pour le reste de ma vie.
Dei risada de seu comentário, puxando-o para o meu lado e virando-me de modo a encará-lo de frente. Entrelacei minhas pernas com as suas e puxei seu rosto para o meu, num longo beijo. De corpos colados, pude sentir nossos corações batendo aceleradamente, e não pude deixar de sorrir.
— Je suis sûr que nous le ferons — respondi, aninhando-me em seu peito, e dormindo pela exaustão.
Deitando-me ao seu lado, sem nunca querer de lá sair.
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